NOVO SENADO

Campo bolsonarista reúne 53 dos 81 nomes do próximo Senado; Lula tem 27

PL concentra 28 cadeiras, e alianças ampliam o grupo ligado a Bolsonaro; no RN, Samanda está com Lula, enquanto Rogério Marinho e Styvenson integram o outro campo.

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Vista geral do plenário do Senado, com parlamentares nas bancadas e painel eletrônico de votação, em 29 de abril de 2026.
Plenário do Senado durante sessão de votação em 29 de abril de 2026. Foto: Ton Molina/Agência Senado (CC BY-SA 4.0). Crédito: Ton Molina/Agência Senado Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-SA 4.0)

O campo político ligado a Jair e Flávio Bolsonaro reúne 53 dos 81 nomes previstos para o Senado a partir de 2027, enquanto o grupo alinhado ao presidente Lula soma 27. Alessandro Vieira (MDB-SE) ocupa a cadeira restante, com posição independente em relação aos dois polos. O quadro considera os 54 eleitos no domingo (4) e as 27 cadeiras cujos mandatos continuam até 2031.

A composição dá ao bolsonarismo uma presença que vai além das 28 cadeiras do PL. O partido concentra o maior contingente desse campo, que também inclui integrantes de PP, Republicanos, União Brasil, Novo, MDB, PSD, PSDB e Podemos, além de Romário, atualmente sem partido.

Lula, por sua vez, conta com aliados fora do PT. Os nove senadores do PT se somam a representantes de PSB, PDT, Rede, MDB, PSD, PP e União Brasil. Os dois campos chegam à próxima legislatura com parlamentares de trajetórias distintas e diferentes graus de proximidade com as lideranças presidenciais.

Como os apoios atravessam os partidos

Entre os 54 eleitos neste ano, 35 estão no campo bolsonarista, 18 no de Lula e um mantém posição independente. Nas cadeiras que continuam, o quadro é de 18 nomes ligados a Bolsonaro e nove a Lula, já consideradas as substituições previstas após a eleição de senadores para governos estaduais.

Partido Campo Bolsonaro Campo Lula Posição independente
PL 28 0 0
PT 0 9 0
MDB 2 5 1
PP 5 1 0
União Brasil 4 2 0
PSD 1 4 0
Republicanos 5 0 0
PSB 0 4 0
Novo 3 0 0
Podemos 2 0 0
PSDB 2 0 0
PDT 0 1 0
Rede 0 1 0
Sem partido 1 0 0
Total 53 27 1

No campo de Lula, os aliados de outras legendas incluem Eduardo Braga, Renan Filho, Helder Barbalho, Veneziano Vital do Rêgo e Marcelo Castro, do MDB; Omar Aziz, Otto Alencar, Júlio César e Jussara Lima, do PSD; André Fufuca, do PP; e Chicão e Davi Alcolumbre, do União Brasil.

Do lado bolsonarista, a relação inclui os cinco representantes do Republicanos e os três do Novo. No PP, estão Arthur Lira, Tereza Cristina, Dr. Hiran, Laércio Oliveira e Guilherme Derrite. No União Brasil, Gracinha Caiado, Mauro Mendes, Luís Felipe Cunha e Dorinha integram esse campo. Marina JHC e Plínio Valério, do PSDB, e Rayssa Furlan e Styvenson Valentim, do Podemos, também entram na composição.

No RN, dois com Bolsonaro e uma com Lula

A representação potiguar estará dividida: Samanda de Lula (PT) integra o campo de Lula; Rogério Marinho (PL) e Styvenson Valentim (Podemos), o de Bolsonaro. Samanda e Styvenson foram eleitos no domingo. Marinho permanece no mandato que termina em 2031.

Alianças estaduais não unificam a escolha presidencial

No Maranhão, André Fufuca e Lahesio Bonfim (Novo) foram eleitos na mesma chapa estadual, mas apoiam candidatos diferentes à Presidência. Fufuca, que foi ministro do Esporte, mantém o apoio a Lula. Lahesio declarou que fará campanha por Flávio no segundo turno, conforme relatou o Jornal Pequeno.

A divisão também aparece dentro das legendas. Enquanto Fufuca apoia Lula, Arthur Lira participou do anúncio de adesão da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, à candidatura de Flávio, na terça-feira (6). A participação de Lira foi registrada pelo Metrópoles.

Davi Alcolumbre segue outra direção dentro do União Brasil. Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o presidente do Senado disse a interlocutores que manterá sua aliança com Lula. Já Gracinha Caiado declarou apoio a Flávio em ato realizado em Goiás na terça-feira, conforme o Mais Goiás.

Alessandro Vieira, por sua vez, reafirmou sua independência após a reeleição em Sergipe. Em entrevista à Rádio Senado, avaliou que os dois candidatos à Presidência não são os que melhor representam o país.

Maioria política terá de se traduzir em votos

A dimensão dos campos ajuda a entender as negociações para a presidência do Senado e a relação da Casa com o próximo governo. O alinhamento na eleição presidencial, porém, não significa compromisso de votar da mesma forma em todos os projetos ou indicações. A formação de maiorias continuará dependendo das posições de cada parlamentar e dos acordos feitos em torno de cada decisão.

A composição também poderá mudar antes da posse. Alan Rick, Omar Aziz e Dorinha disputam governos no segundo turno. Se vencerem, suas cadeiras passarão aos suplentes. Mudanças de partido e convocações para ministérios também podem alterar o quadro.