Olá, queridos! Como vão?
Espero que estejam todos bem e com o cardíaco em dia, depois daquele jogo proibido para hipertensos da última segunda-feira. Engraçado como um país inteiro sofre por conta de apenas onze dos seus, supera a angústia com o alívio da vitória, e depois ainda fica feliz por saber que vai passar pela mesma agonia, tudo de novo.
Mas, que a gente faz isso com um estilo só nosso e mundialmente conhecido, além de admirado, isso nós fazemos, sim! Nossa torcida canarinha, há muito, já é parte do nosso futebol arte.
(Ela virou comentarista de futebol agora? Será que alguém pode pedir pra essa mulher resolver o que ela quer?)
Não tinha como fugir desse tema hoje. E não é só porque é o assunto do momento e que está ocupando a cabeça de todo mundo que tem um CPF. Não. Eu pensei em falar disso porque vai ser o exemplo perfeito do que quero discutir com vocês hoje.
Vamos começar justamente por aí. Pela Seleção. Aquele grupo seleto de jogadores que representam nosso país em um esporte mundialmente aclamado e, em especial, nacionalmente amado, idolatrado, salve, salve.
Antes mesmo de a Copa começar, a expectativa já tomava conta dos principais meios de comunicação, as pessoas já fazendo programações dos locais onde iriam se reunir para assistir a cada partida, as ruas ganhavam imagens com cor de esperança.
E, ao mesmo tempo, muita gente também falava muito no assunto, mas só para dizer o quão desesperançoso estava. Que não acreditava no hexa. Que nem ia acompanhar os jogos.
Daí veio o primeiro jogo. Depois o segundo. Chegando no terceiro, a energia da torcida que acredita estava vibrando muito mais alta. Descrentes se convertendo ao sonho do hexa, ou ao menos gritando gol a plenos pulmões, ainda que não convencidos da vitória final.
Difícil quem não entrou no clima da torcida desesperada depois desse último jogo, contra a seleção do Japão. As rezas, promessas, velas e mandingas foram aos montes!
E é nesse ponto aqui que eu quero chegar. Onde muitos brasileiros se entregaram ao amor pela Seleção depois dessas vitórias. Onde muitos, também, ainda proferem seus discursos de dúvida e descrença.
Sou capaz de apostar que, se ganharmos, a fila para pedir desculpas vai ser o dobro da fila para o Casemiro. Mas também, se formos desclassificados, acredito que a taxa de conversão a favor➡️ contra será bem maior do quem vem sendo a conversão contra ➡️ a favor.
O fato é que, ganhando essa Copa ou não, a Seleção tem uma história muito mais consistente e robusta do que qualquer 7×1 que queiram jogar na nossa cara. Ela já andou por lugares que muita gente nem viu, nem imagina. É só ver a quantidade de adultos, hoje, que nunca sentiram o gostinho de ver o Brasil ser campeão do mundo.
A nossa Seleção é a única que participou de todas as edições da Copa do Mundo, a única pentacampeã, a que teve jogadores inigualáveis e lendários, a que fez campanhas incríveis e contra a descrença do país todo. Só um google rapidinho aí e qualquer um pode ler isso e muito mais sobre essa história.
Agora, ter perdido as Copas que perdeu, ter tomado as decisões erradas que tomou, ter nos proporcionado choros e agonias que não foram aliviados por uma virada de última hora, tudo isso apaga a alegria que nos trouxe? Apaga as conquistas e as vitórias que celebramos?
E vocês? Qual é a história de vocês? Quais as conquistas de que se orgulham? Quais os fatos que viveram? Quantas coisas boas aprenderam? Quantas lições tiraram das dificuldades vividas? Afinal, por onde vocês andaram?
Agimos, no geral, dessa forma para com a Seleção porque isso nos é natural. Agimos assim com nós mesmos, uns com os outros. Infelizmente.
Antes mesmo de nascermos, expectativas já são criadas ao nosso redor. Boas ou ruins. Quando estamos acertando na vida, muita gente nos aplaude, se aproxima, faz questão de dizer que torceu por nós. Alguns serão sinceros mesmo. Saiba separá-los. Mas, basta fazermos uma escolha errada para perceber que não são todos que vão permanecer ali, torcendo por nós. Geralmente, os que ficam são aqueles que eram sinceros na maré alta.
Mas, quem nos critica não sabe da nossa história, do nosso valor, por onde andamos, das batalhas árduas que travamos em silêncio. Quem chegou agora na nossa vida, quem não assistiu a nossa caminhada, vai nos medir e avaliar pelo que está vendo hoje, e pelo juízo de valor que lhe aprouver.
Ganhando ou não, tendo a torcida a favor ou não, a cada 4 anos a Seleção está lá, lutando por sua vaga no maior evento do futebol mundial e jogando partida depois de partida.
E vocês? Quando vocês encaram uma situação difícil, ou até mesmo uma derrota, vocês param para olhar tudo que fizeram na caminhada e, nisso, buscar forças? Ou dão ouvidos às vozes desanimadoras e acreditam nelas? Se deixando desistir, se permitindo ser menos do que se é?
Eu, de minha parte, muitas vezes já me peguei em conversas em que alguém comentou sobre algo interessante que já fez e só então me veio uma lembrança de ter feito aquilo também, ou algo parecido, ou até mais legal ainda. “Eita é, eu já fiz/vivi isso ó”.
Nesses momentos eu percebo o quanto ainda acabo deixando de valorizar minha própria história. Não falo que deveria usar isso como comparativo com outras pessoas, mas para lembrar a mim mesma que tudo que eu fiz na vida tem valor. Muito valor para mim mesma.
As escolhas que fiz, certas e erradas. As calçadas por onde caminhei. Os rios e mares por onde nadei. As pessoas que conheci. As coisas que aprendi. Os lugares que vi. Até mesmo as maioneses nas quais viajei.
Quem não conhece nossa história, pode até não nos valorizar, mas nós, devemos! Cada grão de areia que juntamos na ampulheta da nossa vida é o que engrandece nossa bagagem.
A minha história de vida seguiu um roteiro bem diverso da maioria das pessoas com quem eu convivo. E isso já foi motivo de me entristecer. Mas quando eu aprendi a valorizar o caminho que tracei, por vezes tortuoso, outras vezes plano, entendi que sempre havia algo ali com o que completar minha bagagem.
Hoje eu sei que não vou ser a pessoa com mesmo tempo de profissão que meus colegas, já que mudei de área algumas vezes. Muito provavelmente não vou comemorar 67 anos de casamento, como meus avós. Nem ter a chance de ver meus netos sendo avós, como a minha outra avó.
E isso só pra começar! Se eu for listas em quantos aspectos a minha vida saiu do “roteiro” a gente não sai desse texto hoje. Domingo tem jogo, melhor a gente não arriscar.
Agora, pouca gente vai trazer para a profissão, para a vida conjugal e para a maternidade aquilo que eu vou poder. Algo melhor? Pior? Jamais! Só diferente. Só… eu. E tenho certeza que cada um de vocês também têm coisas únicas.
Todos nós temos uma bagagem que nos faz campeões do mundo em um dia e desacreditados no outro. Mas tudo que trazemos conosco tem valor. E nós não podemos esquecer disso jamais. Comemorar as vitórias e agradecer o aprendizado extraído das derrotas.
Pode até parecer tentativa de romantizar as coisas, (e mesmo que fosse, o mundo está precisando de mais romance mesmo, de mais amor), mas o que eu digo aqui é a mais pura verdade: não importa quem está torcendo por nós, todos temos uma história que nos sustenta, que nos valida para entrar em campo e lutar, sim, pelos gritos de gol.
E nós precisamos lembrar sempre disso. Fazer da nossa história a nossa maior torcida.
Boa Copa a todos, seja qual for o resultado!
Até a próxima!

