A eventual queda de Nicolás Maduro, caso confirmada, abre um dos cenários políticos mais incertos da história recente da Venezuela. Segundo declarações do governo dos Estados Unidos, trata-se da ação mais direta de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989, quando o general Manuel Noriega foi derrubado. Para setores mais linha-dura do governo Trump, a remoção de Maduro representaria uma vitória estratégica, especialmente diante das acusações norte-americanas de que o líder venezuelano estaria à frente de uma organização criminosa ligada ao narcotráfico — acusações que ele sempre negou.
Os Estados Unidos também não reconhecem a legitimidade das eleições venezuelanas de 2024, consideradas amplamente fraudulentas, enquanto Caracas acusa Washington de buscar o controle de suas vastas reservas de petróleo, as maiores do mundo. Nesse contexto, a prisão ou deposição de Maduro levanta uma questão central: quem governará a Venezuela agora?
Analistas apontam que a saída de Maduro não implica, automaticamente, o fim do chavismo. Três figuras-chave surgem como possíveis herdeiros do poder: a vice-presidente Delcy Rodríguez, o ministro do Interior Diosdado Cabello e o ministro da Defesa Vladimir Padrino López, todos com forte influência política e respaldo institucional. O fato de as Forças Armadas e grupos paramilitares terem permanecido leais ao regime até agora sugere que a transição pode ser controlada internamente.
Do outro lado, a oposição, liderada por María Corina Machado — vencedora simbólica das eleições de 2024 —, exige uma mudança profunda de governo e pode não aceitar uma simples substituição no topo do poder. Assim, mesmo sem novos ataques previstos, o futuro da Venezuela permanece indefinido, marcado por disputas internas, pressões externas e o risco de maior instabilidade política.






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