Imagem Foto: Pedro Menezes

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A onda de calor com sensação térmica acima do esperado não é um fenômeno exclusivo da capital potiguar. No entanto, um estudo realizado em Natal mostrou que a cidade ficou 1,5 °C ao longo dos últimos 30 anos.

A pesquisa, que levantou dados de 1984 a 2013, aponta como um dos principais fatores a diminuição da área verde na cidade. A cobertura vegetal foi reduzida em cerca de 50% dentro deste período.

O doutor em climatologia e professor geógrafo do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Malco Jeiel de Oliveira, analisou a pesquisa.

“Houve um acréscimo de 0,9º, chegando até 2º, fazendo a média de 1,5º. Com o crescimento da cidade, com a horizontalidade, o crescimento da área urbana e o crescimento vertical, isso trouxe a sua consequência, que é justamente o crescimento da temperatura”, afirmou Malco.

A cidade possui muitas árvores, mas o professor aponta que elas estão concentradas em zonas de proteção, como é o caso do Parque das Dunas e o Parque da Cidade, entre outras. O que faz com que seja identificado, em Natal, as ilhas de calor – grandes trechos sem cobertura vegetal.

“Essas ilhas possuem temperaturas maiores que as outras áreas e menos densidade de vegetação. Praticamente não há em Natal ruas totalmente sombreadas, e inclusive praças públicas. Essa falta de arborização contribui para formação das ilhas de calor”, pondera.

De acordo com o professor, uma única árvore consegue reduzir em até 3º graus a área sombreada por ela, na comparação com outro trecho asfaltado, mas sem a cobertura de qualquer planta.

Segundo o setor de Meteorologia de Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn), a atual onda de calor na cidade também tem relação com o aquecimento das águas superficiais no Oceano Atlântico, próximas ao litoral, o que interfere na umidade do ar, que está acima do normal.

“Esse aquecimento do Atlântico Sul é normal nesse período do ano, porque você tem o verão no hemisfério sul, mas não nessa dimensão. Devem estar acontecendo algumas anomalias no Oceano Atlântico Sul e no Norte, que ambos estão aquecidos, para que tenhamos essas temperaturas superficiais maiores que o normal”, disse o meteorologista Gilmar Bristot.

Para o meteorologista Cláudio Moisés, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a cidade também sofre efeitos do fenômeno El Niño.

“A principal característica dele é a diminuição da intensidade dos ventos. Como nós estamos em uma região litorânea, com menos vento, você tem menor circulação de ar, o tempo fica mais abafado. Além disso, ele promove diminuição da chuva como um todo. Chove esporadicamente, em um local ou outro, mas quando você soma uma grande área, a chuva diminui, como é o caso da região Nordeste”, disse.

A estimativa é que o calor acima da média deve permanecer na cidade nos próximos meses, mesmo no período chuvoso.

O Potengi

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Calor acima da média: entenda porque Natal está tão quente



A onda de calor com sensação térmica acima do esperado não é um fenômeno exclusivo da capital potiguar. No entanto, um estudo realizado em Natal mostrou que a cidade ficou 1,5 °C ao longo dos últimos 30 anos.

A pesquisa, que levantou dados de 1984 a 2013, aponta como um dos principais fatores a diminuição da área verde na cidade. A cobertura vegetal foi reduzida em cerca de 50% dentro deste período.

O doutor em climatologia e professor geógrafo do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Malco Jeiel de Oliveira, analisou a pesquisa.

“Houve um acréscimo de 0,9º, chegando até 2º, fazendo a média de 1,5º. Com o crescimento da cidade, com a horizontalidade, o crescimento da área urbana e o crescimento vertical, isso trouxe a sua consequência, que é justamente o crescimento da temperatura”, afirmou Malco.

A cidade possui muitas árvores, mas o professor aponta que elas estão concentradas em zonas de proteção, como é o caso do Parque das Dunas e o Parque da Cidade, entre outras. O que faz com que seja identificado, em Natal, as ilhas de calor – grandes trechos sem cobertura vegetal.

“Essas ilhas possuem temperaturas maiores que as outras áreas e menos densidade de vegetação. Praticamente não há em Natal ruas totalmente sombreadas, e inclusive praças públicas. Essa falta de arborização contribui para formação das ilhas de calor”, pondera.

De acordo com o professor, uma única árvore consegue reduzir em até 3º graus a área sombreada por ela, na comparação com outro trecho asfaltado, mas sem a cobertura de qualquer planta.

Segundo o setor de Meteorologia de Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn), a atual onda de calor na cidade também tem relação com o aquecimento das águas superficiais no Oceano Atlântico, próximas ao litoral, o que interfere na umidade do ar, que está acima do normal.

“Esse aquecimento do Atlântico Sul é normal nesse período do ano, porque você tem o verão no hemisfério sul, mas não nessa dimensão. Devem estar acontecendo algumas anomalias no Oceano Atlântico Sul e no Norte, que ambos estão aquecidos, para que tenhamos essas temperaturas superficiais maiores que o normal”, disse o meteorologista Gilmar Bristot.

Para o meteorologista Cláudio Moisés, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a cidade também sofre efeitos do fenômeno El Niño.

“A principal característica dele é a diminuição da intensidade dos ventos. Como nós estamos em uma região litorânea, com menos vento, você tem menor circulação de ar, o tempo fica mais abafado. Além disso, ele promove diminuição da chuva como um todo. Chove esporadicamente, em um local ou outro, mas quando você soma uma grande área, a chuva diminui, como é o caso da região Nordeste”, disse.

A estimativa é que o calor acima da média deve permanecer na cidade nos próximos meses, mesmo no período chuvoso.


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