Blog do Girotto

Bastidores, análise política e opinião sobre poder, eleições e vida pública no Rio Grande do Norte.

Por Girotto

Fervor e fedentina em Caicó

Das milhares de pessoas que abarrotaram as ruas do centro de Caicó na última quinta-feira (30/07), 54,3% eram candidatos ou assessores de candidatos que concorrem a algum dos 36 cargos em disputa neste ano no RN. É o que revela o DataGirotto, menos confiável instituto de pesquisa de 2026.

Os nativos com quem conversei – todos eles – em algum momento comentaram o fato de haver poucos conhecidos seus no evento ou de eles estarem muito escondidos na multidão. “Muito mais gente de fora que o comum”, me disse George. “Eles sempre vêm em quantidade, mas este ano tá muito mesmo.”

Já eu – que vim de Natal para o evento – não conseguia andar 20 metros sem ter que parar para cumprimentar algum conhecido (de Natal).

Ainda assim, a festa teve o habitual fervor caicoense, deste povo orgulhoso de quem é – Caicó é realmente fora da curva.

O que manchou a feirinha de Santana, contudo, nem foi a invasão dos gabinetes políticos, mas o fedor que se espalhou pela avenida Seridó. Um defeito na rede de esgoto de uma das principais vias da cidade espalhou pela entrada do evento uma podridão nauseante, debaixo de um sol de quase 40º.

Quem vinha ofegante pela temperatura elevada, ao se aproximar do portal que anunciava a festividade recebia um espesso soco de fedentina na boca do estômago. Apoiadores do prefeito diziam que a culpa era da Caern. Adversários do prefeito diziam que a culpa era dele. Todos os demais diziam que o fedor era insuportável.

Denúncia: Câmara Municipal de Mossoró e o uso indevido de recursos públicos

A Câmara Municipal de Mossoró está no centro de um escândalo envolvendo gastos questionáveis do dinheiro público. Durante a gestão do ex-presidente Lawrence Amorim, a instituição desembolsou mais de R$ 700 mil em três anos para o aluguel de 23 tablets, resultando em um custo mensal de aproximadamente R$ 24 mil.

Em contraste com a farra de Lawrence Amorim, a atual administração, sob a liderança do vereador Genilson Alves, adquiriu os mesmos 23 dispositivos por pouco mais de R$ 28 mil, evidenciando uma economia significativa e levantando questões sobre a gestão anterior.

Amorim tentar se justificar alegando que os altos valores mencionados se justificariam pelo uso de um software, manutenção de sistema, informatização do sistema de votação e pagamento de licenças de software. No entanto, uma servidora efetiva da Câmara revelou que o software de votação e todo o sistema integrado foram desenvolvidos internamente pela equipe de TI da casa. Lawrence estaria pagando a uma empresa privada por um serviço que os funcionários da Câmara realizaram.

Essa informação sugere que não havia necessidade de contratar uma empresa externa para fornecer serviços já realizados internamente, colocando em dúvida a destinação de aproximadamente R$ 19.400 mensais supostamente destinados a licenças de software e manutenção do sistema.

Parte da herança maldita de Lawrence

A situação se agrava quando consideramos que, mesmo após investimentos tão elevados, a Câmara enfrentou problemas financeiros, herdando dívidas e contratos em aberto da gestão anterior. Curiosamente, o contrato de locação dos tablets foi um dos poucos pagos em dia, levantando suspeitas sobre as prioridades e a transparência na aplicação dos recursos públicos.

Diante desses fatos, é imperativo que órgãos de controle, como o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), investiguem minuciosamente os contratos firmados durante a gestão de Lawrence Amorim. A população de Mossoró merece esclarecimentos sobre o uso dos recursos públicos e a garantia de que práticas como essas não se repitam no futuro.

A transparência e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos são pilares fundamentais para a confiança da sociedade em suas instituições. Casos como este destacam a importância da fiscalização contínua e da participação ativa da comunidade na cobrança por uma administração pública eficiente e ética.

Reajuste salarial pelo IPCA: uma medida justa e aliada à responsabilidade fiscal

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, sancionou um conjunto de leis que estabelece uma política permanente de valorização salarial para servidores estaduais, beneficiando mais de 63 mil profissionais, entre ativos, aposentados e pensionistas. As novas regras, que incluem reajustes anuais baseados no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), representam um avanço significativo tanto para o funcionalismo público quanto para a gestão fiscal do estado.

Reconhecimento e justiça aos servidores

O uso do IPCA como referência para os reajustes é uma medida justa que assegura a preservação do poder de compra dos servidores diante da inflação. Essa política corrige distorções históricas, como as perdas acumuladas em anos de ausência de recomposição salarial, e reconhece a relevância dos trabalhadores para o funcionamento da máquina pública. Além disso, a reorganização de carreiras e a inclusão de benefícios como o auxílio-alimentação para militares reforçam o compromisso do governo com a valorização das categorias.

Compatibilidade com a responsabilidade fiscal

A vinculação dos reajustes ao IPCA foi elaborada com rigor fiscal, demonstrando que a medida não se trata de um ônus financeiro descontrolado. A aplicação da política está condicionada a limites claros: o crescimento das despesas com pessoal não poderá ultrapassar 80% do aumento da receita corrente líquida. Essa regra assegura que os reajustes sejam realizados de forma sustentável, preservando o equilíbrio orçamentário do estado.

O modelo proposto também traz previsibilidade para as finanças públicas. Ao atrelar os reajustes a índices amplamente aceitos e à condição da receita estadual, o governo mantém a estabilidade fiscal enquanto proporciona segurança jurídica para os servidores.

Benefícios econômicos e sociais

Além de promover justiça salarial, a medida tem impactos positivos na economia local. O aumento no poder aquisitivo dos servidores tende a estimular o consumo e o setor produtivo, contribuindo para o desenvolvimento econômico do estado. Em paralelo, a valorização do funcionalismo público ajuda a reter talentos no setor estatal, garantindo a qualidade dos serviços prestados à população.

Exemplo de boa gestão

A iniciativa adotada no Rio Grande do Norte reflete uma prática que pode servir de exemplo para outros estados. Combinar valorização do funcionalismo com responsabilidade fiscal é essencial para manter a credibilidade das contas públicas enquanto se atende às demandas legítimas dos trabalhadores.

Em suma, a política salarial permanente sancionada no estado é mais do que uma ação justa: é uma demonstração de que é possível alinhar interesses sociais e financeiros de forma equilibrada. Ao corrigir distorções e garantir previsibilidade, o Rio Grande do Norte dá um passo relevante para o fortalecimento da administração pública e da economia estadual.