• Justiça bloqueia entrada de novos presos na Cadeia de Ceará-Mirim por superlotação

    A Justiça potiguar determinou a interdição parcial da Cadeia Pública de Ceará-Mirim, na região metropolitana de Natal, devido à superlotação da unidade. A decisão da 2ª Vara Regional de Execuções Penais proíbe o ingresso de novos custodiados enquanto a população carcerária não for adequada à capacidade máxima de 1.364 detentos. Atualmente, o presídio abriga 1.448 pessoas, excedendo em 84 vagas o limite estabelecido.

    De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária, os novos apenados que chegarem ao sistema serão remanejados para outras unidades. A pasta atribui a situação ao crescimento de 38,7% na população carcerária estadual entre 2019 e 2025, que totaliza atualmente 14.115 custodiados. Este é o terceiro estabelecimento prisional potiguar a sofrer medidas de interdição nos últimos meses, seguindo as penitenciárias Rogério Coutinho Madruga e do Seridó.

    A Seap informou que desenvolve projetos de expansão com previsão de criar 1.086 novas vagas até 2027, incluindo construções em Alcaçuz e Caicó e reformas em unidades de Mossoró e do complexo feminino. O juiz José Vieira de Figueirêdo Júnior determinou ainda a reanálise de processos com pedidos de progressão de regime ou livramento condicional anteriormente indeferidos por questões de adaptação ao regime.


  • RN é 3º estado com maior percentual de pessoas trabalhando em municípios diferentes de onde moram, diz IBGE

    O Rio Grande do Norte ocupa a terceira posição nacional em mobilidade pendular, com 16,16% de sua força de trabalho se deslocando regularmente para outros municípios. Dados do Censo 2022 revelam que 150.621 potiguares trabalhavam em cidades diferentes das suas residências, atrás apenas de Sergipe (16,94%) e Pernambuco (16,85%).

    Os municípios da região metropolitana de Natal destacam-se nesse cenário: Extremoz (58,28%) e São Gonçalo do Amarante (57,01%) registram os maiores percentuais, enquanto Parnamirim lidera em números absolutos com 40.121 trabalhadores. O automóvel constitui o principal meio de transporte para esses deslocamentos (5,75%), seguido por ônibus (5,25%) e motocicleta (3,62%).

    Na educação superior, o estado mantém similar posição, com 40,34% dos universitários – aproximadamente 41 mil estudantes – frequentando instituições fora de seus municípios de residência. O padrão repete-se na pós-graduação, onde 42,54% dos discentes realizam seus estudos em outras localidades. Entre crianças de 0 a 10 anos, 4.500 (2,93%) frequentam creches ou pré-escolas em municípios vizinhos, com destaque para Parnamirim (11,47%) e São Gonçalo do Amarante (11,29%).


  • Vacina brasileira contra covid entra na fase final de estudos

    O Brasil está prestes a ter uma vacina contra a covid totalmente nacional. O país publicou o primeiro artigo científico sobre os resultados dos testes de segurança da vacina SpiN-TEC que mostram que o imunizante é seguro. A vacina avança agora para a fase final de estudos clínicos. A expectativa é que até o início de 2027, ela possa estar disponível para a população.

    A vacina foi desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Fundação Ezequiel Dias (Funed), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), gerido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

    Nos testes conduzidos, de acordo com o pesquisador e coordenador do CT-Vacinas, Ricardo Gazzinelli, a SpiN-TEC mostrou ter inclusive menos efeitos colaterais do que a vacina da norte-americana Pfizer.

    “Concluímos que a vacina se mostrou imunogênica, ou seja, capaz de induzir a resposta imune em humano. O estudo de segurança foi ampliado e ela manteve esse perfil, na verdade foi até um pouco mais, induziu menos efeitos colaterais do que a vacina que nós usamos, que é da Pfizer”, diz o pesquisador.

    A SpiN-TEC adota estratégia inovadora, a imunidade celular. Isso significa que ela prepara as células para que não sejam infectadas. Caso a infecção ocorra, a vacina capacita o sistema imunológico a atacar apenas as células atingidas, que são destruídas. Essa abordagem mostrou-se mais eficaz contra variantes da covid-19 nos ensaios em animais e em dados preliminares em humanos.  

    Testes clínicos

    Ao todo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) investiu R$ 140 milhões no desenvolvimento da vacina, por meio da RedeVírus, apoiando todas as etapas de testes, desde os ensaios pré-clínicos até as fases clínicas 1, 2 e 3.  

    A fase 1 do estudo contou com 36 voluntários, de 18 a 54 anos, e teve como objetivo avaliar a segurança do imunizante em diferentes dosagens. Já a fase 2 contou com 320 voluntários. Agora, os pesquisadores aguardam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a fase 3, com estimativa de 5,3 mil voluntários de todas as regiões do Brasil. 

    De acordo com Gazzinelli, esse é também um marco para o Brasil. O país, segundo o pesquisador tem “um ecossistema de vacinas quase completo”, com pesquisas em universidades, fábricas de produção de vacinas e distribuição dos imunizantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    “O que nós não temos é exatamente essa transposição da universidade para o ensaio clínico, né? Não temos exemplo disso feito no Brasil. Os ensaios clínicos normalmente são com produtos vindo de fora. Ideias, vacinas idealizadas fora. E esse foi um exemplo de uma vacina idealizada no Brasil e levada para os ensaios clínicos”, explica.

    Gazzinelli destaca que esse é um passo importante inclusive para outras pesquisas. “Eu acho que isso agrega uma expertise que nós não tínhamos e também um aspecto muito importante não só na área de inovação tecnológica de vacinas, mas para outros insumos da área de saúde”, diz .

    Caso seja aprovada em todas as fases do estudo, a expectativa, de acordo com o pesquisador, é que a vacina brasileira possa ser disponibilizada no SUS até o início de 2027.

    Outras vacinas

    O CT-Vacinas é um centro de pesquisas em biotecnologia criado em 2016, como resultado da parceria entre a UFMG, o Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Minas) e o Parque Tecnológico de Belo Horizonte. Atualmente, reúne cerca de 120 pesquisadores, estudantes e técnicos.

    “O MCTI observou, durante a pandemia, que o Brasil não tinha uma autonomia, não tinha soberania para desenvolver vacinas. Eu digo que um dos grandes legados desse programa além, obviamente, da vacina contra covid, é que aprendemos o caminho de levar uma vacina para a Anvisa e fazer o teste clínico”, diz Gazzinelli.

    Além da pesquisa sobre covid, o centro trabalha no desenvolvimento de vacinas contra outras doenças, como malária, leishmaniose, chagas e monkeypox.

    O pesquisador e coordenador do CT-Vacinas reforça: “Nós sabemos que vacinas realmente protegem. Evitam, inclusive, a mortalidade. De novo, quanto mais gente vacinado, mais protegida está a população”.


  • ABC anuncia Arnóbio Medeiros como novo diretor executivo

    O ABC oficializou a contratação de Arnóbio Medeiros para o cargo de diretor executivo, dando continuidade ao processo de profissionalização da gestão alvinegra.

    O profissional, formado em Gestão do Futebol pela Conmebol e CBF, assumirá a reformulação e execução dos processos administrativos e futebolísticos do clube.

    Com passagem anterior pela Federação Norte-rio-grandense de Futebol, onde atuou como diretor de competições, e experiências prévias no próprio ABC, Medeiros integra o projeto de reorganização interna que visa aprimorar a estrutura operacional e administrativa do Mais Querido.

    A contratação representa mais uma etapa na modernização da gestão do clube potiguar.


  • Infraestrutura de São Gonçalo inicia nova etapa do tapa-buracos para recuperação da malha viária

    O bairro do Golandim está recebendo as ações da operação tapa-buracos, realizada pela Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura.

    Os serviços dessa nova etapa do tapa-buracos tiveram início pela Rua São Francisco, nas proximidades da Avenida Bacharel Tomaz Landim, e seguem em ritmo intenso para melhorar as condições de mobilidade urbana na região.

    Na manhã desta quarta-feira (8), o prefeito Jaime Calado acompanhou de perto os trabalhos na estrada que liga Santo Antônio ao Golandim.

    Além da reposição de paralelepípedos, as equipes também realizam a restauração asfáltica, garantindo mais segurança e conforto para pedestres e condutores. “A situação do asfalto é uma das grandes demandas que encontramos ao assumir a gestão, e desde então temos trabalhado com responsabilidade e planejamento para resolver. Nossa orientação é que os serviços sejam contínuos para atender todos os bairros que ainda enfrentam esse problema. Estamos avançando com seriedade para garantir ruas mais seguras e trafegáveis para a população”, afirmou o prefeito Jaime Calado.

    A Secretaria Municipal de Infraestrutura vai seguir o cronograma dos serviços priorizando os casos mais críticos.


  • Natália, Girão, Nina e Thabatta lideram para deputado federal; outros 21 nomes foram citados

    Pesquisa Instituto Media/O Potengi entrevistou 1.000 eleitores da capital nas quatro zonas eleitorais; a margem de erro é de 3%. Confira os números Confira os números da pesquisa espontânea para deputado federal.

    Faltando menos de um ano para as eleições nacionais de 2026, o jornal O Potengi dá sequência à sua série de pesquisas eleitorais para o Rio Grande do Norte, em parceria com o Instituto Media Inteligência em Pesquisa.

    Nesta sondagem, os eleitores da capital foram ouvidos sobre suas preferências para os cargos em disputa em 2026 e quanto à avaliação dos governos nas três esferas.

    Deputado Federal – Espontânea

    Quando perguntados em quem votariam para deputado federal se a eleição fosse hoje, os eleitores de Natal responderam assim:

    • Natália Bonavides: 3,90%
    • General Girão: 2,80%
    • Nina Souza: 2,50%
    • Thabata Pimenta: 2,10%
    • Dra.Carla Dikcson: 1,70%
    • Benes Leocádio: 1,40%
    • Álvaro Dias: 1,20%
    • Sargento Gonçalves: 1,10%
    • Fernando Mineiro: 0,90%
    • Matheus Faustino: 0,80%
    • Carlos Eduardo: 0,80%
    • Samanda Alves: 0,60%
    • João Maia: 0,60%
    • Rafael Motta: 0,50%
    • Garibaldi: 0,50%
    • Kelps Lima: 0,50%
    • Robinson Faria: 0,30%
    • Léo Souza: 0,20%
    • Camila Araújo: 0,10%
    • Dr.Bernardo: 0,10%
    • Joana Guerra: 0,10%
    • Ezequiel: 0,10%
    • Daniel Marinho: 0,10%
    • Micarla de Sousa: 0,10%
    • Kleber Fernandes: 0,10%
    • NS (Não sabe): 69,70%
    • BN (Branco/Nulo): 7,20%

    Sobre a pesquisa

    A pesquisa Instituto Media/O Potengi ouviu 1.000 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 6 de outubro de 2025, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. A amostra tem margem de erro de 3% para um intervalo de confiança de 95%.


  • Eudiane, Ériko, Azevedo e Robson Carvalho lideram para deputado estadual; outros 52 nomes foram citados

    Pesquisa Instituto Media/O Potengi entrevistou 1.000 eleitores da capital nas quatro zonas eleitorais; a margem de erro é de 3%. Confira os números da pesquisa espontânea para deputado estadual.

    Faltando menos de um ano para as eleições nacionais de 2026, o jornal O Potengi dá sequência à sua série de pesquisas eleitorais para o Rio Grande do Norte, em parceria com o Instituto Media Inteligência em Pesquisa.

    Nesta sondagem, os eleitores da capital foram ouvidos sobre suas preferências para os cargos em disputa em 2026 e quanto à avaliação dos governos nas três esferas.

    Deputado Federal – Espontânea

    Quando perguntados em quem votariam para deputado estadual se a eleição fosse hoje, os eleitores de Natal responderam assim:

    • Eudiane Macedo: 2,10%
    • Eriko Jácome: 1,90%
    • Coronel Azevedo: 1,70%
    • Robson Carvalho: 1,70%
    • Ubaldo Fernandes: 1,50%
    • Divaneide Basílio: 1,40%
    • Adjuto Dias: 1,40%
    • Cristiane Dantas: 1,00%
    • Hermano Moraes: 0,90%
    • Gustavo Carvalho: 0,80%
    • Isolda Dantas: 0,80%
    • Kléber Rodrigues: 0,70%
    • Camila Araújo: 0,60%
    • Ezequiel Ferreira: 0,50%
    • Daniel Valença: 0,40%
    • Anne Lagartixa: 0,40%
    • Subtenente Eliabe: 0,30%
    • Luiz Almir: 0,30%
    • Júlio César: 0,30%
    • Luiz Eduardo: 0,20%
    • Dr.Bernardo: 0,20%
    • Kátia Pires: 0,20%
    • Dr.Gustavo: 0,20%
    • Francisco do PT: 0,20%
    • Tomba Farias: 0,20%
    • Terezinha Maia: 0,20%
    • Max Serrão: 0,20%
    • Júlia Arruda: 0,20%
    • Getúlio Rêgo: 0,20%
    • Raniere Barbosa: 0,20%
    • Dr.Kerginaldo: 0,20%
    • Luciano Nascimento: 0,10%
    • Ivanilson Oliveira: 0,10%
    • Marcio Gomes: 0,10%
    • Capitão Gondim: 0,10%
    • Galeno Torquato: 0,10%
    • Adão Eridan: 0,10%
    • Aroldo Alves: 0,10%
    • Brisa: 0,10%
    • Professor Robério: 0,10%
    • Dr.Thiago: 0,10%
    • Felipe Alves: 0,10%
    • Milklei: 0,10%
    • João Batista Torres: 0,10%
    • Júnior Colaça: 0,10%
    • Ermínio Felix: 0,10%
    • Albert Dickson: 0,10%
    • Eliu: 0,10%
    • Aline Juliete: 0,10%
    • Preto Aquino: 0,10%
    • Sandro Pimentel: 0,10%
    • Margarete Régia: 0,10%
    • Dinarte Torres: 0,10%
    • Paulo Pessoa: 0,10%
    • Sancler: 0,10%
    • Marcelo Monte: 0,10%
    • NS (Não sabe): 70,30%
    • BN (Branco/Nulo): 6,10%

    Sobre a pesquisa

    A pesquisa Instituto Media/O Potengi ouviu 1.000 eleitores com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 6 de outubro de 2025, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. A amostra tem margem de erro de 3% para um intervalo de confiança de 95%.


  • Ministros do STJ e do TST participam de congresso em Natal sobre direito e empreendedorismo

    Natal sediará no próximo dia 24 de outubro o Congresso de Direito, Cultura e Empreendedorismo, evento que reunirá autoridades do Judiciário e representantes do setor empresarial no Praiamar Arena Hotel.

    A programação contará com a presença dos ministros Ives Gandra Martins Filho, do Tribunal Superior do Trabalho, e Luiz Alberto Gurgel de Faria, do Superior Tribunal de Justiça, além de outras lideranças jurídicas e empresariais.

    Organizado pelo Instituto DIA, o encontro tem como objetivo principal aproximar o Rio Grande do Norte das discussões realizadas nos tribunais superiores, abordando temas como a Reforma Tributária, as novas formas de trabalho e o impacto da inteligência artificial no ambiente jurídico-empresarial. A expectativa é reunir aproximadamente 300 participantes entre advogados, magistrados, empresários e acadêmicos.

    O evento conta com o apoio institucional do TRT-21, AMATRA21, OAB/RN, Justiça Federal do RN e CDL Natal, garantindo um debate multidisciplinar sobre as transformações contemporâneas do direito e seus reflexos no desenvolvimento empresarial regional.


  • Autodiagnóstico nas redes: revolução ou armadilha?

    por Ricardo Mesquita, psicólogo

    Nunca se falou tanto sobre saúde mental — e, ao mesmo tempo, nunca pareceu tão difícil entender o que a gente sente.

    O roteiro é quase sempre o mesmo: você desbloqueia a tela, o algoritmo assume o volante, e lá vem a sequência. Um vídeo sobre ansiedade. Outro sobre TDAH. Mais um sobre autismo. A trilha é boa, a legenda pulsa no ritmo da pupila, e a frase acerta em cheio. Em segundos, o anzol fisga: “Meu Deus, sou eu.”

    E pronto. A identificação acontece. O scroll vira espelho. Informação não falta — personalização, menos ainda. As plataformas não só mostram o que você busca, elas farejam o que te angustia. Quando um vídeo acerta o ponto, quando sessenta segundos conseguem nomear um caos que você não conseguiu dizer em meses, nasce um sentimento misto: alívio e bagunça. Alívio por finalmente encontrar um nome; bagunça ao perceber que esse nome cabe em muita gente. É nesse intervalo, entre reconhecer-se e rotular-se, que o autodiagnóstico digital floresce.

    Um estudo publicado em 2025 na Acta Psychologica acompanhou jovens entre 16 e 25 anos no primeiro contato com serviços de saúde mental. O dado que mais chama atenção: todos já tinham consumido conteúdo sobre o tema nas redes antes da consulta. E 71,4% chegavam convictos de um diagnóstico que nunca tinha sido confirmado clinicamente. O principal berço dessa certeza? As plataformas. O YouTube, especialmente, apareceu ligado ao aumento do autodiagnóstico — talvez porque mistura didatismo com edição caprichada e cara de rigor científico. Sensação de aula; substância de recorte.



    Mas antes de qualquer crítica, vale reconhecer o que existe por trás disso: um desejo legítimo de compreender-se. Nomear a dor é um ato de coragem. O problema é quando essa nomeação acontece longe de escuta, de contexto e de validação técnica. Aí o diagnóstico vira espelho torto — reflete menos quem a gente é e mais o que o algoritmo quer mostrar.

    O mesmo estudo traz uma contradição interessante: quanto maior o consumo de conteúdo sobre saúde mental, maior o desejo de obter um diagnóstico formal. À primeira vista, parece ótimo — afinal, é sinal de interesse e busca por ajuda. Mas no consultório o efeito é outro: muita gente chega querendo confirmar o que viu online. Quando essa confirmação não vem, o que aparece é frustração, resistência… e, às vezes, desconfiança.

    E há um motivo afetivo por trás disso. Para 85% dos entrevistados, o diagnóstico importa não só pelo que explica, mas pelo que valida. “Agora sei que o que sinto é real.” “Encontrei gente como eu.” “Minha família me entende melhor.” Tudo legítimo. O risco começa quando o diagnóstico deixa de ser instrumento clínico e vira crachá de pertencimento — uma etiqueta que passa a organizar quem a pessoa é, o que ela sente, e até o que ela pode ser.

    O filósofo Ian Hacking chamou isso de looping effect: as categorias criadas começam a moldar aqueles que as recebem. Nas redes, esse efeito ganha megafone. O algoritmo premia repetição, transforma linguagem técnica em dialeto de grupo. Hashtags como #ADHDLife e #MyDepressionLooksLike acolhem e conectam, sim — mas também podem criar subculturas de patologização, onde a dor rende engajamento. Pra alguns, é bálsamo. Pra outros, prisão. E a pergunta que fica é dura: se a dor me define… quem eu sou quando ela melhora?

    Na clínica, o diagnóstico é lente que amplia, não funil que estreita. O problema é que o ambiente digital simplifica o complexo, dramatiza o sutil e estetiza o sofrimento. Em neuropsicologia, a gente chama isso de assimilação identitária do sintoma — quando o rótulo passa a fazer parte do “eu”. O cuidado ético, nesse caso, é duplo: não invalidar o sofrimento, mas também não alimentar a crença de que ele é tudo o que existe.

    A pesquisa do First Episode Mood and Anxiety Program, mostra algo semelhante: as redes não apenas informam, elas influenciam o próprio modo de adoecer. O psicólogo Nick Haslam chama isso de concept creep — o alargamento dos conceitos. “Trauma”, “crise de ansiedade”, “transtorno” viram nome pra tudo. O resultado? Uma névoa entre sofrimento humano e patologia clínica. E somado à dieta de vídeos curtos — atenção recortada, estímulo acelerado, tédio insuportável — o paradoxo é cruel: as mesmas plataformas que prometem explicar TDAH podem intensificar desatenção e impulsividade.

    A verdade é que a gente não está só consumindo conteúdo sobre saúde mental. Estamos sendo moldados por ele. Vivemos a era do saber-espetáculo, onde psicologia, psiquiatria e neurociência viram pílulas de trinta segundos. Tudo é feito pra emocionar — não pra aprofundar. E divulgar ciência é essencial, claro. O perigo é quando o discurso clínico vira entretenimento, e o que exige tempo e vínculo passa a ser digerido como identificação instantânea. E identificação, embora conforte, não é o mesmo que elaboração.

    A clínica não é um vídeo.

    Ela é feita de demora, de silêncio, de contradição.

    Enquanto o algoritmo caça coerência, o terapeuta acolhe dúvida.

    Enquanto a rede busca previsibilidade, o cuidado se constrói na incerteza.

    O papel do profissional de saúde mental nunca foi tão necessário — não pra disputar atenção com o feed, mas pra religar pessoas ao ritmo humano da compreensão. Quando o diagnóstico nasce de escuta ética e contexto, ele liberta. Dá nome ao que era ruído. E abre caminho pra um cuidado de verdade.

    No fundo, o autodiagnóstico digital fala menos de doença e mais de solidão. Buscar um nome é, muitas vezes, buscar pertencimento. Dizer “eu existo” e “isso faz sentido”. Só que, nas redes, o sentido vem pronto — sem história, sem nuance, sem rosto. Cada pessoa tem um jeito único de sofrer, reagir, resistir. E é justamente isso que os algoritmos não leem: eles caçam padrão; a psicologia procura exceção.

    Entre o scroll infinito e o silêncio da sessão, existe uma diferença essencial.

    Na rede, viramos consumidores de diagnósticos.

    Na clínica, voltamos a ser sujeitos de histórias.

    A tecnologia não é inimiga do cuidado — ela só precisa de tradução clínica.

    O desafio é construir pontes entre o digital e o humano.

    Pontes que devolvam profundidade ao olhar, responsabilidade ao discurso.

    Diagnóstico não deve limitar; deve abrir.

    O nome da dor importa, sim.

    Mas é o que fazemos com ele que transforma.


  • Polícia Federal fecha sete empresas clandestinas de segurança no RN

    Em uma operação de abrangência nacional realizada nesta quinta-feira, a Polícia Federal autuou e determinou o encerramento das atividades de sete empresas clandestinas de segurança privada no estado do Rio Grande do Norte. A ação, batizada de Operação Segurança Legal IX, ocorreu de forma simultânea em todos os estados do país, envolvendo a fiscalização de 565 estabelecimentos.

    No Rio Grande do Norte, as intervenções se concentraram nas cidades de Natal e Mossoró. Na capital potiguar, seis dos sete estabelecimentos fiscalizados receberam auto de encerramento. Em Mossoró, a única empresa inspecionada também foi interditada pelas autoridades.

    A Polícia Federal destacou que a contratação de serviços de segurança privada irregulares constitui um grave risco para a segurança pública. Empresas que atuam à margem da lei não submetem seus vigilantes ao controle e à fiscalização do órgão, processo essencial que verifica antecedentes criminais, formação profissional adequada e aptidão física e psicológica dos profissionais.

    Conforme a legislação brasileira, apenas empresas devidamente autorizadas pela Polícia Federal estão habilitadas a prestar serviços de segurança privada e a contratar vigilantes. A operação, que é realizada anualmente desde 2017, tem como principal objetivo coibir a atuação ilegal neste setor, garantindo o cumprimento integral das normas que regulamentam a atividade em todo o território nacional.





Jesus de Ritinha de Miúdo