O Brasil passou a integrar oficialmente um programa internacional de apoio a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências, voltado diretamente à formação de pais e cuidadores. A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Saúde, marca a primeira adoção desse modelo como política pública governamental em um país das Américas.
O treinamento, denominado Caregiver Skills Training (CST), foi desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o Unicef e já está em funcionamento em dezenas de países. A proposta central é oferecer orientações práticas para o cotidiano familiar, fortalecendo a capacidade dos cuidadores de estimular o desenvolvimento infantil, manejar dificuldades comportamentais e favorecer a comunicação e a interação social das crianças.
A fase inicial de implementação no Brasil teve início com um treinamento presencial realizado no Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont (ISD), localizado em Macaíba, no Rio Grande do Norte. A atividade contou com a participação de formadores da OMS e envolveu 24 profissionais brasileiros que atuarão como supervisores do programa. Esses profissionais iniciaram a formação ainda no ano anterior, de maneira remota, e devem concluir o processo em meados deste ano.
Segundo o Ministério da Saúde, o CST segue um modelo padronizado internacionalmente, o que garante que as técnicas aplicadas no Brasil sejam as mesmas utilizadas em outros países. A padronização é considerada essencial, já que as estratégias não são executadas diretamente por profissionais da saúde, mas sim pelos próprios familiares das crianças, no ambiente doméstico.
O programa foi estruturado de forma escalonada. Após a formação dos supervisores, a próxima etapa prevê a capacitação de instrutores em cada estado, que, posteriormente, formarão facilitadores responsáveis pela aplicação direta das atividades com as famílias. Com isso, o governo espera ampliar gradualmente o alcance da iniciativa, chegando a diferentes regiões do país.
Mesmo durante a fase de formação, algumas famílias já começaram a receber orientações práticas, o que, de acordo com relatos de profissionais envolvidos, tem gerado respostas positivas no desenvolvimento das crianças. A estimativa do Ministério da Saúde é que cerca de 1,3 mil famílias sejam atendidas ainda em 2026. Para 2027, com a expansão do programa, a projeção é alcançar até 72 mil famílias em todo o território nacional.
A iniciativa integra a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) e está alinhada a programas federais voltados à ampliação do atendimento especializado. A adesão ao CST será voluntária por parte de estados e municípios, que poderão indicar profissionais para participar das formações.
O investimento previsto para a implementação do programa até 2030 é de aproximadamente R$ 13 milhões, com recursos destinados à qualificação profissional e à expansão das ações em nível nacional.








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