Jesus de Ritinha de Miúdo
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Com Jacó vice, Carlos Eduardo revela que espera encarar Paulinho Freire no 2º turno
A semana foi de definições nas alianças que disputarão a eleição pela prefeitura de Natal no próximo dia 6 de outubro; Paulinho Freire (União) já havia definido Joanna Guerra (REP) como vice; Natália Bonavides (PT) confirmou ao seu lado Milklei Leite (PV); Rafael Motta (Avante) anunciou o correligionário José Odon Abdin; por fim, Carlos Eduardo se decidiu por Jacó Jácome como vice, ambos são do PSD
O último capítulo da novela dos vices que marcou a pré-campanha à prefeitura de Natal foi protagonizado por Carlos Eduardo. Liderando as pesquisas, Carlos flertou abertamente com o prefeito Álvaro Dias, em busca de uma aliança que poderia sacramentar o desfecho da eleição já no 1º turno. Ocorreu que Álvaro preferiu o matrimônio com Paulinho Freire, indicando Joanna Guerra para sua vice.
Depois, houve um noivado com Kelps Lima (SDD). Mas a este cansou de esperar pelo anel e partiu em busca de novos pares, pra não ficar para titia.
Rafael Motta até do comando do PSB potiguar desistiu, buscando a unidade de seu campo em uma candidatura alternativa à de Natália, que julga ter limites impeditivos.
Mas a escolha foi por Jacó Jácome, também do PSD. Com a escolha, Carlos fez uma aposta clara naquilo que espera enfrentar no 2º turno.
Álvaro traria a Carlos aqueles 10% a 15% que a máquina do Executivo tem em todas as eleições. Já Kelps somaria com a experiência e a capacidade de articulação que faltam ao grupo reduzido do 4 vezes ex-prefeito. E Rafael reforçaria Carlos na disputa pelos votos da centro-esquerda e da juventude.
Jacó Jácome é outra coisa. Evangélico da Assembleia de Deus, teve no pastor-presidente da igreja seu principal articulador para a vice. Chega com a promessa de reforçar as hostes carlistas junto ao eleitorado conservador. E por que Carlos optou por se reforçar justamente nesse segmento? Paulinho Freire.
O candidato do União Brasil, Paulinho Freire, conseguiu unir a centro-direita natalense em torno de seu projeto. Conta com fortes legendas em sua coligação, como Republicanos, PL, PSDB, PP, Podemos e Solidariedade. Terá o apoio fundamental de grande parte do segmento evangélico e muito, mas muito mais tempo de televisão. Sem contar com a força de Álvaro Dias, que mostrou na campanha de Rogério Marinho ao Senado que ainda tem o que jogar.
Do outro, como possível oponente no 2º turno, está Natália, cuja candidatura resiste a se firmar. Contando com a repetição local da polarização nacional que opõe lulistas e bolsonaristas, o PT pode acabar novamente sendo tragado pela força de Carlos junto ao eleitorado progressista da capital. Some-se a isto os 72% de desaprovação conferidos ao governo de Fátima Bezerra na última pesquisa Ranking / O Potengi para Natal. Aí teremos um cenário que parece confirmar as expectativas de Carlos Eduardo de enfrentar Paulinho Freire no 2º turno.
O desafio de Carlos, por paradoxal que pareça, será chegar ao 2º turno. Consolidado nas bases da centro-direita, Paulinho tem sua vaga bem encaminhada. E se Natália decolar, poderá abrir uma sangria nos votos de esquerda que hoje vão em grande número para o ex-prefeito.
Com a intensificação da campanha e reconhecimento pelos eleitores de que Carlos e Álvaro estão em palanques diferentes, será natural a migração de parte de seus votos. A última pesquisa que considerou “Candidato de Álvaro Dias” como opção também registrou que ⅔ dos que declararam votar no candidato do prefeito também declararam votar em Carlos. Isso totalizaria 10% das intenções de voto totais, que respondem por mais de 1⁄4 do desempenho atual de Carlos nas pesquisas.
É de se esperar que uma parcela destes 10% dos eleitores que identificam Carlos como o candidato de Álvaro reconsidere sua decisão com o início da campanha oficial. Do outro lado do espectro ideológico, segue a incerteza sobre o comportamento do eleitor de esquerda. Ele irá com Carlos, como já foi em outras três ocasiões, inclusive quando derrotou Luiz Almir tendo Micarla como vice? Ou ele será cativado pela campanha de Natália, que ainda aguardamos para saber o que será?
De certo, só uma coisa: Carlos Eduardo optou por uma chapa puro sangue com um ex-deputado da igreja evangélica porque acredita que estará no 2º turno e aposta suas fichas que, no dia 27 de outubro, enfrentará nas urnas o candidato da direita, Paulinho Freire.
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“Começa hoje a virada que vai mudar a história de Extremoz pra melhor”, diz Capitão Vinícius
Enquanto cresce a rejeição da população ao acordão pela reeleição da prefeita Jussara Sales, o Capitão Vinícius cresce nas pesquisas e já alcança sua oponente em números
“Nestes dez anos em que como servidor da cidade de Extremoz, Deus me abençoou com valiosos ensinamentos. Hoje entendo melhor o sentimento das pessoas da cidade, conheço suas realidades e tive a honra que conhecer a vida de muitas delas”, diz Capitão Vinícius, que lança neste sábado (3) sua candidatura à prefeitura de Extremoz.
Capitão Vinícius é como é conhecido o ex-chefe do policiamento de Extremoz, Vinícius Oliveira. O Capitão comandou por 6 anos, de 2015 a 2021, o policiamento da cidade. Neste período, ganhou notoriedade entre a população e conviveu com as demandas sociais. “Foi natural que o povo enxergasse em nós uma possibilidade de promover as transformações que nossa cidade precisa”, diz.
“Neste ano tive a oportunidade de ouvir muito e conversar muitos em nossa cidade. Senti o carinho e o estímulo que eles me deram. Estou, com a benção de Deus, revigorado e pronto para esse desafio”, diz Vinícius, que prevê uma campanha difícil pela frente. “Não será fácil, é claro que eu sei. Eles reuniram muito poder, econômico e político, e não querem que a cidade mude. Pra eles, está bom como está. Mas tenho fé na nossa missão e na confiança que a população está me dando.”
Capitão Vinícius enxerga na falta de oportunidades e na ausência e má qualidade dos serviços públicos os principais problemas de Extremoz. “Temos um povo trabalhador, honesto e esforçado. Mas está muito difícil, porque enquanto outros lugares incentivam seus trabalhadores, as famílias do campo e os jovens, nossa cidade ignora as suas necessidades e o seu potencial”, diz.
“Que fazer um governo diferente, voltado apenas para melhorar a vida das pessoas de Extremoz. É por isso que não faço concessões e nem firmo compromissos que, lá na frente, possam me impedir de fazer o que é correto. Até me dizem que preciso do apoio de gente forte, mas prefiro ser eleito pelo povo e ter liberdade para trabalhar de acordo com minha consciência”, completa, garantindo que não teme enfrentar a máquina da prefeitura.
O crescimento do Capitão Vinícius entre os eleitores de Extremoz vem chamando a atenção em todo o Rio Grande do Norte. “Ele é jovem, mas já tem anos de experiência no serviço público e nesse período mostrou seriedade e trabalho duro. O que ele fez pela segurança em Extremoz é reconhecido por todos. Tenho certeza de que o povo de Extremoz saberá valorizar o Capitão Vinícius. Ele será um grande prefeito, pode anotar aí”, diz o deputado estadual Luiz Eduardo, que foi prefeito de Barra de Maxaranguape e terminou suas gestões com mais de 80% de aprovação.
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PSB unido para levar Natália ao 2º turno
No último sábado (27) o PSB de Natal realizou sua convenção que, segundo o dirigente nacional da legenda, Manassés Duarte, “ficará marcada na memória dos seus participantes e na trajetória política da cidade”. O evento contou com a presença de cerca de 500 pessoas e foi uma demonstração de força e entusiasmo do partido, sobre o qual pesavam dúvidas quanto à vitalidade após a saída de seu principal líder, o candidato a prefeito da capital Rafael Motta, hoje no Avante.
A candidata do PSB para outubro é Natália Bonavides, que foi recebida no evento com uma calorosa demonstração de apoio. A festa foi tão inusitadamente vibrante que Natália foi levada ao palco em meio a uma grande algazarra, com direito a charanga e danças dos convencionais.
Na convenção, destacaram-se os discursos de figuras importantes do PSB. A presidente estadual do partido, Larissa Rosado, fez uma fala incisiva sobre a importância da candidatura de Natália para o futuro da cidade. Em seguida, o membro do diretório nacional do PSB, Manasses Duarte, registrou o apoio incondicional à candidatura de Natália, que foi reforçado por um vídeo do vice-presidente Geraldo Alckmin, endossando a candidatura e expressando seu entusiasmo pelo projeto político.
Já o presidente do partido na capital, Wellington Bernardo, convocou toda a nominata de candidatos a vereador do PSB e os dirigentes partidários para se unirem com Natália. Wellington deixou claro que o partido se empenhará na campanha, destacando a determinação em levar Natália ao 2º turno e em eleger uma bancada forte de vereadores e vereadoras para apoiar sua administração.
A exibição do vídeo de Alckmin e o discurso de Natália Bonavides foram o ponto alto do evento. Natália demonstrou confiança e expressou seu agradecimento pelo apoio, dizendo se sentir acolhida pela militância do PSB. Ela fez questão de citar cada candidato e candidata a vereador do partido, conclamando todos a percorrerem a cidade em busca da vitória nas eleições de outubro.
“A convenção do PSB foi mais do que um evento de lançamento de campanha. Foi uma demonstração clara da força e da unidade do partido, que se prepara para uma jornada desafiadora rumo à prefeitura de Natal. Com uma candidatura bem recebida e uma equipe comprometida, o PSB está pronto para enfrentar as eleições e transformar Natal com o projeto de Natália Bonavides”, disse Wellington Bernardo.
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Após 74 anos, os escoteiros têm a chance de fazer um legítimo representante na Câmara Municipal de Natal
O ano era 1950 quando o escoteiro e professor Luiz Soares, com o objetivo de obter maiores benefícios para a coletividade e atendendo ao pedido de alguns ex-alunos e amigos, concordou em disputar uma eleição para vereador, saindo vitorioso na votação e alcançando o cargo de vice-presidente da Câmara Municipal de Natal. Presente em nossa história, o professor Luiz Soares, um dos fundadores do escotismo potiguar, teve uma vida dedicada à educação e ao serviço ao próximo.
Agora, a comunidade de escoteiros tem outro representante disposto a dar continuidade ao legado de Luiz Soares. Pedro Henrique, conhecido como PH, busca seguir o mesmo caminho e ocupar a cadeira de um dos fundadores do escotismo no Rio Grande do Norte.
Escoteiro desde a infância, Pedro Henrique se desenvolveu no movimento de jovens e, quis o destino, que ele fosse integrante dos escoteiros do Alecrim, grupo fundado pelo professor Luiz Soares em 1917, que hoje leva o nome do fundador.
Mesmo sendo um movimento apartidário, ou seja, sem vínculo a candidatos e partidos políticos, o escotismo é bastante envolvido no desenvolvimento e na aplicação de políticas públicas direcionadas para a infância, adolescência e juventude, formando líderes, melhores cidadãos e pessoas que buscam a construção de um mundo melhor. Com mais de 80 mil escoteiros no Brasil e mais de 1.000 na capital potiguar, o movimento escoteiro é um importante aliado à educação não formal.
Pedro, que atua como voluntário, já ocupou diversas funções regionais e nacionais, como, por exemplo, representante dos Escoteiros do Brasil no Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE). O órgão é um espaço voluntário de participação democrática e controle social de políticas públicas voltadas à área da juventude e tem como atribuição formular e propor ações convergentes à sociedade.
Com uma vitória na corrida para a vereança, Pedro Henrique poderá ser o novo representante deste segmento tão importante na Câmara Municipal, 74 anos depois daquele que foi um dos fundadores do escotismo no estado. Esse será um importante passo para que o movimento escoteiro tenha cada vez mais visibilidade, incentivo e auxílio, de modo que os grupos possam desenvolver ainda mais as suas atividades, que são tão importantes na educação de jovens, com o apoio de adultos voluntários.
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O que deseja o eleitor: qualidade de vida
por Girotto, Taís Ramos e Rosinaldo Lobo
Às 5h14, vindo de Ponta Negra, o sol começa a despontar sobre os condomínios do bairro mais charmoso da cidade. É por esta hora que Carlos Augusto, 52 anos, também se levanta, despertado pela claridade que o alcança da janela de seu apartamento na avenida Campos Sales, sempre com as cortinas entreabertas.
A quatro quadras dali, um outro homem – aparentemente bem mais velho – começa a se agitar em seu sono. Meia hora atrás, quando completei a primeira volta da caminhada pela praça Cívica, em Petrópolis, ele não roncava nem se remexia.
Cinco voltas a passos preguiçosos depois, DS, 42 anos, já juntava as sacolas de plástico para desocupar seu leito no coreto da praça. Eram quase 6h, e Carlos Augusto acabava de chegar para sua caminhada matinal neste espaço público recentemente revitalizado, que por passar a noite toda bem iluminado se tornou um lugar seguro e agradável.
Petrópolis: IDH 0.948
DS. Cumprimento DS com um aceno discreto e ele se aproxima. Quer um cigarro. Em pouco tempo passo a conhecer parte de sua história.
DS morava numa casa de dois quartos no morro de Mãe Luíza, a menos de dois quilômetros dali. Uma sobrinha sua, com seus dois filhos, acabara de se divorciar e passava a morar com ele, junto à sua mãe, a irmã, o cunhado e o bebê do casal.
Havia poucos meses que DS perdera um auxílio que recebia do governo, de cujo nome já não recorda. Também não lembra por que não conseguiu renová-lo. Foi quando começou a pedir dinheiro num semáforo da avenida onde nosso outro personagem, Carlos Augusto, mora.
A primeira vez que dormiu na rua foi por puro cansaço. Ele havia tomado a sopa que distribuem na avenida Prudente de Morais, e um companheiro de ceia trazia uma lata de Pitu. “Só achei muito frio”, comenta.
Ao longo de uns poucos meses, as pernoites sob as marquises foram se tornando mai rotineiras e ele explica que – ao retornar para casa – sentia que na sala de sua casa, onde costumava dormir, ele já não cabia, entre o colchão da sobrinha e os brinquedos das crianças. com o tempo, foi ficando pela rua mesmo. Mas isso já faz cerca de uma década.
Ele não sabe se irá votar nesta eleição. “Faz tempo que fui na última vez”, conta. Os documentos ainda estão na casa da irmã, e DS leva consigo a cópia de uma carteira de identidade de 2009.
Questionado sobre o que espera de um futuro prefeito, ele é sucinto: “O maior problema? Acho que é comer. Tem os dias que a pessoa não dá nada. E muitos acham que estamos nessa vida porque somos vagabundos”.
Segundo dados de 2023, da Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas-RN), no RN são confirmadas 2.199 pessoas em situação de rua; 1.491 destas em Natal.
DS diz contar mais com o “pessoal da sopa” que com os agentes públicos. E de abrigos públicos não quer nem ouvir falar. Quanto às perspectivas para o futuro, espera apenas não ser expulso do palco do anfiteatro da praça, onde dorme atualmente. “Eles chegam e falam em trabalho, é. Mas o que que vou fazer? Me diz aí.”
Quanto aos seis candidatos à prefeitura que lhe foram apresentados, DS diz não conhecer nenhum. “Sei do Lula e do Bolsonaro. E dessa governadora aí, a Vilma.”
Carlos Augusto. Ao ser abordado, Carlos Augusto recuou. “Eu tava distraído, entende. E sempre fico preocupado em usar o celular porque tem muito roubo por aqui”, explica. Embora o bairro de Petrópolis conte com um dos mais efetivos patrulhamentos policiais da cidade e ostente baixos índices de crimes violentos, a preocupação de Carlos com a insegurança é generalizada por ali. “Segurança, né. E o custo de vida. Pagamos muito imposto e não temos nenhum retorno disso”, ele responde ao ser perguntado sobre o principal problema que gostaria de ver enfrentado pela próxima administração municipal em Natal.
O pequeno empresário atua no ramo da alimentação e também se queixa das dificuldades para manter seu negócio. “A fiscalização chega do nada e manda retirar as mesas da calçada. Mas ali a gente precisa de espaço pro pessoal que trabalha perto e precisa almoçar.”
“Olha, quer saber de algo importante? Deviam terminar essas obras que começam. Atrapalha o trânsito. E estão jogando o dinheiro dos nossos impostos fora. Não tem nada mais importante pra fazer?”, diz.
Quanto à presença de moradores de rua no bairro, ele também se mostra preocupado. “Acho que tem crescido sim. Eles chegam todos os dias. E isso traz muita violência, roubos, sujeira. A prefeitura devia levar eles pra um lugar mais adequado.” Para Carlos, além da pobreza há outro fator que leva ao aumento do contingente de pessoas nas ruas. “Tem gente que não quer mais trabalhar. Pro empresário, já é difícil contratar com carteira assinada. Aí alguns, não todos, claro, preferem viver de benefícios do governo que trabalhar por salário mínimo”, argumenta.
Ele disse conhecer quatro dos candidatos à prefeitura de Natal – os mais bem posicionados nas pesquisas. “Não tenho grande amor por nenhum, na verdade. Esse que tá aí só faz abrir buraco e os outros nunca fizeram nada. E a esquerda, nem pensar.”
Mãe Luiza: IDH 0,651
Eduardo de Oliveira tem 46 anos e mora no bairro de Mãe Luiza. Por sua ocupação como agente de portaria em um condomínio residencial em Petrópolis, ele vive diariamente as duas realidades opostas de nossa capital. Mãe Luiza está numa zona de amostragem que apresenta os menores níveis de qualidade de vida no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).Os três principais componentes do IDH – que varia de 0 a 1 – são a expectativa de vida ao nascer, a escolaridade e o poder de compra. Petrópolis pertence a uma faixa geográfica que possui índice médio equivalente ao de países desenvolvidos; com IDH de 0.948 é o bairro mais bem posicionado da capital. Já Mãe Luiza, numa região com IDH de 0,651, ocupa a lanterna no quesito.
Para Eduardo, a cidade “precisa ter mais transparência dos seus gestores. E que apresentem soluções, que não fique só no debate como sempre vemos nos períodos de campanha, precisamos de representantes que venham pras ruas sentir o que o povo sente”. E ele concorda com nossos outros personagens sobre o problema central de nosso cotidiano urbano: “Segurança Pública, eis uma questão muito complicada. Precisa com urgência uma reavaliação e mudança de leis mais severas. Hoje vemos inversões de valores. Precisa olhar tanto pela segurança pública, que hoje está um caos, como a educação e a saúde”.
Cláudia Letícia, aos 20 anos, é mãe de uma garota de 2 anos. Ela também mora em Mãe Luiza e exerce sua principal atividade no bairro de Petrópolis. Concluinte do ensino médio na Escola Estadual Profº Anísio Teixeira, Cláudia concorda que a insegurança é hoje o principal problema da cidade, mas faz uma observação que é comprovada pelas estatísticas. “Aqui embaixo [Petrópolis], a gente não enfrenta tanta violência quanto tem lá em cima [em Mãe Luiza]. Se preciso voltar pra casa mais tarde, minha mãe desce e sobe comigo”, diz.
A família de Cláudia tem como principal fonte de renda o programa federal Bolsa Família. O valor que a mãe da estudante recebe é quase todo gasto com a alimentação da família. “Às vezes faço faxinas, aqui e no bairro também. Queria trabalho numa loja aqui perto, ou nesses apartamentos. Sou boa com crianças. Mas meu currículo não é muito bom”, diz Cláudia.
Perguntada sobre o que espera dos candidatos e da próxima gestão, não se interessou muito pelo tema. “Eles toda vez chegam e falam que vão fazer tudo. Mas depois a gente não ouve mais falar. Pra mim, tinha que mudar alguma coisa.” O quê? “Não sei. Tirar tudo isso aí. Algo novo.”
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RN está entre os estados beneficiados pela exploração de petróleo na margem Equatorial
O estado do Rio Grande do Norte, juntamente com Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amapá, deve ser um dos mais beneficiados com a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Os investimentos nessa área estratégica podem definir o futuro energético do Brasil. Com cerca de 500 mil km², essa faixa abrange o litoral do Rio Grande do Norte até o Amapá e estima-se que abriga cerca de 16 bilhões de barris de petróleo no subsolo. “O futuro energético do Brasil tem uma excelente oportunidade de dar um salto de produção na exploração petrolífera e de gás. Isso pode diminuir a dependência de importações e impulsionar a economia do país”, ressalta Carlos Logulo, organizador do Oil & Gas Summit, evento que discutirá, em 2025, em Fortaleza, o potencial da Margem Equatorial para a economia brasileira.
A Margem Equatorial, também conhecida como Bacia Equatorial, apresenta grande potencial para contribuir com o desenvolvimento social e tecnológico das regiões costeiras. A exploração petrolífera gera royalties e tributos para as esferas governamentais, que podem ser reinvestidos em infraestrutura, educação e saúde. “Um aspecto importante é que a atividade exploratória petrolífera demanda mão de obra em diversas áreas, como construção civil, logística e serviços especializados. Isso impulsiona o mercado de trabalho, gera renda e oportunidades. Sem contar que a exploração de petróleo atrai investimentos em portos, aeroportos, estradas e redes de comunicação, ampliando os ganhos para a população”, reforça Carlos Logulo.
Os primeiros estudos foram realizados na bacia da Foz do Amazonas e no Amapá, além da bacia Potiguar. Em todos os locais foram encontrados indícios de petróleo. Neste ano, a Petrobras anunciou a descoberta de grandes reservas de petróleo no poço exploratório Anhangá, entre os estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. O organizador do Oil & Gas Summit observa que alguns países já estão se beneficiando da Margem Equatorial, como a Guiana, que há cerca de uma década já incorporou 11 bilhões de barris em reservas, e o Suriname, que encontrou cerca de 4 bilhões de barris. “Esses montantes ultrapassam as reservas brasileiras, de 14,8 bilhões de barris. Por isso, o Brasil não pode perder a oportunidade de investir na Margem Equatorial”, avalia Carlos Logulo. “Somente com os projetos petrolíferos em implantação, a produção nacional vai entrar em declínio a partir de 2032 e o país pode voltar a ser importador líquido de petróleo na década de 2040”, alerta.
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É iniciado a segunda fase das restaurações das rodovias na região do Seridó
O Governo do Rio Grande do Norte iniciou, em maio deste ano, a restauração de rodovias estaduais na região do Seridó. O projeto de recuperação está focado em três trechos rodoviários cruciais para a economia local: a RN-288, de Acari até Caicó; a RN-288, ligando Jardim de Piranhas ao entroncamento da BR-427; e a RN-118, de Caicó até Ipueira, na divisa com a Paraíba.
Os trechos fazem parte do Lote 2 (Seridó/Central), totalizando 301,5 quilômetros e contando com um investimento de R$ 132 milhões. Este lote inclui ainda dois trechos da RN-118, que servem como rotas alternativas devido à interdição da BR-304, entre Lajes e Caiçara do Rio do Vento: Ipanguaçu-Alto do Rodrigues (pela BR-406) e do entroncamento da BR-304, em Itajá, até São Rafael (pela BR-226).
Além disso, o Lote 2 abrange 38 Km da RN-086, entre Parelhas e Equador, onde foram investidos cerca de R$ 1,6 milhão para reforçar a estrutura e alargar a ponte sobre o Rio Caldeirão. Construída há mais de 90 anos, a ponte recebeu melhorias estruturais e uma nova faixa para permitir a passagem simultânea de dois veículos.
Esta é a segunda fase do Programa de Restauração de Rodovias Estaduais, lançado pela governadora Fátima Bezerra. A primeira fase, o Lote 1, cobre 210,5 quilômetros nos distritos de Mossoró e Pau dos Ferros. O terceiro lote está previsto para abranger 242,9 quilômetros.
Financiado pela primeira parcela do empréstimo no âmbito do Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), que totaliza R$ 428 milhões, o programa de restauração de rodovias abrangerá quase 800 quilômetros de estradas em todo o Estado.
Detalhes do lote 2
- Distritos Caicó e Santana do Matos
- RN 086: Parelhas/Equador (38,0 km)
- RN 087: Florânia/Tenente Laurentino (12,4 km)
- RN 118: Caicó/São João do Sabugi/Ipueira (48,0 km)
- RN 288: Entr. BR-427/Jardim de Piranhas (18,1 km)
- RN 288: Caicó/S. José Seridó/Cruzeta/Acari (53,0 km)
- RN 041: Entr BR-304/Santana do Matos (40,0 km)
- RN 118: Alto do Rodrigues/Ipanguaçu (25,0 km)
- RN 118: Entroncamento BR-304/São Rafael (24,0 km)
- RN 263: Pedro Avelino/Afonso Bezerra (14,0 km)
- RN 263: Afonso Bezerra/Angicos/Entr BR-304 (29,0 km)
- Distritos Caicó e Santana do Matos
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Prazo para convenções partidárias se encerram nesta segunda-feira
Termina nesta segunda-feira (05) o prazo para que todos os partidos e federações realizem suas convenções para a escolha dos candidatos que disputarão as eleições municipais de 2024, marcadas para outubro. Em anos eleitorais, a convenção partidária é uma etapa obrigatória para o registro de candidatos, que precisam ter seus nomes oficializados pelas siglas. Esses encontros formais, que podem ser presenciais ou híbridos, são momentos em que os membros de uma legenda manifestam seus apoios e decidem as candidaturas. A organização dessas reuniões é feita de acordo com o estatuto de cada agremiação.
Em geral, as maiores siglas costumam chegar às convenções com os principais nomes já decididos, transformando o evento em uma espécie de celebração para a confirmação das candidaturas. No mesmo encontro, também são deliberadas eventuais coligações. Cada sigla, coligação ou federação partidária pode ter somente um candidato a prefeito e vice em cada município. No caso de vereadores, cada partido pode lançar como candidatos até o número total de cadeiras a serem ocupadas, mais um.
Pelo calendário eleitoral deste ano, após as convenções, os partidos têm até 15 de agosto para protocolar o registro de todas as candidaturas. Até o momento, já foram solicitados registros de quase 45 mil candidaturas para as eleições deste ano. Este ano, quase 156 milhões de brasileiros estão aptos a votar nos 5.569 municípios do país.
As convenções partidárias são um passo crucial no processo eleitoral, definindo os candidatos que representarão suas respectivas siglas nas eleições de outubro, e garantindo a pluralidade de opções para o eleitorado brasileiro.
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PC cumpre mandados de prisão contra associação criminosa no RN
Policiais civis da 24ª Delegacia de Polícia (DP) de São José de Mipibu cumpriram, na última semana, dois mandados de prisão preventiva contra integrantes de uma associação criminosa especializada em roubos a residências, veículos e granjas no município de São José de Mipibu, Região Metropolitana de Natal. Três homens foram presos durante a operação. No total, foram cumpridos 11 mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão. As investigações revelaram que, após diligências da equipe policial, foi possível identificar os suspeitos que participaram de um assalto em uma granja localizada em São José de Mipibu, ocorrido em 20 de maio de 2024. Entre os envolvidos, estavam um trabalhador do local, identificado como o mentor do crime, e um suspeito que alugou armas de fogo para o grupo.
Com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), a Polícia Civil prendeu um dos integrantes que retornava de João Pessoa/PB em um caminhão. O grupo é investigado em diversos inquéritos policiais e é responsável por vários crimes de roubo nos municípios de São José de Mipibu, Macaíba e Parnamirim. A Polícia Civil recebeu informações de que quatro suspeitos estavam escondidos no município de Canguaretama/RN. Uma operação foi desencadeada com a Polícia Militar para apurar os fatos. Durante a ação, os investigados conseguiram fugir, disparando contra as autoridades. Na residência foram encontrados uma moto roubada, um celular e grampos para furar pneus de veículos. Em outro endereço, foram encontrados diversos materiais roubados durante o assalto ocorrido em 20 de maio de 2024.
Os foragidos identificados são: Huandson Xavier Gomes, João Gabriel Batista Domingos, Lucas Matheus Bezerra dos Santos, conhecido como “Fantasma”, Pedro Henrique Sabino da Silva, conhecido como “Vaqueiro”, Ralef Araújo da Silva, conhecido como “Cabeça”, Gilberto da Silva Rozendo, conhecido como “Betinho”, Yuri Emanuel Secundo de Lima e Daniel Douglas Silva Viana.
A Polícia Civil solicita que a população continue enviando informações de forma anônima por meio do Disque Denúncia 181.
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Rosalbismo ainda mais esfacelado, deve fechar 2024 sem nada
No sábado, 3, postamos que a ex-prefeita, ex-governadora e ex-senadora Rosalba Ciarlini (PP) seria candidata a vereadora (veja aqui), contudo, a ‘Rosa’ desistiu e não será candidata à Câmara Municipal. A decisão foi anunciada na convenção do Progressistas (PP) que ocorreu ontem, 4.
A reviravolta se deu entre as últimas horas do sábado e a manhã do domingo. Com as desistências das ex-vereadoras Cláudia Regina (PP) e Arlene Sousa (PP), a nominata do PP ficou ainda mais esvaziada, e Rosalba teve que recuar.
O risco de sair candidata já era alto, mesmo com as postulações de Cláudia e Arlene, sem elas, tudo ficou muito pior. A ‘Rosa’ precisaria tirar uma votação acachapante, mais de 4 mil votos, para puxar uma vaga na Câmara para a legenda.
O rosalbismo mediu que a ex-prefeita não teria forças para tanto.
O agrupamento vai apoiar a pré-candidatura majoritária de Genivan Vale (PL), e tende a terminar 2024 com um dissabor sem tamanhos, com a derrota de Vale e a própria derrota rosalbista.