• Veja outras mulheres que foram exemplo na resistência à Ditadura Militar no Brasil

    Durante os 21 anos de ditadura militar no Brasil, as mulheres não apenas sofreram as mesmas perseguições, torturas e censuras impostas aos opositores do regime, mas também protagonizaram alguns dos episódios mais marcantes de resistência política e humana daquele período. Mesmo diante de uma sociedade profundamente patriarcal, elas ocuparam papéis centrais na luta contra a repressão, nos movimentos estudantis, sindicais, camponeses, culturais e, mais tarde, nas campanhas pela redemocratização.

    A presença feminina na resistência começou ainda nos primeiros anos após o golpe de 1964. Enquanto muitos homens eram presos, exilados ou mortos, mulheres passaram a organizar redes clandestinas de apoio, abrigo e comunicação. Dona Ieda Santos Delgado, por exemplo, transformou sua casa no Rio de Janeiro em um refúgio para militantes perseguidos, salvando dezenas de vidas. Outras atuaram como mensageiras, repassando informações codificadas e materiais de imprensa alternativa sob o risco constante de prisão.

    No campo político, nomes como Maria Auxiliadora Lara Barcelos, Iara Iavelberg e Dinaelza Coqueiro integraram organizações armadas de resistência, como a VAR-Palmares e a ALN. Maria Auxiliadora, conhecida como “Dôra”, foi uma das jovens presas e torturadas no DOI-CODI, símbolo da brutalidade do regime. Já Iara Iavelberg, militante e companheira de Carlos Lamarca, tornou-se um dos rostos mais emblemáticos da repressão: sua morte em 1971 foi pateticamente apresentada como suicídio, quando na realidade ela foi executada de forma sumária. As mulheres também estiveram presentes no campo: Elza Monnerat protagonizou, na Guerrilha do Araguaia, momentos cinematográficos, como o episódio em que salvou a vida de João Amazonas, então principal quadro do Partido Comunista do Brasil.

    Ao mesmo tempo, em frentes não armadas, mulheres como Zuleika Alambert e Ruth Escobar atuaram na articulação política e cultural, denunciando violações de direitos humanos e abrindo espaços para o debate democrático. Nos movimentos estudantis, Ana Maria Nacinovic e Vera Sílvia Magalhães — esta última uma das líderes do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick em 1969 — simbolizaram a audácia e a inteligência da juventude em confronto direto com a repressão.

    Nos anos 1970, com o enfraquecimento da luta armada, a resistência feminina se reorganizou em novos moldes. Surgiram os movimentos de mães e familiares de presos e desaparecidos políticos, que exigiam respostas sobre os mortos e desaparecidos. A figura de Therezinha Zerbini, fundadora do Movimento Feminino pela Anistia, foi decisiva para articular uma frente ampla de mulheres que, ao lado de artistas e intelectuais, pressionaram pela libertação de presos políticos e pelo retorno dos exilados.

    Quando, na década de 1980, a abertura política começou a se consolidar, essas mesmas mulheres foram fundamentais na campanha “Diretas Já” e na construção das bases para a nova Constituição.

    A luta feminina contra a ditadura militar ultrapassou o enfrentamento político: foi também uma batalha contra o machismo e pela afirmação de sua voz na história nacional. Hoje, ao recuperar suas trajetórias, o Brasil reconhece que a redemocratização não seria possível sem a coragem silenciosa e incansável de mulheres que ousaram desafiar o medo — e o poder — em nome da liberdade.


  • Prisões, exílios e mortes: o rosto da repressão também assombrou o Rio Grande do Norte

    Entre 1964 e 1985, o Rio Grande do Norte viveu, como o restante do país, os anos sombrios da ditadura militar. Apesar de distante dos grandes centros de poder, o estado foi palco de perseguições políticas, prisões, censura e resistência silenciosa, marcada por estudantes, jornalistas, sindicalistas e religiosos.

    Logo após o golpe de 1964, lideranças ligadas ao governo João Goulart e aos movimentos de trabalhadores rurais e urbanos foram presas ou afastadas de seus cargos. A capital potiguar tornou-se ponto estratégico para as forças armadas, principalmente por abrigar bases militares e comunicações que ligavam o Nordeste ao restante do país.

    Embora parte da população, especialmente sindicalistas e camponeses, tenham se colocado à disposição para resistir à ação dos militares, a saída do país de João Goulart e a atitude, em Natal, do prefeito Djalma Maranhão, de se entregar voluntariamente para evitar derramamento de sangue permitiu que o golpe de Estado rapidamente se consolidasse.

    Djalma Maranhão havia sido eleito em 1961 e foi responsável pela erradicação do analfabetismo em Natal naquele período por meio da campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler, com matriz nas ideias de Paulo Freire. Com a prisão, ele foi exilado no Uruguai e nunca mais retornou à sua terra. Conta-se que morreu de saudade.

    A ditadura em todos os lugares

    Em Natal, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foi um dos principais espaços de contestação e, ao mesmo tempo, de vigilância. Professores e alunos sofreram processos administrativos e cassações. O DOPS e o Exército mantiveram intensa vigilância sobre os movimentos estudantis e sindicais, especialmente os ligados aos portuários, bancários e trabalhadores da educação.

    A Igreja Católica teve papel ambíguo: enquanto parte do clero apoiava o regime, outro segmento, influenciado pela Teologia da Libertação, acolhia perseguidos e denunciava violações de direitos humanos. O arcebispo Dom Nivaldo Monte, embora cauteloso, manteve diálogo com setores progressistas.

    O jornalismo potiguar enfrentou forte censura. Jornais como o Diário de Natal e o Tribuna do Norte receberam ordens diretas para não publicar matérias consideradas “subversivas”. Ainda assim, repórteres locais conseguiram driblar a repressão por meio de metáforas e crônicas simbólicas.

    A repressão

    Durante os 21 anos de ditadura militar (1964–1985), o Rio Grande do Norte viveu uma repressão silenciosa, mas constante. O estado, embora distante dos grandes centros de resistência política, registrou dezenas de prisões, cassações e perseguições contra estudantes, sindicalistas, religiosos e intelectuais.

    Logo após o golpe de 1964, forças do Exército e da Polícia Militar potiguar prenderam líderes camponeses e dirigentes da antiga Superintendência de Política Agrária (Supra), vinculada ao governo deposto de João Goulart. Muitos foram detidos sob acusação de “subversão” e enviados ao Quartel do 16º Regimento de Infantaria, em Natal, onde sofreram interrogatórios e maus-tratos.

    Entre os casos mais emblemáticos está o de Luiz Maranhão Filho, jornalista, deputado cassado e dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Preso e torturado em 1974, Luiz Maranhão desapareceu nos porões da repressão e seu corpo jamais foi encontrado — tornando-se um dos nomes potiguares incluídos na lista oficial de mortos e desaparecidos políticos do Brasil.

    Outros militantes, como Manoel Lisboa de Moura, líder da Ação Popular (AP), também foram vítimas da tortura e executados sob custódia militar. Diversos jovens potiguares se viram obrigados a fugir do país, buscando exílio em Cuba, Chile e França, onde continuaram a militância pela redemocratização.

    Na UFRN, diversos estudantes foram presos por participarem de assembleias e manifestações. Professores foram afastados de suas funções por “atividade comunista” e submetidos à vigilância do DOPS. A censura também atingiu jornalistas que denunciavam abusos ou publicavam textos considerados “anti-patrióticos”. O Diretório Central dos Estudantes até hoje tem como patrono José Silton Pinheiro, estudante de pedagogia carbonizado dentro de um carro após troca de tiros com militares.

    Apesar da brutalidade, o período deixou marcas de resistência e solidariedade. Organizações como a Comissão de Anistia e Direitos Humanos da OAB/RN e o Comitê da Verdade do RN seguem, ainda hoje, investigando nomes, locais de prisão e o destino dos que desapareceram — na tentativa de dar voz e justiça àqueles que foram silenciados.


  • Morre Clara Charf, símbolo da resistência democrática e dos direitos das mulheres, aos 100 anos

    A ativista dos direitos humanos Clara Charf faleceu nesta segunda-feira (3), aos 100 anos, de causas naturais. Fundadora e presidente da Associação Mulheres Pela Paz, Clara estava internada havia alguns dias e foi intubada antes de sua morte, segundo comunicado oficial da entidade.

    Clara era viúva do icônico ex-deputado, poeta e guerrilheiro Carlos Marighella, cuja execução, ocorrida durante uma emboscada do DOPS em 1969, completa, hoje, 56 anos.

    Com uma trajetória marcada por coragem, compromisso político e sensibilidade humana, ela foi uma das figuras mais importantes da resistência à ditadura militar brasileira e da luta feminista no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou sua morte e exaltou seu legado.

    “Clara foi corajosa, generosa, combativa e de grande maturidade política. Viveu o exílio, enfrentou a ditadura e defendeu incessantemente a democracia. Atravessou seu século de vida com uma flexibilidade bonita, de quem sabia compreender o novo sem abandonar seus princípios”, declarou Lula.

    O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria da Presidência, também prestou homenagem:

    “Uma vida dedicada à luta por justiça social e pelos direitos das mulheres. Vá em paz, Clara!”

    Nascida em Maceió (AL), filha de imigrantes judeus russos que fugiram do nazismo, Clara mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro. Aos 16 anos, ingressou na militância política e, nos anos 1940, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Trabalhou como comissária de bordo — uma profissão incomum para mulheres da época — e foi nesse período que conheceu Carlos Marighella, com quem se casou em 1947.

    Com a instauração da ditadura militar, o casal foi perseguido e preso. Ao contrário do parceiro, Clara não atuou na luta armada. Após a morte de Marighella, ela exilou-se em Cuba, onde permaneceu até 1979, retornando ao Brasil com a Lei da Anistia.

    De volta ao país, dedicou-se integralmente à defesa dos direitos humanos, à liberdade política e à igualdade de gênero. Em 2005, fundou o movimento Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo, e, no Brasil, liderou campanhas de empoderamento feminino e combate à violência de gênero.

    Em nota, a Associação Mulheres Pela Paz destacou:

    “Clara foi grande. Foi do tamanho dos seus 100 anos. Uma vida com tamanha luminosidade fica gravada em todos que tiveram o privilégio de aprender com ela.”

    O Partido dos Trabalhadores (PT) também lembrou sua atuação política: em 1982, Clara foi candidata a deputada federal, integrou a Secretaria Nacional de Mulheres do PT e o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

    Clara Charf deixa um legado que atravessa gerações — o de uma mulher que fez da resistência uma forma de amor e da luta pela justiça um compromisso de vida. Fará falta.


  • Na última hora, Trump despreza candidato republicano e apoia democrata para a prefeitura de Nova York

    O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a causar polêmica ao declarar apoio ao democrata Andrew Cuomo em uma disputa eleitoral local, surpreendendo aliados e adversários ao justificar a decisão com duras críticas a um candidato identificado como “comunista”, o muçulmano Mamdami. A declaração, feita em tom inflamado, foi divulgada por meio de uma nota oficial e rapidamente repercutiu entre comentaristas políticos norte-americanos.

    “Seus princípios foram testados por mais de mil anos e nunca se mostraram eficazes. Prefiro muito mais ver um democrata, com histórico de sucesso, vencer do que um comunista sem experiência e com histórico de fracasso total”, afirmou Trump, em referência ao oponente do ex-governador de Nova York.

    O ex-presidente, conhecido por seu discurso anticomunista e por raramente elogiar membros do Partido Democrata, fez questão de frisar que sua posição não se trata de uma mudança ideológica, mas de uma escolha “pragmática”. Segundo ele, Mamdani seria “incapaz de devolver à cidade sua antiga glória”.

    Trump aproveitou ainda para ironizar o republicano Curtis Sliwa, afirmando que “um voto em Sliwa é um voto em Mamdani”, e brincou com o estilo do político nova-iorquino: “ele fica muito melhor sem a boina”. A referência é uma alusão ao tradicional acessório usado por Sliwa, fundador do grupo de vigilantes urbanos Guardian Angels.

    Em outro trecho, o ex-presidente elogiou Cuomo, apesar das divergências históricas com o democrata. “Gostando ou não de Andrew Cuomo, você realmente não tem escolha. Você precisa votar nele e torcer para que ele faça um trabalho fantástico. Ele é capaz disso, Mamdani não”, disse Trump, encerrando sua declaração.

    Os cálculos políticos de Trump

    O apoio inesperado reacendeu o debate sobre o posicionamento político de Trump em disputas locais e o peso de sua influência dentro e fora do Partido Republicano. Analistas veem na fala uma tentativa de reposicionar sua imagem como líder nacional pragmático, disposto a apoiar candidatos com experiência, mesmo que de campos opostos, diante do avanço de figuras associadas à esquerda radical.

    Andrew Cuomo, ex-governador de Nova York, deixou o cargo em 2021 após denúncias de assédio sexual, mas tem buscado reconstruir sua carreira política. Já Mamdani, de origem socialista, representa uma ala jovem e progressista que vem ganhando espaço na política nova-iorquina, defendendo políticas de moradia popular e transição energética.

    Embora o impacto eleitoral do apoio de Trump ainda seja incerto, sua fala reforça uma tendência recente: o ex-presidente tem se mostrado disposto a intervir em eleições estaduais e municipais sempre que vê ameaças ideológicas à sua visão de país. O episódio também evidencia o cenário fragmentado da política norte-americana, em que alianças improváveis e discursos populistas continuam moldando o debate público.


  • CREA e entidades do setor alertam para riscos e impacto nas energias renováveis do projeto de Fernando Mineiro

    O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA-RN) manifestou preocupação com o Projeto de Lei 4386/2024, de autoria do deputado federal Fernando Mineiro (PT-RN), que trata de novas regras ambientais para empreendimentos de geração de energia. Em nota enviada à TRIBUNA DO NORTE, o órgão afirma que a proposta pode aumentar custos, atrasar investimentos e inviabilizar pequenos projetos de energia renovável no país.

    Segundo o CREA, o texto do projeto cria “novas amarras” em um setor já amplamente regulado, ao exigir estudos de impacto ambiental (EIA/RIMA) para qualquer empreendimento acima de 3 megawatts (MW) de potência instalada. Essa exigência, afirma a entidade, entra em conflito com a Resolução 462/2014 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que já define critérios técnicos para o licenciamento ambiental de empreendimentos de energia solar e eólica.

    O Conselho alerta que o impacto da proposta atinge também pequenas usinas e projetos de geração própria. “Uma usina fotovoltaica de 3 MW ocupa cerca de 3 hectares e pode ser instalada até no telhado de um shopping. A PL-4386 acaba atingindo até esses pequenos empreendimentos, elevando custos e atrasando investimentos, sem ganhos ambientais reais”, diz o texto.

    Outro ponto de preocupação é o que o CREA chama de “insegurança jurídica”, uma vez que o projeto prevê a possibilidade de revogação de autorizações ambientais com base em interpretações subjetivas e sem critérios definidos. Isso, segundo o órgão, pode afastar investidores e comprometer o avanço da transição energética brasileira.

    Entidades do setor produtivo também se posicionaram contra a proposta. Para Sérgio Azevedo, presidente do Sinduscon-RN e da Comissão Temática de Energias Renováveis da Fiern (Coere), o projeto “associa injustamente os empreendimentos de energia renovável a impactos negativos no semiárido”, o que representaria um retrocesso no esforço nacional pela sustentabilidade e geração de empregos.

    Em sua conclusão, o CREA defende que o país deve buscar um equilíbrio entre sustentabilidade e desenvolvimento econômico, preservando um ambiente regulatório estável e confiável. “O Brasil é referência em energia limpa graças a um sistema técnico sólido. É fundamental manter esse equilíbrio para avançarmos rumo à prosperidade social, ambiental e econômica”, conclui a nota.


  • Serasa lança novo Feirão Limpa Nome com descontos de até 99% e atendimentos presenciais nos Correios do RN

    Começou nesta segunda-feira (3) mais uma edição do Feirão Limpa Nome da Serasa, o maior mutirão de renegociação de dívidas do país. A ação, que segue até o dia 30 de novembro, oferece descontos que podem chegar a 99% e opções de parcelamento a partir de R$ 9,90, em uma oportunidade para milhões de brasileiros retomarem o controle das finanças pessoais.

    O feirão reúne mais de 1,6 mil empresas parceiras, abrangendo setores como bancos, varejo, telecomunicações, financeiras e concessionárias de serviços básicos. Ao todo, são mais de 633 milhões de dívidas disponíveis para negociação em todo o território nacional. Os interessados podem consultar as ofertas no site e aplicativo da Serasa, ou presencialmente nas agências dos Correios, que participam da iniciativa oferecendo atendimento gratuito.

    No Rio Grande do Norte, todas as agências dos Correios disponibilizam o serviço de consulta e negociação de débitos até o final do mês. Para ser atendido, o consumidor precisa apresentar apenas um documento oficial com foto. As condições oferecidas presencialmente são as mesmas disponíveis nas plataformas digitais da Serasa.

    A expectativa é que o feirão movimente milhares de renegociações no estado, especialmente em um contexto de endividamento crescente entre as famílias potiguares. Segundo dados recentes da Serasa, o volume de inadimplentes no país vem aumentando nos últimos anos, impulsionado pela inflação e pelos juros elevados.

    Além da oportunidade de quitar pendências com condições especiais, o Feirão Limpa Nome também promove ações de educação financeira em parceria com a Febraban e os Correios. Em Natal, as atividades acontecem nos dias 3 e 4 de novembro, na Agência Central dos Correios, localizada na Av. Engenheiro Hildebrando de Góis, 221, no bairro da Ribeira.

    Durante a consultoria, técnicos e especialistas estarão disponíveis para orientar os consumidores sobre como planejar o orçamento doméstico, evitar o superendividamento e manter o nome limpo após as negociações.

    Com o Feirão Limpa Nome, a Serasa busca não apenas oferecer alívio financeiro imediato, mas também incentivar uma mudança de comportamento em relação ao uso do crédito. A campanha reforça a importância da educação financeira como ferramenta de autonomia — especialmente em um momento em que o endividamento segue como um dos maiores desafios da economia brasileira.


  • IFRN disponibiliza 800 vagas em cursos técnicos gratuitos; confira o passo a passo para se inscrever

    O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) abriu 800 vagas para cursos técnicos de nível médio na forma subsequente, voltados a quem já concluiu o ensino médio e deseja se qualificar profissionalmente. As aulas começam no primeiro semestre de 2026, e os cursos são totalmente gratuitos.

    As oportunidades estão distribuídas em sete campi do IFRN e abrangem diversas áreas do conhecimento, como indústria, gestão, tecnologia e serviços. Os cursos têm duração média de dois anos e combinam formação teórica e prática, preparando o estudante para o mercado de trabalho em diferentes setores produtivos.

    As inscrições podem ser feitas de 5 de novembro a 7 de dezembro de 2025, exclusivamente pela internet, por meio do Portal do Candidato do IFRN. A taxa de inscrição é de R$ 25, mas pessoas cadastradas no CadÚnico podem solicitar isenção entre os dias 5 e 16 de novembro.

    O processo seletivo será realizado por sorteio eletrônico, em vez de prova. Segundo o IFRN, o sistema é totalmente automatizado, o que garante transparência e igualdade de oportunidades entre os candidatos. O resultado final está previsto para o dia 4 de fevereiro de 2026.

    Como se inscrever

    1. Cadastro no Portal do Candidato:
      • Acesse o Sistema Gestor de Concursos (SGC) do IFRN.
      • Crie uma conta, preencha os dados solicitados e ative o cadastro pelo link enviado ao e-mail.
    2. Inscrição no processo seletivo:
      • Faça login com CPF e senha.
      • Escolha o concurso e o curso desejado.
      • Preencha as informações e confirme a inscrição.

    Confira as opções de cursos disponíveis por campus e a quantidade de vagas de cada um:

    Mossoró

    • Edificações (Noturno) – 40
    • Eletrotécnica (Noturno) – 40
    • Informática (Vespertino) – 40
    • Mecânica (Matutino) – 40

    Natal – Central

    • Eletrotécnica (Vespertino) – 40
    • Mecânica (Noturno) – 40
    • Petróleo e Gás (Noturno) – 40
    • Edificações (Vespertino) – 40
    • Edificações (Noturno) – 40
    • Estradas (Noturno) – 40
    • Mineração (Vespertino) – 40
    • Segurança do Trabalho (Vespertino) – 40
    • Segurança do Trabalho (Noturno) – 40

    Natal – Centro Histórico

    • Eventos (Vespertino) – 40
    • Guia de Turismo (Noturno) – 40
    • Produção de Áudio e Vídeo (Matutino) – 40

    Natal – Zona Norte

    • Manutenção e Suporte em Informática (Matutino) – 40

    Nova Cruz

    • Administração (Matutino) – 40

    Parelhas

    • Mineração (Vespertino) – 40

    Parnamirim

    • Redes de Computadores (Noturno) – 40

  • Feira Potiguar de Agricultura Familiar celebra a força do campo e da economia solidária com programação cultural e debates em Natal

    Começa nesta quarta-feira (3), no Centro Administrativo do Estado, em Natal, a 3ª edição da Feira Potiguar de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Fepafes). O evento, que se estende até o sábado (8), promete reunir o melhor da produção rural do Rio Grande do Norte, debates sobre políticas públicas e uma agenda cultural com grandes nomes da música brasileira, como Olodum, Cavalo de Pau, Otto e Tássia Reis. A entrada é gratuita.

    Organizada pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Sedraf/RN) e pela Emater/RN, a feira se consolida como um dos principais espaços de valorização da agricultura familiar no estado. A Fepafes tem como objetivo fortalecer a economia solidária, ampliar os canais de comercialização e promover a troca de experiências entre produtores, gestores e consumidores.

    Durante os cinco dias, o público poderá conferir uma ampla programação distribuída entre o Centro Administrativo e o Mercado de Agricultura Familiar. Além da exposição e comercialização de produtos agroecológicos e artesanais, haverá palestras, oficinas, fóruns e painéis temáticos.

    Na terça-feira (5), a feira será palco de um Fórum de Participação Social, de uma palestra voltada à juventude rural e de um painel sobre soberania alimentar e agricultura familiar. A solenidade oficial de abertura está marcada para as 17h do mesmo dia.

    Na sexta-feira (7), o destaque será o painel com João Pedro Stedile, dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que abordará o tema da mecanização na agricultura familiar — um dos debates centrais para o futuro do setor. A programação completa das palestras e oficinas está disponível nas redes sociais da feira.

    Além do espaço de debates e de negócios, a Fepafes se firma como um ponto de encontro cultural. O Palco Árvore vai receber shows todas as noites, com destaque para a mistura de ritmos nordestinos e afro-brasileiros que marcarão a edição deste ano.

    Programação cultural

    Quarta-feira (5)
    19h – Juliana Linhares e Khrystal

    Quinta-feira (6)
    19h – Cavalo de Pau

    Sexta-feira (7)
    19h – Olodum

    Sábado (8) – Festival do MST – Por Terra, Arte e Pão
    A partir das 19h – Rosas na Cartola, Otto, Tássia Reis (com participação de Kiko Dinucci)


  • Zohran Mamdani, o socialista, muçulmano e tiktoker que desafia o establishment e pode se tornar o novo prefeito de Nova York

    É raro que Nova York, que dita tendências e movimentos culturais para o mundo, veja suas eleições locais ganharem projeção global. Desta vez, porém, o pleito que escolherá o novo prefeito, na próxima terça-feira (4), está no centro das atenções internacionais. O motivo tem nome e rosto: Zohran Mamdani, 34 anos, deputado estadual, muçulmano, socialista e fenômeno das redes sociais.

    Com seu carisma e domínio das linguagens digitais, Mamdani desbancou o veterano Andrew Cuomo nas primárias do Partido Democrata e se tornou o favorito para comandar a metrópole que nunca dorme. Sua ascensão meteórica começou de forma inusitada — durante uma maratona, anunciou sua candidatura pelo TikTok, rede onde acumula 1,6 milhão de seguidores e mais de 23 milhões de curtidas. Em poucos meses, tornou-se a nova face de um Partido Democrata em busca de renovação.

    Mais sobre Mamdani

    Nascido em Kampala, capital de Uganda, filho da cineasta indiana Mira Nair e de um acadêmico ugandês, Mamdani cresceu em Nova York, onde aprendeu a falar a língua — e as dores — dos nova-iorquinos. Fluente em seis idiomas, ele canalizou sua campanha em torno da crise que mais afeta a classe trabalhadora local: a moradia.

    Em uma cidade onde o aluguel médio ultrapassou US$ 4 mil em 2025, suas propostas — como o congelamento dos aluguéis para dois milhões de inquilinos e a construção massiva de moradias populares — ecoaram fortemente entre os eleitores. A promessa de “um teto acessível para todos” tornou-se o símbolo de uma campanha que une pautas sociais, críticas ao poder econômico e um discurso inclusivo que valoriza imigrantes, muçulmanos, negros e a comunidade LGBTQIA+.

    Mamdani também defende transporte público gratuito, creches subsidiadas e tributação progressiva sobre grandes fortunas. Em um de seus vídeos mais comentados, afirmou: “Francamente, não acho que deveríamos ter milionários”. A frase sintetiza o contraste entre ele e boa parte do establishment político de Nova York — e atraiu o apoio de jovens, trabalhadores e imigrantes, que veem nele uma alternativa ao pragmatismo tecnocrático dos governos recentes.

    A disputa

    Mas o caminho até a prefeitura não é livre de obstáculos. Derrotado nas primárias, Andrew Cuomo — ex-governador e figura histórica do Partido Democrata — lançou candidatura independente, com o apoio do atual prefeito Eric Adams, que desistiu da reeleição. Adams tem atacado Mamdani duramente, acusando-o de “não respeitar a polícia” e “não tratar a segurança como prioridade”.

    O tom da disputa subiu. Nas últimas semanas, Cuomo e seus aliados vêm retratando Mamdani como “extremista islâmico”. O próprio Donald Trump o chamou de “lunático comunista” e prometeu “não permitir” que ele governe Nova York. Em resposta, Mamdani denunciou o uso da islamofobia como arma política. “Ainda existem certas formas de ódio que continuam sendo aceitáveis nesta cidade”, disse em discurso no Centro Islâmico do Bronx, após ataques públicos de seus adversários.

    Apesar da ofensiva, as pesquisas indicam que Mamdani mantém liderança confortável, seguido de Cuomo e do republicano Curtis Sliwa, que resiste a pressões para desistir da disputa. O apoio de bilionários ao ex-governador e o discurso “lei e ordem” da oposição contrastam com a linguagem digital, direta e emocional do socialista ugandense, que costuma se dirigir aos eleitores como “irmãos e irmãs de Nova York”.

    A estratégia lembra, em certo sentido, a de Donald Trump — o uso massivo das redes sociais para driblar a mídia tradicional e criar uma conexão direta com o público. A diferença é o conteúdo: enquanto Trump ergueu sua base com medo e exclusão, Mamdani aposta na solidariedade e na redistribuição.

    Um novo tipo de político

    Com sua mistura de fé muçulmana, ativismo social e senso estético de influenciador digital, Zohran Mamdani representa um novo tipo de político: globalizado, antissistêmico e hábil na disputa simbólica das telas. Sua vitória — ou derrota — terá implicações que ultrapassam Nova York, ecoando como um teste sobre os limites e o futuro da esquerda nos Estados Unidos.

    Se eleito, o jovem socialista africano se tornará o primeiro muçulmano e o primeiro imigrante a governar Nova York. Um feito que, de certo modo, confirma o espírito de uma cidade que sempre foi laboratório das mudanças culturais, sociais e políticas do mundo contemporâneo.


  • Justiça determina manutenção de serviços médicos em hospital materno de Mossoró

    O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) determinou, em decisão liminar, que o Hospital Regional da Mulher Parteira Maria Correia (HRMPMC/APAMIM), em Mossoró, mantenha os atendimentos de obstetrícia e neonatologia por pelo menos dois meses, mesmo após o anúncio de suspensão feito pelas empresas responsáveis pelos serviços.

    A decisão, assinada pelo juiz Rivaldo Pereira Neto, da 3ª Vara da Comarca de Pau dos Ferros, atendeu parcialmente a um pedido de tutela de urgência apresentado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde Pública (Sesap), contra a Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró (Apamim) e o Núcleo de Ginecologia e Obstetrícia de Mossoró (NGO).

    O caso teve início após o NGO comunicar à Sesap a intenção de suspender os plantões médicos a partir de 1º de novembro de 2025, alegando dificuldades financeiras e falta de condições contratuais. A medida, segundo o Estado, colocaria em risco o atendimento a gestantes e recém-nascidos de toda a região Oeste potiguar, além de provocar sobrecarga nos hospitais de Natal e em outras unidades de referência.

    Ao analisar o pedido, o magistrado reconheceu a ausência de contrato formal em vigor, mas ressaltou o princípio da continuidade do serviço público, especialmente em áreas consideradas essenciais, como a saúde. Com base na Lei nº 14.133/2021, que rege as contratações públicas, o juiz determinou que os serviços sejam mantidos por dois meses a partir da notificação de rescisão, ocorrida em 27 de outubro, garantindo o funcionamento até 27 de dezembro de 2025.

    O juiz também estabeleceu multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento da decisão e ordenou o restabelecimento imediato dos atendimentos, caso já tenham sido interrompidos. A decisão busca evitar a desassistência materno-infantil na principal unidade hospitalar da região.





Jesus de Ritinha de Miúdo