• JãoGui: do interior do RN a lugares inimagináveis

    Em meio ao som constante das colheradas de pedreiro e ao cheiro do cimento fresco, a música ecoa como fragmentos de um sonho nas ruas paradisíacas de Baía Formosa. João Guilherme, conhecido carinhosamente como JãoGui, trabalha ao lado de seu pai, como servente de pedreiro enquanto alimenta dentro de si seu maior sonho.

    As mãos calejadas pelo árduo trabalho se acostumaram a deixar a enxada para segurar o microfone. JãoGui explica: “Consigo fazer meus projetos musicais fluírem através do meu esforço”.

    Desde cedo, o sonho

    “Sempre tive uma relação muito especial com a música. Comecei a cantar aos 9 anos, na igreja. Sempre foi por amor. Acredito que estou neste mundo para tocar corações e mudar a realidade das pessoas através da minha arte”, diz.

    O que começou como louvor a Deus na igreja que sua família frequenta, levou o jovem artista a lugares que ele nunca imaginou. Recentemente, seu trabalho ganhou um destaque inesperado ao gravar com L7nnon, um dos maiores nomes do rap brasileiro. “Olhares”, lançada há cinco meses, já acumula mais de seis mil visualizações. 

    A oportunidade surgiu quando L7, que tem 11 milhões de seguidores no Instagram, viu a prévia de uma das músicas de JãoGui no story do fotógrafo Buxexa, que trabalha com o surfista Ítalo Ferreira, primeiro campeão olímpico da história da modalidade. Impressionado, L7nnon entrou em contato com JãoGui.

    “Passou-se um tempo, o mano entrou em contato comigo me chamando pra participar de trampo. Existem coisas que só Deus pode explicar, muito fora da minha realidade tudo isso, só vivendo mesmo pra ter noção do quão surreal é essa parada”.

    Em janeiro deste ano, o jovem dividiu o palco com o cantor carioca TokioDk – um dos momentos mais felizes de sua vida. “Foi a realização de um sonho”, ele diz, seus olhos brilhando com a lembrança.

    Mesmo diante do cotidiano desafiador, diz seguir firme e se motivar por um objetivo bem concreto:

    “Minha maior meta é a casa da mainha e ver minha família bem”.

    O jovem cheio de talentos não sabe o que esperar do futuro, o deixa nas mãos de Deus. “Só peço a Ele saúde e sabedoria para continuar na luta. Não costumo pensar muito no futuro. Deixo nas mãos do Eterno, que ele sabe o que faz.”

    Formosa Trap

    Com seis músicas lançadas, JãoGui deu mais um passo na sua jornada musical. Além de mais uma música por ser lançada, o jovem organizou em parceria com alguns amigos o primeiro Formosa Trap, que aconteceu nesse último sábado (25).

    O evento surgiu com o objetivo de dar mais visibilidade aos garotos que já deram seus primeiros passos no mundo da música e aos que ainda sonham em começar. A entrada custava 1 kg de alimento para ajudar famílias carentes.

    O primeiro Formosa Trap lotou a praça da cidade, e JãoGui fala com alegria sobre o sucesso do evento: “Foi mais um sonho realizado fazer isso. Além da diversão, conseguimos  arrecadar alimentos para ajudar nossa comunidade”.


  • Falta de repasse e atraso salarial: funcionários da JMT protestam

    Na manhã desta segunda-feira 27, trabalhadores terceirizados da JMT que prestam serviços para os hospitais públicos de Natal se reuniram em um protesto em frente à Secretaria Municipal de Saúde de Natal, em decorrência da falta de repasse e atraso no pagamento dos salários. Além disso, o vale alimentação e vale transporte também estão pendentes.

    O atraso salarial já se estende por quase dois meses segundo relatos dos manifestantes, que ressaltam que têm buscado diálogo com a direção da empresa, porém, até o momento, não obtiveram uma solução satisfatória para o problema.

    O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN) expressou nas redes sociais sua indignação com a situação, classificando as ações da Prefeitura de Natal e da empresa JMT como desumanas e cruéis. O sindicato reforçou que muitos desses profissionais estão enfrentando dificuldades extremas, incluindo falta de dinheiro para pagar contas e aluguéis, além de passarem por situações de humilhação diariamente.

    Segundo informações levantadas pelo sindicato, a Prefeitura afirma ter repassado os valores devidos à empresa, enquanto a JMT alega não ter recebido os pagamentos. O Sindsaúde/RN destacou que essa disputa de responsabilidades tem deixado os trabalhadores em uma situação de incerteza, sem garantias de quando receberão seus salários.

    A JMT, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre o protesto ou sobre as reivindicações dos trabalhadores.


  • Dácio Filho destaca a força da oposição em Areia Branca

    Vereador da bancada de oposição na Câmara Municipal de Areia Branca, Dácio Filho (UB), faz um balanço de seu mandato nesses 3 anos e 4 meses, “vejo meu trabalho como positivo. Fui autor do Projeto de Lei que criou as emendas impositivas, no final de 2022. Apresentamos diversos requerimentos e indicações, principalmente para à zona rural de Areia Branca, apesar de que poucos foram atendidos pelo Poder Executivo.”

    Filiado ao União Brasil (UB) desde março último, o edil acredita em sua reeleição, e a expectativa é que o UB, que deve sair com 12 candidatos à vereança, consiga eleger entre 3 à 4 vereadores.

    Quanto ao cenário da majoritária na cidade da Costa Branca, Dácio avalia que o pré-candidato da oposição, ex-prefeito e ex-deputado Souza Neto (UB), condenado por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, conseguirá reverter nas instâncias superiores o impedimento a sua postulação.

    O parlamentar salienta que mesmo que Souza não seja o candidato pelo oposicionismo, “a oposição tem nomes fortes para ganhar a eleição.”

    Na disputa proporcional, o edil aposta que a bancada de oposição, que tem 4 vereadores, aumente sua representação para 5 ou 6 parlamentares.


  • Giro na política: a dureza que é analisar política numa crise como a do RN atual

    Quando eclodem graves crises sociais – como certamente é esta em que vivemos hoje em nosso amado RN – os trabalho de veículos como este jornal – que também se dedicam à análise política – fica, digamos, perigoso.

    Não se trata exatamente do medo de sofrer ataques ou violência física. Esse risco, infelizmente, recai sobre os repórteres na linha de frente, aqueles que nos trazem as informações em primeira mão. Quem as comenta está menos inseguro.

    Risco enorme também correm as pessoas que, não sendo da imprensa, ousam questionar o que acontece. Estão à mercê da retaliação bárbara dos intolerantes, cada vez mais banal.

    O risco que nos cabe, aos analistas políticos, é bem menos terrificante. Mas exige também alguma atenção. Falo da patrulha que se forma nessas horas. Não preciso resgatar o diagnóstico de um país polarizado e radicalizado politicamente. Basta ter esse cenário em mente e acrescentar uma crise social que é claramente de contornos também políticos.

    Temos dois grandes agrupamentos hoje na análise dos eventos que envolvem o RN. Um busca cobrar caro à governadora Fátima Bezerra por algo que não é de sua inteira responsabilidade. Há aí uma grande desproporção no trato. O outro, segue o caminho não oposto (pois ainda se achou outro a quem pôr a culpa), mas divergente. Trata-se de de por tudo culpar gestões anteriores ou conchavos inimigos que parecem nunca sair de moda.

    Nessas horas, fica difícil fazer qualquer análise objetiva, pois tal leitura teria elementos de ambos os polos. Está claro que a maioria está mais preocupada em denunciar aquilo de que diverge do que em prestar atenção naquilo que pode convergir.

    Sim, caro leitor, estou dizendo que a culpa também é sua.

    É natural que a mídia governista passe pano e a oposicionista bata forte. Talvez seja até saudável. Mas a inexistência de uma análise objetiva e crítica nos dois sentidos, esta é de responsabilidade do público. Se houvesse quem lesse tais análises, certamente haveria uma corrida entre os profissionais para ocupar o novo nicho de mercado.

    Sim, acredito na lei da demanda.


  • É uma boa o PL de Mossoró ter candidatura própria ?

    Pré-candidatos da nominata do Partido Liberal (PL) mossoroense defendem que a legenda tenha uma candidatura própria, a do ex-vereador Genivan Vale (PL). A lógica é que um palanque majoritário dará visibilidade e competitividade a coligação de vereadores da agremiação.

    Contudo, não há uma consistência sólida na defesa que pré-candidatos à vereança estão a fazer.

    Vejamos um histórico recente em Mossoró.

    No pleito passado, a ex-vereadora e ex-prefeita Cláudia Regina (à época no Dem, hoje no PP), lançou candidatura à prefeitura. Sua postulação não decolou, o que acabou prejudicando a nominata do DEM (hoje União Brasil), que não reelegeu seus vereadores, Ozaniel Mesquita (hoje no União) e Petras Vinícius (hoje no PSD).

    Ozaniel está com mandato, mas por conta da cassação da chapa de vereadores do Partido Social Cristão (hoje Podemos), que levou Mesquita de volta à Câmara em maio do ano passado.

    Cláudia na pré-campanha tinha índices de votos bem maiores que os de Genivan, que não chega a sequer 5% da preferência eleitoral.

    A defesa que o bolsonarismo se reuniria em torno de Vale, não tem conseguido sustento. O bolsonarismo, muito ativo e coeso nas redes sociais, já sabe que o ex-vereador é o pré-candidato da direita, e não vem apoiando em intenções de votos a pré-candidatura de Vale.

    O risco que o PL corre é ter uma postulação de Genivan esvaziada, respingando na nominata de vereadores, haja vista que uma parcela significativa do bolsonarismo tem simpatia pelo prefeito Allyson Bezerra (UB).

    Num momento que a esquerda e o rosalbismo estão sinalizando benquerença com o nome do presidente da Câmara Municipal, Lawrence Amorim (PSDB), o PL pode se ver isolado na luta à prefeitura.

    Na eleição de 2020, Rosalba Ciarlini (PP), disputando reeleição, apoiadora de Bolsonaro em 2018, exibiu o arrimo do deputado federal General Girão (PL) ao seu nome, e não conseguiu atrair o apoio do bolsonarismo ao seu projeto.

    Não há uma causa e efeito na pré-candidatura de Genivan. O fato dele defender a bandeira bolsonarista não o torna herdeiro direto dos votos bolsonaristas. Inclusive, as recentes pesquisas sobre a corrida ao executivo, demonstram que a polarização Lula x Bolsonaro não tem encontrado terreno em Mossoró.

    Outro entrave ao nome de Vale é que a principal base popular de Jair Bolsonaro (PL), os evangélicos, são umbilicalmente ligados a Allyson, que é evangélico.

    O evangelicalismo foi um pilar importante para a vitória do prefeito em 2020, e o segmento religioso tem várias pré-candidaturas à vereança apoiadas pelo Palácio da Resistência, sede da municipalidade, o que é um empecilho às possibilidades do PL catar votos entre o segmento, que em Mossoró não é bolsonarista em uníssono.

    Lula (PT) teve forte apoio dos evangélicos em 2022, vencendo nas urnas de Mossoró com quase dois terços dos votos.

    Lawrence vai avançando na costura duma pré-candidatura que tem chances de polarizar a eleição com Allyson. Se não pensar com inteligência, o PL pode se ver em apuros ao longo da campanha.

    Até aqui, faltando apenas 5 meses para o pleito, não há um bom cenário para uma empreitada à prefeitura de Genivan, que se tem pouco apelo popular em sua própria base, avalie fora dela.


  • Praias particulares? CCJ do Senado discute hoje proposta que pode “privatizar” áreas costeiras

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado fará uma audiência pública nesta segunda-feira, 27, para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode “privatizar” (conceder à iniciativa privada) áreas de praia que hoje pertencem à União.

    O texto diz respeito aos chamados  “terrenos de marinha” — áreas da costa marítima com 33 metros contados a partir do mar em direção ao continente.  Se a PEC passar para a fase de votação no plenário e for aprovada, essas áreas serão transferidas a estados e municípios de forma gratuita ou a ocupantes privados mediante pagamento.

    Entenda como funciona

    Os imóveis construídos nesses terrenos são legais e seus moradores possuem escritura, no entanto, eles são obrigados a pagar anualmente à União uma taxa de aforamento sobre o valor do terreno. Isso quer dizer que a posse do imóvel é compartilhada entre a União e um proprietário privado, podendo este ser uma pessoa física ou jurídica.

    Do modo como está a lei hoje, essas praias que também estão sob posse da marinha não podem ser fechadas para entes privados, ou seja, qualquer cidadão pode alcançar o mar.

    Com a extinção do terreno de marinha, o proprietário se tornaria o único dono do terreno. Dessa forma, seria possível a ele fechar essa passagem — por isso a ideia de “praia particular”.

    Cobrança de impostos

    Os moradores que ocupam essas áreas estão sujeitos ao chamado regime de aforamento. Eles são obrigados a pagar anualmente à União uma taxa sobre o valor do terreno. A propriedade do imóvel é compartilhada na proporção de 83% do valor do terreno para o cidadão e 17% para a União. Por causa dessa divisão, ocupantes destes imóveis pagam, atualmente, duas taxas para a União: o foro e o laudêmio.

    O que dizem especialistas

    Ambientalistas afirmam que o texto dá margem para a criação de praias privadas, além de promover riscos para a biodiversidade. Técnicos do governo também afirmam reservadamente que a PEC pode permitir privatização de praias.

    Uma nota do Grupo de Trabalho para Uso e Conservação Marinha, da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, afirma ainda que a proposta representa uma “grave ameaça ambiental às praias, ilhas, margens de rios, lagoas e mangues brasileiros e um aval para a indústria imobiliária degradar, além de expulsar comunidades tradicionais de seus territórios”.

    A audiência pública foi proposta pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), que aponta que a matéria pode impactar o Balanço Geral da União (BGU) e as receitas correntes. Se aprovada pelo Senado, a União não poderá mais cobrar taxa de ocupação dessas áreas ou laudêmio quando ocorrer a transferência de domínio.

    O relator da matéria é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já se posicionou favorável ao texto. Em seu parecer, ele aponta que a União até hoje não demarcou a totalidade dos terrenos de marinha e, ainda, que muitas casas são registradas em cartório mas foram objeto de demarcação pela União, “surpreendendo os proprietários”.

    “Não nos parece justo que o cidadão diligente, de boa-fé, que adquiriu imóvel devidamente registrado e, por vezes, localizado a algumas ruas de distância do mar, perca sua propriedade após vários anos em razão de um processo lento de demarcação. O fato é que o instituto terreno de marinha, da forma que atualmente é disciplinado pelo nosso ordenamento, causa inúmeras inseguranças jurídicas quanto à propriedade de edificações”, defendeu.

    A última vez que a matéria foi discutida pela CCJ foi em agosto do ano passado. Na ocasião, o senador afirmou que “o último levantamento da Secretaria de Patrimônio da União estima que são 521 mil propriedades que são cadastradas em terrenos de marinha, fora aquelas que não são cadastradas”.

    “Estima-se um impacto de 10 milhões de brasileiros que hoje não têm segurança jurídica sobre a sua propriedade”, disse.

    O senador Rogério Carvalho, por sua vez, afirmou que o tema era de grande importância e que é necessário um estudo maior sobre o impacto no patrimônio da União, o impacto ambiental, como se dará o acesso ao litoral se essas áreas deixarem de ser da União, e como vão ficar as comunidades de pescadores.

    Flávio questionou o pedido de audiência pública, que acabou atendido, dizendo que se tratava de “uma tentativa de protelar” a matéria.

    “Pelo perfil das pessoas que estão convidadas para essa audiência pública, é a parte burocrática do Estado, que obviamente vai colocar-se contra, com a preocupação de ter uma queda de arrecadação. Essa é a maior reforma agrária que a gente pode ter na história do Brasil, para dar segurança jurídica a uma realidade que já existe em diversas cidades”, disse.

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    A proposta foi aprovada na Câmara em fevereiro de 2022. Na ocasião, integrantes do governo Bolsonaro se manifestaram contra a PEC. O impacto da PEC, tanto no bolso dos proprietários como nas contas do governo, é bilionário, e obrigaria os proprietários a pagarem, em até dois anos, 17% dos valores de seus bens.


  • Inscrições para o Enem começam hoje; veja o calendário

    Começa nesta segunda-feira 27 e vai até 7 de junho o período de inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. No Rio Grande do Sul, devido à calamidade pública no estado, haverá um calendário estendido, que ainda será divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

    As provas serão aplicadas nos dias 3 e 10 de novembro. Para se inscrever, os estudantes devem acessar a Página do Participante e utilizar o cadastro na conta gov.br.

    Os resultados dos recursos sobre a isenção da taxa de inscrição foram divulgados na última sexta-feira 24, assim como dos recursos que tratam das justificativas de ausência no Enem 2023, para candidatos que estavam isentos da taxa e faltaram às provas.

    A taxa de inscrição custa R$ 85 e poderá ser paga até o dia 12 de junho. Os moradores do Rio Grande do Sul também terão isenção desse valor.

    Criado em 1998, o Enem avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica e também é a principal porta de entrada para a educação superior no país. Os resultados da avaliação podem ser usados para acesso ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e ao Programa Universidade para Todos (ProUni). Também são aceitos em instituições privadas e de outros países de língua portuguesa que tenham acordo com o Brasil.

    Os estudantes que não concluíram o ensino médio também podem participar na condição de treineiros, para autoavaliação nos anos anteriores ao término da educação básica.


  • Ponta Negra tem 16 vezes mais coliformes fecais que o aceitável; veja outras praias do RN

    Um dos principais cartões postais de Natal, a praia de Ponta Negra, tem 16 vezes mais coliformes fecais na água que o limite aceitável pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o que torna os trechos analisados impróprios para o banho neste fim de semana.

    Os dados são do boletim de balneabilidade das praias da região metropolitana de Natal, divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema).

    Em dois trechos da praia da Zona Sul da capital, o valor obtido na última amostragem foi de 16 mil coliformes fecais por 100 ml de água, quando o limite é de mil coliformes fecais por 100 ml, segundo o coordenador do programa Água Azul, o geólogo Ronaldo Diniz.

    O levantamento tem como base os limites estabelecidos pelo pela Resolução N° 274 do Conama.

    “Para classificar a praia como imprópria, a gente usa os resultados de cinco semanas. Se dois ou mais desses cinco resultados possuírem mais de mil coliformes fecais por 100 ml de água, essa praia está imprópria. E se na análise mais recente tiver mais de 2.500 coliformes fecais, com apenas esse resultado ela já é classificada como imprópria. Ou seja, a praia está 16 vezes acima do limite de mil e seis vezes acima do limite de 2,5 mil”, explica Ronaldo, que coordena o estudo de balneabilidade há 23 anos.

    No trecho da Praia de Areia Preta, na Zona Leste da cidade, perto da escadaria de Mãe Luiza, o levantamento semanal encontrou uma contaminação ainda maior: 24.000 coliformes termotolerantes nas amostras de até 100 ml de água – ou seja – um valor 24 vezes maior que o limite de 1 mil coliformes por 100 ml.

    Ainda de acordo com Ronaldo, a presença elevada de coliformes fecais em praias da capital e da região metropolitana são causados por diferentes fatores. Porém, no caso de Ponta Negra, ele explica que a suspeita é de instalações irregulares de esgoto em galerias pluviais (que deveriam receber apenas água da chuva), bem como o contrário – ligações de águas da chuva no sistema de esgoto.

    “No caso de Ponta Negra, o que nós vemos são um conjunto de ligações clandestinas de águas contaminadas nas galerias pluviais, nas instalações que deveriam conter apenas água da chuva, mas acabam recebendo esgotos não tratados, principalmente doméstico. E às vezes nós temos ligações clandestinas de água de chuva nas ligações de esgoto. A área de Ponta Negra é saneada, então essas instalações não suportam, no período que chove mais, e elas chegam a extravasar pelas tampas vistas ao longo do calçadão. Essa rede fica sobrecarregada e joga tudo diretamente na praia. Essa é a causa mais provável de ter ocorrido em Ponta Negra nesta semana”, afirmou.

    Em Areia Preta, o professor acredita que o problema também é causado por ligações clandestinas. “Essa água da chuva chega com grande quantidade de esgotos não tratados”, pontuou.

    Dos 33 pontos de praias e rios da Grande Natal, analisados pelos pesquisadores nesta semana, sete estavam impróprios: seis deles em Natal e um em Nísia Floresta, na região metropolitana. Três dos pontos impróprios na capital foram na praia de Ponta Negra. Veja abaixo:

    Trechos e quantidade de coliformes por 100 ml de água na última análise

    • Nísia Floresta/Foz do Rio Pirangi – 1.340 na última análise
    • Natal/Ponta Negra/acesso principal – 16.000 na última análise
    • Natal/Ponta Negra/Rua C.G. Teixeira – Escadaria – 16.000 na última análise
    • Natal/Ponta Negra/Rua R. S. Medeiros – 9.200 na última análise
    • Natal/Via Costeira (Barreira D’Água) – 2.800 na última análise
    • Natal/Areia Preta (Escadaria de Mãe Luiza) – 24.000 na última análise
    • Natal/Redinha (Rio Potengi) – 3.500 na última análise

    Nenhum dos pontos analisados nos municípios de Parnamirim e Extremoz, também na região metropolitana, foram considerados impróprios no boletim.


  • Central de fake news no RN: operação DesFarsa tem nova busca e apreensão

    O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), com o apoio do Gaeco do MPBA cumpriu nesta segunda-feira 27, um mandado de busca e apreensão na cidade de Lauro de Freitas, na Bahia. A ação é uma continuidade da Operação DesFarsa, que investiga a existência de uma Central de Fake News que opera com a intenção de criar, disseminar ou promover notícias falsas sobre autoridades do Estado do RN, com fins políticos e manipulação da opinião pública.

    A Operação foi deflagrada na quinta-feira 23, quando foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Natal, Parnamirim e Lagoa Salgada (RN), além de Garuva, em Santa Catarina.

    As investigações do MPRN revelaram um esquema voltado à contratação dos serviços de postagens em perfis em redes sociais voltadas a beneficiar interesses políticos. As postagens de conteúdos falsos eram feitas em pelo menos seis perfis de redes sociais, uma delas contando atualmente com mais de 20 mil seguidores, que se diziam oferecer conteúdo político sobre cidades do interior do Rio Grande do Norte.

    As informações são criadas conforme o interesse dos clientes para influenciar e formar a opinião pública, bem como propósito de coagir servidores públicos em suas atribuições funcionais e enfraquecer o prestígio de instituições públicas.

    As condutas analisadas se amoldam aos crimes de calúnia, difamação, ameaça contra servidor público e coação no curso do processo, além da prática dos delitos de associação criminosa do tipo milícia digital, com vistas à manipulação da opinião pública.


  • Gustavo Negreiros não tá nem aí

    por Girotto

    Antipetista, radical, conservador, polêmico, provocador. Estas são algumas das palavras frequentemente usadas para se referir ao jornalista Gustavo Negreiros, autor do badalado blog que leva seu nome. Há também muitos que usam palavras menos lisonjeiras ao se referirem ao paladino do conservadorismo potiguar.

    Negreiros chegou para nossa entrevista na exata hora que havíamos combinado, em uma doceria na qual logo demonstrou se sentir bastante à vontade.

    Sentar-se ao lado dele em local público, ao menos nesta nossa capital, é uma experiência curiosa. As pessoas que até lhe ignoravam passam a franzir o cenho e mesmo a se inclinar um pouquinho para tentar ouvir o que falamos. Quer gostem ou não de nosso personagem da semana, não há natalense atento que nunca tenha dado uma espiada no blog do Gustavo Negreiros. Qual será o próximo chafurdo, talvez se perguntem enquanto fingem, com certa inépcia, não prestar atenção.

    Era 31 de dezembro de 2018. Último dia do único mandato de Robinson Faria como governador do estado. “Tiro 10 dias de folga e depois procuro um emprego”, pensou Gustavo Negreiros, que encerrava ali sua história como servidor público. “Bato na porta da assembleia, da câmara, sei lá, até da prefeitura”, concluiu.

    Alguns dias depois, comentou com um amigo sobre a decisão. “Deixa de besteira, que o blog lhe sustenta”, disse o outro. “Eu lhe arrumo o dinheiro pra você segurar os três primeiros meses”, disse ainda, para provar que falava sério.

    Mas – embora generosa – a oferta não aceita por Negreiros. “No fim de janeiro eu já havia fechado várias parcerias e o blog estava viabilizado. Esse pessoal está comigo até hoje”, diz.

    Enquanto fala, nosso personagem reveza entre olhar para o interlocutor e para o celular. Arrasta dedo sobre a tela, solta o dedo, dá uns cliques e faz uns tantos movimentos rotineiros. “Estou sempre trabalhando”, explica.

    Antes de passar a viver do blog, em janeiro de 2019, Negreiros já atuava na imprensa e já mantinha o canal que seria doravante sua profissão principal.

    Hoje Gustavo Negreiros divide seus dias entre o blog e o programa do qual participa, na 96 FM. “É o segundo programa de maior audiência do rádio no estado”, conta.

    Os números de seu blog talvez sejam até mais impressionantes. Ele me passa seu celular para que eu dê uma olhada nas estatísticas de tráfego do Instagram do blog do Gustavo Negreiros. 38,7 milhões de impressões nos últimos 90 dias. Mais de 3,1 milhões de contas alcançadas – pouca coisa a menos que a população do RN.

    “Com as críticas ao PT, ganhei um público fora do estado. O pessoal lê o blog porque quer opinião, então não faz diferença se estou em Natal ou Brasília”, diz.

    No site do blog, os acessos frequentam mensalmente a casa dos 3 milhões.

    Na 96 FM: “Um canhão”, diz Negreiros. (Reprodução)

    “Amanheci louco, pode escrever aí, fui lá e fiz a merda.” Ele fala de 2012, quando votou num candidato do PT para a prefeitura de Natal, Fernando Mineiro.

    Negreiros é conhecido por sua oposição feroz ao petismo, muitas vezes polêmica. “Não sou bolsonarista, de direita, nada disso. Sou conservador sim. Mas não sou fanático por Bolsonaro. Sou conservador? Aí sou mesmo”, explica, e logo admite que é mesmo antipetista. “A esquerda é antidemocrática. É a natureza deles. Querem regular tudo. Tudo o que se faz ou pensa eles querem controlar.”

    Quanto à Bolsonaro, reconhece que sua maior virtude foi derrotar o PT e completa: “O grande erro de Bolsonaro foi não ter reconhecido a vitória de Lula logo no dia da eleição. Que teve muita manipulação, teve. Mas esse discursozinho de que as urnas são violáveis, isso é bobagem. Perdeu, pronto, perdeu”. Pergunto se foi o único erro do ex-presidente. Ele ri e gesticula, indicando que foram muitos. “Olha outro. Bolsonaro errou ao confrontar a grande imprensa com cortes de verba. Na vida da gente, temos que reagir quando querem acabar com a gente. Por isso acho que a Globo faz a parte dela [ao defender o lulismo e combater o bolsonarismo].”

    Mais que ácido, muitas vezes no limite da inconsequência, Negreiros coleciona detratores e processos. “Já passam de 70 [processos]”, diz. O primeiro cancelamento, relembra, ocorreu comentou que o carnaval de Caicó seria para os excluídos. “Foi um fato social que quis relatar”, diz. Provando que após décadas de democracia no Brasil restou pouco sobre o que legislar, a Câmara de Vereadores de Caicó – por unanimidade – tornou o jornalista persona non grata.

    “Errei. Pronto. Fui infeliz. Mas usaram politicamente. Não foi apenas pelo que disse, foi também pra me atingir, pra calar minha boca.” Ele fala da repercussão de suas declarações sobre a ativista ambiental Greta Thunberg, em 2019. “Perdi dois programas e dois patrocinadores. Ah, vai se suicidar, disseram. Mas tirei aquele dia para me lamentar e na manhã seguinte, às seis, já tava feito um louco lutando, me defendendo. E por isso devo ser grato à direita e aos bolsonaristas. Foram eles que me defenderam e me ajudaram a voltar. Falei besteira e pedi desculpas. Pronto.”

    O episódio foi o momento baixo da carreira de Gustavo Negreiros. Passados cinco anos, ele ainda lida com as consequências das palavras impensadas, mas parece estar bem com isso, em seu íntimo.

    “240 urubus”, diz. Fala dos jornalistas que promoveram intensa campanha contra ele no caso Greta. “Todos eles juntos não têm metade da minha audiência.”

    Esta parece ser a barricada de Gustavo Negreiros. Com uma ampla cartela de clientes, ele resume sua liberdade e autonomia em uma frase: “Eu dou audiência”.

    “Sou lido pelos que ganham mais, esse é meu público. A pessoa é de direita, tem certo padrão de vida”, diz. Mas haveria tantas pessoas bem de vida no estado que lhe rendessem o público que possui? “Tem muita gente, mas realmente não tantos assim.”

    Neste mês de junho, Negreiros lançará seu 2º livro de contos. Os contos que escreve se tornaram febre no estado ao revelar o cotidiano de ambientes públicos. Uma de suas séries mais celebradas é a que trata do Villa Brasil, um conjunto habitacional ao qual o autor conferiu a alcunha de Faixa de Gaza.

    “Villa Imperial, com dois L”, explica. “Um pobre não pode comprar casa ali. Mas ainda assim a diferença social entre a Villa e o Porto Brasil é abissal. É só isso que exploro, é uma diferença que é sentida por eles. E os sentimentos que envolvem as pessoas de lá. Falo do que é do meu meio, não vou falar de favela, não conheço o bastante e nem devo ter leitores lá.”

    Os apelidos são outra das marcas distintivas do estilo de Negreiros. Enquanto “bola de rir”, o cronista potiguar escreve suas análises da atuação de políticos potiguares. General Girão vira Sargento Pincel; Natália Bonavides, Patricinha Bolivariana; o vereador Daniel Valença, é O Oleoso; Isolda, a Estridente. O catálogo é extenso e eventualmente precisa ser atualizado.

    “Eu chamava aquela nulidade de O Derrotadíssimo Mineiro. Mas os fatos são os fatos. Como ele foi eleito em 2022, parei de usar. Aí ele agiu daquela forma no aeroporto e naturalmente surgiu um substituto: o Violento Mineiro.”

    Negreiros confessa sentir saudades de alguns de seus personagens. “Eu gostava muito do Risonho e Elegante Antenor Roberto. Era um personagem divertido. Mas agora ele voltou à irrelevância de sempre, e eu não tenho porque escrever sobre esse personagem tão caricato”, diz.

    Mais conhecido por seu antipetismo visceral, Negreiros tem revelado também um lado que os petistas – lá no íntimo e em silêncio – devem apreciar: o de crítico social.

    Aproxima-se a hora do programa do qual Negreiros compõe a bancada, de segunda a sexta, na 96 FM. Avanço para um tema de especial interesse. Negreiros se consideraria um reformador social? Sobretudo seus contos trazem uma visão ácida e crítica dos costumes e valores da sociedade potiguar. Mas ele logo descarta a ideia.

    “Não quero convencer ninguém”, diz. “Escrevo bolando de rir. Pensando na reação do cara quando estiver lendo aquilo. Não vou mudar o mundo com meus valores. Não tenho paixões culturais. Família? Estou no terceiro casamento. Lá vou defender essas coisas? Me interesso mais pela economia.”

    “É isso que quero dizer quando falo que um professor de história é mais perigoso para um jovem do que um traficante. Todos esses valores impostos com ar professoral, como verdades absolutas. Não quero nenhuma atividade política. Só quero opinar. Já disse, escrevo bolando de rir”, conclui.

    “Detesto cultura alternativa, essa coisa de rústico. Me sinto deslocado”, conta, quando a conversa já vai se encerrando. Gustavo explica que prefere segmentar a vida para ficar perto de quem pensa parecido com ele. “Frequento lugares assim, onde as pessoas são parecidas comigo, pensam parecido comigo.” Pergunto se isso não limita suas experiências e perspectivas. Ele nega.

    “Detesto cultura alternativa, essa coisa de rústico. Me sinto deslocado. Não tenho o que fazer nesses ambientes nem gosto das pessoas que estão lá. Prefiro aproveitar meu tempo onde me sinto bem.”

    “Dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz.”

    A frase acima é atribuída ao poeta russo Vladimir Maiakovski. Não perguntei se Gustavo lê Maiakovski, sequer julguei necessário.

    Gustavo acorda às 4h da manhã e já começa a devorar tudo o que é publicado. Garante que lê todas as milhares de mensagens que recebe diariamente e ainda acompanha todos os canais de notícias. Logo cedo, vai à academia, necessidade de um diabético que quer se manter na linha.

    Casado, fala com satisfação e indisfarçado orgulho da esposa e dos filhos. “Tenho uma vida muito feliz. Nunca sonhei em viver como vivo”, conta.

    Do nada, Gustavo se levantou e avisou que tinha que sair, o programa na 96 FM começaria em breve. Ainda lhe perguntei se gostaria de conferir a transcrição de suas declarações antes que as publicasse. Já na porta, o sujeito sorridente deu com as mãos, em negativa. Antes de sumir ainda disse “tô nem aí”.





Jesus de Ritinha de Miúdo