Jesus de Ritinha de Miúdo
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Lucros, reajustes e alterações na dosimetria do poder; confira o que rolou na véspera do feriadão
As luzes da Redação de O Potengi começam a piscar, o café já está no fim da garrafa térmica e o barulho do trânsito na Hermes da Fonseca vai dando lugar ao silêncio da véspera de feriado. Fechamos o expediente desta quinta-feira, 30 de abril, com a sensação de que o tabuleiro potiguar se moveu em direções opostas: do avanço estrutural ao retrocesso da transparência.
Para a nossa seção Vazante, filtramos os quatro fatos que realmente definiram o dia no Rio Grande do Norte.
O apagão da transparência: emendas que não têm dono
O TCE-RN soltou um relatório indigesto: nenhum ente federado no estado cumpre as normas do STF para a transparência das emendas parlamentares. O monitoramento mostra que, por aqui, o dinheiro público ainda viaja por caminhos pouco iluminados, ignorando as exigências de rastreabilidade que a Suprema Corte impôs. No Rio Grande do Norte, a “caixa-preta” das emendas parlamentares resiste ao tempo e ao Direito. Na prática, o TCE revelou que prefeituras e órgãos estaduais ainda não se adequaram às regras de transparência do STF. O resultado é um labirinto onde o contribuinte sabe que pagou, mas não vê quem mandou.
A decolagem da Zurich no Aeroporto Internacional Aluizio Alves: R$ 50 Milhões na pista
André Lima, gerente do Aeroporto Internacional de Natal, celebrou os dois anos da gestão Zurich com números robustos: R$ 50 milhões investidos e um crescimento de 12% na movimentação. O terminal, que já foi motivo de incertezas jurídicas e relicitações dramáticas, parece finalmente ter encontrado o seu plano de voo, com aumento na malha aérea e melhoria nos indicadores de qualidade, o terminal de São Gonçalo do Amarante tenta apagar as memórias turbulentas da gestão anterior. Vamos torcer para que a qualidade se eleve, e que a Zurich demonstre que nosso aeroporto pode ser mais do que um belo galpão distante: pode ser, de fato, a nossa porta de entrada… e não apenas de saída.
Refinaria Clara Camarão anuncia reajuste da gasolina e o bolso do trabalhador fica mais pesado no seu feriado
A refinaria Clara Camarão, operada pela Brava Energia, anunciou um aumento salgado: a gasolina subiu R$ 0,25 e o diesel também acompanhou o ritmo. Com o litro da gasolina A passando de R$ 3,77 para R$ 4,02 na refinaria, o efeito cascata nos postos de Natal é inevitável e imediato. Essa alta deve chegar rapidamente às bombas. O reajuste ocorre justamente no momento em que o preço internacional do petróleo pressiona as refinarias privadas no Brasil. Presente de grego para o feriadão do trabalhador. É a privatização mostrando seu rosto pragmático, em que o lucro flutua com o dólar, mas o motorista potiguar afunda o pé no freio da economia doméstica.
Renascimento no Idema: primeiro concurso em 40 anos finalmente convoca aprovados
O Governo do RN iniciou hoje a convocação dos 180 aprovados no primeiro concurso público da história do Idema. O órgão, vital para o licenciamento ambiental e o desenvolvimento econômico, operava há décadas com um quadro defasado, contando agora com sangue novo para tentar destravar a burocracia ambiental. A medida promete dar celeridade a projetos represados e oxigenar uma estrutura técnica que sobrevivia à base de cargos temporários.
Governo perde na pauta da dosimetria, mas a derrota é principalmente de narrativa
O Congresso Nacional não apenas derrubou o veto de Lula ao projeto da dosimetria, como o fez com placares elásticos: 49 a 24 no Senado. A medida, que beneficia condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, é uma demonstração de força da oposição e do Centrão. Ao derrubar o veto à lei que recalcula penas para crimes contra o Estado, o Congresso sinalizou que a pauta de “pacificação” ou “revisão” do 8 de janeiro tem vida própria. Parece que Lula perdeu o controle da narrativa penal no parlamento. O que significa que a “dosimetria” do poder mudou. Enquanto o governo tenta manter o isolamento político da direita, o Congresso responde abrindo as celas legislativas. Foi menos uma discussão jurídica e mais um ensaio geral para 2026, onde os vetos presidenciais viraram papel de rascunho.
A seção Vazante se despede por aqui. O feriado chega com alertas de chuva e tanques mais caros, mas com a esperança de que, entre tretas legislativas e brigas de torcidas políticas, a gente aprenda a cuidar melhor do que é nosso.
Boa noite, bom feriado e até a próxima edição de O Potengi! O Expresso e o Vazante darão uma pausa no feriadão, mas as matérias seguem sendo atualizadas de acordo com os impactos do que rola por aí. O último a sair apaga a luz.
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Prefeitura de São Gonçalo articula ações para garantir o Selo UNICEF 2025-2028
Representantes de secretarias municipais de São Gonçalo do Amarante participam de reuniões para discutir as metas necessárias à habilitação do município ao Selo UNICEF.
O reconhecimento busca fortalecer e ampliar políticas públicas voltadas a crianças, adolescentes e povos indígenas, com foco em áreas como educação, saúde, proteção e participação social.
São representantes das pastas da Saúde, Educação, Esporte, Assistência Social e Cultura, além do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica) e do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca).
A convocação para os encontros são feitos pela comissão intersetorial, responsável por coordenar as iniciativas e alinhar as diretrizes para o cumprimento das metas estabelecidas.
Segundo a mobilizadora Ariane de Moura, o objetivo não é apenas criar novas iniciativas, mas mapear e monitorar, de forma rigorosa, o trabalho já desenvolvido pelas secretarias. “Queremos garantir que as crianças participem e tenham voz nesse processo”, afirmou.
“Com o Selo UNICEF, São Gonçalo recupera seu prestígio e fortalece as políticas públicas voltadas à infância e à juventude, além de povos originários e comunidades quilombolas”, destacou a articuladora municipal, Admskelly Rolim.
A partir de agora, com as metas definidas, a comissão iniciará a inserção das informações em plataforma do UNICEF, além da realização de reuniões periódicas para acompanhamento e avaliação dos resultados.
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Professores de Natal fazem paralisação de 24 horas por reajuste. Pausa na educação, e a política entra em cena. Estão no direito; quem ensina também negocia.
Leia o restante em Agora RN.
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Dívida pública brasileira atinge 80,1% do PIB, sendo o maior nível desde 2021. O Estado gasta, o mercado reage, e o cidadão… paga a conta silenciosamente.
Leia o restante em CNN Brasil
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Drones russos atingem Odessa e deixam feridos. Ataques contínuos expõem o impasse da guerra: ninguém vence, mas todos continuam jogando.
Leia o restante em CNN Brasil.
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Ataques de Israel deixam mortos no Líbano. É a nova escalada no conflito, com 9 mortos (incluindo crianças). Já não há limites, só mesmo a repetição trágica
Leia o restante em CNN Mundo (em inglês)
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Congresso analisa veto de Lula sobre redução de penas e a disputa política esquenta: veto pode beneficiar condenados por atos golpistas — e até Bolsonaro. É um jogo de forças pesadas.
Leia sobre isso em G1.
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“Apocalipse” de Medvedev e a queda de Messias no expediente; no RN, a conversa é sobre habitação e a terceira via
No estado, o dia é marcado pela tentativa da capital de equilibrar o bem-estar social com a saúde fiscal, enquanto as peças para a sucessão estadual começam a se mover no tabuleiro eleitoral. Já para além das fronteiras de Ponta Negra, o mundo lida com o fantasma da guerra e o Brasil encara uma derrota histórica no Legislativo que redesenha a relação entre os Poderes.
Dignidade sob o teto natalense
A Prefeitura do Natal anuncia a entrega de mais de mil moradias, focando na população em vulnerabilidade. É uma política habitacional que, além de reduzir o déficit, atua como um bálsamo social. Resta saber se o cimento das casas será forte o suficiente para sustentar também o capital político da gestão em ano decisivo.
O reajuste do funcionalismo: Trata-se de uma questão de contas ou contos?
O envio do projeto de reajuste de 4,44% para os servidores municipais à Câmara de Natal é o clássico exercício de equilibrismo fiscal. Retroativo a março, o índice tenta aplacar a fúria inflacionária sem implodir o orçamento. Para o servidor, é o “quase lá”; para a prefeitura, é a conta possível.
O “fator Allyson” e a tal da terceira via potiguar, liderada pelo interior
O apoio declarado do vereador Cláudio Custódio ao ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, sinaliza que a “fadiga da polarização” não é apenas um discurso, mas uma estratégia de migração. O interior avança sobre a capital, e o cenário para o Governo do Estado em 2026 ganha contornos de uma insurgência contra o tradicionalismo.
E não deu para o Messias: parece que outubro já é agora, e o Senado mostra os dentes
A rejeição de Jorge Messias para o STF — a primeira em 132 anos — é mais que um revés pessoal para o AGU; é um xeque-mate institucional no Planalto. O Senado deixou de ser um carimbador para se tornar um filtro ideológico. Lula sentiu o peso de um Congresso que não aceita mais apenas “indicações de confiança”. Veremos os próximos capítulos; trata-se de nova fase na República.
Alquimia chinesa: eletricidade sim, mas com fumaça zero
Enquanto o mundo queima, pesquisadores de Shenzhen criaram uma célula de combustível que converte carvão em energia sem combustão ou emissão de CO2. Se a tecnologia escalar, a China pode transformar o vilão do clima em herói da transição. É a ciência provando que, às vezes, o problema é o método, não o material.
O apocalipse como retórica: A ameaça de Medvedev
Dmitry Medvedev elevou o tom para o “apocalipse nuclear”, tratando o fim dos tempos como uma variável estatística real. Em Moscou, a paz é lida como um intervalo entre guerras mundiais. Se do lado do Trump reina a diplomacia do call center, ali nas hostes russas se sustenta a diplomacia do medo, onde a destruição mútua assegurada deixou de ser um conceito de Guerra Fria para virar um post diário.
Nota do editor: O expediente está aberto. Entre reajustes locais e ameaças globais, o segredo é manter o café quente e a análise fria. No Rio Grande do Norte, o cimento e o voto caminham juntos; no mundo, o petróleo e o átomo disputam quem dita o próximo século.
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O Acordo Mercosul-União Europeia (finalmente) entra em cena. E o Rio Grande do Norte com isso?
Agora está fechado: nesta sexta-feira, 1º de maio, entra em vigor o acordo que zera as tarifas de 80% das exportações brasileiras para a Europa. Para o Rio Grande do Norte, o maior exportador de frutas do país, o impacto é direto na balança comercial e no agronegócio de Mossoró ao Vale do Assu.. O Brasil ganha fôlego ao ver suas exportações desembarcarem no Velho Continente sem o peso dos impostos. É a promessa de um novo ciclo para o agro, se a logística brasileira não boicotar o próprio lucro. O que resta saber é se seremos parceiros de fato ou apenas o pomar predileto de um bloco que, entre um discurso ambiental e outro, não abre mão de proteger seus próprios agricultores. O livre mercado é lindo, até alguém mencionar subsídios.
O equilíbrio fino de Jorge Messias, entre a toga e o Senado
O advogado-geral da União enfrentou hoje a sabatina na CCJ para uma vaga no STF. Em um movimento milimetricamente calculado para seduzir a bancada conservadora, Messias declarou-se “totalmente contra o aborto” e pregou o “aperfeiçoamento” institucional da Corte, tentando suavizar a imagem de um Supremo que muitas vezes parece legislar. Ele soube vestir o figurino de magistrado técnico para acalmar os ânimos do Senado. Entre juras de amor à Constituição e acenos à pauta de costumes, o indicado de Lula buscou convencer de que a toga não tem cor partidária. O discurso foca no fortalecimento da segurança jurídica e na autocrítica institucional. Isso nos permite escrever como em Brasília a verdade é uma construção semântica. Messias operou a “metamorfose ambulante” necessária para atravessar o corredor polonês do Senado. O caminho para o Olimpo Judiciário exige mais diplomacia do que doutrina.
O ultimato à UNICAT: a saúde potiguar sob intervenção judicial
No cenário local, a Justiça potiguar deu 90 dias para o Governo do RN regularizar a Unicat. A decisão é um soco no estômago da gestão estadual, expondo falhas estruturais graves e a falta crônica de medicamentos que atinge diretamente a população que mais depende do Estado para sobreviver. Será que eh três meses dá para consertar o que o tempo e a gestão degradaram, como teto caindo, prrateleiras vazias? A decisão exige a reposição imediata de medicamentos e reformas urgentes, sob pena de multas que o erário potiguar não pode pagar. No RN, funciona assim: gasta-se mais tempo em tribunais explicando a falta de remédios do que organizando a logística para comprá-los…
O guardião da moeda sob cerco: Jerome Powell e a independência do Fed
Jerome Powell não escondeu o desconforto com os ataques diretos do Executivo americano à autonomia do Federal Reserve (o equivalente ao Banco Central dos EUA). Enquanto Washington tenta pautar os juros pelo Twitter ou por ligações intempestivas, o xerife do dólar reafirmou que a independência da instituição é o que separa a economia real da alucinação populista.
O Estreito de Ormuz no viva-voz: Donald Trump e o persistente bloqueio Iraniano
Donald Trump elevou a voltagem geopolítica ao rejeitar a proposta de paz iraniana, mantendo o bloqueio naval até obter garantias nucleares absolutas. Com o pragmatismo de um CEO, ele agora conduz a crise “por telefone” para evitar voos longos, enquanto o mercado de petróleo observa o gargalo de Ormuz com apreensão. Ok, essa linha ele até reduz o custo das milhas, mas eleva o preço da paz, transformando a segurança global em uma negociação de call center de luxo.
O expediente formal se encerra aqui no Potengi, mas a análise continua nas entrelinhas. Amanhã, o Senado decide se o Messias da AGU se torna o Ministro do Supremo e o mercado mundial digerirá se o “viva-voz” de Trump é blefe ou estratégia. Novidades de última hora, confira no radar!
Bom descanso, Natal. Amanhã cedo o café estará fresco e as notícias, provavelmente, ainda mais quentes. Até o nosso Expresso matinal, às 6h!
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Pessimismo na indústria só cresce, e a culpa (feliz ou infelizmente) não é só dos juros
Os dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (29) parecem, à primeira vista, apenas mais um número em meio a tantos outros: 28 dos 29 setores industriais registraram falta de confiança em abril. Um dado técnico que aponta para o pessimismo da indústria. Um detalhe estatístico. Mas será que fica só nisso mesmo?
Cabe perguntar: quando quase toda a indústria perde confiança, ainda estamos falando de “setores” ou de um clima geral, uma espécie de atmosfera econômica? A resposta parece clara: não se trata mais de casos isolados. O pessimismo deixou de ser exceção e se tornou regra.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que varia de 0 a 100 pontos — sendo que valores abaixo de 50 indicam falta de confiança — revela um movimento contínuo. Em janeiro, o cenário já era ruim: 20 setores estavam sem confiança. Em fevereiro, 21. Em março, 23. Agora, em abril, 28. O que vemos aqui não é uma oscilação, mas uma tendência. Mas tendência de quê?
A explicação mais imediata, quase automática, aponta para os juros altos. A própria CNI identifica esse fator como central: a elevação da taxa básica desde o fim de 2024 teria corroído a confiança ao longo do tempo. No entanto, essa resposta, ainda que correta, talvez seja insuficiente. Temos acordo que os juros nos atuais patamares são proibitivos para um desenvolvimento industrial. Mas eles explicam tudo?
Se explicassem, bastaria uma leve redução para reverter o quadro. Só que não é o que ocorre. A recente queda de apenas 0,25 ponto percentual mostrou-se incapaz de alterar o humor do empresariado. Parece então que o problema não está apenas no nível dos juros, mas numa percepção de instabilidade mais ampla.
O pessimismo afeta todo mundo. Pequenas, médias e grandes empresas — todas apresentam falta de confiança. Regionalmente, o cenário é igualmente homogêneo: o Nordeste, por exemplo, caiu abaixo da linha dos 50 pontos pela primeira vez desde 2020. Com isso, todas as regiões do país passam a compartilhar o mesmo diagnóstico: desconfiança. Então, a pergunta muda de forma: não é mais “por que alguns setores estão pessimistas?”, mas “o que aconteceu para que quase ninguém esteja otimista?”.
Alguns setores ilustram esse quadro de forma particularmente intensa. Produtos de material plástico, celulose e papel, máquinas e equipamentos e metalurgia aparecem entre os mais afetados, todos com índices próximos ou abaixo de 43 pontos. Em contraste quase irônico, apenas o setor farmoquímico e farmacêutico permanece acima da linha de confiança, com 52 pontos — como se, em meio à incerteza generalizada, a saúde (ou a necessidade dela) ainda oferecesse alguma estabilidade.
Mas há algo mais aqui. A confiança, ao contrário do que se pensa, não é apenas uma variável econômica. Ela é também uma construção simbólica. Empresários não reagem apenas a números, mas a expectativas, narrativas, sinais difusos. Quando essa confiança cai, não é apenas porque o presente é ruim, mas porque o futuro parece opaco.
Pode ser esse, então, o ponto central: a indústria não está apenas reagindo ao que é, mas ao que pode vir a ser.
O índice de condições atuais permanece abaixo de 50 pontos, indicando que os empresários avaliam o presente como pior do que seis meses atrás. Já o índice de expectativas, que chegou a esboçar uma leve recuperação no início do ano, não conseguiu sustentar esse movimento. Isso nos põe diante de um paradoxo: mesmo quando há pequenos sinais de melhora, eles não são suficientes para produzir confiança. A questão é: por que não?
Ora, a confiança não se constrói apenas com dados positivos pontuais. Ela exige consistência, previsibilidade, projeto — artigos escassos no Brasil em que mercado, políticos e imprensa vivem sob a ditadura do curto prazo. No fim das contas, talvez a indústria brasileira não esteja pessimista por causa da economia — talvez seja precisamente a economia que esteja començando a refletir um pessimismo mais profundo da própria sociedade.
Jesus de Ritinha de Miúdo
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