Jesus de Ritinha de Miúdo
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Mesmo com registros de chuva, duas cidades do RN passam a integrar lista federal por seca
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) oficializou, nesta segunda-feira (2), o reconhecimento da situação de emergência nos municípios de Lucrécia e Pedra Preta, no interior do Rio Grande do Norte, em razão da seca. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e contempla, ao todo, 15 cidades do Nordeste afetadas por estiagem prolongada.
Com o aval do Governo Federal, as prefeituras passam a estar aptas a solicitar apoio financeiro para ações emergenciais de Defesa Civil. Entre as iniciativas previstas estão a distribuição de cestas básicas, fornecimento de água mineral, oferta de refeições a equipes de trabalho e voluntários, além da aquisição de kits de limpeza, higiene pessoal e materiais de dormitório.
No Ceará, o município de Pedra Branca, no Sertão Central, também teve a situação de emergência reconhecida especificamente por seca. As demais cidades incluídas na portaria enfrentam estiagem — caracterizada pela redução significativa ou ausência de chuvas por período prolongado.
O MIDR informou que os pedidos de recursos devem ser formalizados pelas prefeituras por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). A partir dos planos de trabalho apresentados, a equipe técnica da Defesa Civil Nacional analisa as metas estabelecidas e os valores pleiteados. Caso aprovados, os repasses são autorizados por meio de nova portaria publicada no DOU.
Além dos dois municípios potiguares, integram a lista cidades da Bahia, Ceará, Paraíba e Pernambuco, reforçando o cenário crítico provocado pela escassez hídrica em diferentes áreas do Nordeste.
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Interior do RN entra em alerta laranja para temporais; previsão indica semana instável e abafada em Natal
A primeira semana de março será marcada por tempo instável em Natal, com previsão de chuvas frequentes entre os dias 2 e 8, temperaturas estáveis e níveis elevados de radiação solar. Os dados meteorológicos indicam acumulados diários de precipitação, sensação térmica elevada e índices ultravioleta considerados muito altos, exigindo atenção redobrada da população tanto com a exposição ao sol quanto com possíveis transtornos provocados pelas pancadas de chuva.
Ao longo do período, as temperaturas devem variar pouco. A mínima prevista permanece entre 24°C e 25°C durante toda a semana, enquanto as máximas oscilam entre 29°C e 31°C. Mesmo com o céu frequentemente nublado, a sensação térmica pode alcançar até 34°C em alguns dias, especialmente nas tardes mais abafadas.
A segunda-feira (2) abre a semana com chuva moderada e acumulado estimado em 4,7 milímetros. A máxima chega aos 30°C, com umidade relativa do ar próxima de 64% e ventos moderados. Na terça-feira (3), o volume diminui para cerca de 2,3 milímetros, mas o calor aumenta, elevando a sensação térmica para até 34°C. O índice UV deve atingir níveis extremos, reforçando a necessidade de proteção solar.
Na quarta-feira (4), o cenário permanece semelhante, com chuva leve prevista e temperaturas novamente próximas dos 31°C. Já a quinta-feira (5) concentra o maior volume de precipitação da semana, com previsão de aproximadamente 10,2 milímetros. Apesar da máxima mais baixa, em torno de 29°C, a combinação de umidade elevada e calor mantém a sensação térmica acima dos 30°C.
A sexta-feira (6) terá pancadas leves, redução da umidade e ventos mais intensos, podendo chegar a 5,8 metros por segundo. No sábado (7), a probabilidade de chuva diminui, ficando em torno de 33%, com acumulado pequeno. O domingo (8) encerra o período com chuva pela manhã e temperaturas estáveis, mantendo o padrão típico do início do mês na capital potiguar.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), embora Natal apresente volumes moderados, há alerta laranja de chuvas intensas para municípios do interior do Rio Grande do Norte, especialmente na região do Seridó e do Central Potiguar. O aviso destaca risco potencial de transtornos causados por precipitações mais fortes e rajadas de vento.
Entre as cidades sob atenção está Caicó, além de outros municípios como Acari, Currais Novos, Parelhas, Jardim do Seridó e Serra Negra do Norte. O alerta prevê possibilidade de chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora, acompanhadas de ventos que podem atingir até 100 km/h.
Segundo o instituto, há risco de corte no fornecimento de energia elétrica, queda de árvores, alagamentos, danos em plantações e transtornos no trânsito em áreas urbanas e rurais. A orientação é evitar áreas abertas durante tempestades, não se abrigar sob árvores e redobrar os cuidados em regiões suscetíveis a alagamentos.
Em situações de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros Militar pelo número 193. Já ocorrências relacionadas ao fornecimento de energia elétrica devem ser comunicadas diretamente à concessionária responsável, a CEMIG, por meio do telefone 116.
Especialistas reforçam que, apesar das chuvas previstas em Natal serem consideradas leves na maior parte da semana, a combinação entre calor, alta umidade e índices ultravioleta extremos exige cuidados diários. O uso de protetor solar, hidratação constante e atenção às atualizações meteorológicas são medidas importantes para reduzir riscos e garantir segurança durante o período.
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Interior do RN celebra nova sangria da Barragem Dinamarca devido fortes chuvas
As chuvas que atingiram o interior do Rio Grande do Norte fizeram a Barragem Dinamarca voltar a transbordar neste domingo, dia 1, em Serra Negra do Norte. O sangradouro foi acionado no início da tarde, marcando o retorno do reservatório ao nível máximo de armazenamento.
Com capacidade aproximada de 2,3 milhões de metros cúbicos, a barragem passa a reforçar a segurança hídrica do município, beneficiando moradores e atividades agrícolas. O aumento do volume é visto como um alívio após períodos de seca que impactaram os reservatórios da região.
O último registro de sangria havia ocorrido em janeiro de 2025. Agora, o novo episódio confirma a força das chuvas neste começo de ano e renova as expectativas sobre a manutenção dos níveis de água ao longo dos próximos meses.
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Entre sertão, fé e boemia: mostra destaca universo expressionista de Assis Marinho, exposição está aberta na Pinacoteca
A Pinacoteca Potiguar, em Natal, abriu ao público neste sábado (28) a exposição “Hoje Tem Espetáculo – O Universo Poético de Assis Marinho”, homenagem a um dos nomes mais marcantes da pintura produzida no Rio Grande do Norte. A visitação é gratuita e segue até o dia 29 de março.
A mostra reúne obras provenientes de coleções particulares e propõe um mergulho na trajetória artística e pessoal de Assis Marinho, destacando a relação entre memória, território e identidade cultural. Autodidata, o artista construiu uma linguagem própria marcada pelo expressionismo e pela forte presença de elementos regionais, traduzidos em cores intensas e personagens simbólicos.
Durante a abertura, Marinho destacou o caráter coletivo da exposição. Segundo ele, a trajetória artística foi construída a partir de encontros e desafios que contribuíram para seu amadurecimento criativo. O pintor também reforçou a importância de ampliar o acesso à cultura em diferentes regiões do estado.
Com curadoria de Manoel Onofre Neto e projeto expográfico desenvolvido pelo Estúdio Barros, a exposição está organizada em seis núcleos temáticos que conduzem o visitante por diferentes fases da produção do artista.
O percurso começa com reflexões sobre identidade e resistência em “O Quixote Sertanejo – O Artista e seus Espelhos”. Em seguida, “Ciranda dos Sonhos – Infância e Imaginação” resgata memórias afetivas e o universo lúdico da infância. Já “Arena do Sertão – Memória, Festa e Resistência” apresenta o contraste entre a dureza da seca e a vitalidade das manifestações populares.
A espiritualidade ganha destaque em “Procissão da Poesia – O Sagrado em Cena”, enquanto a chegada do artista à capital potiguar inspira “Entre Marés – Desfrute à Beira-mar”, com referências a jangadas, pescadores e cenas marítimas. O encerramento acontece em “Em Torno do Beco – Boêmia e Resistência”, diálogo artístico com esculturas do mestre Ivan do Maxixe e o ambiente cultural do Beco da Lama.
Nascido em Cubati, na Paraíba, em 1960, Assis Marinho mudou-se ainda criança para o Seridó potiguar e posteriormente fixou residência em Natal, onde consolidou sua carreira. Em suas telas, transitam figuras do cotidiano, imagens religiosas e referências literárias universais, refletindo uma trajetória marcada pela persistência e pela valorização da cultura popular.
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Regime iraniano foi construído para sobreviver, afirma especialista
Os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel ao Irã, que resultaram na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, marcaram uma escalada sem precedentes no Oriente Médio. A ofensiva, seguida por retaliações iranianas contra Israel e bases americanas no Golfo, transformou tensões históricas em guerra aberta, com potencial de repercussões duradouras para a região e a economia mundial.
O presidente Donald Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmaram que o objetivo central da operação é promover uma mudança de regime em Teerã. No entanto, a República Islâmica foi estruturada precisamente para resistir a choques dessa magnitude. Essa é a avaliação de Amin Saikal, professor de Estudos sobre o Oriente Médio da Universidade Nacional da Austrália. A morte de Khamenei representa um golpe simbólico e político, mas não necessariamente fatal. O Irã já perdeu figuras-chave no passado, como o general Qassem Soleimani, morto pelos EUA em 2020, e conseguiu reorganizar sua cadeia de comando sem ruptura institucional.
Antes de morrer, Khamenei teria organizado uma linha de sucessão emergencial. Pela Constituição iraniana, cabe à Assembleia dos Especialistas indicar um novo líder supremo. Entre os nomes cotados estão o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i; o chefe de gabinete Ali Asghar Hejazi; e Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica. A engrenagem estatal — especialmente o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e a milícia Basij — permanece ativa e coesa, sinalizando que o aparato de poder ainda sustenta o regime.
Saikal lembra que Trump e Netanyahu conclamaram a população iraniana, majoritariamente jovem, a se rebelar. Embora o país tenha vivido protestos recentes reprimidos com violência, não há sinais claros de fissuras profundas entre as forças de segurança que permitam uma revolta vitoriosa no curto prazo.
Enquanto isso, o conflito já produz impactos globais. O IRGC anunciou medidas para bloquear o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial e um quarto do gás natural liquefeito. Mesmo com a promessa americana de manter a rota aberta, qualquer interrupção prolongada pode disparar os preços da energia e afetar cadeias produtivas em todo o planeta.
A guerra também redesenha alianças. China e Rússia condenaram os ataques, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu desescalada urgente. As ofensivas interromperam negociações nucleares que estavam em curso com mediação de Omã. Segundo o chanceler omanense, “a paz estava ao alcance” poucos dias antes dos bombardeios.
Ao cruzarem antigas linhas vermelhas, Washington e Jerusalém assumem o risco de um conflito prolongado. Para Trump, a ofensiva reafirma a liderança global americana; para Netanyahu, fortalece a posição de Israel como potência regional. Já para o povo iraniano — e para um mundo já pressionado por crises simultâneas — a perspectiva é de semanas, ou até meses, de instabilidade, violência e incerteza econômica.
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Nordeste invisível
Não é novidade pra ninguém que o Nordeste é visto pelo restante do país como sinônimo de atraso, pobreza e ignorância.
Sempre que a região entra em pauta, lá vêm os mesmos estereótipos: fala forçada, erro gramatical e velhas indumentárias no melhor estilo Corisco e Dadá. Tudo isso transformado em espetáculo para alimentar a xenofobia alheia.
As razões para tanto são múltiplas. Na verdade, o assunto já foi muito bem tratado por estudiosos do naipe de Durval Muniz. E recentemente Octávio Santiago também abordou o tema no seu livro “Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste”.
Dentre as diversas causas que sustentam essa discriminação regional, talvez a que mais incomoda seja aquela nascida das ações dos próprios nordestinos, que reforçam rótulos para alcançar algum destaque pessoal.
Comediantes, atores e políticos, por exemplo, adoram subir os degraus da fama escorados no visual antigo do nordestino, quase folclórico, como se a região tivesse parado no tempo de “Os sertões”.
Não por acaso, lideranças locais parecem mais confortáveis encenando um Nordeste exótico de chapéu de couro, do que mostrando um Nordeste complexo, urbano e contemporâneo, ainda que aquele tipo de apetrecho já não seja mais visto na cabeça da população das grandes cidades desde os anos cinquenta.
O nó é que quando símbolos culturais são usados por pessoas públicas como figurino permanente, sem contexto, eles deixam de afirmar orgulho e passam a reforçar padrões arcaicos, servindo exatamente para nutrir a imagem que historicamente foi usada para diminuir a região e sua população.
Enquanto isso, o Nordeste real, aquele que produz ciência, tecnologia, arte contemporânea e conhecimento de ponta, segue praticamente invisível.
As universidades da região estão entre as que mais produzem pesquisa no país, com reconhecimento internacional.
Há inovação, pensamento crítico e transformação social acontecendo todos os dias. Mas isso raramente vira símbolo. Não rende imagem fácil nem personagem pronto.
Não é que para valorizar o Nordeste seja preciso negar sua história e apagar suas raízes culturais. Mas é fundamental recusar a ideia de que elas nos limitam.
É necessário entender que a identidade do nordestino não precisa ser reduzida a meia dúzia de símbolos fáceis de consumir.
O desafio, então, é refutar os Lampiões e as Marias Bonitas de ocasião, e mostrar que aqui os avanços do desenvolvimento estão presentes e visíveis na cultura, na educação e na ciência.
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Preso em operação no Passo da Pátria é apoiador do secretário e ex-vereador Felipe Alves
Segundo a Tribuna do Norte, o suspeito “atuava na tentativa de obter a destinação de emendas parlamentares para o Carnaval de 2025, mediante ameaça de proibição de ações políticas na região”.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) deflagrou a Operação “Decreto” para desarticular um grupo criminoso investigado por quatro homicídios ocorridos em 2024 na comunidade do Passo da Pátria, na Zona Leste de Natal.
Segundo a investigação, 12 integrantes foram identificados com atuação em comando, execução de homicídios, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A PCRN também afirma que o grupo exercia “domínio territorial” na área, usando intimidação e violência para impor regras.
No recorte financeiro, os investigadores estimam que a organização movimentou mais de R$ 6 milhões em 18 meses, com foco na venda de drogas e atividades ligadas ao controle do território.
A operação, conforme a polícia, começou na segunda-feira (23), com o cumprimento de mandado de prisão no Mato Grosso do Sul contra uma mulher de 33 anos apontada como liderança do grupo. Há ainda mandado de prisão contra outro investigado, de 24 anos, descrito como liderança e considerado foragido no Rio de Janeiro.
Em Natal, a PCRN informou que três suspeitos foram presos na quinta-feira (26); um deles foi autuado em flagrante por estar com cerca de 500 gramas de maconha e R$ 1 mil em espécie. Na sexta-feira (27), a Polícia Civil prendeu mais três suspeitos em desdobramento da operação.
Ponto sensível: pressão por emendas e “proibição” de ações políticas

Um trecho que passou a concentrar atenção na apuração é a suspeita de que um ex-funcionário da Câmara Municipal de Natal tenha atuado para tentar obter a destinação de emendas parlamentares ao Carnaval de 2025. A polícia afirma que a cobrança envolvia ameaça de “proibição” de ações políticas na região caso os recursos não fossem direcionados.
Até onde nossa redação apurou, o fato é ligeiramente diferente. O suspeito preso trata-se de um parente de um líder comunitário local, que inclusive dirige uma entidade que possui diversos convênios com órgãos públicos. Não há – até onde conseguir revelar – qualquer relação entre a captação de emendas da entidade em questão e o crime organizado na região.
O suspeito foi assessor do atual secretário da Semsur Felipe Alves. Inclusive, Alves aparece em postagens nas redes sociais da família apoiando ações da entidade local.
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Arquivamento encerra crise política — é o capítulo final do processo contra Brisa?
A Comissão Especial Processante da Câmara Municipal de Natal decidiu, pela segunda vez, arquivar a denúncia apresentada contra a vereadora Brisa Bracchi (Partido dos Trabalhadores – PT), acusada de suposto uso irregular de recursos públicos em um evento de caráter político-partidário. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (26) e terminou com placar de dois votos favoráveis ao arquivamento contra um contrário.
Votaram pelo encerramento do processo a vereadora Samanda Alves (PT) e o vereador Tarcio de Eudiane (União Brasil). O relator da comissão, Daniel Rendall (Republicanos), foi o único integrante a defender a continuidade do processo com pedido de cassação do mandato.
A representação foi protocolada pelo vereador Matheus Faustino (União Brasil) e questionava a destinação de R$ 18 mil em emendas impositivas ao evento “Rolé Vermelho”, realizado em agosto de 2025. Segundo o autor da denúncia, a atividade teria natureza político-partidária e, portanto, não poderia receber financiamento público.
No relatório aprovado, a comissão destacou que já existe um procedimento semelhante em análise na Comissão de Ética da Casa, conforme prevê o regimento interno. O entendimento majoritário foi de que dois instrumentos distintos não deveriam investigar simultaneamente os mesmos fatos.
Apesar do arquivamento na comissão, a decisão ainda precisará passar pelo plenário da Câmara. Os vereadores têm prazo até 4 de março para votar o parecer. Caso a maioria rejeite o relatório, o processo poderá seguir e resultar na cassação do mandato da parlamentar.
Em janeiro, o plenário já havia derrubado uma decisão anterior de arquivamento relacionada ao mesmo caso, mantendo a tramitação do processo.
Esta é a segunda denúncia apresentada contra Brisa Bracchi sobre o mesmo episódio. O primeiro procedimento foi encerrado em novembro do ano passado após o prazo para votação ser ultrapassado. No mesmo dia, uma nova representação foi protocolada.
A denúncia sustenta que o evento teria celebrado a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (Partido Liberal – PL).
Paralelamente, a vereadora acionou a Comissão de Ética acusando Matheus Faustino de violência política de gênero. Segundo a representação, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 o parlamentar teria feito dezenas de publicações nas redes sociais com ataques pessoais, incluindo supostas ameaças, disseminação de desinformação e incentivo a manifestações hostis de seguidores.
A comissão deverá promover audiência de conciliação entre os dois vereadores. Caso não haja acordo, o processo poderá avançar e resultar em sanções que vão de advertência até suspensão temporária do mandato por até 15 dias.
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Entrego. Confio. Surto. Agradeço.

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Olá, queridos! Como vão?
Essa frase que eu quis usar como título não é a original e também já está bastante batida, eu sei disso. Mas vamos combinar que é uma adaptação engraçada, e bem real em muitas vezes, da frase da qual se originou. O mantra espiritual “Entrego, Confio, Aceito e Agradeço” é uma meta que colocamos para nós, mas nem todos, e nem sempre, conseguimos seguir.
Por isso a ideia de surtar um pouquinho no processo trás esse humor, justamente pelo fato de ser tão real e de nos identificarmos com isso. Qualquer processo das nossas vidas passa por essas etapas, inclusive o surto. O processo do autoconhecimento tende a trazer essa etapa mais vezes ainda. Não é fácil encarar de frente a nós mesmos. Mas que bom que seguimos tentando.
Só que eu não quero falar com vocês hoje sobre o surto. Quero falar de algo que precisa existir além dele. A segurança de saber onde estamos pisando e, com isso, ter determinação para chegar onde queremos. Mesmo surtando pelo caminho.
Eu gosto muito de um de um conceito que aprendemos desde muito cedo, ensinado de geração para geração, que nos orienta a “colocar o pé que depois Deus coloca o chão”. Essa ideia, essa crença, além de impactante e forte, fala muito de fé. Fala de crer que não importa onde formos, Deus estará lá cuidando e preparando nossos caminhos.
(E aqui, com toda licença que peço, interpretem Deus, e qualquer referência que vier, como vocês têm dentro de vocês. Seja uma imagem religiosa, uma exotérica, metafísica, ou até mesmo a ausência de crença espiritualista e confiança nas aleatoriedades da vida).
Essa ideia de botar o pé antes de ver o chão vai muito além de ter fé. Ultrapassa a crença de que tudo vai dar certo. Que as coisas vão se organizar da melhor forma. Que o Universo conspira. É uma ideia que fala também sobre não precisar esperar estar tudo pronto para começar.
Colocar o pé significa começar algo, iniciar aquilo que se quer fazer. Simplesmente começar. À medida que começamos a fazer alguma coisa nova, tudo em volta começa a se adequar a isso. Já perceberam? Nossa energia começa a fluir naquela nova direção, as oportunidades e os caminhos começam a se mostrar naquele sentido.
Até mesmo nossos medos se vão e a dúvida desaparece. É exatamente como colocar o pé primeiro para o chão aparecer depois. Isso não é mágica nem misticismo. É sobre familiaridade e pertencimento. Quando eu encaro um universo novo de frente e me jogo nele, em algum momento aquilo me vai ser rotineiro, familiar. E tudo que eu fizer vai estar voltado para aquilo.
Eu tento sempre me guiar por uma frase que ouvia muito em um curso que fiz: “Antes feito que perfeito”. É isso. A gente não precisa esperar as melhores condições para começar algo. A gente precisa começar. As condições vêm depois. Pode acreditar.
O filósofo contemporâneo, e queridinho das redes sociais, Mario Sergio Cortella tem uma fala nesse mesmo sentido: “Faça o teu melhor, nas condições que você tem, enquanto não tem condições melhores para fazer melhor ainda.”. É o botar o pé antes do chão vir. Trazendo para nossas vidas, é a prática que vem antes da experiência. Profissionais renomados e com vasto currículo um dia foram recém formados tão verdes no mercado como qualquer outro.
Se pisamos antes de ver o chão de forma determinada, nossos pés vão encontrar um chão firme e assim conseguiremos caminhar com tranquilidade para alcançar aquilo que queremos. Temos de começar em algum lugar, nos preparar para onde queremos chegar, para que quando chegarmos lá, tenhamos a experiência, o conhecimento e o preparo para saber lidar com tudo aquilo.
Ter fé que o chão vem é também acreditar que aquele caminho que estamos buscando vai chegar onde queremos, que merecemos alcançar o ponto que desejamos. Senão nem teríamos começado, não é mesmo? Ter fé que o chão vem é nos entendermos merecedores daquilo para o que estamos nos preparando e ir atrás com vontade. Isso também é saber receber o que queremos.
Ter fé que o chão vem é, além de tudo isso, agradecer pelo pedacinho de chão que já estamos pisando antes de dar o próximo passo. Afinal, se não fosse o chão onde já estamos pisando, não teríamos onde nos sustentar e nem mesmo a coragem de avançar.
Acredito muito que o sentimento de fé que o chão vem, juntamente com a gratidão pelo pedacinho de chão que já conquistamos, é a fórmula perfeita para enfrentarmos as mais longas e difíceis jornadas. E, claro, para chegar onde quisermos.
Eu coloquei essa foto no destaque para ilustrar isso que eu queria dizer nesse texto de hoje. Essa tatuagem é minha. Fiz num momento em que precisava internalizar que eu devia ir atrás de tudo aquilo que eu queria. Material, emocional, psicológica e evolutivamente. Eu precisava colocar o pé. Mas quis também marcar em mim a gratidão por tudo que já tinha, especialmente por tudo que já tinha aprendido.
Nela se lê “Viva a vida que ama. Ame a vida que vive”. A palavra no meio VIDA está seguindo a segunda frase, para enfatizar que antes vem a gratidão e o reconhecimento por tudo que eu já tinha, antes de sair buscando o tudo que eu queria.
Eu marquei em mim a gratidão como meio de vida que me daria a segurança e firmeza que precisava para ousar, para crescer, para avançar.
Hoje, quando quero começar um caminho novo, eu lembro sempre de olhar para os meus pés, agradecer o chão que estou pisando, dar o primeiro passo sem olhar, mas já com a certeza de que o chão vai estar lá quando eu pisar.
Se fizermos isso, é claro que no começo dessa nova caminhada podemos muito bem estar descalços, com um tornozelo torcido e o outro pé com bolhas, pisando num chão de relevo acidentado e cheio daquelas pedrinhas tipo brita, furando o pé. Mas é certo que à medida em que formos caminhando, em algum momento o chão vai virar piso de mármore e nossos pés estarão curados.
Pode demorar para chegar a esse ponto? Pode! Podemos surtar no meio do caminho? Várias vezes, inclusive. Podemos desistir? Até é uma possibilidade, não vou mentir. Mas, se esse novo caminho que inventamos de percorrer, seja o que for que queremos alcançar em nossas vidas, se esse destino vale muito a pena a gente vai seguir.
Desistir de algo que não faz sentido para nós é parte da vida, sim! Só que mais presente ainda em nós é desejo de alcançar o que queremos, a coragem de enfrentar tudo, a determinação de mudar aquilo que nos incomoda, a fé que o chão vai estar lá. E por isso a gente começa como pode e vai aprendendo no caminho.
Porque uma coisa é certa, entre passar a vida esperando ver tudo pronto para eu poder começar e dar o primeiro passo confiando que tudo se apruma no caminho, eu escolho sempre ter fé e seguir em frente!
E vocês?
Até a próxima!
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Educação, ciências e linguagens: Inscrições para cursos no IFRN seguem até 1º de março
O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) está com inscrições abertas para o preenchimento de 154 vagas remanescentes em cursos de especialização presenciais. As oportunidades são destinadas a candidatos que já possuem diploma de graduação e atendam aos critérios específicos previstos em edital.
As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet até o dia 1º de março de 2026, por meio do Sistema Gestor de Concursos (SGC). As aulas ocorrerão em dias e turnos definidos por cada unidade ofertante, conforme detalhamento disponível no documento oficial.
As vagas estão distribuídas em cinco campi do interior e da Região Metropolitana. No campus de João Câmara, são oferecidas 30 vagas para a especialização em Educação Ambiental e Geografia do Semiárido. Em Lajes, há 35 vagas para Ciências Humanas e Saberes Contemporâneos para a Educação, mesmo curso ofertado em Parelhas, com 34 vagas.
Já o campus de Parnamirim disponibiliza duas especializações: Ensino de Ciências Naturais e Matemática, com 21 vagas, e Ensino de Teatro, com 16. Em São Paulo do Potengi, são ofertadas 18 vagas para Estudos Linguísticos e Literários.
O processo seletivo será realizado por sorteio eletrônico entre os candidatos inscritos regularmente no sistema. O resultado final está previsto para divulgação no portal institucional do IFRN, com período de pré-matrícula e matrícula on-line marcado entre os dias 3 e 5 de março de 2026.
