• PSB nacional quer Silvanio Medeiros como vice de Natália Bonavides

    O Partido Socialista Brasileiro (PSB) já tem seu nome para compôr a chapa de Natália Bonavides (PT), na condição de vice-prefeito. Ao menos se depender do presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, o nome socialista para a disputa de outubro será Silvânio Medeiros.

    Silvanio, filiado ao PSB desde os anos 1990, é reconhecido por sua trajetória de lealdade ao PSB, pelo qual atuou por décadas na defesa das causas sociais, sobretudo junto às comunidades periféricas de Natal.

    Nos anos 1990, Silvânio liderou o movimento estudantil de Natal em importantes movimentos. Foto: reprodução das redes sociais.

    A carreira de Silvanio Medeiros teve início como presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES), quando liderou uma das mais notáveis gerações do movimento estudantil potiguar. Sua atuação o levou a ocupar a Secretaria Nacional de Juventude do PSB.

    No âmbito da administração pública, Silvanio foi chefe de Ação Comunitária na Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social de Natal, assessor especial de Juventude no Governo do Estado do Rio Grande do Norte e como assessor parlamentar na Câmara dos Vereadores do Natal.

    Nome de confiança da então governadora Wilma de Faria, Silvânio foi o primeiro gestor estadual da área de juventude. Foto: reprodução das redes sociais.

    Silvanio Medeiros também fundou o Instituto Manamauê, através do qual implementou diversos projetos de empreendedorismo social, sua ação nas comunidades mais marginalizadas. Posteriormente, atuou na Fundação João Mangabeira (FJM), entidade ligada ao PSB.

    O apoio de Carlos Siqueira sinaliza a guinada que o partido dá após a recente desfiliação do ex-deputado federal Rafael Motta, por muitos anos a principal liderança do PSB no RN.

    Siqueira projeta para o estado um partido de dirigentes identificados com o PSB e leais ao comando nacional da sigla.

    O dirigente do PSB que conversou com nossa redação reforçou também que o nome de Silvânio Medeiros reforçaria a chapa lulistas na capital onde ela é mais carente: entre as comunidades periféricas, nas quais a juventude sente a carência de políticas públicas efetivas.


  • Jean Paul não deixará saudades em ninguém

    A demissão do petista Jean Paul da presidência da Petrobras não foi surpresa pra ninguém. E a reação ao previsível anúncio de sua saída mostra que também não foi motivo de nenhum lamento.

    Para o Rio Grande do Norte, deixa apenas muitos projetos mal desenhados e a marca de ter sido aquele que entregou à 3R Petroleum os campos do Polo Potiguar e a refinaria Clara Camarão. Bradava o slogan “A Petrobras fica no RN” enquanto – por inépcia ou negligência – permitia avançar o desmonte da empresa que um dia já foi a maior indústria de nosso estado.

    Jean Paul, numa das muitas ocasiões em que repetiu o slogan “A Petrobras fica no RN”, em janeiro de 2024. Foto: A. G. N.

    Jean parece ter se dedicado mais a projetos menores e de interesse duvidoso que ao grande desafio da estatal neste momento: reconstruir a estrutura verticalizada que a tornou capaz de garantir o abastecimento e a competitividade do mercado de energia neste continente chamado Brasil.

    Poucos dias após a demissão de Jean, surge a primeira boa notícia para a empresa em muitos anos: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) interrompeu o plano de venda de refinarias, firmado em junho de 2019. É o caminho para a redução nas importações de combustível e a consequente redução de seus preços nas bombas.

    Jean lançou aos ventos muitos projetos ambiciosos, todos eles para daqui a anos ou décadas. Sai da presidência da Petrobras sem realizar nada e deixa para trás apenas incertezas sobre o futuro das poucas iniciativas viáveis que poderiam beneficiar o RN.

    Uma dessas, foi o Termo de Cooperação com o Instituto Senai de Energias Renováveis do RN (Senai-ER) para a construção de uma planta piloto de eletrólise. O valor total de R$ 90 milhões é insignificante se comparado com o que o estado tem perdido em empregos de qualidade e arrecadação devido ao abandono pela Petrobras de suas atividades em nossas terras. Ainda assim, pode representar um caminho para a retomada do setor de energia no RN.

    Caberá agora ao governo e a nossos parlamentares a iniciativa de cobrar e criar as condições para que a Petrobras volte a desempenhar ao menos parte do papel decisivo que teve por aqui ao longo das últimas décadas.

    Fátima terá a iniciativa necessária para fazer andar os projetos dos quais Jean Paul tanto falou e pelos quais tão pouco fez? Veremos.

    Por ora, o pouco que se sabe sobre o impacto da demissão de Jean Paul nas terras potiguares é óbvio regozijo que alegrou até mesmo aos petistas.

    Um deles nos lembrava, na sequência da queda de Jean, que seu histórico de vendedor de sonhos vem, ao menos, desde sua indicação à suplência na chapa de Fátima na disputa para o Senado em 2014.

    Na ocasião, o petista noviço prometeu apoios decisivos. Apoios que o cerco a seu amigo e aliado Nestor Cerveró aparentemente teria inviabilizado. Ao menos foi essa a justificativa que o futuro senador dera à época. E ainda há quem se pergunte por que a governadora não usou de sua influência junto ao governo federal para defender o correligionário.

    Jean saiu da Petrobras para voltar ao seu lugar de sempre, a consultoria a empresas privadas. Na política, é inviável e está só. Na história do RN, restará como um arrivista que chegou longe demais, vendeu muitos sonhos e deixou tudo se esvair nos ventos que não passam pelas eólicas.


  • Giro na política: Mossoró, SGA, pesquisas e mais

    Pesquisas e censura

    É tênue, muito tênue, a linha que separa a perseguição judicial aos jornais (por patidos e candidatos insatisfeitos com os números das pesquisas) da pura e simples censura. Isso porque os políticos pagam seus advogados com dinheiro público. Já os jornalistas pagam do próprio bolso.

    Falando em pesquisas…

    Os levantamentos que têm sido divulgados em nossa capital insinuam que uma parcela significativa do eleitorado tem os olhos presos ao retrovisor. E preferem o que ficou pra trás, ainda que a paisagem seja feia.

    Mossoró pegando fogo

    O calor de Mossoró não é novidade. Nem o entusiasmo político de seus cidadãos. Mas o clima que ferve agora é outro. As rivalidades locais  se acirraram nesta eleição municipal. É tiro saindo de todo lado.

    Jogo feio ao norte do Potengi

    Parece uma partida de várzea a disputa entre os três prefeitos ao norte do rio Potengi para ver qual deles é o pior gestor.

    Eraldo Paiva, de São Gonçalo, Jussara Sales, de Extremoz, e Júlio César, de Ceará-Mirim fazem um jogo que é só caneladas. As três cidades levarão anos para se recuperar do atraso imposto pelas administrações desastrosas.

    Tentando dominar a bola

    Já o prefeito de Natal, Álvaro Dias, joga todas as suas fichas para entregar as obras que iniciou. Ele não conta com a mesma benevolência que concedem a sua colega, a governadora do estado. Ambos pegaram máquinas falidas e enfrentaram a pandemia. A diferença é que os eleitores de Álvaro exigem que ele entrege o que prometeu.


  • Falta um adulto na mesa da centro-esquerda natalense

    A derrota para Rogério Marinho em 2022 não bastou para a centro-esquerda aprender a dialogar como adulta e construir as bases para a vitória.

    Em 2022, a centro-esquerda potiguar se dividiu na eleição para o Senado e para deputado federal. O resultado foi o PL, principal partido de oposição a Lula, elegendo um senador e quatro federais.

    Em 2024, a centro-esquerda natalense repete os erros de sempre, priorizando a política pequena (recheada de intrigas e rancores) em detrimento da unidade que a tornaria competitiva.

    Abandono a Carlos Eduardo

    O primeiro passo da tragédia anunciada da centro-esquerda natalense em 2024 foi dado já nas últimas eleições.

    Com a reeleição bem encaminhada, Fátima Bezerra decidiu dar o xeque-mate antes mesmo da abertura das urnas. Trouxe Carlos Eduardo para sua chapa como candidato ao Senado.

    Escanteou Jean Paul, que segundo as pesquisas internas venceria a eleição com o apoio de Lula. Não buscou em momento algum o apoio de Rafael Motta para Carlos Eduardo. Julgou que Rafael estava blefando e o ignorou.

    Chapão Fátima e Rogério

    Na campanha, mesmo sem adversário, Fátima preferiu o caminho mais fácil para a reeleição no 1º turno: ignorou seu candidato a senador, Carlos Eduardo, e fez campanha com os prefeitos que apoiaram Rogério Marinho. O resultado foi previsível: Fátima reeleita no 1º turno e Rogério eleito senador.

    Enfiando o pé

    Logo após a eleição, o PT abandona Carlos, lança Natália para a prefeitura de Natal e força o então aliado a buscar outros caminhos.

    A imaturidade de Natália

    2023 começou marcado pelo rompimento público entre o prefeito de Natal, Álvaro Dias, e o senador eleito Rogério Marinho. O partido de Álvaro, Republicanos, faz parte da base do governo Lula. E Álvaro buscou aproximação com o PT para viabilizar as obras que deseja concluir em sua gestão.

    Diante da sinalização pública de Álvaro de que poderia apoiar um candidato do PT para a sua sucessão, a resposta veio de forma infantil pela voz de Natália Bonavides e de seu vereador, Daniel Valença. Um deselegante “tranca” em Álvaro.

    Pegou mal até em casa

    As declarações de Natália irritaram até mesmo alguns dos mais importantes dirigentes do petismo no RN. E afastou de vez as chances de unir a base do governo Lula em 2024, na capital.

    As picuinhas entre petistas
e Rafael Motta

    Em abril, o ex-deputado federal Rafael Motta deu entrevista ao Estadão. “Apesar da Natália ter uma intenção de voto maior, ela meio que chegou em um teto. E o problema é que ela tem muita rejeição. Em um provável segundo turno, é arriscado haver uma derrota, dependendo do adversário”, disse Rafael.

    A declaração se deu no momento em que ele encerrou sua passagem relâmpago pela gestão de Álvaro Dias e se lançou pré-candidato à prefeitura de Natal. Foi, à época, a quarta pré-candidatura na base aliada de Lula: Natália Bonavides (PT), Carlos Eduardo (PSD), Joana Guerra (REP) e o próprio Rafael.

    E piora

    Para alegria dos blogueiros, o caso não ficou por isso.

    No dia seguinte, em suas redes sociais, a vereadora petista Brisa Bracchi deu o troco em Rafael. “Quem chega diminuindo a adversária com críticas rasas é porque ainda está procurando seu lugar”, disse Brisa, que complementou: “É conveniente que Rafael Motta tenha saído da péssima gestão de Álvaro Dias e diga que Natália tem rejeição”.

    O vereador de Natália, Daniel Valença, também deu sua resposta: “A companheira Natália Bonavides estará no segundo turno das eleições deste ano. E isso não depende do desejo de Rafael Motta”.

    Resultado: portas fechadas para o o diálogo entre PT, PSB e Republicanos.

    Quem ganha é Paulinho

    Enquanto a centro-esquerda se divide em sua infantilidade, a centro-direita construiu a unidade em torno da pré-candidatura do deputado federal Paulinho Freire.

    Paulinho avançou sobre as bases do governo Lula ao conquistar o apoio de Álvaro Dias. Depois, unificou a direita com o apoio de General Girão.

    Democrático e com perfil moderno, Paulinho ainda foi decisivo para que se conseguisse os recursos necessários para a conclusão das importantes obras municipais em curso.

    Enquanto isso, a centro-esquerda natalense… 


  • Giro na política: a dureza que é analisar política numa crise como a do RN atual

    Quando eclodem graves crises sociais – como certamente é esta em que vivemos hoje em nosso amado RN – os trabalho de veículos como este jornal – que também se dedicam à análise política – fica, digamos, perigoso.

    Não se trata exatamente do medo de sofrer ataques ou violência física. Esse risco, infelizmente, recai sobre os repórteres na linha de frente, aqueles que nos trazem as informações em primeira mão. Quem as comenta está menos inseguro.

    Risco enorme também correm as pessoas que, não sendo da imprensa, ousam questionar o que acontece. Estão à mercê da retaliação bárbara dos intolerantes, cada vez mais banal.

    O risco que nos cabe, aos analistas políticos, é bem menos terrificante. Mas exige também alguma atenção. Falo da patrulha que se forma nessas horas. Não preciso resgatar o diagnóstico de um país polarizado e radicalizado politicamente. Basta ter esse cenário em mente e acrescentar uma crise social que é claramente de contornos também políticos.

    Temos dois grandes agrupamentos hoje na análise dos eventos que envolvem o RN. Um busca cobrar caro à governadora Fátima Bezerra por algo que não é de sua inteira responsabilidade. Há aí uma grande desproporção no trato. O outro, segue o caminho não oposto (pois ainda se achou outro a quem pôr a culpa), mas divergente. Trata-se de de por tudo culpar gestões anteriores ou conchavos inimigos que parecem nunca sair de moda.

    Nessas horas, fica difícil fazer qualquer análise objetiva, pois tal leitura teria elementos de ambos os polos. Está claro que a maioria está mais preocupada em denunciar aquilo de que diverge do que em prestar atenção naquilo que pode convergir.

    Sim, caro leitor, estou dizendo que a culpa também é sua.

    É natural que a mídia governista passe pano e a oposicionista bata forte. Talvez seja até saudável. Mas a inexistência de uma análise objetiva e crítica nos dois sentidos, esta é de responsabilidade do público. Se houvesse quem lesse tais análises, certamente haveria uma corrida entre os profissionais para ocupar o novo nicho de mercado.

    Sim, acredito na lei da demanda.





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  • PSB nacional quer Silvanio Medeiros como vice de Natália Bonavides

    O Partido Socialista Brasileiro (PSB) já tem seu nome para compôr a chapa de Natália Bonavides (PT), na condição de vice-prefeito. Ao menos se depender do presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, o nome socialista para a disputa de outubro será Silvânio Medeiros.

    Silvanio, filiado ao PSB desde os anos 1990, é reconhecido por sua trajetória de lealdade ao PSB, pelo qual atuou por décadas na defesa das causas sociais, sobretudo junto às comunidades periféricas de Natal.

    Nos anos 1990, Silvânio liderou o movimento estudantil de Natal em importantes movimentos. Foto: reprodução das redes sociais.

    A carreira de Silvanio Medeiros teve início como presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES), quando liderou uma das mais notáveis gerações do movimento estudantil potiguar. Sua atuação o levou a ocupar a Secretaria Nacional de Juventude do PSB.

    No âmbito da administração pública, Silvanio foi chefe de Ação Comunitária na Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social de Natal, assessor especial de Juventude no Governo do Estado do Rio Grande do Norte e como assessor parlamentar na Câmara dos Vereadores do Natal.

    Nome de confiança da então governadora Wilma de Faria, Silvânio foi o primeiro gestor estadual da área de juventude. Foto: reprodução das redes sociais.

    Silvanio Medeiros também fundou o Instituto Manamauê, através do qual implementou diversos projetos de empreendedorismo social, sua ação nas comunidades mais marginalizadas. Posteriormente, atuou na Fundação João Mangabeira (FJM), entidade ligada ao PSB.

    O apoio de Carlos Siqueira sinaliza a guinada que o partido dá após a recente desfiliação do ex-deputado federal Rafael Motta, por muitos anos a principal liderança do PSB no RN.

    Siqueira projeta para o estado um partido de dirigentes identificados com o PSB e leais ao comando nacional da sigla.

    O dirigente do PSB que conversou com nossa redação reforçou também que o nome de Silvânio Medeiros reforçaria a chapa lulistas na capital onde ela é mais carente: entre as comunidades periféricas, nas quais a juventude sente a carência de políticas públicas efetivas.


  • Jean Paul não deixará saudades em ninguém

    A demissão do petista Jean Paul da presidência da Petrobras não foi surpresa pra ninguém. E a reação ao previsível anúncio de sua saída mostra que também não foi motivo de nenhum lamento.

    Para o Rio Grande do Norte, deixa apenas muitos projetos mal desenhados e a marca de ter sido aquele que entregou à 3R Petroleum os campos do Polo Potiguar e a refinaria Clara Camarão. Bradava o slogan “A Petrobras fica no RN” enquanto – por inépcia ou negligência – permitia avançar o desmonte da empresa que um dia já foi a maior indústria de nosso estado.

    Jean Paul, numa das muitas ocasiões em que repetiu o slogan “A Petrobras fica no RN”, em janeiro de 2024. Foto: A. G. N.

    Jean parece ter se dedicado mais a projetos menores e de interesse duvidoso que ao grande desafio da estatal neste momento: reconstruir a estrutura verticalizada que a tornou capaz de garantir o abastecimento e a competitividade do mercado de energia neste continente chamado Brasil.

    Poucos dias após a demissão de Jean, surge a primeira boa notícia para a empresa em muitos anos: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) interrompeu o plano de venda de refinarias, firmado em junho de 2019. É o caminho para a redução nas importações de combustível e a consequente redução de seus preços nas bombas.

    Jean lançou aos ventos muitos projetos ambiciosos, todos eles para daqui a anos ou décadas. Sai da presidência da Petrobras sem realizar nada e deixa para trás apenas incertezas sobre o futuro das poucas iniciativas viáveis que poderiam beneficiar o RN.

    Uma dessas, foi o Termo de Cooperação com o Instituto Senai de Energias Renováveis do RN (Senai-ER) para a construção de uma planta piloto de eletrólise. O valor total de R$ 90 milhões é insignificante se comparado com o que o estado tem perdido em empregos de qualidade e arrecadação devido ao abandono pela Petrobras de suas atividades em nossas terras. Ainda assim, pode representar um caminho para a retomada do setor de energia no RN.

    Caberá agora ao governo e a nossos parlamentares a iniciativa de cobrar e criar as condições para que a Petrobras volte a desempenhar ao menos parte do papel decisivo que teve por aqui ao longo das últimas décadas.

    Fátima terá a iniciativa necessária para fazer andar os projetos dos quais Jean Paul tanto falou e pelos quais tão pouco fez? Veremos.

    Por ora, o pouco que se sabe sobre o impacto da demissão de Jean Paul nas terras potiguares é óbvio regozijo que alegrou até mesmo aos petistas.

    Um deles nos lembrava, na sequência da queda de Jean, que seu histórico de vendedor de sonhos vem, ao menos, desde sua indicação à suplência na chapa de Fátima na disputa para o Senado em 2014.

    Na ocasião, o petista noviço prometeu apoios decisivos. Apoios que o cerco a seu amigo e aliado Nestor Cerveró aparentemente teria inviabilizado. Ao menos foi essa a justificativa que o futuro senador dera à época. E ainda há quem se pergunte por que a governadora não usou de sua influência junto ao governo federal para defender o correligionário.

    Jean saiu da Petrobras para voltar ao seu lugar de sempre, a consultoria a empresas privadas. Na política, é inviável e está só. Na história do RN, restará como um arrivista que chegou longe demais, vendeu muitos sonhos e deixou tudo se esvair nos ventos que não passam pelas eólicas.


  • Giro na política: Mossoró, SGA, pesquisas e mais

    Pesquisas e censura

    É tênue, muito tênue, a linha que separa a perseguição judicial aos jornais (por patidos e candidatos insatisfeitos com os números das pesquisas) da pura e simples censura. Isso porque os políticos pagam seus advogados com dinheiro público. Já os jornalistas pagam do próprio bolso.

    Falando em pesquisas…

    Os levantamentos que têm sido divulgados em nossa capital insinuam que uma parcela significativa do eleitorado tem os olhos presos ao retrovisor. E preferem o que ficou pra trás, ainda que a paisagem seja feia.

    Mossoró pegando fogo

    O calor de Mossoró não é novidade. Nem o entusiasmo político de seus cidadãos. Mas o clima que ferve agora é outro. As rivalidades locais  se acirraram nesta eleição municipal. É tiro saindo de todo lado.

    Jogo feio ao norte do Potengi

    Parece uma partida de várzea a disputa entre os três prefeitos ao norte do rio Potengi para ver qual deles é o pior gestor.

    Eraldo Paiva, de São Gonçalo, Jussara Sales, de Extremoz, e Júlio César, de Ceará-Mirim fazem um jogo que é só caneladas. As três cidades levarão anos para se recuperar do atraso imposto pelas administrações desastrosas.

    Tentando dominar a bola

    Já o prefeito de Natal, Álvaro Dias, joga todas as suas fichas para entregar as obras que iniciou. Ele não conta com a mesma benevolência que concedem a sua colega, a governadora do estado. Ambos pegaram máquinas falidas e enfrentaram a pandemia. A diferença é que os eleitores de Álvaro exigem que ele entrege o que prometeu.


  • Falta um adulto na mesa da centro-esquerda natalense

    A derrota para Rogério Marinho em 2022 não bastou para a centro-esquerda aprender a dialogar como adulta e construir as bases para a vitória.

    Em 2022, a centro-esquerda potiguar se dividiu na eleição para o Senado e para deputado federal. O resultado foi o PL, principal partido de oposição a Lula, elegendo um senador e quatro federais.

    Em 2024, a centro-esquerda natalense repete os erros de sempre, priorizando a política pequena (recheada de intrigas e rancores) em detrimento da unidade que a tornaria competitiva.

    Abandono a Carlos Eduardo

    O primeiro passo da tragédia anunciada da centro-esquerda natalense em 2024 foi dado já nas últimas eleições.

    Com a reeleição bem encaminhada, Fátima Bezerra decidiu dar o xeque-mate antes mesmo da abertura das urnas. Trouxe Carlos Eduardo para sua chapa como candidato ao Senado.

    Escanteou Jean Paul, que segundo as pesquisas internas venceria a eleição com o apoio de Lula. Não buscou em momento algum o apoio de Rafael Motta para Carlos Eduardo. Julgou que Rafael estava blefando e o ignorou.

    Chapão Fátima e Rogério

    Na campanha, mesmo sem adversário, Fátima preferiu o caminho mais fácil para a reeleição no 1º turno: ignorou seu candidato a senador, Carlos Eduardo, e fez campanha com os prefeitos que apoiaram Rogério Marinho. O resultado foi previsível: Fátima reeleita no 1º turno e Rogério eleito senador.

    Enfiando o pé

    Logo após a eleição, o PT abandona Carlos, lança Natália para a prefeitura de Natal e força o então aliado a buscar outros caminhos.

    A imaturidade de Natália

    2023 começou marcado pelo rompimento público entre o prefeito de Natal, Álvaro Dias, e o senador eleito Rogério Marinho. O partido de Álvaro, Republicanos, faz parte da base do governo Lula. E Álvaro buscou aproximação com o PT para viabilizar as obras que deseja concluir em sua gestão.

    Diante da sinalização pública de Álvaro de que poderia apoiar um candidato do PT para a sua sucessão, a resposta veio de forma infantil pela voz de Natália Bonavides e de seu vereador, Daniel Valença. Um deselegante “tranca” em Álvaro.

    Pegou mal até em casa

    As declarações de Natália irritaram até mesmo alguns dos mais importantes dirigentes do petismo no RN. E afastou de vez as chances de unir a base do governo Lula em 2024, na capital.

    As picuinhas entre petistas
e Rafael Motta

    Em abril, o ex-deputado federal Rafael Motta deu entrevista ao Estadão. “Apesar da Natália ter uma intenção de voto maior, ela meio que chegou em um teto. E o problema é que ela tem muita rejeição. Em um provável segundo turno, é arriscado haver uma derrota, dependendo do adversário”, disse Rafael.

    A declaração se deu no momento em que ele encerrou sua passagem relâmpago pela gestão de Álvaro Dias e se lançou pré-candidato à prefeitura de Natal. Foi, à época, a quarta pré-candidatura na base aliada de Lula: Natália Bonavides (PT), Carlos Eduardo (PSD), Joana Guerra (REP) e o próprio Rafael.

    E piora

    Para alegria dos blogueiros, o caso não ficou por isso.

    No dia seguinte, em suas redes sociais, a vereadora petista Brisa Bracchi deu o troco em Rafael. “Quem chega diminuindo a adversária com críticas rasas é porque ainda está procurando seu lugar”, disse Brisa, que complementou: “É conveniente que Rafael Motta tenha saído da péssima gestão de Álvaro Dias e diga que Natália tem rejeição”.

    O vereador de Natália, Daniel Valença, também deu sua resposta: “A companheira Natália Bonavides estará no segundo turno das eleições deste ano. E isso não depende do desejo de Rafael Motta”.

    Resultado: portas fechadas para o o diálogo entre PT, PSB e Republicanos.

    Quem ganha é Paulinho

    Enquanto a centro-esquerda se divide em sua infantilidade, a centro-direita construiu a unidade em torno da pré-candidatura do deputado federal Paulinho Freire.

    Paulinho avançou sobre as bases do governo Lula ao conquistar o apoio de Álvaro Dias. Depois, unificou a direita com o apoio de General Girão.

    Democrático e com perfil moderno, Paulinho ainda foi decisivo para que se conseguisse os recursos necessários para a conclusão das importantes obras municipais em curso.

    Enquanto isso, a centro-esquerda natalense… 


  • Giro na política: a dureza que é analisar política numa crise como a do RN atual

    Quando eclodem graves crises sociais – como certamente é esta em que vivemos hoje em nosso amado RN – os trabalho de veículos como este jornal – que também se dedicam à análise política – fica, digamos, perigoso.

    Não se trata exatamente do medo de sofrer ataques ou violência física. Esse risco, infelizmente, recai sobre os repórteres na linha de frente, aqueles que nos trazem as informações em primeira mão. Quem as comenta está menos inseguro.

    Risco enorme também correm as pessoas que, não sendo da imprensa, ousam questionar o que acontece. Estão à mercê da retaliação bárbara dos intolerantes, cada vez mais banal.

    O risco que nos cabe, aos analistas políticos, é bem menos terrificante. Mas exige também alguma atenção. Falo da patrulha que se forma nessas horas. Não preciso resgatar o diagnóstico de um país polarizado e radicalizado politicamente. Basta ter esse cenário em mente e acrescentar uma crise social que é claramente de contornos também políticos.

    Temos dois grandes agrupamentos hoje na análise dos eventos que envolvem o RN. Um busca cobrar caro à governadora Fátima Bezerra por algo que não é de sua inteira responsabilidade. Há aí uma grande desproporção no trato. O outro, segue o caminho não oposto (pois ainda se achou outro a quem pôr a culpa), mas divergente. Trata-se de de por tudo culpar gestões anteriores ou conchavos inimigos que parecem nunca sair de moda.

    Nessas horas, fica difícil fazer qualquer análise objetiva, pois tal leitura teria elementos de ambos os polos. Está claro que a maioria está mais preocupada em denunciar aquilo de que diverge do que em prestar atenção naquilo que pode convergir.

    Sim, caro leitor, estou dizendo que a culpa também é sua.

    É natural que a mídia governista passe pano e a oposicionista bata forte. Talvez seja até saudável. Mas a inexistência de uma análise objetiva e crítica nos dois sentidos, esta é de responsabilidade do público. Se houvesse quem lesse tais análises, certamente haveria uma corrida entre os profissionais para ocupar o novo nicho de mercado.

    Sim, acredito na lei da demanda.