Blog do Girotto
Bastidores, análise política e opinião sobre poder, eleições e vida pública no Rio Grande do Norte.
Cadu vai apoiar candidato de Ezequiel à presidência da ALRN
A primeira semana após a votação em 1º turno para o governo do RN foi mais movimentada no campo petista do que entre os apoiadores de Allyson Bezerra. O PT firmou diversos compromissos em busca do apoio das bases do candidato do PL, Álvaro Dias, que ficou fora do segundo turno.
O primeiro acordo que circulou pela imprensa foi com o atual presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, que está impedido de disputar outro mandato consecutivo à frente da Casa. O acordo firmado — entre outras exigências de Ezequiel — prevê o apoio do PT e de um eventual governo de Cadu de Lula à eleição de um deputado estadual do PSDB para a sucessão de Ezequiel.
Além de Ezequiel, o PSDB elegeu outros dois candidatos para a próxima legislatura: Cristiane Dantas e Gustavo Soares. Um deles já teria maioria para presidir o Legislativo estadual no biênio 2027/2028.
E o nome, inclusive, já está definido há meses. Podem anotar.
Rogério Marinho tem caminho aberto à presidência do Senado
Temos dito, desde o ano passado, que a principal ambição de Rogério Marinho não era o governo do Rio Grande do Norte. Seu projeto era outro: a presidência do Senado. O resultado das urnas reforça essa leitura.
Secretário-geral do PL desde 16 de julho de 2024, Rogério abriu mão da pré-candidatura ao governo potiguar em janeiro deste ano para assumir a coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Também participou da articulação das candidaturas do partido ao Senado pelo país. Na minha avaliação, foi um dos principais responsáveis pelo avanço da legenda na Casa nesta eleição.
A ambição já foi admitida publicamente. Em entrevista à Veja, publicada em 27 de setembro, Rogério se apresentou como pré-candidato ao comando do Senado, embora tenha reconhecido que o nome a ser defendido pelo grupo poderia ser outro.
Na próxima legislatura, o PL terá 28 dos 81 senadores, como mostramos na reportagem sobre a distribuição partidária das cadeiras. Quando incluímos os aliados de outras legendas, o campo bolsonarista chega a 53 nomes, segundo o mapeamento dos apoios a Bolsonaro e Lula feito por O Potengi.
É uma maioria folgada no Senado que se forma a partir de 1º de fevereiro de 2027. Os 53 alinhamentos não significam 53 votos já assegurados a Rogério: a eleição da Mesa Diretora ainda depende de candidaturas, acordos e escolhas dos senadores. Mas a dimensão desse campo, somada ao papel que ele desempenhou na organização do PL, abre um caminho politicamente muito favorável.
Rogério Marinho sovou e assou o pão que será servido na eleição da próxima Mesa Diretora da Casa. Minha aposta é esta: só não será presidente se não quiser.
Fervor e fedentina em Caicó
Das milhares de pessoas que abarrotaram as ruas do centro de Caicó na última quinta-feira (30/07), 54,3% eram candidatos ou assessores de candidatos que concorrem a algum dos 36 cargos em disputa neste ano no RN. É o que revela o DataGirotto, menos confiável instituto de pesquisa de 2026.
Os nativos com quem conversei – todos eles – em algum momento comentaram o fato de haver poucos conhecidos seus no evento ou de eles estarem muito escondidos na multidão. “Muito mais gente de fora que o comum”, me disse George. “Eles sempre vêm em quantidade, mas este ano tá muito mesmo.”
Já eu – que vim de Natal para o evento – não conseguia andar 20 metros sem ter que parar para cumprimentar algum conhecido (de Natal).
Ainda assim, a festa teve o habitual fervor caicoense, deste povo orgulhoso de quem é – Caicó é realmente fora da curva.
O que manchou a feirinha de Santana, contudo, nem foi a invasão dos gabinetes políticos, mas o fedor que se espalhou pela avenida Seridó. Um defeito na rede de esgoto de uma das principais vias da cidade espalhou pela entrada do evento uma podridão nauseante, debaixo de um sol de quase 40º.
Quem vinha ofegante pela temperatura elevada, ao se aproximar do portal que anunciava a festividade recebia um espesso soco de fedentina na boca do estômago. Apoiadores do prefeito diziam que a culpa era da Caern. Adversários do prefeito diziam que a culpa era dele. Todos os demais diziam que o fedor era insuportável.

