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Olá, queridos! Como vão?
Como vocês têm passado? O que andam sentindo e descobrindo sobre si mesmos ultimamente? Quais conversas sérias andam tendo com a pessoa interior de vocês? E quais conversas, também, andam tendo com as pessoas que importam nas suas vidas?
Eu sempre tive o hábito de conversar comigo mesma. Aliás, é algo que gosto muito de fazer. (Conversar sobre o quê, criatura? Se o que eu vou falar eu mesmo já sei!). É, pode parecer meio estranho, mas conversar comigo mesma é uma das melhores coisas que faço por mim. Juro!
Tem gente que conversa com seus animais de estimação, tem quem converse com planta (eu converso com a minha), e tem quem converse consigo mesmo.
Ah, só um detalhe: apenas no último caso é normal que o interlocutor responda. Nos dois primeiros, não é querendo ser alarmista, mas talvez seja bom procurar um profissional, ou uma casa espírita. Sem julgamentos!
Enfim, converso comigo mesma sobre coisas do dia a dia, por exemplo, “Fernanda, mulher, você esqueceu de molhar a planta de novo!”, “O que é isso que você fez, ein?! Naam, apaga e faz outro!”, “Meninaaaa, tu arrasa! Que incrível ficou isso!”. (A gente se cobra, mas também temos que nos parabenizar, né?!).
E também converso comigo, como se fosse outra pessoa mesmo, quando preciso entender algo que está acontecendo dentro de mim. Pergunto-me de onde estará vindo aquele sentimento, se faz sentido pensar dessa ou daquela forma.
E, acreditem ou não, as respostas vêm. Na verdade, elas fluem de uma maneira tão natural que é impossível não acreditar que a minha pessoa interna realmente está lá me respondendo sobre algo que eu aqui de fora não consigo ver.
Já comentei aqui uma vez sobre uma frase de uma psicóloga que tive que passou a fazer todo sentido para mim quando intensifiquei essas “auto-conversas”: “Atrás do ‘não sei’ se escondem todas as respostas”. Basta eu começar a me perguntar sobre algo que “não sei” que no desenrolar da conversa as coisas vão tomando sentido e ficando mais claras que um dia de sol!
Vou dar um exemplo: esses dias sonhei que estava em casa e que pessoas conhecidas entravam sem pedir licença, não de forma ameaçadora, mas me pegando desprevenida e sem saber o que fazer. E cada hora a casa ia aumentando e mais portas e janelas surgiam do nada, criando mais lugares por onde essas pessoas podiam entrar. E, por mais que eu trancasse tudo, outras brechas surgiam.
Ah, outro detalhe: tenho sonhos tão “viajados” que parece até que a CVC fez fusão com a Hellmann’s. Gosto bastante disso, me divirto até. Mas aprendi que quando os sonhos parecem ser bem reais, como esse foi, é meu cérebro querendo chamar minha atenção para algo. Nesse dia, ao acordar, fiquei intrigada com aquilo, e então comecei a “auto-conversa”:
— Eu nem em casa moro, não tem o menor perigo de isso acontecer. Meu apartamento tem só uma porta e tá bem trancadinha!
— É, mas você sabe que seus sonhos não são nada literais. Pode não ter sido sobre portas e janelas de verdade.
— Hum, então peraí! Portas e janelas são formas de entrar. As pessoas entravam sem nem me avisar. Eu tô sendo invadida?
— É uma forma de pensar. Faz sentido?
— Não sei ainda… mas as pessoas que entravam eram conhecidas, familiares, amigos. Ninguém que fosse me fazer mal.
— Mas você estava confortável com as pessoas entrando de qualquer jeito?
— Não.
— Então…
— Então…?
— Fernanda, você estava fechando as portas que via, e as pessoas continuavam entrando… entendeu onde eu quero chegar?
— Limites!!! As pessoas estavam desrespeitando meus limites. E quem faz isso são as pessoas próximas.
— Quase! Não cabe às pessoas respeitarem seus limites antes que você defina quais são eles. Você tem que fechar a porta que não quer que ninguém entre antes de alguém entrar.
— Porque depois que já entrou é mais difícil…
— Exatamente!
E isso tudo durou segundos na minha cabeça. Eu falo muito mesmo sozinha. Não digo nem “quem conhece sabe”, mas “quem conhece aguenta”. Esse tipo de conversa e entendimento acontece com coisas simples, como o sonho, e complexas também. E eu fui conseguindo melhorar o entendimento sobre mim mesma com essas “auto-conversas” à medida que fui praticando. E ainda quero melhorar e conseguir me entender muito mais.
Agora, sabe o que é mais difícil nisso tudo? Sabe o que dá mais trabalho do que remoer um assunto consigo mesmo até entender, por mais complicado que ele seja? Conseguir colocar isso para fora.
A gente muda muito com o passar do tempo, amadurecemos, aprendemos, repensamos. Só que, às vezes, algumas pessoas que nos conhecem desde antes de começarmos a mudar, pessoas do nosso convívio e que queremos que continuem sendo, algumas dessas pessoas deixam gravado em seu conceito sobre nós a pessoa que fomos. E não mudam isso.
Pode ocorrer de, em determinada situação, essas pessoas já esperarem que você vai reagir de uma certa forma e não importa o que você faça, elas não vão enxergar, nem dar espaço para você mostrar, que aquele comportamento antigo já não faz mais parte de você.
Se alguém esperava que você fosse dizer A em resposta a uma situação corriqueira, você pode até responder B, mas a pessoa vai ouvir A e não vai aceitar que você disse outra coisa. É como se tivesse sido criado um filtro, desses de rede social, que faz com que toda vez que a pessoa te olhe, ela vai te ver da mesma forma.
E como resolve isso? Como se faz ser visto pelo que se é de verdade? Bom, se alguém tiver essa resposta, pode encaixotar e vender. Vai render bilhões!
O que eu sei é que a comunicação é importante. Comunicar verbalmente é uma forma, mas nosso corpo todo fala. Nos comunicamos mesmo parados e silentes. Tudo em nós comunica. Talvez estejamos falando uma coisa com a voz, mas nosso corpo está dizendo outra. Sabe quando alguém sorri com os lábios, mas não com os olhos? O famoso sorriso amarelo? É por aí.
Talvez a quantidade maior de fala e conversas sobre nossas mudanças, sobre nossas descobertas sobre nós mesmos, talvez devamos reservar para nossa pessoa interna e deixar que nossas atitudes, nossa linguagem corporal, fale mais alto que nossa voz.
Não que a gente deva satisfação de nada que sentimos, queremos, pensamos ou sobre quem somos para ninguém. Mas nós vivemos com pessoas ao nosso redor, nós amamos aqueles que são importantes para nós. Viver bem consigo mesmo também é estar em paz com essas pessoas.
Talvez o que precisemos, para externar nossa versão melhorada, e partilhá-la com aqueles que nos são caros, seja entender qual a melhor forma de mostrá-la.
Tem uma máxima da Comunicação que diz que “comunicação não é o que eu digo, mas o que o outro escuta”. Não somos responsáveis pelo que o outro decide pensar, mas quando entendemos que cada ser humano tem uma bagagem de vida diferente, uma forma de olhar o mundo diferente, isso nos ajuda a entender a importância de fazer nossa parte da comunicação de forma mais eficiente.
E se ainda assim, depois de fazermos esse esforço, o outro ainda não quiser entender e nos enxergar por quem somos de fato, aí, queridos, aí a gente segue o baile porque não adianta o tanto que a gente se comunica quando o outro só se trumbica!
Até a próxima!






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