Bebê Rena: uma jornada sombria através da solidão, abuso e superação

Sou um degustador de filmes e séries, aliás, de quase tudo que o audiovisual produz, dos gêneros que se colocam, só não assisto filmes de terror, acho desinteressante, mas os demais estou sempre consumindo. Com as diversas plataformas de streaming o consumo aumentou, porém, deixo claro que não dispenso ir ao cinema e consumir um filme numa boa telona, na companhia de pipoca quentinha, pois vejo algo de místico no ritual de ir ao cinema. Ah! Nunca antes havia escrito sobre filmes ou séries, e olha que devo ter assistido um número bastante razoável, mas nunca fiz as contas de quantos.

Destarte, isso mudou quando num belo domingo, desses que estou com a boca escancarada repleta de dentes, deitado em minha cama, e vejo no cardápio do streaming uma série com o nome “Baby Reindeer”, na tradução Bebê Rena. De princípio ri com esse nome, pensei, meditei, falei com minha taça de vinho: não vou assistir, deve ser uma droga com esse nome de m… 

Mas, de maneira oposta ao que pensei, resolvi assistir, e tamanha foi a surpresa, pois fiquei vidrado na tela, ao ponto de o vinho na taça virar purgante de tão quente, e, sem perceber, sete capítulos tinham se passado e eu estava absorto pela série. Seu enredo atravessou-me, por isso resolvi escrever. Não se preocupem, deixarei aqui apenas minhas impressões e poucos spoilers, então vocês podem ou não assistir a série tirando suas próprias conclusões depois dessa leitura.

Baby Reindeer, minissérie britânica da Netflix, mergulha em um turbilhão de emoções ao retratar a história real de Richard Gadd, interpretado por ele mesmo, que é um comediante em ascensão que se vê enredado em uma teia de obsessão, abuso e trauma. A série, com apenas sete episódios, tece uma narrativa crua e perturbadora, explorando os efeitos devastadores da solidão, do abuso sexual e do vício em drogas na mente e na alma de um indivíduo.

Logo no início somos apresentados a Donny, um jovem talentoso e carismático, mas que luta para encontrar seu lugar no mundo. Sua solidão o torna vulnerável à atenção de Martha, uma mulher misteriosa e instável, que rapidamente se torna obcecada por ele. O relacionamento tóxico entre ambos se intensifica, levando Donny a um espiral de sofrimento e desespero. A solidão toma conta de Donny, o isolando cada vez mais do mundo exterior. Ele se torna refém da manipulação de Martha, incapaz de escapar de suas garras. 

A série explora com maestria a fragilidade da psique humana diante da solidão, demonstrando como ela pode abrir portas para relacionamentos abusivos e comportamentos destrutivos.

O abuso sexual e o vício em drogas se configuram como mecanismos de fuga para Donny, que busca, em vão, aliviar a dor e o vazio que o consomem. A série retrata com brutal honestidade os efeitos devastadores desses traumas, não apenas no corpo, mas também na mente e no espírito.

Baby Reindeer não se limita a mostrar o lado sombrio da história, a série também oferece um vislumbre de esperança e redenção. Através da força interior e do apoio de amigos e familiares, Donny encontra forças para enfrentar seus traumas e reconstruir sua vida.

Após maratonar a minissérie posso dizer que a mesma serve como um alerta poderoso sobre os perigos da solidão, do abuso sexual e do vício em drogas. É um lembrete de que a saúde mental deve ser valorizada e protegida e que a busca por ajuda nunca é vergonhosa.

Com atuações excepcionais, uma trilha sonora envolvente e uma direção impecável, Baby Reindeer é uma obra de arte perturbadora, mas necessária. É uma série que te prende do início ao fim, te faz refletir e te convida a confrontar os fantasmas que assombram a alma humana.

Nessas poucas linhas, é impossível capturar a complexidade e a profundidade de Baby Reindeer. Mas espero que esta resenha sirva como um convite para explorar essa obra poderosa e comovente, que te fará questionar os limites da resiliência humana.

Claudio Wagner é professor, cientista da religião, historiador e poeta, autor do Livro Entre a Sombra da Razão e Razão da Sombra, CJA-2016.


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Ótima resenha, Claudio. Eu não recomendo a ninguém essa série, achei incomoda (quem quiser assistir o faça por sua conta e risco). Escreva mais resenhas de séries e filmes, inclusive de terror. É sempre boa a opinião de alguém que não gosta do gênero. *Parabéns*. 👏🏾👏🏾👏🏾






O Potengi

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Bebê Rena: uma jornada sombria através da solidão, abuso e superação

Sou um degustador de filmes e séries, aliás, de quase tudo que o audiovisual produz, dos gêneros que se colocam, só não assisto filmes de terror, acho desinteressante, mas os demais estou sempre consumindo. Com as diversas plataformas de streaming o consumo aumentou, porém, deixo claro que não dispenso ir ao cinema e consumir um filme numa boa telona, na companhia de pipoca quentinha, pois vejo algo de místico no ritual de ir ao cinema. Ah! Nunca antes havia escrito sobre filmes ou séries, e olha que devo ter assistido um número bastante razoável, mas nunca fiz as contas de quantos.

Destarte, isso mudou quando num belo domingo, desses que estou com a boca escancarada repleta de dentes, deitado em minha cama, e vejo no cardápio do streaming uma série com o nome “Baby Reindeer”, na tradução Bebê Rena. De princípio ri com esse nome, pensei, meditei, falei com minha taça de vinho: não vou assistir, deve ser uma droga com esse nome de m… 

Mas, de maneira oposta ao que pensei, resolvi assistir, e tamanha foi a surpresa, pois fiquei vidrado na tela, ao ponto de o vinho na taça virar purgante de tão quente, e, sem perceber, sete capítulos tinham se passado e eu estava absorto pela série. Seu enredo atravessou-me, por isso resolvi escrever. Não se preocupem, deixarei aqui apenas minhas impressões e poucos spoilers, então vocês podem ou não assistir a série tirando suas próprias conclusões depois dessa leitura.

Baby Reindeer, minissérie britânica da Netflix, mergulha em um turbilhão de emoções ao retratar a história real de Richard Gadd, interpretado por ele mesmo, que é um comediante em ascensão que se vê enredado em uma teia de obsessão, abuso e trauma. A série, com apenas sete episódios, tece uma narrativa crua e perturbadora, explorando os efeitos devastadores da solidão, do abuso sexual e do vício em drogas na mente e na alma de um indivíduo.

Logo no início somos apresentados a Donny, um jovem talentoso e carismático, mas que luta para encontrar seu lugar no mundo. Sua solidão o torna vulnerável à atenção de Martha, uma mulher misteriosa e instável, que rapidamente se torna obcecada por ele. O relacionamento tóxico entre ambos se intensifica, levando Donny a um espiral de sofrimento e desespero. A solidão toma conta de Donny, o isolando cada vez mais do mundo exterior. Ele se torna refém da manipulação de Martha, incapaz de escapar de suas garras. 

A série explora com maestria a fragilidade da psique humana diante da solidão, demonstrando como ela pode abrir portas para relacionamentos abusivos e comportamentos destrutivos.

O abuso sexual e o vício em drogas se configuram como mecanismos de fuga para Donny, que busca, em vão, aliviar a dor e o vazio que o consomem. A série retrata com brutal honestidade os efeitos devastadores desses traumas, não apenas no corpo, mas também na mente e no espírito.

Baby Reindeer não se limita a mostrar o lado sombrio da história, a série também oferece um vislumbre de esperança e redenção. Através da força interior e do apoio de amigos e familiares, Donny encontra forças para enfrentar seus traumas e reconstruir sua vida.

Após maratonar a minissérie posso dizer que a mesma serve como um alerta poderoso sobre os perigos da solidão, do abuso sexual e do vício em drogas. É um lembrete de que a saúde mental deve ser valorizada e protegida e que a busca por ajuda nunca é vergonhosa.

Com atuações excepcionais, uma trilha sonora envolvente e uma direção impecável, Baby Reindeer é uma obra de arte perturbadora, mas necessária. É uma série que te prende do início ao fim, te faz refletir e te convida a confrontar os fantasmas que assombram a alma humana.

Nessas poucas linhas, é impossível capturar a complexidade e a profundidade de Baby Reindeer. Mas espero que esta resenha sirva como um convite para explorar essa obra poderosa e comovente, que te fará questionar os limites da resiliência humana.

Claudio Wagner é professor, cientista da religião, historiador e poeta, autor do Livro Entre a Sombra da Razão e Razão da Sombra, CJA-2016.



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Ótima resenha, Claudio. Eu não recomendo a ninguém essa série, achei incomoda (quem quiser assistir o faça por sua conta e risco). Escreva mais resenhas de séries e filmes, inclusive de terror. É sempre boa a opinião de alguém que não gosta do gênero. *Parabéns*. 👏🏾👏🏾👏🏾