RN pode sentir efeitos do tarifaço dos EUA a médio prazo, diz economista da UFRN


Economista Wellington Duarte analisa impactos do tarifaço dos EUA sobre o RN e diz que medida tem motivação geopolítica, não comercial: “Querem manter a unipolaridade”


Ícone de crédito Foto: Reprodução/Adriano Abreu


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RN pode sentir efeitos do tarifaço dos EUA a médio prazo, diz economista da UFRN


Economista Wellington Duarte analisa impactos do tarifaço dos EUA sobre o RN e diz que medida tem motivação geopolítica, não comercial: “Querem manter a unipolaridade”




Ícone de crédito Foto: Reprodução/Adriano Abreu


As novas tarifas de até 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entram em vigor no dia 1º de agosto, e já provocam apreensão entre setores exportadores. No Rio Grande do Norte, os efeitos diretos ainda são incertos, mas não devem ser ignorados. Para o economista Wellington Duarte, professor do Departamento de Economia da UFRN, as consequências serão sentidas principalmente pelas empresas que atuam diretamente com o comércio exterior e poderão repercutir no estado a médio prazo.

“Como estamos falando de relações comerciais internacionais, tratamos de produtos e serviços que tenham comércio com os EUA, especificamente. São os chamados ‘setores exportadores’ e nossa pauta tem alguns desses itens. Só saberemos o efeito real disso a partir de 1º de agosto, quando entra em vigor esse novo ‘tarifaço’, já que o governo e as empresas deverão refazer os cálculos desse impacto. Antes disso é pura especulação”, afirmou Duarte.

A medida anunciada por Donald Trump ocorre logo após a última reunião do BRICS, bloco econômico que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com crescente protagonismo de países em desenvolvimento. Para o professor Wellington Duarte, o gesto dos EUA tem motivações geopolíticas mais do que econômicas.

“Olha, é preciso destacar que as sanções vêm DEPOIS da reunião do BRICS, o que pode dar uma pista dos verdadeiros interesses de Trump.”

Segundo ele, a consequência mais imediata do tarifaço para as empresas é a necessidade de refazer contas e estratégias. “Bem, uma mercadoria que, exportada para os EUA, recebe uma tarifa de 50%, significa que terá de recompor seus custos operacionais para cobrir esse percentual, ou seja, ou aumenta o preço do produto, em dólar, o que significa aumento dos seus custos internos, com eventual redução da margem de lucro ou redireciona sua produção para o mercado interno, o que é pouco provável, devido ao fato de os custos dessas empresas exportadoras estarem vinculados ao câmbio.”

Apesar do impacto para o setor exportador, o consumo interno, segundo Duarte, não deve ser afetado de forma significativa neste primeiro momento.

“Mas o impacto sobre a renda e o consumo da população, nesse primeiro momento, sofre pouco efeito real, já que o consumo privado é muito mais fácil de ser redirecionado e aqueles que compram produtos norte-americanos, uma parcela muito pequena da população, ou para de comprar ou compra em outros mercados.”

Wellington aponta que o “tarifaço” apenas escancara uma realidade antiga e conhecida por estudiosos da economia potiguar, a baixa competitividade da estrutura produtiva do estado.

“O RN tem uma base econômica frágil e desatualizada historicamente. Isso não é novidade para ninguém e os discursos de potencializar o que o RN produz e tem, vêm se repetindo desde os anos 50. Um ‘tarifaço’, como este, não vai subjugar a economia do RN, exatamente devido à sua baixa competitividade, mas, como somos uma economia articulada com o resto do país, obviamente poderemos sentir os efeitos num futuro próximo.”

O professor descarta que ações isoladas do governo estadual ou de empresas potiguares possam resolver os impactos dessa nova política tarifária. Para ele, é preciso mobilização política em nível nacional.

“Os que acreditam que ações de governos ou empresas terão algum efeito sobre essa política absolutamente tresloucada de Trump, estão equivocados. Não é apenas um problema de relações comerciais e os que prestam mais atenção sabem por que os EUA estão com esse movimento agressivo: quer manter a unipolaridade. Simples assim.”

Ele completa, “A solução? Fazer um grande movimento cívico e patriótico (patriótico de verdade!) para dar suporte político ao governo central para que ele atue, como vem fazendo, negociando com os EUA. Quem não estão negociando com ninguém são os EUA, no melhor estilo do ‘Grande Porrete’, de Theodore Roosevelt.”




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