Blog do Girotto
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Pesquisa Ranking / O Potengi falhou em captar intensificação da migração massiva de votos na última semana
A pesquisa Ranking/O Potengi divulgada no último sábado ouviu 3 mil eleitores da capital nos dias 1 e 2 de outubro de 2024. Com 36,30% dos votos válidos, Carlos liderava as intenções de voto. O vencedor do 1º turno, Paulinho, apareceu em 3º, com 30,61%.
Desconsiderando a margem de erro da amostra, que foi de 1,8% para mais ou para menos, temos que nossa pesquisa registrou uma tendência de votação de Paulinho inferior àquela que saiu das urnas no dia 6 de outubro. A distância entre os números que o Ranking verificou entre os eleitores natalenses nos dias 1 e 2 de outubro e votação final de Freire foi 50.148 votos.
Já Carlos Eduardo apareceu em nossa pesquisa com uma projeção de votos inversamente proporcional à diferença projetada para Paulinho Freire. Abertas as urnas, Carlos teve 45.399 a menos que aqueles projetados pela pesquisa Ranking.
Há sempre – e temos o dever de admitir – a possibilidade de a pesquisa ter sido ineficiente em capturar o movimento do eleitorado. Contudo, a última pesquisa Ranking / O Potengi para o 1º turno em Natal foi aquela que entrevistou o maior número de eleitores na capital (3 mil), tendo também a menor margem de erro dentre todas as pesquisas registradas, apenas 1,8%.
Os números da pesquisa divulgada em nosso podcast no dia 6 de outubro mantêm uma tendência consistente com os das aferições anteriores, apontando um relativo crescimento de Paulinho e Natália sobre Carlos Eduardo. Ainda assim, considerando a evolução dos números das pesquisas Ranking, foram mais de 29 mil votos que teriam migrado de Carlos para Paulinho para além da média de migração de votos estabelecida pelas pesquisas Ranking.
Vamos aos fatos…
Os votos de Carlos Eduardo
Carlos Eduardo apareceu em 22 de setembro com 40,57% das intenções de votos na pesquisa Ranking, caindo para na semana seguinte 33,73% e oscilando para 36,30% na última pesquisa. Calculando a média de Carlos nos últimos sete dias, temos que – na margem de erro – o ex-prefeito teria entre 34,2% e 36,8% no dia 2 de outubro.
Em sete dias, Carlos Eduardo viu suas intenções de voto caírem 13,3% – uma média de 1,9% por dia.
Portanto, a projeção do Instituto Ranking para o dia 6 de outubro (mantida a tendência estável de suas três últimas pesquisas) seria Carlos ter um piso de 31,6%, contando com a margem de erro de 1,8%.
Pela projeção da pesquisa Ranking, Carlos teria 122.698 votos no dia 6 de outubro. Ele teve 93.013 – 29.685 votos a menos que o projetado por nossa pesquisa.
Os votos de Paulinho Freire
Paulinho Freire, que entre as duas últimas pesquisas Ranking foi de 24,30% para 30,61%, apresentou uma sólida tendência de crescimento na casa 26% em suas intenções de voto no período.
Pela projeção da tendência de crescimento apontada pela pesquisa Ranking, Paulinho teria no dia 6 de outubro entre 136.459 e 138.961 votos. Ele teve 171.146; foram 32.185 votos a mais que o teto projetado pelo instituto.
Nossa pesquisa não explica a migração de quase 30 mil votos de Carlos para Paulinho
| PROJEÇÃO DA PESQUISA PARA 6 DE OUTUBRO | |||
| Candidato | Votação | Projeção Ranking* | Diferença |
| Paulinho Freire (UB) | 171.146 | 138.961 | -32.185 |
| Natália Bonavides (PT) | 110.483 | 120.363 | 9.880 |
| Carlos Eduardo (PSD) | 93.013 | 122.698 | 29.685 |
| Outros | 13.644 | 8.114 | -5.530 |
Como conclusão direta dos números apresentados, temos que a última pesquisa Ranking / O Potengi para a Prefeitura de Natal falhou em detectar a tendência de migração de mais de 29 mil votos que de Carlos Eduardo teriam partido rumo à cesta de votos de Paulinho Freire.
Temos que – nos quatro dias que antecederam a votação – nossa pesquisa projetava uma migração massiva de 21 mil votos de Carlos Eduardo para Paulinho Freire. Embora sejam números já impressionantes, o que vimos foram quase 50 mil eleitores realizando esse movimento. Pela crueza dos números que divulgamos, precisamos admitir que a pesquisa não explica 29 mil votos de Paulinho Freire.
Disso decorrem duas possibilidades que ainda precisam entender melhor. A primeira é que tenhamos sido ineptos ao planejar e conduzir a pesquisa. Adotando como critério a Navalha de Ockham, esta é a possibilidade mais provável.
A outra, que carece de maior conhecimento sobre o que ocorreu nos bairros de Natal entre os dias 3 e 6 de outubro, é de que neste período algum fator, do tipo que não cabe a uma pesquisa verificar, teria entrado em campo e virado quase 30 mil votos, mirando diretamente o eleitorado de Carlos Eduardo e o excluindo do 2º turno. É improvável, pelo que podemos afirmar e comprovar, que isso tenha acontecido. Não se viu a campanha de Paulinho Freire nas ruas, sequer no dia da votação.
O que nos resta é tentar entender melhor o ocorrido e por ora admitir nosso erro, pelo qual pedimos desculpas a nossos leitores.
As pesquisas Ranking para o 1º turno em Natal
O jornal O Potengi registrou quatro pesquisas para o 1º turno na capital potiguar. Confira os resultados abaixo.
Pesquisa Ranking / O Potengi de 30 de junho
Pesquisa Ranking / O Potengi de 22 de setembro
Apenas Ranking, Qualitá e Veritá acertaram Natália no 2º turno em Natal
A eleição para a Prefeitura de Natal em 1º turno foi marcada pela guerra de pesquisas. Cada candidato adotou como verdadeira aquela que melhor o apresentava. Abertas as urnas, é hora de avaliar o desempenho dos diferentes institutos e dar aos eleitores informações confiáveis de como julgar agentes e metodologias que merecem credibilidade.
O resultado final, com a passagem de Paulinho Freire e Natália Bonavides para o 2º turno desmoronou as previsões da grande maioria dos institutos, inclusive do parceiro deste jornal, o Ranking Brasil, que projetava Carlos e Natália no 2º turno.
Das onze pesquisas analisadas, oito erraram a segunda colocação da candidata petista Natália Bonavides. As exceções foram Ranking, Qualitá e Veritá.
Confira abaixo o que cada um dos onze institutos previram para a votação de Natália em comparação com o resultado das urnas.
| Natália Bonavides (PT) – Votação: 28,45% | |||
| INSTITUTO | Previsão | Diferença | Períododas Entrevistas |
| Veritá | 28,86% | 0,41% | 27/09 a 01/10 |
| Qualitá | 29,44% | 0,99% | 01/10 |
| TCM/TSDois | 25,93% | -2,52% | 26 a 30/09 |
| Ranking Brasil | 31,00% | 2,55% | 01-03/10 |
| Quaest | 25,00% | -3,45% | 04-05/10 |
| Seta/Blog do BG | 31,90% | 3,45% | 30/09 a 01/10 |
| DataVero | 24,55% | -3,90% | 02 a 04/10 |
| Consult | 23,40% | -5,05% | 27 a 30/09 |
| AtlasIntel | 34,60% | 6,15% | 29/09 a 04/10 |
| Futura | 21,50% | -6,95% | 03/10 |
| Exatus | 19,16% | -9,29% | 01-02/10 |
Carlos vence último debate entre candidatos à Prefeitura de Natal, realizado na noite de ontem

Carlos Eduardo (PSD) teve o melhor desempenho entre os quatro candidatos presentes ao debate de ontem à noite, na Inter TV Cabugi. Seguro e bem informado, ele se valeu da experiência de ter sido quatro vezes prefeito da capital e desmontou com facilidade as narrativas que os marqueteiros das campanhas adversárias armaram para colocá-lo em situações difíceis que pudessem ser exploradas em cortes para as redes sociais.
Prova disso foi o momento mais controverso da atuação de Carlos no debate, a tensão entre ele e Paulinho Freire, que está sendo divulgada como uma confusão do porte das arengas de Marçal e Datena. O exagero na exploração deste fato isolado e até insignificante mostra que Carlos não caiu nas ciladas.
Paulinho Freire tem sido punido em todos os debates por um marketing anacrônico, apegado a soluções mágicas e a um discurso que só reverbera nos cafés de Petrópolis. Suando às bicas e muito nervoso, ele sentiu – já no primeiro bloco – que a estratégia traçada para o confronto contra Carlos falhou. Levou várias invertidas e quase tudo o que disse sobre o adversário acabou recaindo sobre o próprio Paulinho.
Natália, que teve o melhor pessoal em todos os demais debates, também mostrou certo nervosismo nesta oportunidade. Ainda que tenha mantido a qualidade e a comunicação direta que marcam seu marketing de campanha, não esteve no mesmo nível de suas aparições anteriores. Muito disso se deve, creio, ao surpreendente desempenho de Carlos no debate, que frustrou a expectativa geral de que ele cometeria erros fatais a serem explorados na reta final.
Já Rafael Motta, embora ainda em crise de identidade e afetado por maneirismos, teve sua melhor participação em um debate (e mesmo entre as entrevistas que concedeu) neste ano. Encerra sua discreta participação na eleição com dignidade.

