Trump eleva o tom contra Maduro mas perdoa ex-presidente hondurenho condenado por tráfico de drogas







Trump eleva o tom contra Maduro mas perdoa ex-presidente hondurenho condenado por tráfico de drogas







O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o governo de Nicolás Maduro ao afirmar, em uma publicação nas redes sociais, que o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela deve ser considerado “fechado em sua totalidade”. A declaração ocorre em meio à promessa de intensificar o combate a cartéis de drogas no Hemisfério Ocidental, apontados pelo presidente e seus assessores como uma das principais ameaças à segurança nacional.

A escalada retórica, no entanto, coincidiu com um gesto controverso. Menos de 24 horas antes, Trump havia anunciado que concederia perdão total a Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras condenado nos Estados Unidos por tráfico de drogas. A decisão — ainda não formalizada — surpreendeu autoridades envolvidas no caso, já que Hernández foi apontado por procuradores como beneficiário de “propinas abastecidas por cocaína” e acusado de proteger operações de cartéis utilizando estruturas do Estado hondurenho, como Forças Armadas, polícia e sistema de justiça.

A contradição entre endurecer o discurso contra o narcotráfico e perdoar um condenado por tráfico repercutiu entre ex-integrantes do governo americano. “Explodimos barcos ‘suspeitos’ no Caribe, mas perdoamos traficantes condenados nos EUA”, criticou Todd Robinson, ex-secretário assistente de Estado para assuntos internacionais de narcóticos, em postagem no LinkedIn.

Trump justificou o gesto afirmando que “muitos amigos” solicitaram o perdão, argumentando que a pena de 45 anos aplicada a Hernández teria sido influenciada pelo fato de ele ocupar a Presidência de Honduras. Em sua justificativa, Trump afirmou: “Isso poderia acontecer com qualquer presidente de qualquer país.”

Paralelamente, autoridades americanas reiteraram que o governo está direcionado a fortalecer ações contra cartéis na América do Sul e no Caribe. “Vamos garantir que o povo americano esteja seguro e protegido do crime organizado transnacional”, disse Stephen Miller, assessor sênior do presidente. Segundo ele, a Venezuela seria comandada por um “grupo narco-terrorista”.

Pouco depois da publicação sobre o perdão, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, reforçou a postura combativa do governo ao declarar nas redes sociais: “Apenas começamos a matar narco-terroristas.”


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