Jesus de Ritinha de Miúdo

  • Bolsa Família antecipa pagamento para quarta; 111 cidades do RN já têm liberação

    O pagamento de outubro do Bolsa Família será concentrado nesta quarta-feira (21) para os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 ou 0 que seguem o calendário geral. A unificação foi anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Quem tem NIS final 2 recebe nesta terça-feira (20).

    A exceção são os municípios já atendidos pelo calendário emergencial. No Rio Grande do Norte, o pagamento está liberado desde segunda-feira (19) em 111 cidades, independentemente do final do NIS, segundo a lista do MDS para localidades em situação de emergência ou calamidade pública.

    A relação do MDS inclui Macaíba, Parnamirim, Mossoró, Caicó, Currais Novos, Santa Cruz, São Paulo do Potengi e São Tomé. A lista completa pode ser consultada no site do ministério.

    Segundo o MDS, a concentração dos pagamentos é uma medida preventiva diante dos efeitos previstos do El Niño sobre famílias vulneráveis. O ministério afirma que a unificação também valerá em novembro e dezembro, mas o comunicado não detalha as novas datas desses dois meses.

    Valores e consulta do benefício

    A folha de outubro também incorpora a atualização dos valores do programa. O piso do benefício integral passou de R$ 600 para R$ 691. O MDS informou uma recomposição de 15,04%, referente à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.

    As parcelas variam conforme a composição familiar. O adicional da primeira infância passou de R$ 150 para R$ 173 por criança com menos de sete anos. Já o benefício variável familiar, destinado a gestantes, nutrizes e integrantes de sete a menos de 18 anos, passou de R$ 50 para R$ 58.

    Para conferir a situação do benefício, o extrato e o valor individual, o cidadão pode consultar os aplicativos Bolsa Família e Caixa Tem ou o Portal Cidadão da Caixa. Dúvidas sobre cadastro e regras são atendidas pelo Disque Social 121; sobre pagamentos e saques, pela Caixa, no telefone 111.

    Imagem: Ubirajara Machado/MDS — CC BY-SA 2.0. Fotografia de arquivo, Porto Alegre, 2014, reproduzida sem alterações.


  • Operação Mulher Segura registra 57,8 mil prisões em 141 dias, informa MJSP

    A Operação Mulher Segura registrou 57.790 prisões em 141 dias de atuação, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) na segunda-feira, 19 de outubro. Do total informado, 49.129 foram prisões em flagrante e 8.661 decorreram do cumprimento de mandados judiciais.

    Coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, a operação começou em 1º de junho e tem caráter permanente, com integração entre forças estaduais e federais. As ações alcançaram 4.253 municípios, de acordo com o ministério.

    O balanço também informa 228.194 vítimas atendidas, 155.641 acompanhamentos de medidas protetivas de urgência e 50.239 visitas preventivas. As atividades educativas presenciais alcançaram 669.945 pessoas. Esses registros descrevem a atuação da operação e não equivalem a um indicador de redução da violência.

    A nota do MJSP não detalha quantas prisões correspondem a pessoas distintas nem apresenta os resultados específicos do Rio Grande do Norte. Prisão também não significa condenação definitiva.

    Como buscar ajuda

    Mulheres em situação de violência podem buscar orientação pelo Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. A central informa sobre direitos e indica os serviços especializados mais próximos, além de receber e encaminhar denúncias aos órgãos responsáveis.

    O atendimento pode ser solicitado pela própria mulher ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento da situação, como familiares, amigos, vizinhos e testemunhas. O serviço também está disponível pelo WhatsApp (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br, com opção de atendimento em Libras.

    Ao entrar em contato, a pessoa recebe um protocolo para acompanhar o encaminhamento. Se a violência estiver acontecendo ou houver risco imediato à integridade física, a orientação do Ministério das Mulheres é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.


  • TCE-RN abre consulta para população indicar prioridades de fiscalização

    Os moradores do Rio Grande do Norte podem indicar ao Tribunal de Contas quais áreas precisam de fiscalização em 2027. A consulta foi aberta na segunda-feira (19) e recebe contribuições até 11 de dezembro, pelo formulário eletrônico do TCE-RN.

    A participação é anônima. Cada pessoa deve escolher quatro temas, um em cada eixo: direitos sociais e cidadania; infraestrutura, cidades e meio ambiente; desenvolvimento econômico e cultura; gestão pública e integridade. Também é possível sugerir assuntos e informar o município onde mora.

    Saúde, educação, segurança, saneamento, transportes, turismo e transparência estão entre as opções. Segundo o tribunal, as respostas serão analisadas por auditores, considerando a relevância dos temas, os valores envolvidos, os riscos e a oportunidade de fiscalização.

    A indicação popular não garante a inclusão de uma auditoria no planejamento. As propostas selecionadas poderão integrar as ações previstas para 2027.

    Esta é a quarta edição da consulta. A anterior teve mais de 800 participações, de moradores de 128 municípios, com saúde e educação entre as prioridades.

    Como as sugestões entram no planejamento

    As contribuições daquela edição ajudaram a orientar o Plano Anual de Controle Externo em vigor, que abrange abril de 2026 a março de 2027. O documento reúne 60 ações, incluindo duas auditorias no sistema de saúde e na gestão hospitalar e três fiscalizações educacionais, voltadas a obras paralisadas e à efetividade do ensino.

    O plano atual também prevê duas fiscalizações em segurança pública e avaliações dos portais de transparência. Além dessas ações, o TCE mantém uma lista de 21 itens considerados de alto risco para acompanhamento prioritário em 2026.

    A consulta agora aberta reúne sugestões para o próximo planejamento, que ainda passará pela análise técnica do tribunal.


  • Exame do IFRN tem 22 mil participantes; veja as próximas datas da seleção

    O Exame de Seleção 2027 do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) reuniu 22.173 candidatos nas provas aplicadas no domingo (18). Com o prazo de recursos contra o gabarito encerrado na segunda-feira (19), os próximos marcos são a divulgação do gabarito definitivo, em 27 de outubro, e do resultado das questões objetivas, no dia 30.

    Segundo o balanço divulgado pelo instituto, com dados da Funcern, o comparecimento correspondeu a 89,18% das 24.864 inscrições. As provas ocorreram em 54 locais do estado.

    A seleção oferece ingresso no primeiro semestre de 2027 em cursos técnicos integrados ao ensino médio. A formação dura quatro anos e reúne formação técnica e ensino médio em um único curso. Para a matrícula, é necessário comprovar a conclusão do ensino fundamental, conforme as regras do edital.

    O resultado dos recursos será publicado junto com o gabarito final, no dia 27. A consulta deve ser feita na Área da Pessoa Candidata da Funcern. O portal do processo seletivo reúne o gabarito preliminar, o edital atualizado e os demais documentos.

    Resultados e matrícula

    Em 30 de outubro, além das notas das questões objetivas, será divulgada a relação de candidatos habilitados para a aferição do histórico ou da declaração escolar nas cotas de escola pública. A lista de quem terá a produção textual corrigida está prevista para 18 de novembro.

    O cronograma também prevê, para 19 de novembro, as listas de habilitados para aferição de renda e de deficiência e a convocação para heteroidentificação. As etapas dependem da modalidade de concorrência de cada candidato e devem ser acompanhadas nas convocações específicas.

    O resultado final está previsto para 22 de dezembro. As pré-matrículas e matrículas ocorrerão de 7 a 12 de janeiro de 2027, com convocação para vagas remanescentes a partir do dia 14. O calendário e suas atualizações ficam disponíveis na página oficial da seleção.


  • Ezequiel e aliados do PSDB apoiam Cadu de Lula no segundo turno

    O presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Ezequiel Ferreira (PSDB), anunciou no domingo (18) apoio a Cadu de Lula (PT) no segundo turno da eleição para governador. O deputado havia apoiado Álvaro Dias (PL) na primeira etapa da disputa, conforme o Agora RN.

    Também aderiram ao petista os deputados estaduais Cristiane Dantas e Taveira Júnior, além de Gustavo Soares, eleito deputado estadual pelo PSDB neste ano, segundo o Blog do Wallace. O grupo reúne, portanto, parlamentares em exercício e um representante eleito para a próxima legislatura.

    “Juntos com @caduxavier pelo Rio Grande do Norte”, escreveu Ezequiel em publicação no Instagram citada pelo Agora RN. De acordo com o NOVO Notícias, o anúncio ocorreu durante um encontro na sede do PSDB, com a presença da governadora Fátima Bezerra.

    A definição veio após um período de consultas anunciado pelo presidente da Assembleia. Em 7 de outubro, Ezequiel havia informado que ouviria as lideranças que participaram de sua campanha antes de escolher quem apoiaria no segundo turno, segundo o Agora RN.

    Cadu enfrenta Allyson Bezerra (União Brasil) na disputa pelo governo estadual, como registra a Agência Brasil. A votação será no próximo domingo, 25 de outubro, conforme o calendário do TRE-RN.


  • Governo planeja remanejar R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027

    O governo federal pretende remanejar cerca de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027 para acomodar medidas anunciadas nas últimas semanas. A estimativa foi divulgada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) na segunda-feira (19), em nota à imprensa, conforme reportagem da CNN Brasil.

    Segundo a pasta, o ajuste preservará o limite total de despesas e a meta de resultado primário. O montante representa pouco mais de 1% das despesas primárias sujeitas ao limite de gastos. Parte dos custos das medidas poderá ser absorvida pela revisão das estimativas de despesas obrigatórias; o remanejamento deverá acomodar outros gastos previstos, de acordo com a Agência Brasil, em texto republicado pelo Poder360.

    O ministério não detalhou, na nota, quais despesas perderiam recursos nem a distribuição dos R$ 20 bilhões entre os programas. O valor apresentado corresponde à necessidade estimada de redistribuição dentro do Orçamento, sem representar o custo total das iniciativas anunciadas, segundo a CNN Brasil.

    A manifestação do MPO responde a levantamentos sobre o impacto fiscal das medidas. A pasta defende que a avaliação diferencie despesas públicas primárias e financeiras, por terem finalidades e efeitos distintos sobre as contas públicas, conforme reportagem do Estadão Conteúdo publicada em A Gazeta.

    Os ajustes ainda serão apresentados ao Congresso Nacional. Segundo o ministério, o encaminhamento ocorrerá após a designação do relator do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, etapa que antecederá a discussão das mudanças pelos parlamentares. A previsão consta da mesma reportagem do Estadão Conteúdo.


  • MP Eleitoral cobra transporte gratuito sem redução de oferta no 2º turno no RN

    O Ministério Público Eleitoral recomendou às prefeituras e às empresas de transporte do Rio Grande do Norte que garantam gratuidade no segundo turno das eleições, domingo, 25 de outubro, com frota, horários e itinerários compatíveis com os dias úteis. A medida foi divulgada pelo MPF na segunda-feira (19).

    Assinada em 17 de outubro pelo procurador regional eleitoral Fernando Rocha de Andrade, a recomendação abrange o transporte urbano municipal e o rodoviário intermunicipal. Nos locais onde o serviço regular não exista ou seja insuficiente, pede que as prefeituras criem linhas especiais gratuitas para atender localidades distantes dos pontos de votação.

    A gratuidade já está prevista no artigo 23 da Resolução nº 23.751/2026 do Tribunal Superior Eleitoral, que também inclui o transporte metropolitano. A norma determina atendimento sem discriminação entre eleitores e proíbe propaganda eleitoral ou promoção pessoal de gestores durante a prestação do serviço.

    Segundo a recomendação, as prefeituras devem divulgar linhas, trajetos e horários até 23 de outubro e encaminhar essas informações à respectiva zona eleitoral. As empresas têm até o dia 22 para orientar seus funcionários e devem afixar avisos sobre a gratuidade nos guichês e veículos, além de manter os canais de atendimento funcionando.

    No transporte entre cidades, o MP orienta que as passagens sejam emitidas para os trechos vinculados ao domicílio eleitoral do passageiro, independentemente do município de origem ou do sentido da viagem. Também recomenda que as empresas não criem exigências sem previsão nas normas, como cadastro prévio, agendamento ou pagamento para obter o bilhete gratuito.

    Para as viagens rodoviárias intermunicipais, a Portaria nº 055/2026 do DER/RN, publicada no Diário Oficial de 14 de outubro, estabelece a retirada das passagens de ida e volta entre 19 e 23 de outubro, com encerramento às 20h do último dia. A solicitação pode ser feita nos guichês da Transpasse, da Atomp ou da empresa permissionária, mediante título de eleitor, e-Título ou outro meio idôneo, físico ou eletrônico, que comprove a identidade e o local de votação.

    Se os assentos do horário solicitado estiverem esgotados, a recomendação orienta a empresa a registrar a ocorrência, oferecer o horário disponível mais próximo e comunicar a demanda ao Departamento de Estradas de Rodagem do RN, para avaliação de reforço da frota.


  • Encerrado prazo de registro de pesquisas para divulgação no dia do 2º turno

    Terminou na segunda-feira (19) o prazo para registrar pesquisas eleitorais realizadas antes da votação e destinadas à divulgação no domingo (25), dia do segundo turno das Eleições 2026. O cadastro deve ser feito no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle). Esse é o alcance da data-limite estabelecida pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    A regra exige cinco dias completos entre o registro e a divulgação, sem contar nenhuma dessas duas datas. Para um levantamento registrado em 19 de outubro, por exemplo, o intervalo corresponde aos dias 20 a 24, permitindo a publicação a partir do dia 25. Pesquisas realizadas antes da votação podem ser divulgadas inclusive durante o domingo eleitoral, desde que cumpridos esse intervalo e os requisitos de divulgação previstos na Resolução TSE nº 23.600/2019.

    A publicação dos resultados precisa apresentar o período da coleta, a quantidade de entrevistas, a margem de erro e o nível de confiança. Também deve identificar o instituto responsável, quem contratou o levantamento, quando houver contratante, e o número de registro. Essas exigências foram reiteradas pelo TSE em comunicado publicado na segunda-feira.

    O registro não obriga a divulgação dos resultados, e a Justiça Eleitoral não faz controle prévio deles nem assume sua publicação. Para consultar informações sobre uma pesquisa registrada, o público pode recorrer ao PesqEle, que reúne dados como metodologia, tamanho da amostra, margem de erro, responsável técnico e questionário, conforme as orientações do TSE.


  • Campanha de Lula prepara pedido de cassação da chapa de Flávio

    A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação da chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), sob a acusação de favorecimento ao adversário nas plataformas da Meta. A iniciativa foi divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada pela Band com a campanha. Segundo a emissora, o protocolo está previsto para esta terça-feira (20).

    A equipe jurídica prepara uma ação de investigação judicial eleitoral, conhecida como Aije, com alegações de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Segundo a reportagem da Folha, os advogados sustentam que recomendações de conteúdo, ferramentas de inteligência artificial e mecanismos de análise de anúncios teriam beneficiado Flávio e prejudicado Lula no Instagram, Facebook e WhatsApp.

    Entre as providências pretendidas está a apresentação de dados sobre o alcance das publicações e os critérios usados pelos sistemas para ordenar conteúdos. A CNN Brasil, que informou ter acesso a um trecho da peça, relata que a campanha também pretende questionar o cumprimento de decisões anteriores sobre igualdade de tratamento entre os candidatos.

    A Meta nega interferência eleitoral. Em comunicado publicado em 16 de outubro e atualizado no dia 18, a empresa afirma que não distribui conteúdo segundo a orientação política. Atribui os problemas com anúncios a incidentes técnicos que afetaram usuários de diferentes países. Sobre a geração de imagens eleitorais por inteligência artificial, diz que uma falha nos filtros permitia pedidos com primeiros nomes e números de candidatos de ambos os lados, e que o problema foi corrigido em 14 de outubro.

    A defesa de Flávio informou à Folha que se pronunciaria sobre a nova ação depois do protocolo.

    Em processo anterior, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou, em 15 de outubro, medidas para assegurar tratamento igualitário às duas candidaturas. Conforme a CNN Brasil, o ministro ressaltou o caráter preventivo da liminar e não concluiu, naquela fase, que a plataforma tivesse manipulado a distribuição de conteúdos em benefício ou prejuízo de algum candidato.

    Em nova decisão, noticiada pela Folha em 19 de outubro, Bellizze concedeu 24 horas para a Meta comprovar o cumprimento das determinações. O magistrado estabeleceu que, em caso de descumprimento do prazo, a multa diária passaria de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.


  • Lula e Flávio provam que ambos serão tragédias para o Brasil

    O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band, neste domingo (18), reforça minha convicção de que o Brasil terá motivos para lamentar a vitória de qualquer um deles. Nos confrontos exibidos até aqui, vejo uma disputa empobrecida pela agressividade, pelo oportunismo e pela tentativa de transformar a rejeição ao adversário em licença para governar.

    O eleitor tem o direito de exigir mais. Está em jogo quem conduzirá o país, administrará recursos públicos e tomará decisões que chegam à mesa, ao trabalho e à segurança das famílias. O baixo nível de várias passagens do debate desrespeita a importância dessa escolha.

    Flávio resolveu constranger o eleitor de Lula associando sua escolha à de criminosos. Em determinado momento, afirmou: “Você vai votar igual ao ladrão do seu celular”. É um recurso grosseiro: tenta contaminar moralmente milhões de cidadãos pela preferência eleitoral atribuída a quem comete crimes. Essa associação serve à hostilidade entre brasileiros e acrescenta muito pouco à discussão sobre como protegê-los. Veja o trecho.

    Lula também escolheu o deboche. Diante da provocação sobre votos nas prisões, respondeu: “Até teu pai”, referindo-se a Jair Bolsonaro. Mais adiante, dirigiu a Flávio a frase: “As pessoas mentem pelos olhos”. A primeira intervenção alimenta a disputa familiar; a segunda troca a demonstração de uma mentira pela pretensão de identificá-la na expressão do adversário. Considero ambas muito aquém da responsabilidade de um presidente. Veja a troca e a fala sobre os olhos.

    Outra passagem expôs a mesma degradação. Enquanto Lula cobrava explicações sobre o financiamento do filme de Jair Bolsonaro, Flávio disse que já havia explicado o assunto, afirmou que o dinheiro foi para a produção e ofereceu ao adversário uma entrada de cortesia, exaltando o pai. A cobrança sobre dinheiro merece resposta objetiva. Transformá-la em provocação sobre popularidade é uma maneira de empobrecer um assunto sério. Veja a passagem.

    Acusações sobre patrimônio, familiares e relações políticas exigem fatos verificáveis e respostas claras. Minha crítica é ao uso dessas questões como munição de palco. Repetir uma suspeita, responder com outra e recorrer à ironia deixa o eleitor cercado de insinuações. O conteúdo precisa ser apurado; o espetáculo, por si, não demonstra culpa nem esclarece inocência.

    Houve propostas e instrumentos mencionados. Flávio falou em enquadrar facções e milícias como organizações narcoterroristas e endurecer a legislação. Lula defendeu a PEC da Segurança e maior atuação federal, ao criticar os resultados dos estados. Essas ideias merecem exame rigoroso. Para me convencer, seus defensores precisam explicar execução, financiamento, responsabilidades e resultados que possam ser cobrados. Propostas de Flávio e posição de Lula na cobertura da Band.

    É nesse ponto que vejo o vazio das promessas e o oportunismo da apresentação. Anunciar mais dureza ou mais poder para a União rende uma frase forte. O cidadão precisa saber como isso produzirá investigação eficaz, fronteiras fiscalizadas e menos domínio criminoso nos bairros. Minha régua para avaliar os candidatos é essa. As intervenções acompanhadas até aqui ficaram longe de me satisfazer.

    Lula, como presidente, deve prestar contas do que entregou e explicar o que ainda falta fazer. Flávio, como postulante ao cargo, precisa demonstrar capacidade própria e sustentar suas soluções para além da exaltação do pai. Ambos devem respostas ao eleitor, inclusive àquele que não integra suas torcidas.

    A conclusão política que tiro desse confronto é dura: vejo em ambos a perspectiva de uma tragédia para o Brasil. Nenhuma antipatia pelo adversário me obriga a aceitar ataques vazios, promessas de efeito ou uma conversa tão pequena sobre um país tão grande. Quem pede a Presidência tem a obrigação de estar à altura dela.





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