• Rogério Marinho e Álvaro Dias lideram cenários para o Governo do RN em Parnamirim

    Levantamento Media/oPotengi mostra dois cenários de intenção de voto com liderança de Rogério Marinho e destaque para Álvaro Dias e Allyson Bezerra


    Pesquisa realizada pelo Instituto Media, em parceria com o jornal O Potengi, entre os dias 3 e 5 de novembro de 2025, mostra os primeiros movimentos do eleitorado de Parnamirim na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte.

    Cenário 1 – com Rogério Marinho

    No primeiro cenário, com o senador Rogério Marinho incluído na disputa, o ex-ministro aparece na liderança com 35,5% das intenções de voto. Em segundo lugar, Allyson Bezerra registra 19,6%, seguido por Cadu Xavier com 7,9%. Brancos e nulos são 5,6% e 31,4% não sabem ou não responderam.

    Cenário 2 – com Álvaro Dias

    Em um segundo cenário testado, sem a presença de Rogério Marinho, quem assume a liderança é Álvaro Dias, com 30,6%. Allyson Bezerra aparece com 23,5%, enquanto Cadu Xavier obtém 8,7%. Brancos e nulos: 7,7%. Indecisos ou não responderam: 29,4%.

    Espontânea mostra indecisão

    Na pergunta espontânea — quando o entrevistado responde sem estímulo de nomes — Rogério Marinho também lidera, com 13,7%, seguido por Allyson Bezerra com 8,1%.

    Álvaro Dias tem 6,1%; Styvenson Valentim, 4,8%; Walter Alves, 3,4%; Cadu Xavier, 2,8%; Carlos Eduardo, 1,1%; Thabatta Pimenta, 0,1%. 59,9% não souberam ou preferiram não responder.

    Sobre a pesquisa

    A pesquisa Media/oPotengi para Parnamirim ouviu 800 eleitores de todas as regiões do município entre os dias 3 e 5 de novembro de 2025. O intervalo de confiança é de 95%, com margem de erro de 3%.


  • Deputado estadual: três a cada quatro eleitores não tem candidato em Parnamirim

    A pesquisa Media/oPotengi em Parnamirim mostra um quadro fragmentado para a Assembleia Legislativa. Coronel Azevedo lidera com 3,63%, seguido por Taveira Jr (3,00%), Carol Pires (2,63%), Kleber Rodrigues (2,25%) e César Maia (2,00%). As diferenças estão dentro da margem de erro de 3 pontos, configurando empate técnico entre os primeiros.

    Entre os demais citados: Robson Carvalho (1,75%), Michael Diniz (1,50%), Ivanilson Oliveira (1,38%), Dr. Bernardo (1,13%), Ezequiel (1,00%), Adjuto Dias (0,75%), Michael Borges (0,63%), Professor Ítalo (0,50%), Divaneide Basílio (0,38%). Com 0,25% cada: Abidene, Isolda Dantas, Afrânio Bezerra, Cristiane Dantas, Anne Lagartixa, Francisco do PT. Com 0,13%: Camila Araújo, Gustavo Carvalho, Marquinhos da Climep, Rafaela de Nilda, Odenise, Fernando Lucena, Delegado Lucena, Subtenente Eliabe, Eudiane Macedo, Júlio César, Tomba Farias e Gildásio Figueiredo.

    O contingente não sabe/não respondeu chega a 69,38% e branco/nulo soma 5,13%. A preferência do eleitorado local para deputado estadual ainda não está definida.

    Sobre a pesquisa

    A pesquisa Media/oPotengi para Parnamirim ouviu 800 eleitores de todas as regiões do município entre 3 e 5 de novembro de 2025. Intervalo de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais.


  • Parnamirim: disputa para deputado federal é pulverizada; indecisos dominam

    A pesquisa Media/oPotengi em Parnamirim mostra cenário aberto para a Câmara dos Deputados. General Girão (PL) aparece na frente com 6,63%, seguido por Carla Dickson (União) 6,00%, Natália Bonavides (PT) 5,13% e Kátia Pires (Republicanos) 4,63%. As diferenças estão dentro da margem de erro de 3 pontos, configurando empate técnico entre os primeiros colocados.

    Na sequência vêm Nina Souza (MDB) 2,88%, Sargento Gonçalves (PL) 2,63%, Gabriel Cesar 2,25%, Carlos Eduardo Alves (PSD) 2,00%, Kelps Lima (Solidariedade) 2,00%. Entre os demais citados: Matheus Faustino 1,25%, Benes Leocádio (União) 1,00%, Fernando Mineiro (PT) 1,00%, Dr. Bernardo 0,75%, Robinson Faria 0,63%, Thabatta Pimenta (PSOL) 0,63%, João Maia (PP) 0,38% e Wellington Bernardo 0,13%.

    O grupo não sabe/não respondeu atinge 54,75% e branco/nulo, 5,38%. A elevada indecisão indica baixa cristalização de preferências no município.

    Sobre a pesquisa

    A pesquisa Media/oPotengi para Parnamirim ouviu 800 eleitores de todas as regiões do município entre 3 e 5 de novembro de 2025. Intervalo de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais.


  • Parnamirim: Styvenson lidera corrida ao Senado; Fátima aparece em 2º e indecisão segue alta

    O levantamento Media/oPotengi com eleitores de Parnamirim indica vantagem folgada de Styvenson Valentim (PSDB) na disputa para o Senado. Ele lidera o 1º voto estimulado com 34,4%, seguido por Fátima Bezerra (PT) com 13,7%, Zenaide Maia (PSD) com 9,0%, Álvaro Dias (Republicanos) com 8,5%, Carlos Eduardo Alves (PSD) com 7,5% e Coronel Hélio (PL) com 5,0%. Não sabe/não respondeu somou 15,7% e branco/nulo, 6,1%.

    No 2º voto estimulado, Styvenson mantém a dianteira com 22,5%. Na sequência aparecem Fátima (15,9%), Álvaro Dias (12,9%), Carlos Eduardo (11,0%), Zenaide (10,6%) e Coronel Hélio (8,7%). Não sabe/não respondeu ficou em 12,4% e branco/nulo, 6,0%.

    Considerando a soma do 1º e do 2º voto, Styvenson alcança 56,9%, seguido por Fátima (29,6%), Álvaro Dias (21,4%), Zenaide (19,6%), Carlos Eduardo (18,5%) e Coronel Hélio (13,7%). O recorte é relevante porque, em 2026, o RN escolherá dois senadores.

    Espontânea

    Na espontânea, quando o entrevistado responde sem apresentação de nomes, Styvenson aparece com 26,0%. Em seguida vêm Fátima (8,6%), Álvaro Dias (4,0%), Zenaide (3,7%), Carlos Eduardo (2,0%), Coronel Hélio (1,4%), Rogério Marinho (1,0%) e Ezequiel Ferreira (0,5%). O grupo não sabe/não respondeu é majoritário: 45,0%. Branco/nulo somou 7,8%. O índice reforça o espaço para mudança conforme a campanha avance.

    A rejeição é liderada por Fátima Bezerra com 34,4%, seguida por Zenaide Maia (12,7%), Styvenson Valentim (11,9%), Coronel Hélio (8,7%), Álvaro Dias (7,7%) e Carlos Eduardo (5,6%). Não sabe/não respondeu chegou a 11,0% e “rejeita nenhum”, 8,0%.

    Sobre a pesquisa

    A pesquisa Media/oPotengi para Parnamirim ouviu 800 eleitores de todas as regiões do município entre 3 e 5 de novembro de 2025. Intervalo de confiança: 95%. Margem de erro: 3 pontos percentuais.


  • Eleitores que desaprovam gestão da prefeita Nilda superam o total dos que aprovam

    Pesquisa do portal O Potengi com 800 eleitores revela 42,4% de aprovação e 47,6% de desaprovação da gestão municipal entre 3 e 5 de novembro de 2025.

    A mais recente sondagem realizada pelo Instituto Media para o jornal O Potengi entre os dias 3 e 5 de novembro de 2025, com 800 eleitores de todas as regiões de Parnamirim, mostra que a administração da prefeita Raimunda Nilda da Silva Cruz enfrenta maior desaprovação do que aprovação.

    Avaliação da gestão municipal

    • Aprova: 42,4%
    • Desaprova: 47,6%
    • NS/NR: 10,0%

    Panorama por bairro

    A pesquisa também detalhou a avaliação nos bairros da cidade, revelando que Parnamirim está geograficamente dividida quanto à gestão de sua prefeita.

    No bairro Nova Parnamirim, que concentra 24% da amostra do eleitorado, 64,6% dos entrevistados disseram reprovar a gestão municipal, enquanto 29,7% aprovam e 5,7% não souberam ou preferiram não responder.

    Já em Passagem de Areia, que representa 9% da amostra, a aprovação de Nilda supera a desaprovação: 52,8% aprovam, contra 38,9% que desaprovam e 8,3% que não souberam ou não responderam.

    No bairro Rosa dos Ventos/Vale do Sol (9% da amostra) são 31,9% os que aprovam a gestão e 55,6% os que desaprovam; 12,5% não opinaram.

    Sobre a pesquisa

    A pesquisa Media/oPotengi para Parnamirim ouviu 800 eleitores de todas as regiões do município entre os dias 3 e 5 de novembro de 2025. O intervalo de confiança é de 95%, com margem de erro de 3%.


  • Não adianta chorar sobre a tarraxa espalhada.

    Olá, queridos! Como vão?

    Essa semana aconteceu uma situação aqui em casa que, apesar de simples e rápida, me fez refletir sobre algo nem tão simples, nem tão rápido de assimilar e internalizar.

    Escutei minha mãe de saída e falando algo sobre o brinco que caiu da orelha por conta da tarraxa folgada. Na mesma hora, fui ofertar uma solução. Comprei pela internet um saquinho com centenas (sim, centenas) daquelas tarraxas de silicone que deixam o brinco bem fixo na orelha.

    Cheguei até ela já com o saquinho de tarraxas na mão, aberto para facilitar, e os ofereci. Acho que foi minha pressa em pegar logo para não a atrasar mais ainda, ou minha falta de atenção, sei que acabei derrubando o saquinho no chão.

    Inúmeras peças muito pequeninas espalhadas. Eu só olhei para aquilo e respirei. Minha mãe se abaixou e pegou as duas que precisava, desculpando-se por não poder ajudar a recolher pois já estava atrasada. Eu me abaixei, comecei a juntar tudo e chamei pela funcionária da casa. Ela estava na cozinha, comendo. Eu disse que não viesse.

    Olhei para todas aquelas tarraxas no chão, facilmente confundíveis com o piso, pequenas e leves. Mestras em se espalhar e se camuflar. Pensei em pegar uma vassoura, mas não queria toda aquela poeira que, com certeza, viria junto.

    Lá estava eu de joelhos no chão e igual a quem cata feijão, só com o dedo indicador grudando em pecinha por pecinha para colocar de volta no saquinho de onde nunca deveriam ter caído. Fui começando pelos mais espalhados, depois me aproximando mais do centro.

    Assim que caiu tudo no chão eu já me fiz uma pergunta: vai se aborrecer ou vai fazer algo sobre isso? Resolvi não me chatear nem praguejar pelo incidente que eu mesma tinha causado. Até porque, além do trabalho óbvio à frente, eu teria mais dois trabalhos: emputecer e desemputecer.

    Deu trabalho? Deu! Mas não foi o fim do mundo. Tomou meu tempo? Sim! Mas teria tomado muito mais se eu tivesse ficado resmungando. Teria me trazido alívio soltar um palavrão bem cabeludo e deixar essa frustração sair? Talvez. Mas percebi que canalizar minha energia para outro viés foi muito mais produtivo.

    Ali vi as várias lições que tirei daquela situação. A primeira: não é porque você ofereceu ajuda a alguém que esse alguém tem que te ajudar de volta. Eu ajudei minha mãe porque eu quis e ela sequer pediu. Seu foco era outro naquele momento: o horário apertado. Não é justo querer exigir que o outro ofereça o mesmo que nós. Cada um dá o que pode e o que tem. E pronto.

    Isso vale para todos. Às vezes vamos estar em situações em que precisamos de alguém, mas ninguém virá. Não porque ninguém se importa, mas porque muitas vezes as pessoas já estão lidando com outras coisas que não podem deixar de ser feitas para nos atender. Por maior que seja nossa necessidade de ajuda, a gente nunca sabe com o que o outro está lidando quando não pode nos ajudar.

    Outra: quando resolvi não deixar a frustração e o aborrecimento tomarem conta da mim, eu me permiti focar no que estava fazendo e me perguntar: “o que posso aprender com isso?”. E a resposta veio na hora. Pude reforçar que, quando me permito, consigo me enxergar de verdade em todas as situações.

    Pude relembrar que, às vezes, o processo é chato, demorado, trabalhoso, tem retrocessos (quando eu já tinha recolhido alguns, deixei o saquinho cair de novo), mas que se eu começar ele termina, eventualmente. E que quando mantemos o foco nas coisas certas, podemos planejar e otimizar até mesmo as tarefas mais chatas e demoradas.

    Pude confirmar que tudo na vida, por mais insignificante que pareça, pode ser uma oportunidade para olhar para mim, olhar ao meu redor, aprender com tudo que me cerca e agradecer a minha habilidade de pensar, agradecer a mim mesma por me permitir aprender sempre.

    Não me entenda mal. Não sou uma pessoa zen e evoluída que não se aborrece. Adoraria! Tem coisas que me aborrecem até mais do que deviam e que, inclusive, eu já devia ter superado há muito tempo. Mas isso é conversa para outro dia.

    O que quero dizer é que há momentos em que conseguimos escolher, sim, se vamos nos aborrecer ou não. Em que podemos escolher nossa reação, por mais que seja difícil nos controlar. E vamos aprendendo qual conseguimos e qual não.

    Afinal, tudo é um processo. E autoconhecimento não é diferente. Sempre que possível, opto pelo modo “observadora de mim mesma”. Esses momentos são mágicos e caríssimos! Esse meu momento acabou rendendo reflexões e esse texto aqui. Para vocês, pode render até muito mais. Quem sabe aonde cada um de nós pode chegar em suas conclusões e auto descobertas se simplesmente se permitir?

    Ter uma ideia nova? Perseguir um desejo adormecido? Descobrir um talento escondido? Deliciar-se se conhecendo mais um pouquinho? Seja onde for que se permitam chegar, que seja de forma consciente e que traga muita alegria e satisfação a todos vocês.

    Até a próxima!


  • Um guia para ler gastando pouco: conheça os caminhos do livro barato e do estímulo à leitura em nosso país

    Há um país dentro do país — o país dos leitores pobres. Nele, os livros são tesouros, os sebos são templos e a busca por leitura é uma travessia feita com engenho e teimosia. O “manual prático para o livro barato” não é apenas um roteiro de economia, mas uma cartografia do desejo de ler, mesmo quando o preço médio de um livro novo — R$ 56,77 — for um luxo difícil de alcançar.

    A jornada começa onde as histórias sempre se guardaram: nas bibliotecas. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, cerca de 34 milhões de brasileiros ainda frequentam esses espaços, mas 46% afirmam que não há bibliotecas públicas em seu bairro. O país perdeu 1.418 delas na última década (tínhamos mais de 6 mil, hoje temos 4.639). Mesmo assim, persistem como oásis silenciosos, lugares de leitura e encontro, onde é possível ter acesso gratuito a acervos e, em alguns casos, participar de eventos e debates.

    Para quem quer ter o livro nas mãos — e poder riscar, sublinhar, reler — há os bazares beneficentes, brechós e bancas. Nessas prateleiras acidentais, clássicos e raridades se misturam a manuais esquecidos. De Admirável Mundo Novo por R$ 2 a coleções sobre Luís Carlos Prestes por menos de vinte, o achado depende de insistência e sorte.

    Os sebos seguem como os santuários centrais dessa cultura paralela. São os sebistas que mantêm viva a diversidade bibliográfica do mundo. Nos seus corredores empoeirados, circulam livros há muito fora de catálogo, como Rosário de Capiá (1946), de Nhô Bento, ou tratados improváveis como La estrategia del comunismo hoy (1983). É também onde a troca de livros cria uma economia circular: o leitor pode vender, trocar ou ganhar crédito por títulos que já leu.

    Em bairros sem livrarias, as gelotecas cumprem o papel de bibliotecas espontâneas. Em São Paulo, o projeto GelotecaSP espalhou mais de 450 geladeiras cheias de livros — estimando 100 mil exemplares em circulação mensal. Nascido de um sarau de quebrada, o projeto virou rede nacional. Em outras regiões, como aqui em Natal, as gelotecas são muito restritas; a que se situa no Centro de Convivência da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) segue muito pouco servida. Precisamos ampliá-las.

    Mas há também livros que chegam pelo correio institucional do Estado. A Livraria do Senado e a Edições Câmara vendem clássicos e ensaios a preços simbólicos: O Príncipe por R$ 8, Da República por R$ 7, Interpretação da Realidade Brasileira por R$ 19. Um gesto de política pública que democratiza o acesso, ainda que restrito a um público informado sobre sua existência.

    Não se pode esquecer os clubes de leitura como fontes de estímulo, tanto na internet como em espaços físicos diversos, como cafés e bibliotecas. Alguns são temáticos, como o Leia Mulheres, que se destacou muito em seu princípio, há dez anos, expandindo-se por todo o país. Outros são mais diversificados. Hoje, na UFRN há vários clubes em fase de crescimento. No interior, um que se destaca é o Clube de Leitura da EMCM (Escola Multicampi de Ciências Médicas). Em Natal, o Clube de Leitura Dom Quixote, organizado pela Biblioteca Setorial Moacyr de Góes, promove encontros semanais, com leituras de contos e romances.

    Por fim, há o mundo digital — onde o leitor pobre encontra terreno ambíguo. Não é preciso ter um leitor digital como o Kindle; no próprio celular, há aplicativos que facilitam a leitura de livros em formatos como ePub, permitindo fazer do próprio smartphone uma pequena biblioteca. Plataformas como Domínio Público e Biblioteca Brasiliana oferecem livros gratuitos; outras, como o Library Genesis, Le Livros e Anna’s Archive, flertam com a ilegalidade. Para quem recorre à pirataria, o texto é indulgente: “Absolva-se da culpa, mas não da responsabilidade” — compre quando puder, pois por trás de cada livro há uma cadeia de trabalho invisível.

    Entre bibliotecas que fecham e geladeiras que se abrem, o livro barato é também uma forma de resistência cultural. Brecht já dizia: “Você que tem fome, agarre o livro: é uma arma”. No Brasil de hoje, essa arma ainda está à venda — em segunda mão, trocada, emprestada, esquecida, mas viva nas mãos de quem lê.


  • Três tornados devastam o Paraná e destroem 90% de Rio Bonito do Iguaçu: governo anuncia plano de reconstrução

    O estado do Paraná viveu, nos últimos dias, um dos episódios climáticos mais severos de sua história recente. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou que três tornados atingiram a região central do estado na última sexta-feira (7), com ventos que chegaram a impressionantes 330 km/h. As cidades de Rio Bonito do Iguaçu, Guarapuava e Turvo foram as mais afetadas.

    O município de Rio Bonito do Iguaçu, com cerca de 14 mil habitantes, foi praticamente arrasado — 90% dos imóveis foram destruídos. O tornado, classificado como F3 na escala Fujita, foi formado dentro de uma supercélula, o tipo mais severo de tempestade. Em Guarapuava e Turvo, os fenômenos foram classificados como F2, com ventos entre 200 e 250 km/h.

    O governo do estado confirmou seis mortes — cinco em Rio Bonito e uma em Guarapuava — e ao menos 750 feridos, muitos deles necessitando de atendimento hospitalar. O subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, descreveu o cenário como “de guerra”. Casas foram lançadas a dezenas de metros de distância, árvores arrancadas pela raiz e veículos viraram sucata em poucos segundos.

    “Meu pai estava em casa quando tudo aconteceu. Foi questão de um minuto. A casa dele foi arremessada uns 30 metros. Parecia que uma bomba tinha caído”, relatou Antonio Gieteski, que perdeu o pai na tragédia.

    Diante da destruição, o governo estadual anunciou um plano emergencial de reconstrução e assistência humanitária. O Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap) destinará R$ 50 milhões para recuperar a cidade, com repasses diretos às famílias afetadas — até R$ 50 mil por residência. O projeto foi aprovado em regime de urgência pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

    A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) coordena o plano, em parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR), que faz o levantamento técnico dos danos. O trabalho ocorre simultaneamente em várias frentes: limpeza dos destroços, reabertura de vias, recuperação de infraestrutura e cadastramento das famílias desalojadas.

    A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) informou que o abastecimento de água foi restabelecido parcialmente, com o apoio de caminhões-pipa e distribuição de 50 mil copos de água envasada. A Companhia Paranaense de Energia (Copel) comunicou que cerca de 49% da rede elétrica de Rio Bonito do Iguaçu já foi religada, priorizando escolas, postos de saúde e centros de atendimento da Defesa Civil. Mais de 200 técnicos e eletricistas permanecem no local.

    Além da reconstrução material, o governo estadual também atua no amparo às vítimas. A Secretaria de Segurança Pública, junto ao Ministério Público, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça, iniciou um mutirão para a emissão de documentos perdidos. O Ministério Público abriu atendimento descentralizado, enquanto psicólogos e assistentes sociais acompanham os desabrigados.

    O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) autorizou a antecipação de benefícios assistenciais para os moradores atingidos. Escolas destruídas terão prioridade na reconstrução, e a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que ocorreria no domingo (9), foi adiada na cidade.

    O prefeito de Rio Bonito do Iguaçu, Sezar Augusto Bovino, afirmou que a cidade “terá de ser reconstruída do zero”. Ele destacou o esforço conjunto de moradores, voluntários e servidores públicos no trabalho de limpeza e reconstrução. “Estamos recebendo ajuda de todos os lados, mas o cenário é desolador. Em um minuto, nossa cidade virou ruínas”, declarou.

    Segundo o Simepar, as condições meteorológicas na sexta-feira — grande umidade, calor intenso e mudança brusca na direção dos ventos com a altitude — criaram um ambiente propício à formação de tempestades supercelulares. As análises foram realizadas com base em dados de radar, imagens de vídeo, sobrevoos e vistorias em solo.

    O episódio reacende o debate sobre a intensificação de eventos extremos no Brasil. Meteorologistas e climatologistas alertam que, com o avanço das mudanças climáticas, fenômenos como esse podem se tornar mais frequentes e intensos.

    Enquanto o Paraná tenta se reerguer, Rio Bonito do Iguaçu simboliza, agora, tanto a força devastadora da natureza quanto a resiliência humana diante da catástrofe. Entre escombros, destroços e dor, uma cidade inteira começa, lentamente, o processo de renascer.


  • Enem 2025, ocorrido em 1.805 cidades, debate temas sociais e culturais no primeiro dia de provas; abstenção foi de 27%

    O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, realizado neste domingo (9), foi marcado por uma presença expressiva de candidatos e pela abordagem de temas sociais e culturais nas provas. Dos 4,8 milhões de inscritos com confirmação, 73% compareceram, resultando em uma abstenção de 27%, índice semelhante ao de 2024.

    As provas aplicadas neste primeiro dia — Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas — trouxeram questões sobre variação linguística, representatividade negra, mitologia grega e pressão estética sobre mulheres. Já a redação abordou o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, que desafiou os estudantes a refletirem sobre o papel do idoso no contexto contemporâneo.

    Em coletiva, o ministro da Educação, Camilo Santana, destacou o sucesso da operação. “Tivemos aplicação em todo o País sem ocorrências significativas. Foi um dia tranquilo, com 100% dos malotes entregues em todos os locais de aplicação”, afirmou. O exame foi aplicado em 1.805 municípios, com mais de 164 mil salas e cerca de 300 mil pessoas envolvidas na logística.

    Entre as novidades deste ano está o retorno da certificação do ensino médio pelo Enem, que permite ao participante obter o diploma ao alcançar nota mínima de 5.450 pontos. Segundo o ministro, mais de 98 mil pessoas solicitaram essa certificação. Outra inovação foi a inscrição pré-preenchida para estudantes do terceiro ano do ensino médio e o novo formato de agrupamento de questões a partir de um mesmo texto.

    O presidente do Inep, Manuel Palacios, elogiou o conteúdo da prova e o empenho das equipes. “Foi um Enem fantástico, pouquíssimas ocorrências. A prova está linda, maravilhosa, e alinhada às diretrizes curriculares”, declarou. Ele também confirmou uma prisão durante a aplicação, sem detalhar o caso.

    Ao todo, 3.240 candidatos foram eliminados por descumprimento de regras, como portar aparelhos eletrônicos, sair antes do tempo mínimo permitido ou desrespeitar fiscais.

    O ministro também anunciou que a reaplicação do exame está marcada para os dias 16 e 17 de dezembro, voltada a participantes que enfrentaram problemas logísticos ou condições previstas em edital, além de estudantes do Paraná afetados pelas chuvas em Rio Bonito do Iguaçu. Em Belém, Ananindeua e Marituba (PA), as provas ocorrerão em 30 de novembro e 7 de dezembro, por conta da COP-30.

    O segundo dia do Enem 2025 acontece no próximo domingo, 16 de novembro, com as provas de Matemática e Ciências da Natureza. O gabarito oficial do primeiro dia será divulgado no dia 13, e o resultado final está previsto para janeiro de 2026.

    Com mais de duas décadas de existência, o Enem segue como a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil, permitindo o acesso a vagas pelo Sisu, bolsas do Prouni e financiamentos pelo Fies. Mesmo com o alto número de abstenções, o exame reafirma seu papel como grande termômetro da educação nacional.


  • Polícia Científica investiga causas de desabamento que matou duas pessoas em São Gonçalo do Amarante

    A Polícia Científica do Rio Grande do Norte (PCI-RN) realizou neste domingo (9) uma perícia técnica no galpão em construção que desabou no bairro Jardins, em São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal, no último sábado (8). O colapso da estrutura deixou duas pessoas mortas e uma ferida. A obra, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Mudanças Climáticas (Semurb), não possuía alvará de construção.

    As vítimas foram identificadas como Antonio Ferreira da Silva, de 35 anos, funcionário da obra, e Rodolfo Nobre, de 37 anos, filho do proprietário do imóvel. Uma terceira pessoa foi socorrida com vida pelo Samu e levada ao hospital. O acidente ocorreu por volta das 12h20 e mobilizou o Corpo de Bombeiros Militar, a Defesa Civil e equipes de resgate.

    Durante a operação, os bombeiros utilizaram um caminhão munck para remover partes de concreto e liberar o acesso aos escombros. As duas vítimas fatais foram encontradas sem vida após horas de trabalho.

    A perícia de engenharia foi acionada para coletar vestígios, amostras e informações estruturais que possam explicar as causas do desabamento. Segundo a PCI-RN, estão sendo avaliadas hipóteses como falhas no projeto, erros de execução, uso inadequado de materiais ou sobrecarga no sistema de sustentação.

    “O trabalho pericial é essencial para esclarecer a sequência de eventos que levou ao colapso da estrutura, identificar responsabilidades técnicas e apontar medidas que possam prevenir casos semelhantes”, informou a Polícia Científica, em nota.

    O laudo técnico, que reunirá os resultados das análises de campo e laboratoriais, deverá ser concluído em até 30 dias, podendo ser prorrogado. O documento será encaminhado à Polícia Civil, que conduzirá o inquérito sobre o caso.

    A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante determinou o embargo total da obra e anunciou a abertura de um processo administrativo para apurar as responsabilidades. As penalidades podem incluir multas, demolição da estrutura e outras sanções previstas no Código de Obras e no Plano Diretor do município.

    O episódio reacende o debate sobre a fiscalização de obras privadas na Região Metropolitana de Natal, especialmente em áreas de expansão urbana, onde o ritmo acelerado das construções muitas vezes supera o controle técnico exigido por lei.





Jesus de Ritinha de Miúdo