Jesus de Ritinha de Miúdo

  • Allyson Bezerra e Álvaro Dias discutem aliança política e não descartam formação de chapa para 2026

    Em um movimento que pode redesenhar o tabuleiro político do Rio Grande do Norte para as eleições de 2026, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), recebeu nesta segunda-feira (16) o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), no Palácio da Resistência. O encontro, teve como pauta central as articulações partidárias e a definição dos rumos da oposição no estado. As informações são da 98FM.

    Durante a conversa, os dois líderes analisaram o atual cenário político e firmaram um compromisso de alinhamento estratégico, o que acende o sinal para uma possível composição de chapa. A ideia de uma candidatura conjunta não foi descartada e pode ganhar corpo à medida que os partidos definirem suas posições para o pleito de 2026.

    Durante entrevista à emissora, Álvaro Dias admitiu que pode abrir mão de sua pré-candidatura ao governo para disputar uma vaga no Senado. Ele defendeu que a oposição deve se unir em torno do nome mais viável e que esteja melhor posicionado junto ao eleitorado. “Eu não descarto a possibilidade de vir a ser candidato ao Senado, mas acho que o candidato a governador deve ser o que tenha mais condições, mais viabilidade. Se for Rogério [Marinho], não haverá problema nenhum em haver uma composição, inclusive eu posso rever minha posição”, afirmou.

    O ex-prefeito de Natal também criticou a ideia de uma terceira via, sugerindo que a candidatura de Allyson ao governo poderia repetir experiências fracassadas, como a de Carlos Eduardo em 2010. “Não acredito em terceira via. Representa um risco enorme de fracasso, como já vimos no passado”, disse.

    Com o nome do senador Rogério Marinho (PL) despontando como favorito na base oposicionista, a reunião entre Allyson e Álvaro indica que os dois líderes estão dispostos a buscar um entendimento e evitar divisões internas. A prioridade, segundo eles, é construir uma frente coesa capaz de enfrentar o grupo governista com chances reais de vitória.


  • “Me mandaram procurar Irapoã”: o depoimento que expõe a coação política dentro da Prefeitura de Natal

    Ex-funcionário terceirizado detalha como perdeu o emprego após se recusar a apoiar candidatos do grupo de Álvaro Dias

    No conjunto de provas reunidas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, um depoimento chama atenção pela clareza e pelo nível de detalhamento: o relato de R.A.S., ex-funcionário terceirizado da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), contratado por meio da empresa Zelo Recursos Humanos Ltda.

    Segundo R.A.S., a decisão de sua demissão não partiu da empresa, mas de lideranças políticas ligadas ao ex-prefeito.

    Demissão “de cima”

    Após ser dispensado de suas funções, R.A.S. procurou Gilmar Sales, responsável pela gestão de pessoal na Zelo, para entender os motivos da demissão. A resposta que ouviu foi direta:

    “A ordem veio de cima. Vá procurar Irapoã.”

    A orientação para buscar esclarecimentos com Irapoã Nóbrega, então secretário municipal e candidato a vereador apoiado por Álvaro Dias, soou absurda para o servidor: “Nunca tive contato com ele, nem motivo para procurar um secretário para saber porque fui demitido de uma empresa terceirizada.”

    R.A.S. relatou ainda que não foi o único a sofrer pressões: outros colegas também viveram situações semelhantes, mas evitaram denunciar por medo de represálias.

    Pressão por apoio político

    Segundo o depoimento, era comum que servidores terceirizados fossem convocados para reuniões individuais, nas quais eram questionados sobre seu posicionamento político. O objetivo era claro: identificar quem estava com o grupo do prefeito e quem poderia ser demitido.

    Durante o período eleitoral, atos de campanha eram realizados dentro das dependências da Prefeitura. Os terceirizados recebiam camisetas, material de campanha e eram instruídos a participar de caminhadas e eventos políticos.

    Além disso, havia a exigência velada para que postassem apoio nas redes sociais, com registros públicos de engajamento.

    Perseguição interna: o caso da CIPA

    O episódio mais simbólico da tentativa de cerceamento político veio quando R.A.S. decidiu disputar uma vaga na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), um processo eleitoral interno, previsto em lei.

    R.A.S. afirma que, ao saber de sua candidatura, Irapoã Nóbrega teria feito ameaças veladas a outros servidores, advertindo que “quem votasse nele, perderia o emprego”.

    “Eu saí candidato à CIPA. E o Irapoã falou que quem votasse em mim, cabeças iam rolar. Ele disse exatamente assim: cabeças iam rolar.”

    Segundo o ex-funcionário, a campanha contra sua candidatura foi articulada entre a Semsur e a gestão da Zelo.

    Um exemplo entre muitos

    O depoimento de R.A.S. integra um conjunto maior de provas reunidas pelo MPE, que incluem:

    • Áudios com ameaças e orientações políticas
    • Documentos internos da Prefeitura e da Zelo
    • Planilhas com indicação dos “padrinhos políticos” de cada servidor
    • Mensagens em aplicativos com determinações de participação em atos de campanha
    • Relatos de outros trabalhadores terceirizados

    O Ministério Público Eleitoral considera que o caso de R.A.S. ilustra o padrão de coação sistemática que marcou a gestão de Álvaro Dias durante o período eleitoral.


  • Zelo: a engrenagem terceirizada do esquema eleitoral de Álvaro Dias

    Como uma empresa de prestação de serviços virou elo entre a Prefeitura de Natal e a campanha dos aliados do ex-prefeito

    Apontada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) como uma das peças-chave no esquema de abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024, a empresa Zelo Recursos Humanos Ltda. tornou-se o principal canal de empregabilidade e de controle político dentro da Prefeitura de Natal.

    Segundo a investigação, a Zelo foi usada para contratar apadrinhados políticos, empregar cabos eleitorais disfarçados de servidores terceirizados e coagir trabalhadores a apoiarem os candidatos indicados por Álvaro Dias.

    Da folha de pagamento ao palanque

    Com cinco contratos ativos com a Prefeitura, sendo três deles firmados sem licitação, a Zelo movimentou, apenas em 2024, mais de R$ 43,5 milhões em recursos públicos. O proprietário da empresa, Genivaldo Firmino Segundo, é apontado como figura de trânsito livre nos bastidores da gestão municipal.

    O MPE sustenta que a Zelo foi utilizada não apenas como fornecedora de mão de obra, mas como uma extensão da estrutura política do então prefeito. Havia interferência direta de líderes políticos na seleção de contratados, na alocação de funcionários e até nas folhas de pagamento.

    Coação, ameaças e campanha dentro da Prefeitura

    Os documentos da AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) trazem relatos de assédio eleitoral sistemático: funcionários terceirizados eram obrigados a participar de bandeiraços, caminhadas, comícios e eventos de campanha. Muitos tiveram que vestir camisetas dos candidatos do grupo de Álvaro Dias, distribuir santinhos e publicar declarações de apoio nas redes sociais.

    Quem não aceitava essas condições era chamado para reuniões com superiores ou com gestores de contrato, onde recebia orientações “para o seu próprio bem”: apoiar a campanha se quisesse manter o emprego.

    Há relatos de promessas de promoções e benefícios para os que demonstrassem maior engajamento político. Em contrapartida, os que não manifestavam apoio eram ameaçados com demissões ou perseguições internas.

    A folha eleitoral

    A investigação revelou que a folha de pagamento da Zelo virou um dos instrumentos centrais de controle político. Em auditoria realizada pelo GAECO na Semsur, foram apreendidas planilhas internas que relacionavam o nome de cada trabalhador com o nome de seu respectivo “padrinho político”.

    Em algumas listas, os campos de indicação eram ocupados por nomes como “Prefeito”, “Kleber”, “Irapoã” e “Gigante” — todos ligados diretamente ao grupo de Álvaro Dias.

    Além disso, documentos encontrados na Secretaria indicam que havia um planejamento interno de demissões, com anotação expressa sobre quais lideranças deveriam preencher as vagas que fossem surgindo.

    Provas reunidas pelo Ministério Público

    O conjunto probatório reunido pelo MPE inclui:

    • Depoimentos de ex-servidores
    • Áudios de gestores e servidores intermediários
    • Mensagens de WhatsApp com orientações de campanha
    • Registros fotográficos de atos políticos com presença de terceirizados
    • Listas de controle político interno com anotações sobre indicações e repasses de vagas

    O GAECO identificou que até reuniões internas de campanha ocorreram dentro de órgãos públicos, como a própria Semsur, com a presença de secretários, assessores e servidores terceirizados.

    Próximos passos da investigação

    O Ministério Público Eleitoral classifica o uso da Zelo como “um elo entre o orçamento público e o caixa eleitoral paralelo” da campanha governista.

    Além da AIJE, o caso segue sendo acompanhado por outros órgãos de controle. Em breve, novas reportagens de O Potengi trarão o detalhamento dos outros contratos da Zelo com a Prefeitura e as relações políticas de seu proprietário com o núcleo do ex-prefeito Álvaro Dias.

    Contratos da Zelo com a Prefeitura de Natal

    • Contrato Nº: 010/2024
      Órgão Contratante: Secretaria Municipal de Serviços Urbanos – SEMSUR
      Último Valor Informado: R$2.244.899,52
      Modalidade de Contratação: Dispensa de Licitação
      Vagas Previstas: 2 Arquitetos, 3 Engenheiros Civis, 1 Engenheiro Mecânico, 6 Assistentes de Engenharia (Total: 12)
      Início – Término (após aditivos): 12/06/2024 – 11/06/2025
    • Contrato Nº: 012/2023
      Órgão Contratante: Secretaria Municipal de Serviços Urbanos – SEMSUR
      Último Valor Informado: R$1.304.224,92
      Modalidade de Contratação: Dispensa de Licitação
      Vagas Previstas:Não especificado, mas para funções como arquiteto e engenheiro (conforme objeto)
      Início – Término (após aditivos): 17/10/2023 – 16/04/2024
    • Contrato Nº: 047/2019
      Órgão Contratante: Secretaria Municipal de Serviços Urbanos – SEMSUR
      Último Valor Informado: R$ 6.789.415,92 (após último aditivo de 2024)
      Modalidade de Contratação: Pregão Eletrônico
      Vagas Previstas: 20 Telefonistas, 1 Engenheiro Eletricista, 5 Assistentes de Secretariado, 6 Motoristas, 10 Agentes de Fiscalização, 7 Coordenadores de Iluminação, 4 Eletrotécnicos, 6 Eletricistas, 6 Auxiliares de Eletricista (Total: 65 vagas)
      Início – Término (após aditivos): 09/06/2019 – 05/09/2025
    • Contrato Nº: 049/2019
      Órgão Contratante: Secretaria Municipal de Serviços Urbanos – SEMSUR
      Último Valor Informado: R$9.304.291,08
      Modalidade de Contratação: Pregão Eletrônico
      Vagas Previstas: 150 Agentes de Limpeza Ambiental (Gari), 5 Auxiliares de Jardineiro, 24 Coveiros, 15 Encarregados de Turma, 1 Engenheiro Agrônomo, 10 Jardineiros, 8 Operadores de Roçadeira, 5 Técnicos Agrícolas, 1 Técnico de Segurança do Trabalho, 8 Tratadores de Animais, 10 Zeladores de Cemitério, 8 Administradores de Cemitério (Total: 245)
      Início – Término (após aditivos): 13/09/2019 – 09/12/2025
    • Contrato Nº: 005/2021
      Órgão Contratante: Secretaria Municipal de Serviços Urbanos – SEMSUR
      Último Valor Informado: R$ 10.198.825,86 (contrato inicial; valores com aditivos posteriores não totalmente confirmados)
      Modalidade de Contratação: Dispensa de Licitação
      Vagas Previstas: 1 Administração Local, 3 Varrição de Vias, 8 Capinação/Roçagem, 4 Limpeza de Praias (Total: 16 vagas estimadas inicial, com aditivos posteriores ampliando quantitativo)
      Início – Término (após aditivos): 27/02/2021 – 07/08/2025


  • Reajuste sob suspeita: Prefeitura aumentou contrato com a Zelo em plena investigação eleitoral

    Mesmo já denunciado pelo MPE, Álvaro Dias ampliou em 16,97% os repasses para a empresa apontada como peça-chave no esquema de coação de votos em Natal

    Poucos dias após o encerramento do primeiro turno das eleições de 2024 e já sob investigação formal por abuso de poder político e econômico, o então prefeito de Natal, Álvaro Dias, autorizou um generoso reajuste no contrato da Prefeitura com a empresa Zelo Recursos Humanos.

    O aumento foi de 16,97%, aprovado em 23 de outubro — apenas quatro dias antes do segundo turno. Na prática, isso representou um acréscimo de R$ 984 mil por ano ao custo dos serviços prestados pela Zelo à Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur).

    O reajuste chama atenção não apenas pelo momento político, mas também pela sua desproporção: a inflação oficial no período foi de apenas 4,83%, enquanto a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria estabeleceu um reajuste salarial de 8%. Mesmo assim, o percentual concedido à empresa quase dobrou a recomposição salarial dos trabalhadores.

    A nova despesa anual com o contrato chegou a R$ 6,78 milhões, elevando o repasse mensal de R$ 483 mil para R$ 565 mil.

    Uma empresa no centro da denúncia

    A Zelo Recursos Humanos Ltda, de propriedade de Genivaldo Firmino Segundo, é uma das principais fornecedoras de mão de obra terceirizada da Prefeitura de Natal. Além da Semsur, a empresa possui outros quatro contratos com a gestão municipal – três deles firmados sem licitação, segundo documentos analisados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e disponíveis no Portal da Transparência.

    Listas de presença eram usadas para controlar participação de terceirizados nos eventos de candidatos apoiados por Álvaro Dias. Imagem: MPE.

    A denúncia do MPE, apresentada antes mesmo do segundo turno, aponta a Zelo como peça central em um esquema de uso da máquina pública para fins eleitorais, através de duas frentes principais:

    1. Emprego de apadrinhados políticos indicados por aliados do prefeito Álvaro Dias
    2. Coação e controle de servidores terceirizados, com ameaças de demissão para quem não apoiasse os candidatos do grupo governista

    A investigação inclui áudios, depoimentos, documentos internos da Semsur e listas apreendidas pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

    O contrato que virou ferramenta política

    O contrato 047/2019 foi firmado originalmente em setembro de 2019, com valor inicial de R$ 3,43 milhões para a prestação de serviços de eletricistas, fiscais de campo e engenheiros.

    Loteamento de cargos era tão frequente e “naturalizado” que vereadores aliados enviavam indicações em papel timbrado da Câmara Municipal. Imagem: MPE.

    Desde então, o contrato sofreu dez aditivos, acumulando um crescimento de 98,6% no valor global — quase o triplo da inflação oficial de 28,53% no período.

    Entre os documentos apreendidos pelo GAECO durante a operação de busca e apreensão na Semsur, em dezembro de 2024, estavam planilhas internas que listavam os nomes, cargos e salários dos funcionários terceirizados, com anotações apontando os “donos” das vagas, ou seja, os políticos ou apadrinhados responsáveis pela indicação de cada trabalhador.

    Nessas planilhas, nomes como “Prefeito”, “Kleber”, “Irapoã” e “Gigante” aparecem como responsáveis por cargos, evidenciando o controle político sobre o preenchimento das vagas.

    Prorrogação questionada

    Além do reajuste financeiro, o aditivo também prorrogou a vigência do contrato por mais 12 meses, estendendo a validade até 5 de setembro de 2025.

    Essa prorrogação levanta dúvidas sobre sua legalidade, já que o contrato atingiu o limite de 72 meses de duração total, extrapolando o tempo máximo que a legislação permite para contratos desse tipo, salvo em casos excepcionais e devidamente fundamentados.

    A justificativa oficial da Prefeitura foi a de que um novo processo licitatório estaria em andamento, mas não teria sido concluído a tempo.

    Consequências políticas e jurídicas

    O novo aditivo foi assinado mesmo após a deflagração de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), proposta pelo Ministério Público Eleitoral e que pode resultar em cassação de mandatos, perda de direitos políticos e outras sanções para os envolvidos.

    O caso da Zelo é citado na denúncia como exemplo de como o ex-prefeito Álvaro Dias manipulou a estrutura administrativa e contratual da Prefeitura para favorecer seus candidatos, incluindo Paulo Freire, Joanna Guerra e os vereadores Daniell Rendall e Irapoã Nóbrega.


  • Comitiva brasileira deixa Israel por terra após ataques ao Irã; secretário de Natal está entre os que cruzaram para a Jordânia

    A comitiva brasileira que participava de uma missão oficial em Israel, incluindo o secretário de Planejamento de Natal, Vagner Araújo, deixou o país por via terrestre após os ataques iranianos que levaram ao fechamento do espaço aéreo israelense na última sexta-feira (13). O grupo, formado por prefeitos, secretários e outros representantes, cruzou a fronteira com a Jordânia no domingo (15), após reunião com autoridades do Ministério das Relações Exteriores de Israel.

    Segundo Vagner Araújo, o trajeto até a fronteira foi feito com segurança. “Após um percurso de 1h40 até a fronteira com a Jordânia e uma espera de mais 1h30 nos trâmites do posto de saída de Israel, conseguimos chegar à fronteira com a Jordânia, onde fomos muito bem recebidos por diplomatas brasileiros – em segurança”, relatou o secretário por meio de nota.

    Dos 18 brasileiros que integravam o grupo, 12 optaram por deixar Israel. Entre eles estão os prefeitos Cícero de Lucena (João Pessoa – PB), Álvaro Damião (Belo Horizonte – MG), Welberth Porto (Macaé – RJ), Jonhy Maycon (Nova Friburgo – RJ) e Francisco Nélio, ex-prefeito de Santarém e atual secretário de estado do Pará. Outros seis integrantes decidiram permanecer em território israelense, entre eles a vice-prefeita de Florianópolis, Maryanne Mattos, que demonstrou receio com os riscos do trajeto terrestre.

    “Fomos o primeiro grupo a sair. Alguns brasileiros e os de outros países que estavam com a gente preferiram ficar por receio de fazer esse percurso até a fronteira diante de algum risco de incidentes”, explicou Araújo.

    Apesar da tensão no país, o secretário relatou que o trajeto foi tranquilo. “Desde o início vimos que tinha movimento nas estradas com caminhões e outros carros – e não tivemos qualquer problema. Graças a Deus”, escreveu.

    A alternativa terrestre foi adotada após a suspensão de voos e o fechamento do espaço aéreo israelense em decorrência da ofensiva do Irã. A decisão foi tomada em conjunto com autoridades israelenses, que auxiliaram na definição da melhor rota para evacuação. O plano inicial previa também possibilidades de saída via Egito ou Chipre, mas estas foram descartadas diante da complexidade logística e riscos associados.

    Além dos brasileiros, a missão em Israel também conta com 15 estrangeiros convidados pelo governo israelense. A viagem teve início em 10 de abril e tinha como objetivo principal o intercâmbio de experiências em inovação urbana e cidades inteligentes. Com o agravamento da situação no Oriente Médio, todas as atividades não essenciais no país foram suspensas, e houve recomendação oficial para que civis evitassem sair de casa.

    O grupo já está em território jordaniano e segue tratando da documentação de entrada no país. “Agora estamos cuidando da burocracia de entrada”, informou Araújo. Ele também explicou que não é permitido gravar vídeos nem fazer imagens no posto de fronteira, por questões de segurança.

    A situação diplomática entre Israel e Irã segue sendo monitorada pelo Itamaraty. Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não emitiu nota oficial sobre a retirada dos integrantes da missão brasileira.


  • Prefeitura de Natal paga R$ 8,5 milhões em cachês na Arena das Dunas; atrações locais ficam de fora

    A edição 2025 do São João de Natal acontece entre os dias 31 de maio e 29 de junho, com uma programação distribuída em três polos oficiais da capital potiguar. O polo Arena das Dunas, considerado o principal da festa, concentrou grandes atrações nacionais durante dois fins de semana de shows, reunindo mais de 300 mil pessoas a cada fim de semana, segundo estimativas da Prefeitura.

    De acordo com dados publicados no Diário Oficial do Município de Natal, os cachês pagos aos artistas contratados para se apresentarem na Arena das Dunas somam aproximadamente R$ 8,5 milhões. A lista inclui nomes consagrados da música brasileira em diferentes estilos, como Luan Santana, Alok, João Gomes, Simone Mendes, Raça Negra e Xand Avião.

    Por outro lado, artistas potiguares não participaram da programação do polo Arena das Dunas. Um edital que previa R$ 192,5 mil a serem divididos entre mais de 100 bandas locais chegou a ser lançado, mas foi cancelado um dia após sua publicação, também segundo registros no Diário Oficial. Até o momento, não há informações sobre novo chamamento público ou inclusão desses artistas na programação oficial, também não houve justificativas sobre o cancelamento do edital.

    Veja a seguir os valores pagos aos artistas nacionais, organizados do maior para o menor cachê:

    1. Luan Santana – R$ 985 mil
    2. A Vontade – R$ 800 mil
    3. Simone Mendes – R$ 800 mil
    4. Alok – R$ 750 mil
    5. Xand Avião – R$ 700 mil
    6. Menos é Mais – R$ 600 mil
    7. Belo – R$ 600 mil
    8. Pablo – R$ 550 mil
    9. João Gomes – R$ 500 mil
    10. Raça Negra – R$ 500 mil
    11. Calcinha Preta – R$ 490 mil
    12. Gustavo Mioto – R$ 480 mil
    13. Mari Fernandez – R$ 480 mil
    14. Léo Foguete – R$ 350 mil
    15. Tiago Freitas – R$ 300 mil
    16. Michelle Andrade – R$ 250 mil
    17. Flávio José – R$ 250 mil

    O Potengi entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Natal para saber o motivo do cancelamento do edital destinado a artistas locais. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.


  • Área PCD recebe enfermeira, que teve corpo queimado em acidente, para curtir São João de Natal

    O São João de Natal tem cumprido o propósito de ser um evento referência em inclusão e solidariedade.  Depois de ter sofrido um acidente onde teve 60% do corpo queimado e enfrentar um internação de mais de um ano, a enfermeira potiguar Paloma Rayssa Galdino acompanhou os shows de encerramento do polo Arena das Dunas na área exclusiva para o público PCD, neste domingo. Foi a primeira vez que Paloma saiu de casa após o carro em que ela estava ter explodido enquanto era abastecido num posto de gasolina. 

    “Estou vivendo um misto de emoções. Passou um filme na minha mente de tudo que vivi. Estar aqui hoje, aproveitando a vida, ao lado da minha família e amigos não tem preço. Só tenho a agradecer”, falou emocionada. Animada, Paloma contou que um dos principais motivos dela estar ali era a show de Xand. “Sou natalense e “aviãozeira” ver esse grande artista de perto tornou esse momento ainda mais especial”, contou. 

    Paloma disse que a estrutura oferecida pela Prefeitura na área PCD ajudou a enfrentar a resistência da mãe, que estava preocupada. “Minha mãe ficou receosa. Uma amiga nossa contou sobre a estrutura PCD e ficamos mais aliviadas. Fui muito bem acolhida. Aqui encontrei conforto, suporte e segurança. Nessa área vivenciamos a inclusão, verdadeiramente. A organização está de parabéns”. 

    O espaço PCD, estruturado com visão privilegiada do palco, ofereceu acessibilidade física, equipe de apoio e distribuição de abafadores para pessoas com sensibilidade auditiva, como autistas e pessoas com deficiência intelectual. 

    Feliz e seguindo com o tratamento com muito otimismo e resiliência depois de tudo o que enfrentou, Paloma quer ser exemplo na vida de outras pessoas que estão passando por momentos de dificuldade: “Eu sou um milagre. Passei um ano internada, foram inúmeras cirurgias, infecções, período em coma e diversas outras intercorrências. Depois de superar esses momentos e ainda estar enfrentado as sequelas do acidente, estou retomando minha rotina e meu propósito agora é poder com meu testemunho, ajudar pessoas a enfrentar e vencer obstáculos impostos pela vida. É meu propósito”, disse.


  • Corte no orçamento ameaça paralisação total dos trens urbanos em Natal e outras capitais do Nordeste; alerta CBTU

    A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) emitiu um alerta urgente sobre o risco iminente de paralisação total dos sistemas ferroviários que administra em quatro capitais do Nordeste: Natal (RN), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Maceió (AL). A situação crítica foi comunicada oficialmente ao Ministério das Cidades em um ofício datado de 28 de abril, revelado pelo Jornal do Commercio, e aponta que os primeiros sinais de colapso operacional podem surgir já em julho deste ano.

    De acordo com o documento, assinado pelo diretor-presidente da CBTU, José Marques, a continuidade dos serviços está ameaçada por um corte severo no orçamento para 2025. Enquanto em 2024 a empresa operou com R$ 216 milhões para custeio, o valor previsto para o próximo ano caiu para R$ 165 milhões — montante considerado insuficiente até para manter o funcionamento mínimo dos sistemas. A CBTU estima que seriam necessários ao menos R$ 260 milhões para garantir as operações, evidenciando um déficit de R$ 95 milhões.

    Impacto direto na mobilidade urbana

    Em Natal, uma possível interrupção do serviço afetaria drasticamente a mobilidade na região metropolitana, prejudicando principalmente trabalhadores e estudantes que dependem do transporte ferroviário diariamente. Além disso, a paralisação dos trens traria consequências graves como aumento da insegurança nas estações e linhas, risco de depredação do patrimônio público e dificuldades técnicas para retomar as operações no futuro. Paradoxalmente, mesmo com os trens parados, despesas fixas como vigilância e monitoramento teriam que ser mantidas.

    “A continuidade das atividades é insustentável diante do atual cenário orçamentário”, alerta o documento, que faz um apelo à sensibilidade do Ministério das Cidades, destacando a importância dos sistemas operados pela CBTU para a mobilidade e qualidade de vida de milhares de pessoas nas capitais atendidas.

    Nos últimos anos, o transporte ferroviário vinha passando por melhorias. No Rio Grande do Norte, por exemplo, a chamada Fase 4 do projeto de expansão foi iniciada na gestão anterior, com a revitalização do trecho entre Parnamirim e Nísia Floresta. Esses avanços agora correm o risco de serem descontinuados, comprometendo os investimentos feitos e o futuro do sistema ferroviário urbano no estado.

    Até o momento, o Ministério das Cidades não se pronunciou oficialmente sobre possíveis medidas para recompor o orçamento da CBTU e evitar o colapso anunciado.


  • Xand Avião recebe título de Cidadão Natalense durante show na Arena das Dunas

    O cantor Xand Avião foi homenageado com o título de Cidadão Natalense na noite deste domingo (15), durante sua apresentação no São João de Natal, na Arena das Dunas. A honraria foi entregue no palco pelo vereador Aldo Clemente (PSDB), autor da proposta, acompanhado do presidente da Câmara Municipal de Natal, Eriko Jácome (PP), e do humorista Tirulipa.

    Em meio a uma plateia lotada e emocionada, o momento foi celebrado com aplausos calorosos do público, que reconheceu a importância do artista para a cultura local. A cerimônia simbólica aconteceu no auge da festa, reforçando a conexão entre Xand e a capital potiguar.

    A entrega do título de Cidadão Natalense reconhece não apenas a relação pessoal de Xand Avião com Natal, mas também sua significativa contribuição para os eventos culturais da cidade, especialmente nos festejos juninos. Ícone do forró moderno e referência no cenário musical nordestino, o artista tem sido presença constante em grandes celebrações da cidade.

    “Esse título é muito especial pra mim. Natal sempre me recebeu com tanto carinho, e hoje eu me sinto ainda mais parte dessa terra”, declarou Xand, visivelmente emocionado.


  • Mulher é internada em UTI após ser atingida por garrafa durante show no Mossoró Cidade Junina

    Uma mulher está internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, após ser atingida na cabeça por uma garrafa durante os shows do Mossoró Cidade Junina, na madrugada deste sábado (14), na Estação das Artes. Segundo a Prefeitura de Mossoró, o objeto seria uma garrafa plástica com líquido.

    A vítima foi socorrida pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), entubada ainda na ambulância e encaminhada ao hospital. Familiares relataram nas redes sociais que a mulher sofreu convulsões após o impacto e foi atingida em uma área sensível da cabeça, onde já havia sofrido um trauma anterior. Ela permanece em coma induzido, mas, segundo os parentes, tem apresentado respostas a estímulos com a redução dos sedativos.

    Apesar da gravidade do episódio, a Polícia Militar informou que não foi acionada para a ocorrência.

    Confusão e reforço na segurança

    Ainda durante a mesma noite de festa, uma briga foi registrada por celulares nas imediações da Estação das Artes. A Polícia Militar confirmou a veracidade das imagens e conduziu cinco pessoas à delegacia. Todos assinaram Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), já que as infrações foram consideradas de menor potencial ofensivo. O comandante do policiamento regional, coronel Maximiliano, classificou o caso como um fato isolado, mas afirmou que o patrulhamento será intensificado na área.

    Atualmente, cerca de 450 policiais atuam por noite na segurança do evento.

    Em resposta aos recentes episódios, a Prefeitura de Mossoró anunciou neste sábado (14) o endurecimento das regras para entrada de objetos no espaço da festa. Copos e garrafas térmicas passaram a integrar a lista de itens proibidos.

    Itens permitidos:

    • Bebidas em lata
    • Garrafas plásticas (PET)

    Itens proibidos:

    • Copos térmicos
    • Garrafas térmicas
    • Garrafas de vidro
    • Coolers e bolsas térmicas
    • Objetos cortantes, mesas e cadeiras





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