Jesus de Ritinha de Miúdo
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Motoristas de ônibus de Natal participam de novas negociações para evitar greve
Os motoristas de ônibus de Natal estão envolvidos em uma nova rodada de negociações com o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos (SETURN) nesta segunda-feira, às 11h, para discutir suas reivindicações. Segundo Gilvan Santos, diretor executivo do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro/RN), a greve planejada para hoje foi adiada devido à solicitação de uma nova reunião pelos empresários de ônibus.
Nesta manhã, os ônibus continuam operando normalmente. Contudo, Gilvan Santos alerta que o edital de greve já foi lançado, e a paralisação pode ser iniciada a qualquer momento.
A reunião de hoje, que será realizada no Ministério Público do Trabalho (MPT), busca alcançar um acordo entre o Sintro-RN e o Seturn. “Hoje vai ter uma negociação para chegar a um acordo com os empresários”, afirma Gilvan Santos. A reunião será restrita apenas aos sindicatos.
No edital publicado nas redes sociais do sindicato, o Sintro informa que, conforme a Lei da Greve, será garantida uma frota de emergência de 30%. Os trabalhadores rodoviários reivindicam um aumento salarial acima da inflação de no mínimo 5%, um vale alimentação de R$ 600, um plano de saúde pago integralmente pelas empresas e a renovação da carteira de habilitação dos motoristas custeada pelas empresas, além da manutenção de todas as cláusulas da convenção coletiva vigente.
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Servidores da UFRN realizaram protesto na BR-101 nesta segunda-feira
Na manhã desta segunda-feira (3), servidores técnicos-administrativos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) realizaram um protesto para pressionar o Governo Federal a atender suas reivindicações. O grupo exige um reajuste salarial ainda para este ano e a reestruturação de carreiras.
O protesto começou cedo, com os manifestantes bloqueando a passagem de veículos na marginal da BR-101, no acesso à instituição. A via foi liberada por volta das 8h, e a manifestação se encerrou por volta das 8h40 no Núcleo de Educação Infantil da UFRN.
“Essa manifestação faz parte de um movimento nacional pelo fato de o Governo não ter ainda atendido nossas reivindicações. Queremos mostrar à sociedade contra quem nós estamos lutando, que é o Governo Lula”, afirmou José Rebouças, representante do comando local de greve do Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior (Sintest), que organizou o protesto desta manhã.
Os técnicos-administrativos da UFRN estão em greve desde março deste ano. Uma assembleia está marcada para esta terça-feira (4) para decidir sobre a manutenção do movimento, que já dura mais de dois meses. Além dos técnicos-administrativos, os docentes da UFRN também iniciaram uma paralisação em abril, exigindo melhores salários para a categoria.
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Dica de bombeiros: saiba como evitar acidentes com fogos de artifício
O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBMRN)divulgou nesta segunda-feira (3) dicas e orientações de segurança à população para evitar queimaduras, incêndios e outros tipos de acidentes com fogos de artifício em virtude dos eventos de São João.
Segundo a instituição, um dos fatores mais importantes no momento da compra dos fogos é a verificação da validade, além de uma leitura minuciosa das informações sobre o procedimento de segurança do produto, contidas na embalagem do item. A umidade e o lacre também devem ser observadas.
Segundo o subcomandante-geral e diretor de operações do Corpo de Bombeiros, coronel Franklin, os usuários dos fogos de artifício também devem estar atentos aos locais de soltura. ”A distância para explodir os fogos com segurança é em média de 30 a 50 metros de pessoas, edificações, árvores e carros. É preciso ter um cuidado especial com as crianças”, completou.
Confira as orientações:
- Sempre leia e siga as instruções na embalagem;
- Sempre use fogos em locais abertos;
- Sempre solte fogos sob a supervisão de adultos e de acordo com a sua idade;
- Nunca tente reutilizar os fogos que tenham falhado;
- Nunca atire fogos na direção de outras pessoas;
- Nunca faça experiências, modifique ou tente fazer seus próprios fogos.
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Jean Paul não deixará saudades em ninguém
A demissão do petista Jean Paul da presidência da Petrobras não foi surpresa pra ninguém. E a reação ao previsível anúncio de sua saída mostra que também não foi motivo de nenhum lamento.
Para o Rio Grande do Norte, deixa apenas muitos projetos mal desenhados e a marca de ter sido aquele que entregou à 3R Petroleum os campos do Polo Potiguar e a refinaria Clara Camarão. Bradava o slogan “A Petrobras fica no RN” enquanto – por inépcia ou negligência – permitia avançar o desmonte da empresa que um dia já foi a maior indústria de nosso estado.

Jean Paul, numa das muitas ocasiões em que repetiu o slogan “A Petrobras fica no RN”, em janeiro de 2024. Foto: A. G. N. Jean parece ter se dedicado mais a projetos menores e de interesse duvidoso que ao grande desafio da estatal neste momento: reconstruir a estrutura verticalizada que a tornou capaz de garantir o abastecimento e a competitividade do mercado de energia neste continente chamado Brasil.
Poucos dias após a demissão de Jean, surge a primeira boa notícia para a empresa em muitos anos: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) interrompeu o plano de venda de refinarias, firmado em junho de 2019. É o caminho para a redução nas importações de combustível e a consequente redução de seus preços nas bombas.
Jean lançou aos ventos muitos projetos ambiciosos, todos eles para daqui a anos ou décadas. Sai da presidência da Petrobras sem realizar nada e deixa para trás apenas incertezas sobre o futuro das poucas iniciativas viáveis que poderiam beneficiar o RN.

Uma dessas, foi o Termo de Cooperação com o Instituto Senai de Energias Renováveis do RN (Senai-ER) para a construção de uma planta piloto de eletrólise. O valor total de R$ 90 milhões é insignificante se comparado com o que o estado tem perdido em empregos de qualidade e arrecadação devido ao abandono pela Petrobras de suas atividades em nossas terras. Ainda assim, pode representar um caminho para a retomada do setor de energia no RN.
Caberá agora ao governo e a nossos parlamentares a iniciativa de cobrar e criar as condições para que a Petrobras volte a desempenhar ao menos parte do papel decisivo que teve por aqui ao longo das últimas décadas.
Fátima terá a iniciativa necessária para fazer andar os projetos dos quais Jean Paul tanto falou e pelos quais tão pouco fez? Veremos.
Por ora, o pouco que se sabe sobre o impacto da demissão de Jean Paul nas terras potiguares é óbvio regozijo que alegrou até mesmo aos petistas.
Um deles nos lembrava, na sequência da queda de Jean, que seu histórico de vendedor de sonhos vem, ao menos, desde sua indicação à suplência na chapa de Fátima na disputa para o Senado em 2014.
Na ocasião, o petista noviço prometeu apoios decisivos. Apoios que o cerco a seu amigo e aliado Nestor Cerveró aparentemente teria inviabilizado. Ao menos foi essa a justificativa que o futuro senador dera à época. E ainda há quem se pergunte por que a governadora não usou de sua influência junto ao governo federal para defender o correligionário.
Jean saiu da Petrobras para voltar ao seu lugar de sempre, a consultoria a empresas privadas. Na política, é inviável e está só. Na história do RN, restará como um arrivista que chegou longe demais, vendeu muitos sonhos e deixou tudo se esvair nos ventos que não passam pelas eólicas.
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Nova pesquisa para a prefeitura de Natal será divulgada amanhã
O Blog do FM, em parceria com o Instituto AGORASEI, divulgará nesta segunda-feira, dia 03, uma pesquisa de intenção de voto para a Prefeitura de Natal e para a Câmara Municipal. A pesquisa, realizada nos dias 25, 26 e 27 de maio, entrevistou 800 eleitores com 16 anos ou mais em todas as zonas do município.
O estudo possui um intervalo de confiança de 95% e uma margem de erro de 3,4 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RN-06252/2024.
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Allyson costurou e quase ninguém entendeu o riscado
A pesquisa Exatus/AGORA RN, é mais uma a medir o amplo favoritismo de reeleição de Allyson Bezerra (UB).
A pesquisa vai ao encontro das outras já divulgadas neste ano, que mostram uma dianteira enorme do alcaide.
O prefeito não possui um grande leque de partidos em seu projeto, em sua base, de certeza, estão o seu União Brasil (UB), o Partido Social Democrático (PSD) e o Solidariedade (SDD).
Mesmo com a maioria das siglas estando na oposição, Bezerra montou o xadrez que quis para o tabuleiro de 2024.
Desde 2023 o burgomestre vem movimentando as peças da política ao seu sabor, para culminar em seus objetivos, escolher um vice de extrema confiança, ter nomes à vereança para serem seus fiéis aliados na Câmara Municipal e encurralar o oposicionismo num labirinto sem saída.
O alcaide jogou com maestria e ninguém percebeu que para escolher um vice de confiança, ele alijou de sua base nomes que cobravam a vaga, mas que não contavam com o crédito que o prefeito pleiteava.
O Partido Liberal (PL) e Lawrence Amorim (PSDB) são esses casos. O senador Rogério Marinho (PL) impôs a indicação da agremiação para vice, Allyson não cedeu e deixou a legenda em banho-maria, deu que o PL foi para a oposição.
Com Lawrence, que queria a indicação de companheiro de chapa, Allyson empurrou ao máximo as pretensões do vereador, até chegar ao ponto do presidente do Legislativo romper com o burgomestre.
Bezerra costurou como quis sua empreitada a reeleição, e muitos atores políticos não perceberam os detalhe dos fios tecidos.
O resultado é que o prefeito caminha a passos largos para uma renovação de mandato tranquila, tendo um vice de sua extrema confiabilidade, para ter condições de disputar o governo do estado em 2026, com uma bancada de vereadores leais, diferente da que o alcaide se viu obrigado a negociar nesta legislatura.
Allyson Bezerra montou o palanque que desejou, e poucos notaram que o que ele queria mesmo era afastar os incômodos e somente aglutinar seus francos aliados.
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Exatus atesta reeleição sólida de Allyson Bezerra
A pesquisa do Instituto Exatus, em parceria com o portal AGORA RN, para a Prefeitura de Mossoró, divulgada ontem, 31, mostra uma reeleição segura para o prefeito Allyson Bezerra (UB).
A pesquisa entrevistou 800 eleitores, nos dias 25 e de 26 de maio, a margem de erro é de 3,46%, o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada com o número RN-04261/2024.
Veja os números dos cenários auferidos:
Espontânea
Allyson Bezerra (UB): 69,88%
Rosalba Ciarlini (PP): 3,38%
Isolda Dantas (PT): 2,38%
Lawrence Amorim (PSDB): 1,38%
Genivan Vale (PL): 1,25%
Zé Peixeiro (REP): 0,88%
Tony Fernandes (AVAN): 0,75%
Tião Couto (PL): 0,13%
Não sabe/não respondeu: 13,38%
Ninguém: 6,13%
Estimula 1:
Allyson Bezerra: 73,38%
Rosalba Ciarlini: 7,25%
Isolda Dantas: 4,75%
Zé Peixeiro: 2,25%
Genivan Vale: 1,75%
Tony Fernandes: 1,75%
Lawrence Amorim: 1,63%
Branco/nulo/nenhum: 3,88%
Não sabe/não respondeu: 3,38%
Estimulada 2:
Allyson Bezerra: 77,13%
Zé Peixeiro: 3,13%
Lawrence Amorim: 2,50%
Tony Fernandes: 2,25%
Genivan Vale: 2%
Branco/nulo/nenhum: 6,63%
Não sabe/não respondeu: 6,38%
Rejeição:
Isolda Dantas: 27,75%
Rosalba Ciarlini: 22,88%
Genivan Vale: 9,88%
Zé Peixeiro: 9,88%
Allyson Bezerra: 7%
Lawrence Amorim: 3,38%
Tony Fernandes: 1,13%
Não sabe/não respondeu: 10,13%
Vota em qualquer um: 8%
Avaliação do governo Allyson Bezerra:
Aprova: 85,63%
Desaprova: 11,13%
Não sabe/não respondeu: 3,25%
Avaliação do governo Fátima Bezerra (PT):
Aprova: 35,38%
Desaprova: 58,88%
Não sabe/não respondeu: 5,75%
Avaliação do governo Lula (PT):
Aprova: 55,75%
Desaprova: 38,63%
Não sabe/não respondeu: 5,63%
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Lume da Fogueira: da categoria escolar à potência junina do estado
Foi nos corredores da Escola Municipal Professor Manoel Assis, no centro de Mossoró, bairro Doze Anos, que a Lume da Fogueira nasceu. Uma das mais importantes quadrilhas juninas do estado e do Nordeste surgiu na categoria escolar, no ano de 1998, como quadrilha tradicional.
Rabo de Palha, foi com esse nome que a Lume nasceu. A professora Liana Duarte, uma das fundadoras da quadrilha, foi uma figura de grande importância para o crescimento da Lume. O ambiente escolar fez com que a agremiação envolvesse a Escola Manoel Assis para levar adiante o projeto que engatinhava seus primeiros passos.

Associação Cultural e Esportiva Lume (ACEL), é a denominação oficial do institucional da Lume da Fogueira.
No seu alvorecer, a então denominada Rabo de Palha, tinha como objetivo fazer com que os alunos tivessem contato com as tradições juninas, Joseneide Oliveira, uma das fundadoras da Lume, fala dessa intenção, “o que se queria era que os alunos respeitassem as tradições e os valores do São João, com o senso de pertencimento, orgulho e espírito de equipe.”
O ano de 2002 marca a mudança de estilo da Lume, momento no qual a agremiação passa a ser estilizada. Sua 1ª competição na categoria estilizado adulto no Mossoró Cidade Junina ocorre em 2006, oportunidade na qual a companhia se transforma em quadrilha de bairro.

Ao longo de seus 25 anos, o grupo não venceu em Mossoró somente em duas ocasiões, 2007, e 2012, quando não houve concurso. De categoria tradicional escolar, passando para estilizada escolar, até chegar ao patamar de estilizada de bairro, a Lume foi um verdadeiro rolo compressor no cenário junino mossoroense.
Sagrou-se campeã em disputas nos municípios de Pau dos Ferros, Cruzeta, Patu, Apodi, Currais Novos, Macau, Assú e Monte Alegre.
A Lume é a atual campeã do Festival de Quadrilhas Juninas da Inter TV Cabugi, a maior vencedora do certame, com 5 títulos. É a atual campeã do Festival Interestadual de Quadrilhas Juninas e do Festival de Quadrilhas Juninas de Natal.

Márcia Léo, que desde o início está na agremiação, fala da influência da quadrilha para o São João mossoroense, “a Lume trouxe para Mossoró um impacto positivo por todo o seu trabalho cultural, pois a cada degrau que subíamos no mundo junino, ela conquistava o seu lugar, por mérito de cada um que por lá passava, sendo hoje uma das maiores referências juninas do Brasil.”
Centro de um cenário junino já efervescente, Mossoró passa por um contexto delicado. As principais quadrilhas que marcaram a cena junina da cidade foram extintas. A Lume se mantém viva como ACEL, no entanto, não disputará nenhum concurso este ano.
Márcia fala da escassez de quadrilhas, “é uma triste realidade para a cultura junina da cidade. Na maioria dos casos, a falta de incentivo público e privado impulsiona a desistência de tantos grupos juninos. Captar recursos para manter uma quadrilha não é tarefa fácil para quem está à frente de um grupo.”

A história de uma quadrilha se faz pelas mãos, e pés, de diversas pessoas. Joseneide fala de quem marcou e ajudou a alavancar a Lume, “sempre tivemos rainha belíssimas, e Leninha Leal é um ícone no meio junino. Nielson e Luana marcaram como casal de noivos, como os donos da festa. Hoje na Lume temos o Abraão Morais como representante legal e coreógrafo, e a equipe se divide nas comissões de adereços. A torcida da Lume, um show à parte, é comandada por Lunardo Miguel. Não podemos deixar de falar de dois componentes que foram fundamentais, Thiago e Márcia, que estão na equipe desde a fundação até os dias de hoje.”

A Lume teve alguns anos de pausa em certames juninos, mas continuou desenvolvendo suas atividades em outros segmentos culturais como a Associação Cultural que é.
A companhia já marcou presença nos grandes espetáculos de Mossoró, Auto da Liberdade, Oratório de Santa Luzia e Chuva de Bala no País de Mossoró, além de ministrar cursos em escolas.

Sobre a escassez de quadrilhas na maior competição do São João de Mossoró, a categoria estilizado adulto, Joseneide vai no mesmo sentido da fala de Márcia, “a falta de quadrilhas estilizadas se dá pelo baixo incentivo do poder público, e das empresas privadas, que poderiam contribuir com a melhoria da cultura local. E infelizmente a cultura junina é a mais descriminalizada de todas.”
Sobre a possível volta da Lume no São João do próximo ano, Joseneide deixa uma possível brecha, “2025 é logo ali.”
Certamente a volta de uma das maiores companhias juninas do Rio Grande do Norte seria uma contribuição ímpar para a cultura artístico-junina do Nordeste.

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Tony Silva: os meandros de uma das grandes atrizes de Mossoró
A encontrei na tarde da última segunda-feira, 27, no centro de Mossoró, no Memorial da Resistência.
Num bate-papo descontraído, longe das formalidades duma entrevista cartorial, ficamos sentados no banco do Memorial por pouco mais de 1 hora. São 40 anos de carreira, numa trajetória marcada por vários sentimentos e embalada por diversas circunstâncias.
Uma das maiores atrizes de Mossoró, do Rio Grande do Norte e do Nordeste, Antônia Lúcia da Silva, simplesmente Tony Silva, é uma entidade, só estando perto dela para sentir sua força e a energia que emana de sua presença.

Com 40 anos de carreira, Silva fala do início de sua trajetória artística, “eu comecei em 1980, aqui em Mossoró, eu era estudante de técnico agrícola na Escola Professor Eliseu Viana, e o curso tinha aulas na ESAM (hoje UFERSA), e lá eu conheci Aécio Cândido e Crispiniano Neto, que eram nossos professores na época.”
Aécio, ex vice-reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), tinha um grupo de teatro, o Terra, e foi a companhia em que Tony fez seu 1º espetáculo. A artista crava com precisão sua data de estreia no palco mossoroense, “03 de novembro de 1981.”
“Circo Alegria do Povo” é o título da peça que fez a Tony de seus 20 e poucos anos estrear no teatro.

Silva passou quase uma década no Terra, tendo posteriormente integrado a companhia Escarcéu, ainda na década de 1980. No início dos anos 90, a convite de Gustavo Rosado, figura articuladora da cena cultural do município à época, a artista funda o grupo de teatro Nocaute à Primeira Vista.
O Nocaute tinha entre um de seus objetivos se firmar no contexto teatral de Mossoró, haja vista que muitas companhias de teatro se formavam e logo depois se desmanchavam.
O Nocaute teve uma atuação ativa durante toda a década de 90, com sua saída da companhia, a artista fundou, ao lado de Damásio Costa, em 1998, A Máscara de Teatro.

“Na Máscara montamos a ‘Viagem de um Barquinho’, depois viemos com ‘Medeia’. Em 2005, ano de ‘Medeia’, saíamos dos ensaios do Auto da Liberdade, íamos para um galpão ensaiar ‘Medeia’, terminávamos os ensaios de 03 horas da manhã, tomávamos um banho, cada um ia para suas casas, dormia 2, 3 horas e quando acordava já ia para os seus trabalhos.”
Figura presente no Oratório de Santa Luzia, Tony desde o início integrou o espetáculo que conta a história da padroeira dos católicos mossoroenses, no auto encenado nos festejos da Santa, em dezembro. A personagem que encenou durante anos, a Cega, que conta a história na peça, ficou marcada no imaginário teatral mossoroense.
Silva revela que a Cega foi inspirada numa mulher real. Dona Nicácia, atuante na paróquia de Santa Luzia, mesmo depois de perder a visão, continuou se dedicando às atividades religiosas. Tony fez um estudo de pesquisa “barra”, em suas próprias palavras, para construir a personagem inspirada em Dona Nicácia.
A história da artista no Chuva de Bala no País de Mossoró, se inicia com Antônio Abujamra, o 1º diretor do espetáculo. São 16 anos atuando no auto que ocorre em junho, na programação do Mossoró Cidade Junina.

Mulher, negra e artista, Tony é uma negra que conseguiu importante espaço na arte cênica, “você não sabe a barra que a gente passa”. A “nêga Tony”, expressão ainda usada para se referir a artista, mostra o quanto o corpo da mulher negra vem antes do talento da atriz Tony Silva.
A artista diz que Gustavo Rosado foi importante colaborador para sua inserção no cenário cênico, “antes de ser atriz eu sou mulher e negra, e tenho que matar 10 leões por dia para ser reconhecida. Eu tenho a minha estrada, o meu objetivo é se reconhecer na pele de cada negra que está na cidade.”
A fama de abusada recai sobre uma negra, que é cobrada por sua antipatia, enquanto a acidez de atrizes brancas não passa pelo mesmo crivo de cobrança social.
Sobre seu firmamento de mulher negra de destaque, Tony revela, “só Deus sabe o quanto me custou, custou minha rede, quando meu pai quis me botar para fora de casa, meus pais não aceitaram quando comecei minha carreira.”
A atriz conta que seus pais só a viram uma única vez em cena, quando atuou pela 1ª vez no Oratório de Santa Luzia. Suas irmãs também mal a viram nos palcos. Contudo, apesar da distância familiar, Tony tem dois sobrinhos na arte cênica de Mossoró, Leonardo Wagner, atual diretor do Chuva de Bala, e Ligia Kiss, integrante da Companhia Pão Doce.

Com seus 40 anos conhecendo como poucos conhecem a cultural local, Silva afirma que nenhuma gestão empreendeu políticas públicas para à cultura mossoroense, “nós não temos políticas públicas, nunca tivemos, quando a política pública existe ela é lei, e não há, nós temos os espetáculos mas não são política pública, política pública que eu entendo tem um outro caminho, um outro sustento dos artistas. Nós temos espetáculos pontuais e pronto.”
Aposentada pelo o Estado do Rio Grande do Norte, a Tony pessoa é dona de casa e cuidadora de sua mãe que tem 92 anos. Silva, que sempre viveu da arte, chegou a trabalhar em paralelo na Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Norte (FUNDASE/RN), desenvolvendo trabalho com menores infratores por quase uma década.

“A Tony religiosa é outra revolucionária”, expressa a atriz. Umbandista, Silva foi uma das primeiras a pensar, no início dos anos 2000, a Louvação ao Baobá, que ocorre todo dia 20 de novembro no centro de Mossoró. Com duas décadas de existência, a louvação marca o encontro dos terreiros de matriz afro-ameríndia da cidade.
Juntamente com Pai Bolinha de Ogum, Ivonete Soares, professora aposentada da UERN, Tony idealizou um encontro dos terreiros do município, via de regra situados na periferia, para celebrarem em comunhão sua religiosidade.
“Para convencer os terreiros à virem para o centro da cidade eu andei muito a pé. Os terreiros tinham receio a virem para o centro. O bacana é que depois da louvação começa a se quebrar esse estigma das pessoas terem medo de usar o turbante, seus colares.”
A louvação hoje reúne não só os terreiros de Mossoró, terreiros de outra cidades vêm para a cerimônia, que conta com uma parceria da UERN.

No ano passado, Tony recebeu o título de Professor Honoris Causa, concedido pela UERN, em comemoração aos 55 anos da instituição. “Foi a coisa mais emocionante que vi na vida”, relata a atriz, que recebeu o título ladeada pelo povo de terreiro.
Um abraço emocionante marcou o fim de meu encontro com essa entidade, que me deixou arrepiado. Do Memorial, Tony seguiu para o ensaio do Chuva de Bala na Escola de Artes de Mossoró.
Com seu sorriso esfuziante, Tony resume um pouco do seu trajeto de 6 décadas de vida, “tem muita coisa na vida da gente, tudo eu aprendi na caminhada, como diz Maria Bethânia, quem quiser ser como eu que calce a sandália que calcei, caminhe, caia e levante-se.”

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Após 60 dias, DNIT autoriza construção de ponte sobre o rio Ponta da Serra na BR 304
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deu início à construção de uma nova ponte sobre o Rio Ponta da Serra, no km 203,5 da BR-304, em Lajes. Na terça-feira 28, foi assinado o contrato emergencial com a empresa responsável pela obra e a ordem de início dos serviços.
A nova ponte será construída no local da estrutura antiga, que colapsou devido às chuvas intensas no final de março. O investimento previsto é de R$ 14,4 milhões, com prazo de execução de 10 meses. O processo de construção começa pela elaboração dos projetos executivos de engenharia, seguido pela edificação da ponte.
Até a conclusão das obras, os usuários da BR-304/RN devem utilizar o desvio implantado pelo DNIT em uma área paralela à rodovia. A pista provisória possui 500 metros de extensão, 10,5 metros de largura, e é revestida de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), com sinalização horizontal e vertical.
A ponte sobre o Rio Ponta da Serra desmoronou em 31 de março, após o aumento do volume de água interditar a passagem pelo trecho, deixando alguns veículos ilhados. A construção da via auxiliar foi concluída em 20 de maio.
Jesus de Ritinha de Miúdo
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