A última pesquisa Media/O Potengi para o governo do Rio Grande do Norte subestimou a votação de Cadu de Lula e não antecipou sua presença no segundo turno. O candidato do PT recebeu 36,16% no resultado final divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contra os 26,0% dos votos válidos que publicamos no sábado (3). A diferença foi de 10,16 pontos percentuais.
O levantamento indicava Allyson na liderança, com 40,7%, seguido por Álvaro Dias, com 32,6%. Nas urnas, Allyson terminou com 36,94% e disputará o segundo turno com Cadu. Álvaro ficou em terceiro, com 26,71%. A pesquisa apontou corretamente a liderança de Allyson e um cenário de segundo turno, mas a composição da disputa final foi diferente daquela apresentada em nossa divulgação.
Reconhecer essa distância faz parte da responsabilidade de quem contrata, publica e interpreta pesquisas. O Potengi mantém parceria com o Instituto Media e deve aos leitores uma comparação clara entre os números divulgados e o resultado da eleição.
Cadu ficou 10,2 pontos acima da pesquisa
Na pesquisa estimulada que divulgamos em 3 de outubro, os nomes dos candidatos eram apresentados aos entrevistados. Sobre as 2.000 entrevistas, Allyson tinha 34,7%, Álvaro 27,7% e Cadu 22,1%. Esses percentuais incluíam na base as respostas de indecisos e de branco ou nulo.
Para comparar com a votação nominal, usamos os percentuais em votos válidos publicados na ocasião: 40,7%, 32,6% e 26,0%, respectivamente. Comparar diretamente os 22,1% de Cadu sobre todas as entrevistas com os 36,16% do TSE ampliaria artificialmente a distância.
| Candidato | Media — válidos | Resultado do TSE | Resultado menos pesquisa |
|---|---|---|---|
| Allyson | 40,7% | 36,94% | −3,76 p.p. |
| Cadu de Lula | 26,0% | 36,16% | +10,16 p.p. |
| Álvaro Dias | 32,6% | 26,71% | −5,89 p.p. |
As diferenças de Allyson e Álvaro foram menores que a de Cadu, mas seus resultados também ficaram fora das faixas estimadas de ±2,4 pontos que acompanhavam nossa divulgação em votos válidos. Cadu, cuja faixa ia de 23,6% a 28,4%, terminou 7,76 pontos acima daquele limite superior.
Com 100% das seções totalizadas, Allyson recebeu 733.809 votos e Cadu, 718.300 — uma diferença de 15.509 votos. Álvaro somou 530.580.
Vários levantamentos colocavam Allyson mais perto de 50%
O Media não foi o único a superestimar Allyson. Em votos válidos, Exatus indicava aproximadamente 47,6%; Perfil, 47,4%; e Seta, 46,3%. Os 40,7% do Media ficaram mais próximos dos 36,94% das urnas que as estimativas desses três levantamentos.
Isso não significa que nossa pesquisa tenha sido a mais próxima em todos os aspectos. Para Allyson, a Quaest divulgou 37%, e a conversão dos percentuais do IP Sensus resulta em cerca de 36,7%. Para Cadu, sete dos oito outros levantamentos ficaram mais próximos da votação final que o Media; os menores desvios foram os de Affare, AtlasIntel e Quaest.
O quadro reúne a última rodada localizada de cada instituto entre as divulgações da semana anterior ao primeiro turno, com dados suficientes para comparar a estimulada em votos válidos. Os períodos de campo variam e estão indicados. A ordem é alfabética, sem classificação geral de qualidade dos institutos.
| Instituto | Campo | Allyson | Cadu | Álvaro |
|---|---|---|---|---|
| TSE — resultado | 04/10 | 36,9% | 36,2% | 26,7% |
| Affare * | 26/09 a 28/09 | 31,7% | 34,3% | 30,1% |
| AtlasIntel | 23/09 a 28/09 | 28,8% | 39,5% | 29,0% |
| Consult | 24/09 a 26/09 | 43,5% | 26,5% | 29,4% |
| Exatus * | 28/09 a 30/09 | 47,6% | 26,9% | 24,5% |
| IP Sensus * | 23/09 a 27/09 | 36,7% | 24,8% | 32,8% |
| Media/O Potengi | 27/09 a 01/10 | 40,7% | 26,0% | 32,6% |
| Perfil | 26/09 a 29/09 | 47,4% | 26,9% | 24,1% |
| Quaest | 02/10 a 03/10 | 37,0% | 32,0% | 29,0% |
| Seta | 27/09 a 30/09 | 46,3% | 27,6% | 24,3% |
* Exatus, Affare e IP Sensus: votos válidos aproximados calculados por O Potengi a partir dos percentuais nominais publicados. Nos demais, foram usados os votos válidos divulgados. Valores do quadro arredondados a uma casa decimal; os três candidatos não foram recalculados para somar 100%.
A comparação mostra diferenças relevantes entre as pesquisas. Alguns levantamentos captaram um Cadu mais competitivo; outros concentraram em Allyson uma votação que não se confirmou. As datas de campo, as formas de coleta e os critérios de projeção também diferem. A distância até as urnas, isoladamente, não permite concluir qual instituto tem melhor desempenho em todas as eleições.
Como cada levantamento estimou os três candidatos



Os gráficos usam a mesma escala percentual e uma linha para marcar o resultado oficial de cada candidato. O destaque do Media facilita localizar nossa pesquisa entre as nove rodadas comparadas.
A distância média entre os três principais candidatos

Para resumir o conjunto, calculamos a média das distâncias entre pesquisa e urna para Allyson, Cadu e Álvaro, sempre em pontos percentuais. Uma estimativa acima do resultado não compensa outra abaixo: usamos o tamanho de cada diferença, sem o sinal.
Neste recorte, a Quaest apresentou a menor distância média, de 2,17 pontos, seguida por Affare, com 3,46, e AtlasIntel, com 4,59. O Media registrou 6,60 pontos, a sexta menor distância entre os nove levantamentos. A maior proximidade de nossa estimativa para Allyson, em comparação com vários concorrentes, não compensou a distância para Cadu.
O indicador descreve estas rodadas e estes três candidatos. Não avalia sozinho a qualidade geral dos institutos nem demonstra diferenças estatisticamente significativas entre eles. Pequenas distâncias, como a que separa Exatus e Perfil neste cálculo, não justificam conclusões de superioridade.
A diferença não revela quando o eleitor decidiu
O campo do Media terminou em 1º de outubro, três dias antes da votação. Decisões posteriores podem alterar o quadro, assim como diferenças entre quem responde à pesquisa e quem efetivamente comparece às urnas. A comparação com o resultado, porém, não demonstra que toda a diferença tenha surgido nesses três dias.
Também não permite afirmar que determinados eleitores migraram de Álvaro para Cadu ou que os indecisos se concentraram em um candidato. Para explicar as causas, é necessário examinar mais do que os percentuais finais. A margem de erro amostral não cobre automaticamente todas essas possibilidades nem funciona como garantia do resultado de uma eleição futura.
Nossa parceria com o Media e o compromisso com o leitor
O Potengi é parceiro e contratante de pesquisas do Instituto Media, que já apresentou números próximos das urnas, como na eleição suplementar de Ouro Branco, realizada em 17 de maio deste ano: o levantamento do instituto, conforme divulgação de Marcos Dantas, mostrava Amariudo com 50,8%. O resultado informado pelo TSE foi de 50,22%, uma distância de 0,58 ponto percentual.
Essa proximidade em outra disputa não apaga a diferença observada agora no governo do RN. A parceria exige que reconheçamos tanto os resultados próximos quanto os que se distanciam da votação. Cabe ao jornal responder pela maneira como apresenta e analisa os levantamentos que leva ao público.
Seguiremos buscando aperfeiçoar, com o Media, as informações oferecidas aos leitores e nosso trabalho de análise da política potiguar. Isso inclui apresentar os limites das pesquisas, confrontar suas estimativas com os resultados e evitar que cenários sejam tratados como desfechos garantidos.


