Jesus de Ritinha de Miúdo
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Câmara adia para 2026 votação da PEC da Segurança Pública e do Projeto de Lei Antifacção
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados do Republicanos-PB, e os líderes partidários decidiram adiar para 2026 a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e do Projeto de Lei Antifacção. A reunião que estava prevista para esta terça-feira, 16 de dezembro, com o objetivo de discutir os textos, foi cancelada após avaliação de que os temas poderiam acirrar divergências políticas no fim do ano legislativo.
De acordo com lideranças da Casa, o entendimento foi o de que ambas as matérias possuem alto potencial de polarização entre os partidos, o que poderia comprometer a agenda do Parlamento neste momento. O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a decisão buscou preservar um ambiente de menor conflito político no encerramento dos trabalhos de 2025.
“Por perceberem que esse é um tema que dividiria muito os líderes neste ano, o Projeto de Lei Antifacção foi deixado também para o próximo ano. Ao que parece, até agora, não há nenhuma pauta que leve a grandes divisões aqui, como tem acontecido quase toda semana”, declarou Lindbergh a jornalistas, ao comentar o adiamento das discussões.
O Projeto de Lei Antifacção, que trata do enfrentamento ao crime organizado, teve tramitação marcada por dificuldades na Câmara, mas avançou de forma expressiva no Senado. No último dia 10, a proposta foi aprovada por unanimidade pelos senadores, o que reforçou sua relevância política e institucional. O relatório ficou a cargo do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que promoveu alterações significativas no texto original enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os principais pontos do relatório aprovado estão a reinstauração da criação do tipo penal específico para facção criminosa, a instituição de um fundo nacional voltado exclusivamente ao combate ao crime organizado e o veto a mudanças consideradas polêmicas, sugeridas anteriormente pelo Executivo. As alterações receberam amplo apoio de especialistas em segurança pública e de parlamentares de diferentes espectros ideológicos.
Apesar do respaldo obtido no Senado, a expectativa é de que o texto sofra resistência e possíveis modificações na Câmara dos Deputados quando voltar à pauta. Lindbergh Farias reconheceu que o debate tende a ser intenso, especialmente diante da intenção de alguns líderes partidários de alterar o relatório aprovado pelos senadores.
Segundo o deputado, o governo federal e a bancada do PT atuarão para preservar o conteúdo do texto relatado por Alessandro Vieira. “Trata-se de um relatório construído com muito diálogo e respaldo técnico, aprovado por unanimidade no Senado. Nós, do lado do PT e do governo, vamos defender esse texto”, afirmou.
Com o adiamento, a discussão sobre a PEC da Segurança Pública e o Projeto de Lei Antifacção deverá ficar para o início de 2026, quando o Congresso Nacional retomará uma agenda legislativa mais ampla e, possivelmente, mais conflituosa.
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Falta de leito de UTI leva à morte de idosa em Mossoró e evidencia colapso da saúde no RN
A crise na saúde pública do Rio Grande do Norte fez mais uma vítima em Mossoró e voltou a expor a fragilidade da rede estadual de atendimento. A idosa Maria do Socorro Alves Felipe, de 69 anos, morreu após passar horas internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro São Manoel à espera de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), referência para a região Oeste do estado. Não havia vaga disponível para a transferência.
De acordo com familiares, Maria do Socorro deu entrada na UPA em estado grave. Exames clínicos indicaram falência renal severa, com apenas 5,5% de funcionamento dos rins, quadro que exigia internação imediata em UTI e início urgente de tratamento por hemodiálise. Além disso, a paciente apresentava cálculos renais e na vesícula, o que demandava intervenção cirúrgica.
Mesmo diante da gravidade do caso e da necessidade de cuidados intensivos, a idosa permaneceu na UPA, unidade que não dispõe da estrutura adequada para atendimentos de alta complexidade. A família relata que, durante o período de espera, o estado de saúde de Maria do Socorro se agravou progressivamente. Ela passou a apresentar episódios frequentes de falta de ar, aumentando o risco de complicações e reduzindo suas chances de recuperação.
Sem a liberação de um leito no hospital estadual, a transferência não foi realizada a tempo. Maria do Socorro não resistiu e morreu enquanto aguardava o encaminhamento para o HRTM, situação que gerou revolta e indignação entre os familiares.
O caso não é isolado. Outras mortes já foram registradas em UPAs de Natal e região, e na própria Mossoró, com pacientes aguardando vagas em UTIs do Hospital Regional Tarcísio Maia. Os episódios reforçam denúncias recorrentes sobre a insuficiência de leitos, a superlotação e a falta de investimentos na rede estadual de saúde, problemas que continuam a colocar vidas em risco no interior do Rio Grande do Norte.
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‘Natal de Luz e Cultura’ 2025: música, dança e artes visuais no Centro Histórico de Natal
O Centro Histórico de Natal será palco do “Natal de Luz e Cultura 2025”, que acontece entre quarta-feira (17) e sábado (20), com uma programação variada de música, poesia, dança e artes visuais. O evento, com entrada gratuita, ocorrerá em espaços como o Espaço Ruy Pereira, Beco da Lama, Praça Padre João Maria e Praça 7 de Setembro. Entre as atrações confirmadas estão Carlos Zens, Dodora Cardoso, Analuh Soares, Carlos Alexandre Jr, Tornado do Samba, Thabata Medeiros, Carmem Pradella, Padre Caio Cavalcanti e Forró NaManha.
Na Rua Coronel Cascudo, a programação começa na quarta-feira (17), às 16h30, com o “Encontro do Clássico com o Popular”, que une apresentações de violinos ao Grupo de Xaxado Rei do Baião, mesclando diferentes expressões musicais.
Já na Praça Padre João Maria, às 19h, ocorre o “Projeto Quarta Autoral”, reunindo cantores, compositores e instrumentistas potiguares, entre eles Cida Lobo, Hilton Acioli, Pretta Soul, Rouxinol, Zé Fontes, Gilberto Cabral, Clara Menezes, Ricardo Menezes, Rousi Flor de Caetê, Natália, Edinho Oliveira, Lupe Albano e Carlos Zens.
O Beco da Lama recebe, na quinta-feira (18), das 19h às 22h, a “Quinta que te Quero Samba / Bar de Nazaré”, com Batuque de um Povo, Dodora Cardoso e Dani Negro. No sábado (20), acontece o Festival da Meladinha e das Comidinhas de Botecos 2025, com shows de Analuh Soares, Pixinguinha no Beco com Thiago Oliveira e encerramento com DJ Zittur no Bar da Meladinha. Também às 16h30, ocorre a 4ª edição do CarnaChico, com Orquestra de Frevo do maestro Papão, passistas e porta-estandarte.
No Palco da Praça 7 de Setembro, a quinta-feira (18) conta com DJ Set às 18h, entrega do RN Clipe Festival às 19h, show de Carlos Alexandre Jr às 20h e Tornado do Samba às 22h. Na sexta-feira (19), a programação inclui DJ Dandarona (17h), Jo Bay (18h), Ale du Black e Banda (19h), Thabata Medeiros e Banda (20h) e Carmem Pradella e Banda (22h). No sábado (20), o palco recebe DJ Ruddie (16h30 e 17h40), CCECO – Projeto Social e Cultural com PCDs (17h), Pastoril dos Idosos (18h), chegada da Orquestra de Frevo do Papão (18h20), DJ e atrações culturais Sesi/Sesc/Funcarte (18h40), Pe. Caio Cavalcanti (20h) e Forró NaManha (22h).
O Espaço Ruy Pereira, na sexta-feira (19) às 18h, terá o “Bar do Zé Reira”, com Hip-Hop, Reggae, batalha de rimas e performances do Slam da Coruja, incluindo DJ LS, Batalha da Galeria com 16 MCs, Breno Slick e Allan Negão & Trend Zion.
Por fim, a Casa do Cordel recebe, no sábado (20) às 8h, um café da manhã com poesia, música e literatura de cordel, celebrando a tradição literária local.
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Com medo de conflitos, autorregualção cresce e o debate político perde espaço em grupos do WhatsApp
O compartilhamento de notícias e opiniões políticas tem se tornado menos frequente em grupos de família, amigos e trabalho no WhatsApp. Ao mesmo tempo, cresce o receio de se posicionar nesses espaços, marcados por tensões e conflitos. Essa é a principal constatação do estudo “Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens”, divulgado nesta segunda-feira (15).
A pesquisa foi realizada pelo InternetLab, centro independente de pesquisa, em parceria com a Rede Conhecimento Social, ambas instituições sem fins lucrativos. O levantamento ouviu 3.113 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre os dias 20 de novembro e 10 de dezembro de 2024, por meio de questionários online.
Os dados mostram que o WhatsApp continua fortemente integrado ao cotidiano dos brasileiros. Mais da metade dos usuários participa de grupos de família (54%) e de amigos (53%), enquanto 38% integram grupos de trabalho. Apesar disso, apenas 6% afirmam participar de grupos voltados especificamente para debates políticos — número inferior ao registrado em 2020, quando essa proporção era de 10%.
Ao analisar o conteúdo compartilhado nesses ambientes, os pesquisadores observaram uma queda significativa na circulação de mensagens relacionadas à política, a políticos e ao governo entre 2021 e 2024. Nos grupos de família, por exemplo, a proporção de pessoas que apontavam esses espaços como os que mais concentravam mensagens políticas caiu de 34% para 27%. Entre amigos, a redução foi ainda maior: de 38% para 24%. Já nos grupos de trabalho, o índice passou de 16% para 11%.
Depoimentos coletados pelo estudo ajudam a explicar esse movimento. Muitos entrevistados relataram a adoção de uma postura de autocontenção, como forma de evitar conflitos. Uma mulher de 50 anos, moradora de São Paulo, afirmou que há um “senso autorregulador” nos grupos de família, no qual os participantes evitam misturar política com convivência cotidiana.
O receio de se posicionar aparece de forma expressiva nos resultados. Pouco mais da metade dos entrevistados (56%) declarou ter medo de emitir opinião política por considerar o ambiente agressivo. Esse sentimento é compartilhado por pessoas de diferentes espectros ideológicos: 63% dos que se identificam como de esquerda, 66% dos de centro e 61% dos de direita relataram essa percepção.
Como consequência, 52% afirmaram que se policiam cada vez mais sobre o que dizem nos grupos, e 50% evitam falar de política no grupo da família para fugir de brigas. Além disso, 65% dizem evitar compartilhar mensagens que possam ferir valores de outras pessoas, e 29% já deixaram grupos por não se sentirem à vontade para expressar opiniões políticas.
Apesar desse cenário, o estudo também aponta que uma parcela menor mantém uma postura mais assertiva. Do total de entrevistados, 12% afirmaram compartilhar conteúdos considerados importantes mesmo que causem desconforto, e 18% disseram expressar suas opiniões mesmo correndo o risco de ofender alguém. Entre os que se sentem seguros para falar sobre política no WhatsApp (44%), são comuns estratégias como o uso de humor, conversas no privado ou a participação apenas em grupos com pessoas de visões semelhantes.
Para Heloisa Massaro, diretora do InternetLab e uma das autoras do estudo, esses dados indicam um processo de amadurecimento. Segundo ela, ao longo dos anos, os usuários vêm desenvolvendo normas éticas próprias para lidar com a comunicação política nos aplicativos de mensagem, especialmente nos grupos, refletindo uma adaptação às dinâmicas de convivência e aos limites do debate nesses espaços.
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Petroleiros iniciam greve nacional por tempo indeterminado após impasse nas negociações com a Petrobras
Trabalhadores do Sistema Petrobras iniciaram, à zero hora desta segunda-feira (15), uma greve nacional por tempo indeterminado, paralisando parcialmente as atividades em diversas unidades da empresa. De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o movimento teve forte adesão desde a madrugada, com a entrega da operação de plataformas localizadas no Espírito Santo e no Norte Fluminense às equipes de contingência da companhia. No Terminal Aquaviário de Coari, no Amazonas, a paralisação foi total, com adesão de 100% dos trabalhadores.
Ainda segundo a FUP, durante a manhã, empregados de seis refinarias vinculadas às bases sindicais da federação aderiram ao movimento grevista e não realizaram o revezamento de turno previsto para as 7 horas. Permaneceram sem troca de turno as refinarias Regap, em Betim (MG); Reduc, em Duque de Caxias (RJ); Replan, em Paulínia (SP); Recap, em Mauá (SP); Revap, em São José dos Campos (SP); e Repar, em Araucária (PR).
A greve foi deliberada após a rejeição da segunda contraproposta apresentada pela Petrobras para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), considerada insuficiente pelas entidades representativas da categoria. A proposta, apresentada na terça-feira (9), não teria avançado nos três principais pontos das negociações: a busca de uma solução definitiva para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, que afetam aposentados e pensionistas; melhorias no plano de cargos e salários, sem a aplicação de mecanismos de ajuste fiscal; e a chamada pauta pelo Brasil Soberano, que defende a manutenção da Petrobras como empresa pública e o fortalecimento do seu papel estratégico.
Em nota, a Petrobras confirmou a ocorrência de manifestações em unidades da companhia, mas informou que não houve impacto na produção de petróleo e derivados. A empresa afirmou ter adotado medidas de contingência para garantir a continuidade das operações e assegurou que o abastecimento ao mercado está preservado. A estatal também declarou que respeita o direito de manifestação dos trabalhadores e que permanece aberta ao diálogo para concluir as negociações do acordo coletivo.
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Longe do básico, quase 1 milhão de alunos estudam sem acesso regular à água potável no Brasil
Cerca de 830 mil estudantes brasileiros frequentam escolas onde o acesso à água potável é inexistente ou inadequado, segundo dados do Censo Escolar de 2024. O levantamento revela que quase 650 mil alunos estão matriculados em unidades que não oferecem água própria para consumo humano, enquanto outros 180 mil estudam em escolas sem qualquer fornecimento regular de água. A situação expõe uma violação direta a um direito básico e compromete o cotidiano escolar, o aprendizado e a saúde de crianças e adolescentes em todo o país.
Até o ano passado, 6.658 escolas brasileiras funcionavam sem acesso à água potável. Essas unidades estão distribuídas por 26 estados, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste. O Pará lidera o ranking, com cerca de 1,9 mil escolas nessa condição. A gravidade do cenário levou à aprovação do Projeto de Lei nº 5.696/2023, transformado na Lei nº 12.276/25 e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A norma determina que União, estados e municípios garantam infraestrutura e saneamento básico nas escolas e autoriza o uso de recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) para assegurar o abastecimento. A partir da vigência da lei, escolas que não comprovarem impossibilidade técnica ou falta de recursos poderão ter repasses suspensos.
Especialistas alertam que a ausência de água potável vai muito além de um problema estrutural. A psicóloga e professora Cheila Dias, da rede pública do Distrito Federal, destaca que a escassez interfere diretamente no desempenho escolar. “Sem água de qualidade, o aluno cansa mais rápido, perde a concentração e aprende menos”, afirma. Ela acrescenta que os impactos também são emocionais: irritabilidade, desmotivação e enfraquecimento do vínculo com a escola tornam-se frequentes. Para Cheila, conviver com a precariedade tende a naturalizar a negação de direitos e prejudica a formação cidadã.
Apesar do alcance do problema, o Ministério da Educação afirma que sua atuação se limita ao apoio técnico e financeiro para infraestrutura, atribuindo a responsabilidade pela qualidade da água aos estados, municípios e órgãos de saneamento e vigilância sanitária. A posição evidencia um desencontro institucional em um tema que afeta quase um milhão de estudantes.
A realidade ganha contornos concretos na Escola Sonhém de Cima, localizada na zona rural da Fercal, a apenas 46 quilômetros da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Embora o Distrito Federal não apareça entre as unidades federativas com escolas sem água potável no Censo Escolar, a unidade enfrenta abastecimento irregular da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb). A água chega a cada dois dias e não é suficiente para manter o funcionamento de uma escola de tempo integral com 170 alunos.
Para contornar o problema, a comunidade escolar recorreu a um poço artesiano, que garante o funcionamento de cozinhas, banheiros e salas de aula. Ainda assim, estudantes levam água de casa para beber. “A água daqui é salgada, dá dor de barriga”, relata Alicie Barbosa, de 10 anos. O colega Nicolas Rocha, de 11, diz que a sede e o calor dificultam a atenção em sala. Professores também enfrentam limitações: equipamentos como umidificadores só funcionam com água trazida de fora, pois o excesso de sal corrói os aparelhos.
A diretora da escola resume a situação como um esforço diário de sobrevivência institucional. “Se dependêssemos apenas da água da companhia, seria inviável. É o poço que mantém tudo de pé”, afirma. No entanto, especialistas alertam para os riscos. O nutricionista Guilherme Rodrigues explica que a água salobra pode conter alta concentração de minerais, elevando o risco de hipertensão e problemas renais, além de favorecer contaminações quando não tratada adequadamente.
Procurada, a Secretaria de Educação do DF não respondeu sobre medidas para garantir água potável na unidade. A Caesb, por sua vez, afirma que a água distribuída atende aos padrões do Ministério da Saúde e que realiza monitoramento contínuo.
A rotina da Sonhém de Cima não é exceção, mas retrato de uma realidade nacional marcada pelo improviso. Enquanto políticas públicas avançam lentamente, quase um milhão de estudantes seguem aprendendo em ambientes onde até o mais básico — água para beber — ainda não é garantido.
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Protesto em Natal Contra o PL da Dosimetria Reúne Defensores da Democracia
Um protesto contra o Projeto de Lei da Dosimetria (PL 2162/23) foi realizado na manhã deste domingo (14), em Natal. A manifestação ocorreu na Avenida Engenheiro Roberto Freire, uma das principais vias da capital potiguar, e reuniu movimentos sociais, militantes e defensores da democracia contrários à proposta aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados.
O ato teve início nas imediações da loja Ferreira Costa, no bairro de Capim Macio. A partir dali, os manifestantes caminharam ao longo da avenida no sentido Ponta Negra, encerrando o percurso nas proximidades da unidade da Uninassau. Durante a mobilização, o grupo exibiu cartazes, entoou palavras de ordem e fez críticas ao projeto, que, segundo os organizadores, representa uma tentativa de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
De acordo com os participantes, o PL da Dosimetria enfraquece a responsabilização penal de envolvidos em ataques às instituições democráticas, ao prever a redução de penas aplicadas a crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. O texto aprovado estabelece que as penas dos crimes de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito não podem ser somadas quando praticados no mesmo contexto, o que, na avaliação dos críticos, pode beneficiar investigados e condenados por esses atos.
Entre as autoridades presentes no protesto estavam a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), as vereadoras Samanda Alves (PT) e Brisa Bracchi (PT), além do deputado estadual Francisco do PT. Os parlamentares e representantes do Executivo estadual manifestaram apoio ao ato e reforçaram o discurso em defesa da democracia e do cumprimento das decisões judiciais.
A mobilização ocorreu de forma pacífica, mas provocou impactos no trânsito da Avenida Engenheiro Roberto Freire durante o período da caminhada. A manifestação foi acompanhada por agentes de segurança pública e de mobilidade urbana, que atuaram para garantir a ordem e a segurança dos participantes e motoristas.
O Projeto de Lei da Dosimetria segue agora para análise no Senado Federal, onde deverá ser debatido antes de uma eventual sanção presidencial.
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Epidemia: Feminicídios crescem no Rio Grande do Norte e expõem fragilidades na proteção às mulheres
O Rio Grande do Norte registrou 21 feminicídios entre janeiro e novembro de 2025, um aumento de 23% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizadas 17 vítimas, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesed). A delegada Victoria Lisboa, titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher das Zonas Leste, Oeste e Sul (DEAM/ZLOS), observa que o crescimento pode refletir tanto o aumento da violência quanto a maior procura das mulheres por ajuda. “Fazemos uma média de 12 boletins de ocorrência por dia”, disse.
Victoria alerta que não é possível afirmar se o crescimento decorre de mais agressões ou de maior busca por denúncia. O que se percebe, no entanto, é um padrão de violência cada vez mais cruel e premeditado. “O modo como os crimes estão sendo praticados tem um caráter muito pesado”, afirmou, destacando que não há um perfil único de vítima. As agressões atravessam classes sociais e regiões do estado, e a percepção equivocada de que feminicídios ocorrem apenas em contextos específicos impede que muitas mulheres reconheçam sinais de risco.
Mulheres de classes mais altas temem a exposição social ao denunciar, enquanto mulheres de classes baixas duvidam da eficácia do sistema de proteção. Para Victoria Lisboa, a celeridade na execução de medidas protetivas é essencial. “A rapidez faz toda a diferença”, afirmou, reforçando que o descumprimento de ordens judiciais pode resultar em prisão em flagrante e prevenir que a violência evolua para assassinato.
Casos recentes chocaram o país e expõem a vulnerabilidade das mulheres mesmo em ambientes considerados seguros. Em julho de 2025, Juliana Garcia dos Santos, de 35 anos, foi brutalmente espancada pelo ex-namorado em Natal/RN. As câmeras do condomínio registraram 61 socos, sendo fundamentais para a caracterização da tentativa de feminicídio. Em São Paulo, Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada pelo ex-companheiro, resultando na amputação das duas pernas. No Distrito Federal, a cabo Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, foi assassinada dentro de um quartel do Exército. Outros casos em São Paulo, como o de Daniele Guedes Antunes e Maria Katiane Gomes da Silva, reforçam o padrão de ataques letais pós-termino de relacionamento.
Dados nacionais revelam a gravidade do problema. Em 2025, o Brasil registrou 1.450 feminicídios, além de 2.485 homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte contra mulheres. O Mapa Nacional da Violência de Gênero aponta que 58% das mulheres que sofreram violência não procuraram delegacias, revelando subnotificação significativa. Entre os agressores, 62% eram maridos ou companheiros, 11% ex-companheiros e 8% namorados. Em 71% das agressões, havia testemunhas, muitas vezes crianças, evidenciando o impacto da violência sobre toda a família.
No Rio Grande do Norte, o avanço dos feminicídios intensificou a atuação da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa (ProMulher), criada em 2023. O órgão atua na articulação legislativa, implementação de políticas públicas, Salas Lilases, campanhas educativas e parcerias com Justiça, saúde e educação. A interiorização das ações tornou-se prioridade diante do acesso limitado a serviços especializados fora da capital.
A educação é vista como estratégia de prevenção de longo prazo. O projeto Maria da Penha vai às Escolas trabalha letramento de gênero com adolescentes da rede pública. “Quando levamos o debate para dentro das escolas, plantamos sementes de respeito que protegerão as mulheres do amanhã”, afirma a deputada Cristiane Dantas.
O cenário reforça a urgência de ação articulada e imediata para prevenir a violência e proteger as mulheres. Para especialistas, denunciar cedo e buscar apoio pode ser decisivo: o silêncio, muitas vezes, é o fator que permite que a violência evolua para casos letais.
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Título Potiguar: Com 17 anos, Kamylle, conquista ouro mundial no jiu-jitsu em Abu Dhabi
Do sonho do ballet ao brilho nos tatames internacionais, a trajetória de Luiza Kamylle parece improvável, mas é absolutamente real. Aos 17 anos, a potiguar acaba de alcançar o feito mais simbólico de sua carreira: o título de campeã mundial de jiu-jitsu, conquistado em Abu Dhabi. Com mais de 20 títulos acumulados, a jovem atleta já se consolida como um dos principais nomes da nova geração da modalidade.
Antes de vestir o quimono, Luiza sonhava com os palcos do ballet. A identificação, porém, nunca foi plena. “Eu sempre gostei muito de ballet, mas nunca levei jeito. Eu tentava, mas era muito desengonçada”, relembra. A virada aconteceu quando surgiu a oportunidade de experimentar o jiu-jitsu. “Eu não neguei. No jiu-jitsu eu me encontrei, foi onde senti que era o meu lugar”, afirma.
Iniciada no esporte aos 11 anos, Luiza enfrentou dificuldades no começo e chegou a se afastar por não se adaptar. As derrotas iniciais, longe de desmotivá-la, tornaram-se combustível. “Eu perdi muito no início, mas isso nunca me fez desistir. Pelo contrário, foi o que me fez crescer”, conta.
A conquista do título mundial ainda parece surreal para a atleta. “Ainda não caiu a ficha. Foi tudo muito novo, uma experiência completamente diferente”, diz. O momento decisivo ficou marcado na memória: ao perceber que estava na final, entendeu que era tudo ou nada. A confiança se fortaleceu ao trocar um olhar com o irmão, que é sua principal inspiração, parceiro de treinos e companheiro de viagens. “Eu pensei: eu vou ganhar, esse título é meu.”
A campanha exigiu preparo físico, equilíbrio emocional e sacrifícios. Para competir, Luiza precisou realizar um corte de peso rigoroso, perdendo cerca de cinco quilos. Mesmo longe de casa, manteve a rotina intensa de treinos iniciada em Natal. “Meu professor sempre exigiu o máximo de mim. Era treino técnico, preparação física, tudo focado no campeonato.”
Hoje, além de competir em alto nível, Luiza também ensina jiu-jitsu para crianças. “Minha rotina inteira gira em torno do jiu-jitsu”, resume. Entre tantas medalhas, ela guarda carinho especial por conquistas no Brasileiro e por títulos obtidos em Fortaleza e no Espírito Santo, este último por ter sido a primeira viagem feita apenas com o irmão.
Consciente do impacto que causa, a jovem se emociona ao ouvir que inspira outras meninas. Para o futuro, mantém os pés no chão e a ambição clara: chegar à faixa preta e seguir conquistando títulos nacionais e internacionais. Para Luiza Kamylle, o ouro mundial não é um ponto final, mas o começo de uma história ainda maior.