Jesus de Ritinha de Miúdo
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PIB cresce 0,1% no 3º trimestre de 2025 e indica ritmo mais lento da economia
A economia brasileira registrou alta de 0,1% no terceiro trimestre de 2025 em comparação com o trimestre anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o resultado represente o maior nível já alcançado pelo Produto Interno Bruto (PIB), o avanço é considerado pelo instituto como estabilidade, por não ser estatisticamente significativo. O PIB do período somou R$ 3,2 trilhões.
Na comparação anual, o crescimento foi mais expressivo: alta de 1,8% frente ao terceiro trimestre de 2024. Já no acumulado dos últimos quatro trimestres, a economia avançou 2,7%, mas os números mostram uma trajetória de desaceleração ao longo de 2025.
Setores em desempenho desigual
Entre os setores econômicos, a indústria liderou o crescimento trimestral com avanço de 0,8%. O bom desempenho foi impulsionado principalmente pela alta de 1,7% nas indústrias extrativas e de 1,3% na construção. A indústria de transformação subiu 0,3%, enquanto o segmento de eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuou 1%.
A agropecuária cresceu 0,4%, contribuindo para sustentar o PIB, e os serviços — setor de maior peso na economia — praticamente não avançaram, com variação de 0,1%. Dentro dos serviços, porém, houve destaques positivos: transporte, armazenagem e correio (2,7%), impulsionados pelo escoamento da produção mineral e agrícola; informação e comunicação (1,5%); e atividades imobiliárias (0,8%). O comércio também apresentou crescimento, de 0,4%.
Segundo Claudia Dionísio, analista das Contas Trimestrais do IBGE, o desempenho do setor de transportes reflete uma dinâmica positiva no fluxo de mercadorias vinculadas às atividades extrativas e agropecuárias.
Demanda interna avança pouco
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias teve variação de 0,1%, mostrando estabilidade em meio ao crédito mais caro. O consumo do governo cresceu 1,3%, enquanto os investimentos — medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) — subiram 0,9%.
As exportações foram um ponto de destaque, com alta de 3,3%, ao mesmo tempo em que as importações caíram 0,3%, contribuindo para o saldo positivo do setor externo.
Apesar do avanço do PIB, alguns setores ainda não recuperaram níveis históricos. A indústria permanece 3,4% abaixo do pico registrado no terceiro trimestre de 2013.
Sinais de perda de fôlego
O ritmo moderado do trimestre confirma tendência de arrefecimento. No início de 2025, a economia cresceu 1,5% em relação ao fim de 2024. No segundo trimestre, a alta caiu para 0,3%, até chegar a 0,1% agora.
Claudia Dionísio aponta a política monetária restritiva como principal fator da desaceleração. “Os juros mais altos comprometem várias atividades da economia”, explica. Entre as mais afetadas estão a indústria de transformação, os investimentos e o consumo das famílias.
Ainda assim, o mercado de trabalho aquecido, o aumento da renda e programas de transferência de renda ajudam a mitigar parte dos efeitos contracionistas, sustentando algum dinamismo na economia.
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RN registra a maior dívida média por empresa no Nordeste; número de inadimplentes cresce 22% em um ano
O Rio Grande do Norte registrou, em setembro de 2025, a maior dívida média por empresa do Nordeste, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. O valor chegou a R$ 22.953,89 por CNPJ endividado, colocando o estado no topo do ranking regional e revelando um cenário econômico de crescente pressão sobre os negócios locais.
No mesmo período, o número de empresas inadimplentes saltou de 73.677 para 90.111, aumento de 22,31% em relação a setembro de 2024. Somadas, as dívidas das empresas potiguares ultrapassam os R$ 2 bilhões.
O Nordeste como um todo acumula 1.284.375 CNPJs negativados, com a Bahia liderando o volume absoluto (363.774 empresas), seguida por Pernambuco (227.301) e Ceará (198.211). Sergipe, Piauí e Alagoas registram os menores números.
Falta de planejamento contribui para o endividamento
Para a gerente da unidade de Gestão Estratégica do Sebrae/RN, Alinne Dantas, a ausência de planejamento financeiro segue como um dos principais motivos para que empreendedores potiguares acumulem dívidas.
“Sem planejamento para a baixa temporada, dívidas assumidas nos meses de maior movimento se transformam em problemas quando o fluxo de clientes cai”, afirma. Ela destaca ainda erros recorrentes, como a definição incorreta de preços e a falta de controle sobre vendas a prazo e recebíveis.
O economista Helder Cavalcanti reforça que o cenário local é agravado por fatores estruturais, como desemprego elevado, economia fragilizada e aumento dos custos operacionais. “O empresário precisa se modernizar, investir no processo produtivo e compreender melhor o comportamento do consumidor”, enfatiza.
Segundo Cavalcanti, somente a gestão financeira não basta: é preciso cuidado com capital intelectual, carteira de clientes e posicionamento de mercado.
Inadimplência cresce também entre consumidores
O problema não está restrito às empresas. De acordo com o Serasa, 48,8% da população adulta do RN estava inadimplente em setembro de 2025, uma alta de 6,67% em relação ao ano anterior. Para especialistas, a elevação simultânea da inadimplência de pessoas físicas e jurídicas cria um ciclo que pressiona ainda mais o setor produtivo.
Dantas explica que o Nordeste, de forma geral, enfrenta vulnerabilidades adicionais: renda média mais baixa, economias dependentes do consumo interno e gestão empresarial pouco estruturada. “Quando a renda varia, o consumo cai rapidamente, especialmente nos municípios menores, reduzindo a previsibilidade para o empresário”, afirma.
Como evitar dívidas
O Sebrae orienta empreendedores a adotar práticas de gestão preventiva. Entre as recomendações estão:
- Organização dos recebíveis, com controle de devedores e prazos;
- Construção de reserva financeira, mesmo que pequena;
- Cautela ao assumir crédito, avaliando impactos no caixa;
- Digitalização da gestão, utilizando ferramentas simples para notas, estoque e vendas.
Segundo Dantas, o crédito “pode ser solução — desde que caiba no orçamento da empresa”.
Cenário nacional também preocupa
No Brasil, a inadimplência empresarial atingiu 8,4 milhões de CNPJs em setembro de 2025, o maior índice da série histórica. A dívida média nacional foi de R$ 24.074,50, crescimento de 9,5% em um ano. Cada empresa negativada acumula, em média, 7,2 contas atrasadas.
A região Sudeste concentra o maior número absoluto de empresas endividadas, seguida por Sul e Nordeste.
Para especialistas, o avanço dos débitos reflete um ambiente econômico desafiador, marcado por mudanças no consumo, alta de custos e limitação de crédito. “As necessidades parecem infinitas, mas os recursos são escassos”, resume Helder Cavalcanti.
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Ministério Público Federal pede suspensão de leis que autorizam construções na Via Costeira
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública para suspender e anular leis municipais e estaduais que flexibilizaram a proteção ambiental da Via Costeira, uma das áreas mais sensíveis e emblemáticas de Natal. A iniciativa busca impedir novos empreendimentos na faixa litorânea enquanto não houver garantias de preservação adequada do ecossistema local.
A legislação contestada foi sancionada pela Prefeitura de Natal em dezembro de 2024, permitindo construções não apenas na Via Costeira, mas também em outras quatro Áreas de Interesse Turístico e Paisagístico (AEITPs). Em outubro de 2025, o município publicou normas detalhando como as edificações poderiam ser erguidas, o que, para o MPF, representou uma abertura adicional à ocupação de áreas de preservação permanente.
Antes do MPF, o Ministério Público Estadual (MPRN) já havia acionado a Justiça pedindo a nulidade da lei municipal que trata do uso e ocupação do solo nessas regiões. Agora, as duas instituições convergem no entendimento de que as regras recém-aprovadas contrariam dispositivos federais, como o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica.
Na ação, assinada pelos procuradores Camões Boaventura e Victor Mariz, o MPF argumenta que qualquer alteração na Via Costeira — área de mais de 1,3 milhão de metros quadrados, entre Ponta Negra e Areia Preta — precisa ser analisada com cautela. Laudos técnicos do próprio órgão e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apontam que o local é composto majoritariamente por dunas e restingas, essenciais para o controle natural da erosão, a recarga de aquíferos e a preservação de espécies costeiras.
Os procuradores destacam que a ocupação intensiva da região pode agravar processos erosivos já observados em áreas vizinhas, como Ponta Negra. Segundo o MPF, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) da recente obra de engorda daquela praia aponta que o avanço do mar segue justamente em direção à Via Costeira, aumentando o risco de danos irreversíveis.
Além dos impactos ambientais, o órgão alerta para riscos à segurança populacional, já que a Via Costeira faz fronteira com Areia Preta e Praia do Meio — áreas historicamente vulneráveis a deslizamentos e movimentos de massa. O MPF também menciona a pressão imobiliária crescente sobre os terrenos ainda não ocupados e alerta para possíveis prejuízos ao patrimônio público: novas construções poderiam demandar futuras obras de contenção pagas com recursos públicos.
O pedido à Justiça inclui a suspensão imediata das leis e da instrução normativa que flexibilizaram o uso da área, além da paralisação de licenças emitidas pela Semurb e pelo Idema após o novo Plano Diretor, salvo quando comprovadamente alinhadas ao Código Florestal. O MPF solicita ainda a proibição de novas autorizações e a elaboração de um Plano de Proteção e Gestão Ambiental da Via Costeira, com participação social e consulta a especialistas.
A ação judicial é resultado de representações de mais de 20 organizações civis, como o Fórum Direito à Cidade e o Coletivo Salve Natal. Reuniões, recomendações e uma audiência pública foram realizadas, mas, segundo o MPF, não houve colaboração dos gestores municipais.
O órgão reforça que a Via Costeira deve cumprir sua função social e ambiental, servindo como espaço de lazer, contemplação e proteção paisagística — e não como polo de expansão imobiliária. A vista do Morro do Careca, considerada símbolo da identidade natalense, foi um dos pontos lembrados por participantes da audiência.
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TSE nega liminar e mantém afastamento de Samuel Souto, prefeito cassado de Ouro Branco
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, negar a liminar apresentada pelo prefeito cassado de Ouro Branco, Samuel Souto (PL), que buscava retornar ao cargo enquanto aguarda o julgamento final de seu processo. A decisão, tomada em sessão virtual nesta quinta-feira (4), mantém os efeitos da cassação determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN).
Samuel Souto foi o primeiro prefeito cassado no Rio Grande do Norte em 2025 e segue sendo o único gestor municipal afastado do cargo no estado até o momento. No cenário nacional, o caso também chama atenção: ele é o único prefeito no Brasil a acumular duas cassações em segunda instância no mesmo mandato. Ambas as decisões foram proferidas pelo TRE-RN.
A liminar rejeitada pedia que os efeitos da cassação fossem suspensos até o julgamento do mérito pelo TSE, o que permitiria a Samuel reassumir a Prefeitura de Ouro Branco temporariamente. No entanto, os sete ministros da Corte seguiram o voto do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, que já havia concedido o retorno do prefeito em setembro, mas mudou sua posição nesta nova análise.
Com a negativa, permanece válido o acórdão do TRE-RN no âmbito da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0600340-19.2024.6.20.0023, que determinou a cassação e o afastamento imediato do prefeito e de seu vice, Francisco Lucena de Araújo Filho.
Em seu voto, o ministro Floriano de Azevedo Marques destacou: “Ante o exposto, nos termos do art. 36, § 6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral, nego seguimento à tutela cautelar antecedente ajuizada por Samuel Oliveira de Souto e Francisco Lucena de Araújo Filho.”
A decisão mantém o município de Ouro Branco sob gestão interina até que o TSE analise definitivamente o caso. Ainda não há data marcada para o julgamento do mérito.
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PM afasta 10 policiais após denúncia de agressão contra advogada durante festa no Oeste potiguar
A Polícia Militar do Rio Grande do Norte afastou dez policiais de suas funções operacionais após a denúncia de agressão feita pela advogada Edricélia durante a Festa do Caju, em Serra do Mel, na madrugada do último domingo (30). A corporação abriu uma investigação interna e afirmou que os agentes permanecerão fora das ruas até a conclusão da apuração.
A advogada relatou ter sido agredida após questionar o que considerou uma abordagem violenta dos policiais contra outra mulher. Segundo ela, mesmo após se identificar e apresentar a carteira da OAB, passou a ser hostilizada pelos agentes. Em entrevista, afirmou que teve o celular e a carteira tomados e que recebeu golpes na nuca sempre que pedia seus pertences de volta.
Edricélia também denunciou ter sido arrastada, agredida com tapas e cacetetes, ter o braço torcido e permanecer algemada e de joelhos enquanto era insultada por policiais. O exame de corpo de delito apontou hematomas e escoriações em várias partes do corpo, como orelha, punhos, braço, coxa e joelhos.
A advogada formalizou a denúncia na Delegacia da Mulher em Mossoró, acompanhada por representantes da OAB. A Polícia Civil deve ouvir testemunhas e analisar imagens do evento para esclarecer o caso.
A Ordem dos Advogados do Brasil no RN divulgou nota repudiando a agressão e o desrespeito às prerrogativas da profissional, pedindo rigor na investigação e o afastamento dos envolvidos. A Prefeitura de Serra do Mel também se manifestou, defendendo uma apuração transparente.
O afastamento dos policiais foi confirmado após reunião entre a OAB/RN, a Secretaria de Segurança Pública, PM, Polícia Civil, Procuradoria Geral do Estado e Secretaria das Mulheres. O presidente da OAB/RN, Carlos Kelsen, destacou que o encontro teve como objetivo garantir providências imediatas e avançar em ações de formação para agentes de segurança.
Segundo a OAB, a governadora Fátima Bezerra conversou por telefone com a advogada, prestou solidariedade e reforçou que determinou rigor na apuração. Em nota, a PM afirmou não compactuar com abusos e garantiu que a investigação ocorrerá com “total rigor e transparência”.
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Câmara de Natal anuncia sessões abertas e transmissão ao vivo da Comissão que analisa pedido contra Brisa Bracchi
A Câmara Municipal de Natal (CMN) decidiu ampliar a transparência dos trabalhos da segunda Comissão Processante instaurada para analisar o pedido de cassação do mandato da vereadora Brisa Bracchi (PT). A informação foi anunciada pelo primeiro secretário da Casa, vereador Kleber Fernandes (Republicanos), durante sessão plenária nesta quinta-feira (5). As reuniões serão abertas ao público e transmitidas ao vivo pela TV Câmara Natal.
Segundo Fernandes, o ato oficializando as medidas será publicado no Diário Oficial do Município. Ele afirmou que a decisão atende às demandas de transparência após os acontecimentos recentes envolvendo o caso e busca assegurar uma condução “correta, imparcial e publicamente acessível” do processo, que analisa denúncia apresentada pelo vereador Matheus Faustino (União Brasil) por suposta quebra de decoro parlamentar.
A Mesa Diretora também determinou que todas as reuniões da Comissão ocorram no plenário da Câmara, garantindo que o público possa acompanhar presencialmente cada etapa. O modelo segue o mesmo adotado em outras ocasiões, como nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) sobre planos de saúde e invasões urbanas.
Outra medida inédita anunciada por Fernandes é a criação de um contador regressivo, que será disponibilizado no portal institucional da CMN. O recurso permitirá que qualquer cidadão acompanhe, em tempo real, o prazo de funcionamento da Comissão Processante, que legalmente tem até 90 dias para concluir seus trabalhos.
O novo processo contra Brisa Bracchi foi aberto após pedido de reabertura apresentado por Matheus Faustino, sob alegação de existência de novas provas. A denúncia envolve o uso de verba de emenda parlamentar em um evento político realizado em 9 de agosto, conhecido como “rolé vermelho”, que teria feito apologia à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. A vereadora nega irregularidades.
O primeiro processo, concluído entre agosto e novembro, acabou arquivado por decurso de prazo após questionamentos judiciais sobre a notificação da parlamentar. À época, os trabalhos ocorreram sem transmissão ou presença do público — situação agora revista pela Mesa Diretora.
Com a abertura e transmissão das sessões, a Câmara busca reforçar o compromisso com a transparência e o controle social em um caso que segue mobilizando intensos debates políticos na capital potiguar.
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Congresso aprova LDO de 2026 com prazo para pagamento de emendas e mudanças fiscais
O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (4) o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2026, que agora segue para sanção presidencial. O texto estabelece as bases para a elaboração do Orçamento do próximo ano, incluindo novas regras para execução de emendas parlamentares e ajustes na meta fiscal.
Uma das principais mudanças inseridas pelo relator, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), determina que o Poder Executivo deverá pagar até 65% das emendas parlamentares de execução obrigatória até o fim do primeiro semestre de 2026. A medida abrange emendas individuais e coletivas destinadas aos fundos de saúde, assistência social e às chamadas transferências especiais — conhecidas como “emendas pix”.
Segundo Maia, o objetivo é garantir previsibilidade no repasse de recursos em um ano eleitoral. O relator ainda apresentou um complemento de voto durante a análise do texto no Plenário, alterando pontos relacionados ao déficit primário: despesas do Programa de Dispêndios Globais de empresas públicas, até o limite de R$ 10 bilhões, não serão contabilizadas na meta fiscal.
A LDO também traz proibições específicas para 2026, entre elas a criação ou ampliação de gastos tributários, a instituição de novas despesas obrigatórias e a formação de fundos destinados ao financiamento de políticas públicas. Essas restrições, contudo, não se aplicam em casos de calamidade pública reconhecida pelo Congresso.
Críticas e controvérsias
A aprovação tardia da LDO provocou críticas da oposição. O líder oposicionista, senador Rogerio Marinho (PL-RN), classificou a tramitação como “improvisada”, lembrando que, pela Constituição, o texto deveria ter sido votado até julho. Para ele, o atraso e a corrida para votar o Orçamento na semana seguinte revelam “a marca de um governo acostumado a fazer puxadinhos”.
Outra polêmica envolveu o aumento dos recursos destinados aos partidos políticos. A LDO reserva R$ 1 bilhão para o Fundo Partidário e R$ 4,9 bilhões para o Fundo Eleitoral em 2026 — um acréscimo estimado em R$ 160 milhões. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) considerou os valores “exagerados”, defendendo campanhas eleitorais menos dependentes de recursos públicos.
O partido Novo apresentou destaque para retirar o dispositivo, mas a proposta foi rejeitada pelo plenário.
Metas e prioridades
A LDO prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões em 2026, equivalente a 0,25% do PIB. O governo terá permissão para usar o limite inferior da meta para conter gastos, com variação permitida de 0,25% para cima ou para baixo.
O texto também ampliou as prioridades do governo federal: o anexo passou de 27 para 64 programas e de 27 para 128 objetivos, incluindo projetos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e metas do Plano Plurianual 2024-2027.
Com a aprovação, o governo avança na definição do planejamento fiscal para o próximo ano, embora pontos polêmicos sigam gerando debate dentro e fora do Congresso.
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Governo Lula contrata empreiteira ligada a investigado para obra de segurança em presídio federal de Mossoró
O Ministério da Justiça e Segurança Pública iniciou, neste ano, uma das obras mais aguardadas desde a fuga de dois detentos do presídio federal de Mossoró, em fevereiro de 2024: a construção de uma muralha de proteção ao redor da unidade. O projeto, estimado em cerca de R$ 30 milhões, está sob responsabilidade da Konpax Construções — empresa cujo diretor, Charlys Cunha de Farias Oliveira, aparece em investigações por suspeitas de lavagem de dinheiro, estelionato e movimentações financeiras incompatíveis com sua renda. A escolha da empreiteira reacendeu debates sobre critérios de contratação, transparência e controle em obras públicas.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Oliveira realizou transações consideradas atípicas no valor de R$ 3 milhões entre 2019 e 2020. Nesse mesmo período, o empresário chegou a ser preso preventivamente após tentar descontar um cheque de R$ 49 milhões em Fortaleza. Ele responde a processo por estelionato, associação criminosa e falsidade ideológica. Mesmo assim, continuou atuando como executivo da Konpax — embora não conste mais como sócio formal.
A contratação da empresa ocorreu por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), responsável pela administração das penitenciárias federais. Em nota, o órgão afirma não ter conhecimento prévio das denúncias contra o diretor e ressalta que todos os requisitos legais foram cumpridos durante o processo licitatório. Já a Konpax destaca que não é investigada e que as acusações contra Oliveira estão sendo tratadas judicialmente.
A muralha faz parte do plano anunciado pelo ministro Ricardo Lewandowski após a primeira fuga registrada na história das unidades federais de segurança máxima. A promessa é instalar barreiras semelhantes em todos os presídios que ainda não possuem o reforço. A obra em Mossoró, no entanto, enfrenta atrasos expressivos. Embora o cronograma previsse 59% de execução até novembro, menos de 10% foram concluídos.
A Senappen atribui o atraso a falhas operacionais da empreiteira: equipe reduzida, descumprimento de instruções técnicas, atraso em relatórios e até uso irregular de energia elétrica do presídio. A pasta afirma ainda que a empresa abandonou o canteiro em outubro. A Konpax nega e acusa o governo de erros de projeto, além de ter solicitado reequilíbrio financeiro contratual.
Documentos internos mostram que, mesmo fora do quadro societário, Charlys Oliveira segue participando de reuniões com autoridades, recebendo comunicações oficiais e aparecendo como interlocutor da obra. Em abril, ele esteve na sede da Senappen, em Brasília, para tratar de problemas na execução. Atas registram ao menos oito reuniões virtuais entre Oliveira e dirigentes da pasta.
Enquanto a obra não avança, a muralha segue como promessa pendente de um governo pressionado a reforçar a segurança das unidades federais após o episódio que expôs fragilidades inéditas. A expectativa do Ministério da Justiça é acelerar os trabalhos após um aditivo de R$ 400 mil ao contrato — medida que, por enquanto, ainda não garantiu a retomada plena do ritmo previsto no início da construção.
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Sociólogo Jessé Souza retorna à UFRN e debate crise da esquerda no lançamento de seu novo livro
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebe, nesta quarta-feira (3), o sociólogo Jessé Souza para o lançamento de sua nova obra, Por que a esquerda morreu?. O evento integra a 14ª edição do projeto Na Trilha da Democracia, promovido pelo ADURN-Sindicato, e será realizado às 19h, no Auditório Otto de Brito Guerra, na Reitoria da instituição. A atividade é gratuita e aberta ao público, com parceria da Editora Civilização Brasileira e da Livraria Cooperativa Cultural.
Retornando a Natal, sua cidade natal, Jessé apresenta um livro que busca interpretar a crise contemporânea das forças progressistas, tanto no Brasil quanto em escala global. Na obra, o autor argumenta que a perda de influência da esquerda não decorre de esgotamento ideológico, mas da profunda transformação no pacto social das últimas décadas — marcada, segundo ele, pelo avanço de valores moldados pela reação dos super-ricos desde os anos 1970.
Em entrevista ao Jornal da Educação, Jessé avaliou o cenário atual com pessimismo, apesar da força eleitoral do presidente Lula. “O contexto é desolador na esquerda, exceto Lula. A narrativa do partido não chega às pessoas mais pobres. A extrema direita oferece uma história para explicar o mundo — manipuladora, mas eficaz. A esquerda não consegue montar isso”, afirma.
O autor sustenta que a esquerda falha em ocupar o imaginário popular, abrindo espaço para que grupos de extrema direita apresentem versões simplificadas da realidade, capazes de mobilizar emocionalmente parcelas vulneráveis da população. Para ele, o campo progressista precisa reconstruir sua capacidade de narrar o país e seus conflitos.
Jessé também aponta fatores estruturais que contribuíram para o enfraquecimento da esquerda, como a reação conservadora das elites aos movimentos culturais, políticos e sociais das décadas de 1960 e 70. Ele lembra que pautas como feminismo, direitos civis e crítica ao produtivismo industrial foram reinterpretadas pelo capitalismo para criar novas formas de exploração e consumo, transformando valores de liberdade e autonomia em motores da lógica de mercado.
Outro ponto central de sua análise é o impacto das redes sociais no debate público. O sociólogo critica a formação de “bolhas autorreferidas” que inviabilizam diálogo e aprendizado coletivo. “São redes privadas americanas que operam com o Departamento de Estado e estimularam movimentos como a Primavera Árabe e o Brasil de 2013. Elas fragmentam a esfera pública em nome do lucro, dificultando ainda mais o trabalho da esquerda”, afirma.
Para Jessé, o desafio atual é reconstruir um imaginário social que denuncie a narrativa dominante — responsável, segundo ele, por naturalizar desigualdades — e ofereça uma história alternativa capaz de mobilizar os setores oprimidos. “É necessário montar uma nova história, por mais difícil que isso seja e por mais duros sejam os pontos de partida”, conclui.
O encontro também marca o reencontro afetivo de Jessé com a UFRN e com sua cidade natal. “Voltar a Natal é sempre emocional. É minha raiz, meu berço. Fico muito contente em ser bem recebido pelos meus conterrâneos”, disse o sociólogo, que não participava do projeto há quase uma década.
Autor de obras de impacto como A Elite do Atraso e A Radiografia do Golpe, Jessé Souza consolidou-se como uma das vozes centrais do pensamento social brasileiro contemporâneo. O público poderá assistir à palestra, participar do debate e adquirir o novo livro no local.
O evento acontece no dia 3 de dezembro, às 19h, no Auditório Otto de Brito Guerra, na Reitoria da UFRN. A entrada é gratuita.
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Natal mantém trajetória de valorização e consolida posição entre os mercados imobiliários mais rentáveis do país
O mercado imobiliário de Natal segue registrando um dos ciclos mais sólidos dos últimos anos. Dados referentes ao acumulado de 2025, até outubro, mostram que os imóveis residenciais da capital potiguar valorizaram 7,35% no período — o quinto melhor desempenho do Nordeste. A cidade fica atrás apenas de Salvador (+13,77%), João Pessoa (+13,49%), São Luís (+12,32%) e Fortaleza (+10,70%), mantendo-se no grupo das capitais que mais se destacam na região.
Além da valorização, Natal também se sobressai na rentabilidade obtida com aluguéis residenciais. O retorno anual estimado é de 7,52%, o segundo melhor do Nordeste, atrás apenas de Recife (8,40% a.a). No cenário nacional, a capital potiguar aparece próxima de mercados robustos, como Belém (8,51% a.a), Cuiabá (8,12% a.a) e Manaus (7,98% a.a). Esses números superam com folga a inflação acumulada até outubro (+3,73%, segundo o IPCA/IBGE), bem como o IGP-M, que apresentou queda média de -1,30% no mesmo período.
Especialistas atribuem o bom desempenho ao crescimento contínuo da demanda por moradia, turismo e investimentos. “A região metropolitana de Natal continua atraindo turistas e novos moradores, ampliando a procura por imóveis para residir ou investir”, explica Renata Melo, gestora comercial da MRV no Rio Grande do Norte. Segundo ela, empreendimentos bem localizados, como o Beach Plaza Residence, em Ponta Negra, permanecem entre os mais atrativos.
A percepção positiva se estende ao segmento de alto padrão. Marcelo Fam, CEO da Alliance, destaca que a empresa retornou ao mercado natalense após 11 anos, motivada pelo dinamismo local. “O Aura inaugura um novo ciclo da nossa atuação. É um produto à altura do que Natal merece e reafirma nossa confiança no mercado potiguar”, afirma.
O presidente do Secovi-RN, Renato Gomes Netto, ressalta que mesmo com o aumento gradual da oferta, imóveis mais modernos — com áreas de coworking, academias, pet places e minimercados — tendem a manter a valorização em alta. “Os novos empreendimentos vêm com padrão superior, o que sustenta a atratividade para investidores”, analisa.
A escassez de unidades disponíveis para locação continua sendo um dos principais fatores para a alta rentabilidade atual, segundo Ricardo Abreu, da Abreu Imóveis. “Foram muitos anos sem lançamentos significativos. O mercado ficou com poucos imóveis e muita demanda, o que elevou os retornos. Essa tendência deve durar ainda por bastante tempo”, avalia.
O movimento também é observado por grandes construtoras nacionais. Wescley Magalhães, gerente da Moura Dubeux no RN, afirma que Natal se consolida como uma das capitais mais seguras e rentáveis para quem busca retorno de médio e longo prazos. “A cidade apresenta um dos melhores indicadores do país. O sucesso do Beach Class Natal confirma a força do mercado local e sua vocação para unir turismo e moradia”, conclui.
Com desempenho acima da média regional e nacional, Natal reforça seu posicionamento como um dos mercados mais promissores e estáveis do Brasil para investidores imobiliários.