• O palácio vazio: a guerra sem fim no Sudão que já tirou 13 milhões de pessoas de suas casas

    No último dia 15, o Sudão completou dois anos e meio de guerra civil. O marco, longe de simbolizar qualquer avanço rumo à paz, expõe o esgotamento de um país que parece ter esvaziado o próprio sentido de soberania. A guerra começou em 2023, quando o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF) se voltaram um contra o outro — duas cabeças da mesma criatura criada pelo antigo ditador Omar al-Bashir.

    No início do conflito, as RSF tomaram a capital, Cartum, invadindo inclusive o Palácio Presidencial — edifício que, desde sua construção em 1825, simboliza a sede do poder e do saque. O palácio foi turco-egípcio, depois britânico, depois “republicano”, “do povo”, e finalmente o palácio dourado de Bashir, erguido com dinheiro chinês. Cada regime o herdou com a mesma obsessão: o controle sobre o centro, sustentado pela exploração das periferias.

    Em março de 2025, o exército sudanês anunciou ter reconquistado o palácio. Soldados posaram diante das paredes cravejadas de balas, proclamando vitória. Mas o prédio — como a soberania — estava vazio. O país se desfez em guerras locais, em alianças de ocasião, em ruínas. A luta pelo palácio, no fundo, acendeu uma centena de outros conflitos.

    Uma guerra sem centro

    O exército e as RSF nasceram do mesmo ventre político: o sistema de poder fragmentado de Bashir, que multiplicou serviços de segurança e milícias para evitar golpes e garantir seu domínio. Quando o ditador caiu, em 2019, o Sudão até tentou ensaiar uma transição civil, mas os generais voltaram ao palco. Abdul Fattah al-Burhan, chefe das Forças Armadas, e Mohamed Hamdan Daglo, o Hemedti, líder da RSF, uniram forças para derrubar os civis e depois se enfrentaram pelo trono.

    O que começou como uma disputa entre duas instituições militares virou um mosaico de guerras regionais. A RSF expandiu-se como uma franquia da violência: oferecia armas, licença para saquear e a promessa de poder a quem se juntasse à luta. Em Darfur e Kordofan, milícias locais se alinharam a Hemedti, transformando rivalidades antigas por terra e recursos em conflitos existenciais.

    Os Emirados Árabes Unidos, interessados no ouro e nas terras férteis do Sudão, financiaram as RSF. O exército contou com o apoio do Egito, do Catar e da Turquia. A guerra se internacionalizou, sem nunca deixar de ser local.

    O império miliciano

    Hemedti — ex-contrabandista de camelos e dono de loja de móveis — tornou-se o general improvável de uma guerra pós-estatal. Sua milícia é uma federação de forças árabes de Darfur, disciplinadas apenas pela lógica do saque. Cada cidade conquistada repete o mesmo ritual: destruição das instituições, pilhagem, violência sexual.

    A RSF chama isso de “derrubar o Estado de 1956”, ano da independência. Na retórica dos combatentes, trata-se de devolver a Darfur o que o centro lhe roubou. Na prática, a guerra transformou todo o país numa periferia. As cidades de Darfur, como Nyala e Zalingei, também foram saqueadas. A promessa de revolta contra o centro converteu-se em nova forma de espoliação.

    O exército, por sua vez, aprendeu com Bashir: terceirizou os combates a milícias islamistas, recuperando o velho bloco político da ditadura. A vitória militar custou caro. Ao distribuir armas e autonomia, Burhan fragmentou ainda mais o poder. “Agora a primeira pergunta que fazemos a um estranho é de qual aldeia ele é”, disse um morador de Al Jazira.

    Um país em pedaços

    Os números da catástrofe parecem pertencer a outra era: mais de 150 mil mortos, 13 milhões de deslocados, dois terços da população em necessidade humanitária. Em Cartum, a capital, o sistema de saúde colapsou. A cidade, dizem, virou um cemitério.

    A fome avança em Darfur e Kordofan, enquanto a ajuda internacional se retrai. As “salas de resposta a emergências”, criadas por ativistas locais, fecharam por falta de recursos. As Nações Unidas reconhecem o exército como governo legítimo, mas a legitimidade é apenas nominal. Cada lado governa sobre ruínas e cadáveres.

    Em meio às derrotas, as RSF tentaram reconfigurar a narrativa. Em fevereiro, realizaram uma conferência em Nairóbi, financiada pelos Emirados Árabes, que resultou na proclamação de um “Governo de Paz e Unidade”. A ironia não escapou a ninguém: no mesmo dia, suas forças destruíam o campo de deslocados de Zamzam, matando centenas.

    A economia do colapso

    No Sudão, a guerra não é o oposto da economia — é a própria economia. O ouro e o gado, principais produtos de exportação, continuam a fluir para os Emirados Árabes, que compram tanto dos paramilitares quanto do exército. Os inimigos se enfrentam nos campos de batalha e se encontram nos portos e nas contas bancárias.

    A destruição das terras agrícolas e o deslocamento de milhões de pessoas criaram o tipo de capitalismo-enclave que floresce em zonas de guerra: elites locais armadas e conectadas a investidores estrangeiros, produzindo riqueza em meio ao colapso.

    Um novo século XIX

    Os diplomatas falam em cessar-fogo e transição democrática, como se o país ainda existisse. Mas o Sudão parece anunciar o fim da era dos Estados-nação na África Oriental. O colapso da capacidade estatal, a fragmentação étnica e o domínio de forças militares financiadas por potências externas repetem-se no Iêmen, na Somália, na República Centro-Africana.

    A lógica da Guerra Fria — dois polos, dois blocos — já não se aplica. O que se ergue no lugar é um regime global de guerra transacional. Os Emirados financiam a RSF, mas também compram ouro do exército. A Turquia vende drones a Burhan, mas negocia com os aliados de Hemedti. Cada país age como uma corporação em busca de dividendos. É o que diz, sobre o conflito, Joshua Craze, professor da Universidade de Chicago, que há mais de uma década estuda o Sudão:

    Se existe um Regime de Guerra Global emergente, ele não terá dois polos, como durante a Guerra Fria, mas múltiplas coordenadas. No Sudão, os Emirados Árabes Unidos financiam as RSF, mas também compram ouro do exército e apoiam alguns dos islamistas alinhados com ele. A Turquia pode estar vendendo drones para Burhan, mas Ancara também recebeu recentemente uma visita oficial de Saddam Haftar, filho do general que controla o leste da Líbia, que canaliza armas e combustível para as RSF. Não há nenhuma lógica geopolítica de alinhamento em ação aqui: cada país funciona como uma sociedade por ações, obtendo seus lucros onde pode, mesmo que as consequências sejam politicamente incoerentes. 

    Joshua Craze

    Enquanto isso, as forças que poderiam representar uma saída — os comitês de resistência, herdeiros da revolta que derrubou Bashir — são perseguidas por ambos os lados. Alguns militantes pegaram em armas, outros tentam manter viva uma rede precária de ajuda mútua.

    Eles são o último vestígio de um país que insiste em sobreviver — não o Estado, mas o laço entre pessoas. No entanto, como tudo no Sudão, esse fio também é frágil.

    Do palácio em ruínas de Cartum ao campo devastado de Zamzam, o que resta é um retrato brutal de um mundo em que a guerra é mais rentável que a paz, e a soberania não passa de uma ficção que o vento já levou.


  • Alguém entendeu? Campeonato Potiguar 2026 terá finais de ida e volta em campo neutro

    O Campeonato Potiguar 2026 manterá o formato da edição anterior, com ajustes pontuais nas fases decisivas. As alterações foram definidas durante reunião do Conselho Técnico realizada nesta terça-feira, na sede da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF). O novo regulamento prevê que, nas semifinais, o primeiro colocado geral enfrentará o time com o pior índice técnico entre os classificados do mata-mata, reforçando o benefício da melhor campanha.

    A final do estadual será disputada em dois jogos na Casa de Apostas Arena das Dunas, com renda dividida entre os finalistas. No entanto, a FNF deixou aberta a possibilidade de alteração do local, caso haja consenso entre os clubes envolvidos.

    A premissa é que a Arena das Dunas seria um campo neutro; só não ficou claro o porquê de jogos de ida e volta num campo neutro. Em geral, torneios que estabeleceu esse critério para a escolha da sede da final marca uma partida única. É o caso dos grandes torneios do mundo, como a UEFA Champions League e a CONMEBOL Libertadores, e o próprio formato que deverá ser adotado na Copa do Brasil 2026. Em todos os casos, o campo neutro comportará uma partida única.

    A tabela preliminar apresentada durante o encontro confirmou o principal clássico do futebol potiguar logo na quarta rodada: América-RN e ABC se enfrentam nos dias 24 ou 25 de janeiro, na Arena das Dunas, com mando do Alvirrubro. A primeira rodada está marcada para os dias 10 e 11 de janeiro, com os seguintes confrontos: Santa Cruz-RN x Potiguar de Mossoró, América-RN x vice-campeão da Segunda Divisão, Globo FC x campeão da Segunda Divisão e ABC x Laguna.

    O torneio contará com oito equipes na primeira fase, disputando partidas apenas de ida, totalizando sete rodadas. Os dois primeiros colocados avançam diretamente às semifinais, enquanto as outras duas vagas serão definidas em cruzamentos entre o terceiro e o sexto, e o quarto e o quinto colocados, em confrontos de ida e volta. Os dois últimos serão rebaixados.

    As semifinais e a final também seguirão o formato de ida e volta. Em relação à estrutura, a FNF determinou que cada clube indique um estádio principal e um alternativo até 23 de novembro, apresentando todos os laudos técnicos necessários. A Arena das Dunas será considerada campo neutro para todos os participantes.

    Para a primeira fase, os estádios deverão ter capacidade mínima de mil pessoas, exigência que sobe para três mil nas fases finais. O calendário completo será divulgado nas próximas semanas, confirmando os horários e locais das partidas.


  • Cajueiro de Pirangi é finalmente reconhecido como patrimônio natural do Rio Grande do Norte

    O Cajueiro de Pirangi, um dos principais símbolos do turismo potiguar, foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Natural, Paisagístico, Ambiental, Histórico e Turístico Material do Estado do Rio Grande do Norte.

    O reconhecimento foi instituído pela Lei nº 12.503, sancionada em 10 de novembro de 2025 pela governadora Fátima Bezerra, após aprovação na Assembleia Legislativa do RN. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (11).

    Segundo a nova legislação, o objetivo é valorizar e preservar o Cajueiro como referência ambiental e cultural, reforçando sua importância para o turismo e para a identidade potiguar.

    Símbolo potiguar e atração internacional

    Localizado no litoral Sul do estado, na praia de Pirangi do Norte, o Cajueiro ocupa uma área de cerca de nove mil metros quadrados e atrai milhares de visitantes brasileiros e estrangeiros todos os anos.

    Administrado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), o local conta com estrutura de visitação e ações de educação ambiental.

    Em 1994, a árvore entrou para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, como o Maior Cajueiro do Mundo — título que mantém até hoje.

    A Lei nº 12.503/2025 entra em vigor na data da publicação e reforça o compromisso do Estado com a proteção do meio ambiente e a promoção do turismo sustentável no Rio Grande do Norte.


  • Conselho Curador do FGTS aprova um orçamento recorde para habitação

    O Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) aprovou, nesta terça-feira (11), um orçamento recorde de R$ 144,5 bilhões para a área de habitação em 2026. A decisão, solicitada pelo ministro das Cidades, Jader Filho, tem como objetivo ampliar o acesso das famílias de todas as faixas de renda ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

    Entre as medidas anunciadas, uma das principais é o aumento dos subsídios para famílias da Região Norte. O valor máximo do desconto por família sobe de R$ 55 mil para R$ 65 mil, e o cálculo dos benefícios terá um reajuste de 25%. Isso significa que famílias com renda mensal em torno de R$ 2.100, como as de Belém (PA), poderão receber até R$ 57 mil de subsídio, cerca de R$ 20 mil a mais do que nas regras anteriores. A mudança deve reduzir o valor das prestações e facilitar o acesso à casa própria.

    Segundo o ministro Jader Filho, a medida busca corrigir desigualdades regionais. “A Região Norte tem renda média menor e custo logístico maior. Por isso, defendemos corrigir desigualdades regionais e garantir acesso à moradia digna”, afirmou.

    O novo orçamento também amplia o alcance da Faixa 1 do programa, que atende famílias com renda de até R$ 2.160. Serão R$ 12,5 bilhões destinados à concessão de descontos para esse público, reduzindo valores de entrada e parcelas. Em Sorocaba (SP), por exemplo, uma família com renda de R$ 2.100 poderá ver o subsídio aumentar de R$ 33 mil para R$ 40 mil, um acréscimo de cerca de 20%.

    Outra novidade é a elevação dos limites de valor dos imóveis financiados nas faixas 1 e 2, que agora variam entre R$ 210 mil e R$ 275 mil, conforme o perfil econômico dos municípios. As novas regras entram em vigor em 1º de janeiro de 2026.


  • Sai hoje a lista de convocados para a segunda fase do CNU; veja como consultar sua nota

    A espera dos candidatos pelo resultado do “Enem dos concursos” chega a uma nova fase: a lista de convocados para a prova discursiva do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) de 2025 será divulgada hoje (12). Milhares de participantes poderão, enfim, conferir seu desempenho individual na prova objetiva diretamente no site da Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela organização do certame.

    Para consultar a nota, o candidato deve acessar a página oficial do CPNU na área do candidato da FGV. Em seguida, é necessário fazer login com o CPF e a senha da conta Gov.br. O sistema exibirá a pontuação total e o desempenho detalhado por área de conhecimento. Caso a página não carregue de imediato, é recomendável atualizar o navegador ou tentar novamente mais tarde, devido ao alto número de acessos esperados.

    Além da lista de convocados, a plataforma também disponibiliza o cronograma das próximas etapas. Os aprovados na primeira fase devem enviar os títulos entre 13 e 19 de novembro, etapa obrigatória para a classificação final. A prova discursiva será aplicada em 7 de dezembro, seguida dos procedimentos de heteroidentificação e avaliação biopsicossocial, que ocorrerão de 8 a 17 do mesmo mês.

    O resultado preliminar da Avaliação de Títulos está previsto para 2 de janeiro de 2026, e a primeira lista de classificação geral será publicada em 30 de janeiro.

    Para evitar perder prazos, a recomendação é acompanhar as atualizações no site da FGV e no Diário Oficial da União, únicos canais oficiais de divulgação do CPNU. Todas as convocações e comunicados posteriores serão feitas por meio dessas plataformas, e o cumprimento das etapas é de responsabilidade exclusiva do candidato.


  • Quando o corpo pede movimento: vivendo bem com a espondilite anquilosante

    A espondilite anquilosante (EA) é uma condição inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas — aquelas que conectam a base da coluna à pelve. Com o tempo, essa inflamação pode levar à rigidez, à dor e, em casos mais avançados, até à fusão das vértebras, o que limita os movimentos e altera a postura.

    Apesar do nome complexo, o grande vilão da espondilite é o sedentarismo. A pior coisa para quem tem EA é parar de se mover. O movimento é o remédio mais acessível e eficaz que temos — e é aí que entra a fisioterapia e o Pilates como aliados essenciais no tratamento.

    O tratamento da espondilite anquilosante é multidisciplinar. Costuma envolver medicamentos anti-inflamatórios, acompanhamento médico regular, fisioterapia e prática constante de exercícios orientados. O objetivo principal é manter a mobilidade, reduzir a dor e preservar a postura natural da coluna.

    No Pilates, trabalhamos muito além do alongamento. Os exercícios são adaptados à limitação de cada pessoa, com foco no fortalecimento dos músculos posturais, na melhora da respiração e na consciência corporal. A cada movimento, o paciente aprende a conhecer melhor seu corpo e a respeitar seus limites — sem deixar de desafiar-se a evoluir.

    O Pilates ajuda a manter a coluna mais flexível, ampliar a capacidade respiratória e reduzir o impacto da inflamação sobre as articulações. Além disso, proporciona bem-estar mental, algo essencial em uma doença crônica que exige constância e paciência.

    A espondilite anquilosante pode até tentar “imobilizar”, mas o movimento é sempre mais forte. O segredo está em manter-se ativo, buscar acompanhamento especializado e entender que o corpo responde melhor quando é cuidado com atenção e movimento consciente.

    Talvez falando assim, você que tem EA não acredite que apenas o exercício possa ser o melhor remédio. Por isso, vou deixar aqui o depoimento de Gabriela (29 anos), uma paciente nossa, que buscou o atendimento recentemente:

    Antes de começar o Pilates, eu sentia dores diariamente e precisava tomar muito anti-inflamatório. Tinha dias em que simplesmente não conseguia levantar sem remédio. Já havia tentado entrar na academia algumas vezes, mas sempre acabava tendo crises e não conseguia manter a rotina.

    Busquei o Pilates por ser um método conduzido por fisioterapeuta, com um atendimento mais individualizado e voltado para o tratamento da minha condição — a espondilite — com conhecimento e cuidado. Isso fez muita diferença, especialmente porque nem todos os profissionais, sejam instrutores, educadores físicos ou até médicos, conhecem bem a doença.

    Depois que comecei o Pilates, meu corpo melhorou bastante. Hoje, tomo remédios com muito menos frequência, apenas em situações específicas, e me sinto com mais disposição. Quando algum exercício causa dor, conseguimos adaptar e trabalhar aquela região com mais atenção.

    O Pilates também me possibilitou retomar outras atividades que antes eram difíceis, como jogar vôlei de areia — algo que eu não conseguia por conta do enrijecimento das articulações.

    Claro que a doença continua existindo, e as dores ainda aparecem, mas de forma muito mais leve e controlada. Posso dizer que tive um avanço considerável na minha qualidade de vida. O tratamento da espondilite envolve várias frentes — medicamentos, alimentação e exercícios — e, nesse contexto, o Pilates tem sido uma parte importante do processo.”

    Diante disso, digo que quem vive com espondilite precisa de movimento — e o Pilates é um convite gentil e eficaz para isso.


  • Bancada Federal do RN debate R$ 415 milhões em emendas e recebe pedidos de obras estruturantes e inovação tecnológica

    A bancada federal do Rio Grande do Norte iniciou nesta segunda-feira (10) as discussões sobre a destinação de R$ 415,75 milhões em emendas coletivas ao projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) da União para 2026. O encontro, realizado no Hotel Barreira Roxa, em Natal, reuniu parlamentares e representantes de instituições públicas, prefeituras e universidades, que apresentaram seus pleitos de investimento.

    O Governo do Estado solicitou R$ 179,1 milhões para obras de infraestrutura e segurança hídrica. A secretária estadual de Planejamento, Virgínia Ferreira, destacou a necessidade de fortalecer a competitividade econômica potiguar. Entre os pedidos, estão R$ 83 milhões para a continuidade da Estrada da Produção (RN-203, entre Cerro Corá e São Tomé) e R$ 96 milhões para perfuração de poços, instalação de dessalinizadores e adutoras no Seridó. “Precisamos garantir bases sólidas para o desenvolvimento, superando gargalos estruturais que limitam a economia do estado”, afirmou.

    A Prefeitura de Natal, representada pela vice-prefeita Joanna Guerra, apresentou uma pauta de R$ 447 milhões. Entre os principais projetos estão R$ 110 milhões para concluir o Hospital Municipal, R$ 180 milhões para a Via Mangue, e cerca de R$ 117 milhões para obras de drenagem, pavimentação e revitalização urbana — incluindo o Alecrim Center, que busca reorganizar o comércio popular no bairro. “A união de forças entre governo e bancada é essencial para captar recursos e concretizar obras que impactam diretamente a vida da população”, destacou Joanna.

    No campo da ciência e tecnologia, o Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) propôs uma emenda de R$ 15 milhões para a expansão do Metrópole Parque, polo de inovação que reúne 182 empresas e gera mais de 3.400 empregos diretos. O diretor do IMD, José Ivonildo do Rego, explicou que o projeto visa “reter talentos e consolidar uma economia baseada em conhecimento, inovação e sustentabilidade”. A ampliação permitirá abrigar até 250 empresas e criar 6.000 novos empregos qualificados.

    O coordenador da bancada, deputado Robinson Faria (PP), informou que as emendas consensuais serão definidas em reunião fechada entre os oito deputados federais e três senadores do estado, em Brasília. Ele ressaltou que cada parlamentar mantém autonomia para destinar suas emendas individuais, que somam R$ 544 milhões.

    Além dos representantes do governo estadual e municipal, participaram da reunião os deputados General Girão, Sargento Gonçalves, Benes Leocádio, Fernando Mineiro e Natália Bonavides, e a senadora Zenaide Maia. Os senadores Rogério Marinho e Styvenson Valentim, e os deputados João Maia e Carla Dickson, enviaram representantes.

    O prazo para apresentação das emendas à Comissão Mista do Orçamento termina em 15 de novembro, embora haja expectativa de prorrogação em razão da COP-30, que ocorre em Belém (PA).


  • Tomógrafos do Hospital Walfredo Gurgel voltam a quebrar e pacientes são transferidos para outras unidades

    Os dois tomógrafos do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, maior unidade pública de saúde do Rio Grande do Norte, voltaram a ficar fora de operação nesta segunda-feira (10). É a terceira vez, em menos de dois meses, que o hospital enfrenta o mesmo problema.

    De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), um dos aparelhos apresentou falha técnica e aguarda reparo pela empresa responsável pela manutenção. O outro tomógrafo encontra-se em uma sala que está em reforma, sem prazo definido para conclusão. A pasta informou ainda que há previsão para a compra de um novo equipamento, mas sem data para efetivação.

    A situação tem causado impacto direto no atendimento. Com os tomógrafos inativos, pacientes estão sendo transferidos para outras unidades de saúde da Grande Natal para realizar exames. Casos de urgência e emergência são encaminhados ao Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim, que já enfrenta filas de espera devido ao aumento da demanda. Pacientes eletivos — aqueles sem caráter emergencial — estão sendo direcionados para o Hospital da Polícia Militar, Giselda Trigueiro, Onofre Lopes e uma unidade privada conveniada ao SUS.

    Em outubro, o diretor do Walfredo Gurgel, Geraldo Neto, afirmou que a compra de um novo tomógrafo é urgente, mas depende da liberação de uma verba de aproximadamente R$ 2,5 milhões.

    Além da falta dos equipamentos, profissionais da unidade relatam problemas com as ambulâncias utilizadas para as transferências. Segundo a técnica de enfermagem Ana Maria, uma das viaturas “não tem condição de trabalho” e representa risco aos pacientes. O motorista João Paulo afirmou que o veículo já possui quase 200 mil km rodados e apresenta falhas no ar-condicionado e no sistema de segurança.

    Até o fechamento desta matéria, a Sesap não havia se pronunciado sobre a situação da ambulância.


  • Cuba enfrenta o furacão Melissa sem mortes e desafia silêncio da imprensa internacional

    O furacão Melissa deixou um rastro de destruição em parte do Caribe, com 64 mortes registradas em países como Haiti, Jamaica e República Dominicana. Mas um dado destoante chama a atenção — embora quase não tenha sido destacado pelos grandes veículos internacionais: em Cuba, também duramente atingida, não houve vítimas fatais.

    Segundo o jornalista José Manzaneda, coordenador do portal Cubainformación, o país caribenho conseguiu atravessar a catástrofe com perdas apenas materiais, graças ao que ele define como um dos sistemas de Defesa Civil mais eficientes do mundo. O modelo cubano, reconhecido por agências da ONU, baseia-se em três pilares: prevenção, mobilização comunitária e treinamento constante.

    Antes da chegada do furacão, o governo de Havana havia evacuado preventivamente cerca de 740 mil pessoas de áreas de risco e resgatado outras 3 mil durante o evento climático. O sistema de comunicação também foi ativado com antecedência: rádios, escolas, centros de trabalho e universidades transmitiram informações atualizadas hora a hora sobre as medidas de segurança.

    A eficácia da resposta cubana contrasta com o cenário em outros países do Caribe, que registraram dezenas de mortes, e até mesmo com o desempenho de potências como os Estados Unidos. Nos últimos anos, ciclones como Helene (2024), Ian (2022) e María (2017) causaram centenas ou até milhares de vítimas no território norte-americano, apesar de sua infraestrutura avançada.

    Para Manzaneda, o silêncio dos meios de comunicação ocidentais diante desse resultado não é casual. “Reconhecer o sucesso de Cuba romperia o relato dominante de que o país é um ‘sistema que não funciona’ ou um ‘Estado falido’”, afirma. Ele argumenta que, mesmo sob sanções econômicas severas e com recursos limitados, Cuba conseguiu preservar vidas onde outros países falharam.

    O episódio do furacão Melissa reacende, assim, uma questão que vai além da política: o que o mundo pode aprender com a capacidade de um pequeno país bloqueado de proteger sua população diante de desastres naturais cada vez mais intensos?


  • Programa Mais Médicos: com trabalho de Zenaide, Rio Grande do Norte tem hoje mais 555 médicos atuando na saúde pública

    Novos números: atualmente, o estado do Rio Grande do Norte conta com 555 profissionais atuando pelo programa Mais Médicos na saúde pública, conforme resposta oficial da assessoria de comunicação do ministério da Saúde enviada ao mandato da senadora Zenaide Maia (PSD-RN) na última terça-feira (04). Médica do serviço público e relatora no Senado da lei que criou a nova versão do programa nacional em 2023, Zenaide foi uma das principais vozes em defesa da aprovação da medida no Congresso Nacional.

    Ainda segundo o ministério informou ao mandato, até a presente data todas as vagas do Mais Médicos no estado estão preenchidas. O programa faz a contratação e o envio desses médicos para regiões e localidades fora dos grandes centros e também nas áreas de periferias das cidades, de forma a garantir mais profissionais trabalhando na atenção básica de saúde nos municípios.

    “Como médica infectologista, médica da universidade com 30 anos de serviço público, com a experiencia de ter atendido em pronto-socorro, dou meu testemunho pessoal do quanto o programa Mais Médicos está salvando vidas, prevenindo doenças e socorrendo a população mais carente nas comunidades mais distantes do país, onde nada ou quase nada de recursos públicos chega a tempo, na hora da necessidade”, afirmou Zenaide.





Jesus de Ritinha de Miúdo