Jesus de Ritinha de Miúdo

  • Ex-PM condenado por homicídio de jovem é preso em Natal após três anos foragido

    Um ex-policial militar condenado pelo homicídio de Lucas Soares Costa, de 18 anos, foi preso na terça-feira, 26 de agosto, em Natal, após permanecer três anos foragido da Justiça. A captura foi realizada por agentes da Diretoria da Polícia Civil da Grande Natal (DPGRAN), seguindo uma denúncia anônima que levou os investigadores até um veículo de aplicativo onde o homem se encontrava.

    O crime ocorreu em 2 de fevereiro de 2018, no bairro Dix-Sept Rosado. Lucas participava de um passeio de motociclistas quando foi atingido por um disparo de fuzil efetuado pelo então policial militar. De acordo com as investigações do Ministério Público, momentos antes do ocorrido, o jovem havia caído da moto mas conseguira retomá-la, seguindo pela contramão enquanto sua namorada acompanhava a pé. Foi nesse momento que o disparo foi efetuado. Lucas chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

    Em 2022, o ex-PM foi condenado pelo Tribunal do Júri da 1ª Vara Criminal de Natal a 12 anos e seis meses de prisão em regime fechado por homicídio qualificado, além da perda da função pública. A defesa recorreu da decisão e o acusado inicialmente respondeu em liberdade, mas posteriormente passou a ser considerado foragido. Com a prisão, ele deverá cumprir integralmente a pena determinada pela Justiça.


  • RN registra maior avanço do Brasil em ranking nacional de competitividade

    O Rio Grande do Norte alcançou o maior avanço no Ranking de Competitividade dos Estados 2025, estudo elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O estado subiu oito posições em relação ao ano anterior, passando da 24ª para a 16ª colocação no ranking que avalia todas as 27 unidades federativas do país.

    A 14ª edição do ranking analisou 100 indicadores distribuídos em dez pilares temáticos, abrangendo áreas como infraestrutura, educação, solidez fiscal, segurança pública, inovação, capital humano e sustentabilidade social e ambiental. Na região Nordeste, o Rio Grande do Norte ficou atrás apenas da Paraíba, que ocupa a 11ª posição nacionalmente. Sergipe também se destacou com significativa melhoria, subindo seis posições e alcançando o 12º lugar no país.

    De acordo com Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP, a segurança pública foi um dos fatores que mais contribuíram para a evolução do Rio Grande do Norte no ranking. Pela primeira vez, o estudo incluiu o indicador de feminicídio, utilizando dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Entre os pilares analisados, o estado obteve sua melhor colocação em segurança pública (4º lugar), seguido por inovação (11º) e sustentabilidade social (13º). O pior desempenho foi registrado no pilar de solidez fiscal, onde ocupa a 26ª posição.

    O estudo demonstra que o ranking é dinâmico e busca identificar as necessidades dos cidadãos enquanto avalia o impacto das políticas públicas implementadas em todo o país. A melhoria significativa do Rio Grande do Norte reflete avanços em múltiplas áreas de gestão pública estadual.


  • Orquestra Sinfônica do RN apresenta concerto ‘Paixão Latina’ nesta quarta-feira (27)

    A Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (OSRN) se apresenta nesta quarta-feira, 27 de agosto, com o concerto “Paixão Latina – Uma noite de Ópera e Zarzuela”, trazendo os solistas internacionais Sofia Garza, Diana Peralta e Christian Pabón. O evento ocorrerá às 19h30 no Teatro Riachuelo Natal, com entrada gratuita. Os ingressos disponibilizados online através da plataforma Sympla já estão esgotados, restando apenas um segundo lote que ficará disponível para retirada presencial na bilheteria do teatro a partir de uma hora antes do início do espetáculo.

    Integrando o projeto Movimento Sinfônico, o concerto oferece um repertório que abrange desde a intensidade dramática da ópera italiana e francesa até o lirismo das canções espanholas e a energia contagiante da zarzuela, um gênero musical que combina elementos cênicos e vocais. O maestro Linus Lerner, responsável pela regência, elaborou um programa que inclui árias consagradas de compositores como Verdi, Puccini, Bizet, Saint-Saëns e Gounod, além de obras representativas do repertório espanhol e canções emblemáticas como “Summertime”, de George Gershwin, e “Granada”, de Agustín Lara.

    Além da apresentação principal, o projeto inclui atividades formativas. Nesta quarta-feira, às 15h, será realizado um Ensaio Aberto voltado para alunos da rede pública de ensino, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação. Interessados podem realizar agendamento pelo e-mail movimentosinfonico@gmail.com. Essas iniciativas reforçam o compromisso do projeto com a inclusão e a educação musical, aproximando diferentes públicos da prática e da apreciação da música sinfônica e lírica.

    O concerto conta com a participação de três solistas de reconhecida trajetória internacional: a soprano mexicana Sofia Garza, a mezzo-soprano Diana Peralta e o baixo-barítono venezuelano Christian Pabón. O Movimento Sinfônico é realizado mediante a Lei Câmara Cascudo, com patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Secretaria Estadual de Cultura, Instituto Neoenergia e Neoenergia Cosern, além da produção da Mapa Realizações Culturais.


  • Cidade da Grande Natal decreta calamidade financeira após perda de ICMS da Usina Estivas

    A Prefeitura de Arez, município de pouco mais de 13 mil habitantes na Região Metropolitana de Natal, decretou estado de calamidade financeira por um período de 90 dias. A medida foi tomada após a perda da arrecadação do ICMS proveniente da Usina Estivas, determinada por decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). O tribunal estabeleceu que o imposto deve ser repassado integralmente ao município de Goianinha, resultando em uma perda mensal estimada em R$ 254 mil para os cofres de Arez.

    De acordo com a gestão municipal, a queda na arrecadação já ultrapassou R$ 109 mil apenas até o dia 13 de agosto. O prefeito Bergson Iduino afirmou que a situação compromete severamente a manutenção de serviços públicos essenciais, particularmente nas áreas de saúde e educação, podendo gerar impactos ainda mais graves no próximo ano.

    Como consequência imediata, a administração municipal anunciou a implementação de cortes de gastos, suspensão de festividades, limitação na distribuição de medicamentos, suspensão de cirurgias eletivas e a possível redução do atendimento 24 horas no Hospital Dr. Juca. Todas as secretarias municipais terão um prazo de dez dias para apresentar planos de contenção de despesas, incluindo a possibilidade de redução de pessoal.

    A disputa judicial entre os municípios permanece em aberto. Arez sustenta que parte da estrutura física da usina está localizada em seu território e defende uma divisão proporcional da receita tributária. No entanto, o TJRN manteve o entendimento de que todo o imposto deve ser destinado a Goianinha, além de determinar a devolução dos valores repassados a Arez nos últimos cinco anos.


  • Entenda como funcionará policiamento na área externa da casa de Bolsonaro

    Após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), equipes da Polícia Penal do Distrito Federal passarão a monitorar a área externa da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília desde o dia 4 de agosto. A decisão atende a um pedido do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

    De acordo com a determinação do ministro, o policiamento deverá ser realizado em tempo real, evitando exposição indevida e abstendo-se de toda e qualquer indiscrição, inclusive midiática. As equipes deverão atuar sem adoção de medidas intrusivas da esfera domiciliar do réu ou perturbadoras da vizinhança, utilizando ou não uniforme e respectivos armamentos necessários à execução da ordem, a critério policial.

    Em ofício enviado ao Supremo, a PF solicitou “reforço urgente e imediato” de policiamento no entorno da casa e a manutenção da constante checagem da tornozeleira eletrônica. O pedido fundamenta-se em informações sobre um “risco concreto” de fuga, mencionando a possibilidade de o ex-presidente tentar buscar asilo político na Embaixada dos Estados Unidos. Em sua decisão, Moraes citou ainda a proximidade do julgamento do núcleo 1 da ação penal que apura suposto planejamento de golpe de Estado, no qual Bolsonaro é apontado como líder de organização criminosa, e destacou a existência de um rascunho de pedido de asilo político à Argentina, obtido pela PF como prova.

    Ainda na terça-feira, 26 de agosto, a Polícia Federal requereu ao ministro autorização para manter uma equipe policial no interior da residência em tempo integral, argumentando que o monitoramento por tornozeleira eletrônica não seria suficiente por depender de sinal de operadora e estar sujeito a falhas ou interferências. A PGR, em sua manifestação, recomendou apenas equipe ostensiva de prontidão na área externa. O ministro encaminhou o novo ofício da PF para um posicionamento adicional da Procuradoria antes de decidir sobre o matter.


  • Marido da prefeita Nilda é exonerado da ALRN após denúncias de Carol Pires

    Sebastião Feliciano da Cruz, marido da prefeita de Parnamirim, Nilda Cruz (Solidariedade), foi exonerado do Quadro de Pessoal da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) nesta quarta-feira, 27 de agosto. A decisão, assinada pelo presidente da Assembleia Ezequiel Ferreira e publicada no Diário Legislativo, ocorreu após denúncias feitas pela vereadora Carol Pires (União Brasil).

    Em entrevista à 98 FM Natal na terça-feira, 26 de agosto, a vereadora afirmou que Sebastião Feliciano da Cruz realizava interferências políticas na Secretaria de Serviços Urbanos (Semsur), pasta que ela geria até recentemente. Carol Pires relatou ainda ter sofrido agressões verbais por parte do marido da prefeita durante sua gestão na secretaria.

    Esta é mais uma movimentação no cenário político de Parnamirim, que já havia registrado exonerações significativas na última segunda-feira. Na ocasião, a prefeita Nilda Cruz exonerou o marido e a filha da vice-prefeita Kátia Pires dos cargos que ocupavam na administração municipal. A decisão, publicada em edição extra do Diário Oficial do Município, incluiu a exoneração de Fábio Falcão de Miranda da Secretaria de Limpeza Urbana (SELIM), Ana Carolina Carvalho de Lima Pires da Secretaria de Serviços Urbanos (SEMSUR) e Fabrício Lira Barbosa do cargo de assessor especial na Secretaria de Obras Públicas (SEMOP). As mudanças ocorreram em meio a denúncias de que a vice-prefeita estaria envolvida em uma conspiração para provocar um processo de impeachment contra a gestora municipal.


  • Lei Juliana Soares é aprovada na Câmara de Natal

    A Câmara Municipal de Natal aprovou por unanimidade nesta terça-feira, 26 de agosto, a Lei Juliana Soares, que estabelece a obrigatoriedade de instalação de câmeras de videomonitoramento nas áreas comuns de condomínios residenciais com dez ou mais unidades habitacionais. A lei recebeu este nome em homenagem a Juliana Soares, vítima de uma grave tentativa de feminicídio ocorrida em um elevador na capital potiguar.

    O projeto de lei 511/2025, de autoria da vereadora Samanda Alves (PT), foi aprovado com os votos favoráveis dos 24 parlamentares presentes. A proposta determina que as câmeras devem ser instaladas em elevadores, corredores, halls de entrada, portarias e outras áreas comuns como academias e salões de festa. As imagens captadas deverão ser armazenadas por um período mínimo de trinta dias e disponibilizadas às autoridades quando solicitadas.

    A vereadora Samanda Alves destacou que a aprovação ocorreu exatamente um mês após o ataque sofrido por Juliana Soares no bairro de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal. Ela enfatizou que a presença de câmeras foi fundamental para a prisão imediata do agressor e para o socorro rápido à vítima, demonstrando como essa medida pode salvar vidas e auxiliar na prevenção e combate à violência doméstica e de gênero.

    Na segunda-feira, 25 de agosto, Juliana Soares fez sua primeira aparição pública após o ocorrido na Câmara Municipal, onde recebeu a Comenda Maria da Penha durante sessão solene em referência à campanha “Agosto Lilás”. Ainda em recuperação e com dificuldades para falar, ela agradeceu a rede de apoio que recebeu e destacou a importância do acolhimento social às mulheres em situação de violência.

    Além deste projeto, outros três foram aprovados em regime de urgência em alusão ao Agosto Lilás. Dentre eles está o projeto do vereador Tércio Tinoco (União Brasil), que institui a Política Municipal do Cuidado, com coautoria da vereadora Brisa Bracchi (PT). Também foram aprovados o PL 173/2025, da vereadora Thabatta Pimenta (PSOL), que cria o programa “Cuidando de Quem Cuida”, e o PL 497/2025, da vereadora Anne Lagartixa (SD), que institui o “Selo Academia Segura para Mulheres” em Natal.

    O caso que inspirou a lei ocorreu em 26 de julho, quando Juliana Soares foi agredida violentamente pelo ex-namorado no elevador de seu condomínio. As imagens de segurança registraram o momento em que ela recebeu 61 socos no rosto em menos de um minuto. O porteiro do condomínio, ao ver as imagens, acionou imediatamente a Polícia Militar. O agressor foi contido por moradores até a chegada das autoridades e permanece preso. Juliana sofreu fraturas faciais, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão, sendo atendida no Hospital Walfredo Gurgel.


  • Curso gratuito abre 500 vagas para jovens do RN em busca do primeiro emprego; veja como participar

    O projeto Coletivo Jovem está oferecendo 500 vagas para uma capacitação online e totalmente gratuita destinada a jovens potiguares que buscam preparação para ingressar no mercado de trabalho. A iniciativa é voltada especificamente para pessoas com idades entre 16 e 25 anos que estejam cursando ou já tenham concluído o ensino médio.

    Com conteúdo focado na preparação para o ambiente profissional, o curso aborda temas essenciais como planejamento de carreira, educação financeira básica, técnicas para elaboração de currículo e orientações para processos seletivos e entrevistas de emprego. As aulas são realizadas integralmente online, podendo ser acessadas através de WhatsApp, plataforma digital ou aplicativo disponível para sistemas Android e IOS.

    As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas através do site oficial do projeto (clique AQUI). O Coletivo Jovem já formou mais de 12 mil jovens no estado do Rio Grande do Norte, consolidando-se como uma importante iniciativa de capacitação e inserção profissional para essa faixa etária.


  • Israel matou mais jornalistas que qualquer guerra da história mundial

    A Força de Defesa de Israel (FDI) assassinou, em menos de dois anos, mais jornalistas e profissionais de mídia do que qualquer guerra da história mundial. O Sindicato de Jornalistas Palestinos estima que 246 profissionais foram assassinados desde o dia 7 de outubro de 2023. 

    Esse número representa mais mortes que a soma de outros sete importantes conflitos: as 1ª e 2ª guerras mundiais, a Guerra Civil Americana, a da Síria, do Vietnã (incluindo os conflitos no Camboja e no Laos), além das guerras na Iugoslávia e na Ucrânia.

    Os dados dos jornalistas mortos nos demais conflitos são do Memorial Freedom Forum que reúne os nomes dos profissionais assassinados em conflitos armados ao longo da história, com exceção do conflito da Ucrânia, que foi calculado pelo Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ).  

    Arte Jornalistas mortos em guerras
    Imagem: Arte EBC

    Uma pesquisa da Universidade de Brown, nos Estados Unidos (EUA), concluiu que a guerra em Gaza “é, simplesmente, o pior conflito de todos os tempos para repórteres”. 

    Para entidades de classe que representam os jornalistas ao redor do mundo, Israel promove ataques deliberados para impedir a cobertura da guerra na Faixa de Gaza, o que o governo de Benajmin Netanyahu nega.

    “Israel está se engajando no esforço mais mortal e deliberado para matar e silenciar jornalistas, já documentado pelo CPJ. Jornalistas palestinos estão sendo ameaçados, diretamente alvejados e assassinados pelas forças israelenses, além de serem arbitrariamente detidos e torturados em retaliação ao seu trabalho”, diz o CPJ.

    Israel ainda proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza sem escolta e controle dos militares do país, o que dificulta ainda mais o acesso à informação, pela população global, sobre o que acontece no território palestino ocupado.

    Imprensa palestina

    Apenas no segundo mês da guerra, ainda em 2023, 37 jornalistas foram assassinados na Faixa de Gaza. “O Exército israelense matou mais jornalistas em dez semanas do que qualquer outro Exército em um único ano”, disse Sherif Mansour, coordenador do CPJ.

    O Sindicato dos Jornalistas Palestinos informou ainda que 520 jornalistas foram feridos por balas ou mísseis israelenses e 800 familiares de profissionais de mídia foram mortos. Outros 206 jornalistas palestinos foram presos por Israel desde outubro de 2023, sendo que 55 continuam nas prisões – 23 em prisão administrativa, modalidade de detenção que pode ser realizada sem acusação formal.

    “Ataques aéreos e ataques com tanques destruíram 115 veículos de comunicação na Faixa de Gaza, abrangendo todos os tipos de veículos. Na Cisjordânia e em Jerusalém, fecharam cinco veículos de comunicação e destruíram ou fecharam 12 gráficas”, acrescentou o sindicato local de jornalistas.

    Israel nega que ataque deliberadamente civis no conflito, o que inclui os jornalistas, além de justificar alguns assassinatos ao vincular os jornalistas com a organização Hamas, acusações questionadas por entidades profissionais e de direitos humanos.

    Em entrevista exclusiva à Agência Brasil em fevereiro de 2024, o então chefe local da Al Jazerra em Gaza, Wael Al-Dahdouh, que perdeu a esposa, três filhos e um neto em bombardeios israelenses, descreveu o trabalho jornalístico na região como o mais mortal para a profissão de que se tem registro na história humana. 

    A demonstrator holds a poster featuring Reuters journalist Hussam al-Masri, Mohammed Salama, who worked for Qatar-based broadcaster Al Jazeera, Moaz Abu Taha, a freelance journalist who worked with several news organizations and occasionally contributed to Reuters, Mariam Abu Dagga, who freelanced for the Associated Press and other outlets, and Ahmed Abu Aziz, who were all killed in Israeli strikes on Nasser hospital in the southern Gaza Strip, during a protest in solidarity with journalists in Gaza, in Sidon, Lebanon, August 27, 2025. REUTERS/Aziz Taher
    O Sindicato de Jornalistas Palestinos estima que 246 jornalistas foram assassinados desde o dia 7 de outubro de 2023. Foto: Reuters/Aziz Taher/Proibida reprodução

    Ataque ao Hospital Nasser

    Em episódio recorrente da guerra em Gaza, o vídeo do segundo bombardeio, no mesmo dia, ao Hospital Nasser chocou o mundo na última segunda-feira (25). Dessa vez, Israel bombardeou o hospital na cidade de Khan Yunes enquanto jornalistas registravam o resultado de um ataque feito minutos antes. 

    O ataque matou também a equipe de socorristas, chegando a 20 pessoas mortas, incluindo cinco jornalistas, sendo eles: um contratado da Reuters, Hussam Al-Masri; o operador de câmera da Al Jazeera, Mohammed Salama; a fotojornalista freelancer do Independent Arabia e da Associated Press, Mariam Abu Dagga; e os jornalistas freelancers Ahmed Abu Aziz e Moaz Abu Taha, segundo informou a CPJ.

    Em nota, a FDI destacou que não alveja civis intencionalmente. O porta-voz do Exército acusou o Hamas de usar o Hospital Nasser para suas operações, o que é negado pela organização palestina, e disse que uma investigação foi aberta para apurar o ocorrido.

    “O Chefe do Estado-Maior Geral instruiu que um inquérito seja conduzido imediatamente — para entender as circunstâncias do que aconteceu e como ocorreu. Reportar de uma zona de guerra ativa traz imenso risco. Como sempre, apresentaremos nossas descobertas com a maior transparência possível”, disse o porta-voz da FDI Effie Defrin.

    A organização Monitor Euro-Mediterrâneo de Direitos Humanos, com sede em Genebra, na Suíça, sugere que os ataques de “tiro duplo”, como esse ao hospital de Khan Yunes, é praticado para atingir paramédicos, defesa civil e jornalistas.

    “Essa prática transforma locais de resgate e a cobertura da mídia em armadilhas mortais, refletindo claramente a intenção premeditada de paralisar os esforços de socorro, silenciar testemunhas, destruir provas e privar civis de proteção”, destacou a organização

    Anas al-Sharif

    Em outros casos, Israel acusa jornalistas de trabalharem para o Hamas, justificando os assassinatos de profissionais ligados a grandes veículos de comunicação. Em outubro de 2024, seis profissionais da rede Al Jazeera, do Catar, foram acusados de serem do Hamas e da Jihad Islâmica.

    No dia 10 de agosto, o correspondente dessa TV árabe Anas al-Sharif foi assassinado em uma tenda com outros colegas em frente ao Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza.

    Em mensagem escrita em abril para quando fosse morto, al-Sharif disse que “viveu a dor em os seus detalhes”. 

    “Apesar disso, nunca hesitei em transmitir a verdade como ela é, sem distorção ou deturpação, esperando que Deus testemunhasse aqueles que permaneceram em silêncio, aqueles que aceitaram nossa matança e aqueles que sufocaram nossas próprias respirações”, disse ele na mensagem divulgada após a morte.

    Em comunicado, o Exército israelense disse que o profissional “era chefe de uma célula terrorista na organização Hamas e responsável por lançar ataques com foguetes”.

    A Al Jazeera repudiou a acusação e destacou que Israel tenta impedir a divulgação dos acontecimentos do conflito. “Anas e seus colegas estavam entre as últimas vozes remanescentes de Gaza, oferecendo ao mundo cobertura in loco e sem filtros das realidades devastadoras sofridas por seu povo”, disse a emissora em comunicado institucional.

    A organização Monitor Euro-Mediterrâneo de Direitos Humanos questionou a justificativa de que o profissional integrava o Hamas, uma vez que todos conheciam seu trabalho na imprensa.

    “Atacar jornalistas nessas circunstâncias, com pleno conhecimento de seu papel e identificação clara, reflete um esforço sistemático para remover todos os meios de expor crimes, abrindo caminho para massacres mais amplos, isolados do escrutínio global”, disse a organização

    Fome

    Outro desafio vivido pelos jornalistas que tentam cobrir a guerra em Gaza é a dificuldade para acessar alimentos, devido ao bloqueio israelense do território e a distribuição de comida limitada por organizações controladas pelos Estados Unidos e por Israel.

    Em julho deste ano, algumas das maiores agências de notícias do mundo, como a France-Presse (AFP), a Associated Press, a BBC News e a Reuters, disseram estar “desesperadamente preocupadas” com os jornalistas em Gaza após alertas de fome generalizada.

    “[Nossos jornalistas] estão cada vez mais incapazes de alimentar a si mesmo e suas famílias”, disseram os meios de comunicação em rara declaração conjunta.

    Sociedade de Jornalistas da AFP destacou que, desde que a agência foi fundada, em 1994, perdeu jornalistas em conflitos. “Alguns ficaram feridos, outros foram feitos prisioneiros. Mas nenhum de nós se lembra de ter visto colegas morrerem de fome”.

    O governo de Israel tem, repetidamente, negado que haja fome na Faixa de Gaza e alega que a Fundação Humanitária tem distribuído alimentos à população. A informação de Tel Aviv contraria diversas evidências que mostram o contrário, como as imagens de homens, mulheres e crianças famélicas e os relatos e relatórios de organizações que ainda atuam no enclave palestino, incluindo representantes das Nações Unidas.


  • Medo e Delírio e a Emoção de Uma Leitura Atemporal

    O livro Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas: A Savage Journey to the Heart of the American Dream), de Hunter S. Thompson, é uma obra-prima que atravessa gerações. Mais do que narrativa, é uma experiência imersiva no chamado “jornalismo gonzo”, estilo criado por Thompson que mistura reportagem com subjetividade, realidade com delírio.

    A trama acompanha Raoul Duke (alter ego do autor) e seu advogado, Dr. Gonzo, em uma viagem a Las Vegas: primeiro para cobrir uma corrida de motos, depois uma conferência sobre narcóticos. O que se desenrola, porém, vai muito além da pauta jornalística: uma espiral de alucinações, paranoia e uma busca desesperada pelo “Sonho Americano”. A prosa de Thompson é uma tempestade de palavras, um caos controlado que espelha tanto a mente enlouquecida do protagonista quanto a própria desordem de seu tempo.

    Ler este livro, escrito um ano antes do meu nascimento, foi como abrir uma cápsula do tempo. Um artefato que carrega não apenas os excessos de uma época, mas sobretudo a desilusão de uma geração. Thompson transforma experiências pessoais em reflexão universal, expondo o fracasso dos ideais dos anos 60. O resultado é uma narrativa atemporal: não apenas sobre drogas ou Las Vegas, mas sobre a perda de um horizonte, sobre a melancolia escondida sob o riso e o caos.

    A cada página, senti uma ponte com o passado. O desespero, a ironia e a intensidade do texto ressoaram de forma surpreendentemente atual, como se as angústias de então ainda ecoassem em nosso presente. Esse diálogo entre épocas é o que torna a leitura tão poderosa: a constatação de que os sonhos e desilusões de uma geração podem ser compreendidos, revisitados e sentidos por outra, mesmo décadas depois.

    Medo e Delírio é um livro que desafia convenções, exige entrega e mente aberta para se deixar conduzir por sua loucura. Minha leitura oscilou entre gargalhadas e reflexões profundas, entre o absurdo e a revelação. É um clássico que permanece vivo, um retrato cru e honesto das frustrações de uma era e, paradoxalmente, das nossas também. O fato de ter sido escrito antes do meu nascimento acrescenta ainda mais força à experiência: como se a obra tivesse me aguardado, pronta para me contar sua história e me incluir em sua jornada atemporal.





Jesus de Ritinha de Miúdo





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