• Após anunciar permanência no governo, ministro dos Esportes, André Fufuca, é afastado do Progressistas

    O ministro dos Esportes, André Fufuca, foi afastado do Progressistas nesta quarta-feira após decidir permanecer no governo Lula, desobedecendo determinação da executiva nacional do partido. A legenda anunciou o afastamento do parlamentar de todas as decisões partidárias e de sua vice-presidência nacional, além de determinar intervenção no diretório maranhense para retirá-lo do comando estadual.

    Em nota oficial, o PP reafirmou que “não faz e não fará parte do atual governo, com o qual não nutre qualquer identificação ideológica ou programática”. A decisão ocorre simultaneamente ao anúncio do ministro do Turismo, Celso Sabino, que optou por manter-se no cargo contrariando orientação semelhante do União Brasil, partido que analisa processo de expulsão por infidelidade partidária.

    Fufuca havia declarado publicamente “Eu estou com Lula” durante evento no Maranhão na última segunda-feira, consolidando sua posição contrária ao ultimato formulado pela federação PP-União Brasil para que filiados deixassem cargos governamentais. A medida faz parte da estratégia das legendas para as eleições de 2026, intensificada após críticas do presidente Lula ao líder do União Brasil, Antonio de Rueda, em agosto.


  • Jamil Chade participa de debate em Natal sobre democracia e direitos

    O jornalista Jamil Chade, reconhecido por sua cobertura de política internacional, estará em Natal no dia 22 de outubro para um debate sobre democracia e direitos. O evento, realizado pela UFRN em parceria com a Procuradoria-Geral do Estado, ocorrerá no Auditório do Núcleo de Prática Jurídica da universidade a partir das 19h, com inscrições disponíveis através do sistema Sigaa ou no local.

    Durante o evento, Chade lançará sua nona obra, “Tomara que você seja deportado: uma viagem pela distopia americana”, primeiro livro em que aborda diretamente o processo de deterioração democrática nos Estados Unidos. O jornalista, que atualmente reside em Nova York após anos atuando como correspondente na sede da ONU em Genebra, recentemente percorreu diversos estados americanos para documentar a realidade sociopolítica do país.

    Além deste trabalho, o autor é finalista do Prêmio Jabuti 2025 na categoria biografias com “O indomável: João Carlos Martins entre som e silêncio”, que narra a trajetória do maestro e pianista brasileiro. Chade acumula em seu currículo a participação na Comissão Nacional da Verdade e atua como embaixador do Instituto Adus, além de integrar conselhos de organizações dedicadas à defesa dos direitos humanos.


  • Nona edição do Festival Literário da Pipa anuncia programação; confira

    A nona edição do Festival Literário da Pipa (FliPipa) ocorrerá entre 30 de outubro e 1º de novembro na praia da Pipa, litoral Sul do Rio Grande do Norte, com programação gratuita que inclui Sidarta Ribeiro, Paulo Betti e Mário Magalhães entre seus participantes. O tema “Memória em Movimento” guiará as atividades, explorando desde o Romanceiro Ibérico em Tibau do Sul até narrativas indígenas e afrodescendentes.

    De acordo com o curador Dácio Galvão, o festival enfatizará a formação e o debate de narrativas literárias que integram tradições locais e produção contemporânea. A Praça do Pescador sediará debates, oficinas, palestras e ações educacionais, além de sessões de autógrafos e feira de livros com participação da Cooperativa Cultural da UFRN, sebos e editoras.

    Estabelecimentos comerciais como hotéis e restaurantes da região transformar-se-ão em espaços culturais paralelos, acolhendo programação diversificada. Atrações musicais complementam o evento, com violeiros Felipe Pereira e Helanio Moreira e músicos como Carlos Zens e Gilberto Cabral ministrando aulas espetáculos.


  • ‘Morte violenta, causada pelo Estado’: família recebe certidão de óbito retificada de potiguar vítima da ditadura

    A família do potiguar Virgílio Gomes da Silva, conhecido como Jonas, recebeu nesta quarta-feira a certidão de óbito retificada que reconhece oficialmente sua morte como “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro”. Considerado o primeiro desaparecido político da ditadura militar, Virgílio foi morto em 29 de setembro de 1969 aos 36 anos, após ser detido pela Operação Bandeirante em São Paulo.

    O bancário Gregório Gomes da Silva, filho de Virgílio, que tinha apenas dois anos quando o pai desapareceu, descreveu o momento como “um misto de alívio e conquista”. Ele destacou a importância simbólica do documento para regularizar a situação de sua mãe, hoje com 94 anos e acamada, que não pôde participar da solenidade realizada no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP.

    Natural de Sítio Novo no Rio Grande do Norte, Virgílio Gomes da Silva atuava como operário e líder sindical em São Paulo quando se tornou membro da Aliança Libertadora Nacional, organização da qual chegou a ser o segundo na hierarquia, abaixo apenas de Carlos Marighella. Testemunhos de presos políticos relatam que ele foi submetido a brutais sessões de tortura após sua prisão, vindo a falecer no dia seguinte à detenção. Seus restos mortais, enterrados no Cemitério Vila Formosa, jamais foram identificados.

    A retificação foi recomendada pela Comissão Nacional da Verdade, que constatou o desaparecimento como resultado de ação perpetrada por agentes do Estado durante o regime militar. Além de Virgílio, outros três potiguares – Emmanuel Bezerra dos Santos, Hiram de Lima Pereira e Zoé Lucas de Brito Filho – também foram reconhecidos como vítimas do período.


  • Esquema familiar cobrava até R$ 500 mil por cargo público com fraudes sofisticadas

    A Polícia Federal desmantelou uma organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos através de métodos tecnologicamente avançados, incluindo implantes cirúrgicos de pontos eletrônicos e comunicação em tempo real durante provas. Liderado pelo ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, o grupo funcionava como empresa familiar com sede em Patos, Paraíba, cobrando entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por aprovação garantida.

    As investigações revelaram que o esquema atuava há mais de uma década, alcançando certames de instituições como Polícia Federal, Caixa Econômica Federal e o recente Concurso Nacional Unificado. Os pagamentos eram aceitos em dinheiro vivo, ouro, veículos e até procedimentos odontológicos, utilizando-se de “laranjas” e negociações imobiliárias para ocultar as transações.

    A análise dos gabaritos do CNU 2024 expôs respostas idênticas entre quatro investigados, incluindo erros coincidentes, com probabilidade estatística equivalente a ganhar o prêmio máximo da Mega-Sena 18 vezes consecutivas. Wanderlan, que possui extenso histórico criminal, foi aprovado como auditor fiscal do trabalho com salário inicial de R$ 22,9 mil, mas não compareceu à formação, usando a aprovação como demonstração da eficácia do método fraudulento.

    A operação “Última Fase” resultou em três prisões preventivas e identificou dez beneficiários diretos das fraudes no CNU. O esquema contava com a participação de familiares de Wanderlan em funções específicas: o irmão Valmir e a sobrinha Larissa atuavam como “vitrines” do sucesso do método, enquanto outros integrantes gerenciavam a logística e as transações financeiras.


  • Vice-prefeita processa jornalista que expôs nomeações de familiares na Prefeitura de Natal

    A vice-prefeita de Natal, Joanna Guerra, ingressou com ação de indenização por danos morais contra o jornalista Habyner Lima, que divulgou em redes sociais informações sobre nomeações de seu pai e de sua namorada para cargos comissionados na Secretaria Municipal de Infraestrutura. A ação, movida na última terça-feira, pleiteia R$ 30 mil em reparação, valor que a vice-prefeita afirma será destinado à Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva.

    Conforme documentação apresentada, Aêne Regina Fernandes de Freitas, namorada da vice-prefeita, foi nomeada chefe da assessoria jurídica da Seinfra em janeiro de 2025, cargo que mantém até o momento.

    Já José Lucilo Guerra, pai da gestora, foi exonerado cinco dias após sua nomeação para o setor de serviços de drenagem da mesma pasta. A defesa de Joanna Guerra sustenta que as nomeações não caracterizam nepotismo, argumentando que não há união estável com Aêne Regina e que a nomeação paterna partiu do prefeito e foi revogada antes da posse.

    O jornalista Habyner Lima é acusado na ação de divulgar informações falsas e difamatórias sem apuração prévia adequada.

    A vice-prefeita afirma que o profissional omitiu deliberadamente a revogação da nomeação de seu pai e que agiu com intuito de gerar engajamento mediante exposição negativa de sua imagem pública. A defesa fundamenta-se na Súmula Vinculante 13 do STF, que proíbe nomeações por nepotismo para cônjuges, companheiros ou parentes até terceiro grau, mas não inclui explicitamente relacionamentos não formalizados.


  • Governo do RN sanciona Plano de Cargos, Carreira e Remuneração dos funcionários da Educação

    A governadora Fátima Bezerra sancionou a lei que institui o novo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração para os servidores administrativos da educação estadual potiguar. A medida, aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa, substitui a legislação anterior de 2010 e estabelece progressão funcional baseada em formação profissional e tempo de serviço, com redução do intervalo entre promoções de três para dois anos.

    Durante cerimônia na Secretaria de Educação, a governadora destacou que a sanção representa “respeito, valorização e dignidade salarial” para os trabalhadores da educação. O novo plano, construído em diálogo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação, prevê ainda criação de nova letra remuneratória a partir de 2028, reconhecimento financeiro por qualificação acadêmica e data-base em abril com reajuste pelo IPCA.

    A secretária estadual de Educação, Socorro Batista, enfatizou que a conquista faz justiça aos profissionais que sustentam o cotidiano escolar, enquanto o secretário de Administração, Pedro Lopes, ressaltou o equilíbrio entre responsabilidade fiscal e valorização funcional. O plano beneficia tanto servidores ativos quanto aposentados com paridade, mantendo opção de adesão ao novo regime.


  • Parte do restaurante do chef Fogaça desaba após explosão de gás no Centro de SP

    Uma explosão por vazamento de gás provocou o desabamento parcial do restaurante Jamile, pertencente ao chef Henrique Fogaça, na região da Bela Vista, centro de São Paulo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, três pessoas ficaram soterradas nos escombros do estabelecimento localizado na Rua 13 de Maio.

    As equipes de resgate já retiraram do local um homem e duas mulheres, que foram encaminhados ao atendimento médico por ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. O estado de saúde das vítimas não foi divulgado pelas autoridades.

    Oito viáturas entre Bombeiros, SAMU, Companhia de Engenharia de Tráfego e Polícia Militar permanecem no local para os trabalhos de busca e estabilização da estrutura.

    O restaurante é de propriedade do chef Henrique Fogaça, conhecido por sua atuação como jurado no programa de culinária “Masterchef”. As imagens iniciais mostram que o desabamento ocorreu internamente, com cadeiras visíveis na parte superior do imóvel.


  • Mar avança sobre a engorda da praia de Ponta Negra e derruba cerca no Morro do Careca

    O mar avançou significativamente sobre a faixa de areia alargada da Praia de Ponta Negra durante a madrugada desta quarta-feira, causando a queda de parte da cerca de proteção instalada no pé do Morro do Careca. O fenômeno, influenciado pelo perigeu lunar, registrou maré de 2,53 metros às 4h59, repetindo ocorrência similar observada na madrugada de terça-feira.

    A água marinha acumulou-se sobre a área resultante do projeto de engorda, formando um fluxo que derrubou a estrutura de proteção do morro. Trabalhadores locais relataram que o nível do mar atingiu as pedras do enrocamento, enquanto frequentadores da praia manifestaram preocupação com a eficácia da intervenção realizada.

    Concluída em janeiro deste ano após polêmicas ambientais, a obra de engorda utilizou aproximadamente um milhão de metros cúbicos de areia para ampliar em 4,6 quilômetros a faixa litorânea entre a Via Costeira e o Morro do Careca. A prefeitura havia defendido a intervenção como principal medida contra a erosão costeira que ameaçava o calçadão e o símbolo turístico natalense.

    A Secretaria de Infraestrutura municipal informou que prestará esclarecimentos sobre a situação ao longo do dia, enquanto o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente não se manifestou sobre a recolocação da cerca danificada.


  • Tudo que é maravilhoso e ruim nasce em Setembro…

    Tudo que é maravilhoso e ruim nasce em setembro. Esse mês, que me viu chegar ao mundo, tornou-se também uma espécie de espelho da minha própria vida: um tempo de começos e encerramentos, de alegrias e dores, de plenitude e de ausência. Nasci a conversar com a morte e, desde então, essa presença silenciosa caminha comigo. Cada aniversário me lembra, de modo discreto e firme, que logo passarei mais tempo não sendo do que sendo; mais tempo ausente do que presente. Mas essa constatação não é um convite ao desespero. É, antes, um chamado à consciência de que a vida é breve e, por isso, valiosa. Pensar no fim não me paralisa: fortalece em mim a urgência de viver.

    Ao longo da caminhada até aqui, vivi coisas boas e coisas não tão boas. O balanço da vida não é feito apenas de vitórias ou derrotas, mas da mistura de ambas. Fiz amigos e amigas, conheci uma ou duas pessoas que marcaram profundamente minha história, sorri com intensidade, chorei com amargura, senti alegria, medo, frio, calor. Experimentei momentos de plenitude e também períodos de vazio, quando fiquei ressecado pelas dores da vida, sem nada — exatamente nada — sentir. Mas, mesmo nesses intervalos de anestesia, a vida estava lá, latejando, esperando o próximo passo, o próximo suspiro.

    Fiz poesia, escrevi prosas, tive um livro, plantei um filho no mundo e publiquei uma árvore. Essas ações não são apenas símbolos de realização pessoal, mas de um compromisso silencioso com a existência. Conheci ódio, amor, raiva, decepção; perdi muito mais do que ganhei, e cada perda deixou uma marca que me ensinou algo. Fiquei em coma, capotei com um ônibus, sofri com sonambulismo, fiz um rap, aprendi e penso que ensinei algo. Cada experiência, boa ou ruim, moldou a pessoa que sou hoje. Ao olhar para trás, vejo que mesmo o que pareceu destrutivo guardava lições sobre o valor de estar vivo.

    Falta-me, ao certo, inimigos, mas devo tê-los; pelo menos espero que sim. Essa frase, meio irônica, reflete uma vida mais voltada ao encontro do que ao confronto. Atravessei a nado do cais da Tavares de Lira para a Redinha, pulei da Ponte Velha de Igapó, andei de bicicleta até desmaiar. São lembranças de desafios, de experimentos com os limites do corpo e do medo. Esses momentos não são simples aventuras: são marcas do desejo de sentir, de tocar o extremo da vida, de provar que estou aqui, inteiro, respirando.

    Tudo isso é viver. E, como todo mundo, eu vivi. Vivi… vivi… e a morte segue comigo. Mas a morte, aqui, não é personagem de um drama sombrio; é antes uma mestra silenciosa. Ao me lembrar que sou finito, ela me ensina o valor do instante. Ao recordar que tudo acaba, ela me mostra o que merece começar. Ao falar dela, falo da vida. Ao refletir sobre o fim, descubro o sentido do meio.

    Não há nada de mórbido nesse diálogo com a morte. Há lucidez. Há força. Há um reconhecimento de que cada segundo importa. Pensar no fim não diminui a importância do caminho; pelo contrário, engrandece-o. Sem a morte, a vida perderia urgência, perderia sabor. Se eu não soubesse que cada aniversário é também um lembrete da finitude, talvez desperdiçasse mais dias, mais encontros, mais gestos. Mas, consciente de que o tempo é curto, busco fazer cada instante contar.

    Essa é a lição que carrego e que tento transmitir: falar da morte é, na verdade, uma forma de falar da vida. É reconhecer que ela não é infinita, e que justamente por isso precisa ser intensa, honesta, experimentada. É entender que cada dor, cada alegria, cada vazio e cada conquista são parte de um mosaico irrepetível. É aceitar que tudo o que é maravilhoso e ruim nasce e morre — assim como nós.

    Hoje, olhando para trás, percebo que cada salto, cada travessia, cada poesia, cada lágrima e cada sorriso foram, no fundo, declarações de vida. E é essa consciência que me fortalece: não temo a morte porque aprendi, com ela, a valorizar o que sou agora. A morte é companheira, mas a vida é o caminho. Pensar no fim não me impede de caminhar; ao contrário, me orienta. É o fim que dá sentido ao meio, é a certeza do último ato que dá força aos capítulos.

    Tudo que é maravilhoso e ruim nasce em setembro, inclusive eu. Nasci a conversar com a morte, mas vivo a aprender com ela a importância de estar vivo. Cada aniversário é um lembrete de que o tempo não volta, e cada lembrança é uma prova de que estive aqui. Vivi. Vivi. E sigo vivendo.





Jesus de Ritinha de Miúdo