Jesus de Ritinha de Miúdo
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Número de ingressantes com mais de 60 anos na UFRN cresce 944% em 20 anos
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) registrou um aumento significativo no número de estudantes com mais de 60 anos ingressantes em seus cursos de graduação. Nos últimos 20 anos, o crescimento foi de 944%, passando de nove idosos em 2004 para 94 em 2024. Entre os estudantes que completaram 60 anos durante o curso, o aumento foi de 37 para 125 no mesmo período, segundo dados da Pró-Reitoria de Graduação.
Este fenômeno reflete o acelerado processo de envelhecimento populacional no Brasil. De acordo com o Censo de 2022, a população brasileira com 60 anos ou mais chegou a 32,1 milhões, representando 15,6% do total. No Rio Grande do Norte, o índice de envelhecimento é de 53,05, o maior do Nordeste, indicando que há 53 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 crianças de até 14 anos.
A tendência também se manifesta no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo o Inep, o número de inscritos com 60 anos ou mais passou de 9.950 em 2024 para 17.192 em 2025, representando um crescimento de 72,7% em um único ano.
Entre os cursos mais procurados por estudantes idosos na UFRN estão História, Filosofia e Ciências e Tecnologia. Fabiano do Espírito Santo Gomes, procurador educacional institucional da universidade, explica que “com o tempo mais livre, muitas vezes, eles podem acabar optando por esses cursos”.
Exemplos concretos ilustram essa realidade. Antonio Tavares formou-se em Engenharia Elétrica aos 67 anos e hoje, aos 81, mantém vivo o entusiasmo pela aprendizagem. Francisca Ferreira da Silva, após se aposentar, ingressou no curso de Turismo e posteriormente foi aprovada em Química, realizando um sonho interrompido anteriormente. José Donato Gomes da Silva, de 65 anos, escolheu Serviço Social para aprimorar seu trabalho voluntário, enfrentando desafios como o etarismo e barreiras para estágios.
A UFRN desenvolve ações específicas para promover o envelhecimento saudável, incluindo acessibilidade digital, promoção da saúde e pesquisas em parceria com o Instituto Envelhecer, contribuindo para ampliar o acesso e a permanência de estudantes idosos na instituição.
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Natal prevê captar até R$ 800 milhões em empréstimos com adesão ao PEF
A Prefeitura de Natal estuda aderir ao Programa de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF) do Governo Federal, iniciativa voltada para estados e municípios com dificuldades financeiras. De acordo com o secretário de Planejamento, Vagner Araújo, a adesão ao programa pode permitir o acesso a até R$ 800 milhões em crédito para financiar obras estruturantes na capital potiguar.
O secretário explicou que o PEF oferece uma segunda chance para entes federativos em situação fiscal delicada, mediante o compromisso com ajustes fiscais e contábeis. Em troca do aval da União para contrair empréstimos, o município precisa escolher três entre oito medidas de equilíbrio fiscal, como redução de incentivos fiscais, desestatização ou leilão reverso para pagamento de dívidas.
Natal enfrenta há mais de dez anos a classificação na pior categoria da Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional, o que impede o município de contratar novos empréstimos e buscar financiamentos internacionais. Araújo afirmou que a má avaliação não reflete necessariamente a realidade das contas, mas problemas de registro contábil acumulados ao longo dos anos, como dívidas renegociadas que continuam integralmente nos balanços e receitas a pagar antigas nunca canceladas.
Caso consiga aderir ao PEF e melhorar sua nota fiscal, a Prefeitura planeja investir em três eixos principais: mobilidade urbana (incluindo o projeto Via Mangue, que interligará as duas pontes na Zona Norte), urbanização (com transformação urbana nas áreas de praias como Ponta Negra e Praia do Meio) e infraestrutura de drenagem. Também estão previstas a revitalização do centro histórico e do tradicional polo comercial do Alecrim, com possibilidade de utilização de instrumentos como Operação Urbana Consorciada e Certificados de Potencial Construtivo (Cepacs), além de parcerias com o setor privado.
O secretário citou experiências bem-sucedidas em outras cidades, como o Recife Antigo e o Porto Maravilha no Rio de Janeiro, como referências para a revitalização da Ribeira e do centro de Natal. A atual gestão municipal já iniciou contatos com organismos internacionais como Banco Mundial, BID e BNDES para viabilizar os financiamentos necessários aos projetos.
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Governo do RN convoca primeira turma de aprovados em concurso da saúde
O Governo do Rio Grande do Norte convocou nesta quarta-feira (10) a primeira turma de servidores aprovados no concurso público da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). A convocação foi publicada no Diário Oficial do Estado e contempla 50 profissionais, sendo 25 técnicos de enfermagem e 25 assistentes técnico-administrativos em saúde, todos destinados ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.
A governadora Fátima Bezerra anunciou que em breve será realizada nova chamada para o Hospital da Mulher, em Mossoró, e determinou à Sesap a elaboração de um plano abrangente para convocação de novos servidores efetivos. Esta iniciativa reforça o compromisso do Governo do Estado com o fortalecimento dos serviços de saúde pública.
O concurso, que já teve homologados os aprovados de nível médio e técnico, encontra-se atualmente na fase de análise de títulos dos candidatos de nível superior. A medida representa um avanço na qualificação e no reforço do quadro de profissionais da saúde no estado.
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Presa na Itália, Zambelli participa de audiência na Câmara e troca acusações com hacker
A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), detida em uma penitenciária na Itália, participou por videoconferência de uma audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nesta quarta-feira (10). A reunião marcou o início da análise do processo que pode confirmar a perda de seu mandato, e foi marcada por trocas de acusações entre Zambelli e o hacker Walter Delgatti.
Ambos foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em decisão que já transitou em julgado. Delgatti participou da audiência diretamente do presídio de Tremembé, onde cumpre pena, enquanto Zambelli obteve autorização da Justiça italiana para participar remotamente da penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma.
Durante a audiência, Delgatti afirmou que a invasão aos sistemas do CNJ ocorreu a pedido da deputada e que ele teria se hospedado em sua residência em Brasília, acusando Zambelli de exercer “comando direto sobre os crimes”. A deputada rebateu as acusações, classificando Delgatti como “mitomaníaco” e questionando sua sanidade mental, com referência ao uso de medicamentos para tratamento de TDAH.
Zambelli fugiu para a Itália antes de a condenação do Supremo se tornar definitiva, o que levou à sua inclusão na lista de procurados da Interpol. Em julho, foi presa nos arredores de Roma e aguarda decisão sobre processo de extradição. A Câmara dos Deputados precisa dar aval à perda de seu mandato, sendo necessário o apoio de pelo menos 257 deputados para a cassação. A parlamentar encontra-se licenciada do cargo até 2 de outubro deste ano.
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Michelle Bolsonaro diz que teve fusca revistado em Brasília: ‘Para conferir se o Jair não estava escondido’
A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro relatou em suas redes sociais nesta terça-feira (9) que seu veículo modelo fusca foi submetido a revista em Brasília. Em publicação ironizando a situação, ela questionou: “Vocês acham que, na frente de um fusca – onde fica o estepe – cabe um homem de 1,85?”.
O procedimento ocorre no contexto da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 30 de agosto ordenou que a Polícia Penal do Distrito Federal realize vistorias em todos os veículos que deixem a residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar no Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico.
Questionada pelo g1, a Secretaria de Administração Penitenciária não confirmou especificamente a autoria da revista no fusca, mas informou que “a Polícia Penal do DF está cumprindo ordem judicial [do STF] em conformidade com a decisão expedida e não comenta ou detalha operações em curso”.
Desde 27 de agosto, policiais penais do Distrito Federal realizam monitoramento em tempo integral da casa onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. A determinação do ministro Moraes inclui ainda vistorias documentadas nos veículos que deixam a residência, com registro de identificação dos veículos, motoristas e passageiros, além de monitoramento presencial na área externa para cobrir possíveis “pontos cegos”.
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Fux pede suspensão de todo processo sobre golpe contra Ramagem
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (10) pela suspensão total da ação penal sobre a trama golpista no que se refere ao deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), atendendo a um pedido da defesa do parlamentar.


Ramagem já teve parte da ação penal contra si suspensa por decisão da Câmara dos Deputados. Foi aplicado ao caso a proteção constitucional conferida aos parlamentares por atos praticados durante o mandato.
Em março, a Primeira Turma do Supremo homologou a decisão da Câmara, estabelecendo a suspensão do processo em relação a dois crimes, entre os cinco imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que teriam sido praticados após a diplomação como deputado.
Na ocasião, Fux votou pela suspensão parcial, mas agora mudou de opinião, passando a votar pela “suspensão in totum [no todo]” do processo em relação a Ramagem.
O ministro explicou a mudança devido a um entendimento mais profundo sobre o crime de organização criminosa.
“Estamos no caso da organização criminosa diante de um único crime que se prorrogou no tempo. O crime de organização criminosa é um só. Seja no momento anterior ou posterior do réu, Alexandre Ramagem. Por essa razão, eu voto pela extensão dos efeitos da decisão desta Turma para suspender a ação penal em relação a esse réu”, disse Fux.
Ramagem foi acusado pela PGR de ter instrumentalizado a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão que dirigiu durante o mandato de Bolsonaro. Pela acusação, ele teria monitorado adversários políticos do ex-presidente e também atuado para sustentar a narrativa de fraude nas eleições.
Julgamento
O ministro é o terceiro a votar no caso, sendo o primeiro a divergir sobre questões preliminares levantadas pelas defesas e que podem anular o processo.
Na terça (8), os ministros Alexandre de Moraes, relator da ação penal, e o ministro Flávio Dino rejeitaram todas as questões preliminares e votaram pela condenação de todos os oito réus pelos cinco crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Nesta quarta, a Primeira Turma do Supremo retomou o julgamento, iniciado em 2 de setembro, que pode condenar Bolsonaro e mais sete aliados por uma trama golpista que teria atuado para reverter o resultado das eleições de 2022.
O grupo faz parte do núcleo crucial da denúncia apresentada pela PGR e é formado pelas principais cabeças do complô.
O julgamento começou na semana passada, quando foram ouvidas as sustentações das defesas do ex-presidente e dos demais acusados, além da manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, favorável à condenação de todos os réus.
A análise está prevista para durar até sexta (12). Ainda devem votar a ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma e responsável pela condução dos trabalhos.
Quem são os réus
- Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
- Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro na chapa de 2022;
- Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Crimes
Todos os réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem que, atualmente, é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A regra está prevista na Constituição.
A suspensão vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro.
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Fux vota para anular ação penal sobre golpe por cerceamento de defesa
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu nesta quarta-feira (10) a alegação de cerceamento de defesa usada pelos advogados dos réus da ação penal que trata de uma suposta trama golpista, que teria atuado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder mesmo após derrota eleitoral em 2022.


Fux divergiu do relator, ministro Alexandre de Moraes, e de Flávio Dino, que votaram nesta terça (9) pela rejeição de todas as preliminares suscitadas pelos advogados, inclusive a de cerceamento de defesa.
Para Fux, contudo, o imenso volume de dados anexado ao processo e o pouco tempo concedido para a análise dos mais de 70 terabytes em informação configurou um cerceamento de defesa, uma vez que os advogados dos réus não tiveram tempo hábil para verificar as provas.
O ministro votou para que isso resulte na anulação do processo até o momento do recebimento da denúncia, “em razão dessa disponibilidade tardia que apelidei de um tsunami de dados e que, no direito anglo-saxônico se denomina document dumping [acúmulo de documentos]. E sem indicação suficiente e antecedência minimamente razoável para a prática dos atos processuais”, disse.
“Apenas em meados de maio, cerca de cinco dias antes do início da oitiva das testemunhas, a Polícia Federal enviou links de acesso para as defesas”, observou o ministro.
“Como se não bastasse, novos arquivos foram incluídos, no curso da instrução processual – inclusive em 15 de junho de 2025”.
“Confesso que tive dificuldade para elaborar um voto imenso”, disse Fux.
Antes, o ministro já havia votado pela anulação de todo o processo, por entender que não é competência do Supremo julgar os réus envolvidos no caso, uma vez que nenhum deles possui foro privilegiado na Corte, se forem observadas as regras vigentes à época da prática dos crimes imputados.
Na terça (9), Moraes rejeitou essa questão preliminar afirmando que a grande quantidade de dados foi anexada ao processo a pedido das próprias defesas, ainda que boa parte desses arquivos não tenha sido útil para as investigações, a denúncia ou o juízo formado pelos ministros.
Julgamento
O ministro é o terceiro a votar no caso, sendo o primeiro a divergir sobre questões preliminares levantadas pelas defesas e que podem anular o processo.
Na terça (8), os ministros Alexandre de Moraes, relator da ação penal, e o ministro Flávio Dino rejeitaram as questões preliminares e votaram pela condenação de todos os oito réus pelos cinco crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Nesta quarta-feira (10), a Primeira Turma do Supremo retomou o julgamento, iniciado em 2 de setembro, que pode condenar Bolsonaro e mais sete aliados por uma trama golpista que teria atuado para reverter o resultado das eleições de 2022.
O grupo faz parte do núcleo crucial da denúncia apresentada pela PGR, formado pelas principais cabeças do complô.
O julgamento começou na semana passada, quando foram ouvidas as sustentações das defesas do ex-presidente e dos demais acusados, além da manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, favorável à condenação de todos os réus.
A análise está prevista para durar até sexta (12). Ainda devem votar a ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma e responsável pela condução dos trabalhos.
Quem são os réus
- Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
- Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto – ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro na chapa de 2022;
- Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Crimes
Todos os réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem que, atualmente, é deputado federal. Ele foi beneficiado com a suspensão de parte das acusações e responde somente a três dos cinco crimes. A regra está prevista na Constituição.
A suspensão vale para os crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça, contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado, relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro.
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Influenciadoras são investigadas por lavagem de dinheiro e jogos ilegais no RN
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou nesta quarta-feira (10) a “Operação Viúva Negra” para desarticular um esquema criminoso envolvendo jogos de azar ilegais, crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro. A investigação teve como alvo influenciadoras digitais que supostamente promoviam plataformas virtuais de apostas ilegais em redes sociais.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia Especializada na Repressão à Lavagem de Dinheiro, o grupo atuava por meio da promoção de jogos digitais manipulados, como o “jogo do tigrinho”, utilizando versões de demonstração para simular ganhos irreais e induzir seguidores a apostar. As influenciadoras empregavam recursos visuais, danças e uma imagem de sucesso para atrair vítimas.
A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 2 milhões em contas vinculadas às investigadas, além do sequestro de quatro imóveis em Parnamirim e Mossoró e a apreensão de veículos de médio e alto padrão. Também foi decretada a indisponibilidade de bens móveis e ativos financeiros com indícios de origem ilícita.
As investigações começaram a partir de relatórios da Delegacia Especializada em Combate à Corrupção e comunicações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que identificaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada das investigadas. Entre os indícios constam aquisições em espécie de imóveis e veículos de alto valor.
A Polícia Civil descreveu o método das investigadas como uma analogia à “viúva negra”, onde atraíam vítimas com promessas de ganhos e prosperidade, mas na realidade as conduziam a um ciclo de perdas financeiras e endividamento. A operação contou com o apoio de diversas delegacias regionais do estado.
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As terras da Vila de Índios de Extremoz sob duas facções: disputas políticas nos processos de territorialização indígena no Rio Grande do Norte (1760-1858)
A pesquisa do historiador e professor Pedro Pinheiro é sobre nós, sobre descobrir o lugar a partir de novos olhares e compreender a quem, de fato, pertenceu o território. Vou destacar os pontos que considero cruciais da leitura, sem a pretensão de esgotar a tese, deixando a vocês a incumbência de conhecê-la integralmente.
A tese de Pedro Pinheiro de Araújo Júnior, intitulada As terras da Vila de Índios de Extremoz sob duas facções: disputas políticas nos processos de territorialização indígena no Rio Grande do Norte (1760-1858), oferece uma contribuição fundamental para a historiografia potiguar e brasileira. O trabalho evidencia como a territorialização indígena foi decisiva na configuração social, política e espacial da Vila de Extremoz e como, ao longo do século XIX, ocorreu um processo sistemático de invisibilização desses povos.
O autor parte da noção de território social, inspirada em Paul Little, para demonstrar que o espaço de Extremoz foi construído por diferentes grupos indígenas – Potiguara, Panati, Caboré e Janduí – que, após a “Guerra dos Bárbaros” (1682-1713), foram reunidos e consolidaram uma nova territorialidade coletiva. Esse território, mais que um espaço físico, representava identidade, memória e resistência.
Um dos pontos centrais da tese é a demonstração de que os indígenas não foram sujeitos passivos, mas protagonistas. Eles recorreram à justiça, ocuparam cargos municipais e militares, reivindicaram sesmarias e atuaram ativamente em processos políticos, como na Revolução de 1817 e na Confederação do Equador. Personagens como Hipólito da Cunha e Ignácio Duarte surgem como exemplos de lideranças que articularam estratégias de defesa coletiva e de participação no poder local.
No entanto, o século XIX marcou o avanço de mecanismos de desterritorialização. Leis como o Regulamento da Civilização dos Índios (1845) e a Lei de Terras (1850), somadas a decisões imperiais, legitimaram o esbulho das áreas indígenas sob o argumento de que esses povos haviam “desaparecido” ou se “misturado à população civilizada”. Esse discurso de “extinção” foi amplamente difundido por presidentes de província, como Morais Sarmento, no Rio Grande do Norte, em 1847.
A tese revela, contudo, que esse “apagamento” foi mais político e discursivo do que real. Nos registros de batismos, casamentos, vereações e processos judiciais, a presença indígena permanece constante. Mesmo diante da perseguição, muitos passaram a se identificar como “caboclos” como estratégia de sobrevivência social, sem que isso significasse o abandono de sua ancestralidade.
Outro aspecto relevante é a análise das disputas por terras. Documentos de sesmarias e processos judiciais comprovam que as terras de Extremoz pertenciam originalmente ao patrimônio indígena. Diversos colonos e fazendeiros tentaram apropriar-se delas, mas frequentemente encontraram resistência legal e comunitária organizada pelos próprios índios.
Pedro Pinheiro demonstra, assim, que a narrativa de que os indígenas “não precisavam de terras” ou eram “preguiçosos” foi uma construção racista usada para justificar sua exclusão. Na prática, eram eles os legítimos donos do território, sustentando a vida comunitária, cultivando as áreas e defendendo seu espaço de geração em geração.
A história de Extremoz, conforme revelada na tese, é exemplar de um fenômeno mais amplo no Brasil: a tentativa de invisibilizar os povos originários para consolidar um modelo agrário concentrador. O autor conclui que, longe de desaparecer, os indígenas se reinventaram, preservaram sua territorialidade e continuam sendo os verdadeiros donos das terras historicamente usurpadas.
Essa tese não apenas reconta a história de Extremoz, mas desmistifica séculos de silêncio. Mostra que a terra, tão disputada, guarda memória, e nela está inscrita a marca dos povos originários. Trata-se de uma obra essencial para compreender como o Rio Grande do Norte – e o Brasil – foram moldados por processos de resistência indígena que ainda ecoam no presente.
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Eliminatórias: Brasil sucumbe à altitude e é derrotado pela Bolívia
Os 4.150 metros de altitude da cidade de El Alto pesaram muito e o Brasil foi derrotado por 1 a 0 pela Bolívia, na noite desta terça-feira (9), na 18ª, e última, rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026. Com este resultado a seleção brasileira fechou a participação na competição na 5ª colocação com 28 pontos.
Diante de uma Bolívia que sonhava com a classificação para a Repescagem para a Copa de 2026 e claramente sentindo os efeitos da altitude da cidade de El Alto, a equipe comandada pelo técnico italiano Carlo Ancelotti se limitou a se fechar na defesa no primeiro tempo.
Porém, a estratégia brasileira falhou aos 46 minutos, quando o volante Bruno Guimarães cometeu falta no lateral Roberto dentro da área. Após análise do VAR (árbitro de vídeo), o juiz da partida confirmou o pênalti. Miguelito cobrou no canto e superou o goleiro Alisson para marcar o único gol da partida.
Após o intervalo Ancelotti deu novo ânimo à seleção brasileira ao promover a entrada de jogadores descansados. Porém, as mudanças não foram suficientes para evitar a vitória da Bolívia, que conseguiu confirmar a passagem para a Repescagem.
Classificação final
Com o final da 18ª rodada das Eliminatórias, a competição terminou com a seguinte classificação. A Argentina ficou na 1ª colocação com 38 pontos, o Equador aparece em 2º com 29, a Colômbia é a 3ª com 28, mesma pontuação do Uruguai (4º colocado), do Brasil (5º) e do Paraguai (6º). Todos estes confirmaram a classificação direta para a Copa de 2026. Já a Bolívia ficou na 7ª colocação com 20 pontos, seguindo para a Repescagem.



