O América-RN se despede de um dos nomes mais marcantes de sua história recente. Aos 38 anos, o meio-campista Souza anunciou o fim de sua carreira como jogador profissional, encerrando um ciclo de quase duas décadas no futebol. A decisão pegou parte da torcida de surpresa, mas foi amadurecida pelo atleta, que deixa os gramados com um legado expressivo dentro e fora de campo.
Ídolo do clube alvirrubro, Souza foi peça-chave em uma das fases mais vitoriosas do América nos últimos anos. Vestindo a camisa 8, participou diretamente da conquista de três campeonatos estaduais consecutivos (2024, 2025 e 2026). Entre os momentos mais emblemáticos, está o pênalti decisivo convertido na final que garantiu o tetracampeonato potiguar no dia 21 de março deste ano.
Apesar das conquistas, os últimos meses também trouxeram desafios. O jogador esteve envolvido em momentos difíceis, como o pênalti desperdiçado que culminou na eliminação da equipe na Copa do Brasil diante do Volta Redonda, além da derrota por 3 a 0 no clássico contra o ABC, que gerou críticas da torcida. Ainda assim, Souza tratou esses episódios com maturidade, reforçando que a cobrança faz parte da carreira de um atleta experiente.
Durante sua passagem pelo América, o meia disputou 90 partidas, marcou 21 gols e contribuiu com 27 assistências — números que evidenciam sua importância técnica e tática no elenco. Ao longo de toda a carreira, acumulou 661 jogos, 108 gols e nove títulos, incluindo conquistas relevantes no futebol brasileiro e internacional.
Mais do que estatísticas, Souza deixa uma imagem consolidada de liderança, profissionalismo e comprometimento. Sua trajetória foi reconhecida inclusive pela diretoria do clube, que destacou sua postura exemplar como referência para os mais jovens.
Natural de Posse, em Goiás, o jogador relembra sua trajetória como uma superação constante. Sem passar pelas categorias de base tradicionais, iniciou sua caminhada no futebol profissional já na fase adulta, ganhando espaço em Brasília antes de chegar ao cenário nacional. Foi no Palmeiras, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, que teve sua grande oportunidade, inclusive disputando competições de alto nível como a Libertadores.
Ao longo da carreira, também acumulou passagens marcantes por clubes como Cruzeiro — onde foi campeão brasileiro —, Bahia, Náutico e pelo futebol japonês, defendendo o Cerezo Osaka, onde também conquistou títulos importantes.
Sobre a aposentadoria, Souza afirmou que encara o momento com tranquilidade, apesar de ainda estar assimilando a mudança. Ele não descarta permanecer ligado ao futebol, seja em funções técnicas ou administrativas, mas prefere adiar qualquer decisão até que a “poeira baixe”.
O ex-jogador seguirá em Natal até o fim do ano por questões familiares e cogita a realização de um jogo de despedida para celebrar sua história com o América. Enquanto isso, garante que continuará acompanhando o clube de perto.
A despedida de Souza marca o fim de uma era recente no América, mas seu legado permanece vivo na memória da torcida e na história do clube.






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