Opinião

Fácil, extremamente fácil. Pra você, né?!

Olá, queridos! Como vão?

Quanto tempo, não? Sei que andei sumida daqui dessa coluna. A correria do dia a dia tem me mantido longe de muita coisa. Isso faz parte daquela fase da vida em que se não estamos ocupados, estamos cansados, sabe? Ela vai ali dos 18 até mais ou menos para o resto da vida. Chama ser adulto. Tenho certeza que me entendem.

E isso tudo complica ainda mais quando nos encontramos em uma situação incômoda, para dizer o mínimo, que não conseguimos resolver. Parece que tudo vai girando e torno disso, que as coisas normais da vida vão surgindo só para piorar ainda mais a situação.

Se estamos tristes, aparecem mais coisas tristes. Se estamos doentes, tudo vira doença. Se estamos com problema de grana, inúmeros gastos brotam das cinzas. Se precisamos tomar uma decisão difícil, toda hora aparece mais um motivo para aumentar a dúvida.

Eu sei que semelhante atrai semelhante e que quanto mais focarmos em algo, mais vamos atraí-lo. Sei bem disso. Mas, isso explica parte da situação como nos exemplos que citei. Pensar e focar em algo pode, sim, potencializar isso em nossas vidas. Mas, não é só isso que faz as coisas serem como são.

O pensamento, a palavra, ele têm força. Mas não são nada sem a atitude coerente. Não adianta pensar em coisas boas e não agir. A tristeza não vai embora assim. Assim como não adianta pensar em saúde e não cuidar de si, ou ter pensamentos prósperos sem agir de forma a conseguir prosperidade. Não adianta sanar todas as dúvidas, sem tomar uma decisão e agir de acordo.

E é aí que chega o ponto que quero conversar com vocês hoje. Decidir. Tomar uma decisão. Escolher. Saber o que fazer. Agir de acordo com o que se quer. São palavras fáceis de pronunciar, de escrever, de entender. Não tanto de executar.

Menos ainda quando estamos em meio a uma situação complicada e sequer enxergamos os caminhos, que dirá conseguir escolher entre eles. Quando estamos imersos em algum problema e ele parece tão grande, tão maior que a gente.

Nessas horas, aqueles que nos cercam têm zilhões de conselhos. Sabem exatamente o que devemos fazer, para onde devemos ir. Para eles, sempre parece muito fácil sair da situação em que nós estamos.

E quando falam com a boca cheia de certeza e querendo nos ajudar, porque acredito, sim, que os que nos amam realmente querem nos ajudar, nos dão a solução, sempre acompanhada de um “é só fazer isso”. Só?

(Vamos ser sinceros, nós também fazemos isso quando somos nós a dar o conselho. Não sejamos hipócritas. Mas hoje, quero tratar do ponto de vista de quem está do lado de cá do aconselhamento, ok.)

É fácil para eles dizer um “é só fazer isso” porque eles não têm que lidar com o peso da decisão. Não são eles os emocionalmente envolvidos naquele assunto. Não são eles que vão arcar com as consequências da escolha do caminho escolhido nem com a dúvida e o “e se” do caminho preterido.

Mas será? Será que a questão é eles não terem que lidar com o peso ou nós que estamos pesados demais? Sejamos sinceros, todos já passamos por isso, quando estamos no olho do furacão, é muito fácil se deixar levar pela força do vento. Olhar o problema nos olhos e mensurar seu exato tamanho não é, na maioria das vezes, nossa primeira atitude.

Costumamos nos deixar levar pelo peso da situação. O peso, a emoção que a situação desencadeia, isso tudo não nos permite ver nada além do problema. É como se estivéssemos em alto mar, sem saber como nos salvar, não enxergamos nenhuma tábua de salvação e, além disso, nos recusássemos a soltar uma mochila com nossos pertences, presa às costas.

O peso dessa mochila nos faz quase submergir, só conseguindo respirar porque viramos o rosto para cima. Mas, e se soltássemos a mochila? Será que não conseguiríamos manter a cabeça inteira para fora d’água e, enfim, conseguir enxergar algo no que nos agarrar?

Não sei dizer ao certo. Quando eu estiver em alto mar com uma mochila nas costas, eu conto para vocês como foi. (Espero que esse dia nunca chegue, aliás!) Eu mesma nunca estive nessa situação específica, mas já estive em outras em que essa analogia se encaixa. E sei que vocês também. e o interessante disso é que por mais que a gente olhe para trás e veja que saímos de todas essas situações antes, essa nova em que estamos, não a conhecemos. E não sabemos como sair.

Fiquei pensando nisso e me veio a ideia de que, talvez, a vida seja um labirinto. Um labirinto do qual quando a gente sai, descobre que esse ele estava dentro de outro labirinto. Tipo no filme do DiCaprio, que mostrava as pessoas tendo sonhos dentro de sonhos, dentro de sonhos.

(O filme chama ‘A Origem’ Inception, no título original. Recomendo, é excelente).

Enfim, cada labirinto, cada situação nova, devem ser exploradas a aprendidas por nós. Temos de aprender a sair de todas elas. Até porque a vida se anda é para frente, não é? Quando a gente deixa de seguir é porque a Receita deu baixa no CPF. Não temos opção. Temos que seguir.

Só que tem hora que simplesmente não sabemos como. Tem hora que de tudo que tentamos, dentro dos caminhos que conseguimos enxergar, parece que nada nos tira daquela situação. E ainda temos que lidar com todas as vozes, que querem nos ajudar, dizendo “é só fazer isso”.

Aposto que vocês sentem raiva quando alguém fala como é fácil. Que olham para a pessoa com um olhar com um misto de dúvida, sobre como fazer aquele fácil, e vontade de mandar a pessoa catar coquinhos.

(Já dissemos aqui que somos todos educados, então vamos cuidar para onde mandamos as pessoas, ok!)

Aposto que sentem isso também quando leem, em meus textos, os meus conselhos, as minhas sugestões do que fazer. Eu sei. Eu sinto o mesmo quando é comigo.

(Já estabelecemos, também, que não somos hipócritas.)

Só que hoje, para mudar um pouquinho, eu não tenho respostas. Só perguntas.

Sei que cada pessoa tem sua bagagem de vida, suas ferramentas diferentes para lidar com o mundo. Não dá para todos fazerem igual. Por mais que alguém nos aconselhe, ou que nós aconselhemos o outro, cada um só consegue fazer aquilo que é possível dentro de suas próprias limitações.

Sei que já sabem disso. Que saber disso não nos ajuda em nada saber como sair da nova situação em que estamos. Mas o que ajuda? Se os conselhos dos que me amam não são a resposta para sair de onde estamos, simplesmente porque somos nós e não eles, (por óbvio!), como então que fazemos para tomar a decisão que precisamos?

Não é fácil ver todos ao nosso redor indo em frente e nós, congelados, sem conseguir tomar uma decisão. E nem é por falta de coragem ou de vontade. Por falta de conseguir enxergar um caminho mesmo. Aí começamos a nos questionar um monte de coisas.

Sou “pior” por não conseguir resolver isso? Sou um fracasso? Mas, o que eu já fiz que outros não fizeram? O que eu faço que outros não fazem? Isso não me faz “melhor” que eles! Qual caminho devo seguir? O que eu quero? Por onde começar a buscar? Como resolver isso? De-onde-viemos-para-onde-vamos-quem-veio-primeiro-o-ovo-ou-a-galinha-o-que-é-mais-forte-um-hadouken-ou-um-soco-do-super-homem?

Por mais caóticas que sejam, por mais sem sentido que pareçam, por mais que nos façam sentir ainda mais perdidos, as perguntas são a nossa resposta. Eu sei que disse que hoje não tinha respostas, só perguntas. Mas é que, para o propósito do texto de hoje, elas são a mesma coisa.

Nunca acharemos resposta alguma se não soubermos fazer as perguntas certas. E como sabemos qual a pergunta certa? Perguntando. Tentativa e erro, queridos. Olhando para dentro e perguntando a nós mesmos tudo e mais um pouco. E, quando cansarmos, mais um pouco ainda.

A solução que buscamos, para tudo, nunca está fora. Sempre esteve dentro. Quando em alto mar, se largarmos a mochila pesada, conseguimos boiar, o que aumenta nossas chances de nos salvar. Alguém já conseguiu boiar prestando atenção na areia? Nas conchas? Nos peixes? Não. A gente consegue boiar prestando atenção em nós mesmos, em como nosso corpo se comporta no ambiente em que está. Mantendo a calma, respirando.

Eu ainda não achei as respostas que preciso para sair da situação que me incomoda hoje. Mas, com certeza vou continuar buscando as perguntas. E espero que encontrem as de vocês também!

Até a próxima!