Jesus de Ritinha de Miúdo
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Giro na política: a dureza que é analisar política numa crise como a do RN atual
Quando eclodem graves crises sociais – como certamente é esta em que vivemos hoje em nosso amado RN – os trabalho de veículos como este jornal – que também se dedicam à análise política – fica, digamos, perigoso.
Não se trata exatamente do medo de sofrer ataques ou violência física. Esse risco, infelizmente, recai sobre os repórteres na linha de frente, aqueles que nos trazem as informações em primeira mão. Quem as comenta está menos inseguro.
Risco enorme também correm as pessoas que, não sendo da imprensa, ousam questionar o que acontece. Estão à mercê da retaliação bárbara dos intolerantes, cada vez mais banal.
O risco que nos cabe, aos analistas políticos, é bem menos terrificante. Mas exige também alguma atenção. Falo da patrulha que se forma nessas horas. Não preciso resgatar o diagnóstico de um país polarizado e radicalizado politicamente. Basta ter esse cenário em mente e acrescentar uma crise social que é claramente de contornos também políticos.
Temos dois grandes agrupamentos hoje na análise dos eventos que envolvem o RN. Um busca cobrar caro à governadora Fátima Bezerra por algo que não é de sua inteira responsabilidade. Há aí uma grande desproporção no trato. O outro, segue o caminho não oposto (pois ainda se achou outro a quem pôr a culpa), mas divergente. Trata-se de de por tudo culpar gestões anteriores ou conchavos inimigos que parecem nunca sair de moda.
Nessas horas, fica difícil fazer qualquer análise objetiva, pois tal leitura teria elementos de ambos os polos. Está claro que a maioria está mais preocupada em denunciar aquilo de que diverge do que em prestar atenção naquilo que pode convergir.
Sim, caro leitor, estou dizendo que a culpa também é sua.
É natural que a mídia governista passe pano e a oposicionista bata forte. Talvez seja até saudável. Mas a inexistência de uma análise objetiva e crítica nos dois sentidos, esta é de responsabilidade do público. Se houvesse quem lesse tais análises, certamente haveria uma corrida entre os profissionais para ocupar o novo nicho de mercado.
Sim, acredito na lei da demanda.
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É uma boa o PL de Mossoró ter candidatura própria ?
Pré-candidatos da nominata do Partido Liberal (PL) mossoroense defendem que a legenda tenha uma candidatura própria, a do ex-vereador Genivan Vale (PL). A lógica é que um palanque majoritário dará visibilidade e competitividade a coligação de vereadores da agremiação.
Contudo, não há uma consistência sólida na defesa que pré-candidatos à vereança estão a fazer.
Vejamos um histórico recente em Mossoró.
No pleito passado, a ex-vereadora e ex-prefeita Cláudia Regina (à época no Dem, hoje no PP), lançou candidatura à prefeitura. Sua postulação não decolou, o que acabou prejudicando a nominata do DEM (hoje União Brasil), que não reelegeu seus vereadores, Ozaniel Mesquita (hoje no União) e Petras Vinícius (hoje no PSD).
Ozaniel está com mandato, mas por conta da cassação da chapa de vereadores do Partido Social Cristão (hoje Podemos), que levou Mesquita de volta à Câmara em maio do ano passado.
Cláudia na pré-campanha tinha índices de votos bem maiores que os de Genivan, que não chega a sequer 5% da preferência eleitoral.
A defesa que o bolsonarismo se reuniria em torno de Vale, não tem conseguido sustento. O bolsonarismo, muito ativo e coeso nas redes sociais, já sabe que o ex-vereador é o pré-candidato da direita, e não vem apoiando em intenções de votos a pré-candidatura de Vale.
O risco que o PL corre é ter uma postulação de Genivan esvaziada, respingando na nominata de vereadores, haja vista que uma parcela significativa do bolsonarismo tem simpatia pelo prefeito Allyson Bezerra (UB).
Num momento que a esquerda e o rosalbismo estão sinalizando benquerença com o nome do presidente da Câmara Municipal, Lawrence Amorim (PSDB), o PL pode se ver isolado na luta à prefeitura.
Na eleição de 2020, Rosalba Ciarlini (PP), disputando reeleição, apoiadora de Bolsonaro em 2018, exibiu o arrimo do deputado federal General Girão (PL) ao seu nome, e não conseguiu atrair o apoio do bolsonarismo ao seu projeto.
Não há uma causa e efeito na pré-candidatura de Genivan. O fato dele defender a bandeira bolsonarista não o torna herdeiro direto dos votos bolsonaristas. Inclusive, as recentes pesquisas sobre a corrida ao executivo, demonstram que a polarização Lula x Bolsonaro não tem encontrado terreno em Mossoró.
Outro entrave ao nome de Vale é que a principal base popular de Jair Bolsonaro (PL), os evangélicos, são umbilicalmente ligados a Allyson, que é evangélico.
O evangelicalismo foi um pilar importante para a vitória do prefeito em 2020, e o segmento religioso tem várias pré-candidaturas à vereança apoiadas pelo Palácio da Resistência, sede da municipalidade, o que é um empecilho às possibilidades do PL catar votos entre o segmento, que em Mossoró não é bolsonarista em uníssono.
Lula (PT) teve forte apoio dos evangélicos em 2022, vencendo nas urnas de Mossoró com quase dois terços dos votos.
Lawrence vai avançando na costura duma pré-candidatura que tem chances de polarizar a eleição com Allyson. Se não pensar com inteligência, o PL pode se ver em apuros ao longo da campanha.
Até aqui, faltando apenas 5 meses para o pleito, não há um bom cenário para uma empreitada à prefeitura de Genivan, que se tem pouco apelo popular em sua própria base, avalie fora dela.
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Praias particulares? CCJ do Senado discute hoje proposta que pode “privatizar” áreas costeiras
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado fará uma audiência pública nesta segunda-feira, 27, para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode “privatizar” (conceder à iniciativa privada) áreas de praia que hoje pertencem à União.
O texto diz respeito aos chamados “terrenos de marinha” — áreas da costa marítima com 33 metros contados a partir do mar em direção ao continente. Se a PEC passar para a fase de votação no plenário e for aprovada, essas áreas serão transferidas a estados e municípios de forma gratuita ou a ocupantes privados mediante pagamento.
Entenda como funciona
Os imóveis construídos nesses terrenos são legais e seus moradores possuem escritura, no entanto, eles são obrigados a pagar anualmente à União uma taxa de aforamento sobre o valor do terreno. Isso quer dizer que a posse do imóvel é compartilhada entre a União e um proprietário privado, podendo este ser uma pessoa física ou jurídica.
Do modo como está a lei hoje, essas praias que também estão sob posse da marinha não podem ser fechadas para entes privados, ou seja, qualquer cidadão pode alcançar o mar.
Com a extinção do terreno de marinha, o proprietário se tornaria o único dono do terreno. Dessa forma, seria possível a ele fechar essa passagem — por isso a ideia de “praia particular”.
Cobrança de impostos
Os moradores que ocupam essas áreas estão sujeitos ao chamado regime de aforamento. Eles são obrigados a pagar anualmente à União uma taxa sobre o valor do terreno. A propriedade do imóvel é compartilhada na proporção de 83% do valor do terreno para o cidadão e 17% para a União. Por causa dessa divisão, ocupantes destes imóveis pagam, atualmente, duas taxas para a União: o foro e o laudêmio.
O que dizem especialistas
Ambientalistas afirmam que o texto dá margem para a criação de praias privadas, além de promover riscos para a biodiversidade. Técnicos do governo também afirmam reservadamente que a PEC pode permitir privatização de praias.
Uma nota do Grupo de Trabalho para Uso e Conservação Marinha, da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, afirma ainda que a proposta representa uma “grave ameaça ambiental às praias, ilhas, margens de rios, lagoas e mangues brasileiros e um aval para a indústria imobiliária degradar, além de expulsar comunidades tradicionais de seus territórios”.
A audiência pública foi proposta pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), que aponta que a matéria pode impactar o Balanço Geral da União (BGU) e as receitas correntes. Se aprovada pelo Senado, a União não poderá mais cobrar taxa de ocupação dessas áreas ou laudêmio quando ocorrer a transferência de domínio.
O relator da matéria é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já se posicionou favorável ao texto. Em seu parecer, ele aponta que a União até hoje não demarcou a totalidade dos terrenos de marinha e, ainda, que muitas casas são registradas em cartório mas foram objeto de demarcação pela União, “surpreendendo os proprietários”.
“Não nos parece justo que o cidadão diligente, de boa-fé, que adquiriu imóvel devidamente registrado e, por vezes, localizado a algumas ruas de distância do mar, perca sua propriedade após vários anos em razão de um processo lento de demarcação. O fato é que o instituto terreno de marinha, da forma que atualmente é disciplinado pelo nosso ordenamento, causa inúmeras inseguranças jurídicas quanto à propriedade de edificações”, defendeu.
A última vez que a matéria foi discutida pela CCJ foi em agosto do ano passado. Na ocasião, o senador afirmou que “o último levantamento da Secretaria de Patrimônio da União estima que são 521 mil propriedades que são cadastradas em terrenos de marinha, fora aquelas que não são cadastradas”.
“Estima-se um impacto de 10 milhões de brasileiros que hoje não têm segurança jurídica sobre a sua propriedade”, disse.
O senador Rogério Carvalho, por sua vez, afirmou que o tema era de grande importância e que é necessário um estudo maior sobre o impacto no patrimônio da União, o impacto ambiental, como se dará o acesso ao litoral se essas áreas deixarem de ser da União, e como vão ficar as comunidades de pescadores.
Flávio questionou o pedido de audiência pública, que acabou atendido, dizendo que se tratava de “uma tentativa de protelar” a matéria.
“Pelo perfil das pessoas que estão convidadas para essa audiência pública, é a parte burocrática do Estado, que obviamente vai colocar-se contra, com a preocupação de ter uma queda de arrecadação. Essa é a maior reforma agrária que a gente pode ter na história do Brasil, para dar segurança jurídica a uma realidade que já existe em diversas cidades”, disse.
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A proposta foi aprovada na Câmara em fevereiro de 2022. Na ocasião, integrantes do governo Bolsonaro se manifestaram contra a PEC. O impacto da PEC, tanto no bolso dos proprietários como nas contas do governo, é bilionário, e obrigaria os proprietários a pagarem, em até dois anos, 17% dos valores de seus bens.
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Inscrições para o Enem começam hoje; veja o calendário
Começa nesta segunda-feira 27 e vai até 7 de junho o período de inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. No Rio Grande do Sul, devido à calamidade pública no estado, haverá um calendário estendido, que ainda será divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
As provas serão aplicadas nos dias 3 e 10 de novembro. Para se inscrever, os estudantes devem acessar a Página do Participante e utilizar o cadastro na conta gov.br.
Os resultados dos recursos sobre a isenção da taxa de inscrição foram divulgados na última sexta-feira 24, assim como dos recursos que tratam das justificativas de ausência no Enem 2023, para candidatos que estavam isentos da taxa e faltaram às provas.
A taxa de inscrição custa R$ 85 e poderá ser paga até o dia 12 de junho. Os moradores do Rio Grande do Sul também terão isenção desse valor.
Criado em 1998, o Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica e também é a principal porta de entrada para a educação superior no país. Os resultados da avaliação podem ser usados para acesso ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ao Programa Universidade para Todos (ProUni). Também são aceitos em instituições privadas e de outros países de língua portuguesa que tenham acordo com o Brasil.
Os estudantes que não concluíram o ensino médio também podem participar na condição de treineiros, para autoavaliação nos anos anteriores ao término da educação básica.
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Ponta Negra tem 16 vezes mais coliformes fecais que o aceitável; veja outras praias do RN
Um dos principais cartões postais de Natal, a praia de Ponta Negra, tem 16 vezes mais coliformes fecais na água que o limite aceitável pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o que torna os trechos analisados impróprios para o banho neste fim de semana.
Os dados são do boletim de balneabilidade das praias da região metropolitana de Natal, divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema).
Em dois trechos da praia da Zona Sul da capital, o valor obtido na última amostragem foi de 16 mil coliformes fecais por 100 ml de água, quando o limite é de mil coliformes fecais por 100 ml, segundo o coordenador do programa Água Azul, o geólogo Ronaldo Diniz.
O levantamento tem como base os limites estabelecidos pelo pela Resolução N° 274 do Conama.
“Para classificar a praia como imprópria, a gente usa os resultados de cinco semanas. Se dois ou mais desses cinco resultados possuírem mais de mil coliformes fecais por 100 ml de água, essa praia está imprópria. E se na análise mais recente tiver mais de 2.500 coliformes fecais, com apenas esse resultado ela já é classificada como imprópria. Ou seja, a praia está 16 vezes acima do limite de mil e seis vezes acima do limite de 2,5 mil”, explica Ronaldo, que coordena o estudo de balneabilidade há 23 anos.
No trecho da Praia de Areia Preta, na Zona Leste da cidade, perto da escadaria de Mãe Luiza, o levantamento semanal encontrou uma contaminação ainda maior: 24.000 coliformes termotolerantes nas amostras de até 100 ml de água – ou seja – um valor 24 vezes maior que o limite de 1 mil coliformes por 100 ml.
Ainda de acordo com Ronaldo, a presença elevada de coliformes fecais em praias da capital e da região metropolitana são causados por diferentes fatores. Porém, no caso de Ponta Negra, ele explica que a suspeita é de instalações irregulares de esgoto em galerias pluviais (que deveriam receber apenas água da chuva), bem como o contrário – ligações de águas da chuva no sistema de esgoto.
“No caso de Ponta Negra, o que nós vemos são um conjunto de ligações clandestinas de águas contaminadas nas galerias pluviais, nas instalações que deveriam conter apenas água da chuva, mas acabam recebendo esgotos não tratados, principalmente doméstico. E às vezes nós temos ligações clandestinas de água de chuva nas ligações de esgoto. A área de Ponta Negra é saneada, então essas instalações não suportam, no período que chove mais, e elas chegam a extravasar pelas tampas vistas ao longo do calçadão. Essa rede fica sobrecarregada e joga tudo diretamente na praia. Essa é a causa mais provável de ter ocorrido em Ponta Negra nesta semana”, afirmou.
Em Areia Preta, o professor acredita que o problema também é causado por ligações clandestinas. “Essa água da chuva chega com grande quantidade de esgotos não tratados”, pontuou.
Dos 33 pontos de praias e rios da Grande Natal, analisados pelos pesquisadores nesta semana, sete estavam impróprios: seis deles em Natal e um em Nísia Floresta, na região metropolitana. Três dos pontos impróprios na capital foram na praia de Ponta Negra. Veja abaixo:
Trechos e quantidade de coliformes por 100 ml de água na última análise
- Nísia Floresta/Foz do Rio Pirangi – 1.340 na última análise
- Natal/Ponta Negra/acesso principal – 16.000 na última análise
- Natal/Ponta Negra/Rua C.G. Teixeira – Escadaria – 16.000 na última análise
- Natal/Ponta Negra/Rua R. S. Medeiros – 9.200 na última análise
- Natal/Via Costeira (Barreira D’Água) – 2.800 na última análise
- Natal/Areia Preta (Escadaria de Mãe Luiza) – 24.000 na última análise
- Natal/Redinha (Rio Potengi) – 3.500 na última análise
Nenhum dos pontos analisados nos municípios de Parnamirim e Extremoz, também na região metropolitana, foram considerados impróprios no boletim.
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Central de fake news no RN: operação DesFarsa tem nova busca e apreensão
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), com o apoio do Gaeco do MPBA cumpriu nesta segunda-feira 27, um mandado de busca e apreensão na cidade de Lauro de Freitas, na Bahia. A ação é uma continuidade da Operação DesFarsa, que investiga a existência de uma Central de Fake News que opera com a intenção de criar, disseminar ou promover notícias falsas sobre autoridades do Estado do RN, com fins políticos e manipulação da opinião pública.
A Operação foi deflagrada na quinta-feira 23, quando foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Natal, Parnamirim e Lagoa Salgada (RN), além de Garuva, em Santa Catarina.
As investigações do MPRN revelaram um esquema voltado à contratação dos serviços de postagens em perfis em redes sociais voltadas a beneficiar interesses políticos. As postagens de conteúdos falsos eram feitas em pelo menos seis perfis de redes sociais, uma delas contando atualmente com mais de 20 mil seguidores, que se diziam oferecer conteúdo político sobre cidades do interior do Rio Grande do Norte.
As informações são criadas conforme o interesse dos clientes para influenciar e formar a opinião pública, bem como propósito de coagir servidores públicos em suas atribuições funcionais e enfraquecer o prestígio de instituições públicas.
As condutas analisadas se amoldam aos crimes de calúnia, difamação, ameaça contra servidor público e coação no curso do processo, além da prática dos delitos de associação criminosa do tipo milícia digital, com vistas à manipulação da opinião pública.
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Gustavo Negreiros não tá nem aí
por Girotto
Antipetista, radical, conservador, polêmico, provocador. Estas são algumas das palavras frequentemente usadas para se referir ao jornalista Gustavo Negreiros, autor do badalado blog que leva seu nome. Há também muitos que usam palavras menos lisonjeiras ao se referirem ao paladino do conservadorismo potiguar.
Negreiros chegou para nossa entrevista na exata hora que havíamos combinado, em uma doceria na qual logo demonstrou se sentir bastante à vontade.
Sentar-se ao lado dele em local público, ao menos nesta nossa capital, é uma experiência curiosa. As pessoas que até lhe ignoravam passam a franzir o cenho e mesmo a se inclinar um pouquinho para tentar ouvir o que falamos. Quer gostem ou não de nosso personagem da semana, não há natalense atento que nunca tenha dado uma espiada no blog do Gustavo Negreiros. Qual será o próximo chafurdo, talvez se perguntem enquanto fingem, com certa inépcia, não prestar atenção.
Era 31 de dezembro de 2018. Último dia do único mandato de Robinson Faria como governador do estado. “Tiro 10 dias de folga e depois procuro um emprego”, pensou Gustavo Negreiros, que encerrava ali sua história como servidor público. “Bato na porta da assembleia, da câmara, sei lá, até da prefeitura”, concluiu.
Alguns dias depois, comentou com um amigo sobre a decisão. “Deixa de besteira, que o blog lhe sustenta”, disse o outro. “Eu lhe arrumo o dinheiro pra você segurar os três primeiros meses”, disse ainda, para provar que falava sério.
Mas – embora generosa – a oferta não aceita por Negreiros. “No fim de janeiro eu já havia fechado várias parcerias e o blog estava viabilizado. Esse pessoal está comigo até hoje”, diz.
Enquanto fala, nosso personagem reveza entre olhar para o interlocutor e para o celular. Arrasta dedo sobre a tela, solta o dedo, dá uns cliques e faz uns tantos movimentos rotineiros. “Estou sempre trabalhando”, explica.
Antes de passar a viver do blog, em janeiro de 2019, Negreiros já atuava na imprensa e já mantinha o canal que seria doravante sua profissão principal.
Hoje Gustavo Negreiros divide seus dias entre o blog e o programa do qual participa, na 96 FM. “É o segundo programa de maior audiência do rádio no estado”, conta.
Os números de seu blog talvez sejam até mais impressionantes. Ele me passa seu celular para que eu dê uma olhada nas estatísticas de tráfego do Instagram do blog do Gustavo Negreiros. 38,7 milhões de impressões nos últimos 90 dias. Mais de 3,1 milhões de contas alcançadas – pouca coisa a menos que a população do RN.
“Com as críticas ao PT, ganhei um público fora do estado. O pessoal lê o blog porque quer opinião, então não faz diferença se estou em Natal ou Brasília”, diz.
No site do blog, os acessos frequentam mensalmente a casa dos 3 milhões.

Na 96 FM: “Um canhão”, diz Negreiros. (Reprodução) “Amanheci louco, pode escrever aí, fui lá e fiz a merda.” Ele fala de 2012, quando votou num candidato do PT para a prefeitura de Natal, Fernando Mineiro.
Negreiros é conhecido por sua oposição feroz ao petismo, muitas vezes polêmica. “Não sou bolsonarista, de direita, nada disso. Sou conservador sim. Mas não sou fanático por Bolsonaro. Sou conservador? Aí sou mesmo”, explica, e logo admite que é mesmo antipetista. “A esquerda é antidemocrática. É a natureza deles. Querem regular tudo. Tudo o que se faz ou pensa eles querem controlar.”
Quanto à Bolsonaro, reconhece que sua maior virtude foi derrotar o PT e completa: “O grande erro de Bolsonaro foi não ter reconhecido a vitória de Lula logo no dia da eleição. Que teve muita manipulação, teve. Mas esse discursozinho de que as urnas são violáveis, isso é bobagem. Perdeu, pronto, perdeu”. Pergunto se foi o único erro do ex-presidente. Ele ri e gesticula, indicando que foram muitos. “Olha outro. Bolsonaro errou ao confrontar a grande imprensa com cortes de verba. Na vida da gente, temos que reagir quando querem acabar com a gente. Por isso acho que a Globo faz a parte dela [ao defender o lulismo e combater o bolsonarismo].”
Mais que ácido, muitas vezes no limite da inconsequência, Negreiros coleciona detratores e processos. “Já passam de 70 [processos]”, diz. O primeiro cancelamento, relembra, ocorreu comentou que o carnaval de Caicó seria para os excluídos. “Foi um fato social que quis relatar”, diz. Provando que após décadas de democracia no Brasil restou pouco sobre o que legislar, a Câmara de Vereadores de Caicó – por unanimidade – tornou o jornalista persona non grata.
“Errei. Pronto. Fui infeliz. Mas usaram politicamente. Não foi apenas pelo que disse, foi também pra me atingir, pra calar minha boca.” Ele fala da repercussão de suas declarações sobre a ativista ambiental Greta Thunberg, em 2019. “Perdi dois programas e dois patrocinadores. Ah, vai se suicidar, disseram. Mas tirei aquele dia para me lamentar e na manhã seguinte, às seis, já tava feito um louco lutando, me defendendo. E por isso devo ser grato à direita e aos bolsonaristas. Foram eles que me defenderam e me ajudaram a voltar. Falei besteira e pedi desculpas. Pronto.”
O episódio foi o momento baixo da carreira de Gustavo Negreiros. Passados cinco anos, ele ainda lida com as consequências das palavras impensadas, mas parece estar bem com isso, em seu íntimo.
“240 urubus”, diz. Fala dos jornalistas que promoveram intensa campanha contra ele no caso Greta. “Todos eles juntos não têm metade da minha audiência.”
Esta parece ser a barricada de Gustavo Negreiros. Com uma ampla cartela de clientes, ele resume sua liberdade e autonomia em uma frase: “Eu dou audiência”.
“Sou lido pelos que ganham mais, esse é meu público. A pessoa é de direita, tem certo padrão de vida”, diz. Mas haveria tantas pessoas bem de vida no estado que lhe rendessem o público que possui? “Tem muita gente, mas realmente não tantos assim.”
Neste mês de junho, Negreiros lançará seu 2º livro de contos. Os contos que escreve se tornaram febre no estado ao revelar o cotidiano de ambientes públicos. Uma de suas séries mais celebradas é a que trata do Villa Brasil, um conjunto habitacional ao qual o autor conferiu a alcunha de Faixa de Gaza.
“Villa Imperial, com dois L”, explica. “Um pobre não pode comprar casa ali. Mas ainda assim a diferença social entre a Villa e o Porto Brasil é abissal. É só isso que exploro, é uma diferença que é sentida por eles. E os sentimentos que envolvem as pessoas de lá. Falo do que é do meu meio, não vou falar de favela, não conheço o bastante e nem devo ter leitores lá.”
Os apelidos são outra das marcas distintivas do estilo de Negreiros. Enquanto “bola de rir”, o cronista potiguar escreve suas análises da atuação de políticos potiguares. General Girão vira Sargento Pincel; Natália Bonavides, Patricinha Bolivariana; o vereador Daniel Valença, é O Oleoso; Isolda, a Estridente. O catálogo é extenso e eventualmente precisa ser atualizado.
“Eu chamava aquela nulidade de O Derrotadíssimo Mineiro. Mas os fatos são os fatos. Como ele foi eleito em 2022, parei de usar. Aí ele agiu daquela forma no aeroporto e naturalmente surgiu um substituto: o Violento Mineiro.”
Negreiros confessa sentir saudades de alguns de seus personagens. “Eu gostava muito do Risonho e Elegante Antenor Roberto. Era um personagem divertido. Mas agora ele voltou à irrelevância de sempre, e eu não tenho porque escrever sobre esse personagem tão caricato”, diz.
Mais conhecido por seu antipetismo visceral, Negreiros tem revelado também um lado que os petistas – lá no íntimo e em silêncio – devem apreciar: o de crítico social.
Aproxima-se a hora do programa do qual Negreiros compõe a bancada, de segunda a sexta, na 96 FM. Avanço para um tema de especial interesse. Negreiros se consideraria um reformador social? Sobretudo seus contos trazem uma visão ácida e crítica dos costumes e valores da sociedade potiguar. Mas ele logo descarta a ideia.
“Não quero convencer ninguém”, diz. “Escrevo bolando de rir. Pensando na reação do cara quando estiver lendo aquilo. Não vou mudar o mundo com meus valores. Não tenho paixões culturais. Família? Estou no terceiro casamento. Lá vou defender essas coisas? Me interesso mais pela economia.”
“É isso que quero dizer quando falo que um professor de história é mais perigoso para um jovem do que um traficante. Todos esses valores impostos com ar professoral, como verdades absolutas. Não quero nenhuma atividade política. Só quero opinar. Já disse, escrevo bolando de rir”, conclui.
“Detesto cultura alternativa, essa coisa de rústico. Me sinto deslocado”, conta, quando a conversa já vai se encerrando. Gustavo explica que prefere segmentar a vida para ficar perto de quem pensa parecido com ele. “Frequento lugares assim, onde as pessoas são parecidas comigo, pensam parecido comigo.” Pergunto se isso não limita suas experiências e perspectivas. Ele nega.
“Detesto cultura alternativa, essa coisa de rústico. Me sinto deslocado. Não tenho o que fazer nesses ambientes nem gosto das pessoas que estão lá. Prefiro aproveitar meu tempo onde me sinto bem.”
“Dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz.”
A frase acima é atribuída ao poeta russo Vladimir Maiakovski. Não perguntei se Gustavo lê Maiakovski, sequer julguei necessário.
Gustavo acorda às 4h da manhã e já começa a devorar tudo o que é publicado. Garante que lê todas as milhares de mensagens que recebe diariamente e ainda acompanha todos os canais de notícias. Logo cedo, vai à academia, necessidade de um diabético que quer se manter na linha.
Casado, fala com satisfação e indisfarçado orgulho da esposa e dos filhos. “Tenho uma vida muito feliz. Nunca sonhei em viver como vivo”, conta.
Do nada, Gustavo se levantou e avisou que tinha que sair, o programa na 96 FM começaria em breve. Ainda lhe perguntei se gostaria de conferir a transcrição de suas declarações antes que as publicasse. Já na porta, o sujeito sorridente deu com as mãos, em negativa. Antes de sumir ainda disse “tô nem aí”.
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Do papo de terraço ao projeto de lei
Muitas coisas importantes nascem nos bate-papos nos terraços das casas de praia nos veraneios. Lembro-me de uma tarde linda, na casa de praia dos pais do, na época vereador e presidente da Câmara Municipal de Natal, Paulinho Freire, Seu Zilson e Dona Evane. Na ocasião também estavam presentes seus filhos Zilvane, Duda, Serginho e Paulinho, em uma mesa grande, rodeada de amigos diversos. Gostaria aqui de fazer uma citação especial ao saudoso Antônio Wagner, o querido tio Toinho, irmão de Dona Evane e à excepcional bibliotecária cearamirinense, Maria Lêda da Câmara.
Neste dia tive a oportunidade de conversar muito com dona Lêda sobre a história da Terra dos Verdes Canaviais, a nossa Ceará-Mirim. Ela me falou sobre vários filhos ilustres da cidade, em especial, o dr. José Pacheco Dantas. Ele foi o primeiro de uma família de 14 filhos e passou sua infância entre a cidade e o Engenho União, propriedade de seu pai que fabricava simplesmente o melhor açúcar mascavo de Ceará-Mirim.
Segundo Maria Lêda, em 1897, Pacheco Dantas, já no Rio de Janeiro, trabalhou em vários jornais, chegando a fundar o Gazeta do Norte, só para difundir as belezas do Nordeste. Com muito esforço e dedicação ele se forma em medicina em 1905, tendo se graduado também em odontologia e farmácia. Ele foi um grande lutador e defensor das estradas de ferro e, por sua intercessão e influência, o Loyd Brasileiro fez entrar seu primeiro navio no porto de Natal, em 1902, o Planeta.
Percebendo meu grande interesse por este rico pedaço da história, dona Lêda prometeu me passar mais informações e tempos depois, fui agraciado com um material muito interessante.
O projeto de lei
Certo dia, ao chegar no restaurante Buongustaio, fui chamado por alguns amigos que estavam numa mesa, entre eles, Alexandre Mulatinho, Arturo Arruda e o, na época deputado federal, Felipe Maia. Este, me indagou sobre a história do Rio Grande do Norte e, imediatamente, aproveitei para lhe contar da pesquisa que havia realizado, através do IAPHACC, para denominar o trecho ferroviário de Natal para Ceará-Mirim, com o nome do dr. José Pacheco Dantas. O deputado achou muito interessante e se prontificou para apresentar o projeto.
Para minha imensa satisfação e para o bem da história do Rio Grande do Norte, em cinco de novembro de 2013, o projeto foi apresentado e depois, se transformou na Lei Ordinária nº 13624/2018. Em janeiro de 2018, o trecho ferroviário da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), entre as cidades de Natal e Ceará-Mirim, foi denominado Ferrovia Doutor José Pacheco Dantas.
Quem foi José Pacheco?
José Pacheco Dantas nasceu em 1878, no vale de Ceará-Mirim e, em 1900, foi para o Rio de Janeiro, onde cursou três graduações, até chegar ao jornalismo. Seu maior desejo era expressar o que de melhor havia no ainda pouco conhecido nordeste brasileiro.
Na então capital federal, doutor Pacheco Dantas colaborou em vários jornais, nos quais escrevia artigos cobrando as atenções da União para o RN e para a sua cidade natal. Essa era a maneira que ele havia encontrado de não perder os vínculos com nossa terra e de divulgar as belezas do Nordeste.
Doutor José Pacheco Dantas faleceu no dia 29 de julho de 1961, e hoje é nome da biblioteca municipal e de uma rua na cidade de Ceará-Mirim. Sua história sempre será ligada ao desenvolvimento ferroviário do Estado do Rio Grande do Norte.
Acredito que é muito importante lembrar que tudo isso só foi possível graças às informações de Maria Lêda da Câmara.
A ferrovia
Na época, o trecho ferroviário entre Natal e Ceará-Mirim ainda estava em projeto pelo Ministério de Viação e Obras Públicas e pela Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte. As forças políticas ligadas à cultura algodoeira queriam alterar o trajeto inicial, fazendo com que a ferrovia mudasse de Natal para a cidade de Macaíba. Graças aos fortes argumentos de José Pacheco, juntamente com prestigiosos parlamentares da época, sobre a necessidade de exportar os produtos do vale açucareiro, conseguiu-se que o percurso não fosse modificado, mantendo o projeto original.
Em 13 de junho de 1906, o presidente Afonso Penna deu início à operação do trecho.
Cartas para Maria Lêda
Como declarou o saudoso Ruy Pereira Júnior, ex-prefeito de Ceará-Mirim, Maria Lêda construiu uma história brilhante durante o período que esteve à frente da biblioteca Municipal José Pacheco Dantas.
Em uma das cartas, escritas pelo jornalista e historiador Nilo Pereira, ele assim declara:
“É curioso: no mesmo momento em que recebo sua carta, que é um poema, Veríssimo de Melo me telefona para avisar que no dia 08 de agosto [1985], deverei me pronunciar em Natal em uma conferência na ADESG. Isso significa que no dia seguinte aí estarei para matar saudades, assinar o ponto no livro da biblioteca, e para rever minha boa amiga Maria Lêda da Câmara, que é uma flor de gentileza e de refinada educação, e uma servidora incansável da cultura e do saber. Muito obrigado por sua carta. Posso dizer, agora, que valeu a pena demorar a minha visita para receber palavras tão belas e generosas, estão guardadas não apenas entre os meus documentos, mas, principalmente, no meu coração. Abraço de amizade sincera. Nilo Pereira.”
Após o desligamento de Maria Lêda da biblioteca, sua amiga e ex-funcionária Anete Varela, assim declarou em uma carta, em 02 de abril de 1989:
“Prezada Lêda,
A sua saída do cargo que ocupava na biblioteca Dr. José Pacheco Dantas, abalou o coração dos seus amigos e admiradores, pelo menos eu acho que a revolta foi geral! Você, Lêda, amava, tinha zelo e ciúme por tudo que se dizia biblioteca. Em cada canto do prédio, você deixou uma parcela do seu coração bondoso, porque você, Lêda, amava a biblioteca como se ela fosse carne de sua carne e sangue do seu sangue. Agora, em cada flor que desabrochar no jardim que você fez e tanto admirava, vai exalar o perfume indelével da sua saudade! Você, Lêda é mesmo insubstituível como eu disse nos versos que estavam no mural. Nunca falei tanta verdade! Mas um dia, quem lhe fez tanta ingratidão, venha a pagar e Deus que tudo vê e sente, traga para você a paz e felicidade tão desejada. Um grande abraço da sua amiga grata que lhe preza e admira. Anete Varela.”
Minha amiga, Maria Lêda da Câmara, escrevo este texto para lhe agradecer pelas informações em em conversas e documentos, que culminaram na aprovação da lei.
Quanto à biblioteca, foi um absurdo o seu desligamento, mas isso é fruto de gestores descompromissados com o serviço público. Ainda hoje, isso está acontecendo em todo país, é uma pena. O que importa é que seu legado ficou guardado com as pessoas que lhe conhecem e frequentavam a biblioteca na sua gestão. Sendo solidário e grato, deixo um abraço para você, pelos relevantes serviços prestados ao nosso estado.
E para os que não a conhecem, ela é tia do atual prefeito de Ceará-Mirim, o advogado Júlio César Soares Câmara, e de Antônio Henrique, pré-candidato a prefeito da cidade.
E para concluir do papo no terraço só falta a confecção das três placas que devem ser instaladas nas estações de Natal, Extremoz e Ceará-Mirim. Acredito que além de citar o deputado e o projeto de lei, deveria certamente ter uma referência à Maria Lêda da Câmara que, como disse o jornalista e escritor Nilo Pereira, foi uma funcionária pública incansável.
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25 marcas de creatina são reprovadas por impurezas acima do permitido
Um relatório realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri) reprovou 25 creatinas vendidas no Brasil mediante a quantidade do composto presente nos produtos, dentre as 66 analisadas. Foi detectado que os produtos não apresentavam a concentração mencionada no rótulo.
Como é detectado impurezas na creatina?
Para detectar impurezas, é analisada a variação máxima da creatina, isto é, a concentração de outros ingredientes que não sejam o composto. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite como até 20%. Contudo, segundo a análise, 10 das marcas obtiveram 100% de variação, em outras palavras, nenhum deles eram feitos de creatina.
— Para surpresa dos profissionais da área de nutrição existem marcas que não tem nada de creatina. Isso é medido pela porcentagem de pureza — analisa a nutricionista Annete Marum, doutora em Genômica Nutricional pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Quais marcas de creatina foram reprovadas?
Lista de produtos reprovados pela associação e fora da porcentagem de impurezas aceita pela agência sanitária (abaixo, a resposta de um dos fabricantes):
- Natures Now Researches creatine energy now atp: 96,8%.
- Body Nutry suplementos: 86,7%;
- Nitro max creatina: 59%;
- R74 Pro healthy creatine – 55,7%;
- Body Nutry creatina – 54,5%;
- Healthy time creatina powder – 53%;
- Body action web creatine dual power – 46,2%;
- Pro Healthy creatine micronized – 43,3%;
- Absolut Nutrition creatina 100% pure – 37,1%;
- Muscle full creatina – 32,7%;
- Absolut Nutrition creatina Flavor – 32,3%;
- Adaptogen hd cret – 24,3%;
- Vitamax Nutrition creatine booster – 23,67%.
- Body Action creatine double force – 23%;
- Ftw creatina ultra – 20,17%;
E os que apresentaram 100% de variação foram:
- Healthy labs creatina gourmet;
- Ravenna sports creatina micronized;
- Impure nutrition creatina;
- Nft Nutrition creatina 100% pura;
- Sun food creatine pure;
- Dymatrix nutrition creatina monohidrate;
- Iron tech sports nutrition creatina monohidratada;
- Red bolic creatine monster maca palatinose zma;
- Airomax creatine;
- Dark dragon crea delite.
O que é a creatina?
A creatina é um conjunto de aminoácidos produzidos pelo próprio organismo. Ela também é obtida pelo consumo de carne vermelha, peixe e frango. No entanto, o composto ganhou popularidade por sua versão concentrada, vendida como suplemento.
No organismo, ela funciona como um combustível para os músculos esqueléticos e pode promover o crescimento muscular quando combinado com o exercício. O armazenamento dessa substância ocorre, principalmente, nas fibras musculares, e uma parte menor vai para o cérebro. Ao longo do dia, o corpo reabastece naturalmente a creatina em seus músculos, mas os suplementos ajudam a “abastecer o tanque”.
Como identificar se a creatina é falsa?
Existe um teste rápido que pode ser feito em casa para identificar se o produto que está sendo utilizado não é original.
- Em uma vasilha com três dedos de água, coloque a creatina e mexa. Espere cinco minutos sem fazer movimentos na mistura. Se a água ficar relativamente transparente, enquanto o pó aplicado desce ao fundo, o produto é verdadeiro. Caso surjam pequenos grãos, enquanto a água fica turva, pode ser um sinal de creatina adulterada.
De acordo com Marum, existe uma importante certificação de confiabilidade do suplemento, chamada selo Creapure, feita em solo alemão (pois uma empresa da Alemanha possui a patente desta tecnologia). Ela afirma que ele é algo a se procurar quando se pensa em qualidade.
— Para manter a segurança: confira o selo, confira a lista de reprovados e tente sempre tomar a creatina com acompanhamento profissional — aconselha a nutricionista.
O lado das empresas
Em nota, a FTW, marca do laboratório Fitoway, diz que solicitou reanálise da Creatina Ultra após os testes da Abenutri, “que culminou na devida aprovação e emissão de laudo de ensaio laboratorial correspondente em setembro de 2023”.
Em nota, a Absolut Nutrition afirmou a qualidade e a concentração de pureza da sua creatina e citou ações realizadas diante da reprovação do produto no laudo citado, da ABENUTRI, em 2022, “mesmo não considerando legitimidade e validade para tal”. Entre as ações realizadas estão o recolhimento dos produtos dos lotes analisados e de outros lotes que foram produzidos com o mesmo insumo de creatina no período; redefinição da homologação de fornecedores, resultado na importação direta com fornecedores renomados no mercado; intensificação da realização de testes laboratoriais dos produtos; embalagens com QRCODE direcionando para o laudo do produto e solicitação de novas análises laboratoriais do produto pela ABENUTRI.
“Além dos testes regulares realizados pela empresa é possível citar o teste laboratorial realizado por intermédio da CoopeNutri com a análise da Creatina Absolut Nutrition, tendo laudo aprovado emitido em 29 de novembro de 2023, garantindo a integridade e qualidade do produto. Ainda, cabe citar, laudo aprovado de análise realizada pelo Victor Cláudio Martins da Silva, responsável pelo grupo de lojistas denominado “Amigos do Sem Filtro” – ASF, em que os resultados foram divulgados em 20 de maio de 2024. Reiteramos nosso compromisso com a qualidade e transparência junto ao nosso público, e por isso entendemos a importância do nosso pronunciamento diante aos fatos”, conclui a empresa, em posicionamento enviado ao GLOBO.
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Concurso SEEC RN tem 598 vagas; veja cargos
A Fundação Getulio Vargas (FGV) foi a banca organizadora escolhida para organizar o novo concurso SEEC RN. A oferta será de 598 vagas imediatas mais cadastro de reserva, para os cargos de professor e especialista de Educação.

As informações sobre as vagas e cargos constam no termo de referência, que Folha Dirigida por Qconcursos teve acesso nesta sexta-feira, 24. O documento funciona como um espelho para o edital.
No caso de professor, a estimativa é para a abertura de 598 vagas mais cadastro de reserva, nas seguintes disciplinas:
- Artes;
- Ciências Biológicas;
- Educação Especial – intérprete/tradutor de Libras;
- Educação Especial – Libras;
- Educação Física;
- Filosofia;
- Física;
- Geografia;
- História;
- Língua Espanhola;
- Língua Inglesa;
- Língua Portuguesa;
- Matemática;
- Pedagogia – Anos Especiais;
- Pedagogia – Educação Especial;
- Química;
- Ensino Religioso;
- Sociologia;
- Administração;
- Informática; e
- Suporte Pedagógico.
Para o especialista de Educação, a oferta será integralmente para cadastro de reserva. Isso significa que os aprovados serão convocados no decorrer do prazo de validade do concurso, a depender da necessidade e do orçamento disponível para as nomeações.
Os requisitos e salários não foram detalhados. Os aprovados serão lotados nas unidades escolares da Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer do Rio Grande do Norte (SEEC RN).
Como banca organizadora definida, a Fundação Getulio Vargas ficará responsável pelo recebimento das inscrições do concurso e pela aplicação das provas.
Após a assinatura do contrato para a prestação dos serviços, a FGV terá dez dias úteis para apresentar o planejamento com o cronograma de execução do concurso.
Concurso SEEC RN terá diferentes etapas
De acordo com o termo de referência, o concurso SEEC RN será composto por provas objetivas, discursivas e de títulos.
Na objetiva, por exemplo, os candidatos deverão responder a 65 questões, que serão distribuída da seguinte forma:
- Direitos Humanos, Ética e Cidadania: 5 questões;
- Língua Portuguesa: 15 questões;
- Didática: 20 questões; e
- Conhecimentos Específicos: 25 questões.
Já a prova discursiva terá duas questões de Conhecimentos Específicos.
Só terão as suas provas discursivas corrigidas, os candidatos que obtiverem, no mínimo, 50% de aproveitamento dos pontos das
provas objetivas e que tenham acertado, pelo menos, um item de cada disciplina.
Resumo concurso SEEC RN
- Instituto: Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte;
- Situação atual: comissão formada;
- Banca: a definir;
- Cargos: professor e especialista de Educação;
- Escolaridade: a definir;
- Vagas: 500;
- Remuneração: R$3.315,84 a R$10.167,27;
- Inscrições: a definir;
- Data da prova objetiva: a definir.
+ Cadastre-se gratuitamente e comece a estudar para o concurso SEEC RN.
Comissão do concurso SEEC RN está formada desde 2023
Os preparativos para o novo concurso SEEC RN foram iniciados no ano passado. Em novembro, foi formada a comissão organizadora da seleção.
Uma das responsabilidades da equipe era a definição das vagas e especialidades do concurso, para a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte.
Além disso, o grupo precisou elaborar o termo de referência, que funciona como um espelho para o edital e é usado no processo de escolha da banca organizadora.
O concurso SEEC RN foi confirmado pela governadora Fátima Bezerra em outubro de 2023. Desde então, já estava prevista a oferta para o provimento de 500 vagas de professor.
Os aprovados no concurso ingressarão com o piso salarial reajustado. A Lei Complementar nº 737/23 aumentou a remuneração do Quadro Funcional do Magistério Público Estadual em 14,95%.
O reajuste foi feito de forma escalonada, ao longo do ano passado. A partir de dezembro, a tabela salarial passou a contar com os seguintes valores iniciais:
30h semanais
- Magistério: R$3.315,84
- Licenciatura curta: R$3.813,22
- Licenciatura plena: R$4.642,18
- Especialista: R$4.973,76
- Mestrado: R$5.636,93
- Doutorado: R$7.626,43
40h semanais
- Magistério: R$4.420,55
- Licenciatura curta: R$5.083,63
- Licenciatura plena: R$6.188,77
- Especialista: R$6.630,83
- Mestrado: R$7.514,94
- Doutorado: R$10.167,27
Jesus de Ritinha de Miúdo
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