José Armando, Taís e Rosilma: retratos da demora e da falta de transparência nas cirurgias eletivas no SUS



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Foi em um simples exame de vista que a longa história de José Armando com a fila eletiva começou. Durante a consulta, o oftalmologista achou estranho o desenvolvimento do globo ocular e deu ao jovem um encaminhamento para o Hospital Universitário Onofre Lopes, o próximo passo seria passar pela UBS, para assim, conseguir marcar sua consulta, mas a prática não é tão simples quanto parece.

“Ele disse que teria que passar pelo posto, mas nessa de passar pelo posto pra marcar lá, durou 6 anos, é tanto que quando a agente de saúde veio informar, ela disse que se fosse algo urgente eu teria morrido e minha vez não teria chegado”, comenta José.

José Armando tem malformação ocular – Foto: Cedida

Depois da longa espera, ele chegou a passar quatro meses sendo atendido e descobriu que precisaria passar por uma troca de córnea, mas teria que realizar outro exame e entregar na UBS novamente, um exame que garantiria um retorno hospitalar após um ano, para dar continuidade ao seu acompanhamento.

O processo de levar toda documentação para o exame de retorno, aconteceu em 2017, mas os esforços de José não foram suficientes para conseguir retornar ao atendimento médico. “A secretaria de saúde disse que não conseguiu marcar o exame depois de um ano”, relata.

“A gente procurava saber, mas diziam que a fila de espera era muito grande, até o papel vencer, agora tem que começar tudo de novo, porque o exame venceu”, comenta sem esperanças.

O exame prescreveu e o rapaz teria que passar por todo o processo novamente: consulta com o oftalmologista, levar documentação para secretaria de saúde, esperar… Desanimado, após o longo período de espera vir com a frustração, decidiu não passar por todo o processo novamente e vive sua vida como viveu todos esses anos, com o problema ali, mas aparentemente sem uma solução.

Assim, como o caso de José Armando, há tantos outros, como é o caso de Taís Ramos. A jovem um dia acordou intoxicada, de início acharam que era alergia, foi ao hospital onde foi medicada com prednisona, mas de nada adiantou.

As manchas vermelhas pelo corpo todo só aumentavam, mexendo com a autoestima e psicológico da moça, juntou dinheiro e foi ao alergologista – médico de alergia – fez um tratamento que amenizou os danos, mas três semanas depois todos os sintomas voltaram.

O corpo de Taís estava todo coberto por essas manchas – Foto: Cedida

Desesperada, recorreu ao hospital novamente, na tentativa de alguém descobrir o que ela tinha, a médica de plantão então deu um encaminhamento para um dermatologista e passou uma bateria de exames que custava 800 reais, nem ela, nem seus familiares teriam como custear no momento. 

“Ela me olhou e disse que isso não se resolvia lá, era coisa de pele, só no dermatologista e que provavelmente era dermatite atópica. Levei todos os documentos para a secretaria de saúde, isso em janeiro, e estou aguardando até hoje, não sei nada sobre minha situação na fila. Se foi encaminhado, se entrei ou não, é desesperador”, afirma.

Além dos casos que esperam anos na fila, há também os que não conseguem nem entrar nela, como o caso de Rosilma Silva. Há cinco meses, tenta solicitar o procedimento de laqueadura, mas por falta de ginecologista em sua cidade, ela não consegue sequer um encaminhamento.

“Na verdade, existe uma ginecologista que atende a cidade toda, mas a agenda está cheia, não aceita mais ninguém”, afirma.

É o encaminhamento do médico especialista que permite com que o paciente consiga solicitar a entrada na fila do SUS e com uma bebê de cinco meses, não há recursos para ir a um atendimento particular e solicitar o encaminhamento.

Assim como José Armando, Taís e Rosilma existem milhares de brasileiros tentando entrar na fila ou esperando anos por cirurgias simples, mas são obrigados a conviver com seus problemas de saúde.

Para os que tentam entram na fila, existe a incerteza de quando vão conseguir entrar e se vão conseguir, já para aqueles estão, fica a sensação de estarem perdidos no escuro, sem saber em qual posição está, quantas pessoas estão na fila, como funciona os procedimentos e em meio a isso, os anos vão se passando.

Recentemente publicamos uma matéria sobre a falta de informações sobre as cirurgias eletivas no site do sepap, para ler a matéria clique aqui.

O caos na saúde do país não é algo exclusivo da rede pública, até mesmo quem paga plano de saúde passa por desafios constantes, publicamos uma matéria sobre o caso de Antonella, uma garotinha de 2 anos que precisa de uma cirurgia, mas seu problema só agrava por negligência médica, para ler clique aqui.




O Potengi

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José Armando, Taís e Rosilma: retratos da demora e da falta de transparência nas cirurgias eletivas no SUS





Foi em um simples exame de vista que a longa história de José Armando com a fila eletiva começou. Durante a consulta, o oftalmologista achou estranho o desenvolvimento do globo ocular e deu ao jovem um encaminhamento para o Hospital Universitário Onofre Lopes, o próximo passo seria passar pela UBS, para assim, conseguir marcar sua consulta, mas a prática não é tão simples quanto parece.

“Ele disse que teria que passar pelo posto, mas nessa de passar pelo posto pra marcar lá, durou 6 anos, é tanto que quando a agente de saúde veio informar, ela disse que se fosse algo urgente eu teria morrido e minha vez não teria chegado”, comenta José.

José Armando tem malformação ocular – Foto: Cedida

Depois da longa espera, ele chegou a passar quatro meses sendo atendido e descobriu que precisaria passar por uma troca de córnea, mas teria que realizar outro exame e entregar na UBS novamente, um exame que garantiria um retorno hospitalar após um ano, para dar continuidade ao seu acompanhamento.

O processo de levar toda documentação para o exame de retorno, aconteceu em 2017, mas os esforços de José não foram suficientes para conseguir retornar ao atendimento médico. “A secretaria de saúde disse que não conseguiu marcar o exame depois de um ano”, relata.

“A gente procurava saber, mas diziam que a fila de espera era muito grande, até o papel vencer, agora tem que começar tudo de novo, porque o exame venceu”, comenta sem esperanças.

O exame prescreveu e o rapaz teria que passar por todo o processo novamente: consulta com o oftalmologista, levar documentação para secretaria de saúde, esperar… Desanimado, após o longo período de espera vir com a frustração, decidiu não passar por todo o processo novamente e vive sua vida como viveu todos esses anos, com o problema ali, mas aparentemente sem uma solução.

Assim, como o caso de José Armando, há tantos outros, como é o caso de Taís Ramos. A jovem um dia acordou intoxicada, de início acharam que era alergia, foi ao hospital onde foi medicada com prednisona, mas de nada adiantou.

As manchas vermelhas pelo corpo todo só aumentavam, mexendo com a autoestima e psicológico da moça, juntou dinheiro e foi ao alergologista – médico de alergia – fez um tratamento que amenizou os danos, mas três semanas depois todos os sintomas voltaram.

O corpo de Taís estava todo coberto por essas manchas – Foto: Cedida

Desesperada, recorreu ao hospital novamente, na tentativa de alguém descobrir o que ela tinha, a médica de plantão então deu um encaminhamento para um dermatologista e passou uma bateria de exames que custava 800 reais, nem ela, nem seus familiares teriam como custear no momento. 

“Ela me olhou e disse que isso não se resolvia lá, era coisa de pele, só no dermatologista e que provavelmente era dermatite atópica. Levei todos os documentos para a secretaria de saúde, isso em janeiro, e estou aguardando até hoje, não sei nada sobre minha situação na fila. Se foi encaminhado, se entrei ou não, é desesperador”, afirma.

Além dos casos que esperam anos na fila, há também os que não conseguem nem entrar nela, como o caso de Rosilma Silva. Há cinco meses, tenta solicitar o procedimento de laqueadura, mas por falta de ginecologista em sua cidade, ela não consegue sequer um encaminhamento.

“Na verdade, existe uma ginecologista que atende a cidade toda, mas a agenda está cheia, não aceita mais ninguém”, afirma.

É o encaminhamento do médico especialista que permite com que o paciente consiga solicitar a entrada na fila do SUS e com uma bebê de cinco meses, não há recursos para ir a um atendimento particular e solicitar o encaminhamento.

Assim como José Armando, Taís e Rosilma existem milhares de brasileiros tentando entrar na fila ou esperando anos por cirurgias simples, mas são obrigados a conviver com seus problemas de saúde.

Para os que tentam entram na fila, existe a incerteza de quando vão conseguir entrar e se vão conseguir, já para aqueles estão, fica a sensação de estarem perdidos no escuro, sem saber em qual posição está, quantas pessoas estão na fila, como funciona os procedimentos e em meio a isso, os anos vão se passando.

Recentemente publicamos uma matéria sobre a falta de informações sobre as cirurgias eletivas no site do sepap, para ler a matéria clique aqui.

O caos na saúde do país não é algo exclusivo da rede pública, até mesmo quem paga plano de saúde passa por desafios constantes, publicamos uma matéria sobre o caso de Antonella, uma garotinha de 2 anos que precisa de uma cirurgia, mas seu problema só agrava por negligência médica, para ler clique aqui.


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