Jesus de Ritinha de Miúdo
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Cláudio Castro, governador do Rio, é aplaudido de pé durante missa; 58% dos cariocas apoiaram a megaoperação
Enquanto a esquerda, desde o dia da operação policial que deixou mais de 100 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na capital do Rio de Janeiro, se inflou de discursos eivados de cristandade e defesas de atuações policiais não-armadas, uso da inteligência e outras variáveis desse tipo, o governador Cláudio Castro, impopular na crítica, parece estar recebendo bons dividendos do público.
Ontem (2), Castro foi aplaudido de pé em missa na Paróquia Santa Rosa de Lima, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. É bom lembrar que o governador é, também, músico e compositor da banda católica Em Nome do Pai, e frequenta, com os familiares, as missas de domingo, onde canta louvores para os fiéis.
Além do aplauso do público, o padre também manifestou reconhecimento à ação do governador. Os policiais mortos na operação também foram homenageados durante a liturgia, tanto pelo sacerdote quanto por Castro.
Pesquisa da Quaest indica que maioria absoluta dos cariocas apoiou a operação
Uma pesquisa realizada durante a semana passada, que entrevistou cerca de 2,5 mil pessoas no Rio de Janeiro, indicou que 58% dos cariocas consideraram a operação um sucesso, com apenas 32% considerando-a como um “fracasso”. Entre o público de 31 a 50 anos, a avaliação positiva chegou a 61%.
Mas engana-se quem pensa que essa avaliação é feita por gente que não sente os efeitos das atuações policiais contra o tráfico: uma pesquisa da AtlasIntel, feita no mesmo período, apontou que nada menos que 88% dos moradores de favelas da cidade do Rio de Janeiro apoiaram a ação. Em um levantamento nacional, o apoio à operação conduzida pelas polícias civil e militar do RJ ficou em 55,2%.
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O Potengi também traz concursos públicos já publicados; veja a lista
O Potengi, em sua página 11, traz oportunidades de concursos públicos para os interessados. Segue o link dos editais:
Prefeitura de São José do Seridó
66 vagas (nível médio, técnico e superior), Instituto Igeduc
Inscrições online até 01/12/2025
EditalCâmara Municipal de São José do Seridó
2 vagas (nível médio e superior), Instituto Igeduc
Inscrições online até 01/12/2025
EditalUniversidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
66 vagas (todas para docentes), Comperve
Inscrições até 03/12/2025
EditalSobre o jornal
O Potengi é impresso na RB Gráfica e Editora e distribuído gratuitamente toda semana. Se quiser que seu estabelecimento torne-se um ponto de distribuição, entre em contato com (84) 99802-0270 ou 99863-3579.
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Crônicas de cemitérios e a decadência da Festa do Rosário também são assuntos nessa edição
Entre a diversidade de conteúdos trazida por O Potengi na edição impressa que já está nas bancas, estão as já consagradas crônicas de Girotto, que, junto com Roberto Flávio, expõe as histórias de cemitérios; enquanto o primeiro fala sobre o túmulo de João Rodrigues Baracho, o “bandido que virou santo” (e que até hoje é o mais visitado do Cemitério do Bom Pastor), o segundo fala sobre outro ponto de peregrinação: o local onde está enterrado Carlindo de Souza Dantas, conhecido como “o médico dos pobres”, no Cemitério Público Campo Jorge, na Zona Norte de Caicó.
As crônicas de Girotto (“Santo à Moda Antiga”) e de Flávio (“Dr. Carlindo de Souza Dantas: Médico ou Milagreiro de Cemitério”) estão na página 10 da edição nº 14 de O Potengi.
E a Festa do Rosário não é mais a mesma
O historiador Antônio Neves fala em O Potengi, da Festa do Rosário, tradicional momento que ocorre todo mês em Caicó, e que a cada ano tem perdido espaço (e gente). As desculpas já vêm a tiracolo, para justificar a desvalorizada tradição, que se sustenta na base do improviso e sofre com os costumes de nosso tempo.
Neves, que também foi rei da Irmandade dos Negros do Rosário, critica o paroquialismo conservador da igreja católica local, cuja consequêcia se reflete no desinteresse do Poder Público em dar apoio às atividades. Tá ruim pra Nossa Senhora.
Sobre o jornal
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Tese de Pedro Pinheiro expõe como história de Extremoz foi moldada pelos indígenas e apagada pelo Império
O historiador Pedro Pinheiro de Araújo Júnior reconstituiu, em sua tese de doutorado, a territorialização indígena do que hoje conhecemos por Extremoz e os mecanismos que viriam a desfigurá-la no Século XIX.
O território de Extremoz, no entender de Pedro Júnior, não era somente espaço físico; era também identidade, memória e defesa comum. Potiguaras, Panatis, Caborés e Janduís foram protagonistas na territorialização da região após a Guerra dos Bárbaros. Depois, os indígenas ainda atuariam em episódios como a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador, reforçando o protagonismo na atuação política dos povos originários no Rio Grande do Norte, que ocuparam inclusive cargos locais e requereram sesmarias.
No enanto, o Regulamento da Civilização dos Índios, de 1845, e a Lei de Terras, em 1850, desfiguraram o território de Extremoz, legitimando a tomada das áreas indígenas sob o argumento de “extinção” ou “mistura” dos povos. A matéria, escrita por Cláudio Wagner, está presente na página 2 da edição impressa de O Potengi.
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Edição impressa de O Potengi chega a seu 14º número e já está nas bancas; confira os destaques
A edição impressa de O Potengi já está em processo de distribuição e traz um cardápio de textos que incluem informação, cultura, conhecimento e lazer. O destaque dessa edição é o caso F. Gomes, referente à execução do jornalista Francisco Gomes de Medeiros, ocorrida em 2010, em Caicó, e sobre a qual ainda reina a impunidade. Quem escreve é Angelo Girotto, que também é editor do jornal.
O caso F. Gomes ainda segue na Justiça, chegando em sua fase final após as sequências de recursos. Na longa matéria, que contempla duas páginas, Girotto detalha o cenário do assassinato, ocorrido num momento em que F. Gomes estava em sua casa, e vinha obtendo progresso na apuração de informações a respeito do tráfico de drogas no Rio Grande do Norte. À época, a delegada Sheila Freitas, da Divisão Especializada em Investigação ao Crime Organizado (Deicor) resumiu o caso afirmando que “F. Gomes foi assassinado única e exclusivamente pelo seu trabalho”.
Isso tudo é só o começo da história. Na matéria completa, Girotto apontou o rumo dos acontecimentos, os julgamentos, as apelações e o final inglorioso que reforça o quanto a morosidade da Justiça (e seu efeito maior, a impunidade) seguem sendo a regra. O caso F. Gomes, essa mácula na história do jornalismo investigativo em nosso estado, é um exemplo de como ser jornalista ainda é atividade de risco no Brasil.
A xilogravura como linguagem
O Potengi impresso também trouxe destaque à arte da xilogravura, dando um panorama histórico e geográfico dessa técnica, desde seus primeiros usos até a massificação no século passado, tornando-se inclusive objeto de estudo de universitários e pesquisadores e de consequentes publicações em formato de álbum.
Mas o casamento com o cordel é que foi o grande responsável da popularização dessa técnica como arte gráfica popular. Os desenhos dos xilógrafos de heróis, amores, batalhas e lendas, enriquecidas com versos expressivos dão um salto qualitativo tanto à madeira na qual são talhadas às figuras como à poesia que nasce delas.
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Sidarta Ribeiro: “Temos encontro marcado com o fascismo, e precisamos vencer”
O neurocientista Sidarta Ribeiro abriu sua fala no Flipipa (Festival Literário da Praia de Pipa), no Rio Grande do Norte, com um alerta que soou mais como diagnóstico do tempo presente do que previsão: “A gente está vivendo um momento de ficção científica. E não é metáfora.” Com voz pausada e pensamento afiado, ele entrelaçou ciência, espiritualidade e política para descrever um planeta febril, uma humanidade à beira do colapso e, ainda assim, capaz de regeneração.
Em um auditório lotado, Sidarta, que é professor titular e um dos fundadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, abordou temas como a guerra em Gaza, a ascensão da extrema-direita, o patriarcado e a crise ambiental, conectando todos a um mesmo sintoma: a doença de um sistema que perdeu o senso de limite. “O discurso do crescimento sem fim é o discurso do câncer”, afirmou, ao criticar a lógica econômica que considera insustentável. Citando a filósofa bell hooks, denunciou o “patriarcado supremacista branco capitalista predatório”, que, segundo ele, “destrói povos, florestas e sonhos”.
Mas o tom não é apenas de denúncia — é também de urgência e possibilidade. “A pandemia mostrou que o sistema pode parar. E precisa parar para ser consertado”, disse, lembrando que o problema da humanidade é ético, não técnico. Para ele, o que falta é gestão coletiva e vontade política de mudar o curso. Essa transformação, acredita, começa pela consciência e pela escola, “a instituição mais estratégica da humanidade”.
Sidarta também chamou atenção para o impacto das telas na vida psíquica. “Nos últimos 15 anos, as telas estão sonhando por nós. Se cada cinco minutos livres a gente olha para o celular, quando é que a nossa máquina de sonhar sonha?”, questionou. Para o pesquisador, a perda da capacidade de sonhar está ligada à perda de empatia e à erosão da coesão social.
Entre as pautas progressistas, ele destacou o avanço do debate sobre a maconha. “A cannabis é um remédio milenar. A criminalização foi racista e sempre teve cor. Agora, a luta das mães de crianças com epilepsia mudou tudo”, lembrou. Defendeu que a planta seja incorporada ao SUS e às práticas de fitoterapia, como reparação social.
Ao encerrar, Sidarta voltou ao fio condutor de sua fala: o tempo. “A gente tem urgência. O ano que vem temos encontro marcado com o fascismo. E precisamos vencer — mas vencer para mudar o país.” O público respondeu com longos aplausos, enquanto o neurocientista, sereno, insistia em seu convite radical: “Parar o sistema”.
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Veja programação dos cemitérios públicos no Dia de Finados em Natal
O feriado de Dia de Finados, a ser celebrado amanhã (2) terá programações religiosas nos cemitérios públicos de Natal. Como há previsão de aglomerado de visitantes nos locais de sepultura, a cidade também terá intervenções no trânsito durante o dia.
O mutirão da Prefeitura contemplou ações como limpeza, poda de árvores, pintura, sinalização, melhorias na iluminação, intervenções estruturantes em passeios e muros, além do reforço das partes elétrica e hidráulica. A expectativa dos órgãos públicos é que mais de 60 mil pessoas visitem os cemitérios. Os cemitérios funcionarão das 7h às 17h, sem fechamento no horário de almoço. Haverá também disponibilidade de cadeiras, banheiros químicos, tendas e som para as celebrações religiosas que ocorrerão nos locais.
O departamento de fiscalização atuará no ordenamento do comércio informal na parte externa dos cemitérios. É proibida a comercialização de produtos no interior dos equipamentos.
Confira a programação das celebrações religiosas durante o Dia de Finados nos cemitérios públicos de Natal:
- Cemitério do Alecrim
– Missa: 7h, 9h e 16h (Padre Mota)
– Atividade espírita: 10h - Cemitério do Bom Pastor I
– Missa: 10h e 16h (Arcebispo Dom João Santos Cardoso) - Cemitério do Bom Pastor II
– Missa: 10h e 16h (Padre Manoel Henrique de Paiva) - Cemitério Parque Nova Descoberta
– Missa: 7h e 16h (Padre Carlos Alberto)
– Atividade espírita: 10h - Cemitério do Igapó
– Missa: 9h
– Atividade espírita: 10h - Cemitério da Redinha
– Missa: 7h e 16h (Padre Mario) - Cemitério Ponta Negra
– Missa: 8h e 15h (Padre Júlio César) - Cemitério Pajuçara
– Missa: 8h30 e 16h (Padre João Maria)
Segundo a prefeitura, os cultos evangélicos e palestras espíritas ocorrerão nos intervalos entre as missas. As igrejas também seguem com os horários normais de missas ao longo do domingo.
Intervenções no trânsito
Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal, as intervenções no trânsito terão início às 15h de sábado (1º) e seguirão até as 18h do domingo(2), abrangendo o entorno dos oito cemitérios públicos da capital. Entre as medidas previstas, estão interdições e disciplinamento do tráfego em pontos estratégicos nos bairros do Alecrim, Nova Descoberta, Bom Pastor, Igapó e Ponta Negra.
A STTU informou que os agentes de mobilidade estarão de plantão para orientar motoristas e pedestres, assegurar a fluidez do tráfego e prevenir ocorrências.
- Cemitério do Alecrim
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Petrobras reduz preço do gás natural em 1,7% a partir de hoje e reacende debate sobre competitividade energética no Brasil
A Petrobras anunciou, em 31 de outubro de 2025, uma redução média de 1,7% no preço do gás natural fornecido às distribuidoras, com efeito a partir de 1º de novembro. Embora o percentual pareça modesto, a medida é considerada estratégica para o setor energético e industrial brasileiro, com potencial de aliviar custos e estimular novos investimentos.
A redução segue os contratos trimestrais firmados pela estatal, que ajustam os valores com base nas variações do preço internacional do petróleo Brent e na taxa de câmbio. No trimestre mais recente, o Brent registrou alta de 2,18%, mas a valorização de 3,83% do real frente ao dólar compensou o aumento, resultando na queda do preço do gás natural.
A medida não afeta o preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de botijão, que segue outra dinâmica de mercado. O impacto será sentido principalmente pelas distribuidoras e pela indústria, que utiliza o gás natural como fonte de energia e insumo produtivo em segmentos como siderurgia, cerâmica, papel e celulose, alimentos e bebidas.
Especialistas avaliam que a redução pode fortalecer a competitividade das empresas brasileiras, diminuindo custos operacionais e abrindo espaço para o aumento da produtividade. No setor elétrico, a queda do preço do gás também pode baratear a geração termoelétrica, ampliando a viabilidade econômica de usinas movidas a gás, especialmente em períodos de escassez hídrica.
A Petrobras destacou que a política de reajustes trimestrais visa garantir previsibilidade e transparência ao mercado, permitindo que distribuidores e consumidores industriais planejem melhor suas operações. A estatal reforçou ainda o compromisso de manter equilíbrio entre rentabilidade e acesso à energia.
Em um cenário internacional marcado por instabilidades geopolíticas e flutuações no preço do petróleo, a valorização do real foi o fator determinante para a redução atual. Analistas indicam que, caso essa tendência se mantenha, novas reduções poderão ocorrer nos próximos trimestres.
A decisão da Petrobras reforça o papel do gás natural como um componente estratégico na matriz energética nacional. Ao alinhar sua política de preços às condições de mercado e manter previsibilidade nas revisões, a empresa busca consolidar o setor como um pilar de desenvolvimento econômico e segurança energética no Brasil.
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Mostra de Cinema do Gostoso agora contém uma Mostra Potiguar; confira os filmes selecionados
A 12ª edição da Mostra de Cinema de Gostoso, que ocorrerá nos dias 20 a 25 de novembro, apresenta neste ano uma novidade: a criação da Mostra Potiguar, uma nova seção dedicada exclusivamente à produção audiovisual do Rio Grande do Norte. A iniciativa busca ampliar o espaço para o cinema local e fortalecer o diálogo entre realizadores potiguares e o público.
A Mostra Potiguar será exibida nos dias 22 e 23 de novembro e reúne nove curtas-metragens dirigidos por cineastas do estado, que transitam entre os gêneros de ficção, documentário e animação. As obras exploram temas variados, indo da memória cultural à experimentação estética, refletindo a diversidade e a vitalidade da cena audiovisual potiguar.
A curadoria da Mostra Potiguar é formada por uma equipe composta por Carine Fiúza, Eugenio Puppo, Janaína Oliveira, Mariana Souza e Matheus Sundfeld, além do curador e realizador potiguar Rosy Nascimento, convidado especialmente para integrar o grupo. A presença de Nascimento reforça a conexão da Mostra com o circuito local e com os criadores que vêm impulsionando o cinema produzido no estado.
A criação da Mostra Potiguar marca um momento importante para o evento e para o audiovisual norte-rio-grandense, que tem conquistado reconhecimento em festivais pelo país. A iniciativa é vista como um passo decisivo na consolidação de uma identidade cinematográfica potiguar, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer histórias, personagens e paisagens que nascem no território local e se expandem para o cenário nacional.
Confira a lista dos filmes potiguares:
22 de novembro (sábado)
Medo de Cachorro (Ítalo Tapajós)
O Nó do Diabo (Igor Bezerra)
Passagem Única (Raquel de Queiroz)
Trajeto do Desmoronamento (Helena Antunes)23 de novembro (domingo)
Entre o Céu e o Mar (Lindenberg Oliveira e Vanda Mafra)
A Maré (Jair Libanio)
As Dançadeiras de São Gonçalo (Jorge Andrade)
Carnavaleska (Hannah Carneiro e Cauã Brilhante)
Recife Tem um Coração (Rodrigo Sena)Essa novidade faz com que a Mostra de Cinema de Gostoso amplie sua relevância cultural e reafirma seu papel como um dos principais espaços de difusão e reflexão sobre o cinema contemporâneo no Nordeste.
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Semurb define regras para construções na Via Costeira; Ministério Público pede anulação da lei que libera empreendimentos na área
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) publicou, nesta quinta-feira (30), uma instrução informativa que define os critérios para o licenciamento de empreendimentos de uso misto — comerciais e residenciais — na Via Costeira, em Natal. A medida regulamenta parte da lei sancionada pela Prefeitura em dezembro do ano passado, que autoriza construções na região e em outras quatro Áreas Especiais de Interesse Turístico e Paisagístico (AEITPs) da capital potiguar.
No mesmo dia, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) ingressou com uma ação civil pública pedindo a nulidade da lei, sob a justificativa de que ela contraria o Plano Diretor de Natal e apresenta falhas no processo de aprovação, como a ausência de estudos técnicos e de participação popular.
Regras para o licenciamento
De acordo com a instrução da Semurb, as novas construções na Via Costeira deverão seguir princípios que visam preservar a paisagem e o acesso público à praia. Entre as diretrizes, estão o limite de altura de 15 metros (gabarito máximo), a apresentação de projeto de contenção costeira, o lote mínimo de 2.000 m², quando aplicável, e o cumprimento das normas urbanísticas e ambientais vigentes.
A área contemplada pela lei vai da Praia de Areia Preta até o Centro de Convenções, uma faixa litorânea que concentra hotéis e empreendimentos turísticos.
O secretário da Semurb, Thiago Mesquita, explicou que a publicação do documento atende ao crescente interesse de investidores na região.
“Essa normativa vem para trazer esclarecimentos. O número de consultas prévias à secretaria aumentou bastante. As pessoas querem saber o que o novo Plano Diretor fala sobre a Via Costeira e o que a lei das AEITPs permite”, afirmou.
Mesquita ressaltou ainda que a instrução tem como objetivo garantir transparência tanto para os interessados em investir quanto para os técnicos responsáveis pela análise dos projetos. Segundo ele, o controle dos lotes deve ser feito pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), já que os terrenos da Via Costeira são concessões do governo estadual. A PGE informou que não irá se manifestar sobre o assunto.
Ação do Ministério Público
A 45ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Natal questiona a validade da lei que permite as construções nas AEITPs. Na ação, o MPRN pede a suspensão imediata de novas licenças e alvarás de construção, a fim de evitar “danos cumulativos e irreversíveis” à malha urbana e ao meio ambiente.
De acordo com o órgão, a lei promove alterações não previstas no Plano Diretor, como o aumento do potencial construtivo na Via Costeira — que passou de 1,0 para até 5,0. Para o MP, isso descaracteriza o status de área especial e pode comprometer o equilíbrio ambiental e paisagístico da região.
Além das supostas incompatibilidades normativas, o Ministério Público aponta vícios de procedimento. A petição destaca que a matéria foi aprovada como lei ordinária, quando, segundo a Lei Orgânica de Natal, deveria ter tramitado como lei complementar, seguindo o mesmo rito de alteração do Plano Diretor.
O MP também cita a ausência de participação popular efetiva durante a tramitação da lei, observando que houve apenas uma audiência pública na Câmara Municipal. Segundo o órgão, seriam necessárias outras etapas de escuta e consulta, como reuniões técnicas e oficinas comunitárias.
O texto da ação ainda critica a falta de consulta ao Conselho de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Conplam) — responsável por opinar sobre modificações no Plano Diretor — e a ausência de diálogo com comunidades tradicionais, como pescadores artesanais.
Risco ambiental e legalidade
Na avaliação do Ministério Público, a ausência de estudos técnicos e ambientais compromete a validade da norma.
“A falta de embasamento por si só já deveria levar à anulação da lei, por carência de requisitos mínimos de validade”, sustenta o documento.
O MP solicita que, caso a Justiça suspenda a lei, seja elaborado um novo cronograma de regulamentação das AEITPs, com base em critérios técnicos, ambientais e de participação democrática.
Enquanto o impasse se desenrola na Justiça, a Via Costeira — um dos cartões-postais de Natal — segue como território de disputa entre o interesse econômico e a preservação ambiental. A decisão sobre o futuro da área, que há décadas abriga debates sobre ocupação e turismo, agora dependerá de como a Justiça interpretará os limites entre desenvolvimento urbano e proteção do patrimônio natural.