Rio Grande do Norte lidera geração de energia limpa no Brasil, mas esbarra no escoamento



Ícone de crédito Foto: Sandro Menezes


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Rio Grande do Norte lidera geração de energia limpa no Brasil, mas esbarra no escoamento





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O Rio Grande do Norte consolidou-se como um dos principais polos de energia renovável do país, e hoje ocupa posição de destaque na transição para uma matriz elétrica mais limpa. De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), aproximadamente 98% da energia gerada no estado tem origem em fontes renováveis, índice que reforça o protagonismo potiguar no cenário nacional. A produção é fortemente concentrada na energia eólica, que responde por mais de 85% da geração local, seguida pela energia solar, com pouco mais de 12%. As demais fontes, como termelétricas e pequenas hidrelétricas, têm participação marginal.

Mesmo com um território relativamente pequeno, o Rio Grande do Norte é responsável por cerca de 30% de toda a energia eólica produzida no Brasil, ficando atrás apenas da Bahia, estado com área significativamente maior. O desempenho é explicado, principalmente, pelas condições naturais favoráveis. A localização geográfica do RN permite a incidência constante dos ventos alísios, que chegam ao continente praticamente sem obstáculos, garantindo intensidade e regularidade ao longo de todo o ano. Essa característica resulta em maior eficiência dos parques eólicos, com elevada previsibilidade de geração, fator decisivo para a atração de investimentos desde a implantação dos primeiros empreendimentos, há cerca de duas décadas.

Além dos ventos, o estado também se beneficia de alta incidência solar, impulsionada pela proximidade com a Linha do Equador, baixa nebulosidade e reduzida umidade do ar. Esses fatores colocam a energia solar como a segunda principal fonte da matriz elétrica potiguar e sustentam a expansão do setor nos próximos anos. No entanto, o crescimento em números absolutos encontra limitações no tamanho do território. Com cerca de 52 mil quilômetros quadrados, o Rio Grande do Norte está entre os menores estados do país, o que restringe a instalação de grandes usinas solares quando comparado a outras regiões.

A capacidade instalada de geração, especialmente a eólica, supera amplamente o consumo interno. Estimativas indicam que o estado pode produzir até dez vezes mais energia do que consome mensalmente, transformando-se em um grande exportador de eletricidade para o Sistema Interligado Nacional. Esse cenário, porém, expõe um dos principais desafios do setor: a insuficiência da infraestrutura de transmissão. Em períodos de ventos intensos, parte da energia gerada deixa de ser aproveitada devido à falta de capacidade de escoamento, fenômeno conhecido como curtailment. Em determinados momentos, o Rio Grande do Norte já liderou os índices de cortes de geração no país, evidenciando a necessidade de reforço nas linhas de transmissão, subestações e soluções de armazenamento.

Apesar dos gargalos, os investimentos seguem em ritmo acelerado. Apenas em 2024, os aportes em novos projetos de energia eólica e solar no estado ultrapassaram R$ 10 bilhões. A estimativa do governo estadual é que, até 2030, o setor elétrico potiguar receba mais de R$ 55 bilhões em investimentos. Atualmente, o Rio Grande do Norte reúne centenas de parques em operação, além de dezenas de empreendimentos em construção ou com licenças já concedidas, consolidando uma cadeia produtiva robusta.

O estado também avança para novas fronteiras da transição energética. Em 2025, foi concedida a primeira licença do país para um projeto de energia eólica offshore, que será instalado no litoral potiguar e deverá funcionar como campo de testes para tecnologias emergentes. Paralelamente, a Petrobras anunciou a implantação da primeira planta de hidrogênio renovável da companhia no Rio Grande do Norte, com previsão de conclusão em 2026, reforçando o potencial do estado na economia de baixo carbono.

O impacto econômico do setor é significativo. Somente em 2024, mais de 13 mil empregos foram gerados na área de energias renováveis, principalmente nas fases de construção, montagem e serviços associados. Embora o protagonismo energético seja evidente, especialistas alertam que o desafio agora é transformar esse avanço em benefícios duradouros para os municípios e para a população, garantindo que os recursos atraídos pelo setor resultem em desenvolvimento econômico e social sustentável.




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