Dia da Consciência Negra: desigualdade racial no Brasil é persistente e desafiadora

Angelo Girotto Um estudo de dois anos realizado pelos professores Michael França e Alysson Portella, do Núcleo de Estudos Raciais do Insper, apresentou análises impactantes sobre a persistência dessas disparidades e seus reflexos na sociedade brasileira.


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Imagem Reprodução





A desigualdade entre brancos e negros no Brasil, cujas raízes remontam à escravidão, persiste como uma tragédia nacional. O livro “Os números da discriminação racial” (Editora Jandaíra), resultado do estudo de França e Portella, oferece uma perspectiva abrangente sobre a desigualdade em nossas terras.

O mercado de trabalho emerge como uma área onde a desigualdade racial persiste de forma notável. Os dados revelam que os pretos e pardos são predominantemente encontrados nos 20% dos trabalhadores que recebem os menores salários, muitas vezes ocupando empregos de menor qualificação e enfrentando subempregos e trabalhos informais.

Na esfera educacional, embora haja avanços impulsionados pelo aumento do acesso à escola, as desigualdades persistem. As cotas têm contribuído gradualmente para alterar o perfil dos estudantes nas universidades públicas, mas as disparidades nas notas dos alunos do Ensino Fundamental entre brancos e negros revelam que há muito a ser feito para alcançar uma igualdade real.

A área da saúde reflete outra faceta preocupante, onde a população negra enfrenta maiores dificuldades no acesso a serviços médicos, resultando em menor chance de diagnóstico precoce e aumentando os riscos de mortes por doenças crônicas.

Os números também destacam a brutal disparidade na criminalidade e violência. A taxa de homicídios entre negros é três vezes maior do que entre brancos, evidenciando que a população negra está mais exposta à violência, um fenômeno que se agrava em regiões como o Nordeste.

Em relação à renda, a pesquisa revela que, nos últimos 40 anos, os negros ganharam, em média, 14,25% a menos que trabalhadores brancos com características semelhantes. Embora haja um aumento na renda do trabalho dos negros em comparação com os brancos, a desigualdade persiste mesmo no topo da distribuição salarial.

O estudo destaca que, embora tenhamos avançado, o ritmo é mais lento do que desejado. Urge a necessidade de abordagens eficazes para combater a desigualdade racial em várias esferas da sociedade brasileira, buscando não apenas avanços quantitativos, mas também qualitativos em termos de igualdade de oportunidades e acesso aos direitos fundamentais.

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A desigualdade entre brancos e negros no Brasil, cujas raízes remontam à escravidão, persiste como uma tragédia nacional. O livro “Os números da discriminação racial” (Editora Jandaíra), resultado do estudo de França e Portella, oferece uma perspectiva abrangente sobre a desigualdade em nossas terras.

O mercado de trabalho emerge como uma área onde a desigualdade racial persiste de forma notável. Os dados revelam que os pretos e pardos são predominantemente encontrados nos 20% dos trabalhadores que recebem os menores salários, muitas vezes ocupando empregos de menor qualificação e enfrentando subempregos e trabalhos informais.

Na esfera educacional, embora haja avanços impulsionados pelo aumento do acesso à escola, as desigualdades persistem. As cotas têm contribuído gradualmente para alterar o perfil dos estudantes nas universidades públicas, mas as disparidades nas notas dos alunos do Ensino Fundamental entre brancos e negros revelam que há muito a ser feito para alcançar uma igualdade real.

A área da saúde reflete outra faceta preocupante, onde a população negra enfrenta maiores dificuldades no acesso a serviços médicos, resultando em menor chance de diagnóstico precoce e aumentando os riscos de mortes por doenças crônicas.

Os números também destacam a brutal disparidade na criminalidade e violência. A taxa de homicídios entre negros é três vezes maior do que entre brancos, evidenciando que a população negra está mais exposta à violência, um fenômeno que se agrava em regiões como o Nordeste.

Em relação à renda, a pesquisa revela que, nos últimos 40 anos, os negros ganharam, em média, 14,25% a menos que trabalhadores brancos com características semelhantes. Embora haja um aumento na renda do trabalho dos negros em comparação com os brancos, a desigualdade persiste mesmo no topo da distribuição salarial.

O estudo destaca que, embora tenhamos avançado, o ritmo é mais lento do que desejado. Urge a necessidade de abordagens eficazes para combater a desigualdade racial em várias esferas da sociedade brasileira, buscando não apenas avanços quantitativos, mas também qualitativos em termos de igualdade de oportunidades e acesso aos direitos fundamentais.

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