Jesus de Ritinha de Miúdo
-
Do espetáculo ao gesto impossível

por
Professor e psicanalista, doutor em Ciências Sociais.
Examina a política internacional e suas implicações
para a economia, a cultura e as relações de poder.
Mark Fisher tem um livro cujo subtítulo vem na forma de pergunta: é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo? Explorando pontualmente o cinema como um exemplo de como o apocalipse tem um apelo forte em nossos tempos, a resposta desde o princípio caminha na direção de um “sim” bastante ruidoso. Só que agora há um elemento adicional: o espetáculo da tragédia, que nas últimas duas décadas vem sendo explorada até o limite com filmes que vão de mortos-vivos destruindo tudo a catástrofes de dimensões extraplanetárias (não posso deixar de recordar a série Into the Night, na qual o simples fato de o Sol nascer leva à morte de tudo que é orgânico, de frutas a pessoas), ganhou um fator adicional: a vida real tá cada vez mais incluindo esse tempero trágico no seu cotidiano.
O conflito entre Israel e Irã, iniciado há alguns dias, parece ser uma demonstração bem eloquente de como esse espetáculo da tragédia está em alta. Mais do que a guerra entre russos e ucranianos (talvez porque neste caso a assimetria é maior), a troca de bombardeios entre israelenses e iranianos tem sido acompanhada ao vivo pelo mundo todo. Se desde a Guerra do Golfo, os conflitos se tornaram televisionados, agora, mais do que em qualquer momento anterior, eles viraram atrações que os próprios indivíduos filmam da janela de seus apartamentos e jogam nas redes.
É claro que esse fascínio tem algo de inconsciente: o prazer sombrio de assistir ao colapso reflete um tipo de gozo que se manifesta na destruição. E aqui a gente retorna à reflexão de Fisher — não havendo alternativas viáveis a um capitalismo que se globalizou até o limite e eliminou todas as possibilidades de sistemas alternativos, a única coisa que resta para o futuro, se não é imaginar o mundo pior do que está (ou seja, ainda mais mercantilizado e precarizado), é imaginar o mundo sequer existindo! Não é um masoquismo banal, mas sim a percepção de que, se a realidade parece intolerável e sem saída, o apocalipse pode ser o único horizonte que lhe dá algum sentido. É daí que podemos concluir que hoje em dia não apenas tememos o fim do mundo; em certa medida, nós o desejamos.
É claro que há um traço cínico nesse comportamento, expresso nas já mencionadas mercadorias que vendem uma experiência de catástrofe global em duas horas, ou em episódios de cinquenta minutos. Enquanto uns se fascinam com o caos, outros vendem ingressos. Com os moradores de Tel Aviv, que convivem com lançadores de mísseis no mesmo quarteirão do condomínio em que moram, já não é mais preciso gastar com streaming para vermos grandes explosões — eles agora estão nos reels do Instagram, dividindo espaço com os vídeos de piadas ruins e os canais motivacionais. O apelo tem sido tão grande que mesmo o Mundial de Clubes da FIFA quase não tem sido assunto.
No que se refere ao conflito propriamente dito, muito já foi falado. Como todos os temas que ganham projeção midiática, rapidamente aparecem especialistas por todos os lados, para todos os gostos, tanto pró-Israel quanto pró-Irã, além dos que pensam que os inimigos deveriam se abraçar e selar a paz num gesto quase espiritual. O que nem sempre se diz é que, nessa discussão sobre quem tem razão, muitas vezes não se levanta o fato de que ambos os lados têm traumas históricos recentes (Israel com o Holocausto e os conflitos pós-1948, Irã com o neocolonialismo durante os séculos XIX e XX, e a persistente desconfiança do Ocidente), que tornam impossível que ignorem o papel do outro nessas tragédias. A possibilidade imediata é o persistente conflito até que um dos lados seja aniquilado como Estado-nação.
Só que pode haver uma outra via, que não é o simples autoengano, como um vedar de olhos, na forma de discurso pacifista. Essa via seria com as partes admitindo essa impossibilidade de solução e cometendo um ato simbólico radical: o reconhecimento de que há um mito comum que pode ser compartilhado. Nesse mito comum, Irã e Israel, como duas grandes forças daquela região, já não precisariam convencer o outro nem forçá-lo a aceitar sua primazia. Eles poderiam se tornar parceiros econômicos, impulsionando projetos comuns (cooperação em dessalinização da água, energia solar, etc). Também não deveriam fingir amizade; podem continuar antagônicos, porém ao invés de se buscar a destruição do inimigo, o elemento a ser almejado seria a administração desse antagonismo. De quebra, deixariam de ser títeres de indústrias (e potências) que lucram com o conflito.
Utopia? Não é por aí. Já tivemos exemplos parecidos antes. Na Irlanda do Norte, o conflito entre o IRA (Exército Republicano Irlandês) contra o Reino Unido, que durou décadas, só foi reconhecido quando houve gestos dos dois lados: a Rainha pediu desculpas, o IRA abandonou atos de terrorismo para a interlocução política e os investimentos na região aumentaram. E nós mesmos somos protagonistas de algo parecido: Brasil e Argentina, que desde a condição colonial nutriam rivalidades que desembocaram em anos de guerra, e permaneceram sob desconfiança mútua por quase todo o século passado, numa certa altura reconheceram suas diferenças mas agiram em sentido contrário — decidiram cooperar mutuamente e deram o pontapé inicial para a criação do Mercosul, tornando-se os dois principais artífices da (tentativa de) integração sul-americana.
Por que, então, uma semelhante revolução simbólica não poderia se dar no Oriente Médio? Se há coragem para empreendimentos militares suicidas, pode haver coragem para gestos outrora impossíveis. A arte e a cultura poderiam vir fomentar uma nova narrativa comum, contrariando as que vêm sendo hegemônicas até aqui. E é claro, isso exigiria paciência, pois as transformações mentais não se dão por decreto, mas com lentas mudanças na consciência daqueles povos. Pode ser que isso não se dê enquanto o Likud estiver no poder de um lado e o aiatolá do outro, embora fosse justamente pelo ato deles que essa saída talvez surtisse mais efeito. Assim o mundo teria condições de se acostumar com a ideia da paz como solução, e não do apocalipse como alívio para as dores humanas.
-
UFRN divulga proposta orçamentária para 2025 com foco em assistência estudantil e manutenção
A Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apresentou nesta segunda-feira (23) a previsão de distribuição orçamentária interna para o próximo ano. A proposta, elaborada pela Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan), prioriza recursos para assistência estudantil, manutenção da infraestrutura e investimentos em pesquisa e extensão.
De acordo com o documento preliminar, cerca de 28% do orçamento total deverá ser destinado a programas de permanência estudantil, incluindo bolsas, auxílios e restaurantes universitários. Outros 35% estão reservados para custeio e manutenção de campi, enquanto 22% serão alocados para projetos de pesquisa e inovação. Os 15% restantes contemplam despesas administrativas e outras ações estratégicas.
O reitor destacou que a proposta segue em análise e poderá sofrer ajustes antes da aprovação final. “Estamos trabalhando para garantir que os recursos sejam distribuídos de forma equilibrada, atendendo às demandas mais urgentes da comunidade acadêmica”, afirmou. A previsão baseia-se no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado pelo governo federal, que ainda precisa ser votado no Congresso Nacional.
A UFRN também planeja destinar parte dos recursos à modernização de laboratórios e à conclusão de obras em andamento, como a ampliação do Hospital Universitário e a reforma de bibliotecas. A versão final da proposta orçamentária deverá ser submetida ao Conselho Universitário (Consuni) até agosto.
Enquanto isso, a administração central reforça que manterá diálogo com unidades acadêmicas e setores administrativos para aprimorar a distribuição dos recursos. Servidores, estudantes e técnicos poderão enviar sugestões por meio de consulta pública que será aberta em julho.
-
FIERN vai colaborar com a Codern em iniciativa para envolver a comunidade do entorno do Porto de Natal
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) vai colaborar com a Companhia Docas do RN (Codern) em uma iniciativa para envolver a comunidade do entorno do Porto de Natal em uma agenda de serviços em saúde, capacitação e cultura. O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, recebeu o diretor Técnico e Comercial interino da Codern, Paulo Sidney, nesta segunda-feira (23), na Casa da Indústria, para tratar da parceria.
Serquiz destaca que, além da conexão com a comunidade, a iniciativa traz a oportunidade de envolver a população com a importância do Porto, criando o sentimento de pertencimento. “A FIERN vai, dentro da sua missão, apresentar a melhor forma de contribuir com o projeto. Entendemos que o Porto de Natal é um instrumento fundamental para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, afirma.
O presidente da FIERN ressalta a importância de investimentos na infraestrutura do Porto de Natal para viabilizar o escoamento da produção pelo modal marítimo e melhorar a competitividade do estado. “O porto é viável. Nós mostramos em números, fizemos um levantamento do que precisava ser feito no porto. Um orçamento em torno de R$ 250 milhões de investimentos, isso em abril de 2024, e um estudo nos trouxe que, uma vez retomado o porto, teríamos um retorno, em um ano, de movimentação econômica em torno de R$ 1 bilhão”, frisa.
Já Paulo Sidney explica que o projeto está sendo desenhado com base em experiências de outros portos. “Queremos trabalhar pilares do ESG e oferecer uma agenda de serviços em capacitação profissional, saúde e cultura, além de chamar a atenção para as melhorias que o porto precisa”, aponta.
Também participou da reunião o diretor 1º secretário da FIERN, Heyder Dantas, que reforça a importância do porto para o setor produtivo. “A FIERN acompanha de perto a situação do Porto de Natal e o projeto pode ser importante para voltar os olhares da comunidade do entorno desse equipamento para a sua importância no desenvolvimento do estado”, diz.
O encontro ainda teve a participação do diretor 2º secretário da FIERN, Etelvino Patrício; a coordenadora executiva de Relações Institucionais e com o Mercado da FIERN, Ana Adalgisa Dias; a diretora Administrativa e Financeira da Codern, Ana Valda Galvão; e a supervisora de Gestão de Contratos da Codern, Camila Saraiva.
-
Prefeitura reduz fila de espera por cirurgias eletivas em Parnamirim
A Prefeitura de Parnamirim, por meio da Secretaria de Saúde (SESAD), realizou nesta segunda-feira (23) uma manhã de acolhimento no Centro Clínico de Parnamirim (CCPAR) para os pacientes que estão em processo de avaliação pré-operatória para cirurgias eletivas.
A ação é mais um passo no compromisso da gestão em reduzir uma fila reprimida de cirurgias, que ultrapassava mil pessoas desde a gestão passada. Durante esta segunda e terça-feira (24), estão sendo realizadas 320 avaliações pré-operatórias, atendendo pacientes que aguardam por cirurgias de vesícula, histerectomia e correção de hérnias.
Este ano, cerca de 500 cirurgias já foram realizadas em apenas cinco meses. Entre os procedimentos estão laqueaduras, correção de fístulas, hemorroidectomias, suspensão de bexiga, postectomias (fimose), tratamento de hidrocele, vasectomias e diferentes tipos de correção de hérnias.
As cirurgias estão ocorrendo em diversos hospitais do estado, inclusive Memorial, Universitário Onofre Lopes, Maria Alice, Januário Cicco, e ainda Hospital do Coração e Incor Natal, entre outros.A prefeita Nilda Cruz acompanhou a ação e destacou o esforço da equipe da saúde para atender a demanda acumulada. “Nossa equipe está trabalhando todos os dias. Apesar de termos recebido uma fila com mais de mil pessoas, enfrentamos o desafio com responsabilidade e compromisso. Esse é o nosso dever: melhorar os serviços prestados à população, principalmente na área da saúde”, afirmou a gestora.
As cirurgias estão ocorrendo em diversos hospitais do estado, inclusive Memorial, Universitário Onofre Lopes, Maria Alice, Januário Cicco, e ainda Hospital do Coração e Incor Natal, entre outros.
-
Projeto eólico offshore do Senai-RN é o 1º a ter licença prévia do Ibama no país
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concederá, nesta terça-feira (24), a primeira licença prévia para um projeto de energia eólica offshore no Brasil.
Trata-se do Sítio de Testes de Aerogeradores Offshore, que será implantado no litoral do município de Areia Branca, na Costa Branca do RN, com capacidade instalada de até 24,5 megawatts (MW).
Pioneiro no país, o projeto piloto, de responsabilidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Norte (Senai/RN), por meio do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), será executado em alto-mar, a uma distância de 15 a 20 quilômetros da costa, e prevê a instalação de dois aerogeradores – um de 8,5 MW e outro de 16 MW.
Toda a energia gerada será destinada ao consumo interno do Porto-Ilha, contribuindo para sua autossuficiência energética e a redução do uso de combustíveis fósseis.
Mais do que um empreendimento de geração de energia, o Sítio de Testes tem como missão contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico nacional, funcionando como projeto-piloto.
A iniciativa visa adaptar tecnologias offshore às condições ambientais brasileiras, promover inovação no setor elétrico, qualificar mão de obra local e impulsionar o desenvolvimento econômico, social e ambiental da região.
A emissão da licença prévia atesta a viabilidade ambiental do projeto em sua fase de planejamento, condicionada ao cumprimento dos requisitos estabelecidos pelo Ibama para as próximas etapas do licenciamento.
Além disso, a licença prévia representa um marco institucional relevante: trata-se do primeiro licenciamento ambiental federal de um sítio de testes eólicos offshore no Brasil, consolidando o papel do Ibama como órgão central na regulação ambiental de empreendimentos estratégicos para a transição energética nacional.
O Sítio de Testes, além de atender aos requisitos legais e técnicos do licenciamento, se destaca por seu caráter inovador e por funcionar como um piloto nacional. Ele poderá fornecer dados e metodologias que apoiarão o desenvolvimento de futuras iniciativas de geração eólica offshore, reforçando a importância do controle ambiental qualificado como instrumento de governança e indução do desenvolvimento sustentável.
-
Justiça determina cobertura de UTI a recém-nascido após negativa do plano de saúde
A Justiça determinou que uma operadora de plano de saúde providencie, de maneira imediata e integral, o custeio de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para um recém-nascido em Natal. A decisão é da 1ª Vara do Juizado Cível, Criminal e da Fazenda Pública da Comarca de Touros.
Segundo informações presentes nos autos, a ordem judicial ocorreu após negativa de cobertura, alegada pelo plano, para atendimento de urgência solicitado pela família da criança. O menino, que nasceu no dia 14 de maio de 2025, apresentou quadro de bronquiolite e agravamento respiratório em 13 de junho de 2025.
Mediante a gravidade da situação, foi indicada a necessidade de internação do recém-nascido em UTI. Entretanto, ao buscar atendimento em uma unidade hospitalar localizada em Natal, a família foi informada da recusa de cobertura por parte do plano de saúde. O plano justificou a recusa alegando inconsistências na data de nascimento e na vinculação ao serviço.
Em sua decisão, o juiz Ricardo Moura considerou que a solicitação de atendimento foi realizada dentro do prazo legal de 30 dias após o nascimento da criança. Durante esse período, o plano de saúde deve garantir a cobertura ao recém-nascido, conforme previsto na Lei nº 9.656/98, no Código de Defesa do Consumidor e, ainda, segundo regulamentações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Além disso, o magistrado destacou a proteção constitucional ao direito à saúde e à vida, considerando que “o que está em jogo é o bem-estar da criança e a dignidade humana”, de acordo com os artigos 5 e 6 da Constituição Federal. Com isso, foi deferida a tutela de urgência para obrigar a operadora a autorizar a internação, sob pena de multa diária em caso de descumprimento.
-
Ufersa indeniza em até R$ 4 mil estudantes prejudicados pelo princípio de incêndio em Moradia
A Universidade Federal Rural do Semi-Árido ressarciu na última quarta-feira, dia 18 de junho, aos seis estudantes que tiverem prejuízos materiais em decorrência do princípio de incêndio que atingiu a Casa 4 da Moradia Estudantil, em Mossoró.
Cinco estudantes receberam R$ 1.000,00 em indenização; e um outro foi reembolsado com R$ 4.000,00 para repor um aparelho de notebook e bens pessoais. Eles foram recebidos pelo reitor, professor Rodrigo Codes, e o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Álvaro Macedo.
Relembre – Na madrugada de domingo 18 maio, as chamas se iniciaram por volta das 4h atingindo parte de um dos dois quartos da Casa 4 da moradia masculina. No momento, não havia nenhum morador na unidade e, considerando que as chamas foram contidas rapidamente, também não houve nenhum dano humano.
A Universidade adotou, de imediato, medidas de acolhimento social, psicológico e pedagógico.
-
José Dias agradece apoio após falecimento da esposa em pronunciamento emocionado
Em sua primeira fala após o falecimento da esposa, Dona Diúda Alves, o deputado estadual José Dias (PL) utilizou o horário dos oradores, nesta terça-feira (24), para agradecer as manifestações de apoio recebidas e prestar homenagens.
Emocionado, o parlamentar agradeceu o cuidado de todos os profissionais que acompanharam a saúde de sua esposa ao longo dos últimos anos. “Agradeço do fundo do meu coração a dedicação dos médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, fonoaudiólogos, nutricionista e técnicos de enfermagem, que conviviam 24 horas em nossa casa”, disse.
O deputado também fez um agradecimento especial às cuidadoras. “Foram mais de dez anos de apoio e dedicação tão importantes e tão necessárias. Estendo esse reconhecimento às empresas de home care e à governadora do Estado pela manifestação de solidariedade.”
José Dias destacou ainda a união da classe política diante da perda. “Na política podemos ter adversários, mas não devemos ser inimigos. Agradeço a todas as manifestações, de todos os espectros políticos, que recebi nesse momento de dor”, avaliou.
Ele finalizou reafirmando sua fé: “A perda é dolorosa, mas temos a convicção de que, pela vida que ela teve aqui na Terra, pela sua fé e religiosidade, hoje ela está na casa do Pai”, disse.
-
Sesap e Ministério discutem política de saúde para população negra do RN
Os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que pouco mais de 60% da população do Rio Grande do Norte é negra. No entanto, em termos de acesso à saúde, essa fração da população ainda passa por dificuldades, como mostram as estatísticas e dados epidemiológicos.
E para encarar essa realidade, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) vem realizando uma série de trabalhos para a elaboração da Política Estadual de Saúde da População Negra e Quilombola do RN. Ao longo dessa semana, a Sesap e o Ministério da Saúde vão realizar uma série de ações voltadas ao tema. A agenda e outros tópicos foram discutidos em encontro feito na manhã desta terça-feira (24), com a presença do secretário Alexandre Motta, pela Sesap, e da assessora técnica da Assessoria de Equidade Ético-Racial do Ministério da Saúde, Jaqueline Oliveira.
“Precisamos encontrar meios de mostrar tanto para a população como para os trabalhadores da saúde que o racismo é uma realidade incontestável e encontrar as soluções para dar acesso à população negra”, destacou Motta.
Ao longo dos próximos dias serão realizados o diálogo intrasetorial “Caminhos para construção da política da população negra e quilombola x Possibilidades de recursos financeiros para áreas estratégicas”, uma oficina de elaboração da Política Estadual de Saúde da População Negra e Quilombola e uma trilha formativa dialógica sobre o racismo institucional e estratégias e ações de enfrentamento.
-
Menos da metade das unidades de saúde de Natal oferecem inserção de DIU
A capital potiguar apresenta um cenário acima da média nacional quando o assunto é acesso ao dispositivo intrauterino (DIU) na rede pública de saúde. Enquanto apenas 19,7% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) brasileiras oferecem o procedimento, em Natal esse índice chega a 48,3%, com 29 das 60 unidades capacitadas para a inserção do método contraceptivo.
Os dados, divulgados pelo Ministério da Saúde, revelam um avanço significativo nos últimos anos. Em todo o país, o número de procedimentos de inserção de DIU na atenção primária saltou de 52 mil em 2022 para 80,3 mil em 2024 – um crescimento de 55%. A Secretaria Municipal de Saúde de Natal atribui parte desse progresso à qualificação contínua de enfermeiros para realizar o procedimento.
O DIU de cobre, disponível no SUS, se destaca por sua eficácia prolongada (até 10 anos) e por não conter hormônios, sendo uma alternativa importante para mulheres que buscam métodos não hormonais de contracepção. “O dispositivo age impedindo a movimentação dos espermatozoides, dificultando a fecundação”, explica a coordenadora de Saúde da Mulher do município.
Apesar dos números positivos, especialistas apontam que a cobertura ainda poderia ser ampliada. “Temos trabalhado para expandir o serviço a mais unidades, mas enfrentamos desafios como a rotatividade de profissionais e a necessidade de treinamento contínuo”, comenta o secretário municipal de Saúde. A pasta reforça que todas as mulheres interessadas podem procurar as UBS capacitadas para agendar a inserção do dispositivo, que é totalmente gratuito pelo SUS.
A lista completa das unidades que oferecem o serviço em Natal está disponível no site da prefeitura, com opções distribuídas por todas as regiões da cidade – Norte I, Norte II, Sul, Leste e Oeste. Entre elas estão a USF Nova Natal (Norte I), UBS Candelária (Sul) e USF Felipe Camarão 3 (Oeste), garantindo acesso em diferentes pontos da capital.