Uma história do Cemitério dos Ingleses, na praia da Redinha



Era preciso dar assento aos marinheiros que morriam em viagens mercantes ao passar por Natal e que não eram católicos. Assim nasceu o Cemitério dos Ingleses, à margem da Gamboa do Manimbu, na praia da Redinha.

À época, a Guerra da Secessão nos Estados Unidos abrira à produção algodoeira do nordeste brasileiro perspectivas inéditas. Bruscamente o norte-rio-grandense começou a esquecer a cana-de-açúcar e a colher algodão, de mais fácil manejo e com mercados imediatos. O governo tentou obstar a monocultura estimulando a indústria açucareira ao conceder isenções para os engenho-centrais, origem das usinas tentaculares.

Mas o algodão atraía como uma força magnética. Várias empresas inglesas e suíças estabeleceram-se em Natal. Rapazes louros, ágeis, robustos, alegres, invadiram a sonolência pacata da cidade. Entre 1867 e 1869, a John Ulrich Graf & Cia, compradora de algodão, açúcar e sal e vendedora de fazendas foi umas dessas. O escritório central ficava na rua do Comércio. A maioria dos empregados de Ulrick Graf eram suíços ou ingleses. Relacionavam-se com a sociedade natalense, mas a religião os distanciava muito. Eram todos protestantes, luteranos clássicos. Esses rapazes morreram como moscas durante a febre amarela e o cólera-morbo.

Os empregados de Ulrick Graff foram os primeiros a serem enterrados no novo cemitério nas cercanias do que hoje chamamos de Redinha. Eles eram chamados de ingleses.

Cascudo relata: “Conheci dona Ana Cordeiro Xavier de Brito, nascida em 28/05/1845, natalense de boa memória. Contou-me se recordar de um inglês bonito, de nome Gemmy, fazedor de habilidades de salão. Gemmy está enterrado no Cemitério dos Ingleses.

“Já o dr. Augusto Leopoldo informara-me que um dos sócios de Ulrick Graff era Alfred Weber. Faleceu em Natal e também foi sepultado no Cemitério dos Ingleses.

“Em julho de 1935 visitei demoradamente o cemitério. Espalhara-se a lenda de ouro enterrado pelos holandeses. Os túmulos foram arrebentados, e dispersos os esqueletos. A ferocidade ávida destruiu tudo. A cupidez analfabeta e sacrílega nada respeitou. Apenas li, no transepto duma cruz: Whmr Eckett”.



O Potengi

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Uma história do Cemitério dos Ingleses, na praia da Redinha





Era preciso dar assento aos marinheiros que morriam em viagens mercantes ao passar por Natal e que não eram católicos. Assim nasceu o Cemitério dos Ingleses, à margem da Gamboa do Manimbu, na praia da Redinha.

À época, a Guerra da Secessão nos Estados Unidos abrira à produção algodoeira do nordeste brasileiro perspectivas inéditas. Bruscamente o norte-rio-grandense começou a esquecer a cana-de-açúcar e a colher algodão, de mais fácil manejo e com mercados imediatos. O governo tentou obstar a monocultura estimulando a indústria açucareira ao conceder isenções para os engenho-centrais, origem das usinas tentaculares.

Mas o algodão atraía como uma força magnética. Várias empresas inglesas e suíças estabeleceram-se em Natal. Rapazes louros, ágeis, robustos, alegres, invadiram a sonolência pacata da cidade. Entre 1867 e 1869, a John Ulrich Graf & Cia, compradora de algodão, açúcar e sal e vendedora de fazendas foi umas dessas. O escritório central ficava na rua do Comércio. A maioria dos empregados de Ulrick Graf eram suíços ou ingleses. Relacionavam-se com a sociedade natalense, mas a religião os distanciava muito. Eram todos protestantes, luteranos clássicos. Esses rapazes morreram como moscas durante a febre amarela e o cólera-morbo.

Os empregados de Ulrick Graff foram os primeiros a serem enterrados no novo cemitério nas cercanias do que hoje chamamos de Redinha. Eles eram chamados de ingleses.

Cascudo relata: “Conheci dona Ana Cordeiro Xavier de Brito, nascida em 28/05/1845, natalense de boa memória. Contou-me se recordar de um inglês bonito, de nome Gemmy, fazedor de habilidades de salão. Gemmy está enterrado no Cemitério dos Ingleses.

“Já o dr. Augusto Leopoldo informara-me que um dos sócios de Ulrick Graff era Alfred Weber. Faleceu em Natal e também foi sepultado no Cemitério dos Ingleses.

“Em julho de 1935 visitei demoradamente o cemitério. Espalhara-se a lenda de ouro enterrado pelos holandeses. Os túmulos foram arrebentados, e dispersos os esqueletos. A ferocidade ávida destruiu tudo. A cupidez analfabeta e sacrílega nada respeitou. Apenas li, no transepto duma cruz: Whmr Eckett”.