• Lula discute paz na Ucrânia e relações bilaterais em conversa com Putin

    Em telefonema de 40 minutos realizado neste sábado (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente russo Vladimir Putin abordaram os esforços de paz entre Rússia e Ucrânia, além de reforçarem a cooperação bilateral no âmbito do BRICS. A conversa ocorre às vésperas do encontro entre Putin e o presidente americano Donald Trump no Alasca.

    Principais pontos da conversa:

    • Putin compartilhou atualizações sobre as negociações com os EUA e os esforços de paz com a Ucrânia
    • Lula reiterou o apoio brasileiro a uma solução diplomática e se colocou à disposição para mediar diálogos, inclusive por meio do Grupo de Amigos da Paz (iniciativa conjunta Brasil-China)
    • Os líderes avaliaram o cenário econômico global e os resultados da cúpula do BRICS realizada no Rio em julho
    • Acordaram realizar ainda este ano a próxima reunião da Comissão de Alto Nível de Cooperação Brasil-Rússia

    O diálogo ocorre em um momento sensível das relações internacionais, marcado por recentes aumentos de tarifas americanas sobre produtos brasileiros e críticas de Trump ao bloco BRICS. Em maio, Lula e Putin já haviam tratado pessoalmente do conflito ucraniano durante encontro em Moscou.


  • STF sinaliza liberação para presença de crianças em paradas LGBTQIA+

    O Supremo Tribunal Federal (STF) caminha para declarar inconstitucional a lei do Amazonas que proíbe a participação de crianças e adolescentes em paradas LGBTQIA+. O ministro Gilmar Mendes, relator do caso, votou pela derrubada da norma na última sexta-feira (1°), posicionamento acompanhado por Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Cármen Lúcia.

    A legislação questionada, sancionada em 2023, prevê multas de até R$ 10 mil por hora para organizadores ou responsáveis que permitam a presença de menores nesses eventos, exceto com autorização judicial. O julgamento, realizado em plenário virtual, permanece aberto até esta sexta-feira (8) e pode estabelecer um precedente nacional, invalidando normas similares em outros estados.

    As ações foram propostas por entidades como Aliança Nacional LGBT+ e ABRAFH, que argumentam violação de princípios constitucionais. Caso confirmada a maioria favorável, a decisão reforçará o entendimento do STF sobre a autonomia familiar na educação de crianças e adolescentes quanto à diversidade sexual.


  • Governo do RN antecipa 13º salário para servidores da Educação e seis órgãos estaduais

    O Governo do Rio Grande do Norte realizou neste sábado (9) o pagamento antecipado de 40% do 13º salário para servidores ativos de sete órgãos estaduais com arrecadação própria. O benefício, no valor total de R$ 66,3 milhões, contempla profissionais da Secretaria Estadual de Educação (incluindo temporários contratados em 2024), Detran, Ipern, Idema, Jucern, DEI e Arsep.

    A administração estadual informou que o calendário completo de pagamento do 13º salário para os demais servidores será divulgado até dezembro, garantindo transparência no cronograma de benefícios. A medida reforça o compromisso do governo em manter o pagamento em dia dos servidores públicos, mesmo em um contexto de ajuste fiscal.

    Os valores creditados correspondem ao adiantamento tradicional do benefício, com descontos legais aplicados. Para os servidores da educação, o pagamento antecipado busca aliviar as finanças pessoais no período de volta às aulas, quando os gastos com material escolar e uniformes costumam pesar no orçamento familiar.


  • Bombeiros controlam incêndio florestal no Seridó após dois dias de combate

    O Corpo de Bombeiros Militar do RN conseguiu controlar na noite desta sexta-feira (8) um extenso incêndio florestal que consumia a vegetação da Serra da Formiga da Santa, entre Caicó e Jucurutu, na região do Seridó. As chamas, que começaram na quarta-feira (6), se alastraram rapidamente devido às condições climáticas adversas, incluindo vegetação seca e ventos fortes.

    As equipes atuaram de forma ininterrupta durante 48 horas, empregando técnicas de combate direto e indireto para conter o avanço das chamas em áreas de difícil acesso. Os militares enfrentaram condições extremas, incluindo temperaturas elevadas e fumaça densa, para proteger o ecossistema local e propriedades rurais da região.

    O ocorrido reforça a importância do estado de emergência decretado pelo Ministério do Meio Ambiente para todo o Rio Grande do Norte, válido até 2026, que permite medidas especiais de prevenção e combate a incêndios florestais. As autoridades reiteram o alerta à população para evitar qualquer tipo de queimada ou fogueira durante o período de estiagem, quando os riscos de incêndios florestais se multiplicam.

    O Corpo de Bombeiros segue monitorando a área para evitar novos focos de incêndio e orienta a população a denunciar atividades de risco pelo número 193.


  • Abastecimento será normalizado neste domingo em dois bairros de Parnamirim

    Os bairros Bela Parnamirim e Bela Macaíba, em Parnamirim (Região Metropolitana de Natal), tiveram o abastecimento de água reduzido neste sábado (9) devido ao furto de cabos elétricos no Poço 98. A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) informou que o sistema será religado no início da noite deste domingo (10), com normalização completa do abastecimento nas 24 horas seguintes.

    A companhia registrará um boletim de ocorrência para que a Polícia Civil investigue o caso. O furto de cabos ocorre em meio à Operação Sucata, iniciativa policial que combate a receptação de materiais de origem ilícita em estabelecimentos comerciais.

    A Caern reforça que vem adotando medidas para proteger suas instalações e garantir o abastecimento regular à população. Os moradores dos bairros afetados devem economizar água até a total normalização do serviço.


  • Indústria potiguar registra maior queda do país em junho, com recuo de 21,4%

    O Rio Grande do Norte apresentou a pior performance industrial entre os estados brasileiros em junho de 2025, com retração de 21,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira (8). O resultado negativo foi impulsionado principalmente pela forte queda de 34,3% no segmento de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que tem peso significativo na economia do estado.

    Apesar do desempenho negativo no setor energético, outros segmentos industriais mostraram crescimento: a indústria extrativista avançou 36,6%, a confecção de vestuário subiu 22,4% e a produção de alimentos registrou aumento de 5,1%. No acumulado do ano, a indústria extrativista cresceu 12,5%, enquanto as confecções e a produção de alimentos registraram altas de 6,9% e 5,9%, respectivamente.

    O IBGE destacou que, embora vários setores tenham apresentado resultados positivos, a expressiva participação dos derivados de petróleo na indústria potiguar acabou puxando o índice geral para baixo. Nos últimos 12 meses, apenas os segmentos de alimentos (9,1%) e extrativismo (3%) mantiveram crescimento, enquanto os derivados de petróleo recuaram 18,2% e as confecções caíram 3,7%.

    A pesquisa do IBGE monitora a produção industrial em 18 unidades da federação com maior participação no valor da transformação industrial nacional, além da região Nordeste como um todo. Os dados refletem os desafios específicos enfrentados pelo setor industrial potiguar, especialmente no segmento energético, mesmo com o bom desempenho de outros ramos da economia local.


  • Plano de contingência ao tarifaço deve sair até terça, diz Alckmin

    O plano de contingência para ajudar os setores afetados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos deve sair até terça-feira (12), disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

    Segundo ele, haverá uma “régua” para considerar a variação de exportações dentro de um mesmo setor, para tornar o socorro mais preciso.

    “Ele [o plano de contingência] foi apresentado ao presidente Lula, que terminou ontem tarde da noite o trabalho [de leitura]. O presidente vai bater o martelo e aí vai ser anunciado. Se não for amanhã, provavelmente na segunda ou terça-feira”, disse Alckmin ao conceder entrevista nesta quinta-feira (8) no estacionamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

    De acordo com Alckmin, o plano de contingência procurará ter foco, para ajudar as empresas mais afetadas pela imposição da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump.

    O vice-presidente afirmou que será instituído um parâmetro para avaliar os efeitos das tarifas sobre cada setor da economia, baseado no grau de exportações para os Estados Unidos.

    “Há setores em que mais de 90% [da produção] vai para o mercado interno, com exportações de 5%, no máximo 10%. E tem setores em que metade do que se produz é para exportar. E tem setores que exportam mais da metade para os Estados Unidos. Então, foram muito expostos, estão muito expostos”, declarou.

    Citando o setor de pescados, Alckmin disse que o plano pretende diferenciar os produtos com maior ou menor exposição ao mercado estadunidense.

    “Às vezes dentro de um próprio setor, você tem uma diferenciação de quem exporta mais e menos”, destacou. “No caso da tilápia, o maior consumo é interno. Já o atum tem a maior parte da produção destinada à exportação”, acrescentou.

    Embaixador

    Alckmin não entrou em detalhes sobre a reunião que teve com o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar.

    Apenas disse que o encontro foi “muito bom”.

    A reunião ocorreu fora da agenda nesta tarde. Antes de encontrar o vice-presidente, Escobar reuniu-se com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS).

    Após sair do ministério, Escobar visitou a Câmara dos Deputados.

    Calçados

    Antes de encontrar-se com o representante da embaixada estadunidense, Alckmin reuniu-se com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Segundo o vice-presidente e ministro, o setor será bastante afetado pelo tarifaço, com o couro, matéria-prima para os calçados sofrendo um impacto maior.

    “Recebi agora o setor de calçados, a Abicalçados. É um setor também afetado, que usa muita mão de obra. Mas, mais afetado que o calçado, é o couro. O couro, mais de 40% [da produção] é para exportação”, comentou.


  • Emergências com motociclistas adiam cirurgias complexas no SUS

    Cirurgias eletivas de alta complexidade que só podem ser atendidas pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) no Sistema Único de Saúde (SUS) têm sido adiadas para que os recursos da unidade sejam direcionados para vítimas de colisões, atropelamentos e quedas envolvendo motocicletas. Na terceira reportagem da série Rota Perigosa: brasileiros se arriscam em motos por renda e mobilidade, a Agência Brasil mostra o impacto na saúde pública da epidemia de lesões sofridas sobre duas rodas.

    Em 2024, 1.450 cirurgias eletivas de alta complexidade deixaram de ser realizadas no Into por causa das transferências de emergência. Um em cada cinco desses pacientes transferidos havia sofrido uma lesão grave em uma moto.

    Segundo o instituto, quando uma cirurgia de emergência com trauma ortopédico chega à unidade, cinco pacientes que aguardavam na fila deixam de ser atendidos conforme o programado.

    Referência em pesquisa e formação de profissionais especializados, o Into é apenas um dos pontos do SUS em que o impacto das lesões no trânsito de motociclistas tem causado preocupação.

    Metade das internações

    Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde apresentados na Conferência Nacional de Segurança no Trânsito no fim de julho, entre 2010 e 2023, 1,4 milhão de motociclistas foram internados após incidentes nas ruas brasileiras, o que corresponde a 57,2% de todas as internações associadas a lesões de trânsito no país.

    A segunda categoria mais presente entre essas hospitalizações foi a de pedestres, com quase 1 milhão de casos a menos e uma fatia de 19,4% do total. Os motoristas e passageiros de automóvel, por sua vez, respondem por 188 mil casos e 7,4% do total.

    Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2025 - Motociclistas de aplicativos transitam pelas ruas do centro do Rio.  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Motociclistas de aplicativos transitam pelas ruas do centro do Rio – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    As internações de motociclistas exigiram um gasto de mais de R$ 2 bilhões, ou 55,2% de tudo o que foi investido em gastos hospitalares de vítimas de trânsito.

    Além disso, dados preliminares do Viva Inquérito 2024, realizado pelo Ministério da Saúde, indicam que 20,8% dos acidentados que chegavam a serviços de pronto atendimento eram trabalhadores de aplicativos.

    A pesquisa contou com 42 mil entrevistados em unidades de pronto atendimento (UPAs) e outras que funcionam com portas abertas. A situação é mais grave em São Paulo e Belo Horizonte, onde o percentual chega a 31%.

    Brasília (DF), 06/08/2025 - Arte para matéria sobre o Perfil do motociclista. Arte/Agência Brasil
    Arte/Agência Brasil

    Recorde de emergências

    Neste ano, o cenário caminha para um recorde de atendimentos de vítimas do trânsito no Into. De janeiro a junho, o instituto calcula que precisou realizar cirurgias de alta complexidade em cinco pacientes graves por semana transferidos após sinistros de trânsito.

    A diretora-geral do Into, Germana Lyra Bahr, conta que a transferência de pacientes de emergência, o que inclui as vítimas do trânsito, muda a programação de cirurgias eletivas, que são a missão do instituto na condição de unidade de referência do SUS e principal centro de formação e pesquisa em traumatologia e ortopedia do país.

    “No ano passado, a gente fez 7 mil cirurgias o ano inteiro. E a gente recebeu 966 pacientes transferidos de unidades de urgência e emergência. É como se a gente parasse mais de um mês inteiro de atender os pacientes que estão aguardando na fila para atender emergências que vêm de outras unidades.”

    Germana explica que uma cirurgia de urgência de vítimas do trânsito também tem um custo muito maior para o instituto do que uma eletiva, ainda que ambas sejam de alta complexidade. Um paciente que passa pela preparação para a cirurgia eletiva chega a ter o tempo de internação cinco vezes menor do que uma vítima de trânsito, que, em média, fica 25 dias internada e pode precisar de anos de reabilitação.

    Rio de Janeiro (RJ), 31/07/2025 -Germana Lyra Bähr, diretora-geral do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Diretora-geral do Into, Germana Lyra Bähr diz que uma cirurgia de urgência de vítima do trânsito custa mais que uma eletiva – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    “Mas não é só o tempo, a gente tem muito gasto com antibiótico de alto custo, porque eles vêm, muitas vezes, infectados, porque sofrem lesões de rua, caem no asfalto.”

    O aumento desses casos preocupa o Into e o sistema de saúde como um todo, porque já era esperado que o envelhecimento da população demandaria cada vez mais cuidados de ortopedia e traumatologia. A diretora do Into explica que a maior expectativa de vida da população não tem sido acompanhada pelo adiamento da manifestação de problemas de saúde mais associados à idade avançada, e o resultado tem sido um número cada vez maior de doenças crônicas.

    “Na ortopedia, isso é muito importante. Gera osteoartrite, necessidade de próteses e outras questões. Se aumenta a demanda de pacientes para [cirurgia] eletiva e aumenta a demanda de pacientes transferidos por acidentes de trânsito, a gente não consegue dar conta de tudo. Nosso problema não é orçamentário, é físico. Não vai ter gente suficiente para dar conta.”

    Tratamento para toda a vida

    Desde que foi transferido para o Into, em janeiro de 2023, Eduardo Barbosa, de 39 anos, conta com os cuidados especializados do instituto em sua reabilitação. Uma vez por semana, ele passa o dia inteiro na unidade, para sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e psicoterapia.

    “Eu não sabia que existia um hospital no Rio de Janeiro com a qualidade que eu encontro aqui. A gente se sente muito acolhido, e isso é muito importante para quem passa por uma mudança tão radical de vida.”

    Rio de Janeiro (RJ), 31/07/2025 - O entregador, Eduardo Barbosa, 39 anos, faz tratamento de recuperação após acidente com motocicleta, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Vítima de acidente com moto, o entregador Eduardo Barbosa faz sessões de reabilitação no Into – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Em julho de 2022, Eduardo comemorou a compra de uma moto nova para trabalhar ─ ele fazia as entregas, e seu companheiro preparava os lanches na lanchonete que administravam. Em um fim de semana de folga, porém, em setembro daquele ano, os dois bateram na lateral de uma carreta que, durante uma curva fechada, invadiu a pista em que desciam a Serra da Mantiqueira, em Resende (RJ).

    Eduardo estava no carona, com capacete, jaqueta de couro e toda a proteção que é possível ter em uma moto. Mesmo assim, o choque com um veículo tão pesado causou as lesões tão graves que quase causaram tetraplegia e amputação do braço esquerdo.

    “O meu acidente poderia ter sido pior se a gente tivesse sido imprudente e estivesse em alta velocidade. Como a gente estava devagar, o mais precioso Deus guardou, que foi a vida.”

    Quando foi socorrido, Eduardo ficou 44 dias internado no Hospital Dona Lindu, em Paraíba do Sul (RJ). Ao longo desse período, ele passava por cirurgias toda segunda, quarta e sexta. Foram necessárias intervenções no rosto, na coluna, no ombro e no braço esquerdo, membro em que perdeu ossos, músculos e dois dedos, incluindo o polegar. Depois disso, foi transferido para o Into para a realização de cirurgias de alta complexidade ao longo de mais três dias de internação. Foram os profissionais do instituto que salvaram seu braço esquerdo da amputação.

    “Eu estou há três anos [em tratamento] e ainda tenho muito mais anos pela frente. Tem pacientes com dez, 12 anos [de reabilitação] e que ainda estão em tratamento. Não é algo que eu possa falar que vou ter alta em dois anos. Pode ser que dure a vida inteira”, conta ele, que passou a morar com a mãe e ainda tem cinco cirurgias para fazer.

    “Quando eu ganhar uma alta, se eu tiver uma oportunidade de fazer uma atividade que eu consiga exercer, eu pretendo voltar para o mercado de trabalho. Até para me sentir vivo, independentemente do acidente”, sonha ele, que conseguiu acesso ao auxílio-doença porque mantinha em dia as contribuições previdenciárias de seu registro de microempreendedor individual.

    Rio de Janeiro (RJ), 31/07/2025 - Martha Menezes Lucas, terapeuta ocupacional do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Martha Menezes Lucas, terapeuta ocupacional do Into, conta de 90% de seus pacientes são motociclistas – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Qualidade de vida

    Entre os cuidados da reabilitação, ele passa por sessões no Laboratório de Atividade da Vida Diária, onde reaprende tarefas do dia a dia, como varrer, cortar alimentos, dobrar roupas e arrumar a cama.

    A terapeuta ocupacional Martha Menezes Lucas acompanha Eduardo e outros pacientes nessa recuperação e vê com preocupação a quantidade de motociclistas que precisam dessa assistência. Ela é especializada na recuperação de pessoas que sofreram lesões no plexo braquial, uma rede de nervos que passa pelo pescoço, ombros, braços e mãos.

    “Noventa por cento dos meus pacientes são motociclistas, porque essa lesão de plexo acontece com muita facilidade nesses impactos de moto. E, ultimamente, também temos recebido pessoas que estavam em motos por aplicativo, que não tinham experiência em andar de moto e acabaram caindo.”

    Martha conta que esses pacientes sofrem frequentemente com limitações graves e permanentes, que geram perda de qualidade de vida e condições laborais. Isso se torna mais dramático porque também é comum que sejam trabalhadores informais que não contribuem para a Previdência Social.

    “Muitas vezes, era o principal mantenedor da casa. E, quando ele perde a capacidade de trabalhar e precisa de, no mínimo, dois ou três anos de reabilitação, fica dependendo do companheiro, da ajuda da mãe e do pai. E eles perdem muito também na capacidade de socializar. Quando você está com dor, em reabilitação e com menos recursos, você já não sai mais, não vê seus amigos, perde relacionamentos. É uma perda grande de qualidade de vida.”

    Fonte: Agência Brasil


  • Conselho da Petrobras aprova volta da distribuição de gás de cozinha

    A Petrobras informou, na noite desta quinta-feira (7), que o conselho de administração da estatal aprovou a volta ao negócio de distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente chamado de gás de cozinha ou botijão. 

    A empresa tinha aberto mão do setor durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Em 2020, a companhia vendeu a empresa Liquigás para dois grupos privados: Copagaz – Distribuidora de Gás S.A. e a Nacional Gás Butano Distribuidora.

    No comunicado desta quinta-feira, a empresa não detalha como seria à volta ao mercado de distribuição de gás, por exemplo, se seria na venda direta de botijão para consumidores residenciais.

    A decisão estratégica acontece em um cenário em que o governo, principal acionista e controlador da estatal, tem manifestado preocupação com o preço do botijão de gás.

    No fim de maio, durante a inauguração de obra da transposição do Rio São Francisco, em Cachoeira dos Índios, sertão da Paraíba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expôs a contrariedade com o preço do botijão que chegava às famílias.

    “A Petrobras manda o gás de cozinha a R$ 37. Quando é que chega aqui? Cento e dez reais, R$ 120, tem estado que é R$ 140. E eu posso dizer para vocês que está errado. Vocês não podem pagar R$ 140 por uma coisa que custa R$ 37 da Petrobras. Está certo que tem o custo do transporte, mas não precisa pagar tanto“, reclamou na ocasião. 

    Privatização em 2020

    No governo passado, quando decidiu pela privatização da Liquigás, o então presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, defendia que a estatal estava abrindo mão de atuação em determinadas áreas para se concentrar na redução de dívidas e na exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas e ultraprofundas.

    À época, a Liquigás tinha presença em todos os estados, 23 centros de operação e uma rede de aproximadamente 4,8 mil revendedores autorizados. A subsidiária da Petrobras detinha 21,4% de participação de mercado, ou seja, de cada cinco botijões vendidos, um era da Liquigás.

    Gasolina

    A venda direta de gasolina, ou seja, nas bombas dos postos, não foi citada pela decisão do conselho de administração. Também no governo anterior, a estatal decidiu pela venda da BR Distribuidora para a Vibra Energia S.A. ─ também com a justificativa em otimizar o portfólio e melhoria de alocação do capital da companhia. 

    A venda incluiu licença para a compradora manter a marca BR até 28 de junho de 2029. Ou seja, apesar da exibirem a marca BR, os postos espalhados pelo país não são de propriedade da companhia, que assinou também um termo de non-compete (sem competição, no jargão dos negócios), impedindo a companhia de concorrer com a Vibra. A Petrobras é apenas fornecedora do combustível.

    Em janeiro de 2024, no entanto, a Petrobras comunicou à Vibra que não tem interesse em renovar a licença para uso da marca após 2029. “A não renovação da licença permitirá a eventual avaliação de novas estratégias de gestão de marca e oportunidades de negócios para a Petrobras”, justificou a estatal.

    Em maio, a presidente da petrolífera, Magda Chambriard, lamentou o fato de a Petrobras não atuar mais na venda diretamente nas bombas e lamentou ver postos com bandeira BR vendendo combustíveis com preços mais caros do que ela considera justo.

    “Nos preocupa, sim, ter a nossa marca divulgada e espalhada pelo Brasil, vendendo uma gasolina acima do preço, incorporando margem”, declarou.

    Lucro e dividendos

    A decisão do conselho de voltar à distribuição de gás de cozinha foi no mesmo dia em que a Petrobras anunciou o balanço do segundo trimestre de 2025. A empresa registrou lucro líquido de R$ 26,7 bilhões. O resultado é 24,3% menor que o apurado no trimestre anterior, mas superior ao do mesmo período de 2024, quando a companhia teve prejuízo de R$ 2,6 bilhões. 

    A empresa anunciou também a distribuição de R$ 8,66 bilhões em dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP) para acionistas. Tanto os dividendos como os JCP são formas de uma empresa dividir parte do lucro com os acionistas. ((https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-08/petrobras-aprova-pagamento-de-dividendos-acionistas ))

    No caso da Petrobras, o governo federal deve receber cerca de 29% do valor, uma vez que detém essa proporção das cotas. Outros 8% vão para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), banco público de fomento do governo federal.


  • RN se consolida como líder em energia eólica e avança para geração offshore

    O Rio Grande do Norte reforça sua posição como um dos principais polos de energia eólica do Brasil, com 308 parques em operação e 10,3 GW de potência instalada – o equivalente a 30% da produção nacional do setor. A energia gerada pelos ventos potiguares abastece cerca de 5 milhões de residências mensalmente, consolidando o estado como peça-chave na transição energética brasileira.

    Expansão para o mar: o primeiro projeto offshore do Brasil
    Em junho de 2025, o estado deu um passo histórico ao receber a primeira licença ambiental prévia do Ibama para um parque eólico offshore. O projeto-piloto, liderado pelo Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), será instalado a 20 km da costa de Areia Branca e contará com dois aerogeradores de até 24,5 MW de potência total. A iniciativa, inédita no país, visa testar tecnologias adaptadas às condições brasileiras e impulsionar uma cadeia industrial local especializada em energia marítima.

    Impacto econômico e social
    A energia eólica já transformou a economia potiguar:

    • Investimentos superiores a US$ 40 bilhões no setor
    • Municípios com parques eólicos registraram crescimento médio de 40% no PIB
    • Projeção de que a energia offshore multiplique por sete a movimentação financeira em comparação com projetos terrestres

    Com potencial para gerar dez vezes mais empregos que os parques onshore, a nova fronteira marítima deve impulsionar setores como construção naval, metalurgia e serviços especializados. O Senai-RN prepara a primeira pós-graduação do país em energia eólica offshore, qualificando mão de obra para essa indústria emergente.

    Próximos passos
    O projeto entra agora na fase de engenharia, com previsão de 18 meses, seguida por mais um ano e meio para instalação. A expectativa é que o parque entre em operação em três anos, marcando o início de uma nova era para a energia renovável brasileira – com o Rio Grande do Norte mais uma vez na vanguarda.





Jesus de Ritinha de Miúdo