O Vaticano divulgou no fim de novembro uma nova orientação doutrinária que reafirma o papel do sexo no casamento para além da procriação. O documento, elaborado pela Dicastério para a Doutrina da Fé e aprovado pelo papa Leão XIV, afirma que a relação sexual entre cônjuges também tem a função de “fortalecer a união exclusiva do matrimônio”, ampliando a interpretação tradicionalmente associada apenas à geração de filhos.
Segundo o texto, a esterilidade não invalida a vida conjugal e tampouco restringe a vivência sexual do casal. Em “Uma só carne, elogio à monogamia”, o decreto apresenta o casamento como uma “união exclusiva e pertencimento recíproco”, defendendo que todo matrimônio autêntico se baseia em uma unidade indivisível entre duas pessoas. “Exige uma relação tão íntima e totalizante que não pode ser compartilhada com outros”, destaca.
Organizado em sete capítulos, além das conclusões, o documento reflete sobre o sentido do matrimônio no mundo contemporâneo. Para o Vaticano, a discussão se faz necessária diante do avanço tecnológico que alimenta a ideia de um ser humano “sem limites” e do crescimento de modelos como o poliamor no Ocidente. A monogamia, nesse contexto, é reafirmada como caminho para um amor que “se abre ao eterno”, e não como posse ou limitação.
Debate sobre Maria gera repercussão mundial
Além das orientações sobre o matrimônio, outra diretriz anunciada recentemente pelo papa provocou debates em vários países. Em documento publicado no início de novembro, o Vaticano orienta os fiéis a não utilizarem o título de “corredentora” ao se referirem à Virgem Maria.
Embora reconheça que Maria “cooperou” na obra redentora de Cristo, o decreto afirma que ela não desempenhou papel mediador na salvação. “Levando em consideração a necessidade de explicar o papel subordinado de Maria a Cristo na obra da Redenção, é sempre inoportuno o uso do título de Corredentora”, diz o texto.
A Santa Sé argumenta que o termo pode gerar confusão ao “obscurecer a única mediação salvífica de Cristo”, desequilibrando o conjunto das verdades da fé cristã. O documento cita ainda que “não há salvação em nenhum outro”, reafirmando que apenas Cristo possui o papel redentor.
As novas orientações consolidam a tentativa do Vaticano de atualizar temas sensíveis da doutrina, buscando responder aos desafios culturais, éticos e religiosos do século XXI.






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