Jesus de Ritinha de Miúdo

  • Governo cede prédio histórico para Casa de Cultura em Acari

    Há anos, artistas, músicos, dançarinos, escritores e artesãos de Acari sonhavam com um espaço próprio para criar, ensaiar, ensinar e compartilhar suas expressões com a cidade. A cada evento, a cada oficina improvisada em salões cedidos temporariamente, crescia o desejo por um lugar fixo onde a cultura pudesse florescer sem a incerteza de ter que buscar um novo endereço. Nesta terça-feira (18), esse desejo começou a se tornar realidade.

    Atendendo a uma reivindicação da população, da sociedade civil e de agentes culturais, a governadora Fátima Bezerra anunciou a cessão do prédio onde funcionou a Escola Estadual Tomaz de Araújo para a Fundação José Augusto (FJA). O imóvel, que por décadas abrigou o aprendizado formal, agora será um ponto de encontro da arte e da memória local, integrando a rede de Casas de Cultura Popular do Rio Grande do Norte.

    “Este prédio tem um valor imensurável para Acari, para o Seridó e para o nosso estado. Aqui, muitas gerações foram alfabetizadas e formadas. Agora, ele inicia um novo ciclo, sem perder sua essência educativa, mas expandindo seu papel para acolher e fortalecer a cultura do nosso povo. O Rio Grande do Norte tem uma identidade cultural muito rica, e garantir espaços como este significa preservar nossa história e fomentar o talento da nossa gente”, destacou a chefe do executivo estadual.

    A escola, que funcionou até 2017 e marcou gerações de acarienses, terá seu prédio de 83 anos restaurado. A cessão oficial foi assinada durante uma solenidade no local, marcada por discursos emocionados e pelo resgate de memórias que se entrelaçam com a própria história de Acari.

    O prefeito de Acari, Fernando Bezerra, destacou como marca da conquista anunciada o diálogo, lembrando que desde a primeira reunião que teve com a governadora Fátima Bezerra, em 2021, as portas sempre estiveram abertas para que o projeto se tornasse realidade. “Agora, a prefeitura, que desde o início sempre esteve presente, está disponível para colaborar com o Governo do Estado, com a Fundação José Augusto, na concretização dos passos seguintes na direção da execução e do funcionamento do projeto Casa de Cultura – Grupo Escolar Tomaz de Araújo”.

    Entre os presentes, a atriz Titina Medeiros, natural de Acari, relembrou sua ligação com a Escola Tomaz de Araújo, onde estudou os primeiros anos do ensino fundamental e onde sua mãe, professora, lecionou por mais de duas décadas. Emocionada, Titina compartilhou como aquele espaço influenciou sua trajetória artística.

    “Eu me alfabetizei aqui. Estudei a primeira, a segunda e a terceira série nessa escola, sempre na mesma sala, que era dividida por um tapume. Era um espaço simples, mas cheio de significado. E, por ironia do destino, me alfabetizei justamente em uma escola que tinha um palco. A gente utilizava esse palco, e eu lembro que minha professora, Verinha, fazia atividades com a turma ali. As cadeiras ficavam dispostas e subíamos no palco para exercícios. Talvez tenha sido ali que começou minha relação com as artes cênicas, ainda sem que eu soubesse”, recorda.

    Grupo Escolar Tomaz de Araújo é uma das mais antigas escolas do Seridó. - Foto: Raiane Miranda

    Uma história de luta e superação

    A transformação da antiga escola em Casa de Cultura ressoa na trajetória de tantas vidas que passaram por suas salas. Uma dessas histórias é a de Francisca Pires Calvão, conhecida como Chiquinha Pires. Sua filha, Joana Dark Pires, emocionou os presentes ao compartilhar um relato que atravessa gerações.

    Na década de 1950, Chiquinha morava na zona rural e desejava estudar no Grupo Escolar Tomaz de Araújo. Mas havia um obstáculo: seu pai só permitiria que ela fosse para a cidade caso o barreiro de sua terra — onde a barragem Gargalheiras ainda estava em construção — enchesse de água.

    Movida pela esperança, a menina fez uma promessa. Ajoelhou-se ao meio-dia, sob o sol quente, e pediu que as chuvas viessem. Quando o barreiro encheu, o pai ainda hesitou, mas Chiquinha insistiu e chegou à escola com as aulas já iniciadas. Apesar do atraso, terminou o ano com a segunda melhor nota da turma.

    “Eu cresci ouvindo essa história. Minha mãe sempre sonhou com a educação, pois, naquela época, muitas mulheres da família não podiam frequentar a escola. Esse sonho dela me motivou. Também saí da zona rural para estudar no Tomaz de Araújo e, anos depois, me tornei médica veterinária. O Seridó é tudo para mim, é onde cresci, vivi e construí minha história”, disse Joana Dark.

    Agora, o prédio que um dia simbolizou o esforço de Chiquinha e de tantos outros estudantes passará a abrigar um novo tipo de aprendizado: aquele que fortalece a cultura e a identidade do povo acariense.

    Um espaço para a cultura florescer

    Para Regina Célia de Oliveira Pereira, presidenta da Associação Criativa de Artesãos de Acari, a Casa de Cultura será fundamental para os fazedores de cultura da cidade.

    “A importância de ter esse espaço é enorme, tanto para o pessoal que faz apresentações e participa dos grupos culturais quanto para nós, da associação. Estávamos num impasse, sem um local fixo para expor nosso trabalho e realizar os cursos para as artesãs. Agora, teremos um espaço próprio e não precisaremos mais nos preocupar em procurar outro lugar”, afirma.

    A Secretaria de Educação do Estado (SEEC) fará uma intervenção inicial para viabilizar o uso do prédio. “Essa é uma das mais antigas escolas do Seridó. Já funcionou a todo vapor, mas, com a chegada de outras instituições de ensino, como escolas estaduais e institutos federais, foi gradativamente esvaziada. Hoje, temos essa belíssima estrutura, que será preservada. Toda a sua arquitetura original será mantida, passando apenas por adaptações para sua nova função”, ressaltou a secretária estadual de Educação, Socorro Batista.

    A restauração completa será realizada pela FJA, em parceria com o Ministério da Cultura, mas ainda não há um projeto definido nem valores estimados para a obra. A previsão é que a Casa de Cultura de Acari inicie suas atividades no segundo semestre deste ano.

    Para Gilson Matias, presidente da Fundação José Augusto, a inauguração de mais uma Casa de Cultura representa um avanço para a cultura potiguar.

    “Que notícia incrível sobre a nova Casa de Cultura na região do Seridó! É maravilhoso ver como artistas e produtores culturais se mobilizaram para transformar uma escola desativada em um espaço dedicado à celebração e promoção da cultura local. A parceria entre o governo, a Secretaria de Educação e a comunidade é fundamental para que essa iniciativa ganhe vida e se torne um ponto de encontro vibrante para todos os fazedores de cultura. A pedra fundamental é um marco simbólico, e é animador saber que a Casa de Cultura abrirá espaço para diálogos e colaborações com diversos grupos”, pontua.

    Casas de Cultura Popular no RN

    Criadas em 2003, as Casas de Cultura Popular têm o objetivo de descentralizar e democratizar o acesso às atividades culturais no estado. Instaladas em casarões históricos, antigas estações de trem e outros prédios de valor arquitetônico, as unidades funcionam como polos de difusão da cultura local. Atualmente, cerca de 50 equipamentos e grupos artísticos são gerenciados pela Fundação José Augusto.

    Com apoio de prefeituras, organizações não governamentais, artistas e agentes culturais, as Casas de Cultura se consolidaram como espaços de integração entre sociedade civil, poder público e mercado cultural.

    Investimentos na recuperação das Casas de Cultura

    O Governo do RN foi contemplado pelo edital Resgatando a História, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para recuperar espaços culturais no estado. O projeto destina R$ 11,2 milhões para reforma de 14 Casas de Cultura Popular, incluindo a renovação de auditórios e aquisição de equipamentos.

    Os recursos vêm de patrocínios do BNDES e do Instituto Neoenergia, além de contrapartida do Governo do Estado. Entre as unidades beneficiadas estão as Casas de Cultura de Alexandria, Cruzeta, Currais Novos, Florânia, Grossos, Janduís, Jardim do Seridó, João Câmara, Lajes, Macaíba, Parelhas, São José de Campestre, Umarizal e Viçosa.

    A reforma da Casa de Cultura de Acari será realizada dentro dessa política de preservação e incentivo à cultura potiguar, fortalecendo a identidade e a memória da região.


  • Cinco anos da pandemia: profissionais do setor funerário relembram desafios e aprendizados

    Profissionais do Morada da Paz refletem sobre as mudanças no trabalho, desafios emocionais e o impacto da alta demanda durante a pandemia

    Há cinco anos, o Brasil registrava a primeira morte por Covid-19, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarava oficialmente a pandemia causada pelo coronavírus (Sars-CoV-2). No Rio Grande do Norte, foram registrados 582,6 mil casos da doença, resultando em 8.689 óbitos entre 2020 e 2022, segundo dados do Ministério da Saúde.

    O setor funerário esteve entre os mais impactados pela pandemia, enfrentando uma demanda sem precedentes enquanto se adequava a rigorosos protocolos sanitários.

    No cemitério, funerária e crematório Morada da Paz, referência no segmento, os desafios foram imensos, exigindo adaptações para garantir que o suporte às famílias enlutadas continuasse sendo prestado com acolhimento, segurança e dignidade.

    Mudanças, adaptações e desafios

    Para lidar com a alta demanda e prestar atendimento humanizado, foram adotadas diversas medidas, como reestruturação do estoque de insumos, treinamento das equipes para seguir as normas sanitárias e adaptação das cerimônias para respeitar as restrições. Além disso, o Morada da Paz promoveu lives e webinares sobre o luto, auxiliando colaboradores e famílias a enfrentarem esse momento.

    A gerente de Cuidado ao Cliente no Morada da Paz, Mariana Cedraz, relembra os desafios enfrentados no início da crise. “Começamos a perceber um crescimento acelerado no número de mortes. Estávamos tão focados em atender as famílias que passamos dias e noites desenvolvendo soluções para viabilizar o atendimento remoto. O setor funerário é burocrático e informatizar processos foi essencial para garantir um serviço eficiente em meio à alta demanda”, conta.

    Além dos desafios operacionais, a equipe enfrentou forte desgaste psicológico. “Houve momentos em que atendemos um óbito pela manhã e, horas depois, recebíamos um pedido para adiar o seputamento porque outro membro da família havia falecido. Isso gerou um impacto emocional enorme na equipe, que precisou lidar com o medo da contaminação e, ao mesmo tempo, oferecer acolhimento às famílias em luto”, destaca Mariana.

    Acolhimento e novas formas de despedida

    Lucineide Bento da Silva, cerimonialista no Morada da Paz, relembra que a pandemia exigiu uma nova abordagem no acolhimento das famílias. “Foi um período de muitas incertezas, medo e tristeza.
    Precisamos reorganizar a equipe para garantir um atendimento respeitoso e seguro, sem perder a essência do nosso trabalho: honrar a memória de quem partiu com segurança para todos e, em especial, oferecer conforto a quem ficou”, explica.

    Com as restrições sanitárias impedindo velórios tradicionais, o Morada da Paz adaptou o ambiente das cerimônias para tornar as despedidas mais personalizadas. Foram criadas
    homenagens simbólicas, utilizando porta-retratos, banners, flores e mensagens personalizadas para tornar os momentos de despedida mais acolhedor, mesmo com a limitação do contato físico que limitava até mesmo um abraço nos enlutados.

    “Um dos primeiros sepultamentos que realizamos foi de um médico. Saber que aquela pessoa, que dedicou sua vida a cuidar e salvar outras, havia partido foi muito impactante. Nos unimos para organizar uma despedida que realmente honrasse sua memória. Criamos um ambiente especial, reunimos fotos, flores e fizemos uma homenagem com um texto emocionante. Até hoje me emociono só de lembrar”, compartilha Lucineide.

    O impacto emocional e suporte psicológico

    O impacto emocional da pandemia também exigiu um olhar especial para a saúde mental dos profissionais do setor funerário. O Serviço de Psicologia do Luto, que já era oferecido aos colaboradores antes da pandemia, foi ampliado para atender a crescente demanda emocional da equipe.

    Mariana conta que houve momentos em que se perguntou como seria passar por tudo aquilo. E o medo de levar o vírus para casa era constante. “A pressão era enorme: além da preocupação com minha família, meu trabalho exigia que eu estivesse presente, lidando diretamente com pessoas em luto. Foi nesse período que comecei o acompanhamento psicológico, pois a sobrecarga emocional de gerir uma equipe e enfrentar tantos desafios”.
    Cinco anos depois: reflexões e aprendizados

    Hoje, cinco anos após o início da pandemia, Mariana e Lucineide seguem atuando no acolhimento às famílias e compartilham suas reflexões sobre o período.

    “Viver esse período me fez refletir sobre a importância do meu trabalho ao longo desses 20 anos, especialmente nos momentos de dor e saudade das famílias enlutadas. Mais do que uma profissão, é uma missão que reafirma, todos os dias, que na era da inteligência artificial, a presença humana é insubstituível”, destaca Lucineide.

    Para Mariana, a pandemia mudou sua perspectiva sobre a vida e a morte. “A morte pode chegar para qualquer um, a qualquer momento, sem aviso. Isso me fez perceber a importância de viver e amar no presente. Antes, eu priorizava o trabalho, estendia jornadas, trabalhava nos finais de semana. Hoje, busco estar mais presente para minha família. Quero viver cada momento com intensidade”, conclui.


  • Homem sofre tentativa de homicídio em Apodi

    Na tarde desta segunda-feira (17), um homem, identificado como Francisco Hélio de Lima Cristino, de 30 anos, foi atendido no Hospital Regional Hélio Morais Marinho, em Apodi, no médio oeste, após sofrer uma tentativa de homicídio.

    A vítima foi socorrida por pessoas que estavam próximas ao local do crime, no bairro Bico Torto, e encaminhada a unidade hospitalar.

    A Polícia Militar e a Delegacia de Polícia Civil foram acionadas ao local. Após o atendimento no hospital do município, o Grupo Tático Operacional (GTO) acompanhou a transferência da vítima, numa ambulância, para o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, onde está recebendo atendimento especializado.

    Segundo a polícia, Francisco Hélio não possui antecedentes criminais. Os agentes ainda não têm informações sobre as circunstâncias da tentativa de homicídio, nem sobre os possíveis suspeitos. O caso será investigado pela Polícia Civil.


  • Contas de luz atrasadas podem ser negociadas com condições especiais em mutirão do Procon RN

    Até a próxima sexta-feira (21), os clientes da Neoenergia Cosern terão a oportunidade de negociar dívidas com condições especiais.

    A distribuidora participa do mutirão “Volta por Cima”, em parceria com a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte, Procon Legislativo, Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio RN) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Natal. 

    Os atendimentos começam nesta terça-feira (18) na Uninassau da Av. Eng. Roberto Freire, das 10h às 15h. Na quinta-feira (20) e sexta-feira (21) ocorrem das 10h às 15h, no Partage Norte Shopping, na Av. Dr. João Medeiros Filho, na zona Norte de Natal.

    De acordo com Ângela Barreto, gerente de Gestão da Receita da Neoenergia Cosern, a iniciativa é importante para oferecer mais uma alternativa de renegociação para os clientes que precisam colocar as faturas de energia em dia. “Em nossas Lojas de Atendimento e nos canais digitais, oferecemos muitas possibilidades de negociação de dívidas ao longo de todo o ano. Essa iniciativa em conjunto com o Procon RN amplia ainda mais essas possibilidades justamente no mês no qual comemorarmos o Dia do Consumidor”, ressalta.

    Os mutirões promovidos pelo Procon RN têm histórico comprovado de efetividade. Eles registram índices de resolutividade superiores a 80%, evidenciando o compromisso do Procon RN em auxiliar a população na retomada da estabilidade financeira.

    Segundo a coordenadora geral do Procon RN, Ana Paula Araújo, o programa “Volta por Cima” surge como uma oportunidade valiosa para que mais famílias regularizem sua situação financeira, recuperem o crédito no mercado e voltem a ter tranquilidade nas suas finanças. “A expectativa é de que, mais uma vez, o mutirão alcance resultados expressivos e contribua para a melhoria da qualidade de vida dos consumidores potiguares”, afirma.

    Além de oferecer condições especiais para renegociação de débitos, o “Volta por Cima” contará com palestras educativas abordando temas como Pink Tax, Microempreendedor Individual (MEI), finanças pessoais e orientações sobre como administrar dívidas de forma responsável.

    Redução da inadimplência

    Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam queda significativa nos índices de endividamento e inadimplência em Natal.

    Em janeiro deste ano, 85% das famílias natalenses estavam endividadas — uma redução em relação aos 89,2% registrados no mesmo mês de 2024.

    A inadimplência também recuou, passando de 56,2% para 40,2%, o que representa cerca de 9,9 mil famílias a menos com contas em atraso. Entre os principais tipos de dívida estão o cartão de crédito (85,7%), carnês (19,3%) e cheque especial (12,7%). Quanto ao tempo de inadimplência, 31,5% dos endividados têm débitos há mais de um ano.


  • Motociclista bate em idosa em Mossoró

    Na manhã desta terça-feira (18), um atropelamento foi registrado na Avenida Rio Branco, nas redondezas do centro de Mossoró.

    A condutora de uma moto Honda Biz, identificada como Divania Fernandes de Morais, seguia em direção ao centro com sua filha na garupa, quando uma idosa que estava fazendo caminhada atravessou a avenida. A motorista freou mas não conseguiu impedir a batida.

    A idosa, identificada como Olímpia Sabino, de 77 anos, sofreu um pequeno trauma na cabeça com sangramento. A motociclista teve escoriações leves, sem fraturas aparentes. As duas foram encaminhadas pelo SAMU ao Hospital Regional Tarcísio Maia.

    Agentes de trânsito municipal estiveram no local para controlar o tráfego.


  • Léo Souza diz que espelhos d’água na engorda são normais e que natalense precisa se acostumar; Brisa rebate

    A sessão da Câmara Municipal de Natal desta segunda-feira, 18 de março, trouxe à tona a divergência sobre os espelhos d’água formados na engorda de Ponta Negra. O vereador Léo Souza, do Republicanos, defendeu que a formação de espelhos d’água é uma consequência natural da obra e que os natalenses precisam se adaptar a essa nova realidade na área.

    Os espelhos d’água são uma característica prevista, a água vai continuar se formando devido às condições do local. A população tem que entender que isso é normal. Outros lugares, como a Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, também enfrentam essa situação”, destacou Léo Souza, que também mencionou que os dissipadores de água, instalados para reduzir a força das águas, estão funcionando conforme o planejado.

    Porém, a vereadora Brisa Brachi, do PT, discordou veementemente da postura do colega e rebateu as declarações. Para ela, a situação é insustentável e prejudica tanto os moradores quanto os turistas que frequentam a região.

    “Eu me nego a aceitar que a população tenha que se acostumar com esse cenário. A água não está limpa e a presença de ratos nas pedras de Ponta Negra é um problema real. Não podemos simplesmente afirmar que está tudo bem e que a população precisa aceitar isso”, afirmou Brisa, que também criticou a obra de drenagem, apontando que ela deveria ter sido feita paralelamente à engorda e não de forma subsequente, como ocorreu.

    A discussão entre os vereadores ilustra a divisão de opiniões sobre os impactos da obra de engorda de Ponta Negra. Enquanto Léo Souza acredita que a adaptação à nova realidade é necessária, Brisa Brachi defende uma abordagem mais crítica e a busca por soluções que melhorem as condições de limpeza e segurança da área.


  • Ufersa conquista 17ª Patente com dispositivo para pessoas com deficiência visual

    A Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) comemora mais um avanço na inovação tecnológica com a conquista de sua 17ª patente.

    O invento, denominado Crachá Tech V2, é um aparelho de detecção de obstáculos e superfícies, voltado para auxiliar a mobilidade de pessoas com deficiência visual. O dispositivo não substitui a tradicional bengala, mas a complementa, oferecendo mais segurança e conforto no deslocamento.

    O projeto teve origem dentro da sala de aula, no campus da Ufersa de Pau dos Ferros, como parte de um desafio lançado pelo professor Anderson Queiroz Lemos na disciplina de Administração e Empreendedorismo. “Eu incentivo os alunos a pensar de forma empreendedora, buscando soluções inovadoras para problemas reais. O Crachá Tech V2 nasceu desse processo, aplicando uma tecnologia já existente em um novo contexto”, explica o professor.

    A tecnologia utilizada no aparelho é inspirada nos sensores ultrassônicos presentes em automóveis, que detectam obstáculos ao manobrar. O mesmo princípio foi adaptado para um dispositivo que pode ser fixado ao corpo, emitindo alertas vibratórios ao identificar objetos no caminho ou mudanças na superfície do solo.

    O Grupo de Pesquisa Carcará, responsável pelo desenvolvimento do protótipo, é composto pelos professores Anderson Queiroz Lemos, Francisco Carlos Gurgel da Silva Segundo e José Wagner Cavalcanti Silva, além dos discentes Maria Fernanda Carvalho Duarte e Rômulo Joseilton Ferreira da Silva.

    A iniciativa contou com o suporte do Núcleo de Inovação Tecnológica da Ufersa (NIT/Ufersa), que viabilizou o pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

    O professor Anderson Queiroz ressalta a importância desse marco para a universidade e para a sociedade. “A espera pela patente durou dois anos, mas esse reconhecimento materializa o compromisso da universidade com ensino, pesquisa e extensão. A educação pública de qualidade gera impacto real e precisa ser valorizada. Nosso objetivo é tornar essa tecnologia acessível, promovendo inclusão e melhorando a qualidade de vida das pessoas com deficiência visual”.

    Os próximos passos incluem a realização de testes em institutos de cegos pelo Brasil, com o intuito de aperfeiçoar o produto antes da comercialização. “Pretendemos fazer doações para obter feedbacks e realizar ajustes. Nossa meta é que o Crachá Tech V2 chegue ao mercado a um custo acessível e, quem sabe, seja incorporado em políticas públicas para beneficiar um maior número de pessoas”, destaca o pesquisador.

    A conquista da patente reforça o papel da Ufersa como um polo de inovação, mesmo em um campus do interior, no Alto Oeste do Rio Grande do Norte.

    Para Anderson Queiroz, a localização geográfica não limita a produção do conhecimento. “Quando há investimento, disponibilidade e alunos engajados, conseguimos transpor a teoria para a prática, gerando inovação e impacto social. Esse é o verdadeiro papel da universidade”.

    Com o Crachá Tech V2, a Ufersa reafirma sua vocação para a pesquisa aplicada e sua contribuição para a inclusão social, abrindo caminho para novas descobertas e soluções tecnológicas que atendam às demandas da sociedade.


  • Papa Francisco pede o fim dos conflitos armados em carta escrita durante internação

    Internado há mais de quatro semanas no hospital Gemelli, em Roma, para tratar uma pneumonia, o papa Francisco fez um apelo pelo fim dos conflitos armados no mundo. Em uma carta publicada nesta terça-feira (18) pelo jornal italiano Il Corriere della Sera, o pontífice destacou a necessidade de desarmar as palavras e as mentes para promover a paz global.

    “Temos que desarmar as palavras, para desarmar as mentes e desarmar a Terra. Há uma grande necessidade de reflexão, de calma, de senso de complexidade”, escreveu o papa argentino de 88 anos. A carta, datada de 14 de março, reflete sobre a absurdidade da guerra, especialmente nos momentos de fragilidade humana.

    “A guerra parece ainda mais absurda (…) nos momentos de doença”, disse Francisco, que está hospitalizado desde 14 de fevereiro devido a uma pneumonia dupla. Ele ressaltou que a fragilidade humana pode tornar as pessoas mais lúcias sobre o que é essencial na vida, alertando que as armas devastam comunidades e o meio ambiente sem oferecer soluções reais para os conflitos.

    No texto, o pontífice também dirigiu uma mensagem aos jornalistas, pedindo responsabilidade no uso das palavras. “Nunca são apenas palavras: são fatos que estruturam os ambientes humanos. Podem unir ou dividir, servir à verdade ou abusar dela”, enfatizou.

    Francisco também destacou o papel das religiões na construção da paz e da justiça. Segundo ele, a espiritualidade dos povos pode reavivar o desejo de fraternidade e esperança, promovendo um futuro sem violência.

    Apesar de ter enfrentado uma fase crítica com crises respiratórias, o estado de saúde do papa melhorou e permanece estável. No entanto, o Vaticano ainda não informou quando ele poderá deixar o hospital.


  • Paradas programadas de abastecimento afetam parte de Natal e São Gonçalo do Amarante nesta terça (18)

    A partir das 19 horas desta terça-feira (18), a Caern inicia uma manutenção programada em Estação Elevatória de Água Tratada do Jiqui, em conjunto com uma limpeza de filtros, sendo necessário suspender o abastecimento dos seguintes bairros de Natal: Alecrim, Areia Preta, Cidade Alta, Barro Vermelho, Petrópolis, Pirangi, Praia do Meio, Rocas, Santos Reis e Tirol.

    O serviço deve ser concluído até o início da manhã da quarta-feira (19) e, em seguida, o sistema será religado, com normalização para todos os imóveis afetados em até três dias.

    ZONA NORTE E SÃO GONÇALO DO AMARANTE

    Na zona Norte da capital, a Caern realiza uma parada programada de água também na terça-feira (18) a partir das 8 horas da manhã, para executar melhorias no sistema de abastecimento, afetando quatro bairros da zona Norte: Nossa Senhora da Apresentação, Igapó, Salinas e Potengi (parcialmente) e ainda parte de São Gonçalo do Amarante (Jardim Lola, Amarante, Olho d’água dos carrilhos e Nova Zelândia).

    A previsão é de que o serviço seja concluído no mesmo dia, às 17 horas, e em seguida o sistema será religado, com normalização em até três dias.

    A Caern foi contemplada pelo Edital de Eficiência Energética da Neoenergia Cosern e as melhorias a serem executadas são: instalação de três registros de grande porte para instalação de um novo sistema de bombeamento.


  • TCE aponta irregularidades na licitação do transporte público de Natal

    O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) divulgou nesta segunda-feira (17) um relatório técnico com uma série de alertas e recomendações para o processo de licitação do transporte público coletivo urbano do município de Natal. O documento, elaborado pela Diretoria de Infraestrutura e Meio Ambiente, analisa o projeto de edital enviado pela Prefeitura em julho do ano passado e identifica diversas fragilidades.

    A Prefeitura havia condicionado o lançamento do edital à análise do TCE-RN. Agora, com o parecer da Corte em mãos, a gestão municipal afirmou que ainda avaliará o documento, que conta com 68 páginas. Entre os principais pontos levantados, destaca-se a previsão de um subsídio tarifário de R$ 60 milhões anuais, a ser custeado pela administração municipal, para cobrir a diferença entre a tarifa pública e a tarifa técnica. O TCE alerta que esse valor pode aumentar caso a demanda por passageiros não atinja o volume projetado, pressionando as finanças do município.

    Outro ponto sensível é a falta de alternativas ao modelo proposto, que prevê um contrato de concessão com prazo único de 20 anos. O relatório sugere a redução para 12 anos, levando em consideração o ciclo de vida útil dos ônibus e a necessidade de flexibilidade para acompanhar as transformações do setor. Além disso, o documento critica a ausência de planejamento para a transição energética, já que o edital prevê exclusivamente veículos a diesel, sem considerar a eletromobilidade, uma tendência crescente no Brasil.

    A integração intermodal também foi apontada como um ponto frágil no projeto. O TCE destaca a falta de estratégias para conectar o sistema de ônibus com o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o que poderia reduzir custos e aumentar a eficiência, especialmente no Lote Norte da concessão, que concentra a maior parte do subsídio previsto. Além disso, a baixa geração de receitas extratarifárias preocupa o Tribunal, uma vez que apenas 2% da remuneração prevista vem de fontes alternativas como publicidade e parcerias comerciais.

    O relatório também alerta para riscos fiscais futuros, incluindo crises orçamentárias que possam comprometer o pagamento dos subsídios, além da ausência de mecanismos de garantia financeira no contrato, o que pode prejudicar tanto a Prefeitura quanto os concessionários em momentos de instabilidade econômica.





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