• Suspeitos de roubos de automóveis em Natal têm imagens divulgadas pela Polícia Civil

    A Polícia Civil do Rio Grande do Norte divulgou, nesta segunda-feira (26), imagens de três homens apontados como suspeitos de integrar uma sequência de assaltos a veículos registrados em diferentes regiões de Natal.

    Segundo a investigação, os crimes começaram em 5 de janeiro de 2026, no bairro do Tirol, quando houve uma tentativa frustrada de roubo na Rua Lourival Açucena. Pouco depois, nas proximidades da Avenida Afonso Pena, um Jeep Renegade branco foi levado pelos criminosos. No dia seguinte, o mesmo veículo teria sido utilizado em outra ação delituosa no bairro Candelária.

    As apurações também indicam que o grupo pode estar envolvido em um novo roubo ocorrido em 14 de janeiro, na Rua Velho Modesto, no bairro Nova Descoberta. Na ocasião, um Tiggo 2 branco foi subtraído após a vítima ser surpreendida ao entrar no carro. Ela foi ameaçada por um dos suspeitos, que aparentava estar armado, e obrigada a entregar objetos pessoais antes de deixar o veículo.

    A Polícia Civil reforça o pedido de apoio da população para identificação dos envolvidos. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque Denúncia 181.

    Assista ao vídeo


  • Rio Grande do Norte entra em alerta laranja para chuvas fortes e ventos intensos

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja de chuvas intensas para todo o Rio Grande do Norte. O aviso, que indica perigo potencial — segundo nível em uma escala de três — é válido a partir desta segunda-feira (26) até o fim de hoje, terça-feira (27).

    De acordo com o Inmet, são esperadas chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora ou acumulados de 50 a 100 mm por dia, além de ventos fortes que podem variar de 60 a 100 km/h. Há risco de interrupção no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

    O órgão orienta a população a não se abrigar sob árvores, evitar estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda e, se possível, desligar aparelhos elétricos e o quadro geral de energia. Em caso de emergência, a recomendação é acionar a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193)


  • Crime passional termina em feminicídio e reforça epidemia de violência contra mulheres

    Uma mulher de 24 anos foi assassinada a tiros no domingo (25), no município de Jaçanã, localizado na Borborema Potiguar. A vítima, identificada como Carla Eduarda Ferreira da Silva, foi atingida por disparos de arma de fogo e ainda chegou a ser levada ao hospital da cidade, mas não resistiu.

    A Polícia Civil aponta como principal suspeito Oberani Antonio de Oliveira, de 50 anos. Conforme as investigações conduzidas pela Delegacia Regional de Santa Cruz, o crime teria sido motivado por ciúmes. Embora não mantivessem um relacionamento sério, o homem disparou 4 (quatro) vezes contra a vítima.

    O suspeito já foi identificado e segue foragido. As polícias Civil e Militar realizam diligências conjuntas para localizá-lo. O caso é tratado como feminicídio e vem causando forte comoção na região.


  • Zona Norte de Natal terá desvios no tráfego e no transporte coletivo até fevereiro

    Intervenções na rede de esgotamento sanitário da zona Norte de Natal irão alterar, de forma provisória, a circulação de veículos e o funcionamento de linhas de ônibus a partir desta segunda-feira (26). Os serviços, executados pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), concentram-se na Avenida das Fronteiras e têm previsão de conclusão em 15 de fevereiro.

    Com a interdição parcial da via, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) definiu ajustes operacionais para garantir a continuidade do transporte coletivo. As linhas N-05 (Vale Dourado/Ribeira, via Petrópolis) e N-72 (Vale Dourado/Mirassol, via Avenida Nevaldo Rocha) passarão a operar com desvio apenas no sentido Ribeira/Mirassol. Nesse trecho, os ônibus circularão pela Avenida Tomaz Landim e pelas ruas Ponte Nova, Henrique Dias e Vivaldo Cavalcanti, retomando o percurso original logo após. As viagens no sentido Vale Dourado não sofrem alterações.

    Já a linha S-50 (Serrambi/Santa Catarina) terá mudança exclusivamente no sentido Santa Catarina. O trajeto provisório inclui a Avenida das Fronteiras, Rua Antônio Viana, Avenida Santarém, Rua Ponte Nova, Rua Santa Luzia — com conversão à esquerda — e Rua Presidente Médici, onde o ônibus volta ao itinerário habitual. O sentido Serrambi permanece sem modificações.

    Durante todo o período das obras, equipes da STTU estarão atuando na região para orientar condutores, passageiros e pedestres, além de monitorar o fluxo de veículos e reduzir impactos na mobilidade urbana.


  • SUSTENTABILIDADE: Energia solar é implantada em 17 escolas municipais de São Gonçalo

    A creche Maria Lala da Costa é uma das 17 unidades escolares do município que receberam a instalação de módulos e placas solares, tornando-se autossuficiente na geração de energia limpa.

    Na manhã desta segunda-feira (26), o prefeito Jaime Calado realizou uma visita técnica ao CMEI, que agora conta com esse recurso.

    Durante a visita, o prefeito destacou o objetivo da iniciativa. “O nosso objetivo é reduzir os custos com energia e viabilizar a climatização das escolas, garantindo mais conforto para alunos e profissionais da educação.”

    Segundo o engenheiro da Secretaria, Patrício Pascoal, além de atender às demandas das unidades escolares, a energia gerada também abastecerá a sede da Secretaria Municipal de Educação.

    O município foi beneficiado com 17 projetos em prédios distintos. As unidades contempladas foram a Escola Dr. Varela Barca, Escola Roberto Bezerra, Escola Maria da Cruz, Escola Monsenhor Walfredo Gurgel, Secretaria de Educação, Creche Padre Tiago Theisen, Creche Aida dos Santos, Escola Dr. Nilton Pessoa, Creche Maria Lalá, Escola Cosmo Alves, Escola Maria de Lourdes de Souza, Escola Cantinho do Saber, Escola Jéssica Débora, Escola Luiz de França Lima, Escola Aido Mendes, Escola Genésio Cabral e Escola Alfredo Mesquita.

    Ao todo, foram instalados 897 módulos, totalizando uma potência de 573,58 kWp, com capacidade de produzir aproximadamente 74.990 kWh por mês. A geração representa uma economia estimada em R$ 65.590 por mês, o que resulta em cerca de R$ 787.080 por ano na conta de energia elétrica.


  • Constantino de Oliveira Júnior, criador da GOL e referência na aviação brasileira, morre aos 57 anos

    Constantino de Oliveira Júnior, fundador e presidente do conselho de administração da GOL Linhas Aéreas, morreu na manhã deste sábado (24), em São Paulo, aos 57 anos. O empresário estava internado em um hospital da capital e enfrentava há anos um câncer.

    Júnior fundou a GOL em 2001 e foi o primeiro CEO da companhia aérea, responsável por introduzir no Brasil o modelo de “baixo custo, baixa tarifa”, que redefiniu o mercado de aviação comercial no país. Antes disso, entre 1994 e 2000, atuou como diretor da Comporte Participações, grupo controlador de empresas de transporte terrestre de passageiros.

    Em 2004, passou a integrar o Conselho de Administração da GOL, acumulando a função com a presidência executiva até 2012. A partir daquele ano, deixou a gestão operacional e assumiu a presidência do conselho, cargo que ocupava até o falecimento.

    Além da atuação na GOL, Constantino Júnior era membro do Conselho de Administração e um dos fundadores do Grupo ABRA, holding criada em 2022 que controla as companhias aéreas Gol, no Brasil, e Avianca, na Colômbia. Fora do setor aéreo, era entusiasta do automobilismo e chegou a competir na Porsche Cup.

    Em nota, a GOL lamentou a morte de seu fundador e destacou seu legado empreendedor, a visão estratégica e os valores que moldaram a cultura da companhia. “Sua liderança e seu jeito simples, humano e próximo deixaram marcas profundas”, afirmou a empresa.

    Ao longo da carreira, Constantino Júnior recebeu diversos reconhecimentos, incluindo prêmios concedidos pelos jornais Valor Econômico e Gazeta Mercantil, além de distinção internacional da IATA em 2008.


  • Após novos casos de intoxicação alimentar, Sesap reforça alerta sobre ciguatera no litoral potiguar

    A ciguatera é uma intoxicação causada pela ingestão de peixes contaminados por toxinas produzidas por microalgas presentes em recifes de corais tropicais e subtropicais. Essas toxinas se acumulam ao longo da cadeia alimentar: peixes menores ingerem as algas e acabam transmitindo a toxina para peixes maiores e carnívoros, que, ao serem consumidos por humanos, podem provocar a intoxicação. Não existe tratamento específico ou antídoto para a doença.

    De acordo com a Sesap, considera-se surto quando mais de duas pessoas apresentam sintomas após um mesmo episódio de consumo de pescado. Neste mês de janeiro, um caso semelhante também está sob investigação no município de Touros.

    O primeiro surto de ciguatera no Rio Grande do Norte foi registrado em 2022. Desde então, já foram notificados 77 casos de intoxicação, incluindo surtos confirmados e episódios ainda em apuração. Para a secretaria, os números evidenciam a circulação da ciguatera no litoral potiguar.

    Diante das novas investigações, a Sesap recomendou à população evitar o consumo do peixe conhecido como arabaiana. Segundo a coordenadora de Vigilância em Saúde do RN, Diana Rêgo, a orientação se deve ao fato de a espécie acumular a toxina ao longo do tempo. Ela ressaltou ainda que a secretaria mantém monitoramento constante e ações de vigilância relacionadas às ciguatoxinas no estado.

    Entre fevereiro e maio do ano passado, três surtos foram registrados, envolvendo 18 pessoas, associados ao consumo de arabaiana, bicuda e dourado. O primeiro episódio, em 2022, atingiu dez integrantes de uma mesma família após o consumo de bicuda. Desde então, também foram registrados casos envolvendo espécies como cioba e guarajuba, com confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina em algumas amostras.

    Os sintomas da ciguatera podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do peixe contaminado e incluem náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais, coceira intensa, fraqueza muscular, alterações neurológicas e gosto metálico na boca. Em alguns casos, os sintomas podem persistir por semanas ou meses.

    A Sesap orienta que pessoas com sintomas procurem imediatamente atendimento médico, informem o consumo recente de pescado e, se possível, preservem sobras do alimento para análise.

    A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) informou nesta sexta-feira (23) que está investigando cinco surtos de ciguatera registrados no estado. Ao todo, 36 pessoas apresentaram sintomas compatíveis com a intoxicação alimentar. Segundo a pasta, os casos seguem em investigação epidemiológica, e detalhes sobre datas e locais das ocorrências não foram divulgados.

    A ciguatera é uma intoxicação causada pela ingestão de peixes contaminados por toxinas produzidas por microalgas presentes em recifes de corais tropicais e subtropicais. Essas toxinas se acumulam ao longo da cadeia alimentar: peixes menores ingerem as algas e acabam transmitindo a toxina para peixes maiores e carnívoros, que, ao serem consumidos por humanos, podem provocar a intoxicação. Não existe tratamento específico ou antídoto para a doença.

    De acordo com a Sesap, considera-se surto quando mais de duas pessoas apresentam sintomas após um mesmo episódio de consumo de pescado. Neste mês de janeiro, um caso semelhante também está sob investigação no município de Touros.

    O primeiro surto de ciguatera no Rio Grande do Norte foi registrado em 2022. Desde então, já foram notificados 77 casos de intoxicação, incluindo surtos confirmados e episódios ainda em apuração. Para a secretaria, os números evidenciam a circulação da ciguatera no litoral potiguar.

    Diante das novas investigações, a Sesap recomendou à população evitar o consumo do peixe conhecido como arabaiana. Segundo a coordenadora de Vigilância em Saúde do RN, Diana Rêgo, a orientação se deve ao fato de a espécie acumular a toxina ao longo do tempo. Ela ressaltou ainda que a secretaria mantém monitoramento constante e ações de vigilância relacionadas às ciguatoxinas no estado.

    Entre fevereiro e maio do ano passado, três surtos foram registrados, envolvendo 18 pessoas, associados ao consumo de arabaiana, bicuda e dourado. O primeiro episódio, em 2022, atingiu dez integrantes de uma mesma família após o consumo de bicuda. Desde então, também foram registrados casos envolvendo espécies como cioba e guarajuba, com confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina em algumas amostras.

    Os sintomas da ciguatera podem surgir entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do peixe contaminado e incluem náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais, coceira intensa, fraqueza muscular, alterações neurológicas e gosto metálico na boca. Em alguns casos, os sintomas podem persistir por semanas ou meses.

    A Sesap orienta que pessoas com sintomas procurem imediatamente atendimento médico, informem o consumo recente de pescado e nome da espécie, se possível, preservem sobras do alimento para análise.


  • Do litoral do RN ao cenário nacional: André Renan conquista prêmio com obra em cerâmica

    O litoral de Pipa, em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, transformou-se em matéria-prima criativa para o ceramista André Renan, de 42 anos, vencedor do primeiro lugar no 5º Salão Ceramistas do Brasil, prêmio nacional concedido nesta quinta-feira (22). A obra premiada, intitulada Resgate nas Profundezas, apresenta um escafandro envolto por um polvo e se destacou entre trabalhos enviados de diversas regiões do país.

    Radicado em Pipa há 16 anos, o artista afirma que a convivência cotidiana com o mar e a biodiversidade local redefiniu seu percurso pessoal e estético. Natural do interior paulista, onde cresceu distante do ambiente litorâneo, André encontrou no oceano uma nova linguagem visual, fortemente ligada à fauna, à pesca artesanal e à cultura costeira.

    Formado em Artes Plásticas, com habilitação em escultura, pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, ele atuou no Instituto de Arte Cerâmica, em São Paulo, antes de se mudar para o Rio Grande do Norte, em 2009. Na região, exerceu diferentes atividades profissionais — de professor a fotógrafo — até decidir, durante a pandemia, dedicar-se integralmente à produção artística.

    Em 2021, ao lado da esposa, fundou a Aratu Cerâmica, empreendimento que une produção autoral e sustentabilidade econômica. O ateliê fabrica peças utilitárias, como pratos, copos e jarras, sempre com elementos escultóricos integrados, além de obras exclusivamente artísticas.

    A escultura premiada integra uma série autoral de escafandros desenvolvida recentemente pelo artista. O trabalho é produzido sem moldes, por meio da técnica do acordelado, em que a peça é construída manualmente, camada por camada. O processo inclui queima em alta temperatura, superior a 1.200 graus, utilizando uma massa cerâmica preparada com minerais que garantem resistência e impermeabilidade.

    Para André, o prêmio representa mais do que reconhecimento estético. Segundo ele, a conquista valida um caminho artístico construído fora dos grandes centros e reforça a potência criativa do Nordeste no cenário nacional da cerâmica contemporânea.

    As obras do artista são comercializadas na loja-ateliê em Pipa, frequentada por turistas brasileiros e estrangeiros, e também por meio de plataformas digitais.


  • Caso Banco Master: negócio envolvendo resort no Paraná amplia questionamentos sobre atuação de Toffoli

    Informações envolvendo um resort no Paraná reacenderam questionamentos sobre a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli como relator do inquérito que investiga suspeitas de fraude no Banco Master. O empreendimento, o Tayayá Resort, aparece em transações que envolvem parentes do magistrado e pessoas ligadas ao banco investigado.

    Localizado em Ribeirão Claro (PR), o Tayayá Resort já teve vínculos diretos com a família de Toffoli. Dados da Receita Federal indicam que a Maridt Participações S.A., pertencente a irmãos do ministro, integrou o quadro societário do empreendimento. Em abril de 2025, o resort foi adquirido pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua para a JBS.

    A operação foi estruturada por meio de um fundo de investimento administrado pela financeira Reag, instituição citada na Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o PCC. A Reag também aparece em relatórios do Banco Central sobre operações irregulares realizadas em conjunto com o Banco Master.

    Segundo registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia aportou cerca de R$ 4,3 milhões para aquisição de ações do resort. O mesmo fundo teria investido valores expressivos em empresas que já contaram com parentes de Toffoli em seus quadros societários.

    Além disso, levantamento em dados públicos aponta que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região pagou aproximadamente R$ 450 mil em diárias de servidores para apoio de segurança a uma autoridade do STF em Ribeirão Claro, entre 2022 e 2025. Não há identificação oficial do beneficiário do serviço.

    O caso ganhou novos desdobramentos após o deputado federal Sanderson (PL-RS) protocolar pedidos de investigação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), solicitando apuração sobre eventual conflito de interesses na atuação de Toffoli.

    Em nota, o presidente do STF, Edson Fachin, saiu em defesa do ministro, afirmando que não há irregularidades na condução do inquérito e que eventuais controvérsias poderão ser analisadas após o recesso do Judiciário. A Reag informou que não comentará o caso, e a defesa do Banco Master nega qualquer envolvimento com práticas ilícitas.


  • Faça só o que eu digo e ninguém fará nada.

    Olá, queridos! Como vão?

    Mais uma vez estava em luta interna tentando decidir sobre o que escrever nesse texto de hoje. Vasculhei minha mente, prestei atenção ao meu redor, tentei lembrar de conversas que tive recentemente. Li. Assisti. Nada. Nada me veio à mente a não ser o texto passado. E foi aí que percebi que era sobre isso que eu tinha que escrever.

    Não é minha intenção fazer desse a “Parte 2 – A missão” do texto anterior, mas acredito que o que me trouxe até essa discussão de agora pode ser vista, sim, como uma continuação.

    No texto passado eu falei sobre quando não enxergamos as ferramentas que já possuímos dentro de nós e hoje comecei dizendo a vocês que não sabia sobre o que escrever. Logo eu, que estou aqui sempre enquanto escritora.

    É muito frustrante lidar com esse tipo de situação, quando nos deparamos com nossa incapacidade de fazer algo que sempre fazemos. A pergunta que mais me veio foi “O que eu faço quando não consigo fazer o que mais faço?”

    Antes de responder a essa pergunta, vou deixar claro para vocês o meu sentimento quanto a isso. Sempre me identifiquei com uma fala da Clarice Lispector em que, ao ser perguntada se escrevia por vocação ou necessidade, respondeu que só escreve porque não consegue deixar de escrever, que é mais forte que ela.

    Não estou aqui, em hipótese alguma, me comparando a uma das maiores escritoras que já existiram. Até mesmo uma boa leonina como eu tem limites.

    Estou dizendo que me identifiquei com a fala dela porque é assim que me sinto. Ao menos quando a escrita não me abandona. (Ou sou eu que a abandono? Ainda não fizemos a reconstituição dos fatos).

    Eu tenho cadernos (no plural) na minha cabeceira, uso frequentemente o bloco de notas do celular, tenho um caderno de anotações no bolso lateral do carro, tenho muito material salvo no meu computador, além de muita coisa que permeia meus pensamentos mais rápido do que consigo escrever e acaba se perdendo.

    Meu sonho seria uma invenção que captasse minhas divagações e conseguisse deixar tudo registrado. Agora pouco eu estava na academia e pensando sobre como eu não estava conseguindo escrever. Remoendo em minha cabeça como que podia ser eu não conseguir fazer algo que para mim é tão natural.

    O que quero dizer com isso tudo é que reunir meus pensamentos e ruminá-los é algo que eu faço com tanta facilidade que me espanta. Minha mente nunca está em silêncio. Nunca! Meditar é um trabalho e tanto para mim. Mas eu consigo.

    Enfim, voltando. Eu me pego sem saber sobre o que escrever e vejo que tenho muito a escrever sobre isso. E automaticamente me vêm as aulas de gramática do colégio falando sobre funções da linguagem e eu lembro que metalinguagem é uma das minhas favoritas. Quando se fala sobre e com o que se está falando. Quando um filme fala sobre produzir filmes. Ou quando um texto fala sobre escrever.

    Voltando de novo para o foco! A questão é: no texto passado eu falei com vocês sobre aprender a olhar para dentro e encontrar tudo que já temos lá. E agora estou eu aqui dizendo que estou com dificuldade de escrever. Com certeza vocês já ouviram a expressão “bloqueio criativo”, todo mundo tem isso de vez em quando. Todo mundo que cria algo.

    Eu, olhando para o cursor piscando na tela do computador sem saber o que escrever. Quem pinta, encarando uma tela em branco agredindo os olhos mais que o sol do meio dia. Quem compõe, ouvindo o silêncio ensurdecedor do seu instrumento. Quem busca uma solução para algo corriqueiro do seu dia a dia e não consegue ver uma saída sequer. Quem faz todo dia tudo sempre igual e esquece como sacudir às seis horas da manhã.

    Falei, sim, que temos de olhar para dentro e encontrar nossas ferramentas. Não volto atrás nisso. Mas eu precisava dizer também que em alguns momentos não vamos encontrar. E, por mais batida que seja essa frase, está tudo bem!

    É importante entendermos que o caminho do autoconhecimento não é linear. Não é uma subida. É um cabaré sem gerência, com equipe reduzida e cerveja mais cara que a parcela do financiamento de um celtinha 2005.

    Vão existir momentos em que, por mais que tentemos, não vamos conseguir ver a luz no fim do túnel, até porque estamos sem gerência, lembra? Ninguém pagou a conta de energia desse cabaré!

    Eu achei importante falar para vocês que mesmo quem fala sobre o tema, mesmo quem é especialista com mestrado e doutorado no tema (o que eu já deixei claro que não é meu caso, meu conhecimento é apenas sobre mim mesma e olhe lá), mesmo essas pessoas não vão saber o que fazer ou sobre o que falar o tempo todo.

    Hoje em dia somos bombardeados por informações forjadas sobre vidas supostamente perfeitas nas redes sociais e, de uma forma cruel, nos comparamos a elas. Isso só prejudica nossa caminhada.

    Temos de nos inspirar, sim, por quem consegue avançar no caminho que queremos, mas entender que nossas condições reais é quem vão ditar nosso tempo. Em todos os meus textos eu falo a vocês sobre como percorrer a jornada do autoconhecimento, mas eu também estou no caminho. Eu também falho, inúmeras vezes. Eu também não consigo muita coisa.

    Achei importante dividir essa percepção com vocês para mostrar que todos temos dificuldades, mas todos conseguimos! Como vocês bem podem ver, no fim das contas, eu escrevi o texto, não escrevi?

    Eu lidei com a frustração de não conseguir e não desisti de tentar. Eu olhei para dentro e, mesmo quando não conseguia encontrar nada, mesmo quando as ferramentas que eu já conheço falharam, eu não deixei de tentar. Porque eu sabia que estavam lá e em algum momento tudo voltaria a funcionar normalmente.

    Nesse ponto, eu consegui responder a mim mesma. “O que eu faço quando não consigo fazer o que mais faço?” deixou de ser uma pergunta causando angústia para ser uma incentivadora de várias respostas.

    Seja o caminho que for que estejam percorrendo, não desistam. Pode parecer que não darão conta, que não têm mais de onde tirar soluções, que tudo parece sem propósito. Mas, se persistirem, em algum momento a ideia vem, a solução aparece, a ferramenta adormecida volta a funcionar, tinindo!!!

    Sejam persistentes com os bloqueios no caminho. Sejam pacientes consigo mesmos. Estejam atentos a toda e qualquer lição que puderem aprender, especialmente as lições promovidas pelas frustrações. E lembrem de respirar. É impressionante o que um bom “inspira-expira-não-pira” pode fazer por nós.

    Até a próxima!





Jesus de Ritinha de Miúdo