Rio Grande do Norte registra aumento alarmante de casos de ciguatera após morte de idosa

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Ícone de crédito Foto: Reprodução

O Rio Grande do Norte registrou um aumento expressivo nos casos de intoxicação por ciguatera em 2026. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) apontam que, somente neste ano, 20 pessoas tiveram confirmação laboratorial para a doença. O levantamento também contabiliza 27 surtos, quatro casos isolados e 131 pessoas adoecidas em episódios relacionados ao consumo de pescado contaminado.

Além das confirmações para ciguatera, outras 64 pessoas seguem sob suspeita de intoxicação. O relatório ainda registra 44 confirmações laboratoriais para intoxicação por histamina, reação alérgica associada ao consumo de peixe, todas registradas neste ano.

Os números fazem parte de uma série histórica monitorada entre 2022 e 2026 e demonstram avanço significativo das ocorrências em comparação aos anos anteriores. Em 2025, por exemplo, o Estado havia registrado 13 surtos, dois casos isolados e 88 pessoas doentes. Naquele período, 54 pacientes tiveram diagnóstico confirmado para ciguatera e outros 31 permaneceram como suspeitos.

Em 2024, os registros foram menores, com apenas um surto, um caso isolado e quatro pessoas adoecidas. Nenhuma confirmação laboratorial foi realizada naquele ano, embora quatro casos tenham sido tratados como suspeitos.

Já em 2023, a Sesap identificou cinco surtos envolvendo 16 pessoas, com 10 confirmações laboratoriais para a intoxicação e seis notificações suspeitas. Em 2022, houve um surto com 10 pessoas afetadas, todas com confirmação para a doença.

Somando os registros dos últimos cinco anos, o Rio Grande do Norte acumula 47 surtos relacionados à ciguatera, sete casos isolados e 249 pessoas doentes. No total, 96 pacientes tiveram confirmação laboratorial para a intoxicação, enquanto 103 casos ficaram sob investigação ou sem confirmação conclusiva.

Morte em Natal chamou atenção para o problema

A preocupação com a doença aumentou após a morte de uma idosa de 84 anos em Natal. Maria das Dores do Nascimento Batista, conhecida como Dona Dorinha, faleceu na última segunda-feira (25) após passar cerca de um mês internada devido a complicações provocadas pela intoxicação.

Segundo familiares, ela e a irmã passaram mal depois de consumirem peixe durante um almoço. O alimento teria sido adquirido em uma feira livre da capital potiguar. As duas apresentaram sintomas pouco tempo após a refeição e precisaram ser hospitalizadas. A irmã recebeu alta dias depois, mas Dona Dorinha permaneceu internada até o agravamento do quadro clínico.

De acordo com relatos da família, a idosa chegou a apresentar melhora e deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu às complicações. O sepultamento ocorreu na terça-feira (26), no cemitério João Mucuripe, em Alto do Rodrigues.

Entenda o que é a ciguatera

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados por ciguatoxinas, substâncias produzidas por microalgas presentes em áreas de recifes e corais. Peixes menores ingerem essas algas e acabam transmitindo a toxina para espécies maiores e carnívoras, que posteriormente podem ser consumidas pelos seres humanos.

Segundo a Sesap, as toxinas não possuem cheiro, cor ou sabor e não são eliminadas por métodos tradicionais de preparo dos alimentos. Mesmo após cozimento, congelamento, salga ou defumação, o pescado continua contaminado.

As maiores concentrações da toxina costumam estar presentes nas vísceras, cabeça e ovas dos peixes.

Os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo do alimento contaminado. Entre os sinais mais comuns estão dores abdominais, náuseas, vômitos, diarreia, coceira intensa, fraqueza muscular, dores de cabeça, visão turva, câimbras e sensação de gosto metálico na boca.

A Sesap alerta que não existe antídoto específico para a doença. O tratamento é feito apenas para aliviar os sintomas apresentados pelos pacientes, que podem permanecer por semanas ou até meses.

Como medida preventiva, a orientação é evitar o consumo de peixes de procedência desconhecida ou associados a relatos de intoxicação. Em casos suspeitos, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente e informar o consumo recente de pescado. Também é importante preservar restos do alimento para análise da Vigilância Sanitária.




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Rio Grande do Norte registra aumento alarmante de casos de ciguatera após morte de idosa







O Rio Grande do Norte registrou um aumento expressivo nos casos de intoxicação por ciguatera em 2026. Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) apontam que, somente neste ano, 20 pessoas tiveram confirmação laboratorial para a doença. O levantamento também contabiliza 27 surtos, quatro casos isolados e 131 pessoas adoecidas em episódios relacionados ao consumo de pescado contaminado.

Além das confirmações para ciguatera, outras 64 pessoas seguem sob suspeita de intoxicação. O relatório ainda registra 44 confirmações laboratoriais para intoxicação por histamina, reação alérgica associada ao consumo de peixe, todas registradas neste ano.

Os números fazem parte de uma série histórica monitorada entre 2022 e 2026 e demonstram avanço significativo das ocorrências em comparação aos anos anteriores. Em 2025, por exemplo, o Estado havia registrado 13 surtos, dois casos isolados e 88 pessoas doentes. Naquele período, 54 pacientes tiveram diagnóstico confirmado para ciguatera e outros 31 permaneceram como suspeitos.

Em 2024, os registros foram menores, com apenas um surto, um caso isolado e quatro pessoas adoecidas. Nenhuma confirmação laboratorial foi realizada naquele ano, embora quatro casos tenham sido tratados como suspeitos.

Já em 2023, a Sesap identificou cinco surtos envolvendo 16 pessoas, com 10 confirmações laboratoriais para a intoxicação e seis notificações suspeitas. Em 2022, houve um surto com 10 pessoas afetadas, todas com confirmação para a doença.

Somando os registros dos últimos cinco anos, o Rio Grande do Norte acumula 47 surtos relacionados à ciguatera, sete casos isolados e 249 pessoas doentes. No total, 96 pacientes tiveram confirmação laboratorial para a intoxicação, enquanto 103 casos ficaram sob investigação ou sem confirmação conclusiva.

Morte em Natal chamou atenção para o problema

A preocupação com a doença aumentou após a morte de uma idosa de 84 anos em Natal. Maria das Dores do Nascimento Batista, conhecida como Dona Dorinha, faleceu na última segunda-feira (25) após passar cerca de um mês internada devido a complicações provocadas pela intoxicação.

Segundo familiares, ela e a irmã passaram mal depois de consumirem peixe durante um almoço. O alimento teria sido adquirido em uma feira livre da capital potiguar. As duas apresentaram sintomas pouco tempo após a refeição e precisaram ser hospitalizadas. A irmã recebeu alta dias depois, mas Dona Dorinha permaneceu internada até o agravamento do quadro clínico.

De acordo com relatos da família, a idosa chegou a apresentar melhora e deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu às complicações. O sepultamento ocorreu na terça-feira (26), no cemitério João Mucuripe, em Alto do Rodrigues.

Entenda o que é a ciguatera

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados por ciguatoxinas, substâncias produzidas por microalgas presentes em áreas de recifes e corais. Peixes menores ingerem essas algas e acabam transmitindo a toxina para espécies maiores e carnívoras, que posteriormente podem ser consumidas pelos seres humanos.

Segundo a Sesap, as toxinas não possuem cheiro, cor ou sabor e não são eliminadas por métodos tradicionais de preparo dos alimentos. Mesmo após cozimento, congelamento, salga ou defumação, o pescado continua contaminado.

As maiores concentrações da toxina costumam estar presentes nas vísceras, cabeça e ovas dos peixes.

Os sintomas podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após o consumo do alimento contaminado. Entre os sinais mais comuns estão dores abdominais, náuseas, vômitos, diarreia, coceira intensa, fraqueza muscular, dores de cabeça, visão turva, câimbras e sensação de gosto metálico na boca.

A Sesap alerta que não existe antídoto específico para a doença. O tratamento é feito apenas para aliviar os sintomas apresentados pelos pacientes, que podem permanecer por semanas ou até meses.

Como medida preventiva, a orientação é evitar o consumo de peixes de procedência desconhecida ou associados a relatos de intoxicação. Em casos suspeitos, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente e informar o consumo recente de pescado. Também é importante preservar restos do alimento para análise da Vigilância Sanitária.