Jesus de Ritinha de Miúdo
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Semsur abre cadastramento para comerciantes no polo Nélio Dias durante o Carnaval 2026 de Natal
A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) divulgou, em edição extraordinária do Diário Oficial do Município, uma portaria que abre chamamento público para o cadastro de comerciantes interessados em atuar durante o Carnaval de Natal, no polo do Ginásio Nélio Dias, localizado na zona Norte da cidade. A autorização é válida para os dias 13 a 17 de fevereiro, com oferta de 30 vagas destinadas à Praça de Alimentação.
As inscrições poderão ser realizadas nos dias 9 e 10 de fevereiro, de forma digital, por meio do aplicativo Natal Digital, ou presencialmente na sede da Semsur. A divulgação do resultado está prevista para o dia 11 de fevereiro, ao meio-dia, e os selecionados deverão comparecer no dia 12 para assinatura do Termo de Permissão. Não haverá cobrança de taxas, sendo permitida apenas uma inscrição por CPF, sem possibilidade de cadastro de familiares que residam no mesmo endereço.
Podem participar pessoas físicas ou jurídicas. Para a comercialização de alimentos e bebidas manipuladas, é obrigatório possuir registro como MEI e o Certificado de Boas Práticas em Manipulação de Alimentos. A seleção seguirá critérios de pontuação social e técnica. O regulamento também define normas e proibições, cujo descumprimento pode gerar penalidades.
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Em dez anos, RN multiplica saldo comercial e consolida força nas exportações
O Rio Grande do Norte encerrou a última década com um desempenho expressivo no comércio exterior, consolidando uma mudança estrutural em sua inserção internacional. Entre 2016 e 2025, o saldo da balança comercial potiguar saltou de pouco mais de US$ 100 milhões para cerca de US$ 650 milhões, um crescimento de 6,5 vezes no período. O avanço foi impulsionado, principalmente, pela expansão consistente das exportações, que quase quadruplicaram em dez anos.
Em valores absolutos, as vendas externas do estado passaram de US$ 284,5 milhões em 2016 para US$ 1,086 bilhão em 2025, o que representa uma alta acumulada de 281,75%. O melhor momento da série histórica ocorreu em 2024, quando o Rio Grande do Norte exportou US$ 1,142 bilhão — incremento de 301% em relação ao início do período analisado. No ano seguinte, houve uma leve retração de 4,9%, considerada pontual diante da trajetória de crescimento observada ao longo da década.
Os dados integram o boletim Balança Comercial do Rio Grande do Norte – Análise de 2016 a 2025, elaborado pelo Sebrae-RN com base em informações do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A pauta exportadora potiguar segue relativamente concentrada. No acumulado da década, cerca de 58% das exportações estiveram concentradas em três grupos: combustíveis, melões frescos e melancias frescas. Os combustíveis responderam por aproximadamente um terço do valor total exportado, enquanto os melões representaram 18% e as melancias, 7%. Também figuram entre os principais produtos itens como sal marinho, tecidos de algodão e ouro.
Um dos destaques mais recentes é a mineração. Impulsionada pelo Projeto Borborema, a exportação de ouro registrou crescimento superior a 1.000% entre 2024 e 2025, com o volume exportado saltando de apenas 1 quilo para 1.329 quilos. No ranking de destinos das exportações potiguares ao longo do período analisado aparecem Holanda, Estados Unidos, Singapura, Panamá, Reino Unido e Espanha.
O estudo também aponta impactos externos relevantes. Durante o período de vigência do tarifaço imposto pelos Estados Unidos — que acrescentou uma tarifa de 40% sobre determinados produtos brasileiros — as exportações do Rio Grande do Norte apresentaram queda aproximada de 30% na comparação entre 2024 e 2025. Produtos fora da lista de exceções, como peixes e alguns tipos de granito, foram os mais afetados.
Apesar desses desafios, a fruticultura permanece como um dos pilares do comércio exterior do estado. Empresas do setor ampliaram volumes e diversificaram mercados, especialmente na Europa. A tendência de crescimento contínuo reforça a posição do Rio Grande do Norte como um dos principais polos exportadores de frutas do país, com destaque para o melão, a melancia e os cítricos.
Sob a ótica setorial, lideranças da fruticultura avaliam que o momento é estratégico. Além da consolidação no mercado europeu e norte-americano, o setor observa oportunidades em novos destinos, como a China, cuja ampliação das compras depende, atualmente, da oferta de fretes marítimos regulares.
O boletim do Sebrae-RN também chama atenção para a estrutura da pauta exportadora. Predominam produtos de alto volume e baixo valor agregado, como combustíveis e frutas in natura. Em contrapartida, itens com maior valor por quilograma — a exemplo do ouro, tecidos de algodão e produtos específicos da indústria — aparecem como oportunidades para diversificação e agregação de valor às exportações potiguares.
Do lado das importações, o comportamento foi mais instável. Após uma queda até 2019, houve forte crescimento a partir de 2020, com pico em 2023, impulsionado principalmente pela entrada de células fotovoltaicas na pauta. Em 2025, as importações recuaram para US$ 436 milhões, refletindo a redução nas compras desse item e de combustíveis como o óleo diesel.
Ao final da década analisada, o diagnóstico é claro: o Rio Grande do Norte alcançou um novo patamar no comércio exterior. O desafio agora é transformar volume em valor, diversificar produtos e mercados e tornar a base exportadora mais resiliente frente às oscilações do cenário internacional.
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Após reunir mais de 50 mil pessoas na abertura, prévia do Carnaval de Natal tem Wesley Safadão como atração neste sábado (7)
A primeira noite da prévia do Carnaval de Natal levou uma multidão à Redinha na sexta-feira (6), mesmo com a chuva que caiu sobre a capital potiguar. Segundo a Prefeitura do Natal, mais de 50 mil pessoas passaram pela Avenida da Alegria, novo polo carnavalesco da cidade, para acompanhar as apresentações do Bonde do Gra Gra e do cantor Natanzinho Lima.
A programação começou com o Bonde do Gra Gra, banda potiguar criada em homenagem à tradicional Banda Grafith. O grupo abriu a noite em um trio elétrico e, apesar do público inicial ter sido menor por causa das condições climáticas, a presença de foliões aumentou gradativamente ao longo do show. O crescimento do público se intensificou com a apresentação de Natanzinho Lima, que fez sua estreia em Natal e animou os presentes até o fim da noite.
Para receber o grande número de pessoas, a Prefeitura montou uma ampla estrutura no local. O espaço contou com uma praça de alimentação formada por 25 tendas, além da instalação de cerca de 100 banheiros químicos distribuídos ao longo da avenida. A mobilidade urbana recebeu atenção especial, com bloqueios e fiscalização nos principais acessos ao polo, sob coordenação da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU).

foto: Reprodução A segurança também foi reforçada. Ao todo, 270 policiais militares atuaram no evento, com apoio da Guarda Municipal, do Corpo de Bombeiros, de bombeiros civis e de seguranças privados. Nos acessos à festa, foram utilizadas raquetes magnéticas para intensificar a revista do público. Outra ação importante foi a aplicação do Protocolo Unificado de Atendimento, que integra diversas secretarias municipais para o acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, como mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência. Postos médicos e ambulâncias ficaram disponíveis durante toda a programação.
As prévias do Carnaval de Natal continuam neste sábado (7), novamente na Avenida da Alegria, com concentração a partir das 18h e início dos shows às 19h. A principal atração da noite é o cantor Wesley Safadão, que se apresenta gratuitamente, além de Abiel e Banda. Nas redes sociais, Safadão já demonstrou entusiasmo com o show e afirmou que a noite promete ser histórica.
O Carnaval oficial da capital potiguar começa na quinta-feira (12), no Largo do Atheneu, com a tradicional entrega das chaves da cidade ao Rei Momo e à Rainha do Carnaval. A abertura contará ainda com shows do Quarteto Linha, Banda Terra do Sol, Márcia Freire e Pranchão Detroit, marcando o início da festa em Natal.
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Corrida pelo Governo do RN começa a se definir com três nomes confirmados
Três nomes já estão colocados na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Neste sábado (7), o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), confirmou publicamente sua pré-candidatura durante um evento político realizado em Natal. Ele se junta ao ex-prefeito da capital, Álvaro Dias (Republicanos), e ao secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), formando o primeiro bloco de postulantes declarados ao cargo.
Allyson Bezerra, de 33 anos, é engenheiro civil e servidor da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa). Atualmente em seu segundo mandato como prefeito de Mossoró, a segunda maior cidade do estado, ele já passou pela Assembleia Legislativa como deputado estadual. A reeleição em 2024, com mais de 78% dos votos válidos, ampliou sua projeção política. O deputado estadual Hermano Morais, que deve se filiar ao MDB, foi indicado como pré-candidato a vice. Recentemente, Allyson foi citado em investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União sobre supostas irregularidades na área da saúde, o que ele nega.
Álvaro Dias, de 66 anos, é médico e tem longa trajetória política no Rio Grande do Norte. Ex-deputado estadual, assumiu a Prefeitura de Natal em 2018 e foi reeleito em 2020. Seu nome foi confirmado como pré-candidato após a desistência do senador Rogério Marinho (PL). Álvaro conta com apoio de setores ligados ao bolsonarismo e anunciou como pré-candidato a vice Babá Pereira (PL), presidente da Federação dos Municípios do RN. Ele também enfrenta questionamentos do Ministério Público relacionados à campanha municipal de 2024.
Representando o grupo governista, Cadu Xavier, de 46 anos, é engenheiro de computação, auditor fiscal e ocupa a Secretaria Estadual da Fazenda desde o início do governo Fátima Bezerra, em 2019. Sem experiência em disputas eleitorais, ele foi confirmado como pré-candidato do PT à sucessão estadual. Cadu também declarou que poderá concorrer em uma eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa, caso ocorram renúncias simultâneas da governadora e do vice-governador.
Com perfis distintos e apoios políticos diversos, os três pré-candidatos iniciam a pré-campanha mirando a sucessão estadual em 2026.
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Há o que governar no RN? Notas sobre o que a corrida eleitoral revela (e oculta)
À primeira vista, o cenário pré-eleitoral no Rio Grande do Norte expõe uma disputa ordinária: grupos tradicionais reorganizam alianças, novos nomes testam viabilidade, a máquina estadual tenta defender seu legado enquanto opositores exploram fadiga administrativa. No entanto, se recusarmos a superfície factual como última instância da verdade política, a questão muda de estatuto. A pergunta que emerge é: o que, exatamente, está em disputa quando se disputa o governo do Rio Grande do Norte?
A resposta trivial mencionaria orçamento, cargos ou programas. Mas na verdade, o que se disputa é uma economia libidinal: quem tem o direito de encarnar um papel que vai além do de gestão, mas também de quem alimenta fantasias, de que seria, por exemplo, capaz de garantir consistência simbólica a uma sociedade atravessada por precariedades estruturais (fiscais, hídricas, infraestruturais, de segurança pública).
O campo governista, orbitando a atual gestão, parte de um trunfo clássico: a materialidade administrativa. Estradas, salários em dia, algumas políticas de segurança cá e programas sociais lá funcionam como aquilo que Freud chamaria de formações de compromisso — respostas possíveis, ainda que parciais, ao mal-estar difuso da população.
Mas aqui emerge o primeiro curto-circuito ideológico. Poderíamos nos perguntar: entregas objetivas bastam para produzir identificação política duradoura? A essa questão, seríamos obrigados a responder com um “não necessariamente”. A política, já sabemos bem, não opera apenas no nível do desempenho, mas da fantasia que estrutura a percepção do desempenho. Um governo pode ajustar contas públicas e, ainda assim, não conseguir simbolizar “ordem”, por exemplo. Pode reduzir índices criminais e, paradoxalmente, ser percebido como frágil.
Isso porque, no imaginário social (em particular no imaginário social nordestino, do qual o RN não escapa) o Estado é demandado simultaneamente em dois registros, sendo o primeiro como um “gestor técnico” (o que paga salários, faz estradas, equilibra finanças. Mas um psicanalista que se metesse a pensar a política pensaria no segundo registro como uma “figura paterna” (o que impõe autoridade, garante proteção, “coloca ordem”).
Quando a máquina administrativa enfatiza o primeiro registro, abre flanco no segundo. A oposição, então, ocupa esse vazio simbólico.
O retorno do discurso da autoridade
Não somente seria previsível como já podemos observar em movimentos preliminares que candidaturas de perfil mais conservador investiriam na retórica da restauração da autoridade. Isso fica expresso em posições recentes como as de Rogério Marinho ao afirmar que o RN vive “um quadro de desgoverno”, além de afirmar que talvez não fosse o mais popular, mas pelo menos teria “coragem e senso de dever”. Rogério desistiu da candidatura, é verdade, mas essa sombra segue forte.
Aqui, claro, convém evitarmos leituras simplistas. Não se trata apenas de “direita versus esquerda” (ainda que petistas e bolsonaristas trabalhem diuturnamente no país inteiro para reduzir a política a isso). Trata-se de algo mais estrutural: o apelo àquela figura de fantasia, aquela instância que promete interromper o desamparo social. É isso que faz com que esse por que esse discurso de segmentos antipetistas ressurgem mesmo após experiências recentes que nem sempre entregaram o prometido; a sua eficácia não depende da verdade empírica, mas da função que exerce.
Voltando às leituras psicanalíticas, é como se a promessa de ordem funcionasse como um “objeto a”, que representa um objeto de desejo sempre faltante, sempre adiado, mas permanentemente mobilizador. No RN, isso se conecta a elementos concretos: sensação persistente de insegurança, apesar de oscilações estatísticas, crises penitenciárias passadas que ainda deixaram marcas simbólicas, interiorização do crime organizado (como facções se expandindo para grande parte do território), colapso episódico de serviços públicos, e por aí vai.
O candidato que melhor conseguir condensar essas ansiedades numa narrativa simples (“o Estado perdeu o controle — eu vou retomar”) adquire vantagem libidinal, ainda que careça de programa detalhado. Foi isso que Fátima encarnou oito anos atrás.
As oligarquias flexíveis
Outro elemento clássico reaparece: as oligarquias políticas locais — famílias, grupos empresariais, prefeitos com capilaridade regional. Uma das notícias que repercutiram nas semanas passadas foi, por exemplo, o distanciamento de Walter Alves com o governo no qual cumpre papel de vice. As oligarquias, nessa longa transição que passam desde que perderam o trono, claramente não operam mais como blocos rígidos.
As oligarquias agora são, elas próprias, “líquidas”; menos ideológicas, mais pragmáticas, movendo-se conforme viabilidade eleitoral e acesso a fundos, emendas e máquinas partidárias. No passado, as oligarquias eram o que a esquerda costumava chamar de “direita”. Nos tempos em que a direita passou a ser qualquer coisa orbitante em torno do bolsonarismo, as oligarquias no país todo passaram a ser inclusas em categorias como como “forças progressistas”, “campo democrático”, “centro-direita” ou qualquer outra coisa que amenize o constrangimento de vê-las como aliada de primeira hora do petismo (quando este está em boa fase).
As oligarquias, então, perderam poder: Talvez a resposta seja o contrário — ela passou por uma transição bastante sofisticada. Em variados casos, passaram a agir como mediadores entre diferentes entes da federação, bancadas locais e federais, setor produtivo, etc.
A sociedade civil como sintoma e o fantasma do desenvolvimento perdido
Em determinados momentos de maior clamor, diferentes segmentos sociais se levantam, puxando cada qual a corda na sua direção. Mas aqui cabe mais uma inversão psicanalítica: não devemos lê-los apenas como atores conscientes defendendo interesses, e sim como sintomas sociais. Um exemplo disso foi o avanço de pautas morais rígidas, que não indicavam apenas conservadorismo, mas um tipo de ansiedade frente à desagregação social. Da mesma forma, a pressão empresarial por “ambiente de negócios” revela não só racionalidade econômica, mas medo de estagnação econômica já bastante latente.
Servidores públicos, por sua vez, expressam suas demandas não apenas por corporativismo, mas por um ressentimento inflacionário acumulado, e com razão. As classes médias, cá no RN como lá no resto do país, é quem mais tem pagado a conta; a polêmica envolvendo ICMS e energia solar foi claro exemplo disso.
Cada segmento fala de si… mas fala também de uma falta estrutural do Estado. Essa falta se refere a um significante que paira sobre o debate potiguar: desenvolvimento.
Energia eólica, porto-indústria, turismo internacional, ZPEs, hub logístico, exploração petrolífera terrestre… mil e um projetos surgem e desaparecem ciclicamente. Trata-se, como se percebe, de um significante vazio capaz de unificar discursos antagônicos. É como liberais defendendo desburocratização e investimento externo ou progressistas requerendo planejamento estatal com inclusão social. Nenhum candidato consegue dar corpo a isso; também por isso ninguém captura o desejo coletivo desses e de outras frações políticas.
O risco estrutural da sucessão
O Rio Grande do Norte viveu praticamente uma eleição de chapa única em 2022. Só não viverá o mesmo em 26 porque a governadora está em final de mandato; seria, afinal, difícil acreditar que ela seria reeleita, não pelo mérito de seu mandato, mas pelo franco desinteresse (ou incapacidade) de seus opositores?
O final do mandato de Fátima insere a indigestão da questão sucessória, cujo constrangimento fica expresso no desinteresse do vice e dos demais sucessores legais de assumir a governadoria na eventual renúncia da titular. O problema é que todos operam dentro de um mesmo limite comum a todo o quadro político nacional: até querem administrar a crise, mas ninguém quer tocar sua estrutura.
Fátima, como se vê, gere a escassez, enquanto Alysson promete otimizá-la e Rogério vinha culpando inimigos por ela. Nenhum deles, contudo, tocava no que os lacanianos chamam de Real, isto é, o inefável, aquele lugar onde a linguagem não chega, aquele tópico que não pode ser nomeado, então todo mundo finge que não existe: a ausência de um projeto de desenvolvimento, a baixa industrialização, a desigualdade regional, a dependência fiscal da União. Quem procura se impor pela autoridade, pela postura de “administrador” ou qualquer coisa afim, procura na realidade encobrir sua impotência estrutural de tocar num problema que seria básico. Fátima, quando assumiu, era a “professora”; quebrou paradigmas, chegando a um posto raramente ocupado por alguém advindo da classe trabalhadora. Oito anos depois, seu eleitorado termina o mandato se baseando na suposição de que existe um Grande Outro, uma sombra simbólica em Brasília que sabe o que está fazendo e que, eventualmente, irá nos validar. “Se o PAC vier, se a suplementação da Lei Aldir Blanc chegar…”.
Evidentemente, se o estado está abandonado, quebrado, não é propriamente culpa dela. O problema, talvez, seja esse: não é culpa, propriamente, de ninguém. Se fosse, seria bem mais fácil resolver a questão.
Ao fim de tudo, cada candidato procura encobrir o mal-estar do eleitor com suas vestes específicas: um representando a fantasia gerencial; outro que talvez representaria a radicalização ideológica, mas que desistiu (quem sabe porque a radicalização ideológica não seja o cálculo para o momento), um segmento que deverá representar institucionalmente a continuidade, mas sem grandes apelos, senão até aceitando com certo conforto a derrota…
Não há realmente alternância de poder. A escolha que será feita em outubro apontará qual fantasia sustenta a nossa realidade, de estado estrangulado, quebrado, e que se recusa a pensar na saída.
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Sisu 2026: Rio Grande do Norte alcança alto número de aprovações em instituições públicas
O Rio Grande do Norte registrou 14.076 candidatos aprovados na chamada regular do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026. As informações fazem parte de um levantamento divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), que aponta um total de 124.410 inscrições no estado, considerando que cada participante pôde optar por até dois cursos. O resultado individual foi disponibilizado no dia 29 de janeiro, por meio do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
Entre os cursos oferecidos no estado, o mais disputado foi o tecnólogo em Marketing do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), no campus Natal–Zona Norte. A graduação contou com 1.529 candidatos para apenas 10 vagas no turno noturno, alcançando a maior concorrência do RN nesta edição do Sisu.
Além do curso de Marketing, a lista dos dez mais procurados inclui graduações tradicionais como Medicina, Direito, Psicologia, Turismo, Geografia e Letras, distribuídas entre instituições como UFRN, UERN, UFERSA e IFRN, em diferentes campi e turnos.
No total, 775 estudantes foram aprovados em cursos presenciais de licenciatura no estado, o que possibilita a participação no programa Pé-de-Meia Licenciaturas. A iniciativa oferece um incentivo mensal de R$ 1.050, sendo parte do valor liberado imediatamente e o restante depositado como poupança, com saque condicionado ao ingresso do estudante como professor da rede pública.
Em todo o país, o Sisu 2026 aprovou 271.789 candidatos, preenchendo mais de 99% das cerca de 274 mil vagas ofertadas. O processo seletivo contou com a adesão de 136 instituições públicas e recebeu inscrições de mais de 1,8 milhão de estudantes, número que representa um crescimento significativo em relação ao ano anterior.
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STF decide que caixa dois pode gerar punições na Justiça Eleitoral e por improbidade administrativa
O Supremo Tribunal Federal firmou, nesta sexta-feira, entendimento unânime de que a prática conhecida como caixa dois configura simultaneamente crime eleitoral e ato de improbidade administrativa. Com isso, a conduta passa a admitir responsabilização em mais de uma esfera do Judiciário, podendo ser analisada tanto pela Justiça Eleitoral quanto pela Justiça Comum.
A decisão tem repercussão geral e estabelece um marco relevante para o endurecimento das punições relacionadas ao financiamento irregular de campanhas, especialmente em anos eleitorais. O julgamento foi concluído no plenário virtual da Corte, após ter sido iniciado em 19 de dezembro de 2025.
Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes sustentou que não há impedimento para a aplicação de sanções distintas sobre o mesmo fato, uma vez que as instâncias penal, civil e político-administrativa são independentes entre si. Segundo ele, o reconhecimento do crime eleitoral de caixa dois não exclui a possibilidade de responsabilização por improbidade administrativa, prevista na Lei nº 8.429/1992.
Moraes ressaltou, contudo, que eventual decisão da Justiça Eleitoral que afaste a existência do fato ou negue a autoria do acusado pode produzir efeitos na esfera administrativa. Ainda assim, afirmou ser competência da Justiça Comum processar e julgar ações de improbidade, mesmo quando os fatos também caracterizem ilícito eleitoral.
O crime de caixa dois consiste na omissão de recursos utilizados em campanha eleitoral e pode resultar em pena de até cinco anos de prisão. Já a improbidade administrativa envolve sanções como perda de bens, multa e afastamento de cargos públicos. O voto do relator foi acompanhado pela maioria dos ministros, com ressalvas apresentadas por Gilmar Mendes.
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Estudantes de Natal podem concorrer a vagas de estágio na Anvisa com bolsas de até R$ 1,1 mil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está com inscrições abertas para seu novo processo seletivo de estágio em Natal (RN). A seleção é regida pelo Edital nº 01/2026 e conta com a organização do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Os interessados podem se inscrever e realizar a prova on-line até as 12h do dia 19 de fevereiro, exclusivamente pelo site do CIEE.
O processo é destinado a estudantes do Ensino Médio regular e de diversos cursos do Ensino Superior, totalizando 57 graduações contempladas. Para os universitários, a bolsa-auxílio é de R$ 1.125,69 mensais, com carga horária de 30 horas semanais. Já os estudantes do Ensino Médio recebem R$ 486,05 por mês, para uma jornada de 20 horas semanais. Além disso, todos os estagiários selecionados terão direito a auxílio-transporte no valor de R$ 10,00 por dia efetivamente estagiado.
Em Natal, há vagas tanto para o Ensino Médio quanto para cursos como Administração, Direito, Enfermagem, Engenharia, Farmácia, Medicina, Psicologia, Comunicação Social, Tecnologia da Informação, entre muitos outros. A lista completa de cursos e locais de atuação está disponível no Anexo I do edital.
Para saber mais, como, verificar os requisitos e efetuar a inscrição, clique aqui.
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PF e Ibama realizam operação contra negociação clandestina de animais silvestres no RN
A Polícia Federal deflagrou a Operação Volantes para apurar a suspeita de crimes ambientais relacionados à guarda, ao manejo e à venda irregular de animais silvestres. A ação contou com o apoio de fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e teve como foco um investigado que estaria envolvido diretamente nas práticas ilegais.
Durante a operação, os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal no Rio Grande do Norte. No local, foram realizadas diligências com o objetivo de localizar animais, documentos, equipamentos e outros materiais que possam comprovar a atividade criminosa.

Foto: PF/Reprodução As investigações apontam para a possível atuação de uma rede estruturada dedicada à negociação clandestina de espécies da fauna silvestre, com alcance em diversos estados brasileiros. Os levantamentos também indicam a suspeita de envio ilegal de animais para fora do país, o que amplia a gravidade dos fatos apurados.
Todo o material eventualmente recolhido será analisado por equipes técnicas especializadas, a fim de subsidiar o andamento das investigações e a identificação de outros envolvidos. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o investigado poderá responder por crimes previstos na legislação ambiental brasileira, que incluem penalidades administrativas e sanções penais relacionadas ao tráfico e à comercialização ilegal de animais silvestres.
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Alerta laranja: Inmet prevê chuvas intensas e ventos de 100 km/h no RN até domingo (8)
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, na manhã desta sexta-feira (6), um alerta laranja de chuvas intensas para todo o Rio Grande do Norte. O aviso, classificado com grau de severidade de perigo, entrou em vigor às 9h25 e segue válido até as 10h do domingo (8).
Segundo o órgão, estão previstos volumes de chuva entre 30 e 60 mm por hora, podendo atingir de 50 a 100 mm por dia, acompanhados de ventos fortes que variam entre 60 e 100 km/h. Há risco de cortes no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos em áreas urbanas e incidência de descargas elétricas durante as pancadas mais intensas.
O Inmet orienta que a população evite se abrigar sob árvores em caso de rajadas de vento e não estacione veículos próximos a torres de transmissão ou placas de propaganda. Também é recomendado desligar aparelhos eletrônicos e o quadro geral de energia durante temporais.
Em situações de emergência, a Defesa Civil deve ser acionada pelo 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193. O alerta integra uma ampla área de instabilidade que atinge diversas regiões do país.
