• Secretário de Saúde acusa Styvenson de divulgar informação falsa

    O secretário estadual de Saúde do Rio Grande do Norte, Alexandre Motta, desmentiu publicamente uma notícia veiculada por um blog de Natal sobre um suposto óbito por falta de água no Hospital Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim.

    Em vídeo divulgado nas redes sociais da secretaria, o gestor criticou o senador Styvenson Valentim por ter compartilhado a informação falsa, afirmando que “tem político que não pode ver a mentira passando, que já logo pega carona”. A diretora da unidade hospitalar, Maria José Pontes, confirmou que houve uma interrupção momentânea no abastecimento de água, rapidamente solucionada com o uso de carro-pipa, sem afetar o funcionamento do centro cirúrgico.

    De acordo com a direção médica do hospital, o paciente em questão não foi submetido à cirurgia devido às suas condições clínicas instáveis, que exigiam estabilização na Unidade de Terapia Intensiva antes do procedimento.

    A cirurgia foi realizada no dia seguinte, após a equipe médica considerar apropriado o estado de saúde do indivíduo. A diretora destacou que no próprio dia da interrupção hídrica foram realizadas seis intervenções cirúrgicas na unidade, demonstrando a normalidade dos serviços. Mensalmente, o hospital realiza mais de setecentas cirurgias entre as especialidades de ortopedia e clínica geral.

    O secretário Alexandre Motta enfatizou a importância do Hospital Deoclécio Marques para a região metropolitana de Natal e pediu respeito aos profissionais da saúde, condenando a utilização de casos isolados para a prática do que classificou como “jornalismo mentiroso e política mentirosa”. A plataforma oficial de checagem de fatos do governo estadual já havia classificado a informação como falsa, reproduzindo nota da Secretaria de Saúde que reafirma o compromisso da unidade com a transparência e a segurança dos pacientes.


  • Câmara de Natal analisa projeto que estabelece multas de R$ 10 mil para uso irregular de patinetes

    A Câmara Municipal de Natal está examinando uma proposta legislativa que institui normas para a utilização de patinetes elétricos compartilhados na capital potiguar. O projeto de autoria do vereador Matheus Faustino prevê a aplicação de multas que podem atingir 10 mil reais em casos de infrações graves. O objetivo da matéria é garantir segurança aos usuários e pedestres, organizar o espaço urbano e preservar o patrimônio público e privado.

    Entre as condutas consideradas irregulares estão o abandono dos equipamentos em locais que obstruam a circulação, a utilização em áreas de preservação ambiental como praias e dunas, o vandalismo ou adulteração dos componentes do patinete e a retirada do veículo para imóveis particulares. O texto também proíbe o uso de meios fraudulentos para desbloquear os sistemas de cobrança ou o compartilhamento indevido de contas de usuário.

    As penalidades variam desde advertências formais até aplicação de multas valores entre quinhentos e dez mil reais, dependendo da gravidade da infração. Em casos de reincidência, as multas podem ser aplicadas em dobro e resultar no bloqueio definitivo da conta do usuário no sistema de compartilhamento.

    A fiscalização ficará a cargo do Poder Executivo Municipal com apoio da Guarda Municipal, devendo os casos de possível crime serem encaminhados às autoridades policiais. Caso aprovada, a lei será regulamentada pela Prefeitura de Natal, que definirá os detalhes operacionais da fiscalização e as áreas de restrição de circulação.


  • Investigação sobre erro em transplante renal no HUOL terá duração de 60 dias

    O Hospital Universitário Onofre Lopes informou que a apuração interna sobre a troca de pacientes em um transplante de rim realizado na unidade deverá ser concluída em sessenta dias.

    O caso, ocorrido há aproximadamente um mês, envolveu a implantação de um órgão incompatível com o tipo sanguíneo do receptor devido a uma confusão entre nomes similares de dois pacientes na fila de espera. De acordo com o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte, o erro foi comunicado às autoridades competentes no dia 13 de setembro.

    O hospital emitiu nota afirmando que todas as providências necessárias foram imediatamente adotadas, incluindo notificação aos órgãos reguladores, acompanhamento clínico integral do paciente afetado e suporte psicológico à família.

    A unidade destacou sua trajetória como referência em transplantes desde 1998, com oitocentos e cinquenta e quatro procedimentos realizados. O paciente que recebeu o rim incompatível apresentou rejeição e precisou ser submetido a nova cirurgia para remoção do órgão, passando pela Unidade de Terapia Intensiva antes de ser transferido para a enfermaria, onde se encontra em estado estável.

    O Conselho Regional de Medicina enfatizou que o caso não caracteriza erro médico, mas sim uma falha administrativa no processo de transplante, ressaltando a importância do rigoroso cumprimento dos protocolos de segurança. O órgão removido não pôde ser reaproveitado para o destinatário original.

    A Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, responsável pelo gerenciamento da fila de espera, não se manifestou sobre o ocorrido até o fechamento das informações.


  • Sistema Fecomércio RN lança Faculdade Senac em nova etapa para o ensino superior

    O Sistema Fecomércio RN oficializou a criação da Faculdade Senac RN durante cerimônia realizada no Hotel Barreira Roxa, em Natal. O evento marcou a entrada da instituição no segmento de ensino superior, com oferta de cursos de graduação, pós-graduação e educação executiva direcionados às necessidades do mercado.

    O presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, destacou que a nova faculdade surge como resposta às demandas contemporâneas, combinando metodologias inovadoras com integração entre teoria e prática.

    O diretor regional do Senac RN, Raniery Pimenta, apresentou o portfólio acadêmico que inclui graduação tecnológica em Gastronomia, Gestão Comercial e Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

    A instituição também oferecerá programas de pós-graduação em áreas como Educação Inovadora, Gestão Pública e especializações na área gastronômica, além de MBAs em Liderança e Gestão de Negócios. A faculdade inicia suas atividades com mensalidades a partir de trezentos e oitenta e nove reais para graduação e desconto de vinte e cinco por cento para comerciários.

    A nova instituição possui conceito máximo do Ministério da Educação e representa o reposicionamento estratégico do Senac dentro do Sistema Fecomércio RN. As inscrições para o processo seletivo já estão disponíveis no site oficial da instituição, consolidando a iniciativa como mais uma opção de formação superior voltada para o mundo do trabalho no estado. O evento de lançamento foi encerrado com um jantar especial preparado pela equipe do Hotel Escola Senac Barreira Roxa.


  • RN regulamenta Loteria Estadual com previsão de arrecadar R$ 25 milhões anuais

    O governo do Rio Grande do Norte publicou nesta quarta-feira o decreto que regulamenta o Fundo Estadual da Loteria, com expectativa de gerar uma arrecadação anual de vinte e cinco milhões de reais.

    O documento estabelece as regras para a gestão e aplicação dos recursos provenientes da exploração de jogos e apostas no estado. De acordo com a normativa, o fundo será administrado pela Secretaria de Estado da Fazenda e contará com um Conselho Deliberativo para definir prioridades de investimento.

    Os recursos arrecadados serão destinados a sete áreas específicas, com percentuais predefinidos. A maior parcela, correspondente a quarenta por cento do montante, será aplicada na divulgação, estruturação e manutenção dos próprios serviços de loteria.

    A seguridade social receberá dezoito por cento, enquanto segurança pública e saúde pública terão treze por cento cada. O esporte ficará com oito por cento, e habitação popular e ciência e tecnologia receberão quatro por cento cada.

    O fundo será abastecido não apenas pelas receitas diretas da loteria, mas também por doações, convênios e valores de prêmios não resgatados dentro do prazo de noventa dias. A movimentação financeira ocorrerá através de uma conta bancária específica e estará sujeita a prestação de contas regular. A medida representa a implementação prática da lei que criou o Serviço Público de Loteria do estado, sancionada anteriormente pela governadora Fátima Bezerra.


  • O Som de um Trovão, de Ray Bradbury, o efeito borboleta e a teoria do caos

    Ray Bradbury, em seu conto “O Som de um Trovão”, publicado em 1952, constrói uma narrativa de ficção científica que permanece atual e provocativa. O enredo apresenta uma empresa que oferece viagens no tempo a caçadores de aventuras. O personagem central, Eckels, contrata esse serviço para viver a experiência de caçar um dinossauro no período cretáceo. A partir daí, Bradbury desenvolve uma reflexão literária que transcende a fantasia, tocando em temas filosóficos, científicos e éticos.

    A viagem no tempo é regida por uma regra fundamental: não se pode alterar nada no passado, pois qualquer modificação, mesmo mínima, pode repercutir no futuro. A advertência, entretanto, é violada. Eckels, tomado pelo medo, sai da trilha delimitada e, em um gesto aparentemente insignificante, pisa em uma borboleta pré-histórica. Ao retornar ao presente, o grupo percebe que o mundo está diferente: a língua, a política e a organização social sofreram alterações.

    O “som do trovão”, título e metáfora, não é apenas o disparo que mata o dinossauro ou o estampido final da narrativa, mas também a reverberação de consequências que um ato pequeno pode produzir. Aqui, Bradbury antecipa a metáfora científica conhecida como efeito borboleta, formulada décadas depois por Edward Lorenz, no âmbito da meteorologia e da teoria do caos.

    O efeito borboleta sustenta que uma mínima variação nas condições iniciais de um sistema pode desencadear resultados completamente imprevisíveis. No conto, a morte da borboleta no passado desencadeia transformações drásticas no futuro. Na vida real, o conceito se conecta à teoria do caos, que mostra como sistemas complexos, como o clima, a economia ou até as relações humanas, podem ser sensíveis a pequenas alterações.

    A genialidade de Bradbury está em transformar uma narrativa de ficção em reflexão existencial. Sua história alerta que os gestos humanos, por menores que pareçam, têm potência de modificar destinos. No cotidiano, isso significa que escolhas banais — uma palavra dita ou calada, uma ação praticada ou omitida — podem gerar efeitos de longo alcance, influenciando vidas de formas invisíveis e imprevisíveis.

    O trovão, nesse contexto, é a metáfora do impacto. Assim como um raio corta o céu e seu som se espalha à distância, as ações humanas repercutem em ondas. O conto mostra que o tempo não é apenas uma linha rígida, mas um campo de possibilidades delicadas, onde cada passo importa. A borboleta pisada é um aviso literário de que não existe gesto inócuo.

    No plano social, essa mensagem ganha ainda mais força. Pequenos atos de intolerância podem gerar correntes de ódio. Pequenas atitudes de solidariedade podem desencadear redes de empatia. Assim como no conto o presente foi alterado pela morte de um ser minúsculo no passado remoto, também em nossa vida social e política pequenas decisões acumuladas moldam o destino coletivo.

    O cotidiano, muitas vezes, nos faz acreditar que nossas ações são irrelevantes. Contudo, a teoria do caos e a metáfora do conto de Bradbury desconstroem essa ilusão. Somos parte de um sistema interconectado, no qual uma escolha individual pode ter ressonâncias globais. O “som do trovão” ecoa como advertência ética: pensar antes de agir, medir as consequências e compreender que o tempo é tecido por nossas escolhas.

    Ao final, O Som de um Trovão não é apenas um conto de ficção científica. É uma parábola moderna sobre responsabilidade, destino e interdependência. Bradbury convida o leitor a reconhecer que viver é participar de um jogo caótico, onde cada gesto reverbera como trovão e cada borboleta pode transformar a história.


  • “Boa química” entre presidentes vai ajudar no tarifaço, diz Alckmin

    O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quarta-feira (24) que a “boa química” entre os presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, vai ajudar a resolver o tarifaço norte-americano que impõe taxas de até 50% em cima das vendas de produtos brasileiros para os Estados Unidos. Alckmin participou de um evento sobre mercado de capitais promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na sede da instituição, no Rio de Janeiro.

    “Nos Estados Unidos, uma boa química entre presidentes vai ajudar a buscarmos a melhor solução para resolvermos um tarifaço que não se justifica”, disse o também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

    Alckmin se referia ao rápido encontro na terça-feira (23) entre os presidentes dos dois países, durante a 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

    Em seu discurso no evento, Trump revelou que em um breve encontro não programado gostou do presidente Lula e que os dois chefes de governo devem ter um encontro bilateral na próxima semana. Trump chegou a usar as expressões “homem muito agradável” e “uma química excelente”. 

    Segundo o Palácio do Planalto, o futuro encontro foi proposto por Trump e imediatamente aceito por Lula. Mas ainda não está certo se será presencial ou por telefone, nem quando ocorrerá.


    Negociação

    Ao mesmo tempo em que insiste no caminho da negociação, Alckimin, que assumiu a presidência enquanto Lula está fora do país, reforçou a posição do governo brasileiro de que o tarifaço, iniciado em 6 de agosto é injusto.

    “O Brasil tem, é importante destacar isso, uma tarifa [de importação] média dos Estados Unidos de 2,7%, é uma tarifa média baixa. Dos 10 produtos que os Estados Unidos mais exportam para o Brasil, oito tem tarifa é zero”, detalhou.

    Perguntado se as negociações com os norte-americanos podem incluir a redução da tarifa aplicada ao etanol americano, Alckmin respondeu que “sempre tem espaço para o diálogo em questões tarifárias, não tarifárias e muita oportunidade de investimentos”. O presidente em exercício lembrou que os dois países possuem história de 201 anos de amizade.

    Protecionismo

    Ao travar guerra tarifária contra diversos parceiros comerciais, Donald Trump tem alegado questões protecionistas, apontando que os Estados Unidos saem em desvantagem.

    O Brasil, ao lado da Índia, é o país mais atingido, com as tarifas que chegam a 50%. Trump alega que os americanos têm déficit comercial (compram mais do que vendem) com o Brasil – o que é desmentido por números oficiais de ambos os países.

    O presidente americano usou também como justificativa o tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que considera ser perseguido político. Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, em julgamento que terminou no último dia 11.

    Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para a China. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o tarifaço de 50% incide em cerca de um terço (35,9%) das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

    As exportações de produtos afetados pelo tarifaço caíram 22,4% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2024. Já as vendas de itens que não sofreram taxas adicionais recuaram 7,1%. Cerca de 700 produtos ficaram fora da lista de taxação.


  • emutran de São Gonçalo intensifica fiscalização e ações educativas sobre transporte clandestino no Aeroporto

    O Demutran de São Gonçalo do Amarante está intensificando a fiscalização e orientação aos passageiros para combater o transporte clandestino no Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves.

    Na manhã desta terça-feira (23), a ação contou com o apoio da Polícia Militar, do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e da Zurich Airport. Os agentes abordaram passageiros desembarcando, distribuindo folhetos informativos e contando com a animação do grupo “Teatro de Trânsito” para recepcioná-los.

    Segundo o diretor do Departamento Municipal de Trânsito, Edmilson Gomes, “o DEMUTRAN de São Gonçalo realiza fiscalizações contínuas para garantir a segurança no transporte de passageiros. Além de educativa, a fiscalização atua de forma constante no aeroporto.”

    A Coopcon, cooperativa responsável pelos taxistas da cidade, conta atualmente com 120 profissionais recém-habilitados pelo curso de taxista promovido pela gestão do prefeito Jaime Calado, requisito do Demutran para emissão da licença de atuação.

    O secretário da Coopcon, Rogério Azevedo, afirmou: “só temos a agradecer ao prefeito Jaime Calado e ao Demutran por esta ação, que valoriza nosso serviço e toda a categoria de taxistas em São Gonçalo.”

    Além do serviço de táxis, estão autorizados a operar no aeroporto as linhas da Cooptagran e Trampolim, o transporte de agências de viagens regulamentadas pelo DER e carros por aplicativo acionados pelo usuário.

    Jorge Luis, chefe de fiscalização do DER, disse “estamos há meses em parceria com o Demutran de São Gonçalo para fiscalizar e combater o transporte ilegal de passageiros, considerado infração gravíssima no Código de Trânsito Brasileiro.”

    A congressista de Cascavel (PR), Michelle, comenta, “acho de suma importância esta ação. Optei por usar o transporte credenciado da agência de viagem com minhas amigas, garantindo mais segurança e confiabilidade.”


  • Criador de cidades-esponja, Kongjian Yu morre em queda de avião no Pantanal

    Quatro pessoas morreram na queda de um avião de pequeno porte na cidade de Aquidauana (MS), a cerca de 150 quilômetros de Campo Grande, no fim da tarde dessa terça-feira (23).

    Entre as vítimas está o chinês Kongjian Yu, considerado um dos mais influentes arquitetos e urbanistas da atualidade e criador do conceito das chamadas cidades-esponja, em que se utiliza da própria natureza para tornar os aglomerados urbanos mais resilientes às condições climáticas severas.

    O avião pertencia ao piloto Marcelo Pereira de Barros, que também morreu em decorrência da tragédia. As outras duas vítimas da queda do Cessna Aircraft 175, prefixo PT-BAN, são o cineasta Luiz Ferraz e o diretor de fotografia Rubens Crispim Jr.

    Investigadores do 4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos estiveram no local do acidente coletando material e informações que possam ajudar a esclarecer as causas da tragédia.

    Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), ainda não é possível falar em prazos, mas “a conclusão da investigação ocorrerá no menor prazo possível”, conforme a complexidade da ocorrência. Ao fim, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgará relatório com os achados e as conclusões dos peritos, com o propósito não de apontar culpados ou responsáveis, mas de evitar futuras ocorrências semelhantes.

    Em nota, a empresa Olé Produções, fundada por Ferraz e outros sócios, confirmou as mortes de Yu, Barros, Crispim e Ferraz em meio à região do pantanal sul-mato-grossense. Diretor de vários documentários cinematográficos, Ferraz foi indicado ao prêmio Emmy Internacional, em 2023, pela série Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia.

    Em nota, o Ministério da Cultura lamentou a morte de Ferraz, frisando que o cineasta se destacou pela dedicação aos documentários e “pela busca constante de novas linguagens audiovisuais”. “Sua obra deixa uma contribuição inestimável à cultura e ao cinema brasileiro”.

    O produtor-executivo da companhia, Thomas Miguez, informou à Agência Brasil que Ferraz e Crispim estavam gravando material para um documentário que planejavam fazer sobre o trabalho de Yu, e que se chamaria Planeta Esponja.

    “A viagem do professor Yu ao Brasil foi a convite da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, mas, como eles já estavam envolvidos na produção do filme, a visita ao Pantanal foi um pedido especial do professor, que não conhecia a região”, comentou Miguez, referindo-se a Yu como professor da Universidade de Pequim.

    A 14ª Bienal Internacional de Arquitetura ocorreu em São Paulo, entre os últimos dias 18 e 19. A convite do Instituto de Arquitetos do Brasil, Yu ministrou a conferência de abertura do evento, falando sobre seu conceito de cidades-esponja. Duas semanas antes, o chinês já tinha participado da conferência internacional promovida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU 2025), realizada em Brasília, entre 4 e 6 de setembro.

    Nota de pesar

    Em nota, o CAU manifestou pesar pela morte de Yu. Segundo o conselho, o arquiteto e urbanista era uma referência mundial em planejamento urbano ecológico, tendo recebido alguns dos mais importantes prêmios de sua área de atuação, como o IFLA Sir Geoffrey Jellicoe Award (2020), o Cooper Hewitt National Design Award (2023) e o RAIC International Prize (2025).

    “Sua contribuição influenciou políticas públicas ambientais na China e em outros países”, afirmou o CAU, lembrando a participação de Yu durante a recente conferência internacional que ocorreu em Brasília, onde, segundo a entidade, o chinês “compartilhou com milhares de profissionais sua visão transformadora para as cidades do futuro.

    “Diante de cerca de quatro mil pessoas, ele apresentou seu conceito de “cidades-esponja”, aplicado em mais de mil projetos em 250 localidades e defendeu soluções baseadas na natureza para enfrentar enchentes urbanas e os efeitos da crise climática”, acrescentou o CAU, destacando que a obra do fundador do premiado escritório de arquitetura Turenscape “deixa um legado de compromisso com a sustentabilidade, a paisagem e a vida urbana”.

    Em junho de 2024, quando milhares de brasileiros sofriam, direta ou indiretamente, as consequências dos temporais e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul nos dois meses anteriores, Kongjian Yu visitou o Brasil a convite do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    Referência

    Ao participar de um seminário sobre experiências nacionais e internacionais na reconstrução de cidades devastadas por tragédias ambientais, na sede do banco, no Rio de Janeiro, Yu disse esperar que o Brasil possa ser referência sobre “como construir o mundo”.

    “Estou orgulhoso de estar aqui para compartilhar a minha experiência de como o planeta pode ser sustentável”, afirmou o arquiteto, contando que começou a pensar sobre o conceito de cidades-esponja ao perceber que o vilarejo em que ele morava, em Zhejiang, província no leste da China, estava sendo recorrentemente afetado por inundações.

    Segundo o professor, os problemas se agravaram na medida em que avançava o que ele chamava de “infraestrutura cinza”, a presença crescente de concreto nas cidades, canalizando rios e impermeabilizando grandes áreas.

    Dessa forma, ele colocou em prática projetos de paisagismo que privilegiam a própria natureza para lidar com enchentes, priorizando grandes áreas alagáveis e presença de vegetação nativa. Assim, partes de cidades se tornam uma espécie de esponja, com capacidade de receber inundação e dar tempo para o escoamento da água, diminuindo danos a áreas habitadas. “A enchente passa a não ser uma inimiga”, resumiu o professor.


  • Dezesseis presos são flagrados tentando fraudar prova do Encceja em presídio potiguar

    Policiais penais flagraram dezesseis internos da Penitenciária Estadual de Parnamirim tentando fraudar as provas do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade. O ocorrido foi descoberto durante a conferência de identificação dos candidatos nesta terça-feira. De acordo com as investigações, presos com maior nível de escolaridade se preparavam para realizar o exame no lugar dos inscritos regulares.

    Os envolvidos foram conduzidos ao Departamento da Polícia Federal, onde responderão pelo crime de falsa identidade, que prevê pena de detenção de três meses a um ano. A aprovação no Encceja possibilita aos internos não apenas a certificação do Ensino Fundamental ou Médio, mas também a remição de pena de até cem dias. No Rio Grande do Norte, o exame conta com três mil e quinhentos e trinta e nove inscritos do sistema prisional, sendo dois mil e duzentos e onze candidatos ao Ensino Fundamental e mil trezentos e vinte e oito ao Ensino Médio.

    As provas foram aplicadas em vinte unidades prisionais do estado como parte de uma iniciativa voluntária e gratuita promovida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. O exame representa um importante instrumento de ressocialização, permitindo que pessoas privadas de liberdade concluam sua formação educacional durante o cumprimento da pena.





Jesus de Ritinha de Miúdo