• Fátima Bezerra sanciona lei que autoriza quitação de débitos em blitz no RN

    A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra do Partido dos Trabalhadores, sancionou a lei que institui o programa RN em Dia, iniciativa que permite a regularização imediata de débitos veiculares durante operações de fiscalização. Pela nova regra, motoristas abordados em blitz poderão quitar pendências como IPVA, licenciamento e multas diretamente no local, por meio de pagamentos eletrônicos, a exemplo de Pix e cartão de crédito.

    O objetivo da medida é evitar a remoção do veículo quando a única irregularidade identificada estiver relacionada a débitos financeiros. Apesar da sanção, a lei não terá aplicação imediata: o início da vigência está previsto para 90 dias após a publicação, período necessário para adequações técnicas e operacionais.

    A proposta foi aprovada pela Assembleia Legislativa do RN no dia 3 de dezembro e é de autoria do deputado estadual Adjuto Dias (MDB). O texto ressalta que o pagamento feito no momento da abordagem não elimina outras penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Assim, mesmo com a quitação do débito, a multa correspondente à infração continuará sendo aplicada.

    A legislação determina ainda que o poder público disponibilize, sempre que possível, os meios necessários para o pagamento imediato, desde que haja condições técnicas no momento da fiscalização. O veículo só será considerado definitivamente licenciado após a confirmação do pagamento e o cumprimento de eventuais exigências legais adicionais.

    Veículos envolvidos em ilícitos penais ou com restrições judiciais não são abrangidos pela nova regra.


  • Sargento da reserva da PM, é suspeito de esfaquear a mulher no RN

    Uma mulher de 38 anos foi vítima de uma tentativa de feminicídio na manhã da última quinta-feira (25), feriado de Natal, no município de Frutuoso Gomes, localizado na região do Alto Oeste do Rio Grande do Norte. De acordo com informações repassadas pelas forças de segurança, a principal linha de investigação aponta que o crime foi cometido pelo próprio marido da vítima, um terceiro sargento da reserva da Polícia Militar, de 63 anos, que fugiu do local logo após o ataque e segue sendo procurado.

    Segundo a Polícia Militar, a ocorrência foi registrada por volta das 11h15, após uma denúncia de agressão com arma branca. Uma equipe foi imediatamente acionada e se deslocou até o endereço informado. Ao chegar ao local, os policiais constataram que a vítima já havia sido socorrida por moradores da região e encaminhada ao hospital municipal de Frutuoso Gomes.

    Devido à gravidade dos ferimentos provocados pelas facadas, a mulher precisou ser transferida para o Hospital Regional de Pau dos Ferros, onde recebeu atendimento especializado. Conforme a Polícia Civil, a vítima passou por um procedimento cirúrgico e permanece internada sob observação médica. Apesar da gravidade do ataque, os médicos informaram que ela não corre risco de morte.

    Enquanto a vítima era atendida, a Polícia Militar realizou diligências na tentativa de localizar o suspeito. No entanto, até a última atualização do caso, o homem não havia sido encontrado. A Polícia Civil assumiu a investigação e informou que, preliminarmente, a motivação do crime estaria relacionada a ciúmes, embora todas as circunstâncias ainda estejam sendo apuradas.

    O caso se soma a um cenário preocupante no Rio Grande do Norte. Nos últimos anos, o estado tem registrado aumento nos números de feminicídio e tentativas desse crime, refletindo a persistência da violência doméstica e de gênero. Especialistas e autoridades reforçam a importância da denúncia e do fortalecimento de políticas públicas de proteção às mulheres, especialmente em períodos festivos, quando esse tipo de violência tende a se intensificar.


  • Ponta Negra recebe grandes atrações no segundo dia do Natal em Natal; Entre os nomes está Zé Vaqueiro e Dilsinho

    O Natal em Natal teve início na quinta-feira (25) com apresentações musicais na praia de Ponta Negra e segue nesta sexta-feira (26) com uma programação diversificada e grandes nomes da música nacional. Entre as atrações confirmadas estão Zé Vaqueiro e Dilsinho, além de artistas locais, em shows gratuitos realizados na área da engorda da praia.

    De acordo com a Prefeitura de Natal, a expectativa é de que entre 70 mil e 80 mil pessoas compareçam por noite aos shows em Ponta Negra. Para a virada do ano, o público estimado é ainda maior, podendo chegar a 150 mil pessoas. Os horários das apresentações ainda não haviam sido divulgados até a última atualização do evento.

    Para facilitar o retorno do público, o município disponibilizou linhas especiais de ônibus gratuitas, com funcionamento em horário estendido após os shows. A prefeitura também divulgou orientações sobre itens proibidos e acessos ao local das apresentações.

    Entre os objetos vetados estão garrafas e recipientes de vidro, sprays, perfumes, objetos cortantes ou perfurantes e qualquer tipo de arma, inclusive para pessoas com porte legal. O descumprimento das regras pode resultar em encaminhamento à polícia. Ambulantes, inclusive os cadastrados, também estão proibidos de utilizar garrafas de vidro.A organização recomenda evitar o uso de coolers, já que dificultam a revista na entrada. Bolsas térmicas menores são permitidas e passam por vistoria completa.

    Os acessos ao espaço dos shows ocorrem pelas ruas Skal, Pastor Rodolfo, Moacir Cunha Melo e pelo Pórtico da Praia. Ambulantes credenciados atuam na via posterior à Avenida Engenheiro Roberto Freire, garantindo circulação livre para pedestres e veículos de emergência.


  • Após cirurgia de hérnia, Bolsonaro segue internado sob esquema de segurança da PF, e declaração de filho acirra divergências internas

    O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi submetido na quinta-feira (25) a uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral no hospital DF Star, em Brasília. O procedimento foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo no qual Bolsonaro foi condenado e cumpre pena de 27 anos de prisão.

    Bolsonaro havia sido transferido da Superintendência da Polícia Federal para o hospital na quarta-feira (24), onde realizou exames preparatórios. A cirurgia teve início por volta das 9h e durou cerca de quatro horas, sendo realizada sob anestesia geral. Segundo publicação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais, o procedimento ocorreu com sucesso.

    De acordo com laudo da perícia médica da Polícia Federal, a cirurgia era considerada eletiva — ou seja, não urgente —, mas necessária em razão do agravamento progressivo do quadro clínico do ex-presidente nos últimos meses. Os peritos apontaram sintomas persistentes, como crises prolongadas de soluço e tosse crônica, que aumentavam a pressão abdominal e contribuíam para a piora da hérnia.

    O laudo indicou a presença de hérnias nas duas regiões da virilha. No lado direito, foi identificada a saliência de uma alça do intestino; no esquerdo, uma protrusão de gordura que reveste o abdômen. Segundo os especialistas, embora exista a possibilidade de tratamento conservador, a intervenção cirúrgica é recomendada na maioria dos casos para evitar complicações mais graves, como o estrangulamento do tecido herniado.

    Inicialmente, apenas Michelle Bolsonaro estava autorizada a acompanhar o ex-presidente. Posteriormente, Moraes ampliou a permissão para a entrada dos filhos, enquanto outras visitas continuaram condicionadas a autorização judicial.A expectativa da equipe médica é que Bolsonaro permaneça internado por cerca de uma semana antes de retornar à carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

    Pouco antes do procedimento, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) leu, em frente ao hospital, uma carta que atribuiu ao pai, na qual o ex-presidente declara apoio formal à sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. O gesto, no entanto, aprofundou divergências internas no grupo político bolsonarista.

    Aliados como o pastor Silas Malafaia criticaram a forma como o anúncio foi feito, enquanto parte da direita esperava uma manifestação de apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador, por sua vez, declarou apoio a Flávio e sinalizou a intenção de disputar a reeleição estadual. Ou seja, amigos, mas adversários quando se trata da disputa pelo poder.


  • Novo salário mínimo de R$ 1.621 entra em vigor em 2026 e beneficia quase 62 milhões de brasileiros

    O governo federal oficializou o reajuste do salário mínimo nacional para R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026. O novo valor foi estabelecido pelo Decreto nº 12.797, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado no Diário Oficial da União no dia 24 de dezembro. O aumento é de R$ 103 em relação ao piso atual de R$ 1.518, o que representa uma alta de 6,79%.

    O reajuste combina a reposição da inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro, de 4,18%, com um ganho real de 2,5%, percentual limitado pelo arcabouço fiscal. Pela regra constitucional, o salário mínimo precisa ao menos acompanhar a inflação para preservar o poder de compra. Desde 2023, no entanto, o governo retomou a política de valorização do mínimo, que prevê aumentos reais vinculados ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), ainda que com teto para evitar pressão excessiva sobre as contas públicas.

    Caso fosse aplicado integralmente o crescimento do PIB de 2024, de 3,4%, o salário mínimo chegaria a R$ 1.636. A limitação a 2,5% de ganho real levou ao valor final de R$ 1.621. Mesmo assim, o reajuste terá efeitos significativos sobre a renda da população e sobre o orçamento federal.

    Segundo o Dieese, o salário mínimo serve de referência direta para cerca de 61,9 milhões de brasileiros, incluindo trabalhadores formais, aposentados, pensionistas, beneficiários do INSS, do Benefício de Prestação Continuada (BPC), empregados domésticos, trabalhadores por conta própria e pequenos empregadores. No INSS, aproximadamente 70,8% dos beneficiários recebem exatamente um salário mínimo.

    O impacto fiscal também é expressivo. De acordo com estimativas oficiais, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera uma despesa adicional de cerca de R$ 420 milhões por ano. Assim, o reajuste de R$ 103 deve elevar as despesas obrigatórias em aproximadamente R$ 43,2 bilhões em 2026, sendo cerca de R$ 39 milhões por mês apenas na Previdência Social. Esse crescimento reduz a margem para gastos discricionários do governo, como investimentos e políticas públicas não obrigatórias.

    Por outro lado, o aumento do salário mínimo tende a estimular a economia. Estudo do Dieese aponta que o novo valor pode injetar R$ 81,7 bilhões na renda da economia em 2026, impulsionando o consumo e a arrecadação tributária. Historicamente, a política de valorização do mínimo é considerada uma das mais eficazes no combate à pobreza e à desigualdade no Brasil, ao fortalecer a renda da base da pirâmide social.

    Além do salário em si, o reajuste altera uma série de benefícios e parâmetros legais. Aposentadorias e pensões do INSS, o BPC, o seguro-desemprego, o abono do PIS/Pasep, os valores-limite para ações nos Juizados Especiais, os atrasados do INSS pagos por RPV e a contribuição mensal do MEI passam a ser calculados com base no novo piso.

    Entre 2002 e 2026, o salário mínimo acumulou correção de cerca de 710% pela inflação e um ganho real de aproximadamente 100%, com maior valorização entre 2004 e 2014. Após um período de estagnação entre 2019 e 2022, os ganhos reais foram retomados a partir de 2023, agora sob limites fiscais mais rígidos. O debate entre impacto social e sustentabilidade das contas públicas segue no centro das discussões econômicas do país.


  • Governo do RN define feriados e pontos facultativos de 2026; calendário prevê 11 feriadões

    O Governo do Rio Grande do Norte publicou no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (23) o decreto que define os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos da administração pública estadual. O Decreto nº 35.209, assinado pela governadora Fátima Bezerra, prevê pelo menos 11 feriadões ao longo do ano.

    Entre os destaques estão o Carnaval, com pontos facultativos nos dias 16 e 17 de fevereiro e expediente facultativo até as 14h na Quarta-feira de Cinzas (18); a Semana Santa, com ponto facultativo em 2 de abril e feriado nacional em 3 de abril; além de feriados que cairão em segundas ou sextas-feiras, como o Dia do Trabalho (1º de maio), Independência do Brasil (7 de setembro), Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro), Finados (2 de novembro), Consciência Negra (20 de novembro) e Natal (25 de dezembro).

    O decreto também estabelece pontos facultativos em datas administrativas e nas vésperas de feriados, com horários específicos.

    Calendário de feriados e pontos facultativos de 2026 no RN

    • 1º de janeiro (quinta-feira) – Confraternização Universal (feriado nacional)
    • 2 de janeiro (sexta-feira) – ponto facultativo
    • 5 de janeiro (segunda-feira) – ponto facultativo em Natal
    • 6 de janeiro (terça-feira) – Dia de Reis (feriado municipal em Natal)
    • 16 de fevereiro (segunda-feira) – Carnaval (ponto facultativo)
    • 17 de fevereiro (terça-feira) – Carnaval (ponto facultativo)
    • 18 de fevereiro (quarta-feira) – Quarta-feira de Cinzas (ponto facultativo até 14h)
    • 2 de abril (quinta-feira) – ponto facultativo
    • 3 de abril (sexta-feira) – Paixão de Cristo (feriado nacional)
    • 20 de abril (segunda-feira) – ponto facultativo
    • 21 de abril (terça-feira) – Tiradentes (feriado nacional)
    • 1º de maio (sexta-feira) – Dia do Trabalho (feriado nacional)
    • 4 de junho (quinta-feira) – Corpus Christi (ponto facultativo)
    • 5 de junho (sexta-feira) – ponto facultativo
    • 7 de setembro (segunda-feira) – Independência do Brasil (feriado nacional)
    • 3 de outubro (sábado) – Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu (feriado estadual)
    • 12 de outubro (segunda-feira) – Nossa Senhora Aparecida (feriado nacional)
    • 30 de outubro (sexta-feira) – Dia do Servidor Público (ponto facultativo)
    • 2 de novembro (segunda-feira) – Finados (feriado nacional)
    • 15 de novembro (domingo) – Proclamação da República (feriado nacional)
    • 20 de novembro (sexta-feira) – Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra (feriado nacional)
    • 21 de novembro (sábado) – Padroeira de Natal (feriado municipal)
    • 24 de dezembro (quinta-feira) – Véspera de Natal (ponto facultativo após 13h)
    • 25 de dezembro (sexta-feira) – Natal (feriado nacional)
    • 31 de dezembro (quinta-feira) – Véspera de Ano Novo (ponto facultativo após 13h)

  • Lei de acesso é acionada para esclarecer morte de diplomata que atuou na cop30

    A Educafro acionou a Lei de Acesso à Informação (LAI) para solicitar ao Ministério das Relações Exteriores esclarecimentos sobre a morte do jovem diplomata Filipe Brito Hamburgo, terceiro-secretário de 28 anos, em um caso que permanece cercado de lacunas e silêncio oficial.

    As circunstâncias envolvendo o episódio ainda são pouco claras. Filipe integrou a equipe brasileira na COP30, realizada no Pará, onde, segundo relatos, teria sido vítima de ofensas racistas. Cerca de um mês após a conferência, já de volta a Brasília, o diplomata foi alvo de um processo administrativo disciplinar (PAD) e, no dia seguinte à adoção de uma medida cautelar, tirou a própria vida. Até o momento, não há confirmação oficial de vínculo entre os acontecimentos.

    No pedido encaminhado ao ministro Mauro Vieira, a Educafro requer, entre outros pontos, cópia do boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil do Pará. De acordo com relatos que circulam entre colegas, Filipe teria sido chamado de “macaco” e “gorila” por um superior hierárquico durante a COP30, o que teria motivado o registro do BO.

    O contexto da conferência também foi marcado por denúncias de sobrecarga de trabalho. À época, a ADB Sindical, entidade representativa da carreira diplomática, alertou para jornadas de até 16 horas diárias, sem folgas regulares ou compensação efetiva, uma queixa recorrente no serviço exterior brasileiro.

    Em 17 de dezembro, Filipe foi suspenso por 60 dias em decorrência de um PAD que tramita sob sigilo. A decisão, assinada pelo corregedor do Serviço Exterior, Rui Vasconcellos, determinou seu afastamento cautelar das funções, sem prejuízo salarial, além da proibição de acesso às dependências do Itamaraty. O objetivo alegado foi evitar interferências na apuração.

    No dia seguinte à aplicação da medida, o diplomata morreu. Filipe havia ingressado na carreira no ano anterior, por meio do sistema de cotas raciais, e atuava no acompanhamento de autoridades estrangeiras durante a COP30.

    A Educafro defende que o caso exige investigação transparente e rigorosa. A entidade cobra esclarecimentos sobre os fundamentos do PAD, eventuais providências em relação ao superior acusado de racismo e as políticas de acolhimento e saúde mental do Itamaraty. Procurado, o ministério não se manifestou oficialmente.


  • Fica ou não fica? Em que pé anda a Lei do Espanhol na educação do Rio Grande do Norte?

    O debate sobre a obrigatoriedade do ensino de espanhol nas escolas continua e passa a ser urgente. É necessário obter respostas antes do fim do mandato da governadora Fátima Bezerra.

    A minuta do projeto foi entregue pelos professores em maio, na Secretaria de Educação do Estado, onde estavam presentes a secretária de Educação, Socorro Batista, o chefe de gabinete, Matheus Peixoto, e o parlamentar Daniel Valença. A resposta dada, segundo José Amane, professor da rede de ensino e militante do movimento Fica Espanhol, era de que o projeto não seria de difícil aprovação e que avançaria rapidamente. No entanto, cá estamos nós.

    José Amane expressou para O Potengi as preocupações da categoria diante da situação. Em depoimento, ele aponta: “O espanhol continuará no currículo potiguar depois que Fátima Bezerra deixar o governo em abril? O que acontecerá com os mais de 500 professores de língua espanhola que estão na rede, caso o espanhol saia? Os alunos potiguares perderão uma disciplina que permite o acesso à universidade pública por meio do Enem e que abre oportunidades de emprego?”

    Na prática, o espanhol é ministrado nas escolas, especialmente nas turmas do ensino médio. O problema é que não há garantia de sua permanência, e o projeto de lei é a única possibilidade de assegurar a continuidade da disciplina sem questionamentos. Com a retirada do espanhol como disciplina obrigatória na reforma do ensino médio sancionada por Temer, em 2017, ficou a critério dos estados e dos municípios ofertar ou não a matéria em sala de aula.

    Um fato curioso é a evidente contradição na postura do Estado ao abrir concursos públicos com vagas para professores de espanhol sem que exista uma regulamentação clara e definitiva que assegure a presença da disciplina no currículo escolar, como ocorreu no último concurso público para docentes da rede de ensino. Ao mesmo tempo em que reconhece, na prática, a necessidade desses profissionais ao ofertar cargos específicos, o poder público mantém o espanhol em uma condição de instabilidade jurídica, sem garantias de continuidade.

    Essa incoerência expõe uma gestão educacional que se beneficia do trabalho especializado, mas se omite quanto à criação de um marco legal que assegure segurança institucional ao ensino de espanhol e aos professores da área, categoria que integra uma das bases de maior força da governadora do Estado do Rio Grande do Norte.

    A importância da implementação da lei vai além das questões estritamente educacionais e pedagógicas. O espanhol é a língua dos países vizinhos, e o Brasil faz fronteira com diversas nações hispanofalantes, o que torna o seu ensino um instrumento estratégico de integração regional. Garantir o acesso ao espanhol nas escolas públicas significa ampliar a capacidade de comunicação, cooperação e intercâmbio cultural entre o Brasil e os demais países da América Latina, fortalecendo laços históricos e sociais.

    Além disso, essa oportunidade está diretamente relacionada às alianças externas, políticas e econômicas do país. O domínio do espanhol contribui para a formação de profissionais mais preparados para atuar em negociações internacionais, no comércio exterior, no turismo e em organismos multilaterais, como o Mercosul. Amane reforça também que, ao investir na consolidação do ensino da língua espanhola, o estado não apenas fortalece a educação básica, mas toma uma atitude soberana: para ele, Fátima honraria “o compromisso que assumiu com os professores da área e deixará um legado de pluralidade linguística, de soberania latino-americana, de respeito aos alunos que escolhem esse idioma nos vestibulares e de valorização dos educadores de espanhol”.

    Leia mais sobre a luta pelo Espanhol no RN


  • Em meio a especulações sobre Walter Alves, PT-RN mantém aposta em aliança com o MDB

    A presidente do PT no Rio Grande do Norte, vereadora Samanda Alves, reafirmou que o partido mantém como prioridade a continuidade da aliança com o MDB no estado, nos mesmos moldes da parceria nacional que sustenta o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, qualquer mudança no cenário político para 2026 não partirá do PT.

    A declaração ocorre em meio às incertezas sobre o futuro político do vice-governador Walter Alves (MDB), que recentemente admitiu a possibilidade de não assumir o Governo do Estado em abril de 2026, quando a governadora Fátima Bezerra deverá deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado. Walter também não descartou apoiar a pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), ao governo estadual.

    Para Samanda, o PT segue com um planejamento definido. O partido trabalha pela reeleição de Lula, pela eleição de Fátima Bezerra ao Senado e pela consolidação do nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, como candidato ao Governo do RN. “Nosso projeto está mantido e tem respaldo do PT Nacional”, destacou.

    A dirigente petista minimizou declarações do deputado federal João Maia (PP), que afirmou existir um acordo para que Walter não assuma o governo e apoie Allyson Bezerra. Segundo Samanda, João Maia não representa o vice-governador. “Quem fala por Walter é o próprio Walter”, afirmou.

    Ela lembrou que, em conversas anteriores, Walter Alves havia confirmado que assumiria o Governo do Estado e que não seria candidato à reeleição, comprometendo-se a apoiar o projeto governista liderado pelo PT. Caso haja uma mudança nessa posição, segundo Samanda, a responsabilidade não será do partido. “Se alguém mudar de plano, não seremos nós”, disse.

    Samanda também afastou a possibilidade de rompimento institucional entre o vice-governador e a governadora Fátima Bezerra. De acordo com ela, Walter manifestou preocupações relacionadas à situação financeira do estado, mas o governo tem tratado do tema de forma transparente.

    A presidente do PT-RN afirmou ainda que o Rio Grande do Norte vive hoje uma realidade fiscal melhor do que a encontrada no início da gestão de Fátima, em 2019. Ela citou a retomada da capacidade de investimento, o pagamento de salários em dia e a parceria com o governo federal como fatores que garantem estabilidade administrativa.

    “Fátima não entregaria o governo em situação de ingovernabilidade. Os números mostram uma evolução clara da situação financeira do estado”, concluiu Samanda, reforçando a expectativa de manutenção da aliança entre PT e MDB para o próximo ciclo eleitoral.


  • Venezuela e Brasil: por que o silêncio não é uma opção

    A escalada de tensões envolvendo a Venezuela e o governo dos Estados Unidos recoloca a América Latina diante de um dilema recorrente: aceitar a naturalização da ingerência externa ou reafirmar, de forma coletiva, o compromisso com a soberania e a paz regional. Para o Brasil, país diretamente afetado por instabilidades geopolíticas no continente, a omissão diante do que ocorre na Venezuela não é neutra — é uma escolha com consequências.

    Ao longo das últimas décadas, a Venezuela construiu sua trajetória política por meio de sucessivos processos eleitorais, nos quais a população reiterou projetos de governo distintos, porém legitimados pelas urnas. Independentemente de concordâncias ideológicas, trata-se de um dado objetivo: o país manteve mecanismos formais de consulta popular. Ainda assim, os resultados dessas escolhas têm sido sistematicamente questionados por atores internos e externos que se recusam a reconhecê-los como válidos, apostando na desestabilização como método político.

    Essa estratégia não se limita ao discurso. Inclui sanções econômicas severas, bloqueios financeiros, campanhas internacionais de deslegitimação institucional e ações diretas contra setores estratégicos da economia venezuelana, especialmente o energético. O impacto dessas medidas é conhecido: queda de receitas públicas, dificuldades no abastecimento e deterioração das condições de vida da população civil. Trata-se de uma forma de coerção que atinge, sobretudo, os mais vulneráveis.

    Do ponto de vista jurídico, preocupa a ampliação arbitrária de categorias utilizadas para justificar intervenções. A rotulagem de autoridades estrangeiras como “narcoterroristas”, sem respaldo em tratados internacionais ou decisões multilaterais, abre precedentes perigosos. Ao diluir fronteiras entre conceitos jurídicos distintos, cria-se um ambiente propício à flexibilização do uso da força e à relativização do princípio da não intervenção, consagrado no Direito Internacional.

    O cenário se agrava quando ações militares e apreensões de embarcações ocorrem sem autorização de organismos internacionais competentes. Bloqueios de fato e operações letais em águas internacionais não afetam apenas o país diretamente atingido: colocam em risco a segurança regional e aumentam a probabilidade de conflitos de maior escala. Para a América do Sul, historicamente comprometida com a resolução pacífica de controvérsias, esse tipo de precedente é alarmante.

    Há ainda uma dimensão geopolítica mais ampla. A pressão sobre a Venezuela insere-se em um contexto de disputa por influência econômica e estratégica na região, especialmente diante da ampliação das relações comerciais do país com parceiros fora do eixo tradicional norte-americano. A diversificação dessas parcerias, longe de ser um ato hostil, reflete transformações estruturais no comércio internacional e na ordem multipolar emergente.

    Por fim, existe uma dimensão ética e política que não pode ser ignorada. O Brasil conhece, por experiência própria, os efeitos da instrumentalização externa de crises internas. Defender a soberania venezuelana não significa endossar governos ou modelos específicos, mas reafirmar princípios que protegem todos os países da região.

    Diante desse quadro, o silêncio não é prudência. É abdicação. Para os brasileiros que valorizam a paz, a autodeterminação dos povos e a estabilidade regional, posicionar-se contra ações unilaterais e coercitivas é não apenas legítimo, mas necessário. Em tempos de encruzilhada histórica, a neutralidade costuma favorecer sempre o lado mais forte.





Jesus de Ritinha de Miúdo