Jesus de Ritinha de Miúdo

  • 3º Maré Foto Festival amplia programação e ocupa Rampa e Forte dos Reis Magos com exposições, debates e shows até domingo (16)

    A 3ª edição do Maré Foto Festival começa nesta quinta-feira (13) em Natal com uma programação ampliada e gratuita que celebra a fotografia potiguar e reúne artistas de todo o Brasil. Neste ano, o evento passa a ocupar quatro dias, com atividades distribuídas entre o Complexo Cultural Rampa e o Forte dos Reis Magos, que recebem mostras, debates, oficinas, feira de fotografia, lançamentos de fotolivros e atrações musicais até domingo (16).

    No Forte dos Reis Magos, o público encontra a exposição “Fluxos e Confluências: retomar o rio, desarmar o forte”, uma mostra coletiva com obras de 21 artistas selecionados por convocatória nacional e curadoria de João Oliveira e Sanzia Pinheiro. A ação remete às ocupações artísticas realizadas no local nos anos 1970. Embora a mostra siga aberta até 26 de dezembro, apenas durante o festival o acesso será gratuito.

    Já o Complexo Cultural Rampa concentra a maior parte da programação e abriga a coletiva “Fluxos e Confluências: imagens germinantes”, também sob curadoria de Oliveira e Pinheiro. Os curadores analisaram mais de mil obras inscritas por 255 artistas de diferentes estados. Outro destaque é a mostra de projeções “Fluxos e Confluências: cartografias do amanhã”, organizada por Maíra Gamarra (AL), que reuniu trabalhos internacionais que exploram futuros possíveis a partir de territórios, memórias e existências.

    O festival ainda apresenta a exposição de fotolivros “Territórios, Nordestes, Fabulações”, com acervos do RN e do CE, além de uma feira de publicações repleta de novos projetos. Dez fotolivros selecionados pela editora Deu Na Telha serão lançados durante o evento. Os debates incluem o Encontro de Festivais de Fotografia do Nordeste e uma conversa sobre poéticas fotográficas contemporâneas.

    Com serviço de transfer gratuito entre os dois espaços e trilhas sonoras ao pôr do sol, o festival combina arte e música em um dos cenários mais emblemáticos da capital. O Maré Foto Festival segue até domingo com acesso livre ao público.


  • São Gonçalo do Amarante instala 300 placas para combater descarte irregular de lixo

    A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante iniciou uma nova ação de conscientização para reduzir o descarte irregular de lixo nas vias públicas. A iniciativa, conduzida pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SEMSUR), prevê a instalação de 300 placas educativas em pontos estratégicos da cidade, com mensagens alertando para a proibição de jogar resíduos em terrenos baldios, canteiros, calçadas e demais espaços comunitários.

    De acordo com o subsecretário da SEMSUR, Edson Peba, o objetivo é reforçar a necessidade de participação da população no cuidado com a cidade. “É um ato de conscientização, já que a população ainda joga muito lixo em locais indevidos”, destacou. Para ele, a combinação entre orientação e fiscalização é essencial para diminuir os pontos recorrentes de descarte irregular.

    A escolha dos locais para a instalação das placas levou em consideração áreas onde a Prefeitura identifica maior acúmulo de resíduos e reincidência do problema. As mensagens seguem um padrão visual simples e direto, buscando chamar a atenção de pedestres, moradores e motoristas que circulam diariamente pelos bairros.

    A ação faz parte de um conjunto mais amplo de medidas adotadas pela gestão municipal para aprimorar a limpeza urbana e promover qualidade de vida. Além da sinalização educativa, a Prefeitura mantém campanhas regulares de conscientização e reforça o trabalho de coleta e manutenção das vias, buscando atuar tanto na prevenção quanto na remoção de resíduos.

    Com essa estratégia integrada, a SEMSUR espera reduzir significativamente o descarte indevido e fortalecer a cultura de responsabilidade coletiva sobre o ambiente urbano. A Prefeitura lembra que atitudes individuais têm impacto direto na conservação dos espaços públicos, no escoamento adequado das águas pluviais e até na prevenção de doenças transmitidas por vetores que se proliferam em áreas com acúmulo de lixo.

    A população pode colaborar ainda mais denunciando práticas irregulares e informando locais que necessitam de intervenção. Para isso, a SEMSUR dispõe do canal ZAP Limpeza Pública, pelo número (84) 9 9918-9995, onde é possível solicitar orientações e registrar ocorrências relacionadas à limpeza urbana.


  • Setor varejista do RN teve queda em setembro, mas mantém resultado positivo em comparação anual

    O comércio varejista ampliado do Rio Grande do Norte registrou uma leve retração em setembro de 2025, com queda de 0,3% no volume de vendas em relação a agosto, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ocorre após um avanço de 2,2% no mês anterior e reflete as oscilações típicas do setor ao longo do segundo semestre. Mesmo com a variação negativa no comparativo mensal, o desempenho anual segue positivo: em relação a setembro de 2024, as vendas cresceram 5,5%, marcando o quinto mês consecutivo de alta nessa base de comparação.

    A receita nominal, por sua vez, manteve trajetória ascendente. Em setembro, houve variação positiva de 0,2% frente ao mês anterior. No comparativo anual, o avanço foi bem mais expressivo, atingindo 11%. O comércio varejista ampliado inclui segmentos de maior peso econômico, como veículos, motos, materiais de construção e o atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo — setores particularmente sensíveis ao comportamento do crédito e da renda das famílias.

    Entre os segmentos acompanhados pela pesquisa, o de bens não duráveis e semiduráveis — formado por hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo — registrou estabilidade no volume de vendas, com variação de 0,0% entre agosto e setembro. Apesar disso, apresentou crescimento de 0,2% na receita e desempenho robusto no comparativo anual: alta de 7,9% nas vendas, o melhor resultado de 2025 até o momento, acompanhado por elevação de 12,7% na receita nominal. O comportamento indica que o consumo cotidiano das famílias segue aquecido, mesmo em meio a flutuações pontuais no restante do varejo.

    Os dados acumulados reforçam a tendência positiva. De janeiro a setembro, o varejo potiguar cresceu 3,6% em volume de vendas e 9,1% em receita nominal, em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando os últimos 12 meses, o avanço foi de 3,9% nas vendas e 9,4% na receita. No varejo ampliado, os acumulados também mostram dinamismo: alta de 2,3% nas vendas e 8,3% na receita no ano, além de 3,4% e 9,2%, respectivamente, no acumulado de 12 meses.

    Os resultados são acompanhados pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que monitora regularmente o desempenho do varejo brasileiro e serve de base para decisões econômicas de governos, empresas e instituições financeiras.


  • Brasileiros querem alternativa a Lula e Bolsonaro nas eleições de 2026, aponta pesquisa Genial/Quaest

    Uma parcela crescente do eleitorado brasileiro demonstra cansaço com a polarização política que domina o país desde 2018. De acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (13), 24% dos brasileiros afirmam preferir que o próximo presidente não esteja ligado nem a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem a Jair Bolsonaro (PL). Outros 17% dizem desejar um nome de fora da política tradicional, revelando um espaço significativo para candidaturas alternativas em 2026.

    O levantamento também mostra uma rejeição majoritária à reeleição de Lula: 59% dos entrevistados acreditam que o petista não deveria tentar um quarto mandato, três pontos a mais do que na rodada anterior, em outubro. A porcentagem dos que apoiam uma nova candidatura caiu de 42% para 38%.

    Por outro lado, Bolsonaro também enfrenta resistência expressiva. Embora inelegível, o ex-presidente segue se apresentando como pré-candidato. No entanto, 67% dos brasileiros defendem que ele apoie outro nome, enquanto apenas 26% acham que deveria insistir em concorrer.

    Mesmo com o desgaste, Lula ainda venceria nove dos dez cenários de segundo turno testados pela Quaest — a exceção é uma nova disputa contra Bolsonaro, na qual o petista tem 42% das intenções de voto contra 39% do adversário, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

    A pesquisa ainda registrou queda na avaliação do governo Lula, especialmente em temas ligados à segurança pública. A fala do presidente de que “traficantes também são vítimas de usuários” foi rejeitada por 81% dos entrevistados, inclusive por 66% dos eleitores lulistas. Além disso, 57% discordam da crítica de Lula à megaoperação policial no Rio de Janeiro, que ele classificou como “desastrosa”.

    O levantamento Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas em entrevistas presenciais entre os dias 6 e 9 de novembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.


  • O “jogo” dos bilionários: quando o dinheiro existe e não existe ao mesmo tempo

    Um dos debates mais polêmicos sobre tributação de grandes fortunas gira em torno de um argumento recorrente: o de que não se pode taxar bilionários por suas ações, já que se tratam de “ganhos não realizados”. Em outras palavras, o valor do patrimônio deles estaria apenas “no papel”, e não em dinheiro disponível. O tema voltou à tona após a viralização de um vídeo de Trevor Noah no programa de TV dos EUA The Daily Show.

    A lógica é simples — e conveniente. Um bilionário com R$ 300 bilhões em ações não teria “dinheiro em caixa”, e portanto não poderia ser tributado sobre algo que ainda não se concretizou em uma venda. Afinal, as ações podem cair de valor a qualquer momento.

    Mas esse argumento se mostra frágil quando se observa como o sistema realmente funciona para os ultrarricos. Quando Elon Musk decidiu comprar o Twitter, ele afirmou não querer vender suas ações da Tesla. A solução? Oferecê-las como garantia para obter empréstimos bilionários junto a bancos e fundos de investimento.

    Ou seja: embora oficialmente não possuam o dinheiro, esses bilionários têm acesso a ele com facilidade, graças ao valor potencial de seus ativos. Suas ações, que não podem ser tributadas por “não representarem renda real”, servem perfeitamente como garantia para movimentar cifras gigantescas. Isso mostra como Musk comprou o Twitter sem ter o dinheiro em si, mas com base no fato de que ele poderia ter, se quisesse — o que é uma das ironias mais reveladoras do capitalismo financeiro contemporâneo.

    O paradoxo, portanto, é que na hora de pagar impostos, o dinheiro “não existe”; mas na hora de comprar empresas, financiar projetos ou ampliar o próprio império econômico, ele magicamente aparece. É um jogo sofisticado — e desigual — que apenas os muito ricos podem jogar.


  • América renova com Souza e mantém liderança experiente para 2026; veja também movimentações do ABC

    O América confirmou a permanência de uma de suas principais referências em campo: o meio-campista Souza, de 37 anos, renovou contrato por mais uma temporada. O acordo, conduzido pelo executivo de futebol Ramon Bisson, foi anunciado cinco dias antes da reapresentação do elenco para o início da pré-temporada. A renovação atende a um dos principais pedidos do técnico Ranielle Ribeiro, que considera o jogador essencial no projeto para 2026.

    Souza, que chega à sua terceira temporada com a camisa alvirrubra, já havia sinalizado a possibilidade de encerrar a carreira, mas decidiu adiar a aposentadoria. Para o novo treinador, a presença do veterano é estratégica, tanto pela experiência quanto pela liderança dentro do grupo. “Souza é um exemplo para os mais jovens e uma peça-chave taticamente”, avaliou Ranielle Ribeiro.

    Nos últimos dois anos, o meia disputou 73 partidas, marcou 19 gols e deu 14 assistências. Mais do que os números, ele é responsável por organizar o meio-campo, ditar o ritmo de jogo e assumir as cobranças de bola parada — funções que o tornaram indispensável no esquema da equipe.

    Com a renovação de Souza concluída, o foco da diretoria se volta agora para outros nomes importantes do elenco. Bisson pretende intensificar as negociações com o atacante Salatiel, o zagueiro Rafael Jansen e o meio-campista Dudu. O objetivo é garantir a permanência de jogadores-chave antes do início das competições do próximo ano.

    Em especial, o caso de Salatiel é tratado como prioridade. O atacante é valorizado no mercado e tem contrato próximo do fim, o que levou o clube a buscar uma renovação antecipada até o final de 2026. A diretoria espera concluir todas as tratativas antes do dia 17 de novembro, data marcada para o início da pré-temporada.

    Enquanto isso, o rival ABC anunciou a última peça do elenco para 2026: o lateral-esquerdo Jefferson Vinícius, formado nas categorias de base do clube. O jogador retorna por empréstimo do São Bernardo-SP e reforça o grupo alvinegro até o término da Série D. A diretoria do ABC celebrou o encerramento das contratações com antecedência, o que permitirá uma preparação mais organizada em relação à temporada anterior.


  • Governo do estado define estratégias para combater praga que ameaça produção de uvas

    A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte (Sape) se reunirá na próxima semana com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para definir as medidas de combate à bactéria Xanthomonas campestris pv. viticola, conhecida como cancro-bacteriano da videira. A praga, que afeta plantações de uva, foi oficialmente reconhecida no estado por meio da portaria nº 1.443, publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira (10).

    Segundo o secretário Guilherme Saldanha, a viticultura potiguar é uma atividade recente, com cerca de três anos de existência e produção ainda limitada. “Atualmente, o Rio Grande do Norte conta com aproximadamente 50 hectares de uvas em produção, distribuídos entre dez propriedades rurais. Todo o volume produzido é destinado ao consumo interno”, afirmou.

    A Sape discute duas estratégias principais com o Mapa: a erradicação total dos pomares afetados ou o reconhecimento oficial da presença da praga, aliado ao monitoramento sanitário e à proibição do transporte de mudas e plantas contaminadas. A decisão deve ser tomada após a reunião da próxima semana.

    A bactéria não altera o aspecto externo da fruta, mas compromete o desenvolvimento da planta, podendo causar lesões nas folhas, ramos e cachos, até levar à morte da videira. O cancro-bacteriano é tradicionalmente registrado em polos produtores do Vale do São Francisco, e o transporte de material vegetativo dessas regiões é proibido para evitar disseminação.

    A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) também se manifestou, destacando que a doença é controlável e não representa risco à saúde humana. A entidade recomenda que os produtores adquiram mudas certificadas, higienizem ferramentas e comuniquem qualquer suspeita de contaminação ao Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária (Idiarn).

    Para a Faern, a presença da praga, embora preocupante, não inviabiliza a viticultura no estado. “Outros polos produtores do Nordeste já convivem com o cancro da videira há anos sem prejuízos significativos”, informou em nota. O órgão reafirmou que segue acompanhando o caso em conjunto com autoridades agrícolas e entidades técnicas para garantir suporte e orientação aos viticultores potiguares.


  • Projeto de lei propõe regras para circulação de cães de grande porte em Natal e está prestes a ir a plenário

    A Câmara Municipal de Natal começou a discutir um projeto de lei que estabelece regras específicas para a circulação de cães de grande porte em locais públicos da capital potiguar. A proposta ganhou destaque após uma série de ataques envolvendo animais dessas raças no Rio Grande do Norte.

    Nesta quarta-feira (12), o projeto foi aprovado pela Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final (CCJ), uma das etapas que antecedem a votação em plenário. Caso seja aprovado pelos vereadores, o texto seguirá para sanção do prefeito antes de entrar em vigor.

    O principal objetivo do projeto é garantir segurança em espaços públicos, como praças e parques. Entre as medidas previstas, está o uso obrigatório de focinheiras, coleiras e guias curtas durante os passeios. O texto também determina que o tutor seja responsável por controlar o animal e adotar todos os cuidados necessários para evitar acidentes.

    Segundo o vereador Preto Aquino (Podemos), autor da proposta, a intenção não é restringir o convívio com os animais, mas assegurar que os tutores sigam normas de segurança. “Nossa preocupação são os cuidados. Você vai poder andar com seu animal, desde que cumpra todas as medidas previstas no projeto de lei”, afirmou.

    O projeto prevê ainda punições para casos de descumprimento. O tutor poderá receber advertência e, em caso de reincidência, o animal poderá ser recolhido ao Centro de Zoonoses de Natal, com os custos pagos pelo proprietário.

    A discussão ganhou força após o ataque a uma mulher de 53 anos em Parnamirim, na noite de segunda-feira (10). A vítima foi ferida por dois cães da raça pitbull enquanto passeava com seu cachorro. O município vizinho já possui, desde 2020, uma lei que obriga o uso de coleira, enforcador, guia curta e focinheira em locais públicos.

    Além do debate municipal, um projeto de lei semelhante tramita na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, com o objetivo de estabelecer regras para todos os municípios do estado. Enquanto isso, a Câmara de Natal deve votar o projeto nas próximas sessões.


  • O palácio vazio: a guerra sem fim no Sudão que já tirou 13 milhões de pessoas de suas casas

    No último dia 15, o Sudão completou dois anos e meio de guerra civil. O marco, longe de simbolizar qualquer avanço rumo à paz, expõe o esgotamento de um país que parece ter esvaziado o próprio sentido de soberania. A guerra começou em 2023, quando o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) se voltaram um contra o outro — duas cabeças da mesma criatura criada pelo antigo ditador Omar al-Bashir.

    No início do conflito, as RSF tomaram a capital, Cartum, invadindo inclusive o Palácio Presidencial — edifício que, desde sua construção em 1825, simboliza a sede do poder e do saque. O palácio foi turco-egípcio, depois britânico, depois “republicano”, “do povo”, e finalmente o palácio dourado de Bashir, erguido com dinheiro chinês. Cada regime o herdou com a mesma obsessão: o controle sobre o centro, sustentado pela exploração das periferias.

    Em março de 2025, o exército sudanês anunciou ter reconquistado o palácio. Soldados posaram diante das paredes cravejadas de balas, proclamando vitória. Mas o prédio — como a soberania — estava vazio. O país se desfez em guerras locais, em alianças de ocasião, em ruínas. A luta pelo palácio, no fundo, acendeu uma centena de outros conflitos.

    Uma guerra sem centro

    O exército e as RSF nasceram do mesmo ventre político: o sistema de poder fragmentado de Bashir, que multiplicou serviços de segurança e milícias para evitar golpes e garantir seu domínio. Quando o ditador caiu, em 2019, o Sudão até tentou ensaiar uma transição civil, mas os generais voltaram ao palco. Abdul Fattah al-Burhan, chefe das Forças Armadas, e Mohamed Hamdan Daglo, o Hemedti, líder da RSF, uniram forças para derrubar os civis e depois se enfrentaram pelo trono.

    O que começou como uma disputa entre duas instituições militares virou um mosaico de guerras regionais. A RSF expandiu-se como uma franquia da violência: oferecia armas, licença para saquear e a promessa de poder a quem se juntasse à luta. Em Darfur e Kordofan, milícias locais se alinharam a Hemedti, transformando rivalidades antigas por terra e recursos em conflitos existenciais.

    Os Emirados Árabes Unidos, interessados no ouro e nas terras férteis do Sudão, financiaram as RSF. O exército contou com o apoio do Egito, do Catar e da Turquia. A guerra se internacionalizou, sem nunca deixar de ser local.

    O império miliciano

    Hemedti — ex-contrabandista de camelos e dono de loja de móveis — tornou-se o general improvável de uma guerra pós-estatal. Sua milícia é uma federação de forças árabes de Darfur, disciplinadas apenas pela lógica do saque. Cada cidade conquistada repete o mesmo ritual: destruição das instituições, pilhagem, violência sexual.

    A RSF chama isso de “derrubar o Estado de 1956”, ano da independência. Na retórica dos combatentes, trata-se de devolver a Darfur o que o centro lhe roubou. Na prática, a guerra transformou todo o país numa periferia. As cidades de Darfur, como Nyala e Zalingei, também foram saqueadas. A promessa de revolta contra o centro converteu-se em nova forma de espoliação.

    O exército, por sua vez, aprendeu com Bashir: terceirizou os combates a milícias islamistas, recuperando o velho bloco político da ditadura. A vitória militar custou caro. Ao distribuir armas e autonomia, Burhan fragmentou ainda mais o poder. “Agora a primeira pergunta que fazemos a um estranho é de qual aldeia ele é”, disse um morador de Al Jazira.

    Um país em pedaços

    Os números da catástrofe parecem pertencer a outra era: mais de 150 mil mortos, 13 milhões de deslocados, dois terços da população em necessidade humanitária. Em Cartum, a capital, o sistema de saúde colapsou. A cidade, dizem, virou um cemitério.

    A fome avança em Darfur e Kordofan, enquanto a ajuda internacional se retrai. As “salas de resposta a emergências”, criadas por ativistas locais, fecharam por falta de recursos. As Nações Unidas reconhecem o exército como governo legítimo, mas a legitimidade é apenas nominal. Cada lado governa sobre ruínas e cadáveres.

    Em meio às derrotas, as RSF tentaram reconfigurar a narrativa. Em fevereiro, realizaram uma conferência em Nairóbi, financiada pelos Emirados Árabes, que resultou na proclamação de um “Governo de Paz e Unidade”. A ironia não escapou a ninguém: no mesmo dia, suas forças destruíam o campo de deslocados de Zamzam, matando centenas.

    A economia do colapso

    No Sudão, a guerra não é o oposto da economia — é a própria economia. O ouro e o gado, principais produtos de exportação, continuam a fluir para os Emirados Árabes, que compram tanto dos paramilitares quanto do exército. Os inimigos se enfrentam nos campos de batalha e se encontram nos portos e nas contas bancárias.

    A destruição das terras agrícolas e o deslocamento de milhões de pessoas criaram o tipo de capitalismo-enclave que floresce em zonas de guerra: elites locais armadas e conectadas a investidores estrangeiros, produzindo riqueza em meio ao colapso.

    Um novo século XIX

    Os diplomatas falam em cessar-fogo e transição democrática, como se o país ainda existisse. Mas o Sudão parece anunciar o fim da era dos Estados-nação na África Oriental. O colapso da capacidade estatal, a fragmentação étnica e o domínio de forças militares financiadas por potências externas repetem-se no Iêmen, na Somália, na República Centro-Africana.

    A lógica da Guerra Fria — dois polos, dois blocos — já não se aplica. O que se ergue no lugar é um regime global de guerra transacional. Os Emirados financiam a RSF, mas também compram ouro do exército. A Turquia vende drones a Burhan, mas negocia com os aliados de Hemedti. Cada país age como uma corporação em busca de dividendos. É o que diz, sobre o conflito, Joshua Craze, professor da Universidade de Chicago, que há mais de uma década estuda o Sudão:

    Se existe um Regime de Guerra Global emergente, ele não terá dois polos, como durante a Guerra Fria, mas múltiplas coordenadas. No Sudão, os Emirados Árabes Unidos financiam as RSF, mas também compram ouro do exército e apoiam alguns dos islamistas alinhados com ele. A Turquia pode estar vendendo drones para Burhan, mas Ancara também recebeu recentemente uma visita oficial de Saddam Haftar, filho do general que controla o leste da Líbia, que canaliza armas e combustível para as RSF. Não há nenhuma lógica geopolítica de alinhamento em ação aqui: cada país funciona como uma sociedade por ações, obtendo seus lucros onde pode, mesmo que as consequências sejam politicamente incoerentes. 

    Joshua Craze

    Enquanto isso, as forças que poderiam representar uma saída — os comitês de resistência, herdeiros da revolta que derrubou Bashir — são perseguidas por ambos os lados. Alguns militantes pegaram em armas, outros tentam manter viva uma rede precária de ajuda mútua.

    Eles são o último vestígio de um país que insiste em sobreviver — não o Estado, mas o laço entre pessoas. No entanto, como tudo no Sudão, esse fio também é frágil.

    Do palácio em ruínas de Cartum ao campo devastado de Zamzam, o que resta é um retrato brutal de um mundo em que a guerra é mais rentável que a paz, e a soberania não passa de uma ficção que o vento já levou.


  • Alguém entendeu? Campeonato Potiguar 2026 terá finais de ida e volta em campo neutro

    O Campeonato Potiguar 2026 manterá o formato da edição anterior, com ajustes pontuais nas fases decisivas. As alterações foram definidas durante reunião do Conselho Técnico realizada nesta terça-feira, na sede da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF). O novo regulamento prevê que, nas semifinais, o primeiro colocado geral enfrentará o time com o pior índice técnico entre os classificados do mata-mata, reforçando o benefício da melhor campanha.

    A final do estadual será disputada em dois jogos na Casa de Apostas Arena das Dunas, com renda dividida entre os finalistas. No entanto, a FNF deixou aberta a possibilidade de alteração do local, caso haja consenso entre os clubes envolvidos.

    A premissa é que a Arena das Dunas seria um campo neutro; só não ficou claro o porquê de jogos de ida e volta num campo neutro. Em geral, torneios que estabeleceu esse critério para a escolha da sede da final marca uma partida única. É o caso dos grandes torneios do mundo, como a UEFA Champions League e a CONMEBOL Libertadores, e o próprio formato que deverá ser adotado na Copa do Brasil 2026. Em todos os casos, o campo neutro comportará uma partida única.

    A tabela preliminar apresentada durante o encontro confirmou o principal clássico do futebol potiguar logo na quarta rodada: América-RN e ABC se enfrentam nos dias 24 ou 25 de janeiro, na Arena das Dunas, com mando do Alvirrubro. A primeira rodada está marcada para os dias 10 e 11 de janeiro, com os seguintes confrontos: Santa Cruz-RN x Potiguar de Mossoró, América-RN x vice-campeão da Segunda Divisão, Globo FC x campeão da Segunda Divisão e ABC x Laguna.

    O torneio contará com oito equipes na primeira fase, disputando partidas apenas de ida, totalizando sete rodadas. Os dois primeiros colocados avançam diretamente às semifinais, enquanto as outras duas vagas serão definidas em cruzamentos entre o terceiro e o sexto, e o quarto e o quinto colocados, em confrontos de ida e volta. Os dois últimos serão rebaixados.

    As semifinais e a final também seguirão o formato de ida e volta. Em relação à estrutura, a FNF determinou que cada clube indique um estádio principal e um alternativo até 23 de novembro, apresentando todos os laudos técnicos necessários. A Arena das Dunas será considerada campo neutro para todos os participantes.

    Para a primeira fase, os estádios deverão ter capacidade mínima de mil pessoas, exigência que sobe para três mil nas fases finais. O calendário completo será divulgado nas próximas semanas, confirmando os horários e locais das partidas.





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