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Olá, queridos! Como vão?
Faz uns dias que eu venho pensando em um nome. Não um nome simples nem muito usado. Um nome que mais parece daquela tia querida que viveu na década de 60, do século XX, mas que na verdade representa um conceito que, formalmente, surgiu na década de 80, do século XVII, mais precisamente em 1687.
Foi o ano em que Sir Isaac Newton, um físico inglês, publicou sua obra “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural” na qual ele apresentava, entre outros vários ensinamentos na área, uma lei da física que viria a ser conhecida como a sua 1ª. E que, anos depois, viria assombrar algumas de nossas aulas e provas escolares. A 1ª Lei de Newton. Também conhecida pelo nome que vem ocupando minha mente nos últimos tempos. Eu estou falando da Inércia.
Relembrando o conceito e colocando-o em uma forma mais direta, a Inércia é uma força, é aquela resistência existente nos corpos (e por corpos, a gente entende, grosseiramente, por qualquer coisa que tenha massa, matéria, que podemos pegar) a mudanças no seu estado de movimento, até que uma força maior altere esse estado. Se um corpo está parado, tende a ficar parado até ser movido por uma força suficiente para isso. E se está em movimento, tende a continuar assim até que uma força suficiente o pare.
(E por que danado essa mulher está pensando em física? Ela não é de humanas? Por que eu ainda leio os textos dela, ein?)
Calma, meu povo! Não é necessariamente na aplicação física da Inércia que eu estava pensando, mas em como ela está presente em muito mais coisas da nossa vida que imaginamos. Essa resistência também se manifesta quando precisamos mudar de rumo, tomar decisões, mudar de atitudes e hábitos, realizar tarefas e por aí vai.
Vocês podem até argumentar que tudo isso tem a ver com força, mas força de vontade, com pensamento positivo, com nosso interior. E que isso não poderia ser considerado uma força física, nem relacionado a corpos físicos. Mas vamos considerar que se aplica, sim, ao que estou querendo tratar aqui por dois motivos. Primeiro que há vertentes de estudo que afirmam que o pensamento tem massa, tem forma. Então esse conceito pode ser aplicado, sim.
Segundo que é muito comum as pessoas utilizarem esse conceito para falar de movimento psicológico, mental e emocional. “Sai dessa inércia, toma uma decisão logo!” ou ainda “Vai ficar aí inerte olhando a vida passar?”.
Agora, voltando ao motivo desse nome nem simples nem muito usado estar rondando meus pensamentos. Não tem a ver, precisamente, com a atuação dessa força, mas sim com o quanto é difícil, para todos nós, vencê-la em diversas situações.
Quantas vezes já não dissemos a nós mesmos que “segunda-feira eu começo”? Quantas vezes ensaiamos uma mudança de atitude, de hábitos, de vida, de carreira, de corte de cabelo, de banda favorita, do lado da cama?
Claro que podemos classificar isso, também, como procrastinação. Outra palavrinha não muito frequente no nosso dia a dia (ainda que sua presença seja). Mas, ainda assim, para sair da procrastinação é preciso vencer a inércia.
Esses dias eu estava na academia utilizando um dos aparelhos que sempre uso, olhando para o nada, no intervalo de um minuto entre uma série e outra de repetições. De repente, esse minuto acabou e eu simplesmente não tinha forças para me movimentar. Não era força física, era mental mesmo. O peso da máquina continuava igual, o exercício já era conhecido pelo meu corpo. Mas, por algum motivo, eu não me mexia.
Eu olhava para o nada e a cabeça estava longe… “hum, lascou um pedaço da minha unha; lascou a tinta no teto também; aonde essa formiga tá indo?; o tapete desse equipamento com essa logo assim parece que tá saindo dele mesmo, lembra aqueles livros da minha infância que a gente tinha que olhar do jeito certo para ver a imagem em 3D; eu só conseguia ver em baixo relevo; será que isso tem a ver com meu cérebro meio bagunçado?”
Quando eu falei que o conceito de Inércia é a resistência que existe em permanecer até que uma força maior a vença, eu já tinha colocado esse conceito em prática antes de vir falar isso tudo com vocês. E qual foi a força maior? Lembrei que tenho que deixar de moleza e veio uma explosão de animação nos meus músculos e eu me mexi?
Sim. E não. A explosão de animação aconteceu, sim. Mas uma animação que me fez levantar do equipamento e correr até a recepção para pedir papel e caneta porque eu tinha que anotar todas as divagações que se passavam na minha cabeça naquela hora.
Depois eu voltei ao equipamento e terminei as três séries de quinze-repetições-mais-10-segundos-em-isometria. (Algo interessante que observei é que essa série não colabora para meus pensamentos se perderem, só consigo pensar em uma coisa: sair dali).
O que parecia um trabalho hercúleo, me mover, virou uma tarefa feita quase sem sentir quando o incentivo para isso foi o correto. Ainda no assunto academia, eu viva repetindo que “jamais que eu acordo de madrugada para ir para a academia”. Corta para hoje, eu não me imaginando malhar em outro horário que não seja às 5h da manhã porque, em outra época, minhas prioridades me obrigaram a mudar para esse horário e eu me acostumei de tal forma que agora repito “jamais que eu vou para a academia em outro horário”. Nesse caso, a força maior foram essas outras prioridades, não o horário em si.
E nós todos bem sabemos que isso se aplica a tudo nas nossas vidas. Tudo mesmo. Talvez nossa resistência em mudar algo em nós mesmos, em mudar de rumo, de juízo, de cor da sainha de crochê que cobre o galão de água, talvez essa resistência, essa inércia, só continue a existir porque ainda não encontramos a força maior capaz de operar em nós esse movimento.
Pode ser que vocês já tenham tentado de várias formas e nada deu certo. Não encontraram ainda essa motivação suficiente para vencer a inércia que lhes prende a algo. Mas isso não quer dizer que ela não exista.
Para uns é necessário um ritual de início de novo hábito, para outros a boa e velha segunda-feira, há ainda os mais privilegiados para quem um simples “1, 2, 3 e já!” resolve.
O fato é que não há uma fórmula mágica que ajude a todos a vencer a inércia. Menos ainda uma que vença todas as resistências de uma única pessoa. E pior: às vezes a mesma pessoa precisa de forças diferentes para a mesma inércia em momentos diferentes. Ou vocês acham que “Vamos, levanta dessa cama!” funciona do mesmo jeito nos dias chuvosos que nos dias de Sol?
Cabe a cada um de nós nos experimentar, nos explorar, nos conhecer. Tentar entender que sentimentos e pensamentos rondam nossas cabeças naquele momento e qual a força que mais efetivamente poderá vencer aquela inércia específica.
Mulheres aqui vão me entender melhor quando eu digo que isso não é um trabalho fácil quando você transita em uma roleta russa de emoções ao longo do mês e nem tem a tranquilidade de todo mês ser igual. Mas, talvez sejamos as que mais fácil conseguem descobrir sua força interna por nos permitirmos tão naturalmente entrar em contato com nossas emoções e sentimentos.
Resumindo tudo isso, o que eu queria dizer a vocês é que é perfeitamente normal nos percebermos inertes vez ou outra na vida. É humano nos vermos sem forças para dar um passo, seja ele físico, emocional, psicológico. Está tudo bem isso.
Mas, antes de humanos, somos seres vivos. E o instinto mais básico, mais intrínseco de todo ser vivo é a sobrevivência, é se manter vivo. E a vida, meus queridos, é movimento. Até as rochas podem ser movidas, por que nós havemos de ceder à resistência de movimento que nos acomete vez por outra?
Vamos usar e abusar dessa nossa jornada pelo autoconhecimento e descobrir dentro de nós todas as forças, para cada resistência e momento específicos, que nos ajudem a vencer toda e qualquer inércia que ouse nos impedir de andar, de crescer, de evoluir, de ir atrás do que queremos, amamos e sonhamos.
Aqui só uma observação final pelo cuidado da saúde. Pelo conceito apresentado, a Inércia manter o corpo no estado em que está, seja parado ou em movimento. Não usem esse texto para dizer que estou incentivando vocês a se tornarem criaturinhas abençoadas que não param nunca. De caótico e bagunçado já basta meu cérebro.
Então vençam a inércia que quer impedir o movimento, mas também a que quer manter o movimento eterno. Um “para um pouquinho, descansa um pouquinho” é crucial para a saúde e, claro, organizar os incríveis e significativos movimentos que pretendemos fazer.
Até a próxima!







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