O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, prometeu uma resposta firme aos recentes ataques russos que atingiram Kiev e deixaram ao menos 24 mortos, entre eles três crianças. Após visitar os escombros de um prédio residencial destruído por mísseis e prestar homenagem às vítimas com rosas vermelhas, Zelenskyy afirmou que “nenhum ataque do agressor ficará sem resposta”.
O líder ucraniano se reuniu com integrantes do alto comando militar e de inteligência para discutir novas ações de retaliação de longo alcance contra a Rússia. Mais tarde, em pronunciamento divulgado em vídeo, confirmou que operações ofensivas já haviam sido autorizadas. Entre elas estaria um ataque realizado durante a madrugada contra uma refinaria de petróleo na cidade russa de Ryazan, que provocou um incêndio de grandes proporções, segundo informações das autoridades militares ucranianas.
O bombardeio à refinaria integrou uma ofensiva ampla com drones ucranianos de longo alcance direcionada a diversas regiões russas. Nos últimos meses, Kiev aumentou significativamente os ataques contra estruturas energéticas da Rússia, especialmente refinarias de petróleo, numa tentativa de pressionar economicamente Moscou. Dados divulgados por autoridades russas nas redes sociais indicam que o número de refinarias atingidas dobrou desde o início do ano.
A intensificação do confronto ocorre após três dias consecutivos de ataques massivos russos com mísseis e drones contra cidades ucranianas. O cenário também enfraquece as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou acreditar na proximidade de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. Trump reconheceu, porém, que os novos ataques contra Kiev podem comprometer as negociações diplomáticas em andamento.
Do lado russo, o presidente Vladimir Putin havia sinalizado recentemente que a guerra poderia se aproximar de um desfecho, mas a escalada militar dos últimos dias indica um cenário ainda distante de estabilidade.
Em outra frente do conflito, um tribunal de Moscou determinou que o grupo financeiro belga Euroclear pague cerca de US$ 250 bilhões em indenizações devido ao congelamento de ativos russos na União Europeia desde o início da guerra. A empresa declarou não reconhecer a autoridade da Justiça russa e classificou as acusações do Banco Central da Rússia como “infundadas”.
A guerra também continua produzindo impactos humanitários profundos. A Organização Mundial da Saúde, Organização Mundial da Saúde, alertou para o agravamento da crise de saúde mental na Ucrânia. Segundo o representante da entidade no país, Jarno Habicht, cerca de 71% da população apresenta episódios frequentes de ansiedade, estresse e insônia, reflexos diretos da violência prolongada do conflito. A OMS teme que os efeitos psicológicos possam atingir futuras gerações.
Enquanto isso, autoridades gregas investigam a origem de um drone marítimo carregado de explosivos encontrado na ilha de Lefkada, em 7 de maio. O governo da Grécia afirma que o equipamento seria de origem ucraniana, versão rejeitada por Kiev. Investigadores acreditam que o drone tenha sofrido uma falha técnica e saído de sua rota original antes de chegar ao território grego.
Também nesta sexta-feira, o Ministério do Desenvolvimento da Ucrânia informou que um ataque russo atingiu um terminal de grãos em um porto ucraniano, deixando sete feridos e causando danos à infraestrutura. O local exato do bombardeio não foi divulgado.
Na Alemanha, promotores confirmaram a prisão de um cidadão ucraniano suspeito de atuar como espião para a Rússia. Identificado apenas como Sergey N, ele havia sido detido na Espanha no fim de março e extraditado para território alemão nesta semana. Segundo as autoridades, o caso está sendo investigado pela Justiça alemã sob acusações de espionagem ligada ao governo russo.
Com informações do The Guardian




