A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebe, nesta quarta-feira (3), o sociólogo Jessé Souza para o lançamento de sua nova obra, Por que a esquerda morreu?. O evento integra a 14ª edição do projeto Na Trilha da Democracia, promovido pelo ADURN-Sindicato, e será realizado às 19h, no Auditório Otto de Brito Guerra, na Reitoria da instituição. A atividade é gratuita e aberta ao público, com parceria da Editora Civilização Brasileira e da Livraria Cooperativa Cultural.
Retornando a Natal, sua cidade natal, Jessé apresenta um livro que busca interpretar a crise contemporânea das forças progressistas, tanto no Brasil quanto em escala global. Na obra, o autor argumenta que a perda de influência da esquerda não decorre de esgotamento ideológico, mas da profunda transformação no pacto social das últimas décadas — marcada, segundo ele, pelo avanço de valores moldados pela reação dos super-ricos desde os anos 1970.
Em entrevista ao Jornal da Educação, Jessé avaliou o cenário atual com pessimismo, apesar da força eleitoral do presidente Lula. “O contexto é desolador na esquerda, exceto Lula. A narrativa do partido não chega às pessoas mais pobres. A extrema direita oferece uma história para explicar o mundo — manipuladora, mas eficaz. A esquerda não consegue montar isso”, afirma.
O autor sustenta que a esquerda falha em ocupar o imaginário popular, abrindo espaço para que grupos de extrema direita apresentem versões simplificadas da realidade, capazes de mobilizar emocionalmente parcelas vulneráveis da população. Para ele, o campo progressista precisa reconstruir sua capacidade de narrar o país e seus conflitos.
Jessé também aponta fatores estruturais que contribuíram para o enfraquecimento da esquerda, como a reação conservadora das elites aos movimentos culturais, políticos e sociais das décadas de 1960 e 70. Ele lembra que pautas como feminismo, direitos civis e crítica ao produtivismo industrial foram reinterpretadas pelo capitalismo para criar novas formas de exploração e consumo, transformando valores de liberdade e autonomia em motores da lógica de mercado.
Outro ponto central de sua análise é o impacto das redes sociais no debate público. O sociólogo critica a formação de “bolhas autorreferidas” que inviabilizam diálogo e aprendizado coletivo. “São redes privadas americanas que operam com o Departamento de Estado e estimularam movimentos como a Primavera Árabe e o Brasil de 2013. Elas fragmentam a esfera pública em nome do lucro, dificultando ainda mais o trabalho da esquerda”, afirma.
Para Jessé, o desafio atual é reconstruir um imaginário social que denuncie a narrativa dominante — responsável, segundo ele, por naturalizar desigualdades — e ofereça uma história alternativa capaz de mobilizar os setores oprimidos. “É necessário montar uma nova história, por mais difícil que isso seja e por mais duros sejam os pontos de partida”, conclui.
O encontro também marca o reencontro afetivo de Jessé com a UFRN e com sua cidade natal. “Voltar a Natal é sempre emocional. É minha raiz, meu berço. Fico muito contente em ser bem recebido pelos meus conterrâneos”, disse o sociólogo, que não participava do projeto há quase uma década.
Autor de obras de impacto como A Elite do Atraso e A Radiografia do Golpe, Jessé Souza consolidou-se como uma das vozes centrais do pensamento social brasileiro contemporâneo. O público poderá assistir à palestra, participar do debate e adquirir o novo livro no local.
O evento acontece no dia 3 de dezembro, às 19h, no Auditório Otto de Brito Guerra, na Reitoria da UFRN. A entrada é gratuita.






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