O senador potiguar Styvenson Valentim (PSD) se tornou alvo de críticas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após defender a criação de um sistema nacional de navegação por satélite, apelidado de “GPS Brasileiro”. Embora apresentada como uma proposta voltada à soberania tecnológica e à segurança nacional, a ideia foi interpretada como uma crítica indireta às recentes investidas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por sanções dos Estados Unidos contra o Brasil.
A proposta de Styvenson não é nova. Em 2023, ele protocolou o projeto de lei 4569/2023, que trata do desenvolvimento de um sistema próprio de geolocalização, a fim de reduzir a dependência do Brasil em relação a tecnologias estrangeiras. Em publicação nas redes sociais, o senador destacou que o projeto busca fomentar parcerias entre instituições públicas e privadas, fortalecendo a autonomia tecnológica do país.
Mas a defesa da proposta veio justamente em meio ao agravamento da crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Na última sexta-feira (18), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou busca e apreensão contra Jair Bolsonaro, impôs uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e proibiu o ex-presidente de se comunicar com outros investigados, entre eles, Eduardo Bolsonaro, atualmente nos EUA. Em resposta, Marco Rubio, chefe do Departamento de Estado norte-americano, revogou o visto diplomático de Moraes e acusou o ministro de conduzir uma “caça às bruxas”.
A retaliação foi celebrada por Eduardo Bolsonaro, que passou a articular novas sanções contra o Brasil, incluindo a possibilidade de bloqueio do sistema de GPS americano ao território brasileiro, o que afetaria profundamente setores logísticos, militares e industriais do país.
Nesse contexto, a defesa do “GPS Brasileiro” por Styvenson foi vista por bolsonaristas como uma crítica velada ao movimento de Eduardo, gerando forte reação nas redes sociais. “O Brasil não precisa de GPS, senador. Precisa de coragem para frear a ditadura do Judiciário”, escreveu um seguidor. Outro ironizou: “Qual sua proposta para impedir as atrocidades do STF?”. “Você depende dos votos dos bolsonaristas. Está vendo tudo e não faz nada. Isso vai chegar nas urnas em 2026”, alertou outro comentário.
Styvenson também é o único senador do Rio Grande do Norte que ainda não se manifestou sobre o “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump. A medida, que elevou em 50% as taxas de importação sobre produtos brasileiros, pode trazer impactos significativos para a economia do estado, especialmente nas cadeias produtivas de sal marinho e pescados, com riscos de desemprego e perda de competitividade internacional.
Enquanto a senadora Zenaide Maia (PSD) classificou as tarifas como “chantagem política”, o senador Rogério Marinho (PL) saiu em defesa da decisão de Trump, tratando-a como um mecanismo legítimo de pressão sobre o STF. Marinho é pré-candidato ao governo do estado e principal nome do bolsonarismo no RN. Styvenson, por sua vez, declarou apoio incondicional ao colega de bancada para as eleições de 2026, afastando-se cada vez mais da imagem de “outsider” que o consagrou nas eleições de 2018.
*Com informações da Agência Saiba Mais







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