Blog do Girotto
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Zanin envenenou a democracia brasileira
Cristiano Zanin introduziu uma incerteza perigosa no encerramento do segundo turno. Ao determinar a extensão da votação até as 19h em todo o Brasil, o ministro do Supremo Tribunal Federal impôs uma mudança nacional sem esclarecer, na própria decisão, como executá-la nas seções que já tivessem encerrado seus trabalhos. Uma medida apresentada para proteger o voto deixou perguntas essenciais sobre a igualdade de acesso às urnas.
A decisão deste domingo, 25 de outubro, atende a uma reclamação da coligação de Lula. Seu texto relata denúncias de transporte público insuficiente em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. São denúncias graves. Garantir que o eleitor consiga chegar à seção é uma obrigação democrática, e eventuais responsáveis por impedir esse acesso precisam responder por seus atos.
A urgência, porém, exigia uma solução executável. Na cópia da decisão divulgada pelo Poder360, Zanin registra que os fatos chegaram ao conhecimento do STF às 16h32min49s e determina a prorrogação nacional, atribuindo seu cumprimento ao TSE. O documento não estabelece como proceder diante de urnas encerradas, seções desmobilizadas ou eleitores que já tenham sido dispensados. O horário mencionado é o da chegada dos fatos ao Supremo, não o da divulgação da ordem.
O problema ganhou uma expressão concreta em Minas Gerais. Em reportagem publicada às 17h34, a Itatiaia informou que o TRE-MG ainda aguardava comunicação oficial do STF ou do TSE e que a apuração já havia começado nas seções mineiras. Segundo o tribunal, conforme a reportagem, não seria tecnicamente possível reabrir as urnas já encerradas. Essa manifestação documenta o impasse naquele momento; não permite atribuir a mesma situação a todos os estados.
A Folha também informou que o TSE paralisou a totalização dos votos após a decisão. Essa providência, por si só, não esclarece como garantir o atendimento a quem encontrasse sua seção fechada.
Dois mesários de escolas nos bairros de Nova Descoberta e Petrópolis relataram por telefone ao Blog do Girotto que os portões de seus locais de votação permaneciam fechados. Os nomes dos mesários e das escolas são preservados para proteger as fontes. São relatos de quem participa da organização da votação, ainda sem confirmação independente.
A questão que esses relatos levantam é decisiva: se a ampliação do prazo alcançar uns eleitores e não alcançar outros, o direito formalmente concedido produzirá uma nova desigualdade na prática.
É nesse descompasso que surge a insegurança jurídica. A extensão nacional precisa vir acompanhada de critérios claros para as situações concretas. O eleitor deve saber se pode votar; o mesário, como proceder; os tribunais, como registrar e solucionar os impedimentos. Sem essas respostas, abre-se espaço para disputas sobre quem teve acesso efetivo ao prazo adicional e quem ficou excluído dele.
As duas campanhas presidenciais pediram prorrogação, com razões e abrangências diferentes: a de Lula apontou dificuldades de transporte; a de Flávio Bolsonaro, problemas provocados pelas chuvas, segundo a Folha. O interesse dos candidatos não reduz a responsabilidade de quem decide. A exigência de coerência e igualdade vale para qualquer beneficiário.
Zanin deve explicar a viabilidade da solução nacional que determinou. O TSE precisa esclarecer quando recebeu a ordem, como a comunicou e quais providências adotou para executá-la. Eventuais falhas devem ser demonstradas e apuradas, sem transformar dúvida em prova de fraude.
É nesse sentido que Zanin envenenou a democracia brasileira: lançou sobre o momento decisivo da eleição uma ordem cujas condições de execução ficaram sem resposta no próprio texto. A confiança pública exige que a Justiça consiga fazer chegar ao portão da escola o direito que reconhece no gabinete.
Lula e Flávio provam que ambos serão tragédias para o Brasil
O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band, neste domingo (18), reforça minha convicção de que o Brasil terá motivos para lamentar a vitória de qualquer um deles. Nos confrontos exibidos até aqui, vejo uma disputa empobrecida pela agressividade, pelo oportunismo e pela tentativa de transformar a rejeição ao adversário em licença para governar.
O eleitor tem o direito de exigir mais. Está em jogo quem conduzirá o país, administrará recursos públicos e tomará decisões que chegam à mesa, ao trabalho e à segurança das famílias. O baixo nível de várias passagens do debate desrespeita a importância dessa escolha.
Flávio resolveu constranger o eleitor de Lula associando sua escolha à de criminosos. Em determinado momento, afirmou: “Você vai votar igual ao ladrão do seu celular”. É um recurso grosseiro: tenta contaminar moralmente milhões de cidadãos pela preferência eleitoral atribuída a quem comete crimes. Essa associação serve à hostilidade entre brasileiros e acrescenta muito pouco à discussão sobre como protegê-los. Veja o trecho.
Lula também escolheu o deboche. Diante da provocação sobre votos nas prisões, respondeu: “Até teu pai”, referindo-se a Jair Bolsonaro. Mais adiante, dirigiu a Flávio a frase: “As pessoas mentem pelos olhos”. A primeira intervenção alimenta a disputa familiar; a segunda troca a demonstração de uma mentira pela pretensão de identificá-la na expressão do adversário. Considero ambas muito aquém da responsabilidade de um presidente. Veja a troca e a fala sobre os olhos.
Outra passagem expôs a mesma degradação. Enquanto Lula cobrava explicações sobre o financiamento do filme de Jair Bolsonaro, Flávio disse que já havia explicado o assunto, afirmou que o dinheiro foi para a produção e ofereceu ao adversário uma entrada de cortesia, exaltando o pai. A cobrança sobre dinheiro merece resposta objetiva. Transformá-la em provocação sobre popularidade é uma maneira de empobrecer um assunto sério. Veja a passagem.
Acusações sobre patrimônio, familiares e relações políticas exigem fatos verificáveis e respostas claras. Minha crítica é ao uso dessas questões como munição de palco. Repetir uma suspeita, responder com outra e recorrer à ironia deixa o eleitor cercado de insinuações. O conteúdo precisa ser apurado; o espetáculo, por si, não demonstra culpa nem esclarece inocência.
Houve propostas e instrumentos mencionados. Flávio falou em enquadrar facções e milícias como organizações narcoterroristas e endurecer a legislação. Lula defendeu a PEC da Segurança e maior atuação federal, ao criticar os resultados dos estados. Essas ideias merecem exame rigoroso. Para me convencer, seus defensores precisam explicar execução, financiamento, responsabilidades e resultados que possam ser cobrados. Propostas de Flávio e posição de Lula na cobertura da Band.
É nesse ponto que vejo o vazio das promessas e o oportunismo da apresentação. Anunciar mais dureza ou mais poder para a União rende uma frase forte. O cidadão precisa saber como isso produzirá investigação eficaz, fronteiras fiscalizadas e menos domínio criminoso nos bairros. Minha régua para avaliar os candidatos é essa. As intervenções acompanhadas até aqui ficaram longe de me satisfazer.
Lula, como presidente, deve prestar contas do que entregou e explicar o que ainda falta fazer. Flávio, como postulante ao cargo, precisa demonstrar capacidade própria e sustentar suas soluções para além da exaltação do pai. Ambos devem respostas ao eleitor, inclusive àquele que não integra suas torcidas.
A conclusão política que tiro desse confronto é dura: vejo em ambos a perspectiva de uma tragédia para o Brasil. Nenhuma antipatia pelo adversário me obriga a aceitar ataques vazios, promessas de efeito ou uma conversa tão pequena sobre um país tão grande. Quem pede a Presidência tem a obrigação de estar à altura dela.
Cadu vai apoiar candidato de Ezequiel à presidência da ALRN
A primeira semana após a votação em 1º turno para o governo do RN foi mais movimentada no campo petista do que entre os apoiadores de Allyson Bezerra. O PT firmou diversos compromissos em busca do apoio das bases do candidato do PL, Álvaro Dias, que ficou fora do segundo turno.
O primeiro acordo que circulou pela imprensa foi com o atual presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, que está impedido de disputar outro mandato consecutivo à frente da Casa. O acordo firmado — entre outras exigências de Ezequiel — prevê o apoio do PT e de um eventual governo de Cadu de Lula à eleição de um deputado estadual do PSDB para a sucessão de Ezequiel.
Além de Ezequiel, o PSDB elegeu outros dois candidatos para a próxima legislatura: Cristiane Dantas e Gustavo Soares. Um deles já teria maioria para presidir o Legislativo estadual no biênio 2027/2028.
E o nome, inclusive, já está definido há meses. Podem anotar.

